A
questão do que é a arte e da beleza da arte tem sido um tema sempre permanente
nas discussões intelectuais. De certa forma, entre os brasileiros, foi abordada
a relação entre arte e beleza pelo poeta Afonso Romano de Sant’Ana, que
considera ter havido um desvirtuamento da arte ao se realçar o conceito se
abandonando o objeto, ou seja, a arte passou a ser conceitual, enfim, mais explicações
da arte do que arte mesmo. Outro intelectual brasileiro que se debruçou sobre o
tema foi Ferreira Gullar que lamenta a covardia da crítica de arte que, talvez
por medo ou mesmo por dinheiro, deixou que os critérios da arte se tenham
diluído, de tal forma que a arte, agora, pode ser qualquer coisa que se
denomine de arte. Este tema me rondava a cabeça em razão de um vídeo do artista
rondoniense Joeser Alvarez que sob o título “Arte Para Quê?”, fez o que chamou
de “Um registro documental e artístico no qual, quase uma centena de produtores
culturais e artistas, manifestam de modo diverso e, por vezes confluente, suas
visões sobre a finalidade da arte, conferindo a esse repertório uma semântica
rica e diversa . As imagens foram captadas por câmeras e celulares ao longo de
10 anos”. O vídeo é mais dinâmico e provocador e, como se pode ver no Youtube
facilmente (https://www.youtube.com/watch?v=ZmelLX7rZus&feature=youtu.be&fbclid=IwAR1z9gnN4l1TKzdqf2fEpjMm5G2z3XrXRDtzckd2qUwozbg65wDPVjb5_Pw)
uma busca de explicações sobre a visão de cada um sobre a arte. É uma
coincidência, um pouco dolorosa, embora os céticos não acreditem em
coincidência, que o vídeo surja quando morre um filósofo que muito se ocupou da
arte e da beleza: Roger Scruton. É dele,
aliás, um livro muito interessante denominado de “Beleza” onde alerta para o
permanente desejo de dispor da beleza desde da arrumação da casa, passando pela
arrumação da mesa num jantar para os amigos, do jardim mais simples ao mais
sofisticado, e até mesmo nas vestimentas,
especialmente, nos nossos tempos de redes sociais e “zilhões” de fotografias de
celebridades e desconhecidos. No cotidiano, a beleza é buscada por todas as
culturas e fica evidente na exposição de Scruton, ao dizer sobre a beleza, que não
se estabelece um critério firme para a definição do que é a beleza, pois, isto
passa por um conjunto amplo de possibilidades, ao mesmo tempo, que sempre o
desejo de beleza se relaciona com critérios formais e com uma certa sensação de
bem-estar e aconchego. O que ressalta é que, sem sombra de dúvida, a arte
consiste numa das mais apropriadas atividades para a busca da beleza. Scruton,
que nada tem de saudosista, escreve que :
“... tudo que afirmei acerca da experiência da beleza insinua que ela possui
fundamentos racionais. Desafia-nos encontrar significados em seu objeto, traçar
comparações críticas e examinar nossas próprias vidas e emoções à luz do que descobrimos”.
Para ele, a questão é a de que, no mundo
moderno, há na arte uma fuga da beleza e da verdade. Então, talvez, a pergunta
certa não seja “Arte Para quê”, mas, “Arte Por quê”. Daí, o importante é
perguntar até onde a arte serve para a vida. Ou, talvez, indo mais longe, como
se faz da vida uma arte. Fazer arte na vida, no entanto, hoje, em dia, até para
obter 15 segundos de fama, milhões já fazem, independente da beleza e da
verdade.
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terça-feira, janeiro 14, 2020
segunda-feira, novembro 25, 2019
MAKTUB
Eu também sou
Rodrigues, mas, não sou Nelson. Se fosse escreveria que já estava escrito nas
palimpsestos gregos, nas pedras ancestrais, nos primórdios da criação do mundo,
nas línguas dos primeiros profetas que o Flamengo seria campeão da Libertadores
este ano. Este time do Flamengo é um grande time? É, inexplicavelmente é. Feito
mais por obra do acaso, embora também fruto de trabalho de excelentes técnicos,
é uma obra das mais improváveis. É que nele estão juntos velhos talentos,
talvez, movidos também por antigas paixões reavivadas, com promessas, agora,
cumpridas e até com desconhecidos talentos, como Pablo Marí. Trouxeram Diego, Diego
Alves, Rafinha e Filipe Luís, veteranos consagrados, para juntar com nomes
conhecidos, todavia, que ainda não tinham marcado seus nomes nos campos, como
Bruno Henrique, De Arrascaeta, Gerson, Everton Ribeiro, Rodrigo Caio e, até
mesmo, Gabigol, que, mesmo tendo sido artilheiro do brasileiro, não tinha ainda
títulos que sedimentassem sua carreira. Com a mão do português, Jorge Jesus,
arranjando as peças, fizeram história e se tornaram campeões da Libertadores de
2019. É verdade também que sobraram no campeonato brasileiro. Tudo indica que alcançarão
a maior quantidade de pontos que um time ganhador já conseguiu, desde que o
campeonato de pontos corridos foi estabelecido. Sua campanha, com vitórias
memoráveis, o seu bom futebol rápido e demolidor, credenciavam o Flamengo como favorito contra
o River Plate. Ainda que Gallardo, que ignorava o destino, tivesse razão em
dizer que se o Flamengo era superior que provasse nos gramados. Que foi
provado, foi. Mas, convenhamos, da forma mais cruel possível. Sejamos justos.
Não há como negar que o River foi melhor durante exatamente 93 minutos da
partida. Jogou uma partida impecável durante todo este tempo. Dominou o campo,
impediu que o Flamengo jogasse. O Flamengo foi irreconhecível, ao ponto, de
permitir um gol inacreditável, que foi uma falha coletiva, porém, quase
espírita. Era uma jogada que teve tudo para não acontecer. Não pensavam assim
os deuses do futebol que permitiram ao River o sabor de pensar que poderiam vencer.
Depois de uma hora e meia sem conseguir fazer uma única jogada, adormecido em
campo, dominado, submetido, o Flamengo despertou. Do triste Flamengo, que não
acertava passes, que não fazia uma jogada certa, que não ganhava um rebote, que
desanimava o torcedor, reapareceu o time vencedor e, em três minutos, em apenas
três rápidos minutos, fulminou o River Plate. Acertando uma jogada! Só uma! E,
com ela, desmontou tudo o que o River havia feito. O golpe foi tão mortal, tão
fatal, tão perfeito, tão monumental que nem precisou de uma segunda. De um
lance improvável, de uma bola lançada mais para a defesa do que para um provável
ataque, de um lançamento sem futuro, o faro de goleador de Gabigol, a vocação
de artilheiro, brilhou. E ele, que só havia tido o fácil trabalho de empurrar a
bola nas redes no primeiro gol, como um tanque, se impôs aos zagueiros, que
atrapalhados, assistiram o seu chute implacável, certeiro, matador. Não havia o
que fazer mais. Era só levantar a taça. Foi sorte? Foi. Porém, quem disse que
os grandes times não precisam de sorte para vencer? A sorte foi tanta que, no
domingo, foi campeão brasileiro sem entrar em campo. Agora, sejamos cirúrgicos,
precisos no exame: ninguém é um grande campeão apenas com sorte. O Flamengo fez
história jogando muito. E foi premiado ganhando a Libertadores quando fez sua
pior partida dos últimos tempos. Porém, não é todo time que só precisa de três
minutos jogando bem para ganhar do River Plate. A verdade é que estava escrito!
terça-feira, novembro 19, 2019
AS MUDANÇAS NO MUNDO DO TRABALHO RECLAMAM NOVAS FORMAS DE PENSAR O FUTURO
Leio no jornal
português “O Público” que uma pesquisa do Instituto Nacional de Estatística
(INE) revela que as empresas portuguesas contatam mais frequentemente os seus
trabalhadores fora dos seus respectivos horários de trabalho atualmente mais do
que há quatro anos. Segundo ainda a mesma pesquisa quase 40% dos funcionários tiveram
solicitações de trabalho no seu período de descanso pelo menos uma vez nos dois
meses anteriores. Segundo o inquérito, em 2015 mais de metade (56,6%) da
população empregada no 2º trimestre afirmava nunca ter sido contatada
profissionalmente fora do horário de trabalho. No trimestre equivalente de
2019, aquele valor diminuiu 3,9%, sendo agora 52,7% os que fazem tal afirmação.
