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terça-feira, janeiro 14, 2020

ARTE PARA QUÊ?




A questão do que é a arte e da beleza da arte tem sido um tema sempre permanente nas discussões intelectuais. De certa forma, entre os brasileiros, foi abordada a relação entre arte e beleza pelo poeta Afonso Romano de Sant’Ana, que considera ter havido um desvirtuamento da arte ao se realçar o conceito se abandonando o objeto, ou seja, a arte passou a ser conceitual, enfim, mais explicações da arte do que arte mesmo. Outro intelectual brasileiro que se debruçou sobre o tema foi Ferreira Gullar que lamenta a covardia da crítica de arte que, talvez por medo ou mesmo por dinheiro, deixou que os critérios da arte se tenham diluído, de tal forma que a arte, agora, pode ser qualquer coisa que se denomine de arte. Este tema me rondava a cabeça em razão de um vídeo do artista rondoniense Joeser Alvarez que sob o título “Arte Para Quê?”, fez o que chamou de “Um registro documental e artístico no qual, quase uma centena de produtores culturais e artistas, manifestam de modo diverso e, por vezes confluente, suas visões sobre a finalidade da arte, conferindo a esse repertório uma semântica rica e diversa . As imagens foram captadas por câmeras e celulares ao longo de 10 anos”. O vídeo é mais dinâmico e provocador e, como se pode ver no Youtube facilmente (https://www.youtube.com/watch?v=ZmelLX7rZus&feature=youtu.be&fbclid=IwAR1z9gnN4l1TKzdqf2fEpjMm5G2z3XrXRDtzckd2qUwozbg65wDPVjb5_Pw) uma busca de explicações sobre a visão de cada um sobre a arte. É uma coincidência, um pouco dolorosa, embora os céticos não acreditem em coincidência, que o vídeo surja quando morre um filósofo que muito se ocupou da arte e da beleza: Roger Scruton.  É dele, aliás, um livro muito interessante denominado de “Beleza” onde alerta para o permanente desejo de dispor da beleza desde da arrumação da casa, passando pela arrumação da mesa num jantar para os amigos, do jardim mais simples ao mais sofisticado, e até mesmo  nas vestimentas, especialmente, nos nossos tempos de redes sociais e “zilhões” de fotografias de celebridades e desconhecidos. No cotidiano, a beleza é buscada por todas as culturas e fica evidente na exposição de Scruton, ao dizer sobre a beleza, que não se estabelece um critério firme para a definição do que é a beleza, pois, isto passa por um conjunto amplo de possibilidades, ao mesmo tempo, que sempre o desejo de beleza se relaciona com critérios formais e com uma certa sensação de bem-estar e aconchego. O que ressalta é que, sem sombra de dúvida, a arte consiste numa das mais apropriadas atividades para a busca da beleza. Scruton, que nada tem de saudosista,  escreve que : “... tudo que afirmei acerca da experiência da beleza insinua que ela possui fundamentos racionais. Desafia-nos encontrar significados em seu objeto, traçar comparações críticas e examinar nossas próprias vidas e emoções à luz do que descobrimos”.  Para ele, a questão é a de que, no mundo moderno, há na arte uma fuga da beleza e da verdade. Então, talvez, a pergunta certa não seja “Arte Para quê”, mas, “Arte Por quê”. Daí, o importante é perguntar até onde a arte serve para a vida. Ou, talvez, indo mais longe, como se faz da vida uma arte. Fazer arte na vida, no entanto, hoje, em dia, até para obter 15 segundos de fama, milhões já fazem, independente da beleza e da verdade.

segunda-feira, novembro 25, 2019

MAKTUB



Eu também sou Rodrigues, mas, não sou Nelson. Se fosse escreveria que já estava escrito nas palimpsestos gregos, nas pedras ancestrais, nos primórdios da criação do mundo, nas línguas dos primeiros profetas que o Flamengo seria campeão da Libertadores este ano. Este time do Flamengo é um grande time? É, inexplicavelmente é. Feito mais por obra do acaso, embora também fruto de trabalho de excelentes técnicos, é uma obra das mais improváveis. É que nele estão juntos velhos talentos, talvez, movidos também por antigas paixões reavivadas, com promessas, agora, cumpridas e até com desconhecidos talentos, como Pablo Marí. Trouxeram Diego, Diego Alves, Rafinha e Filipe Luís, veteranos consagrados, para juntar com nomes conhecidos, todavia, que ainda não tinham marcado seus nomes nos campos, como Bruno Henrique, De Arrascaeta, Gerson, Everton Ribeiro, Rodrigo Caio e, até mesmo, Gabigol, que, mesmo tendo sido artilheiro do brasileiro, não tinha ainda títulos que sedimentassem sua carreira. Com a mão do português, Jorge Jesus, arranjando as peças, fizeram história e se tornaram campeões da Libertadores de 2019. É verdade também que sobraram no campeonato brasileiro. Tudo indica que alcançarão a maior quantidade de pontos que um time ganhador já conseguiu, desde que o campeonato de pontos corridos foi estabelecido. Sua campanha, com vitórias memoráveis, o seu bom futebol rápido e demolidor,  credenciavam o Flamengo como favorito contra o River Plate. Ainda que Gallardo, que ignorava o destino, tivesse razão em dizer que se o Flamengo era superior que provasse nos gramados. Que foi provado, foi. Mas, convenhamos, da forma mais cruel possível. Sejamos justos. Não há como negar que o River foi melhor durante exatamente 93 minutos da partida. Jogou uma partida impecável durante todo este tempo. Dominou o campo, impediu que o Flamengo jogasse. O Flamengo foi irreconhecível, ao ponto, de permitir um gol inacreditável, que foi uma falha coletiva, porém, quase espírita. Era uma jogada que teve tudo para não acontecer. Não pensavam assim os deuses do futebol que permitiram ao River o sabor de pensar que poderiam vencer. Depois de uma hora e meia sem conseguir fazer uma única jogada, adormecido em campo, dominado, submetido, o Flamengo despertou. Do triste Flamengo, que não acertava passes, que não fazia uma jogada certa, que não ganhava um rebote, que desanimava o torcedor, reapareceu o time vencedor e, em três minutos, em apenas três rápidos minutos, fulminou o River Plate. Acertando uma jogada! Só uma! E, com ela, desmontou tudo o que o River havia feito. O golpe foi tão mortal, tão fatal, tão perfeito, tão monumental que nem precisou de uma segunda. De um lance improvável, de uma bola lançada mais para a defesa do que para um provável ataque, de um lançamento sem futuro, o faro de goleador de Gabigol, a vocação de artilheiro, brilhou. E ele, que só havia tido o fácil trabalho de empurrar a bola nas redes no primeiro gol, como um tanque, se impôs aos zagueiros, que atrapalhados, assistiram o seu chute implacável, certeiro, matador. Não havia o que fazer mais. Era só levantar a taça. Foi sorte? Foi. Porém, quem disse que os grandes times não precisam de sorte para vencer? A sorte foi tanta que, no domingo, foi campeão brasileiro sem entrar em campo. Agora, sejamos cirúrgicos, precisos no exame: ninguém é um grande campeão apenas com sorte. O Flamengo fez história jogando muito. E foi premiado ganhando a Libertadores quando fez sua pior partida dos últimos tempos. Porém, não é todo time que só precisa de três minutos jogando bem para ganhar do River Plate. A verdade é que estava escrito!

