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domingo, junho 03, 2012

MARCANDO PASSO



Há uma lenda urbana, muito ajudada pela crise da economia mundial de 2008, de que o Brasil se tornou mais importante e vai bem pela forma como suportou os efeitos da crise internacional em meio à piora das outras nações e que o país estaria numa espécie de lua de mel com o mercado internacional. Ora, costuma-se dizer que dinheiro não tem pai, nem mãe, nem pudor: vai para onde pode ter maior retorno e, no nosso caso, com as altas taxas de juros, talvez, as maiores do mundo, não é de supor que haja muito problema do capital especulativo vir buscar seus ricos dividendos por aqui. Urge acentuar que o que se comemora como melhora, a queda do risco Brasil, é, na verdade, a sinalização de que se pode vir sem receio buscar os maiores juros sem impostos no nosso mercado.
Temos estabilidade? Temos sim. Mas, esta estabilidade que significa, na prática, apenas que pagamos regularmente os juros da enorme e crescente dívida brasileira, não será capaz de nos garantir um futuro promissor sem as reformas reclamadas imemorialmente e sem atacar os problemas eternos da educação, das deficiências na área de infraestrutura, que continuam a engolir a nossa produtividade e competitividade, bem como o peso insustentável de um sistema tributário arcaico e complexo, que ajuda a inflar o chamado custo Brasil. Contra o otimismo governamental,que empurra com a barriga os problemas, se assiste a um processo gradativo de desindustrialização e a repetição do denominado “voo de galinha” que é a monótona repetição de um ou dois anos de crescimento alto, seguido de medidas de repressão contra inflação na medida em que não existe nem capacidade produtiva, ne  investimentos para se construir uma sustentabilidade de longo prazo.
Agora mesmo assistimos as previsões de crescimento para 2012 caindo rapidamente e crescendo o número de analistas que preveem um avanço para o Produto Interno Bruto (PIB) igual ou até mesmo inferior aos 2,7% registrados no ano passado. O resultado do PIB, divulgado na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstra que o país praticamente parou no primeiro trimestre deste ano, com um crescimento de apenas 0,2% em relação aos três últimos meses de 2011 e de 0,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Foi o pior desempenho entre os países dos Brics e isto irá se repetir se não houver uma política para que tenhamos os necessários ganhos de produtividade, poupança e investimento para dar um novo impulso à economia brasileira.
Ninguém contesta que seja correto o governo tomar medidas para incentivar o mercado interno, mas, não faz seu dever de casa, como ocorre na China com a redução dos gastos públicos que possibilite aumentar seus investimentos. Ao contrário da China, com uma situação fiscal mais equacionada, o Brasil tem gastos elevados que limitam o seu aumento de investimentos e inibe maiores desonerações. Com carga tributária elevada, problemas de infraestrutura e burocracia, além da baixa taxa de investimento e sem fazer as melhorias devidas nas são áreas de educação, saúde, produtividade e ambiente de negócios, todo o otimismo que alimentamos será vão. Enquanto nossos dirigentes vivem se gabando de que estamos melhor que os outros continuaremos marcando passo. Não existe omelete sem quebrar os ovos.

