Total de visualizações de página

quinta-feira, março 05, 2026

Os Desafios do Brasil com os Novos Problemas no Cenário Externo

 


OS DESAFIOS DO BRASIL NUM CENÁRIO GLOBAL ADVERSO

Quais são os objetivos centrais das políticas públicas adotadas pela quase totalidade dos 193 países membros da Organização das Nações Unidas? Em termos econômicos, dois vetores orientam a ação estatal:

1.    1) Elevar o Produto Interno Bruto (PIB) de forma sustentável no curto e médio prazo;

2.   2)  Ampliar o nível de emprego, reduzindo ao mínimo o desemprego estrutural e conjuntural.

Estes dois objetivos não são independentes. O crescimento sustentado do PIB tende a expandir a demanda por trabalho, aumentar a renda média e, ao longo de ciclos de quatro ou cinco anos consecutivos de expansão, reduzir a pobreza de maneira consistente.

Quando a população cresce a taxas moderadas- ou até declinantes, como ocorre em diversos países- o aumento contínuo do PIB per capita torna-se o principal mecanismo de elevação do padrão de vida. O crescimento econômico prolongado:

·         Gera oportunidades de emprego formal;

·         Eleva a massa salarial;

·         Amplia a arrecadação sem necessidade de elevar alíquotas;

·         Permite maior investimento público em infraestrutura e políticas sociais.

Por outro lado, países que não conseguem sustentar taxas robustas de crescimento acabam enfrentando um quadro visível de estagnação: escassez de oportunidades, precarização do mercado de trabalho e perda de dinamismo empresarial.

O Brasil historicamente apresenta dificuldade em manter ciclos longos de expansão econômica. O crescimento ocorre de forma intermitente, interrompido por crises fiscais, instabilidade política ou choques externos.

A comparação entre governos recentes tornou-se tema de debate público, especialmente porque a gestão anterior enfrentou uma crise sanitária global e, ainda assim, apresentou indicadores de recuperação econômica que parte da sociedade considera superiores aos do momento atual. Este fato elevou o nível de cobrança sobre o governo de Lula da Silva, tornando mais difícil a atribuição exclusiva de responsabilidades a fatores externos ou a administrações passadas.

É inegável que o contexto global se tornou mais complexo. A interdependência econômica entre países ampliou a transmissão de choques. Sequências inesperadas de eventos- conflitos geopolíticos, oscilações nos preços de energia e aperto monetário nas principais economias-produzem efeitos relevantes sobre nações emergentes.

Entre os riscos atuais destacam-se:

·         Elevação das taxas de juros globais, com potencial recessivo;

·         Incerteza quanto aos preços do petróleo e derivados;

·         Aumento das dívidas públicas;

·         Pressões inflacionárias persistentes;

·         Desaceleração da economia mundial.

Para um país como o Brasil, dependente de fluxos internacionais de capital e da exportação de commodities, este ambiente representa um desafio adicional significativo.

Mesmo em cenários internacionais favoráveis, promover simultaneamente crescimento do PIB, geração de empregos, controle inflacionário e redução da pobreza já constitui tarefa complexa. Em um ambiente externo adverso, essa tarefa exige:

·         Disciplina fiscal consistente;

·         Previsibilidade regulatória;

·         Estímulo ao investimento privado;

·         Segurança jurídica;

·         Planejamento estratégico de longo prazo.

A crítica central presente no debate atual reside na percepção de ausência de um plano econômico claro, com reformas estruturais e estratégias definidas para melhorar o ambiente de negócios e elevar a renda per capita de forma sustentável. Paralelamente, observa-se aumento da carga tributária efetiva, ampliando a arrecadação sem que se percebam contrapartidas proporcionais em eficiência do gasto público ou melhoria dos serviços prestados à população.

O Brasil encontra-se diante de um duplo desafio: um cenário internacional desfavorável e as limitações internas de gestão econômica. A superação deste quadro não depende apenas de retórica política, mas de políticas públicas estruturadas, baseadas em responsabilidade fiscal, estímulo à produtividade e fortalecimento do setor privado.  Sem um plano consistente de crescimento sustentável, o país corre o risco de prolongar a estagnação relativa, atrasando o avanço na redução da pobreza e na melhoria do padrão de vida da população. O debate que se impõe, portanto, não é apenas eleitoral, mas estrutural: qual modelo de desenvolvimento será capaz de garantir crescimento contínuo, geração de empregos e estabilidade macroeconômica no longo prazo?

Ilustração: FGV.