terça-feira, novembro 19, 2019

AS MUDANÇAS NO MUNDO DO TRABALHO RECLAMAM NOVAS FORMAS DE PENSAR O FUTURO





Leio no jornal português “O Público” que uma pesquisa do Instituto Nacional de Estatística (INE) revela que as empresas portuguesas contatam mais frequentemente os seus trabalhadores fora dos seus respectivos horários de trabalho atualmente mais do que há quatro anos. Segundo ainda a mesma pesquisa  quase 40% dos funcionários tiveram solicitações de trabalho no seu período de descanso pelo menos uma vez nos dois meses anteriores. Segundo o inquérito, em 2015 mais de metade (56,6%) da população empregada no 2º trimestre afirmava nunca ter sido contatada profissionalmente fora do horário de trabalho. No trimestre equivalente de 2019, aquele valor diminuiu 3,9%, sendo agora 52,7% os que fazem tal afirmação. Em sentido contrário, 39,2% dos trabalhadores empregados hoje dizem ter sido contatados por questões da empresa em horário de descanso, pelo menos, uma vez nos últimos dois meses – a diferença entre os dois indicadores são os entrevistados que não sabem ou não respondem. Destes, 20,2% receberam este tipo de contato “uma ou duas vezes”, enquanto os restantes 19% revelam uma prática mais frequente. Na maioria desses casos (13,2%), os contatos são feitos na expectativa de que o trabalhador interrompa o seu período de descanso para resolver algum problema.  Os contatos fora do horário de trabalho são mais frequentes entre homens (49,1%, contra 40,3% entre as mulheres); funcionários com formação superior (61,2%) e trabalhadores por conta de outrem (56,8% reportam a existência destas práticas nos últimos dois meses). Dentro destes, o fenômeno é particularmente sentido pelos funcionários que têm vínculos com termo (60,5%). Também é significativo na pesquisa que quase um terço dos trabalhadores (28,8%) afirma trabalhar “sempre, ou muitas vezes” sob pressão de tempo, “tendo de terminar tarefas e trabalhos ou tomar decisões dentro de prazos considerados insuficientes”. Pouco mais de um terço da população empregada (34,1%) afirma ter total, ou muita, autonomia para decidir a ordem e o modo como executa as suas tarefas ou trabalhos. Bem, a pesquisa é portuguesa, mas, não deve ser muito diferente no Brasil. Parece que, apesar do descanso ser considerado um direito fundamental do trabalhador, a jornada de trabalho, que é o período estabelecido no contrato com a empresa que deve ser cumprido pelo empregado, está, cada vez mais sendo menos respeitada, principalmente, quando se trata de trabalhadores de nível superior ou especializados. O que se percebe é que a legislação brasileira (e mundial) gira em torno do emprego que, com o desenvolvimento da tecnologia e da inteligência artificial, ao meu ver, tende a diminuir muito. Mas, se o emprego tende a diminuir, ou, talvez, como pregam alguns, a desaparecer, o trabalho, certamente, não desaparecerá. A verdade parece ser que é preciso que se pense em novas leis mais adequadas a uma nova realidade. O enfraquecimento sindical não se dá à-toa. Reflete o fato de que a classe trabalhadora é, cada vez mais, fragmentada e heterogênea. Pensar que se possa agrupar interesses crescentemente difusos é uma tolice. A questão do futuro será como remunerar melhor o trabalho ou como criar uma forma de renda universal que se sustente num modelo onde só uma parte muito pequena da força de trabalho será contratada por empresas. A dissolução entre o trabalho e o descanso, que aumenta a olhos (e pesquisas) vistos, é um sintoma das profundas modificações do mundo do trabalho. E é preciso que se pense em novas formulas e não, como faz grande parte da mentalidade de esquerda, desejar que “direitos” se sustentem, quando não possuem, como contrapartida, o substrato econômico que os viabilize. É um belo discurso, o de falar em direitos, mas, a história demonstra que eles só existem quando a economia permite que possam ser sustentados.


quinta-feira, novembro 14, 2019

CRIAR CIDADES INTELIGENTES É CUIDAR DO FUTURO



Cada vez mais merece atenção o tema de transformação das cidades em cidades inteligentes, ou, em inglês, Smart Cities, que são sistemas de pessoas interagindo e usando energia, materiais, serviços e financiamento para promover o desenvolvimento econômico e a melhoria da qualidade de vida.  Estes fluxos de interação são inteligentes por fazer uso estratégico de infraestrutura e serviços e de informação e comunicação com planejamento e gestão urbana para dar resposta às necessidades sociais e econômicas da sociedade. O Cities in Motion Index, do IESE Business School na Espanha, utiliza 10 dimensões para indicar o nível de inteligência de uma cidade: governança, administração pública, planejamento urbano, tecnologia, o meio-ambiente, conexões internacionais, coesão social, capital humano e a economia. A importância que se dá as cidades inteligentes pode ser medida pela criação do Ranking Connected Smart Cities, um estudo desenvolvido pela Urban Systems para o evento homônimo, idealizado pela Urban Systems e pela Sator e realizado desde 2015, criando uma plataforma de discussão e negócios sobre o de Cidades Inteligentes. Com 5 publicações já realizadas, as versões 2015 a 2019, o Ranking Connected Smart Cities se configura um esforço da Urban Systems para o entendimento e a definição dos indicadores que apontem o desenvolvimento inteligente das cidades.  A última edição do Ranking Connected Smart Cities, de 2019, avaliou 700 cidades brasileiras, levando em consideração 70 indicadores distribuídos nos eixos de mobilidade, urbanismo, meio ambiente, energia, tecnologia e inovação, economia, educação, saúde, segurança, empreendedorismo e governança. Campinas (SP) conquistou o primeiro lugar geral, seguida por São Paulo (SP) e Curitiba (PR), respectivamente. A liderança de Campinas se explica pelo quesito economia, com independência do setor público, uma vez que 94,5% dos empregos formais não estão na administração pública. Mas, também, pela tecnologia e inovação: Campinas possui cinco parques tecnológicos e cinco incubadoras de empresas, e apresenta 4,9% de crescimento do número de entidades de tecnologia, mesmo em período de crise econômica. No Norte, porém, entre as 100 cidades listadas como as mais inteligentes do Brasil só uma aparece: Palmas, a capital de Tocantins. É preciso, portanto, que nossos prefeitos e nossas lideranças passem a olhar com mais carinho a questão de como tornar nossas cidades inteligentes. Até porque para se ter uma cidade inteligente não se pode olhar os setores de uma maneira isolada. Todos eles precisam ser entendidos como fazendo  parte de um ecossistema integrado que afeta o dia a dia do cidadão. Daí, que  o processo para tornar as cidades mais inteligentes é sempre gradativo exigindo  não só gestão pública, mas, também a compreensão  dos próprios cidadãos de que são também responsáveis pelo futuro de suas cidades. É preciso que, urgente, se discuta como tornar nossas cidades inteligentes buscando soluções que atendam a realidade e a necessidade de todos nós.

quarta-feira, novembro 13, 2019

A NECESSIDADE DA ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL DE RONDÔNIA



O Departamento Acadêmico de Ciências Econômicas da UNIR, com o apoio do Núcleo de Ciências Sociais Aplicadas também da Universidade de Rondônia e o Conselho Regional de Economia de Rondônia-CORECON/RO, realizam, no Auditório da UNIR Centro, um Seminário de Economia que tem como tema “A Economia do Estado de Rondônia no contexto do Desenvolvimento Regional” em três encontros, dois dos quais já aconteceram nos dias 4 e 12 de novembro, e o próximo, que acontece no dia 20, na próxima terça-feira, terá como mote “A Economia de Rondônia, tendo o Estado como agente mediador e indutor do Desenvolvimento” a ser apresentado pelo Coordenador da Secretária de Agricultura, economista Avenilson Gomes Trindade, e o emérito Conselheiro do Tribunal de Contas e professor Valdivino Crispim de Souza. Até agora, apesar do público estar quase limitado aos alunos de Economia da Universidade Federal de Rondônia, o seminário tem sido muito frutífero no sentido de apontar a falta de um projeto para o estado e das dificuldades de articulação, planejamento e recursos que Rondônia possui para o seu desenvolvimento.
É verdade, como defendeu um dos integrantes do governo durante o seminário, que Rondônia possui um Plano de Desenvolvimento Estadual Sustentável de Rondônia-PDES/RO 2015-2030, mas, como foi ressaltado por um dos debatedores, não há um nexo causal entre o plano, o plano plurianual de investimentos e o orçamento. Ainda que se tenha tentado defender o governo apontando que, dada a complexidade dos objetivos e metas e a pequenez dos recursos, seja feita uma redução das grandes ambições do plano para um planejamento estratégico que se concentraria no que é possível gerir, no entanto, também se contestou a gerência, que seria feita por ilhas setoriais do governo. Ainda, porém, que se aceitasse os argumentos em defesa do planejamento governamental é indiscutível que o PDES é um plano de governo. Não é de conhecimento da sociedade, apesar de terem tido, conforme foi afirmado, várias audiências públicas e se garantido espaço para as instituições e sociedade civil. O fato é que seus objetivos não são os objetivos da sociedade nem são por ela encampados. O que ficou patente, no decorrer do seminário, é que a definição do que desejamos, a falta de organização da própria sociedade, gera um hiato entre os anseios públicos e o governo. Há, por assim dizer, um diálogo entre diferentes línguas que não se entendem. Apesar disto, a economia estadual cresce, porém, é preciso, mais do que nunca, que a sociedade civil se organize para fazer com que suas demandas sejam incorporadas aos planos governamentais. Neste sentido, não importa a questão levantada da não participação da população na medida em que é chamada apenas para corroborar o que se planejou. Na verdade, em Rondônia, o que não é diferente do resto do país, a população e as próprias lideranças não têm informações nem conhecimento, por exemplo, sobre o orçamento e a utilização dos recursos públicos, o que, em tais condições, faz prevalecer as manipulações. A grande maioria não sabe quais são as possíveis formas de participação ativa nas deliberações públicas, de forma que o controle social acaba sendo só pro forma, como também o direcionamento dos recursos. Não importa se as pessoas tem, ou não, conhecimentos, inclusive burocráticos e digitais, o que importa é que suas demandas sejam incorporadas ao planejamento e se crie formas de controle social, sob pena de se criar um campo fértil para a ineficiência e se abrir as portas para a corrupção. Neste sentido, quanto menos permeável é um governo, quanto menos acessível, menor será a influência da sociedade sobre os recursos que lhes são retirados em forma de impostos. E menor também o retorno que deles recebem. O Seminário está sendo esclarecedor sobre este aspecto e, principalmente, de que a sociedade rondoniense precisa se organizar melhor para encontrar consensos sobre o que deseja e cobrar do governo uma atuação mais efetiva em prol do desenvolvimento do Estado.