segunda-feira, abril 30, 2012

Primeiro é preciso fazer o dever de casa



A Ata da 166.ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) demonstra que o governo tem uma visão otimista da economia na medida em que sinaliza que o processo de redução da taxa básica de juro (Selic) não acabou, todavia, o sujeita, como é natural, à evolução da economia internacional e nacional. Fica claro que, para o governo, mesmo com o ambiente internacional continuando preocupante, a situação é boa na medida em que cria um ambiente de contenção dos preços e permite ao Brasil captar recursos externos em melhores condições, embora o Copom não toque na questão de que isto se faz por meio das importações e em detrimento da indústria nacional.
Há uma crença no voluntarismo quando as autoridades creem que a demanda interna poderá melhorar por meio das medidas tomadas para dinamizar a indústria e diminuir o custo dos juros, bem como, pontualmente, se ter desonerado certos ramos industriais. Não se toca, na ata, no entanto, na questão central do aumento da carga tributária nem na má distribuição e no corte dos gastos com os investimentos. É verdade que não faz parte da atribuição da autoridade monetária tratar de tais problemas, mas, ao exaltar a atual política fiscal se procura, de fato, acentuar que as perspectivas para a inflação são boas e se neglicencia os efeitos de uma desvalorização do real e da possibilidade concreta de um aumento dos derivados do petróleo mudar completamente o panorama. A questão é que o governo alardeia o lado positivo do que faz sem levar em conta que somente mudando a competitividade (impossível de se obter sem mudanças substanciais) não se ataca os problemas que conservam a economia nacional num puxa e encolhe, num sobe e desce.
Neste sentido nem adianta discutir os limites da redução da taxa Selic no contexto atual, que, para muitos, seria de 8,75%. O problema é que, mesmo com os significativos cortes, e com a agressiva postura do governo de fazer com que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica cortem seus juros (ainda de forma tímida), mesmo com as finanças públicas em ordem, o financiamento do déficit público exige uma elevação constante da carga tributária, que figura entre uma das mais fortes causas da falta de competitividade da economia brasileira. A ofensiva do governo por melhorar o custo e o nível do crédito tem, por tal motivo, tido pouco efeito porque na raiz dos problemas está o fato de que o governo tem políticas contraditórias, a incapacidade crônica de fazer o que deve ser feito e uma dívida interna elevada que demonstra que, para poder cobrar dos outros, é preciso, primeiro, fazer o dever de casa. E fazer o dever de casa é melhorar o gasto público e, gradativamente, se livrar de ser um eterno devedor.

sexta-feira, abril 06, 2012

Sem nada de novo no horizonte


Li um artigo do deputado José Aníbal, cujas boas intenções e o desejo de ver um país melhor me parecem incontestáveis, com o nome de “O fim da política sem sonho” em que louva o fato do PSDB ser um partido “que tem uma história de bons serviços prestados ao Brasil” e, que, por tal razão, precisava se renovar, daí, as prévias para a prefeitura de São Paulo, que, segundo ele, estabeleceu a representatividade partidária como critério para definir o candidato e, como resultado, foi um sucesso para rejuvesnecer o partido. O deputado, considera com razão, que nunca existiram tantos partidos e tão governistas, mas, a meu ver, erra feio quando afirma que, com as prévias, o seu partido voltou a fazer política.
Infelizmente não é verdade. Se há um partido que fez e faz política este, podem dizer o que quiserem, mas, é preciso reconhecer sua capacidade, é o Partido dos Trabalhadores, o PT. E faz política por ter conseguido se incrustar nas bases ao ponto de ter feito- como fez nos últimos anos- uma completa despolitização da política. A grande realidade é que, sob a batuta de Lula da Silva, o PT foi se infiltrando, utilizando com maestria a filosofia gramsciana da influência intelectual, em todas as organizações sociais, em especial nos sindicatos de trabalhadores, de tal forma que, quando Fernando Henrique era governo, teve que enfrentar, em condições externas adversas, uma enxurrada de greves e manifestações que chegaram ao ponto de pedir seu afastamento. Onde essas combativas organizações estão durante os mandatos petistas? A resposta é fácil de ser dada. Basta verificar quem ocupa postos significativos e rentáveis de governo, quem são as organizações que abocanham verbas públicas quase sem controle, nem cobrança de resultados. O PT que mobilizou as bases com promessas de mudanças é o mesmo que, no governo, as desmobilizou com os recursos públicos cooptando suas lideranças, daí, a enorme despolitização. As representações sociais, incluindo aí as grandes e tradicionais, perderam todo e qualquer compromisso com suas bases.
É neste contexto que qualquer partido, para fazer política, de fato, precisa mudar seu comportamento e acabar com o caciquismo e com a imobilidade. Neste sentido fazer as prévias é um fato novo, realmente, num partido como o PSDB onde a cúpula decidia sem ouvir as bases. Porém, somente isto não basta. É indispensável que os partidos passem a estudar a realidade, contestem os dados e o marketing político do governo. É indispensável que passem a vocalizar as aspirações populares. Deixem de ser o instrumento de políticos para ser o instrumento da política, ou seja, passem a formar lideranças, a discutir problemas locais e nacionais, a se insurgir contra um governo que, supostamente, construiu um país novo. Novo em que? Na dívida pública imensa, no endividamento em massa, na desindustrialização progressiva? No pagamento insuportável de juros? Na maior carga de impostos do Ocidente? Fazer política é desmanchar o conto de fadas de que estamos no melhor dos mundos possíveis. E, mesmo o PSD, que se construiu e pretende ser uma alternativa nova, ainda não deu um passo na direção de se postar como alternativa. Política com sonho é propor uma alternativa viável ao que aí está. E a sonolência e a preguiça com que os partidos se movem só faz bem ao PT. Que me desculpe o deputado José Aníbal, mas, não há nada de novo no horizonte.