Em sentido contrário, 39,2% dos trabalhadores empregados hoje dizem ter sido
contatados por questões da empresa em horário de descanso, pelo menos, uma vez
nos últimos dois meses – a diferença entre os dois indicadores são os
entrevistados que não sabem ou não respondem. Destes, 20,2% receberam este tipo
de contato “uma ou duas vezes”, enquanto os restantes 19% revelam uma prática
mais frequente. Na maioria desses casos (13,2%), os contatos são feitos na
expectativa de que o trabalhador interrompa o seu período de descanso para
resolver algum problema. Os contatos
fora do horário de trabalho são mais frequentes entre homens (49,1%, contra 40,3%
entre as mulheres); funcionários com formação superior (61,2%) e trabalhadores
por conta de outrem (56,8% reportam a existência destas práticas nos últimos dois
meses). Dentro destes, o fenômeno é particularmente sentido pelos funcionários
que têm vínculos com termo (60,5%). Também é significativo na pesquisa que quase
um terço dos trabalhadores (28,8%) afirma trabalhar “sempre, ou muitas vezes”
sob pressão de tempo, “tendo de terminar tarefas e trabalhos ou tomar decisões
dentro de prazos considerados insuficientes”. Pouco mais de um terço da
população empregada (34,1%) afirma ter total, ou muita, autonomia para decidir
a ordem e o modo como executa as suas tarefas ou trabalhos. Bem, a pesquisa é
portuguesa, mas, não deve ser muito diferente no Brasil. Parece que, apesar do
descanso ser considerado um direito fundamental do trabalhador, a jornada de
trabalho, que é o período estabelecido no contrato com a empresa que deve ser
cumprido pelo empregado, está, cada vez mais sendo menos respeitada,
principalmente, quando se trata de trabalhadores de nível superior ou
especializados. O que se percebe é que a legislação brasileira (e mundial) gira
em torno do emprego que, com o desenvolvimento da tecnologia e da inteligência
artificial, ao meu ver, tende a diminuir muito. Mas, se o emprego tende a
diminuir, ou, talvez, como pregam alguns, a desaparecer, o trabalho,
certamente, não desaparecerá. A verdade parece ser que é preciso que se pense
em novas leis mais adequadas a uma nova realidade. O enfraquecimento sindical
não se dá à-toa. Reflete o fato de que a classe trabalhadora é, cada vez mais,
fragmentada e heterogênea. Pensar que se possa agrupar interesses
crescentemente difusos é uma tolice. A questão do futuro será como remunerar
melhor o trabalho ou como criar uma forma de renda universal que se sustente
num modelo onde só uma parte muito pequena da força de trabalho será contratada
por empresas. A dissolução entre o trabalho e o descanso, que aumenta a olhos
(e pesquisas) vistos, é um sintoma das profundas modificações do mundo do
trabalho. E é preciso que se pense em novas formulas e não, como faz grande
parte da mentalidade de esquerda, desejar que “direitos” se sustentem, quando
não possuem, como contrapartida, o substrato econômico que os viabilize. É um
belo discurso, o de falar em direitos, mas, a história demonstra que eles só
existem quando a economia permite que possam ser sustentados.
Ilustração: http://www.fetecsp.org.br/.
quinta-feira, novembro 14, 2019
CRIAR CIDADES INTELIGENTES É CUIDAR DO FUTURO
Cada vez mais merece
atenção o tema de transformação das cidades em cidades inteligentes, ou, em inglês,
Smart Cities, que são sistemas de pessoas interagindo e usando energia,
materiais, serviços e financiamento para promover o desenvolvimento econômico e
a melhoria da qualidade de vida. Estes
fluxos de interação são inteligentes por fazer uso estratégico de
infraestrutura e serviços e de informação e comunicação com planejamento e
gestão urbana para dar resposta às necessidades sociais e econômicas da
sociedade. O Cities in Motion Index, do IESE Business School na Espanha,
utiliza 10 dimensões para indicar o nível de inteligência de uma cidade:
governança, administração pública, planejamento urbano, tecnologia, o
meio-ambiente, conexões internacionais, coesão social, capital humano e a
economia. A importância que se dá as cidades inteligentes pode ser medida pela
criação do Ranking Connected Smart Cities, um estudo desenvolvido pela Urban
Systems para o evento homônimo, idealizado pela Urban Systems e pela Sator e
realizado desde 2015, criando uma plataforma de discussão e negócios sobre o de
Cidades Inteligentes. Com 5 publicações já realizadas, as versões 2015 a 2019,
o Ranking Connected Smart Cities se configura um esforço da Urban Systems para o
entendimento e a definição dos indicadores que apontem o desenvolvimento
inteligente das cidades. A última edição
do Ranking Connected Smart Cities, de 2019, avaliou 700 cidades brasileiras,
levando em consideração 70 indicadores distribuídos nos eixos de mobilidade,
urbanismo, meio ambiente, energia, tecnologia e inovação, economia, educação,
saúde, segurança, empreendedorismo e governança. Campinas (SP) conquistou o
primeiro lugar geral, seguida por São Paulo (SP) e Curitiba (PR),
respectivamente. A liderança de Campinas se explica pelo quesito economia, com
independência do setor público, uma vez que 94,5% dos empregos formais não
estão na administração pública. Mas, também, pela tecnologia e inovação:
Campinas possui cinco parques tecnológicos e cinco incubadoras de empresas, e
apresenta 4,9% de crescimento do número de entidades de tecnologia, mesmo em
período de crise econômica. No Norte, porém, entre as 100 cidades listadas como
as mais inteligentes do Brasil só uma aparece: Palmas, a capital de Tocantins.
É preciso, portanto, que nossos prefeitos e nossas lideranças passem a olhar
com mais carinho a questão de como tornar nossas cidades inteligentes. Até
porque para se ter uma cidade inteligente não se pode olhar os setores de uma maneira
isolada. Todos eles precisam ser entendidos como fazendo parte de um ecossistema integrado que afeta o
dia a dia do cidadão. Daí, que o
processo para tornar as cidades mais inteligentes é sempre gradativo
exigindo não só gestão pública, mas,
também a compreensão dos próprios
cidadãos de que são também responsáveis pelo futuro de suas cidades. É preciso
que, urgente, se discuta como tornar nossas cidades inteligentes buscando soluções
que atendam a realidade e a necessidade de todos nós.
quarta-feira, novembro 13, 2019
A NECESSIDADE DA ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL DE RONDÔNIA
O
Departamento Acadêmico de Ciências Econômicas da UNIR, com o apoio do Núcleo de
Ciências Sociais Aplicadas também da Universidade de Rondônia e o Conselho
Regional de Economia de Rondônia-CORECON/RO, realizam, no Auditório da UNIR
Centro, um Seminário de Economia que tem como tema “A Economia do Estado de
Rondônia no contexto do Desenvolvimento Regional” em três encontros, dois dos
quais já aconteceram nos dias 4 e 12 de novembro, e o próximo, que acontece no
dia 20, na próxima terça-feira, terá como mote “A Economia de Rondônia, tendo o
Estado como agente mediador e indutor do Desenvolvimento” a ser apresentado
pelo Coordenador da Secretária de Agricultura, economista Avenilson Gomes
Trindade, e o emérito Conselheiro do Tribunal de Contas e professor Valdivino
Crispim de Souza. Até agora, apesar do público estar quase limitado aos alunos de
Economia da Universidade Federal de Rondônia, o seminário tem sido muito
frutífero no sentido de apontar a falta de um projeto para o estado e das
dificuldades de articulação, planejamento e recursos que Rondônia possui para o
seu desenvolvimento.