quarta-feira, outubro 30, 2019

FACEBOOK É UMA MÍDIA AINDA MUITO DOMINANTE



Não se pode negar as grandes vantagens que as redes sociais nos proporcionam. Basta pensar como facilitaram a nossa vida, inclusive sob o ponto de vista profissional, como criaram espaço para novos tipos de profissões e negócios, bem como tornaram a comunicação fácil e instantânea. Se, vinte anos atrás, alguém tivesse dito que poderíamos compartilhar informações, notícias, fotos, eventos tão rapidamente; que os acontecimentos do mundo poderiam ser acompanhados e divulgados em tempo real, dificilmente, alguém teria acreditado. Hoje é um fato cotidiano. Com as mídias digitais, podemos bater fotos, escrever, falar, encontrar pessoas. Criar grupos por assuntos que nos interessam, fazer novos parceiros e/ou amigos ou até mesmo reencontrar pessoas que fizeram parte de nossas vidas no passado. Fora encontrar trabalhos, estabelecer ligações profissionais, divulgar nosso trabalho, vídeos, desenhos, livros, enfim,  mostrar nossas habilidades, distribuir ou vender artesanatos ou produtos. Devo dizer que já fui mais adepto delas. Hoje tenho um certo receio tendo em vista alguns problemas que enfrentei de notícias falsas, e-mail e uso de meu nome. Assim, hoje, me abstenho de dar opiniões, de discutir, até mesmo em particular, com os amigos, pois, quem não nos conhece pode interpretar brincadeiras ao pé de letra e se tornar uma dor de cabeça de graça. Estamos no tempo da boiada. Pensar incomoda todos os lados. Assim só posto amenidades, alguma música, uma foto com algum amigo ou personalidade, um evento que desejo enaltecer ou convidar pessoas para participar. Minha visão, hoje, das mídias sociais, portanto, é de que precisam de alguma regulação e/ou mediação para terem um papel melhor.  Mas, me surpreendi, realmente, com uma pesquisa feita pela Activate Inc., que revelou que o Facebook, nos últimos dois anos, perdeu cerca de 26% do engajamento médio por usuário e o tempo a ele dedicado caiu de  14 horas ao dia para apenas durante 9 horas ao dia. Redes menos fortes, como o Twitter, o Snapchat e mesmo o Instagram, conseguiram manter seu tráfego estável, o Facebook. Bem, não acredito que isto vá afetar o negócio,  a empresa de Mark Zuckerberg. Considero, aliás, uma análise superficial afirmar que há “uma debandada e desinteresse exponencial da gigantesca base de usuários em sua rede social”. O negócio dele, ao meu ver, se mantém muito forte e os efeitos atuais são, como acontece sempre com mídias novas que fazem sucesso, uma certa acomodação.  É claro que fatores como a questão com a Libra, os fake news, a publicidade na política e mesmo números falsos sobre vídeos não afetem seu desempenho, mas, de fato, sua sobrevivência está garantida por muito tempo, exceto, se uma nova plataforma, que faça ou supere seu papel na vida das pessoas, apareça. Hoje, mesmo na mídia social, não há nada de novo no horizonte.

sexta-feira, outubro 18, 2019

O VALOR NEGATIVO DO CORINGA



Não li as críticas, mas, o filme “O Coringa” estava cercado de muita polêmica, de modo que fiquei ansioso para vê-lo. Todavia, para mim, foi um anticlímax. Sinceramente não gostei nenhum pouco do filme. O filme tem sim um bom roteiro, a fotografia é excelente e muito bem dirigido. Enfim, sob o ponto de vista técnico é um grande filme. Que a atuação de Joaquin Phoenix é genial, também, não resta dúvida. Porém, diga-se a bem da verdade, é muito talento gasto num papel que não honra nenhum grande ator. Horrível também a participação de Robert De Niro. Não sei o que o levou a aceitar um papel tão medíocre. O filme é deprimente. Não sei o que leva alguém a contar a história de Arthur Afleck, um palhaço com transtornos mentais, que mata pessoas, inclusive a própria mãe. Mostrar que na nossa sociedade existem pessoas loucas? Ou que nossa sociedade é injusta e opressiva, daí, transformar  pessoas com problemas psicopáticos em assassinos? O filme não tem lições, nem moral. É um filme sem noção feito para uma época sem noção. Um filme que isenta de responsabilidades quem pratica o mal e, ao mesmo tempo, pune de forma indiscriminada quem merece ou não. Enfim, me parece mais uma contribuição para justificar que tudo é mesmo assim, sem jeito e sem remédio. E termina com uma música que diz que a vida é mesmo assim. Claro que não concordo. Ainda mais que a arte, e o cinema é uma arte, deve ser feita para glorificar a vida, para criar grandes momentos, a ilusão de que podemos ser melhores. Por isto o filme é o mais violento que já assisti. Não pelas mortes e sim por glorificar a falta de noção, inclusive, quando cria um assassinato em pleno um programa de televisão ou quando, a partir dos assassinatos num trem, faz de um louco, que mata três pessoas por impulso, o gatilho de um movimento popular anárquico e irreal sob a alegação de que se trata de uma revolta contra a opressão silenciosa dos ricos. É uma inversão monstruosa da civilização sob o pretexto de crítica. Há violências que se justificam ou não. No entanto, nada justifica se glorificar a violência pela violência. A violência é uma coisa natural do homem sim, todavia, só a civilização, com todos os seus problemas, pode por limites aos comportamentos humanos. O filme é corrosivo por ser selvagem, no sentido de querer justificar qualquer coisa, por ser anticivilizatório. De fato usar a figura arquetípica do palhaço, um ícone do riso, para uma paródia lúgubre onde uma pessoa com graves distúrbios se transforma num assassino em série me parece muito mais um incentivo aos loucos de nossa época (que hibernam) para que ganhem seus 15 minutos de fama. Muitas pessoas devem achá-lo maravilhoso por diversos motivos. Não sou psicólogo. Tento conservar o pouco de racionalidade que ainda penso ter. Para mim, é um filme deprê. Uma pena que não tenham feito algo mais proveitoso com tantos recursos e atores maravilhosos.