domingo, março 25, 2012

O Público e o Privado


Só o subdesenvolvimento ainda permite que se fale e se discuta a morte do socialismo, que se provou não utópico, mas, impraticável. Quem é de esquerda, no mundo atual, não luta por socialismo mais e sim por melhor distribuição de renda, por educação e por inclusão social. Por sinal, recentemente, David Rothkopf, o executivo-chefe e editor-geral da revista “Foreign Policy”, lançou um livro, intitulado “Power, Inc.”, sobre a rivalidade entre as grandes empresas e o governo, no qual aborda qual será o futuro do “capitalismo” e a forma que ele terá nos Estados Unidos ou em qualquer outro país. Com perspicácia argumenta que, enquanto na maior parte do século XX a grande disputa no mundo foi entre o capitalismo e o comunismo, com a vitória do capitalismo, a grande disputa no século XXI será sobre qual versão do capitalismo vencerá, qual será a mais eficiente para gerar crescimento e se tornar o tipo de capitalismo mais imitado.
No livro pergunta se “Será o capitalismo de Pequim, com características chinesas?” ou “Será o capitalismo do desenvolvimento democrático da Índia e do Brasil? Será o capitalismo empreendedor do estado pequeno de Cingapura ou Israel? Será o capitalismo europeu com rede de segurança? Ou será o capitalismo norte-americano?”. Mas, ele mesmo, se indaga se o capitalismo norte-americano hoje é sustentável e se permitirá que a grande nação prospere no século XXI. De certa forma Rothkopf põe em dúvida um aspecto vitorioso do capitalismo norte-americano que os outros tentaram imitar: o sucesso dos Estados Unidos em conseguir equilibrar, de forma saudável, o público e o privado. Lá, como pode bem se observar, o governo fornece, com competência, as instituições, leis, redes de segurança, educação, pesquisa e infraestrutura para fazer com que o setor privado inove, invista e assumindo os riscos, promova o crescimento e os empregos de uma forma democrática e competitiva.
Muitas pessoas não percebem, mas, este é um aspecto dos mais difíceis para se manter um equilíbrio adequado. No Brasil é evidente que há uma distorção- que já foi muito maior- do poder público, que interfere demasiado na vida privada, e promove, até hoje, um verdadeiro saque dos recursos da sociedade, via impostos, com uma péssima prestação de serviços. E a verdade é que, quando o setor público oprime o privado, além de promover uma regulação asfixiante, na prática, engessa o crescimento por meio da dívida pública e pela disputa do mercado que deixa de ser feita pela competitividade e passa a ser feita via política gerando os problemas de todos nós conhecidos, diagnosticados e jamais resolvidos. Os Estados Unidos, porém, sofreram, recentemente, do fenômeno oposto, a falta de regulação, a crise dos subprime de 2008, que foi um sintoma de que o setor privado invadiu o público e a regulação adequada deixou de ser feita. O bom, nos Estados Unidos, é que quando os erros são detectados, se pune e a opinião pública pesa para consertar as coisas. Mesmo assim se sabe que existem muitos problemas entre o ideal e a realidade.
O certo, no entanto, é que o capitalismo pode, ou não, ser compatível com uma boa distribuição de renda e com qualidade de vida. Em parte isto depende de um bom equilíbrio entre o público e o privado, da educação da população e da liberdade de imprensa. Os EUA provam que o capitalismo funciona melhor quando há este equilíbrio. Por tal razão precisamos, no Brasil, buscá-lo e jogar para a lata de lixo o caricatural debate entre governo e mercado (socialismo ou capitalismo) que é um debate para lá de ultrapassado. Quem o usa pode saber muito de poder, mas, esqueceu o que é história e conhecimento.