É
verdade, como defendeu um dos integrantes do governo durante o seminário, que
Rondônia possui um Plano de Desenvolvimento Estadual Sustentável de Rondônia-PDES/RO
2015-2030, mas, como foi ressaltado por um dos debatedores, não há um nexo
causal entre o plano, o plano plurianual de investimentos e o orçamento. Ainda que
se tenha tentado defender o governo apontando que, dada a complexidade dos
objetivos e metas e a pequenez dos recursos, seja feita uma redução das grandes
ambições do plano para um planejamento estratégico que se concentraria no que é
possível gerir, no entanto, também se contestou a gerência, que seria feita por
ilhas setoriais do governo. Ainda, porém, que se aceitasse os argumentos em
defesa do planejamento governamental é indiscutível que o PDES é um plano de
governo. Não é de conhecimento da sociedade, apesar de terem tido, conforme foi
afirmado, várias audiências públicas e se garantido espaço para as instituições
e sociedade civil. O fato é que seus objetivos não são os objetivos da
sociedade nem são por ela encampados. O que ficou patente, no decorrer do
seminário, é que a definição do que desejamos, a falta de organização da
própria sociedade, gera um hiato entre os anseios públicos e o governo. Há, por
assim dizer, um diálogo entre diferentes línguas que não se entendem. Apesar
disto, a economia estadual cresce, porém, é preciso, mais do que nunca, que a
sociedade civil se organize para fazer com que suas demandas sejam incorporadas
aos planos governamentais. Neste sentido, não importa a questão levantada da
não participação da população na medida em que é chamada apenas para corroborar
o que se planejou. Na verdade, em Rondônia, o que não é diferente do resto do
país, a população e as próprias lideranças não têm informações nem conhecimento,
por exemplo, sobre o orçamento e a utilização dos recursos públicos, o que, em tais
condições, faz prevalecer as manipulações. A grande maioria não sabe quais são
as possíveis formas de participação ativa nas deliberações públicas, de forma
que o controle social acaba sendo só pro forma, como também o direcionamento
dos recursos. Não importa se as pessoas tem, ou não, conhecimentos, inclusive
burocráticos e digitais, o que importa é que suas demandas sejam incorporadas
ao planejamento e se crie formas de controle social, sob pena de se criar um
campo fértil para a ineficiência e se abrir as portas para a corrupção. Neste
sentido, quanto menos permeável é um governo, quanto menos acessível, menor
será a influência da sociedade sobre os recursos que lhes são retirados em forma
de impostos. E menor também o retorno que deles recebem. O Seminário está sendo
esclarecedor sobre este aspecto e, principalmente, de que a sociedade
rondoniense precisa se organizar melhor para encontrar consensos sobre o que
deseja e cobrar do governo uma atuação mais efetiva em prol do desenvolvimento
do Estado.
quarta-feira, outubro 30, 2019
FACEBOOK É UMA MÍDIA AINDA MUITO DOMINANTE
Não se pode negar as
grandes vantagens que as redes sociais nos proporcionam. Basta pensar como
facilitaram a nossa vida, inclusive sob o ponto de vista profissional, como
criaram espaço para novos tipos de profissões e negócios, bem como tornaram a
comunicação fácil e instantânea. Se, vinte anos atrás, alguém tivesse dito que
poderíamos compartilhar informações, notícias, fotos, eventos tão rapidamente;
que os acontecimentos do mundo poderiam ser acompanhados e divulgados em tempo
real, dificilmente, alguém teria acreditado. Hoje é um fato cotidiano. Com as
mídias digitais, podemos bater fotos, escrever, falar, encontrar pessoas. Criar
grupos por assuntos que nos interessam, fazer novos parceiros e/ou amigos ou até
mesmo reencontrar pessoas que fizeram parte de nossas vidas no passado. Fora encontrar
trabalhos, estabelecer ligações profissionais, divulgar nosso trabalho, vídeos,
desenhos, livros, enfim, mostrar nossas
habilidades, distribuir ou vender artesanatos ou produtos. Devo dizer que já
fui mais adepto delas. Hoje tenho um certo receio tendo em vista alguns
problemas que enfrentei de notícias falsas, e-mail e uso de meu nome. Assim,
hoje, me abstenho de dar opiniões, de discutir, até mesmo em particular, com os
amigos, pois, quem não nos conhece pode interpretar brincadeiras ao pé de letra
e se tornar uma dor de cabeça de graça. Estamos no tempo da boiada. Pensar
incomoda todos os lados. Assim só posto amenidades, alguma música, uma foto com
algum amigo ou personalidade, um evento que desejo enaltecer ou convidar
pessoas para participar. Minha visão, hoje, das mídias sociais, portanto, é de que
precisam de alguma regulação e/ou mediação para terem um papel melhor. Mas, me surpreendi, realmente, com uma
pesquisa feita pela Activate Inc., que revelou que o Facebook, nos últimos dois
anos, perdeu cerca de 26% do engajamento médio por usuário e o tempo a ele
dedicado caiu de 14 horas ao dia para
apenas durante 9 horas ao dia. Redes menos fortes, como o Twitter, o Snapchat e
mesmo o Instagram, conseguiram manter seu tráfego estável, o Facebook. Bem, não
acredito que isto vá afetar o negócio, a
empresa de Mark Zuckerberg. Considero, aliás, uma análise superficial afirmar
que há “uma debandada e desinteresse exponencial da gigantesca base de usuários
em sua rede social”. O negócio dele, ao meu ver, se mantém muito forte e os
efeitos atuais são, como acontece sempre com mídias novas que fazem sucesso,
uma certa acomodação. É claro que
fatores como a questão com a Libra, os fake news, a publicidade na política e
mesmo números falsos sobre vídeos não afetem seu desempenho, mas, de fato, sua
sobrevivência está garantida por muito tempo, exceto, se uma nova plataforma, que faça ou supere seu papel na vida das pessoas, apareça. Hoje, mesmo na mídia
social, não há nada de novo no horizonte.
sexta-feira, outubro 18, 2019
O VALOR NEGATIVO DO CORINGA
Não li as críticas,
mas, o filme “O Coringa” estava cercado de muita polêmica, de modo que fiquei
ansioso para vê-lo. Todavia, para mim, foi um anticlímax. Sinceramente não
gostei nenhum pouco do filme. O filme tem sim um bom roteiro, a fotografia é
excelente e muito bem dirigido. Enfim, sob o ponto de vista técnico é um grande
filme. Que a atuação de Joaquin Phoenix é genial, também, não resta dúvida.
Porém, diga-se a bem da verdade, é muito talento gasto num papel que não honra
nenhum grande ator. Horrível também a participação de Robert De Niro. Não sei o
que o levou a aceitar um papel tão medíocre. O filme é deprimente. Não sei o
que leva alguém a contar a história de Arthur Afleck, um palhaço com
transtornos mentais, que mata pessoas, inclusive a própria mãe. Mostrar que na
nossa sociedade existem pessoas loucas? Ou que nossa sociedade é injusta e
opressiva, daí, transformar pessoas com
problemas psicopáticos em assassinos? O filme não tem lições, nem moral. É um
filme sem noção feito para uma época sem noção. Um filme que isenta de
responsabilidades quem pratica o mal e, ao mesmo tempo, pune de forma indiscriminada
quem merece ou não. Enfim, me parece mais uma contribuição para justificar que
tudo é mesmo assim, sem jeito e sem remédio. E termina com uma música que diz
que a vida é mesmo assim. Claro que não concordo. Ainda mais que a arte, e o cinema
é uma arte, deve ser feita para glorificar a vida, para criar grandes momentos,
a ilusão de que podemos ser melhores. Por isto o filme é o mais violento que já
assisti. Não pelas mortes e sim por glorificar a falta de noção, inclusive,
quando cria um assassinato em pleno um programa de televisão ou quando, a
partir dos assassinatos num trem, faz de um louco, que mata três pessoas por
impulso, o gatilho de um movimento popular anárquico e irreal sob a alegação de
que se trata de uma revolta contra a opressão silenciosa dos ricos. É uma
inversão monstruosa da civilização sob o pretexto de crítica. Há violências que
se justificam ou não. No entanto, nada justifica se glorificar a violência pela
violência. A violência é uma coisa natural do homem sim, todavia, só a
civilização, com todos os seus problemas, pode por limites aos comportamentos
humanos. O filme é corrosivo por ser selvagem, no sentido de querer justificar
qualquer coisa, por ser anticivilizatório. De fato usar a figura arquetípica do
palhaço, um ícone do riso, para uma paródia lúgubre onde uma pessoa com graves
distúrbios se transforma num assassino em série me parece muito mais um
incentivo aos loucos de nossa época (que hibernam) para que ganhem seus 15
minutos de fama. Muitas pessoas devem achá-lo maravilhoso por diversos motivos.
Não sou psicólogo. Tento conservar o pouco de racionalidade que ainda penso
ter. Para mim, é um filme deprê. Uma pena que não tenham feito algo mais
proveitoso com tantos recursos e atores maravilhosos.
sexta-feira, outubro 04, 2019
O FUTEBOL NO FUNDO DO POÇO
O
Brasil anda de pernas para o ar. Decididamente as pessoas perderam a noção das
coisas. Assisto estarrecido algumas pessoas próximas se comportarem de uma
forma que está longe de ser crível que tenha algo de racionalidade. Nem vou
citar qualquer coisa de posições políticas porque, algum tempo atrás, prometi a
mim mesmo que, dado a falta de noção (e conhecimento, inclusive histórico, que
as pessoas demonstram), não é muito sensato, nem conduz a nada, discutir
posições políticas. Vou escrever mesmo é sobre o que acontece nos campos de
futebol que, como dizem, não é só futebol. É também um retrato de nossa
sociedade. A loucura que invade nossos campos, por exemplo, se demonstra nas
agressões entre torcidas. E, faz algum tempo, se transporta para as agressões
gratuitas. A grande realidade é que futebol é um esporte. Um esporte que
apaixona e que gera muito dinheiro, mas, ganhar e perder depende de muitas
condições. Não é só o querer de dirigentes, de técnicos, de jogadores ou de
torcidas.