Reforma Tributária pode fechar grande maioria das micros e pequenas empresas

 


Reforma Tributária: a conta será mais pesada para MEIs e pequenas empresas

Os pequenos negócios são a espinha dorsal da economia brasileira. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) indicam que microempresas, empresas de pequeno porte e MEIs representam cerca de 98% das empresas ativas no país. Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que essas empresas concentram mais da metade dos empregos formais do setor privado, além de terem papel central na geração de novas vagas nos últimos anos. Apesar dessa relevância econômica e social, é justamente sobre este segmento que recaem os maiores riscos da Reforma Tributária.

Estrutura frágil diante de uma mudança estrutural

A estrutura de gestão das PMEs brasileiras ainda é marcada por informalidade administrativa, controles limitados e decisões tributárias reativas- tomadas, muitas vezes, apenas no momento do recolhimento dos impostos. Em um ambiente já pressionado por margens reduzidas, crédito restrito e alta volatilidade de custos, a reforma surge como um fator adicional de estresse financeiro.

O problema central não é apenas a mudança da lei, mas o nível de preparação das empresas. A reforma expõe uma realidade incômoda: grande parte dos pequenos negócios não sabe com precisão qual é seu lucro real, seu custo efetivo por produto ou serviço e quanto paga de imposto em cada operação.

Este cenário se torna especialmente delicado diante da substituição de tributos cumulativos por um modelo de IVA dual, estruturado em CBS e IBS. O novo sistema exigirá:

  • Controle rigoroso de créditos tributários
  • Revisão profunda de processos fiscais
  • Integração entre áreas que historicamente operam de forma isolada

Para empresas que ainda dependem de planilhas manuais ou informações fragmentadas, o risco vai além de pagar mais imposto. Envolve perda de previsibilidade financeira, redução de competitividade e, em casos extremos, ameaça à própria sobrevivência

A falsa sensação de proteção

Há, em muitas PMEs, uma subestimação do tamanho da mudança. Parte dos empresários acredita que estará automaticamente protegida pelo Simples Nacional ou por contratos de longo prazo já firmados. Esta percepção é equivocada.

A reforma impacta diretamente:

  • Formação de preços
  • Margens de lucro
  • Cadeia de créditos
  • Renegociação contratual
  • Estrutura de custos indiretos

Além disso, o novo modelo ampliará significativamente a capacidade de controle do Fisco sobre as operações empresariais. O ambiente fiscal será mais transparente-e também mais exigente.

Neste contexto, o planejamento tributário deixa de ser uma ferramenta pontual e passa a ocupar papel estrutural na estratégia do negócio. Não planejar, a partir de agora, significa assumir riscos diretos sobre o caixa e a continuidade da operação.

O erro estratégico: tratar contabilidade como mera obrigação

Um dos maiores desafios é cultural. Muitas PMEs ainda enxergam a contabilidade como serviço operacional voltado apenas ao cumprimento de obrigações acessórias.

Esta visão limitada torna-se perigosa em um momento em que a legislação exige leitura integrada de tributação, custos, contratos e modelo de negócio. A empresa que não integrar essas dimensões operará no escuro.

Cinco pontos críticos para reduzir riscos

Especialistas apontam cinco áreas de atenção imediata para as PMEs:

1. Avaliar o impacto real da reforma

É imprescindível compreender como a nova lógica tributária afeta produtos, serviços e contratos específicos. Sem essa análise técnica, decisões de preço e negociação serão tomadas com base em suposições.

2. Integrar as áreas da empresa

Tributação não pode mais ser responsabilidade exclusiva da contabilidade. Comercial, financeiro e jurídico precisam atuar de forma coordenada para proteger margens, evitar conflitos contratuais e preservar competitividade.

3. Revisar preços e margens

A mudança no modelo de impostos altera custos indiretos e dinâmica de créditos. Empresas que não recalcularem sua estrutura de preços podem perder faturamento e rentabilidade rapidamente.

4. Buscar assessoria especializada

A complexidade da transição exige apoio técnico qualificado. Parceiros com visão integrada — e não apenas operacional — serão fundamentais para reduzir riscos, retrabalho e exposição fiscal.

5. Entender que o planejamento será contínuo

A reforma não é um evento isolado. Regulamentações e ajustes ocorrerão ao longo dos próximos anos. Estratégias tributárias e financeiras precisarão de revisões periódicas. Há pontos ainda indefinidos que podem gerar mudanças imprevistas.

Quem se antecipa ganha; quem ignora reage sob pressão

As PMEs não podem tratar a Reforma Tributária como tema restrito às grandes corporações. Não há como escapar de seus efeitos.

Empresas organizadas- ou que se organizarem mais rapidamente- terão maior previsibilidade, margem de manobra e capacidade de negociação. Já aquelas que ignorarem a magnitude da transformação provavelmente reagirão sob pressão, sentindo primeiro o impacto no caixa.