sexta-feira, outubro 04, 2019

O FUTEBOL NO FUNDO DO POÇO




O Brasil anda de pernas para o ar. Decididamente as pessoas perderam a noção das coisas. Assisto estarrecido algumas pessoas próximas se comportarem de uma forma que está longe de ser crível que tenha algo de racionalidade. Nem vou citar qualquer coisa de posições políticas porque, algum tempo atrás, prometi a mim mesmo que, dado a falta de noção (e conhecimento, inclusive histórico, que as pessoas demonstram), não é muito sensato, nem conduz a nada, discutir posições políticas. Vou escrever mesmo é sobre o que acontece nos campos de futebol que, como dizem, não é só futebol. É também um retrato de nossa sociedade. A loucura que invade nossos campos, por exemplo, se demonstra nas agressões entre torcidas. E, faz algum tempo, se transporta para as agressões gratuitas. A grande realidade é que futebol é um esporte. Um esporte que apaixona e que gera muito dinheiro, mas, ganhar e perder depende de muitas condições. Não é só o querer de dirigentes, de técnicos, de jogadores ou de torcidas.
Neste mundo, no Brasil, em especial, a posição mais frágil é a do técnico, mas, o jogador também está extremamente exposto. Não importa como esteja. Se exige dele é o resultado. E os julgamentos são implacáveis. Neymar, que é um indiscutível craque, tem sua vida esquadrinhada, cada ato seu examinado, pesquisado, analisado como se tivesse a obrigação de ser um ser perfeito. Cito um jogador de grande sucesso. Porém, se exige do jogador que, além de jogar muita bola, em toda e qualquer situação, se comporte como uma primeira dama. Garrincha, o anjo das pernas tortas, o maior gênio, que este esporte já teve, se vivo, seria execrado por mau comportamento e, no campo, já teria sido agredido por “desmoralizar” o adversário. Empurraram para o campo o politicamente correto, apesar de toda a tecnologia do VAR, não se conseguir nem correção nas arbitragens, de só servir para impedir gols e tornar o jogo mais chato. Em suma, o que se espera, hoje, é que, num campeonato brasileiro, como o atual, em que os times são extremamente parecidos, todos sejam feitos de super-homens e de gentlemen. E, levada a lógica vigente, como temos, no mínimo, doze grandes clubes, todos teriam que ser campeões! O que é certo: ter um campeão com onze torcidas conformadas com o fracasso de seus times ou um campeão com onze torcidas invadindo centros de treinamentos e agredindo dirigentes, técnicos e jogadores? O que diz o seu bom senso?
Lembro, agora, que, ultimamente o técnico do Santos, Jorge Sampaoli, parece até um analista do Brasil.  Não que diga nada errado. Muito pelo contrário. Tem acertado com uma frequência muito maior do que seu time joga bola. Ele afirmou:  “Vitória gera satisfação para nós. A pressão que se gera em uma derrota chega a ser ridícula. São críticas que chegam ao ponto de se invadir um CT. É assim que funciona e o que temos que viver nesta profissão”. É um diagnóstico do absurdo nosso de cada dia. O futebol, que deveria ser uma fonte de prazer e de diversão, se transformou também numa demonstração de que a ignorância é ousada. Não respeita a ordem, nem a civilização. Até nos tempos mais bárbaros sempre se preservou o circo. A luta sempre foi pelo pão. No Brasil conseguiram subverter tanto a ordem que nada é sagrado. Nem o pão, nem a igreja, nem o circo. Aí do nosso futebol!

sexta-feira, setembro 27, 2019

O INFERNO ASTRAL DOS TÉCNICOS



A bem da verdade não há nada de muito novo no fato de que três técnicos de futebol sejam demitidos de uma hora para a outra, exceto ser em lote e as decisões terem sido noturnas. A tônica forte da vida dos técnicos brasileiros é um retrato da nossa mentalidade: o imediatismo. Basta uma sequência de maus resultados para qualquer técnico, por melhor que seja, ficar com uma espada sobre a cabeça. No caso atual, se olharmos para o trabalho do Cuca, ainda que possa ter seus problemas, é um reflexo também da falta de um ambiente estável no São Paulo. Já Zé Ricardo nem teve tempo, a rigor, de mostrar nada. Inclusive, se comparado ao grande rival do estado, o Ceará, que se encontra a 7 jogos sem vencer, os quatro dele deveriam ser tolerados. Ainda mais que a defesa do Fortaleza, mesmo com Ceni, não apresentava um bom rendimento. Já Oswaldo de Oliveira é uma ironia das grandes. O Fluminense, mesmo com dois a menos, fez seu melhor jogo dos últimos tempos. A vida de técnico não é mesmo nada fácil.
Aliás, numa entrevista muito feliz, Sampaoli, se queixava das críticas aos técnicos, de não compreender nossa mentalidade. E apontava para Mano Menezes, um treinador de qualidade, que saiu do Cruzeiro, depois de uns resultados ruins, e só obteve vitórias no Palmeiras. Ele seria ruim em Minas e bom em São Paulo? Não. O exemplo inverso é o de Rogério Ceni que estruturou o Fortaleza e teve uma trajetória vitoriosa, a ponto de ser aclamado como o melhor técnico que a equipe já teve, mas, não conseguiu, na sua curta passagem pelo Cruzeiro, nada de relevante. É um técnico ruim? Claro que não. Tem toda razão Sampaoli quando afirmou que “Não se crê em alguém, o resultado muda tudo e torna alguém bom ou ruim. Há mais modificações do que do treinador em si. Que treinador é descartável e só é bom quando ganha e mal quando perde. Acaba sendo mais importante o roupeiro do que o treinador. Treinador se vai sempre”. É a pura verdade. É indispensável se mudar esta mentalidade de curto prazo e dar estabilidade aos técnicos para fazer um bom trabalho. Lembro aqui os técnicos Odair Helmann, do Internacional e Tiago Nunes, do Atlético Paranaense. Trata-se de dois grandes técnicos. Este ano o Internacional, até agora, não ganhou nada. Já o Atlético Paranaense ganhou a Copa Brasil. Será que por isto o trabalho de Tiago é melhor do que o de Odair? Difícil de dizer. Futebol também é acaso, é sorte, inclusive dos jogadores. Odair perdeu o campeonato gaúcho nos pênaltis. Tiago conseguiu eliminar o Flamengo e o Grêmio nos pênaltis. Um lance diferente podia ter mudado tudo. O Edenílson, por exemplo, foi crucificado por um lance que, dificilmente, Marcelo Quirino fará outro igual. E, aqui, entra o imponderável, inclusive a condição física e psicológica dos jogadores. Muitos deles não jogam o que podem por falta de treino ou por excesso de jogos. E, se o resultado não vem, a culpa será sempre do técnico. Os dirigentes deveriam ser muito mais cuidadosos tanto para contratar técnicos (e jogadores) como para dispensar. Pensar em criar um estilo de jogo e uma equipe, como no passado, quando se sabia quem iria jogar e se decorava o nome dos jogadores. Os times mais vitoriosos fazem isto. Cito o Grêmio que, em parte pela estrela e a competência de Renato, busca manter e reforçar uma equipe. De qualquer jeito a vida de técnico não tende a ser nada fácil mesmo. Lembro de, pelo menos, dois deles que tiveram um imenso sucesso com seu time e, mesmo assim, foram dispensados: Diego Aguirre, no São Paulo, e Lisca, no Ceará. Se houvesse bom senso e uma visão de longo prazo, certamente, as equipes seriam bem melhores e o inferno astral dos técnicos mais atenuado.