Neste
mundo, no Brasil, em especial, a posição mais frágil é a do técnico, mas, o
jogador também está extremamente exposto. Não importa como esteja. Se exige
dele é o resultado. E os julgamentos são implacáveis. Neymar, que é um
indiscutível craque, tem sua vida esquadrinhada, cada ato seu examinado,
pesquisado, analisado como se tivesse a obrigação de ser um ser perfeito. Cito
um jogador de grande sucesso. Porém, se exige do jogador que, além de jogar
muita bola, em toda e qualquer situação, se comporte como uma primeira dama.
Garrincha, o anjo das pernas tortas, o maior gênio, que este esporte já teve, se vivo, seria execrado por
mau comportamento e, no campo, já teria sido agredido por “desmoralizar” o
adversário. Empurraram para o campo o politicamente correto, apesar de toda a
tecnologia do VAR, não se conseguir nem correção nas arbitragens, de só servir
para impedir gols e tornar o jogo mais chato. Em suma, o que se espera, hoje, é
que, num campeonato brasileiro, como o atual, em que os times são extremamente
parecidos, todos sejam feitos de super-homens e de gentlemen. E, levada a
lógica vigente, como temos, no mínimo, doze grandes clubes, todos teriam que ser
campeões! O que é certo: ter um campeão com onze torcidas conformadas com o
fracasso de seus times ou um campeão com onze torcidas invadindo centros de
treinamentos e agredindo dirigentes, técnicos e jogadores? O que diz o seu bom
senso?
Lembro,
agora, que, ultimamente o técnico do Santos, Jorge Sampaoli, parece até um
analista do Brasil. Não que diga nada
errado. Muito pelo contrário. Tem acertado com uma frequência muito maior do
que seu time joga bola. Ele afirmou: “Vitória
gera satisfação para nós. A pressão que se gera em uma derrota chega a ser
ridícula. São críticas que chegam ao ponto de se invadir um CT. É assim que
funciona e o que temos que viver nesta profissão”. É um diagnóstico do absurdo
nosso de cada dia. O futebol, que deveria ser uma fonte de prazer e de diversão,
se transformou também numa demonstração de que a ignorância é ousada. Não
respeita a ordem, nem a civilização. Até nos tempos mais bárbaros sempre se
preservou o circo. A luta sempre foi pelo pão. No Brasil conseguiram subverter
tanto a ordem que nada é sagrado. Nem o pão, nem a igreja, nem o circo. Aí do
nosso futebol!
sexta-feira, setembro 27, 2019
O INFERNO ASTRAL DOS TÉCNICOS
A
bem da verdade não há nada de muito novo no fato de que três técnicos de
futebol sejam demitidos de uma hora para a outra, exceto ser em lote e as
decisões terem sido noturnas. A tônica forte da vida dos técnicos brasileiros é
um retrato da nossa mentalidade: o imediatismo. Basta uma sequência de maus
resultados para qualquer técnico, por melhor que seja, ficar com uma espada sobre
a cabeça. No caso atual, se olharmos para o trabalho do Cuca, ainda que possa
ter seus problemas, é um reflexo também da falta de um ambiente estável no São
Paulo. Já Zé Ricardo nem teve tempo, a rigor, de mostrar nada. Inclusive, se
comparado ao grande rival do estado, o Ceará, que se encontra a 7 jogos sem
vencer, os quatro dele deveriam ser tolerados. Ainda mais que a defesa do
Fortaleza, mesmo com Ceni, não apresentava um bom rendimento. Já Oswaldo de
Oliveira é uma ironia das grandes. O Fluminense, mesmo com dois a menos, fez
seu melhor jogo dos últimos tempos. A vida de técnico não é mesmo nada fácil.
Aliás,
numa entrevista muito feliz, Sampaoli, se queixava das críticas aos técnicos,
de não compreender nossa mentalidade. E apontava para Mano Menezes, um treinador
de qualidade, que saiu do Cruzeiro, depois de uns resultados ruins, e só obteve
vitórias no Palmeiras. Ele seria ruim em Minas e bom em São Paulo? Não. O
exemplo inverso é o de Rogério Ceni que estruturou o Fortaleza e teve uma trajetória
vitoriosa, a ponto de ser aclamado como o melhor técnico que a equipe já teve,
mas, não conseguiu, na sua curta passagem pelo Cruzeiro, nada de relevante. É
um técnico ruim? Claro que não. Tem toda razão Sampaoli quando afirmou que “Não
se crê em alguém, o resultado muda tudo e torna alguém bom ou ruim. Há mais
modificações do que do treinador em si. Que treinador é descartável e só é bom
quando ganha e mal quando perde. Acaba sendo mais importante o roupeiro do que
o treinador. Treinador se vai sempre”. É a pura verdade. É indispensável se
mudar esta mentalidade de curto prazo e dar estabilidade aos técnicos para
fazer um bom trabalho. Lembro aqui os técnicos Odair Helmann, do Internacional
e Tiago Nunes, do Atlético Paranaense. Trata-se de dois grandes técnicos. Este ano
o Internacional, até agora, não ganhou nada. Já o Atlético Paranaense ganhou a
Copa Brasil. Será que por isto o trabalho de Tiago é melhor do que o de Odair?
Difícil de dizer. Futebol também é acaso, é sorte, inclusive dos jogadores.
Odair perdeu o campeonato gaúcho nos pênaltis. Tiago conseguiu eliminar o
Flamengo e o Grêmio nos pênaltis. Um lance diferente podia ter mudado tudo. O
Edenílson, por exemplo, foi crucificado por um lance que, dificilmente, Marcelo
Quirino fará outro igual. E, aqui, entra o imponderável, inclusive a condição física
e psicológica dos jogadores. Muitos deles não jogam o que podem por falta de
treino ou por excesso de jogos. E, se o resultado não vem, a culpa será sempre
do técnico. Os dirigentes deveriam ser muito mais cuidadosos tanto para
contratar técnicos (e jogadores) como para dispensar. Pensar em criar um estilo
de jogo e uma equipe, como no passado, quando se sabia quem iria jogar e se
decorava o nome dos jogadores. Os times mais vitoriosos fazem isto. Cito o
Grêmio que, em parte pela estrela e a competência de Renato, busca manter e reforçar
uma equipe. De qualquer jeito a vida de técnico não tende a ser nada fácil
mesmo. Lembro de, pelo menos, dois deles que tiveram um imenso sucesso com seu
time e, mesmo assim, foram dispensados: Diego Aguirre, no São Paulo, e Lisca,
no Ceará. Se houvesse bom senso e uma visão de longo prazo, certamente, as equipes
seriam bem melhores e o inferno astral dos técnicos mais atenuado.
quinta-feira, setembro 05, 2019
A (IN) VERDADE NAS REDES SOCIAIS
Ninguém,
que analisar a vida moderna, pode negar que as redes sociais expandiram a
comunicação e são presentes na vida da maioria das populações, especialmente
urbanas, bem como se tornaram importantes na relação clientes/consumidores. Na
prática, os canais de comunicação ficaram mais abertos à interação, o que, sem
dúvida, gera oportunidades, porém, também cria grandes desafios. O maior deles
diz respeito as informações que circulam nas redes. Todos nós, empresas ou
pessoas, estamos sujeitos ao uso do nosso nome por outros e isto se torna, cada
vez mais, um problema na medida em que, por incrível que pareça, um estudo do
MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), dos Estados Unidos, garante que
as notícias falsas se espalham pelas redes sociais com uma velocidade seis
vezes maior do que as notícias verdadeiras. E, para tornar o estrago maior
ainda, as pessoas retêm as notícias falsas por longos períodos, principalmente,
quando estão aliadas às crenças que as pessoas alimentam. Assim, se uma
informação falsa sobre um político que não gosto circula, eu (e você também)
estamos mais propensos a lembrar desta informação por muito mais tempo.
Como
alguém que já foi vítima de informações falsas sei muito bem que isto é verdade.
Já tive blog invadido com post que nunca colocaria sendo colocado em meu nome.