Ilustração: http://monolitho.labin.pro.br/?attachment_id=7516

segunda-feira, março 12, 2012

O pensamento sem progresso


Devo dizer que não me sinto velho, embora os sinais da velhice sejam evidentes nos cabelos brancos, muitas vezes, na falta de forças e ainda, outras vezes, em algumas novas dores que sempre acompanham a idade. Fora isto, vou muito bem obrigado e, posso dizer, sem susto, que não me arrependo de muitas coisas, embora, vez por outra, um remorso irremediável me venha não de pecados ou prazeres, mas, do que não fiz, do que não ousei e da pessoa que poderia ter sido, talvez, melhor. Dói em mim mais as palavras de amor que não disse e até mesmo o amante melhor, o pai, a pessoa mais capaz que deveria ter sido. Mas, o que não fui, hoje, é tempo perdido. De qualquer forma creio, com um pensamento com um viés tipicamente induísta, que avancei na lenta estrada da matéria. Talvez seja um julgamento benevolente, mas, me consolo pensando que somos todos benevolentes conosco mesmos.
Apesar deste tom intimista, na verdade, minha intenção é outra. Embora mesmo não me julgando um grande pensador sempre procurei refletir. E fico sempre pasmo como o pensamento brasileiro pouco, muito pouco, avançou dos anos verdes de minha vida até agora. Ainda vivemos, e mesmo à força me incluo, entre maniqueísmos tolos, como esquerda/direita, puros e corruptos, inocentes e pecadores, ateus e cristãos, enfim, no círculo tolo dos antagonismos superficiais. Enfim, o nosso pensamento continua subdesenvolvido. É sempre a expressão da ideologia do momento, uma pobre subcultura de outros pensadores. E não me espanto mais porque na nossa universidade ( eu que confesso, como todo jovem, já fui um marxista) há somente o grande e eterno pensamento único de um marxismo vulgar, e cheirando a mofo, que se difunde, de forma subreptícia, pela imprensa. Não importa que Stalin tenha feito o que fez, que Mao não tenha sido aquele velhinho manso que aparentava, nem que Fidel seja uma imensa múmia que embalsama o futuro de Cuba, nem que os muros de Berlim tenham caído ou que não existam mais pilares na arquitetura intelectual de Marx: a culpa de tudo é do capitalismo. Mesmo que o capitalismo, hoje, possa ser qualquer coisa. E quem fala sobre ele, na maioria das vezes, não sabe o que é, nem conhece o mínimo sobre suas bases econômicas. E com o mundo multifacetado atual nunca compreenderão.
A realidade é tão complexa que, ao tirar das pessoas a possibilidade de entender o mundo, de refletir, de buscar a experiência e o conhecimento, como medida das coisas, estas se encolhem na ideologia que não oferece meios de aferição, mas, juízos de valor a partir de seu quadro limitado. Muitos jovens, hoje, apesar do pouco saber, do pouco estudar, ao contrário do passado no qual se respeitava a experiência, estão repletos de respostas obtidas por um sistema pronto e acabado na cabeça deles. E aí de quem não aceita suas ideias na medida, é claro, em que elas são o supra-sumo do saber. Interessante é que nem mesmo enxergam, na sua cegueira completa, o quanto de totalitarismo embutem nesta forma de ver o mundo e as pessoas. Na cabeça de muitos deles tudo é política. Tudo deve se subordinar a ideia que possuem de que são os libertadores, os arautos de uma nova ordem que, para nós, mais velhos, não passa de uma mera repetição de slogans batidos do século passado, onde estes novos encantadores de serpentes tentam tocar, com uma flauta nova, a velha música, como se fosse a redenção dos ouvidos modernos. A pobreza é tão grande que até mesmo quem faz arte é vilipendiado por não fazer uma arte engajada. Para alguns deles a questão é que a bela voz do Gilson ou do Catê, os versos bonitos de um Bolívar Marcelino ou os quadros de Zogbhi ou de Rita Queiroz ou o som do bandolim de Lito Casara não importam como arte, exceto se os artistas lutarem contra o capitalismo, se forem contra as usinas do Madeira ou contra o desmatamento da floresta. Não há dúvida que devem ter razão e, pensando desta forma, é que nós tivemos todos os gênios russos e cubanos que as revoluções comunistas geraram e ninguém, até hoje, sabe quem são. A arte só em ser arte já é libertadora. E toda arte subordinada à política é puro lixo.