quinta-feira, setembro 05, 2019

A (IN) VERDADE NAS REDES SOCIAIS



Ninguém, que analisar a vida moderna, pode negar que as redes sociais expandiram a comunicação e são presentes na vida da maioria das populações, especialmente urbanas, bem como se tornaram importantes na relação clientes/consumidores. Na prática, os canais de comunicação ficaram mais abertos à interação, o que, sem dúvida, gera oportunidades, porém, também cria grandes desafios. O maior deles diz respeito as informações que circulam nas redes. Todos nós, empresas ou pessoas, estamos sujeitos ao uso do nosso nome por outros e isto se torna, cada vez mais, um problema na medida em que, por incrível que pareça, um estudo do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), dos Estados Unidos, garante que as notícias falsas se espalham pelas redes sociais com uma velocidade seis vezes maior do que as notícias verdadeiras. E, para tornar o estrago maior ainda, as pessoas retêm as notícias falsas por longos períodos, principalmente, quando estão aliadas às crenças que as pessoas alimentam. Assim, se uma informação falsa sobre um político que não gosto circula, eu (e você também) estamos mais propensos a lembrar desta informação por muito mais tempo.
Como alguém que já foi vítima de informações falsas sei muito bem que isto é verdade. Já tive blog invadido com post que nunca colocaria sendo colocado em meu nome. Já experimentei o dissabor de veicularem e-mails em meu nome com fins escusos e até mesmo postarem no Facebook informações que não postaria porque, no momento, só posto poesias ou músicas, justamente, porque as disputas político-partidárias altamente emocionais, derivadas das eleições presidenciais, criaram um clima que tornou o Facebook o maior palco da insensatez e da sem noção. Aliás, faz tempo que não opino, nem discuto em redes sociais. E até, diante da insensatez do que se posta, escrevi um livro (já publicado) com o nome de “Troféus de Caça-Contos da Era Digital” onde demonstro que as pessoas, nas redes sociais, talvez, por pensarem erroneamente, que são anônimas, perdem completamente o bom-senso e se comportam como se tivessem perdido, no mínimo, metade dos neurônios.
A verdade é que, queiramos ou não, o  ambiente digital se impõe na nossa vida e não podemos prescindir dele. No entanto, também traz muitos desafios.  Cabe a todos nós, pessoas e empresas, saber utilizar bem essas ferramentas. Embora muitos falem e escrevam sobre elas, de fato, ainda são muito recentes e estamos aprendendo a utilizá-las. É um processo educativo, porém, penso que as pessoas devem ter muito mais cuidado com o que dizem e escrevem nas redes e, em especial, se certificar se o que veem, realmente, partiu de quem aparece como autor. Nunca é demais lembrar que o que mais circula nas redes são as notícias falsas, as fake news. E que, como escreveu Mark Twain, muito antes de existirem as redes sociais: “Para quem só tem um martelo, todo problema parece um prego”. Verifique e pense antes de bater. Não que vá fazer muita diferença, mas, pelo menos, não estará contribuindo para o festival de falta de bom senso que inunda as redes sociais.

Ilustração: https://www.rappler.com/.


quinta-feira, junho 06, 2019

OS DANOS DA INSEGURANÇA JURÍDICA


No começo do ano o novo ministro da Economia, Paulo Guedes, andou apontando caminhos que poderiam mudar muito o País. Em primeiro lugar, disse que a carga tributária atual de 36% representa um fardo muito pesado e estava muito acima da existente em outros países similares em tamanho ao nosso. E disse que a carga tributária ideal para o Brasil seria de 20%, porém, que para chegar a isto a velocidade dependeria dos gastos. E apontou o excesso de gastos na publicidade e na compra de influência parlamentar como formas que deveriam ajudar a diminuir as despesas. Uma parte, de fato, está aí, no entanto, o enxugamento do governo exige mais. Exige, principalmente, que se atente aos custos das compras, ao controle das despesas também. Fazer este dever de casa é essencial sim para sanear as contas públicas. Ocorre que isto somente não será capaz de mudar o Brasil. Para mudar será preciso que se faça um trabalho profundo de desburocratização e de criar segurança jurídica para a economia.
A segurança jurídica é uma categoria de direito que indica estabilidade nas relações judiciais, seja na questão da não alteração arbitrária das normas legais, seja  na  previsibilidade do resultado de uma ação judicial. Este princípio serve como um dos pilares fundamentais do estado de direito, pois,  a organização social depende da confiança que os  cidadãos têm no Estado, ou seja, na confiança de que, quando tiver um direito violado, esse estado o protegerá. Trata-se de um princípio que, embora não inscrito na Constituição, está implícito em muitos dos seus artigos, mas, que é continuamente desrespeitado a todo e qualquer instante. Basta verificar que pouco países dispõem de um cipoal de leis tão complexo quanto o  Brasil. Mas, o problema não é somente a quantidade. É o fato de que as regras do jogo mudam a cada dia, o que deteriora o ambiente de negócios, afasta investidores e emperra o crescimento econômico. Principalmente, os estrangeiros, de vez que nós já nos acostumamos com a insegurança cotidiana, não conseguem entender como até mesmo um agente público estadual ou municipal, por exemplo, com um simples parecer afeta toda uma pratica de anos de tramitação comercial. E o que é pior: quando se recorre ao judiciário custam a decidir contra o governo ou até mesmo coonestam mudanças que, a rigor, careceriam de uma nova legislação. Isto é, particularmente sensível, quando se trata do setor tributário onde a complexidade por si só já é um problema que torna difícil, para qualquer um, entender como as coisas funcionam por aqui, como as decisões são tomadas, como se dá o ordenamento jurídico. O que se conclui é que o excesso de leis, de regulamentos, de normatizações e suas mudanças constantes, aliadas ao fato de que as diversas interpretações da Justiça no Brasil, criam incertezas que impedem a previsibilidade e desencorajam investimentos, novos negócios. Um exemplo recente é a discussão sobre uma nova lei dos dividendos. A isenção dos tributos sobre os dividendos é um incentivo para pessoas físicas e fundos investirem mais, porém, até parece que o país não necessita de investimentos. Necessita sim. E necessita muito mais ainda de simplicidade e permanência no seu ambiente de negócios. Somos extremamente prejudicados como nação pelo permanente estado de insegurança jurídica que faz dos planos de negócios e projetos econômicos tabula rasa. Efetivamente, há uma ignorância econômica muito grande sobre a necessidade de estabilidade no ambiente de negócios para que o país possa ter crescimento econômico e se criam leis, decretos, regulamentos e normas que aumentam as despesas das pessoas jurídicas e físicas como se os recursos de que dispõem estivessem à disposição dos agentes públicos. Diariamente se criam despesas inesperadas para o contribuinte sem que, muitas vezes, quem usa a caneta tenha a menor noção do que é uma empresa e de seus custos. É indispensável que as leis sejam simplificadas e haja segurança jurídica dos negócios ou estaremos condenados a ser sempre o país do futuro.



segunda-feira, abril 01, 2019

Viva a poesia



Sinceramente os tempos não são propriamente bons para os que, igual a mim, gostam de refletir, antes de discutir, e procurar ter uma visão construtiva, diria mesmo que, de futuro, das coisas. E, como estamos numa época onde tudo que é sólido se desmancha no ar, estou quase virando um monge, um eremita. De fato, sair de casa só se for por uma boa conversa, uma boa música, um jantar ou um vinho com os poucos (e bons) amigos que tenho. Estou mais para uma tartaruga ou como a avestruz que, todos pensam que, nas situações difíceis, enterram a cabeça na areia. Pura lenda: se parecem comigo, pois, correm mesmo (e muito). A diferença é que tanto corro, quanto durmo. O sono é meu antidoto contra muitos males. Durmo muito. A preguiça deve ser minha companheira de alma. Vou devagar, devagarinho... Bem, isto tudo foi somente para dizer que, como não desejo me ocupar de assuntos traumáticos, vou me ocupar de arte. De paixão para arte. Nada melhor, portanto, que lembrar os versos de Jorge de Lima:
PAIXÃO E ARTE
Jorge de Lima
Ter Arte é ter Paixão. Não há Paixão sem Verso…
O verso é a Arte do Verbo – o ritmo do som…
Existe em toda a parte, ao léu da Vida, asperso
E a Música o modula em gradações de tom…

Blasfemador, ardente, amoroso ou perverso
Quando a Paixão que o gera é Marília ou Manon…
Mas é sempre a Paixão que o faz vibrar diverso;
Se o inspira o Ódio é mau, se o gera o amor é bom…

Diz a História Sagrada e a Tradição nos fala
dum amor inocente (o mais alto destino):
A Paixão de Jesus, o perdão a Madalena.

Homem, faze do Verso o teu culto pagão
E canta a tua Dor e talha o alexandrino
A quem te acostumou a ter Arte e Paixão”.

É, meus amigos, recorrer à poesia é sempre um modo de cantar a vida. Pode-se até mesmo deixar de lado a forma alexandrina, mas, não, jamais, de buscar na arte, na poesia, um bom motivo para viver. Como escreveu Friedrich Nietzsche "A arte e nada mais que a arte! Ela é a grande possibilitadora da vida, a grande aliciadora da vida, o grande estimulante da vida". Em suma, a arte é, de fato, uma ode à vida, de modo que vida e poesia se confundem. Assim dar uma viva à poesia é dar um viva à arte e à vida!