Já experimentei o dissabor de veicularem e-mails em meu nome com fins escusos e
até mesmo postarem no Facebook informações que não postaria porque, no momento,
só posto poesias ou músicas, justamente, porque as disputas político-partidárias
altamente emocionais, derivadas das eleições presidenciais, criaram um clima
que tornou o Facebook o maior palco da insensatez e da sem noção. Aliás, faz
tempo que não opino, nem discuto em redes sociais. E até, diante da insensatez
do que se posta, escrevi um livro (já publicado) com o nome de “Troféus de
Caça-Contos da Era Digital” onde demonstro que as pessoas, nas redes sociais,
talvez, por pensarem erroneamente, que são anônimas, perdem completamente o
bom-senso e se comportam como se tivessem perdido, no mínimo, metade dos
neurônios.
A
verdade é que, queiramos ou não, o ambiente digital se impõe na nossa vida e não
podemos prescindir dele. No entanto, também traz muitos desafios. Cabe a todos nós, pessoas e empresas, saber utilizar
bem essas ferramentas. Embora muitos falem e escrevam sobre elas, de fato,
ainda são muito recentes e estamos aprendendo a utilizá-las. É um processo
educativo, porém, penso que as pessoas devem ter muito mais cuidado com o que
dizem e escrevem nas redes e, em especial, se certificar se o que veem,
realmente, partiu de quem aparece como autor. Nunca é demais lembrar que o que
mais circula nas redes são as notícias falsas, as fake news. E que, como
escreveu Mark Twain, muito antes de existirem as redes sociais: “Para quem só
tem um martelo, todo problema parece um prego”. Verifique e pense antes de
bater. Não que vá fazer muita diferença, mas, pelo menos, não estará
contribuindo para o festival de falta de bom senso que inunda as redes sociais.
quinta-feira, junho 06, 2019
OS DANOS DA INSEGURANÇA JURÍDICA
No
começo do ano o novo ministro da Economia, Paulo Guedes, andou apontando
caminhos que poderiam mudar muito o País. Em primeiro lugar, disse que a carga
tributária atual de 36% representa um fardo muito pesado e estava muito acima
da existente em outros países similares em tamanho ao nosso. E disse que a
carga tributária ideal para o Brasil seria de 20%, porém, que para chegar a
isto a velocidade dependeria dos gastos. E apontou o excesso de gastos na
publicidade e na compra de influência parlamentar como formas que deveriam ajudar
a diminuir as despesas. Uma parte, de fato, está aí, no entanto, o enxugamento
do governo exige mais. Exige, principalmente, que se atente aos custos das
compras, ao controle das despesas também. Fazer este dever de casa é essencial
sim para sanear as contas públicas. Ocorre que isto somente não será capaz de
mudar o Brasil. Para mudar será preciso que se faça um trabalho profundo de
desburocratização e de criar segurança jurídica para a economia.
A
segurança jurídica é uma categoria de direito que indica estabilidade nas
relações judiciais, seja na questão da não alteração arbitrária das normas
legais, seja na previsibilidade do resultado de uma ação
judicial. Este princípio serve como um dos pilares fundamentais do estado de
direito, pois, a organização social
depende da confiança que os cidadãos têm
no Estado, ou seja, na confiança de que, quando tiver um direito violado, esse
estado o protegerá. Trata-se de um princípio que, embora não inscrito na
Constituição, está implícito em muitos dos seus artigos, mas, que é
continuamente desrespeitado a todo e qualquer instante. Basta verificar que
pouco países dispõem de um cipoal de leis tão complexo quanto o Brasil. Mas, o problema não é somente a
quantidade. É o fato de que as regras do jogo mudam a cada dia, o que deteriora
o ambiente de negócios, afasta investidores e emperra o crescimento econômico.
Principalmente, os estrangeiros, de vez que nós já nos acostumamos com a
insegurança cotidiana, não conseguem entender como até mesmo um agente público
estadual ou municipal, por exemplo, com um simples parecer afeta toda uma
pratica de anos de tramitação comercial. E o que é pior: quando se recorre ao
judiciário custam a decidir contra o governo ou até mesmo coonestam mudanças
que, a rigor, careceriam de uma nova legislação. Isto é, particularmente
sensível, quando se trata do setor tributário onde a complexidade por si só já
é um problema que torna difícil, para qualquer um, entender como as coisas funcionam
por aqui, como as decisões são tomadas, como se dá o ordenamento jurídico. O
que se conclui é que o excesso de leis, de regulamentos, de normatizações e
suas mudanças constantes, aliadas ao fato de que as diversas interpretações da
Justiça no Brasil, criam incertezas que impedem a previsibilidade e desencorajam
investimentos, novos negócios. Um exemplo recente é a discussão sobre uma nova lei
dos dividendos. A isenção dos tributos sobre os dividendos é um incentivo para
pessoas físicas e fundos investirem mais, porém, até parece que o país não
necessita de investimentos. Necessita sim. E necessita muito mais ainda de
simplicidade e permanência no seu ambiente de negócios. Somos extremamente
prejudicados como nação pelo permanente estado de insegurança jurídica que faz
dos planos de negócios e projetos econômicos tabula rasa. Efetivamente, há uma
ignorância econômica muito grande sobre a necessidade de estabilidade no ambiente
de negócios para que o país possa ter crescimento econômico e se criam leis,
decretos, regulamentos e normas que aumentam as despesas das pessoas jurídicas e
físicas como se os recursos de que dispõem estivessem à disposição dos agentes
públicos. Diariamente se criam despesas inesperadas para o contribuinte sem
que, muitas vezes, quem usa a caneta tenha a menor noção do que é uma empresa e
de seus custos. É indispensável que as leis sejam simplificadas e haja
segurança jurídica dos negócios ou estaremos condenados a ser sempre o país do
futuro.
segunda-feira, abril 01, 2019
Viva a poesia
Sinceramente os tempos
não são propriamente bons para os que, igual a mim, gostam de refletir, antes
de discutir, e procurar ter uma visão construtiva, diria mesmo que, de futuro,
das coisas. E, como estamos numa época onde tudo que é sólido se desmancha no
ar, estou quase virando um monge, um eremita. De fato, sair de casa só se for
por uma boa conversa, uma boa música, um jantar ou um vinho com os poucos (e bons)
amigos que tenho. Estou mais para uma tartaruga ou como a avestruz que, todos
pensam que, nas situações difíceis, enterram a cabeça na areia. Pura lenda: se
parecem comigo, pois, correm mesmo (e muito). A diferença é que tanto corro,
quanto durmo. O sono é meu antidoto contra muitos males. Durmo muito. A
preguiça deve ser minha companheira de alma. Vou devagar, devagarinho... Bem,
isto tudo foi somente para dizer que, como não desejo me ocupar de assuntos
traumáticos, vou me ocupar de arte. De paixão para arte. Nada melhor, portanto,
que lembrar os versos de Jorge de Lima:
“PAIXÃO E ARTE
Jorge de Lima
Ter
Arte é ter Paixão. Não há Paixão sem Verso…
O
verso é a Arte do Verbo – o ritmo do som…
Existe
em toda a parte, ao léu da Vida, asperso
E
a Música o modula em gradações de tom…
Blasfemador,
ardente, amoroso ou perverso
Quando
a Paixão que o gera é Marília ou Manon…
Mas
é sempre a Paixão que o faz vibrar diverso;
Se
o inspira o Ódio é mau, se o gera o amor é bom…
Diz
a História Sagrada e a Tradição nos fala
dum
amor inocente (o mais alto destino):
A
Paixão de Jesus, o perdão a Madalena.
Homem,
faze do Verso o teu culto pagão
E
canta a tua Dor e talha o alexandrino
A
quem te acostumou a ter Arte e Paixão”.
É,
meus amigos, recorrer à poesia é sempre um modo de cantar a vida. Pode-se até
mesmo deixar de lado a forma alexandrina, mas, não, jamais, de buscar na arte,
na poesia, um bom motivo para viver. Como escreveu Friedrich Nietzsche "A
arte e nada mais que a arte! Ela é a grande possibilitadora da vida, a grande
aliciadora da vida, o grande estimulante da vida". Em suma, a arte é, de
fato, uma ode à vida, de modo que vida e poesia se confundem. Assim dar uma
viva à poesia é dar um viva à arte e à vida!