A mudança é inevitável e já está em andamento. Para MEIs, micro e pequenas empresas, o custo da inércia pode ser significativamente maior do que o custo da adaptação.

Ilustração: Fenacon. 

 

domingo, fevereiro 15, 2026

CULTURA E GOSTO POPULAR: ENTRE A GRANDE ARTE E O VIRAL

 


Sinceramente, poucas vezes consigo me sintonizar com os pensamentos de Donald Trump - figura marcante no cenário político moderno e, como todo magnata acostumado a fazer o que quer, um egocêntrico. Apesar disso, não dá para negar que há momentos em que ele acerta a mão e acerta questões que muitos criticam com exagero. Por exemplo, a decisão de prender Maduro melhorou, ainda que parcialmente, o clima social e político na Venezuela, com milhares de pessoas sendo libertadas num processo que muitos veem como positivo.

Por outro lado, minha falta de interesse pelo Super Bowl é total. Trata-se de um espetáculo criado principalmente para o público estadunidense, e isso é legítimo- mas não consigo entender o entusiasmo global por ele. Ainda menos compreendo o fervor em torno de artistas como Bad Bunny- cuja música, para mim, simplesmente não ressoa.  Bad Bunny é hoje um dos maiores nomes da música latina no mundo, líder em números de streaming e presença global. Ele quebrou barreiras para artistas que cantam em espanhol e trouxe elementos culturais de Porto Rico para palcos como o do Super Bowl- algo que antes raramente acontecia.

Ainda assim, muitos veem seu show e estilo como ruins, repetitivos ou exagerados, declarando que ele “não canta bem” ou que sua presença em grandes eventos é fruto de um efeito de massa mais do que de um mérito artístico genuíno. Críticas online vão de comparações desfavoráveis com artistas populares locais até declarações duras como “Bad Bunny é pavoroso” e que sua fama seria apenas “histeria coletiva”.

É importante frisar que essa polarização não é incomum no debate cultural atual: enquanto uns o acusam de mau gosto e superficialidade musical- especialmente em performances como a do Super Bowl- outros celebram sua autenticidade e a maneira como ele representou a cultura latina em um palco global.

Do meu ponto de vista pessoal, o que se tornou predominante hoje é uma cultura que confunde quantidade com qualidade. O que viraliza na internet -muitas vezes impulsionado por algoritmos, marketing, memes ou incentivo financeiro- tende a ser visto como símbolo de sucesso, mesmo que não carregue profundidade artística. Esta valorização do sensacionalismo, do choque ou do bizarro como entretenimento contradiz a ideia tradicional de grande arte, que sempre exigiu complexidade, amadurecimento intelectual e um senso de grandeza que vai além do consumo rápido.

A arte de verdade aquela que desafia, ensina e transforma- exige silêncio, reflexão e reverência, coisas cada vez mais escassas em uma era em que tudo pode ser reduzido a padrões repetitivos e facilidades estilísticas. A música realmente memorável normalmente depende de composição cuidadosa, performance técnica e impacto cultural duradouro - características que, a meu ver, não se encontram tão facilmente nas tendências virais contemporâneas.

Por fim, embora eu me considere um elitista cultural, não ignoro completamente a diversidade de gostos nem descarto a relevância social de fenômenos populares- toda manifestação artística tem seu contexto e valor. Mas, penso que devemos diferenciar entre entretenimento efêmero e arte verdadeiramente significativa, e também compreender que o fato de algo ser amplamente consumido não garante automaticamente sua profundidade ou qualidade estética.

Parte superior do formulário

 

CARNAVAL NO NORTE E OS DESAFIOS DA ECONOMIA CRIATIVA REGIONAL

 


Cidades do Norte do Brasil, como Belém, Manaus e Porto Velho, têm experimentado, nos últimos anos, uma transformação significativa em seus carnavais. Com a “Banda do Vai Quem Quer” de Porto Velho, como exemplo, e outros blocos tradicionais, essas festas vêm atraindo crescente número de turistas nacionais e internacionais, impulsionadas pela ampliação da malha aérea e pela valorização das experiências culturais e gastronômicas únicas da região amazônica. Os investimentos em infraestrutura e segurança têm permitido que as festas ampliem seu alcance, contribuindo para a geração de renda e empregos. No entanto, por trás dos números positivos e do crescimento turístico, persiste uma queixa recorrente: o carnaval do Norte e a economia criativa regional não recebem o mesmo apoio que as festas consolidadas do Sudeste e Nordeste do país.