Ilustração: Travessia Poética.

quarta-feira, março 13, 2019

IDÉIAS USADAS POR LOJAS E NEGÓCIOS DE SUCESSO



O varejo, em qualquer lugar do mundo, está se tornando muito mais competitivo. É verdade também que a escala pesa, ou seja, e isto é observável em Porto Velho, as grandes redes, com compras muito maiores e, via de consequência, preços mais baixos, abocanham pedaços crescentes do mercado. No entanto, há lojas e empresas micros e pequenas que se modernizam e criam formas de relacionamento com os clientes que alcançam também muito sucesso. Sem dúvida, um fator importante, fundamental para isto é o uso das informações, dos dados obtidos sobre os seus clientes. Na prática, todo mundo colhe dados sobre seus clientes, mas, usam bem? Aí é que reside o problema da grande maioria. Ou não colhem bem os dados ou colhem, porém, não sabem usar os dados que possuem. Hoje, para um negócio ser bem sucedido, é indispensável que se tenha informações como as do aniversário do cliente, a sazonalidade e o intervalo de suas compras para chamar sua atenção, estimular suas visitas e compras. Assim manter um cadastro dos clientes e usá-lo bem é uma das formas mais eficientes de aumentar e manter sua clientela.
É verdade que, muitas vezes, existe uma resistência ao cadastro. Em geral o cliente quer ser atendido o mais rápido possível e a coleta de dados é vista como algo indesejado. Mas, existem formas de driblar este empecilho. Uma delas é prover os vendedores de um sistema móvel que permita que registrem dados durante o atendimento, afora as compras por crediário que possibilitam isto sem grandes problemas. Outro jeito indolor de obter dados é oferecer wi-fi grátis, desde que o cliente se cadastre. Muitas empresas fazem isto, via o próprio celular do cliente, o que facilita ainda mais. Também uma forma atrativa é a de criar promoções onde os clientes precisam se cadastrar. De qualquer forma, quem pretende ser competitivo precisa usar bem seu cadastro. E existem outras ações simples que melhoram o seu atendimento e o aproxima dos clientes. Eis algumas delas de forma resumida:

     1)     Investir no pós-venda- Todo cliente fica satisfeito quando, por um telefonema, whatsapp ou via e-mail, a empresa procura saber de sua satisfação. Então, fazer pesquisas como o cliente foi atendido na sua empresa é uma forma muito boa de manter a gestão de sua clientela;
2   2)     Presenteie no aniversário- Em geral as empresas se limitam a mandar uma mensagem de parabéns que é tida mais como uma ação de marketing do que uma atenção real. Inove. Ainda que seja uma lembrancinha sem grande valor econômico, se for original ou engraçada ou tiver um diferencial que o cliente reconheça como direcionada para ele, pode ter certeza, que vai gostar. Algumas empresas oferecem cupons de descontos para o aniversariante o que também é válido;
    3)      Personalize seu cadastro- Na medida em que seu relacionamento com o cliente aumenta também melhore a qualidade de seu cadastro. Recolha mais informações sobre ele para fazer ofertas e promoções. Sempre dá resultado;
4 4)   Crie uma forma de fidelização- Muitas empresas usam cupons, que quando atingem uma certa quantidade, dão direito a alguma coisa; outras criam um clube de vantagens que oferece mais ofertas e descontos na medida em que se compra mais;
5  5)   Mantenha uma loja virtual- Hoje quem não está na internet, de fato, não está no mundo. Assim não basta usar o Facebook ou o Instagram para divulgar sua empresa. Também outros meios que permitam a visualização ou a compra via internet são essenciais para os negócios modernos. É indispensável associar a loja física a um site; e
6 6)    Segmente por perfis- É preciso acessar o cliente de acordo com suas características. Logo aglutinar seus clientes por faixa etária, assiduidade, tíquete médio, etc. ajuda a direcionar eficientemente sua comunicação levando a melhores resultados.

De qualquer forma, é indispensável o uso da tecnologia para se relacionar com o consumidor. É uma  enorme vantagem competitiva para as empresas, em especial as pequenas. E, no mercado, existem soluções para negócios de todos os portes e capacidades financeiras (aplicativos). Pode ser difícil, às vezes, mudar a forma como se atua, porém, se a empresa  não realizar ações com base nos dados dos clientes, no mercado, hoje, tende a ser superada por seus concorrentes.


sexta-feira, dezembro 14, 2018

A FLEXIBILIDADE DOS HORÁRIOS NO MUNDO DO TRABALHO



Embora o mundo esteja mudando muito rapidamente nem sempre isto é percebido pelas pessoas, principalmente, as que estão em cargos de chefia. No Brasil isto é uma realidade latente. Basta ver que ainda existe muita cobrança sobre a questão do horário de trabalho das pessoas. A própria modificação da lei trabalhista, que dá maior flexibilidade para todos, por exemplo, foi imensamente combatida pela percepção pouca prática dos próprios sindicatos, que não compreendem os novos tempos. Ainda trabalham com a concepção de que é melhor manter privilégios para poucos do que conseguir gerar renda para muitos. É preciso ver que o sucesso no trabalho não pode ser mais medido pela presença, pelo número de horas que a pessoa passa no seu local de trabalho, mas, sim pelos resultados que consegue. Basta ver que a Gallup verificou que 43% dos americanos empregados passavam o tempo trabalhando remotamente a partir de 2016, um aumento de 4% desde 2012. Mais importante ainda a percentagem de trabalhadores norte-americanos que trabalhavam fora do escritório aumentou de 24% para 31% no mesmo período de 4 anos. Assim a  Gallup verificou que as oportunidades de programação flexível e de trabalho, a partir de casa, desempenham um papel importante na decisão de um funcionário de aceitar ou deixar um emprego. Pelo menos, nos Estados Unidos a agência constatou que "Os funcionários estão forçando as empresas a quebrar as estruturas e políticas tradicionalmente estabelecidas que influenciavam seus dias de trabalho".
É uma nova forma de ver as coisas que é correta: não é ter alguém sentado numa mesa de escritório por um determinado número de horas por dia que irá aumentar a produtividade da empresa. Ele pode passar horas sentado sem produzir nada. Esta a razão pela qual deslocar o local ou as restrições físicas do trabalho  para onde o trabalhador vai se aplicar melhor aos trabalhos de escritório / criação / serviços é uma grande vantagem. É claro que, cada caso é um caso, mas, há grandes oportunidades criativas para dar flexibilidade aos funcionários da linha de frente. Mesmo que o seu trabalho exija sua presença física, isto também não significa que ele nunca poderá atender a questões pessoais importantes, como necessidades de saúde e resolver seus problemas bancários na hora do expediente. Cada vez mais, e, em 2019, isto deve se acelerar, começaremos a ver que o dia de trabalho de tamanho único será substituído por algo muito mais fluido e flexível, com modificações baseadas em tempo e localização, adaptadas tanto aos objetivos da empresa quanto às necessidades dos seus funcionários. Este dia de trabalho adaptável não é um benefício só para a empresa ou benefício para o funcionário, certamente, não será a exceção à regra e sim um imperativo estratégico para as empresas que quiserem se manter produtivas nos novos tempos. A maior prova é uma pesquisa de Werk revelando que 37% dos funcionários nos Estados Unidos não se sentem inspirados ou energizados por seus locais de trabalho físicos na atual estrutura de jornada de trabalho. Também que quando os funcionários são sobrecarregados com horários de início rigorosos e longos deslocamentos, eles são geralmente menos capazes de se envolver em uma vida saudável e fornecer cuidados adequados para seus filhos e entes queridos. Claro que os escritórios físicos não serão extintos, porém, a flexibilidade dos horários e o trabalho em casa, definitivamente, vieram para ficar. Aqui vale lembrar  as palavras da CEO da Microsoft, Saty Nadella, "O trabalho não é mais um lugar para onde você vai. O trabalho é fazer as coisas acontecerem onde você está."