Ilustração
: cocacolaquente.blogspot.com

sexta-feira, janeiro 20, 2012

O Abandono das hidrovias


Uma matéria do Valor Econômico, de 13 de janeiro último, mostra que as metas de investimentos em hidrovias, anunciadas pelo governo federal para o ano passado não foram alcançadas e que tudo o que estava previsto, cerca de R$ 2,7 bilhões em investimentos em projetos como a hidrovia do rio Madeira e a expansão da hidrovia do Tocantins, permanecem no papel. O Ministério do Transportes em resposta as perguntas do jornal evitou falar em abandono do programa e garantiu que as 22 obras previstas estão em execução, enquanto outras 80 se encontram em "ações preparatórias". Infelizmente, e os problemas de navegação no rio Madeira atestam, não há explicações para a demora na execução de obras estruturais que impedem que se utilize o enorme potencial deste modal de transporte.
O próprio superintendente de Navegação Interior da Antaq, Adalberto Tokarski, atestou a inoperância da execução do que estava previsto, ao afirmar que "Não houve avanço no Madeira e as pessoas da região estão preocupadas, por causa do assoreamento. Essa é uma obra estratégica para o setor". Para ele, se o governo tivesse feito as ações anunciadas, teria expandido a capacidade da hidrovia do Madeira, dos atuais 8 milhões de toneladas anuais, para um potencial de 20 milhões de toneladas. E o potencial, diga-se de passagem, seria muito maior se feita a construção de eclusas nas barragens das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, que estão sendo construídas no rio Madeira e, seguindo, a tradição nacional de descaso com a navegação fluvial, a construção simultânea das eclusas não está sendo executada, como recomenda a racionalidade econômica.
O que se vê, realmente, é o descaso com o modal hidroviário que têm afetado, inclusive, projetos concluídos, que têm sido subaproveitados, sem os investimentos necessários para solucionar problemas que impedem a sua plena utilização. É o caso exemplar das eclusas da hidrelétrica de Tucuruí, no rio Tocantins, inauguradas em 2010, que utilizam apenas 1% do seu potencial. O problema se deve ao chamado Pedral do Lourenço, um conjunto de rochas que aflora no rio e prejudica a navegação. Com isto, o potencial de transporte de cargas na hidrovia, de 70 milhões de toneladas anuais, fica reduzido a pouco mais de um milhão de toneladas. As obras para a remoção das pedras, orçadas em R$ 500 milhões, já figuraram no PAC, mas, sem que ninguém explique a razão, foram excluídas. Similar é o fato de que não foi realizada a dragagem, sinalização e balizamento ao longo de 1.115 km de extensão do rio Madeira.
Enquanto não se realizam as necessidades mais evidentes o governo faz propaganda e anuncia o plano hidroviário, na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2), que foi elaborado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e o lançamento de licitações, pelo DNIT, para contratar estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental de várias hidrovias potenciais, mas, que pelas previsões, a expectativa é de que os estudos sejam concluídos em até dois anos.
O que fica patente é que, por mais que o discurso seja outro, a inércia e o descaso continuam a perpetuar o abandono histórico do aproveitamento hidroviário da enorme bacia hidrográfica nacional (a terceira do mundo em extensão) o que, juntamente, com a falta de investimentos em ferrovias, terminam por manter a nossa matriz de transporte dependente das rodovias, o que encarece, em muito, o custo do transporte do país.