Os blocos tradicionais e grupos culturais da região amazônica enfrentam um paradoxo: enquanto suas festas ganham visibilidade nacional e internacional, os organizadores relatam dificuldades crescentes para viabilizar os desfiles. As principais reclamações incluem a falta de apoio institucional consistente, exigências burocráticas excessivas e, em alguns casos, o uso político das festas por autoridades que veem no carnaval apenas uma plataforma para promoção pessoal, sem compromisso real com o desenvolvimento da cultura local. Esta contradição revela uma questão estrutural: a economia criativa do Norte permanece subfinanciada e subvalorizada em comparação com outras regiões do país, apesar de seu inegável potencial econômico e cultural. O resultado é um cenário onde o sucesso público das festas não se traduz em sustentabilidade para os produtores culturais que as constroem.

Para reverter esse quadro e consolidar o carnaval do Norte como patrimônio cultural sustentável, algumas medidas podem ser implementadas:

1)    A criação de fundos permanentes para a cultura regional. Os fundos permanentes garantem previsibilidade aos produtores culturais, permitindo planejamento de longo prazo. Esses fundos devem ter critérios técnicos de distribuição, com participação de conselhos culturais representativos, evitando a distribuição política dos recursos;

2)    Desburocratização dos processos de licenciamento. A criação de balcões únicos para obtenção de licenças, alvarás e autorizações pode reduzir significativamente o tempo e o custo para organização dos blocos. Processos digitais e prazos claros também contribuem para maior transparência e eficiência administrativa;

3)    Programas de capacitação e profissionalização. Investir na formação de gestores culturais, técnicos de produção e empreendedores criativos fortalece toda a cadeia produtiva do carnaval:

4)    Editais com antecedência e continuidade. A publicação de editais de fomento com pelo menos seis meses de antecedência permite que os grupos se preparem adequadamente. Além disso, editais plurianuais oferecem segurança para projetos de maior fôlego e estimulam o desenvolvimento artístico consistente;

5)     Criação de espaços permanentes para ensaios e produção. A disponibilização de galpões culturais, centros de criação e espaços de ensaio gratuitos ou subsidiados reduz drasticamente os custos operacionais dos blocos e grupos;  

6)    Estruturação de programas de turismo cultural integrado. Articular o carnaval com outras manifestações culturais e atrativos regionais (gastronomia amazônica, turismo de natureza, festivais de música) pode ampliar o impacto econômico e descentralizar os benefícios para além do período carnavalesco.

Algumas cidades brasileiras demonstram como o apoio efetivo ao carnaval pode gerar resultados positivos para toda a comunidade. São exemplos, Salvador (BA), Recife e Olinda (PE), São Paulo (SP) e, mais recentemente,  Belo Horizonte (MG) e Florianópolis (SC).  São bons exemplos e é preciso entender que o carnaval do Norte possui características únicas que merecem ser preservadas e potencializadas. Para isto, é fundamental que as políticas públicas reconheçam essas especificidades e haja apoio para fortalecer as raízes culturais locais e valorização dos mestres da cultura popular.  Porém, um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento sustentável do carnaval do Norte tem sido a instrumentalização política das festas. Quando autoridades utilizam os recursos culturais primariamente para autopromoção, cria-se um ciclo vicioso de dependência e instabilidade. A cultura não deve ser refém de ciclos eleitorais ou interesses políticos momentâneos. Cabe aos gestores públicos do Norte do país escolher: repetir modelos ultrapassados de apropriação política da cultura ou construir, em parceria com os verdadeiros protagonistas da festa, um carnaval que seja, de fato, patrimônio de todos e motor de desenvolvimento regional sustentável. A Amazônia tem muito a ensinar ao Brasil sobre diversidade, resistência e criatividade. Está na hora de seu carnaval receber o reconhecimento e o apoio que merece.

 

“TICKET DOURADO”, UMA INSTIGANTE REFLEXÃO FINANCEIRA

 


O livro "Ticket Dourado", escrito por Luciano Claudino e publicado pela LC Books, convida os leitores a refletirem sobre suas escolhas e comportamentos em relação à vida financeira. Em um contexto onde o endividamento é uma realidade para muitos, a obra se destaca por abordar de maneira acessível a importância da educação financeira e da liberdade econômica.

Uma das mensagens centrais do livro é que a clareza sobre o que fazer com o dinheiro não está atrelada à quantidade que se ganha, mas sim à consciência que se possui na construção de metas financeiras. Claudino argumenta que, para lidar bem com as finanças, é fundamental afastar as tentações imediatas e os medos que muitas vezes nos paralisam. O autor chama a atenção para a importância de um processo consciente na gestão financeira, algo que pode ser especialmente relevante no nosso país onde a falta de educação financeira é evidente.

Além de discutir valores teóricos, "Ticket Dourado" traz uma série de exemplos práticos sobre como se comportar em relação ao dinheiro. O livro funciona como um guia que, longe de oferecer fórmulas prontas ou promessas fáceis, apresenta caminhos tangíveis para uma relação mais saudável com as finanças. Os leitores são incentivados a adotar uma postura proativa em relação ao seu dinheiro, preparando-se para imprevistos e aprendendo a gerenciar riscos com calma e determinação.