sexta-feira, novembro 30, 2018

ANOTEM O NOME DELE É LISCA, O SEMEADOR DO IMPOSSÍVEL



Loucura e genialidade sempre andaram muito próximas. E o meu personagem deste Brasileirão é, sem dúvida, o melhor técnico do torneio. Bem, Felipão poderia ser melhor, mas, não é. Efetivamente, ao meu ver, fez menos do que se esperava dele, embora este menos tenha sido muito bem feito. Mas, seus feitos atuais não são iguais, nem chegam perto, na verdade, do que fez o senhor  Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi, muito mais conhecido como “Lisca Doido”. Doido??? Que me perdoem os que pensam o contrário, porém, deveria ser conhecido mesmo como Lisca Gênio. Basta pensar que acumula em sua carreira como técnico feitos impensáveis, como, por exemplo, fazer o Juventude recuperar uma vaga na Série C, eliminar o Grêmio no Gauchão de 2012; no Guarani livrou o time da série C; também devolveu o orgulho ao Náutico, quando, depois de longo tempo, voltou a vencer o Sport, sedimentou a volta do Paraná nos primeiros jogos do ano passado e, este ano, fez o Ceará, numa campanha histórica, escapar do rebaixamento.
Quando o Ceará terminou o primeiro turno com apenas 3 pontos ganhos e Lisca assumiu o Vozão, a equipe nordestina se encontrava na lanterna do Brasileirão, e, muitos comentaristas abalizados já o consideravam um time  “garantido” na série B 2019. Não contavam com Lisca. E a chegada do treinador modificou todas as expectativas, e fez o Ceará chegar na penúltima rodada salvo do rebaixamento e fazer, no segundo turno, uma campanha notável acumulando até agora 40 pontos mais! Ou seja, fez 78% dos 51 pontos possíveis! Como se explica isto? Afinal o elenco pouco mudou e o Ceará teve antes bons treinadores. Bem, a verdade é que Lisca não se explica. Ele, com sua experiência de técnico andarilho, semeador de bons times nas divisões de baixo, é, hoje, um treinador dos melhores que este país tem. E não digo isto por ser um torcedor do Ceará. É claro que isto pesa para louvá-lo, mas, o reconhecimento seria quase o mesmo se tivesse feito a façanha por qualquer outro time. O que pesou, de fato, é que ele sabe tirar dos seus comandados o melhor possível, tem o indiscutível dom de saber estruturar uma equipe, de infundir ânimo e entusiasmo no seu time. Ora, podem dizer, todavia, amigo não é só ele. É verdade. Há outros técnicos que fazem a mesma coisa, que tem a mesma capacidade de construir equipes. O que Lisca tem a mais, seu toque de gênio, é sua coragem de, por exemplo, ter pego o Internacional destroçado e ser o seu condutor para a segunda divisão, sem medo. Assim, como sem medo, pegou um Ceará destroçado e salvou. Quantos terão o mesmo talento e coragem? Doido? Doidos assim são indispensáveis para fazer história. E este ano Lisca fez! Contra os que não sabem sonhar mostrou que o impossível não resiste a um trabalho bem feito. Salve Lisca, os torcedores do Ceará e os reconhecedores de talento te saúdam!

quinta-feira, novembro 08, 2018

OS DESAFIOS DO GOVERNO BOLSONARO



O novo presidente da República, Jair Bolsonaro, possui uma oportunidade única de fazer com que o Brasil avance, realmente, em direção a um futuro melhor. O otimismo que o envolve começa pelo fato de que, ao contrário dos presidentes anteriores, sua ascensão é bem vista pelos principais parceiros e países do nosso país. O comportamento do mercado e a queda do dólar são os sintomas mais evidentes desta visão, mas, já houve manifestações de que os investimentos estrangeiros deverão também aumentar com o novo governo. Neste sentido, a sua sinalização de que pretende negociar com o mundo inteiro, bem como melhorar o ambiente de negócios, inclusive com maior privatização e desburocratização, soa como música aos ouvidos dos empreendedores e investidores nacionais e estrangeiros.
O governo Bolsonaro, no entanto, terá que fazer alguns esforços em áreas que precisam, efetivamente, de uma maior atenção e são importantes instrumentos para a geração de emprego e de renda, bem como fundamentais para iniciar um novo ciclo de desenvolvimento econômico. Claro que a economia surge como prioridade. Sem o controle das contas públicas, sem os recursos para manter as atividades administrativas e os investimentos necessários em infraestrutura, o seu governo terá muito maior dificuldade. Todavia, neste primeiro ano, bastará que tome as iniciativas corretas para que já passe a ter um crescimento mínimo de 3%, o que não é o ideal, mas, o possível no início de governo. O setor financeiro deve merecer atenção especial. Como também o turismo, que tem um imenso  potencial, se  tratado com o foco que merece. Este ano o substancial aumento de turistas no carnaval já mostrou a força do setor, mas, dados do Conselho Mundial de Viagens (WTTC), demonstram que o turismo tem sido responsável por um em cada cinco empregos gerados no mundo na última década. No Brasil são 2,9 milhões de empregos e 6% do Produto Interno Bruto-PIB, bem abaixo do que representa o setor no PIB Mundial (10,4%). E o Brasil, que possui vantagens competitivas diferenciadas, com um amplo leque de  paisagens, clima e cultura para os mais variados perfis de viajantes, pode abocanhar um pedaço muito maior do mercado mundial de turismo. Previsões modestas detectam a capacidade de, em dois anos, criar, pelo menos, 1,8 milhões de empregos e injetar cerca de R$ 10 bilhões no país somente com medidas acertadas, como uma melhor divulgação, desburocratização, redução de impostos para a atração de investimentos no setor.  Acrescente-se que, o turismo tem um enorme efeito cascata, por abranger mais de 60 tipos de atividades econômicas, e ainda permitir a utilização de jovens no mercado do trabalho, ajudar na revitalização e conservação dos patrimônios histórico, artístico e cultural. É claro que isto passa também, em determinados locais, como o Rio de Janeiro ou Fortaleza, pelo combate à violência, o que é bem mais complicado. Ocorre que, em outros espaços do Brasil, em particular na Amazônia, bastará um programa de investimentos bem feito, e envolvimento da população em projetos de turismo regionalizados, para se conseguir aumentar, significativamente, o fluxo de turismo. E o turismo é um indutor de uma necessidade básica do país: uma educação de qualidade. Aliás, espera-se que o governo Bolsonaro faça o que, efetivamente, nunca foi feito na educação: um esforço sério e continuado de melhorar o nível da escolaridade brasileira. Há muito o que ser feito, mas, iniciar um grande esforço na área é essencial e uma tarefa urgente.

sexta-feira, outubro 26, 2018

A DESSARUMAÇÃO DO SISTEMA POLÍTICO



Lula, que sempre foi o dono do Partido dos Trabalhadores-PT, afirmava que quando assumisse o governo daria solução para os problemas brasileiros. E passou mais de trinta anos chamando os outros partidos de corruptos, pregando a divisão de classes (o nós contra eles), xingando as elites (ainda quando comandava o país, ou seja, quando era ele é a elite-mor). Não se pode dizer que não teve seus quinze minutos de fama: amparado na multiplicação das benesses a sindicalistas, órgãos de comunicações e movimentos sociais montou a maior claque que o Brasil já teve. E, navegando no crescimento mundial e na liberação do crédito, fez a população acreditar que o Brasil, de uma hora para outra, tinha acabado com a fome, criado uma via de desenvolvimento sustentável e se transformado em país de primeiro mundo. A fantasia durou enquanto duraram as burras cheias de dinheiro do tesouro. Já no final do seu segundo mandato as coisas estavam feias, mas, pioraram significativamente quando entregou o cetro à Dilma Roussef, apresentada como a “gerente”. E ela gerenciou a derrocada por quatro anos. E, não satisfeita, apesar do rombo que o caixa apresentava, partiu para ganhar um segundo mandato, onde não somente gastou milhões com empresas de marketing político e de comunicações, utilizando amplamente as mídias sociais, inclusive fazendo o que, hoje, acusam Bolsonaro de fazer, o WhatsApp, com mensagens propagandísticas. Elegeu-se, mas, a deterioração do governo e do partido já havia alcançado limites inimagináveis: nunca antes neste país houve tanta corrupção. Todos os outros partidos estavam envolvidos, pois, o PT havia comprado todo mundo no atacado ou no varejo. A Lavajato explodiu o tumor e a credibilidade do PT foi para o ralo. O povo viu que Lula havia acusado os outros do que sabia fazer muito bem. Não são as mídias sociais, nem a inteligência ou a esperteza de Bolsonaro que estão derrubando o PT. O PT, hoje, luta contra o povo que acreditou nele. Pode mudar as cores, todavia, não pode mais se apresentar com a cara limpa e honesta que um dia já teve. Efetivamente, o povo não esquece o estelionato eleitoral de que foi vitima, da enganação maciça, da tapeação gigantesca que foi a reeleição desastrosa de Dilma. Nem de que, com ela, começou a pagar a conta do que o PT denomina, hoje, dos “anos felizes”: recessão, desemprego, corrupção e endividamento. Bolsonaro foi o felizardo por sua luta contra o que sabia ser errado. Com todas as suas contradições e limites encarna a mudança. Encarna a decência contra a corrupção, a esperança de paz contra a violência predominante, a esperança na política e nos políticos. É uma aposta que pode não dar certo? É. Mas, o povo não quer mais o PT. O PT não entendeu que não luta contra Bolsonaro, mesmo com a fala lúcida de Mano Brown. Luta contra a maioria da população que não aceita mais o partido. Não há a mínima condição do PT ganhar. Os petistas se desesperam gritam, esperneiam, choram, chamam os outros de fascistas, inventam fakes, usam crianças numa propaganda que chega às raias da inconsequência, querem puxar o tapete, mudar o mundo e as regras. O problema é que a democracia é uma questão aritmética, de voto: ganha quem a maioria quer. E o nome está na rua, na mídia e estará nas urnas do dia 28: Jair Bolsonaro. É uma aposta na interrogação, porém, os brasileiros preferem o desconhecido ao que já se provou ineficiente e danoso. Bolsonaro é a desarrumação popular contra tudo que está aí e que o povo não quer mais.