Ilustração:
Travessia Poética.
quarta-feira, março 13, 2019
IDÉIAS USADAS POR LOJAS E NEGÓCIOS DE SUCESSO
O varejo, em qualquer
lugar do mundo, está se tornando muito mais competitivo. É verdade também que a
escala pesa, ou seja, e isto é observável em Porto Velho, as grandes redes, com
compras muito maiores e, via de consequência, preços mais baixos, abocanham pedaços
crescentes do mercado. No entanto, há lojas e empresas micros e pequenas que se
modernizam e criam formas de relacionamento com os clientes que alcançam também
muito sucesso. Sem dúvida, um fator importante, fundamental para isto é o uso das
informações, dos dados obtidos sobre os seus clientes. Na prática, todo mundo
colhe dados sobre seus clientes, mas, usam bem? Aí é que reside o problema da
grande maioria. Ou não colhem bem os dados ou colhem, porém, não sabem usar os
dados que possuem. Hoje, para um negócio ser bem sucedido, é indispensável que
se tenha informações como as do aniversário do cliente, a sazonalidade e o
intervalo de suas compras para chamar sua atenção, estimular suas visitas e
compras. Assim manter um cadastro dos clientes e usá-lo bem é uma das formas
mais eficientes de aumentar e manter sua clientela.
É verdade que, muitas
vezes, existe uma resistência ao cadastro. Em geral o cliente quer ser atendido
o mais rápido possível e a coleta de dados é vista como algo indesejado. Mas,
existem formas de driblar este empecilho. Uma delas é prover os vendedores de
um sistema móvel que permita que registrem dados durante o atendimento, afora
as compras por crediário que possibilitam isto sem grandes problemas. Outro
jeito indolor de obter dados é oferecer wi-fi grátis, desde que o cliente se
cadastre. Muitas empresas fazem isto, via o próprio celular do cliente, o que
facilita ainda mais. Também uma forma atrativa é a de criar promoções onde os
clientes precisam se cadastrar. De qualquer forma, quem pretende ser
competitivo precisa usar bem seu cadastro. E existem outras ações simples que
melhoram o seu atendimento e o aproxima dos clientes. Eis algumas delas de
forma resumida:
1) Investir no pós-venda-
Todo cliente fica satisfeito quando, por um telefonema, whatsapp ou via e-mail,
a empresa procura saber de sua satisfação. Então, fazer pesquisas como o
cliente foi atendido na sua empresa é uma forma muito boa de manter a gestão de
sua clientela;
2 2) Presenteie no aniversário-
Em geral as empresas se limitam a mandar uma mensagem de parabéns que é tida
mais como uma ação de marketing do que uma atenção real. Inove. Ainda que seja
uma lembrancinha sem grande valor econômico, se for original ou engraçada ou
tiver um diferencial que o cliente reconheça como direcionada para ele, pode
ter certeza, que vai gostar. Algumas empresas oferecem cupons de descontos para
o aniversariante o que também é válido;
3) Personalize seu cadastro-
Na medida em que seu relacionamento com o cliente aumenta também melhore a
qualidade de seu cadastro. Recolha mais informações sobre ele para fazer
ofertas e promoções. Sempre dá resultado;
4 4) Crie uma forma de fidelização-
Muitas empresas usam cupons, que quando atingem uma certa quantidade, dão
direito a alguma coisa; outras criam um clube de vantagens que oferece mais
ofertas e descontos na medida em que se compra mais;
5 5) Mantenha uma loja virtual-
Hoje quem não está na internet, de fato, não está no mundo. Assim não basta
usar o Facebook ou o Instagram para divulgar sua empresa. Também outros meios
que permitam a visualização ou a compra via internet são essenciais para os
negócios modernos. É indispensável associar a loja física a um site; e
6 6) Segmente por perfis-
É preciso acessar o cliente de acordo com suas características. Logo aglutinar seus
clientes por faixa etária, assiduidade, tíquete médio, etc. ajuda a direcionar
eficientemente sua comunicação levando a melhores resultados.
De qualquer forma, é
indispensável o uso da tecnologia para se relacionar com o consumidor. É
uma enorme vantagem competitiva para as
empresas, em especial as pequenas. E, no mercado, existem soluções para negócios
de todos os portes e capacidades financeiras (aplicativos). Pode ser difícil,
às vezes, mudar a forma como se atua, porém, se a empresa não realizar ações com base nos dados dos
clientes, no mercado, hoje, tende a ser superada por seus concorrentes.
sexta-feira, dezembro 14, 2018
A FLEXIBILIDADE DOS HORÁRIOS NO MUNDO DO TRABALHO
Embora
o mundo esteja mudando muito rapidamente nem sempre isto é percebido pelas
pessoas, principalmente, as que estão em cargos de chefia. No Brasil isto é uma
realidade latente. Basta ver que ainda existe muita cobrança sobre a questão do
horário de trabalho das pessoas. A própria modificação da lei trabalhista, que
dá maior flexibilidade para todos, por exemplo, foi imensamente combatida pela
percepção pouca prática dos próprios sindicatos, que não compreendem os novos
tempos. Ainda trabalham com a concepção de que é melhor manter privilégios para
poucos do que conseguir gerar renda para muitos. É preciso ver que o sucesso no
trabalho não pode ser mais medido pela presença, pelo número de horas que a
pessoa passa no seu local de trabalho, mas, sim pelos resultados que consegue.
Basta ver que a Gallup verificou que 43% dos americanos empregados passavam o
tempo trabalhando remotamente a partir de 2016, um aumento de 4% desde 2012.
Mais importante ainda a percentagem de trabalhadores norte-americanos que
trabalhavam fora do escritório aumentou de 24% para 31% no mesmo período de 4
anos. Assim a Gallup verificou que as
oportunidades de programação flexível e de trabalho, a partir de casa,
desempenham um papel importante na decisão de um funcionário de aceitar ou deixar
um emprego. Pelo menos, nos Estados Unidos a agência constatou que "Os
funcionários estão forçando as empresas a quebrar as estruturas e políticas
tradicionalmente estabelecidas que influenciavam seus dias de trabalho".
É
uma nova forma de ver as coisas que é correta: não é ter alguém sentado numa
mesa de escritório por um determinado número de horas por dia que irá aumentar
a produtividade da empresa. Ele pode passar horas sentado sem produzir nada.
Esta a razão pela qual deslocar o local ou as restrições físicas do
trabalho para onde o trabalhador vai se
aplicar melhor aos trabalhos de escritório / criação / serviços é uma grande
vantagem. É claro que, cada caso é um caso, mas, há grandes oportunidades
criativas para dar flexibilidade aos funcionários da linha de frente. Mesmo que
o seu trabalho exija sua presença física, isto também não significa que ele
nunca poderá atender a questões pessoais importantes, como necessidades de
saúde e resolver seus problemas bancários na hora do expediente. Cada vez mais,
e, em 2019, isto deve se acelerar, começaremos a ver que o dia de trabalho de
tamanho único será substituído por algo muito mais fluido e flexível, com
modificações baseadas em tempo e localização, adaptadas tanto aos objetivos da
empresa quanto às necessidades dos seus funcionários. Este dia de trabalho
adaptável não é um benefício só para a empresa ou benefício para o funcionário,
certamente, não será a exceção à regra e sim um imperativo estratégico para as
empresas que quiserem se manter produtivas nos novos tempos. A maior prova é
uma pesquisa de Werk revelando que 37% dos funcionários nos Estados Unidos não
se sentem inspirados ou energizados por seus locais de trabalho físicos na
atual estrutura de jornada de trabalho. Também que quando os funcionários são
sobrecarregados com horários de início rigorosos e longos deslocamentos, eles
são geralmente menos capazes de se envolver em uma vida saudável e fornecer
cuidados adequados para seus filhos e entes queridos. Claro que os escritórios
físicos não serão extintos, porém, a flexibilidade dos horários e o trabalho em
casa, definitivamente, vieram para ficar. Aqui vale lembrar as palavras da CEO da Microsoft, Saty
Nadella, "O trabalho não é mais um lugar para onde você vai. O trabalho é
fazer as coisas acontecerem onde você está."
sexta-feira, novembro 30, 2018
ANOTEM O NOME DELE É LISCA, O SEMEADOR DO IMPOSSÍVEL
Loucura
e genialidade sempre andaram muito próximas. E o meu personagem deste
Brasileirão é, sem dúvida, o melhor técnico do torneio. Bem, Felipão poderia
ser melhor, mas, não é. Efetivamente, ao meu ver, fez menos do que se esperava
dele, embora este menos tenha sido muito bem feito. Mas, seus feitos atuais não
são iguais, nem chegam perto, na verdade, do que fez o senhor Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi, muito mais
conhecido como “Lisca Doido”. Doido??? Que me perdoem os que pensam o
contrário, porém, deveria ser conhecido mesmo como Lisca Gênio. Basta pensar
que acumula em sua carreira como técnico feitos impensáveis, como, por exemplo,
fazer o Juventude recuperar uma vaga na Série C, eliminar o Grêmio no Gauchão
de 2012; no Guarani livrou o time da série C; também devolveu o orgulho ao
Náutico, quando, depois de longo tempo, voltou a vencer o Sport, sedimentou a
volta do Paraná nos primeiros jogos do ano passado e, este ano, fez o Ceará,
numa campanha histórica, escapar do rebaixamento.