Em um mundo onde a incerteza é uma constante e o acaso pode desempenhar um papel significativo, nos mostra que a educação financeira se revela como uma ferramenta vital para se ter liberdade financeira. Claudino enfatiza que o conhecimento sobre finanças é essencial para que as pessoas possam tomar decisões informadas e se sentirem mais seguras em suas escolhas. A leitura de "Ticket Dourado" se torna, portanto, não apenas uma busca por informações financeiras, mas um convite a uma transformação pessoal que visa libertar o indivíduo de padrões de consumo prejudiciais.

Outro aspecto notável da obra é sua linguagem direta e simples, tornando a leitura acessível a um amplo público. "Ticket Dourado" não se limita a especialistas em finanças, mas fala diretamente ao cidadão comum que deseja melhorar sua relação com o dinheiro. Esta abordagem descomplicada permite que cada leitor se identifique com os desafios apresentados, facilitando a aplicação dos ensinamentos no dia a dia.

Por tudo isto "Ticket Dourado" é mais do que um livro sobre finanças; é um convite à reflexão sobre as escolhas que fazemos em nossa vida financeira. Luciano Claudino nos oferece ferramentas e caminhos para que possamos construir uma relação mais saudável e consciente com o dinheiro, um aspecto fundamental em um mundo repleto de incertezas. Com sua leitura clara e acessível, a obra se transforma em um guia importante para todos aqueles que buscam não apenas a independência financeira, mas também o autoconhecimento e a liberdade em suas decisões econômicas.

domingo, janeiro 11, 2026

NÃO SUBESTIME OS MAIS VELHOS: ELES SÃO VOCÊ AMANHÃ, SE SOBREVIVER

 


 A Nova Forma de Envelhecer que Está Redefinindo o Futuro do Brasil

O envelhecimento, tal como o conhecíamos, está passando por uma profunda transformação. Durante décadas, completar 60 anos significava, quase automaticamente, aposentadoria, desaceleração e recolhimento. Hoje, esta lógica já não se sustenta. Para milhões de brasileiros, essa idade marca o início de um novo e vibrante ciclo de vida, ativo, produtivo e cheio de significado.  Neste contexto surge o conceito de NOLT -New Older Living Trend (Nova Tendência de Vida dos Idosos). Mais do que um acrônimo, o NOLT representa uma mudança cultural. Ele rompe com a visão tradicional do “idoso” associada à fragilidade e ao fim de trajetória, e inaugura uma nova identidade: a de pessoas maduras que vivem com propósito, curiosidade e disposição contínua para aprender e evoluir.

Quem é o NOLT?

Diferentemente das gerações anteriores, o NOLT não espera o tempo passar. Ele faz o tempo acontecer. A maturidade, para esse grupo, não é sinônimo de limitação, mas de liberdade para recomeçar com mais consciência e menos medo.

Essa nova forma de viver a idade se manifesta em três pilares centrais:

1. Educação ao longo da vida

Os Nolts estão retornando às salas de aula, presenciais ou virtuais. Aprendem novas tecnologias, desenvolvem habilidades digitais e, muitas vezes, iniciam segundas ou até terceiras graduações. O aprendizado deixa de ser uma etapa da juventude e passa a ser um processo contínuo, alinhado ao conceito de lifelong learning.

2. Empreendedorismo sênior e reinvenção profissional

Com experiência acumulada e maior clareza de propósito, muitos Nolts transformam antigos sonhos em projetos concretos. Abrem negócios, mudam de carreira e empreendem com a coragem que só a maturidade proporciona. Recomeçar, aqui, não significa voltar ao ponto zero, mas avançar com bagagem e sabedoria.

 

3. Equilíbrio físico, emocional e social

O cuidado com a saúde vai além do corpo. Há uma atenção crescente à saúde mental, às emoções e à vida social. Os Nolts atuam como mentores, voluntários e líderes comunitários, mantendo relações ativas e significativas, fundamentais para o bem-estar e a longevidade.

A experiência como motor, não como peso

Para o NOLT, a experiência não limita- impulsiona. As decisões são tomadas mais por consciência do que por impulso, e os riscos são calculados com base em vivência. Essa postura gera um impacto direto na economia e na sociedade.

A chamada Economia Prateada deixa de ser um nicho e passa a ocupar o centro do consumo. Cresce a demanda por produtos e serviços que não sejam “para idosos”, mas para pessoas ativas, autônomas e exigentes. Da mesma forma, universidades e plataformas de ensino precisarão adaptar seus currículos, focando em transição de carreira, tecnologia e aprendizado contínuo.