terça-feira, outubro 23, 2018

APROXIMA-SE DO FIM A GUERRA ELEITORAL DAS SANDICES



Esta é, sem dúvida, a campanha mais bizarra, mais surpreendente, violenta e  insólita que o Brasil já assistiu.  Jair Bolsonaro e o poste de Lula continuam trocando pérolas, se estapeando, se esmerando em dizer besteiras e acirrar os ânimos entre suas duas claques. O democrático, e moderado, Haddad, que dizem os seus adeptos, não tem o menor pendor para ser fascista, foi o primeiro a dizer que Jair Bolsonaro é um "anti-ser humano a ser varrido da face da Terra". E, claro que como Lula ele não sabe de nada, enquanto o PT tentava emplacar a hastag #BolsonaroAnticristo no Twitter. Vindo da esquerda petista qualquer coisa é normal. Por outro lado, Bolsonaro disse que “A faxina agora será muito mais ampla, se essa turma quiser ficar aqui vai ter que se colocar sob a lei de todos nós, ou vão pra fora ou pra cadeia. Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria”. Ele colocou a lei no meio, mas, é uma afirmação que tem muito pouco de bom senso. E que joga lenha nos ataques e acusações de fascismo contra ele, que nem liga, e contra seus eleitores que, estimados em mais de 60 milhões, estão bem longe de ser isto. Chamo tudo isto de “fumaça eleitoral”. O problema é que isto desviou a campanha de qualquer discussão importante. Virou um desvario virtual onde muitas pessoas que pensam se perderam e passaram a se comportar como policiais da opinião alheia, com professores, que deveriam educar, partindo para acusações infundadas, a repetir slogans vazios e até mesmo utilizando palavras de baixo calão. É um festival de sandices que só desperta o pior do ser humano e nojo de olhar para o Facebook ou ver as “descobertas” e fakenews, via whatsapp, que são enviados como se fossem o suprassumo da sabedoria humana querendo colonizar a cabeça alheia. Me poupem! Ninguém, com a idade que tenho, vai conseguir mudar meu modo de pensar, nem me impedir de analisar com os meus próprios neurônios.
Bolsonaro, é claro, tem seus problemas. Não é um mito. É um homem que encarnou a vontade de milhões de mudança. E a mudança é contra o PT com toda razão. Afirma Sérgio Pardellas, num artigo denominado de “A cristianização de Haddad” (https://istoe.com.br/a-cristianizacao-de-haddad/) que “o partido que se recusou a assinar a Constituição de 1988, votou contra o Plano Real, não topou participar da coalizão em torno de Itamar Franco pós-impeachment de Collor e que buscou a hegemonia por meio do aparelhamento do Estado, da corrupção institucionalizada e da perseguição inclemente a adversários políticos, muitos tratados como ‘inimigos a eliminar’, não dispõe de autoridade moral para entoar, aos 48 do 2º tempo, a cantilena da aliança do ‘centro democrático’- desde que encabeçada pelo PT. Repetindo a sentença-sinceriCIDio de Gomes: o partido que adota a mentira como dogma de ação ‘vai perder e vai perder feio’”. É o que se constata de todas as pesquisas sérias que foram feitas, neste segundo turno, onde Bolsonaro supera a casa dos 60% dos votos válidos e se consolida como virtual presidente com uma vantagem acima de 21,5 milhões de votos. A rejeição de Haddad é muito maior e o Ibope constatou que 60% dos eleitores não votam no candidato petista. Esta a razão pela qual afirmo que, quem está indo contra ele está indo contra a maioria do povo brasileiro. São os fatos. O PT já teve esta maioria a seu favor. Não tem mais. O PT luta contra o povo brasileiro. Por isto, não importa o que façam, digam, estrebuchem, chiem. No domingo perderão. Já perderam. Só irão constatar na contagem dos votos.


segunda-feira, outubro 22, 2018

A VIA CRUCIS DO PT E DA ESQUERDA BRASILEIRA



É impressionante a fragilidade do discurso de esquerda nesta eleição de 2018. Se uma de suas capacidades sempre foi a de vender o sonho, o imaginário, novas formas de ver o mundo, o que se mostra, nesta eleição, é que se encontra à direita da direita, de vez que, hoje, luta pela conservação do “status quo”, ou seja, são os verdadeiros conservadores. Nesta eleição bradam, desesperadamente, pelo politicamente correto, quando toda a cúpula petista se encontra na cadeia ou processada, e, sem a menor lógica, incorporam nos seus programas a descriminalização das drogas, o aborto e a liberdade de criminosos. Ignorando a vontade popular pregam a volta dos “bons tempos”, que não pode ser representado por eles, basta ver que escondem Dilma Roussef, o retrato do desastre econômico e são guiados por Lula, um detento.  O resultado é o que se vê: os segmentos ditos de direita, mesmo sem dinheiro e imaginação, conseguiram criar um conjunto de imagens, de estatísticas, de slogans que empolgam o eleitorado. O comportamento politicamente incorreto de Bolsonaro deixa os adversários encurralados numa armadilha: para tentar miná-lo precisam dizer que são politicamente corretos, quando não o são. Então, só restam os argumentos rasteiros: Bolsonaro é fascista, racista, misógino, homofóbico, e, agora, para completar, desonesto.
É um ótimo discurso para Bolsonaro. Principalmente, que sem poder sair do canto do ringue, a esquerda em geral, e os petistas em particular, se exasperam e exercem a censura, o moralismo, o policiamento e até o xingamento contra os que pensam diferente, em suma, perderam o patrimônio de ser a vanguarda da sociedade e foram empurrados para exercer o papel da direita mais extrema, de repressão, de acusações infundadas, de  policiamento ostensivo e antidemocrático da opinião e dos direitos alheios. É uma completa inversão de papéis: a esquerda se tornou extrema-direita! O que não enxergaram, até por problemas ideológicos, é que não existe ideologia nenhuma na ascensão de Jair Bolsonaro. Uma parte é culpa do insucesso do governo petista na economia, mas, outra parte é porque Bolsonaro encarnou o reclamo popular pela decência na vida pública. Contra isto não adianta dizer que Bolsonaro representa a barbárie (atribuindo a si mesmos os papéis de iluminados). Bolsonaro somente usa o figurino que o povo deseja de moralista, militar e defensor da ordem pública. Caiu nas graças do povo porque apareceu gritando primeiro contra a desordem, a desorganização, a anarquia de Brasília! Ganhou notoriedade por representar o diferente no meio do discurso tosco, comum e mentiroso dos políticos.  O capitão caiu na graça do povo e ganhou notoriedade por ser um “outsider”. E a participação de militares no seu governo é vista como um sinal de que se terá ordem no futuro, como um aviso de que as coisas irão mudar. Invés de causar temor, causa satisfação. E é contra este sentimento que a esquerda e o PT lutam. Querem derrubar Bolsonaro de qualquer jeito. Não respeitaram nem o seu bucho aberto por uma facada, mas, estrebucham desesperadamente na mão dos brasileiros que ignoram, sistematicamente, seus ataques, respondendo com o aumento da vantagem de Bolsonaro sobre seu adversário. A esquerda, que ironia, se colocou contra o povo! Irão se desesperar, sem jeito, até serem derrotados fragorosamente nas urnas no próximo dia 28 de outubro.