Quando
o Ceará terminou o primeiro turno com apenas 3 pontos ganhos e Lisca assumiu o
Vozão, a equipe nordestina se encontrava na lanterna do Brasileirão, e, muitos
comentaristas abalizados já o consideravam um time “garantido” na série B 2019. Não contavam com
Lisca. E a chegada do treinador modificou todas as expectativas, e fez o Ceará
chegar na penúltima rodada salvo do rebaixamento e fazer, no segundo turno, uma
campanha notável acumulando até agora 40 pontos mais! Ou seja, fez 78% dos 51
pontos possíveis! Como se explica isto? Afinal o elenco pouco mudou e o Ceará
teve antes bons treinadores. Bem, a verdade é que Lisca não se explica. Ele,
com sua experiência de técnico andarilho, semeador de bons times nas divisões
de baixo, é, hoje, um treinador dos melhores que este país tem. E não digo isto
por ser um torcedor do Ceará. É claro que isto pesa para louvá-lo, mas, o
reconhecimento seria quase o mesmo se tivesse feito a façanha por qualquer
outro time. O que pesou, de fato, é que ele sabe tirar dos seus comandados o
melhor possível, tem o indiscutível dom de saber estruturar uma equipe, de
infundir ânimo e entusiasmo no seu time. Ora, podem dizer, todavia, amigo não é
só ele. É verdade. Há outros técnicos que fazem a mesma coisa, que tem a mesma
capacidade de construir equipes. O que Lisca tem a mais, seu toque de gênio, é
sua coragem de, por exemplo, ter pego o Internacional destroçado e ser o seu
condutor para a segunda divisão, sem medo. Assim, como sem medo, pegou um Ceará
destroçado e salvou. Quantos terão o mesmo talento e coragem? Doido? Doidos
assim são indispensáveis para fazer história. E este ano Lisca fez! Contra os
que não sabem sonhar mostrou que o impossível não resiste a um trabalho bem
feito. Salve Lisca, os torcedores do Ceará e os reconhecedores de talento te
saúdam!
quinta-feira, novembro 08, 2018
OS DESAFIOS DO GOVERNO BOLSONARO
O
novo presidente da República, Jair Bolsonaro, possui uma oportunidade única de
fazer com que o Brasil avance, realmente, em direção a um futuro melhor. O
otimismo que o envolve começa pelo fato de que, ao contrário dos presidentes
anteriores, sua ascensão é bem vista pelos principais parceiros e países do
nosso país. O comportamento do mercado e a queda do dólar são os sintomas mais
evidentes desta visão, mas, já houve manifestações de que os investimentos
estrangeiros deverão também aumentar com o novo governo. Neste sentido, a sua
sinalização de que pretende negociar com o mundo inteiro, bem como melhorar o
ambiente de negócios, inclusive com maior privatização e desburocratização, soa
como música aos ouvidos dos empreendedores e investidores nacionais e
estrangeiros.
O
governo Bolsonaro, no entanto, terá que fazer alguns esforços em áreas que
precisam, efetivamente, de uma maior atenção e são importantes instrumentos
para a geração de emprego e de renda, bem como fundamentais para iniciar um novo
ciclo de desenvolvimento econômico. Claro que a economia surge como prioridade.
Sem o controle das contas públicas, sem os recursos para manter as atividades
administrativas e os investimentos necessários em infraestrutura, o seu governo
terá muito maior dificuldade. Todavia, neste primeiro ano, bastará que tome as
iniciativas corretas para que já passe a ter um crescimento mínimo de 3%, o que
não é o ideal, mas, o possível no início de governo. O setor financeiro deve
merecer atenção especial. Como também o turismo, que tem um imenso potencial, se tratado com o foco que merece. Este ano o
substancial aumento de turistas no carnaval já mostrou a força do setor, mas,
dados do Conselho Mundial de Viagens (WTTC), demonstram que o turismo tem sido
responsável por um em cada cinco empregos gerados no mundo na última década. No
Brasil são 2,9 milhões de empregos e 6% do Produto Interno Bruto-PIB, bem
abaixo do que representa o setor no PIB Mundial (10,4%). E o Brasil, que possui
vantagens competitivas diferenciadas, com um amplo leque de paisagens, clima e cultura para os mais
variados perfis de viajantes, pode abocanhar um pedaço muito maior do mercado
mundial de turismo. Previsões modestas detectam a capacidade de, em dois anos,
criar, pelo menos, 1,8 milhões de empregos e injetar cerca de R$ 10 bilhões no
país somente com medidas acertadas, como uma melhor divulgação,
desburocratização, redução de impostos para a atração de investimentos no
setor. Acrescente-se que, o turismo tem
um enorme efeito cascata, por abranger mais de 60 tipos de atividades
econômicas, e ainda permitir a utilização de jovens no mercado do trabalho,
ajudar na revitalização e conservação dos patrimônios histórico, artístico e
cultural. É claro que isto passa também, em determinados locais, como o Rio de
Janeiro ou Fortaleza, pelo combate à violência, o que é bem mais complicado.
Ocorre que, em outros espaços do Brasil, em particular na Amazônia, bastará um
programa de investimentos bem feito, e envolvimento da população em projetos de
turismo regionalizados, para se conseguir aumentar, significativamente, o fluxo
de turismo. E o turismo é um indutor de uma necessidade básica do país: uma
educação de qualidade. Aliás, espera-se que o governo Bolsonaro faça o que,
efetivamente, nunca foi feito na educação: um esforço sério e continuado de
melhorar o nível da escolaridade brasileira. Há muito o que ser feito, mas,
iniciar um grande esforço na área é essencial e uma tarefa urgente.
sexta-feira, outubro 26, 2018
A DESSARUMAÇÃO DO SISTEMA POLÍTICO
Lula, que sempre foi o
dono do Partido dos Trabalhadores-PT, afirmava que quando assumisse o governo
daria solução para os problemas brasileiros. E passou mais de trinta anos
chamando os outros partidos de corruptos, pregando a divisão de classes (o nós
contra eles), xingando as elites (ainda quando comandava o país, ou seja, quando
era ele é a elite-mor). Não se pode dizer que não teve seus quinze minutos de
fama: amparado na multiplicação das benesses a sindicalistas, órgãos de
comunicações e movimentos sociais montou a maior claque que o Brasil já teve.
E, navegando no crescimento mundial e na liberação do crédito, fez a população
acreditar que o Brasil, de uma hora para outra, tinha acabado com a fome, criado
uma via de desenvolvimento sustentável e se transformado em país de primeiro
mundo. A fantasia durou enquanto duraram as burras cheias de dinheiro do
tesouro. Já no final do seu segundo mandato as coisas estavam feias, mas,
pioraram significativamente quando entregou o cetro à Dilma Roussef,
apresentada como a “gerente”. E ela gerenciou a derrocada por quatro anos. E,
não satisfeita, apesar do rombo que o caixa apresentava, partiu para ganhar um
segundo mandato, onde não somente gastou milhões com empresas de marketing
político e de comunicações, utilizando amplamente as mídias sociais, inclusive
fazendo o que, hoje, acusam Bolsonaro de fazer, o WhatsApp, com mensagens
propagandísticas. Elegeu-se, mas, a deterioração do governo e do partido já
havia alcançado limites inimagináveis: nunca antes neste país houve tanta
corrupção. Todos os outros partidos estavam envolvidos, pois, o PT havia
comprado todo mundo no atacado ou no varejo. A Lavajato explodiu o tumor e a
credibilidade do PT foi para o ralo. O povo viu que Lula havia acusado os
outros do que sabia fazer muito bem. Não são as mídias sociais, nem a
inteligência ou a esperteza de Bolsonaro que estão derrubando o PT. O PT, hoje,
luta contra o povo que acreditou nele. Pode mudar as cores, todavia, não pode
mais se apresentar com a cara limpa e honesta que um dia já teve. Efetivamente,
o povo não esquece o estelionato eleitoral de que foi vitima, da enganação
maciça, da tapeação gigantesca que foi a reeleição desastrosa de Dilma. Nem de
que, com ela, começou a pagar a conta do que o PT denomina, hoje, dos “anos
felizes”: recessão, desemprego, corrupção e endividamento. Bolsonaro foi o
felizardo por sua luta contra o que sabia ser errado. Com todas as suas
contradições e limites encarna a mudança. Encarna a decência contra a
corrupção, a esperança de paz contra a violência predominante, a esperança na
política e nos políticos. É uma aposta que pode não dar certo? É. Mas, o povo
não quer mais o PT. O PT não entendeu que não luta contra Bolsonaro, mesmo com
a fala lúcida de Mano Brown. Luta contra a maioria da população que não aceita
mais o partido. Não há a mínima condição do PT ganhar. Os petistas se
desesperam gritam, esperneiam, choram, chamam os outros de fascistas, inventam
fakes, usam crianças numa propaganda que chega às raias da inconsequência, querem
puxar o tapete, mudar o mundo e as regras. O problema é que a democracia é uma
questão aritmética, de voto: ganha quem a maioria quer. E o nome está na rua,
na mídia e estará nas urnas do dia 28: Jair Bolsonaro. É uma aposta na
interrogação, porém, os brasileiros preferem o desconhecido ao que já se provou
ineficiente e danoso. Bolsonaro é a desarrumação popular contra tudo que está
aí e que o povo não quer mais.