Um Brasil cada vez mais NOLT

Atualmente, esta parcela da população já representa quase um terço dos brasileiros. Com o rápido envelhecimento da pirâmide etária, a tendência é clara: nas próximas décadas, os Nolts serão maioria. Isto tende a reduzir o preconceito geracional, o chamado etarismo, e a ampliar a valorização da mentoria, da troca intergeracional e do conhecimento acumulado.

Chamar alguém de NOLT é reconhecer que envelhecer mudou. É afirmar que esta fase da vida não se resume a encerrar ciclos, mas a escrever capítulos mais autênticos, livres e relevantes.

Viver bem depois dos 60 deixou de ser exceção. Tornou-se tendência. O futuro não pertence apenas aos jovens; pertence a quem, em qualquer idade, mantém a coragem de aprender e a disposição de evoluir. E tudo indica que este futuro será, cada vez mais, NOLT.

O “samba do crioulo doido” de 2026: crise no país e fé no próprio taco


08/01/26

O Brasil ingressa em 2026 vivendo uma contradição que desafia os manuais da economia tradicional, mas traduz com precisão a psicologia social do país. De um lado, os dados da pesquisa Hibou revelam um país operando em “modo de sobrevivência”: 39% dos brasileiros iniciam o ano endividados, e quase um terço desse contingente carrega dívidas expressivas, superiores a R$ 15 mil. De outro, a pesquisa Ipsos aponta que impressionantes 80% da população acreditam que 2026 será um ano melhor.

À primeira vista, os números parecem inconciliáveis. Estaríamos diante de um otimismo ingênuo ou de uma resposta emocional a um ambiente econômico e político cada vez mais adverso? A leitura do cenário macroeconômico não autoriza complacência. A inflação segue pressionando o custo de vida, as taxas de juros permanecem elevadas e o crédito se tornou um privilégio caro. O consumo “racional”, portanto, deixou de ser uma opção e passou a ser uma imposição. Não por acaso, metade dos brasileiros acredita que a economia nacional tende a piorar.

Diante desse quadro, o brasileiro médio ajustou suas expectativas e passou a “fazer conta”. O planejamento para 2026 revela prioridades claras e defensivas:

  • Qualificação profissional: investir em estudo aparece como estratégia para elevar renda e reduzir vulnerabilidades.
  • Corte de supérfluos: 48% admitem que pretendem economizar tudo o que for possível.
  • Consumo reprimido: em estados como Rondônia, onde o endividamento é elevado, o desejo por bens duráveis permanece latente, à espera de uma folga orçamentária que, hoje, só alcança cerca de 12% da população.

O ambiente político adiciona ainda mais incerteza ao cenário. Com eleições presidenciais no horizonte, a desconfiança nas instituições permanece profunda. Segundo a Ipsos, 51% dos brasileiros acreditam que haverá protestos contra o governo em 2026, enquanto 60% demonstram temor até mesmo de episódios extremos, como ataques terroristas. Trata-se de um sintoma claro de insegurança institucional e de erosão da confiança pública.

Curiosamente, a válvula de escape não está fora do país. O custo elevado das viagens internacionais- agravado pelo câmbio desfavorável- afastou até mesmo o sonho de acompanhar eventos globais, como a Copa do Mundo. Em seu lugar, ganham espaço o turismo doméstico e pequenos “presentes para si mesmo”: gastos pontuais, simbólicos, que funcionam como compensação emocional em um cotidiano marcado por restrições.

Resta, então, a pergunta central: há lógica em acreditar que 2026 será melhor (80%) enquanto se projeta uma piora da economia (50%)? A resposta não está na irracionalidade, mas em uma dissociação cada vez mais clara entre o “eu” e o “Estado”. O brasileiro deixou de esperar soluções vindas do governo ou de mudanças estruturais de curto prazo. O otimismo que emerge é individual, pragmático e defensivo. A crença não está no país, mas na própria capacidade de adaptação, no esforço pessoal e na possibilidade de uma “virada de chave” privada. É a aposta no próprio taco.

Neste sentido, a esperança deixou de ser passiva e tornou-se instrumental. É uma ferramenta de sobrevivência, não uma aposta política. Se 2025 foi rotulado como “ruim” por 61% da população, 2026 surge como o ano da aposta no próprio taco. O brasileiro entra no ringue consciente da hostilidade do cenário, mas decidido a não jogar a toalha.

Talvez seja esse o mais sofisticado “samba” já produzido pelo país: o de quem dança conforme a música, mesmo quando a orquestra está desafinada- e o salão, quase vazio.