domingo, janeiro 15, 2012

O sucesso da campanha anti-amazônica


A revista Veja, patrocinou uma pesquisa internacional sobre a imagem do Brasil no exterior cujo resultado mais significativo é o de revelar a eficiência do lobby de mais de duas décadas do movimento ambientalista-indigenista, para submeter o País, e a Amazônia em particular, como alvos prioritário de uma agenda antidesenvolvimentista, que, em particular, visa, a qualquer custo, manter a Amazônia no estado mais "natural" possível. O sucesso deste tipo de campanha é visível quando se observa que, num contexto em que o País obteve resultados positivos, mais da metade dos entrevistados considerou que a importância ambiental global da Floresta Amazônica justifica restrições à soberania brasileira sobre a região. A pesquisa foi efetuada pela CNT/Sensus em 18 países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, EUA, Portugal, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Rússia, China, Japão, Índia, Líbano e África do Sul), com 7.200 pessoas entrevistadas.
Quando se toca na Amazônia, a reportagem utiliza a expressão "a floresta da mãe joana" para apresentar os resultados de alguns países individuais - no caso, EUA, França, Alemanha, Rússia, Japão e África do Sul. E destaca que a combinação das respostas "O Brasil deve preservar a floresta de acordo com regras internacionais" e "A floresta deve ser internacionalizada" superou a combinação "Quem cuida da floresta é o Brasil" e "O Brasil deve preservar a floresta de acordo com as regras do país", na França (77% x 23%), Alemanha (74% x 22%) e Japão (77% x 19%); nos EUA, deu empate técnico (44% x 43%). Ou seja, apesar do Brasil ter uma das legislações mais avançadas do mundo no setor, de ser o país com o maior número relativo, e absoluto, de reservas ambientais e indígenas, tudo se submete as teses esdrúxulas, porém, eficientes do discurso ambientalista.
O texto ressalta que a ideia da "internacionalização" da Amazônia como "um equívoco tamanho gigante" e um "delírio", porém, na prática, a realidade é outra. É patente a enorme submissão das políticas da Amazônia aos ditames do lobby ambientalista. Nas ultimas décadas os movimentos ambientalista e indigenista internacionais tomaram de assalto a formulação das políticas públicas nacionais referentes à região e, internamente, já conseguiram impor uma considerável redução de soberania, para a qual os brasileiros ainda não despertaram. Sufocados pelo discurso das mudanças climáticas e do elevado desmatamento o sucesso da “internacionalização” foi obtido com a cumplicidade passiva dos sucessivos governos brasileiros desde a presidência de José Sarney, em especial, com o apoio do Itamaraty, que tem tido grande influência na acomodação do País às pressões internacionais nestas áreas. Assim, o que se vê, é que quem menos tem importância nas políticas da Amazônia são seus governantes e sua população submetida a políticas meramente restritivas e sem horizontes de melhoria para sua qualidade de vida.
Por conseguinte, a "internacionalização" da Amazônia não é uma perspectiva futura, nem necessita de uma eventual decretação da região como área sob jurisdição das Nações Unidas ou de uma invasão militar clássica; ela é um fato real, cotidiano e presente, na aceitação das demandas e na submissão às pressões ambientalistas e indigenistas, tanto por formuladores de políticas, como por formadores de opinião e outros setores da sociedade brasileira. Se for preciso demonstrar basta verificar o estrago feito em Roraima, contra o seu governo, bancada federal do estado e população, que foram esmagados para se determinar a demarcação em área contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em 2005. Agora mesmo se assiste a algo semelhante quando, numa demanda absurda, se propõe o aumento da área dos Karitianas, nos municípios de Porto Velho, capital de Rondônia, e Candeias do Jamari, para atender 400 índios que, além de aculturados, a maioria nem vive na reserva, inclusive os únicos dois caciques que apóiam a proposição. Para quê? Para somente satisfazer as demandas internacionais que pretendem impedir, a todo custo, que a Amazônia tenha soberania e autodeterminação.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Vargas Lhosa e as ilusões atuais


Acabei de ler o excelente livro de Ricardo Setti “Conversas com Vargas Lhosa-Antes e Depois do Nobel” em que o romancista peruano Mario Vargas Llosa, de 75 anos, que concorreu à presidência de seu país em 1990 e ganhou o Nobel de Literatura, é entrevistado sobre política, literatura, sobre o ofício de escritor e sua própria, e rica, experiência e carreira. Falar sobre Vargas Lhosa é chover no molhado. Figura humana notável, escritor profícuo e de clássicos como “Conversa na Catedral” ou “Pantaleão e as Visitadoras”, entre outros, não precisa ser louvado e sim lido, que é a forma real de reconhecer seu trabalho e talento. Vargas, porém, nas suas entrevistas a Setti, toca em questões que são cada vez mais atuais como é o caso da dificuldade de se cultivar a democracia, de se ter coerência, de se ter um comportamento, de fato, de pessoa humana e responsável na América Latina onde, constata, as ideologias, as visões distorcidas, pesam mais do que a realidade. Vargas, que desejava apenas ajudar seu país, mostra que pagou um preço elevado, mesmo com toda notoriedade que possui, por sua retidão, por pensar, refletir e ter idéias. A política, infelizmente, é feita pelo poder pelo poder, pela mediocridade, portanto, é a lógica do imediatismo, a desconsideração pelo outro e, muitas vezes, sua demonização.
Mais do que nunca, as nossas sociedades, na América do Sul, contaminadas de um marxismo oco, maniqueísta, que infestou os intelectuais preguiçosos, junto com a politicagem de oportunismo e resultados, tem nos levado a comportamentos irracionais, como a tentativa de setores sociais de tentar, por meio de leis e regulações, nos impor a igualdade e a cidadania o que resulta em equívocos como, por exemplo, de não permitir que os jovens de menos de dezoito anos trabalhem, embora, ao mesmo tempo, sejam bombardeados por propagandas que incitam ao consumo e exigem dinheiro. Como não dá certo pretendem regular também a publicidade e a mídia. É um grande engano pensar que se pode domar o homem e a sociedade retirando seu livre arbítrio, seu poder de decisão. È preciso ensiná-lo a pensar e não deixar que outros decidam, pois, alguém decide, ao fazer leis ou aplicar regulamentos, o que se pode, ou não, fazer.
Vargas, com razão, nos mostra que a democracia é uma flor frágil que depende da capacidade que temos de lutar por liberdade política e de opinião. Precisamos não apenas fornecer direitos e não dar, principalmente aos jovens, a sensação de que tudo lhes é devido. É esta política insana de criar facilidades, em nome do povo, que faz com que se pense que é factível ter direitos sem ter responsabilidades, que faz com que os jovens se casem e se descasem, porque esperam que o outro seja uma fonte de prazer permanente; que não se permite dar uma palmada no filho, sob pena de ter problemas, e não se pune o filho que, sob este argumento, chantageia os pais ou os menores infratores que dizem, sem o menor pudor, que não podem ser presos. Vargas nos lembra que, para criarmos uma sociedade que não seja apática, que não seja, como os animais, interessada apenas em comer, fazer sexo e dormir, é indispensável que se ensine que não há almoço grátis, que não é possível bem-estar sem determinação, sem trabalho árduo e sem perseverança. Não adianta ser a sexta economia do mundo sem uma ordem social coerente, sem uma sinalização de que para ser cidadão é preciso fazer escolhas conscientes e estas não virão de pessoas que não fizerem esforços, que não tiverem escolaridade, cultura e respeito pelas leis.

