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sexta-feira, junho 19, 2026

HUMBERTO DA SILVA GUEDES E O PLANEJAMENTO QUE MOLDOU UM ESTADO

 


Quem acompanhou a história de Rondônia nas últimas cinco décadas reconhece três nomes como protagonistas da grande virada do então Território Federal: Silvio Gonçalves de FariasHumberto da Silva Guedes e Jorge Teixeira de Oliveira - todos com trajetória militar e presença decisiva em momentos-chave. O último deles a partir desta vida foi Humberto da Silva Guedes, em 18 de junho, aos 103 anos.

Penúltimo governador do Território Federal de Rondônia (1975–1979), nomeado pelo presidente Ernesto Geisel, Guedes chegou a Porto Velho herdando uma estrutura mínima: governador, um secretário de governo e poucos departamentos para administrar um território vasto, com apenas duas cidades consolidadas - Porto Velho e Guajará-Mirim- e cerca de 140 mil habitantes. A máquina pública mal dava conta do básico.

Com o avanço do processo migratório e a chegada de colonos via projetos do INCRA-como o Projeto Integrado de Ouro Preto, voltado à agricultura familiar com café e cacau-, as deficiências ficaram escancaradas. Para Guedes, militar de formação e intelectual de visão humanista e planejadora, Rondônia era uma missão: era preciso construir um Estado - de verdade, com bases sólidas.

Planejar antes de crescer

Sua aposta foi clara: sem planejamento, não haveria futuro sustentável. Reformou a estrutura administrativa, criando a Secretaria de Planejamento, e contratou o professor Charles Muller (UnB) para coordenar estudos de viabilidade econômica que demonstrassem a capacidade de Rondônia sustentar-se como Estado. Estes estudos, as equipes de planejamento que criou, embasaram, anos depois, a obtenção dos recursos do POLONOROESTE junto ao Banco Mundial.

Na mesma direção, convocou arquitetos, geógrafos e urbanistas-entre eles o célebre Milton Santos - para pensar a hierarquização urbana e o ordenamento territorial. Cidades que hoje são municípios consolidados, como Mirante da Serra, nasceram de um trabalho cuidadoso de equilíbrio econômico e espacial, executado por técnicos locais comandados na época pelo secretário de planejamento, Luiz César Auvray Guedes, como Jorge ElageJosé MeschLuiz Antônio da Costa e Silva, Maurílio Galvão, Álvaro Lustosa Pires, Pedro Albino de Aguiar, Letácio Lucena, Jussara Gottlieb, José Aldenor Neves, Rosália Maria Passos entre muitos outros.

Um legado que o tempo confirmou

O planejamento desta época gerou frutos que atravessaram décadas. Rondônia desenvolveu o primeiro Zoneamento Socioeconômico e Ecológico (ZSEE) do país, que deu origem ao PLANAFLORO, iniciativa pioneira de harmonização entre crescimento econômico e proteção ambiental na Amazônia.

Hoje, o Estado se destaca pelo crescimento do PIB e por um equilíbrio territorial invejável- características que remetem diretamente às fundações lançadas naquele período. Muito se deve ao trabalho e à determinação de quem migrou e construiu. Mas há uma dívida de reconhecimento que Rondônia ainda não quitou com Humberto da Silva Guedes: foi ele quem, antes de qualquer outro, enxergou o Estado que Rondônia poderia ser - e trabalhou para torná-lo possível.

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Obs.: Ao partir aos 103 anos, Guedes deixa não apenas a memória de um gestor competente e dedicado, mas a marca indelével de quem ajudou a desenhar a Rondônia que existe hoje.

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