Ilustração: Imagem digital gerada pelo Manus

Reflexões Transitórias de Fim de Ano

 


26/12/25

Sim, minha querida, estou preso em mim mesmo. Nunca poderei deixar de ser eu mesmo. O mundo, o meu amor por você somente pode existir se meu “eu” existe e ninguém poderá ser o que sou. Sim, com egoísmo, ou não, eu sou eu mesmo e mais ninguém. Nós amamos por amarmos a nós mesmos. Nada que nos digam muda o fato de que este mundo somos nós. E se há outro não o poderemos sentir. Nele nada somos. Isto também nos fornece a consciência do transitório, da finitude: continuarão, depois de nós, a existir as coisas que amamos, os filhos, os amigos, os outros, as árvores, a beleza dos lugares, o maravilhoso fim de tarde do Madeira, o mar, o céu ou as músicas. O vinho, o bar, o café, sei lá o que mais. Tantas coisas que nos fizeram felizes, ou não. O sol, o sol forte, do qual nos queixamos nos dias de calor.  E reclamar do sol é reclamar da existência. É como reclamar do sono, o mais próximo do não ser. E se não conseguimos dormir, compreendemos a sua benção. Sono, uma amostra da não-existência, que nos faz entender nossa diferença do animal, a consciência. Ou talvez não. Talvez também tenham a consciência da finitude. Talvez não. A palavra deve ser o a chave da representação, ter o receio da imaterialidade. A representação que nos leva a estar acima da dor existencial. Falamos de felicidade, quando não há satisfação verdadeira ou sólida. Com o tempo, através dele, sabemos que somos ignorantes, que não saberemos o que precisamos saber. Por isto, talvez, as palavras de Jesus de que melhor seria não ter nascido. É que nascer é a perda da não-existência, o milagre transitório da consciência. Que nós, incapazes de suportar a ideia da morte, desejamos superar por meio de obras, ou por um ser divino-que só pode ser real por nossa fé. Pelo conhecimento, por nossa ignorância, não podemos demonstrar que, de fato, exista, porém não existir contraria nosso desejo e lógica. Se pudesse rir das minhas reflexões, riria. O riso é a forma superior da dúvida. Mas, se posso rir de mim mesmo, consciente, não consigo pensar em rir quando, a imaterialidade vier. E, nisto, como os que pensam, sinto a inutilidade da vida, a falta de sentido. Por sermos, para nós mesmos, o fato mais importante e, por sabermos que, com a nossa morte, morre um mundo. E esta consciência, pior para quem pensa, se torna mais forte com a idade. Antes uma bela mulher, um jantar, uma música, um vinho, um poema podiam, por algum tempo, ser o remédio para superar a dura reflexão. E oprimido pelos pensamentos recaio em Mateus 12: 43-45, que diz que o homem que procurou descanso, depois de ter expulso um espírito imundo, volta para casa e traz consigo mais 7 espíritos que tornam seu estado pior. Bem o que pretendo dizer com isto? Não sei. Apenas que o tempo é um moinho na sua forma selvagem de moer os sonhos e a vida. E que não somos donos de nosso destino. E que pode tudo acontecer que não estarei sozinho. Com todos os problemas sei que amo e sou amado- e isto é tudo que um homem pode querer ainda que o amor também seja transitório. E que a memória amanhã continue a existir.   

Ilustração: UOL. 

Split Payment: O Grande Desafio para os Negócios em 2026

 


A partir do próximo ano, o Brasil, por força da reforma tributária, irá começar a implantar o split payment, um mecanismo que modifica a forma como os tributos são pagos nas transações comerciais. Embora, em 2026, seja somente um período de testes e um ensaio geral já será preciso os empresários se preocuparem com o que irá acontecer. Com esta medida, o valor do imposto será automaticamente separado do montante da mercadoria ou serviço no momento da transação. O governo afirma que a implementação ocorrerá de forma simultânea nas operações de varejo e nos principais instrumentos de pagamento eletrônico, trazendo inovação, eficiência e justiça fiscal. No entanto, esta mudança pode representar um grande desafio, especialmente para micro e pequenos negócios e empresas de varejo com margens de lucro reduzidas.

O split payment (pagamento dividido)  é uma forma de gestão tributária em que a alíquota do imposto é descontada automaticamente na hora da venda, separando o valor do tributo do valor da mercadoria ou serviço. Esta prática busca aumentar a eficiência tributária e a rastreabilidade das operações, mas pode ter sérias implicações para os negócios. Embora o governo apresente o split payment como uma solução inovadora, os efeitos adversos para micro e pequenos empreendimentos são evidentes: Em primeiro lugar, com a tributação imediata, o capital de giro das empresas será severamente impactado, dificultando a manutenção da operação diária. O que deve gerar a necessidade de capital para cobrir a tributação, o que pode levar pequenos empresários a buscar crédito bancário, aumentando o seu endividamento. A pressão financeira também pode resultar em um aumento da insolvência entre pequenos comerciantes, colocando em risco a sustentabilidade de muitos negócios.