Foto: Coluna de Augusto Nunes/Veja/Editora Abril

sexta-feira, janeiro 06, 2012

Em prol do futuro do Brasil


A grande mudança no Brasil atual, e na vida dos brasileiros, apesar da política e dos politiqueiros, se fez quando, em 2004, foi implantado o Plano Real e, por fim, se dominou a inflação recuperando a possibilidade de se planejar a vida financeira e saber dos custos reais da produção. E, também apesar de tudo que se diz, em especial contra os economistas, não houve no Plano Real nenhuma novidade, nenhum avanço teórico em economia. Foi apenas a aplicação do que já se sabia a, pelo menos, cinqüenta anos. Na verdade, a MP que criou o Plano apenas passou do Executivo para o Legislativo a capacidade de emitir moeda e, afora outras medidas, se elevou o depósito compulsório às alturas. O que havia mudado? Apenas as condições políticas e, sejamos justos, o saudoso presidente Itamar Dantas teve a coragem de fazer o que precisava ser feito. Com a estabilidade o Brasil avançou muito. No entanto, o Plano Real sempre foi um plano de estabilização, de controle das contas e equacionamento das dívidas. Nunca foi um plano de desenvolvimento, como quiseram cobrar dele. Daí, as taxas baixas de crescimento.
Porém, para crescer seriam necessárias as reformas, a tributária, a trabalhista, a melhoria do ambiente econômico, medidas vitais para diminuir o reconhecido "Custo Brasil". Não temos avançado nos anos finais de FHC, nem nos últimos oito anos de Lula, nem neste primeiro de Dilma. Os efeitos são visíveis: os produtos básicos respondem por 72% das exportações, enquanto bens industrializados recuam (o mais sintomático é a queda da venda de automóveis). A indústria nacional reclama do câmbio, mas, a questão real é mesmo a competitividade. Nenhuma competitividade será possível com uma carga tributária excessiva (inacreditáveis 36% do PIB), as mais altas taxas de juros do mundo, condições de crédito de longo prazo pouco favoráveis, legislação trabalhista engessada, esclerosada e uma burocracia onerosa e discricionária que cria a toda hora, cada vez mais, encargos para a iniciativa privada, sem que as empresas possam fazer coisa alguma contra esses fatores negativos, que dependem de políticas governamentais.
Acrescente-se que a isto somam-se outros custos paralelos, como os da estrutura no sistema produtivo, em especial dos transportes. São absurdos nossos fretes o que, com a falta de segurança, se agregam os custos de roubos. Sem falar na falta de qualidade da mão de obra, no desperdício e tantos outros males que nos afligem e que elevam os preços finais dos bens aqui produzidos. Nas licitações públicas, como uma franca admissão do fracasso na solução dos problemas, se admite uma diferença de 15% em favor da indústria nacional. Isto, porém, como tantas outras coisas, são paliativos. O governo federal não pode mais fazer, como tem feito, políticas tópicas, mudanças micro. É hora de grandeza, de abandonar a falsa solução de barreiras protecionistas e reservas de mercado. É preciso ter coragem de criar, de fato, o Brasil que se promete. E este não será feito sem políticas macros, sem coragem e sem reformas.
Ilustração: janinealves.blogspot.com

sábado, dezembro 31, 2011

Salve 2012!