terça-feira, outubro 23, 2018
APROXIMA-SE DO FIM A GUERRA ELEITORAL DAS SANDICES
Esta
é, sem dúvida, a campanha mais bizarra, mais surpreendente, violenta e insólita que o Brasil já assistiu. Jair Bolsonaro e o poste de Lula continuam trocando
pérolas, se estapeando, se esmerando em dizer besteiras e acirrar os ânimos entre
suas duas claques. O democrático, e moderado, Haddad, que dizem os seus
adeptos, não tem o menor pendor para ser fascista, foi o primeiro a dizer que
Jair Bolsonaro é um "anti-ser humano a ser varrido da face da Terra".
E, claro que como Lula ele não sabe de nada, enquanto o PT tentava emplacar a
hastag #BolsonaroAnticristo no Twitter. Vindo da esquerda petista qualquer coisa
é normal. Por outro lado, Bolsonaro disse que “A faxina agora será muito mais
ampla, se essa turma quiser ficar aqui vai ter que se colocar sob a lei de
todos nós, ou vão pra fora ou pra cadeia. Esses marginais vermelhos serão
banidos de nossa pátria”. Ele colocou a lei no meio, mas, é uma afirmação que
tem muito pouco de bom senso. E que joga lenha nos ataques e acusações de
fascismo contra ele, que nem liga, e contra seus eleitores que, estimados em
mais de 60 milhões, estão bem longe de ser isto. Chamo tudo isto de “fumaça
eleitoral”. O problema é que isto desviou a campanha de qualquer discussão
importante. Virou um desvario virtual onde muitas pessoas que pensam se perderam
e passaram a se comportar como policiais da opinião alheia, com professores,
que deveriam educar, partindo para acusações infundadas, a repetir slogans
vazios e até mesmo utilizando palavras de baixo calão. É um festival de
sandices que só desperta o pior do ser humano e nojo de olhar para o Facebook
ou ver as “descobertas” e fakenews, via whatsapp, que são enviados como se
fossem o suprassumo da sabedoria humana querendo colonizar a cabeça alheia. Me
poupem! Ninguém, com a idade que tenho, vai conseguir mudar meu modo de pensar,
nem me impedir de analisar com os meus próprios neurônios.
Bolsonaro,
é claro, tem seus problemas. Não é um mito. É um homem que encarnou a vontade
de milhões de mudança. E a mudança é contra o PT com toda razão. Afirma Sérgio
Pardellas, num artigo denominado de “A cristianização de Haddad” (https://istoe.com.br/a-cristianizacao-de-haddad/)
que “o partido que se recusou a assinar a Constituição de 1988, votou contra o
Plano Real, não topou participar da coalizão em torno de Itamar Franco
pós-impeachment de Collor e que buscou a hegemonia por meio do aparelhamento do
Estado, da corrupção institucionalizada e da perseguição inclemente a
adversários políticos, muitos tratados como ‘inimigos a eliminar’, não dispõe
de autoridade moral para entoar, aos 48 do 2º tempo, a cantilena da aliança do ‘centro
democrático’- desde que encabeçada pelo PT. Repetindo a sentença-sinceriCIDio
de Gomes: o partido que adota a mentira como dogma de ação ‘vai perder e vai perder
feio’”. É o que se constata de todas as pesquisas sérias que foram feitas,
neste segundo turno, onde Bolsonaro supera a casa dos 60% dos votos válidos e
se consolida como virtual presidente com uma vantagem acima de 21,5 milhões de
votos. A rejeição de Haddad é muito maior e o Ibope constatou que 60% dos
eleitores não votam no candidato petista. Esta a razão pela qual afirmo que,
quem está indo contra ele está indo contra a maioria do povo brasileiro. São os
fatos. O PT já teve esta maioria a seu favor. Não tem mais. O PT luta contra o
povo brasileiro. Por isto, não importa o que façam, digam, estrebuchem, chiem.
No domingo perderão. Já perderam. Só irão constatar na contagem dos votos.
segunda-feira, outubro 22, 2018
A VIA CRUCIS DO PT E DA ESQUERDA BRASILEIRA
É
impressionante a fragilidade do discurso de esquerda nesta eleição de 2018. Se
uma de suas capacidades sempre foi a de vender o sonho, o imaginário, novas
formas de ver o mundo, o que se mostra, nesta eleição, é que se encontra à
direita da direita, de vez que, hoje, luta pela conservação do “status quo”, ou
seja, são os verdadeiros conservadores. Nesta eleição bradam, desesperadamente,
pelo politicamente correto, quando toda a cúpula petista se encontra na cadeia
ou processada, e, sem a menor lógica, incorporam nos seus programas a
descriminalização das drogas, o aborto e a liberdade de criminosos. Ignorando a
vontade popular pregam a volta dos “bons tempos”, que não pode ser representado
por eles, basta ver que escondem Dilma Roussef, o retrato do desastre econômico
e são guiados por Lula, um detento. O
resultado é o que se vê: os segmentos ditos de direita, mesmo sem dinheiro e
imaginação, conseguiram criar um conjunto de imagens, de estatísticas, de
slogans que empolgam o eleitorado. O comportamento politicamente incorreto de
Bolsonaro deixa os adversários encurralados numa armadilha: para tentar miná-lo
precisam dizer que são politicamente corretos, quando não o são. Então, só
restam os argumentos rasteiros: Bolsonaro é fascista, racista, misógino,
homofóbico, e, agora, para completar, desonesto.
É
um ótimo discurso para Bolsonaro. Principalmente, que sem poder sair do canto
do ringue, a esquerda em geral, e os petistas em particular, se exasperam e
exercem a censura, o moralismo, o policiamento e até o xingamento contra os que
pensam diferente, em suma, perderam o patrimônio de ser a vanguarda da
sociedade e foram empurrados para exercer o papel da direita mais extrema, de
repressão, de acusações infundadas, de
policiamento ostensivo e antidemocrático da opinião e dos direitos
alheios. É uma completa inversão de papéis: a esquerda se tornou extrema-direita!
O que não enxergaram, até por problemas ideológicos, é que não existe ideologia
nenhuma na ascensão de Jair Bolsonaro. Uma parte é culpa do insucesso do
governo petista na economia, mas, outra parte é porque Bolsonaro encarnou o
reclamo popular pela decência na vida pública. Contra isto não adianta dizer
que Bolsonaro representa a barbárie (atribuindo a si mesmos os papéis de
iluminados). Bolsonaro somente usa o figurino que o povo deseja de moralista,
militar e defensor da ordem pública. Caiu nas graças do povo porque apareceu
gritando primeiro contra a desordem, a desorganização, a anarquia de Brasília! Ganhou
notoriedade por representar o diferente no meio do discurso tosco, comum e
mentiroso dos políticos. O capitão caiu
na graça do povo e ganhou notoriedade por ser um “outsider”. E a participação
de militares no seu governo é vista como um sinal de que se terá ordem no
futuro, como um aviso de que as coisas irão mudar. Invés de causar temor, causa
satisfação. E é contra este sentimento que a esquerda e o PT lutam. Querem
derrubar Bolsonaro de qualquer jeito. Não respeitaram nem o seu bucho aberto
por uma facada, mas, estrebucham desesperadamente na mão dos brasileiros que
ignoram, sistematicamente, seus ataques, respondendo com o aumento da vantagem
de Bolsonaro sobre seu adversário. A esquerda, que ironia, se colocou contra o
povo! Irão se desesperar, sem jeito, até serem derrotados fragorosamente nas
urnas no próximo dia 28 de outubro.
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