Um segundo problema advém de que a implementação do split payment não se resume apenas à separação do tributo durante as transações, pois exige à adequação dos Sistemas de Pagamentos.  As empresas precisarão atualizar seus sistemas para se adaptarem ao novo modelo, bem como será necessária uma coordenação complexa entre bancos, emissores, adquirentes e o governo. As empresas precisarão investir em tecnologia para garantir conformidade. Esta transição deve gerar custos elevados para empresas de todos os portes e aumentar a complexidade operacional. Especialistas também alertam que a adoção do split payment pode resultar em aumento das tarifas e custos adicionais que serão repassados aos consumidores. Tal aumento dos custos operacionais pode levar a uma diminuição da concorrência no setor. A complexidade do novo sistema pode ser especialmente desafiadora para microempreendedores e trabalhadores informais, que podem se ver excluídos das plataformas digitais. Além disto, a relação de "tutela" do Estado sobre o caixa privado, gerada pelo recebimento imediato dos tributos, pode criar um ambiente de desconfiança e insegurança financeira.

O conceito de split payment não é novo e já foi implementado em outros países, geralmente em setores críticos. No entanto, onde foi aplicado amplamente, resultou em impactos negativos significativos no caixa das empresas. No Brasil, os setores mais afetados devem incluir Varejo, Serviços, E-commerce, Fintechs e pequenas operações informais. Enfim, o split payment se apresenta como uma inovação no sistema tributário brasileiro, mas é crucial que empresários e pequenos comerciantes estejam cientes dos desafios que esta mudança pode acarretar. A adaptação a este novo modelo pode complicar ainda mais o cenário econômico do próximo ano, exigindo planejamento e estratégias adequadas para mitigar os impactos.

Ilustração: e-Auditoria. 

ESPERANDO PARA VER O QUE FAZER

 11/11/25

É inevitável que, quando chega o fim do ano, as pessoas e as empresas recaíam no ciclo de sempre: analisar o que se passou, verificar os erros e os acertos e buscar formas de melhorar o futuro. As formas para isto são diversas, principalmente num ano, como foi o de 2025, marcado pelas dificuldades e pela incerteza. Talvez muitos digam que a incerteza é um traço do mundo moderno, porém, até para nos sentirmos confortáveis, sempre buscamos minimizar os desafios por meio de vislumbrar os cenários possíveis. E, pelo menos no Brasil, as inseguranças aumentaram sensivelmente, de modo que construir cenários se tornou uma tarefa imensamente complicada. Daí que, se normalmente, as pessoas já se voltam para videntes, cartomantes, sensitivos e quejandos, na medida em que 2025 se aproxima do fim aumentam as demandas pelos que possam desvendar os véus do futuro. Aparece de tudo: de leitores de mão passando por búzios, tarot, especialistas em reprogramação mental, numerólogos e, mais recentemente, os que usam a física quântica e/ou equilibram as auras por meio de passes que modulam a frequência energética individual.  

Quem sou eu para discutir a influência dos astros, os fins e os inícios dos ciclos planetários, identidades energéticas, campos vibracionais, a potência do campo eletromagnético do coração ou como os pensamentos positivos, a alegria e a gratidão mudam as perspectivas e o futuro? Efetivamente, depois de décadas de vida estou mais perto de Sócrates do que nunca e, por mais que tenha procurado me manter antenado com este mundo, devo dizer que sou um barco desgovernado que, num país que mais parece um mar bravio, procura não afundar durante a tempestade. A rigor, depois de alguns problemas incomuns, tento apenas terminar o ano sem me sentir doente, mas, com certeza, de ser incapaz de absorver a sobrecarga digital, a desinformação geral, a estrutura multimídia vigente, que não me parece muito razoável, e a surpresa e o encanto de passar por algumas experiências imersivas que me conscientizam, cada vez mais, da minha transitoriedade e insignificância. Até tive a impressão errônea de que terminava um ciclo. Nada terminou, de fato, depois que passei por um período de turbulência, apenas consegui concluir que os problemas continuam os mesmos e que não tenho muito como, nesta altura do campeonato, mudar os resultados. Estou, mais ou menos, na mesma situação dos times da série A que tentam escapar do rebaixamento. Enfim, minha grande ambição é chegar ao fim do ano não me sentindo doente. Já em relação à 2026, sinceramente, não sei bem o que vou fazer. E, usando a metáfora do barco, estou mais esperando ver se a chuva e as águas vão se acalmar.

Ilustração: Sementes da Fé.