É culpa do fim do ano. É inevitável que se faça um balanço dos dias passados, que se busque erros e acertos, horas de felicidade e os tempos difíceis, os obstáculos que tivemos. Ainda mais quando as estatísticas implacáveis nos alertam que o brasileiro, comum, o brasileiro que sua, luta e paga impostos, vive de crédito e está endividado. Endividado, mas, feliz. Talvez por sermos a sexta economia do mundo. Um pouco por mérito, um pouco porque os outros quebraram no caminho. Não importa. Olhamos para trás e quem, ontem, nos parecia rico, hoje, amarga dias difíceis e, como um corredor que passa pelos que cansaram, nós sentimos fortes.
E, uma dúvida que não se tem, é a de que o brasileiro tem por profissão a esperança, embora duvide muito de que não desiste nunca. Aliás, motivos não faltariam para desistir, porém, nesta hora de reflexão, de renovadas esperanças, o melhor é deixar para trás as coisas tristes e seguir acreditando que o amanhã será melhor. Vou, como se trata do ano do Dragão das Águas, no horóscopo chinês, na umbanda de Ogum e Iemanjá, em busca de uma camisa amarela. Não para sair por aí e sim, calmamente, curtir um bom charuto cubano, com champanhe, jogar conversa fora, desejar votos de dias melhores para amigos e familiares, enfim, fazer o ritual de fim de ano, que exige também uma boa libação alcoólica, comida farta e alegria. Pelo menos, por um dia, ostentarei pose de rico.
Devo dizer que me despeço de 2011 sem magoas e sem remorsos. Foi um ano bom, difícil, muitas vezes, amargo. Recordo alguns rostos que ficaram no caminho que me fazem falta, que gostaria de poder dizer-lhes, meus amigos, bebamos pelo novo ano. Enquanto tiver memória essas belas pessoas não terão esquecimento. Também me faz falta alguns amigos vivos que tomaram outros rumos, como o parceiro e chorão Lito Casara que, se não estivesse pelas Minas Gerais, estaria na calçada tocando choro para se despedir chorando do velho ano e saudar o choro do novo. Luiz Carlos Marques, evóe meu mano, saudades do Beco do Rato, das chuvas do Rio de Janeiro, embora, este pernambucano de Belém, a vida toda continuará sendo rondoniense. A vantagem da vida é que surgem novos amigos, como o Felipe Veras, um católico crente de pouco mais de vinte anos, que me ensina que o futuro é sempre melhor e como um verdadeiro adepto de Santo Agostinho, que seremos sempre salvos, apesar e, por causa, do nosso amor pelas mulheres, pela bebida, pela música, pela poesia, por gostar de viver.
Tudo isto serviu mesmo só de pretexto para dizer a todos que 2012 será sim muito melhor. Que viver é ser, enquanto se pode, matéria consciente. É ter a capacidade de ver que a vida é bela, imensa, surpreendente e, contra os céticos, renovável. Por tudo isto, meus amigos, meus irmãos de aventura, que tudo se realize no ano que vai nascer. Saúde muita, dinheiro, se possível, e bom humor para temperar os novos dias. Feliz 2012! Feliz ano novo!

O muito que se torna nada


Bem, meus amigos, muitos de vocês dirão que não tenho jeito. Que, por detrás da fama de ser, digamos, brincalhão, para não ser mais duro comigo mesmo, não consigo ficar quieto, nem deixar de apontar certas coisas. É verdade. Parece que o menino travesso, que vive dentro de mim, não se conforma em ser o homem maduro e resignado. Quando menos espero me dá uma revolta com certas coisas e não dá mais para segurar. Não explode o coração, porém, explodem as palavras. E não há nada que me faça ficar mais impaciente do que a forma como a educação é tratada no país. Agora mesmo, por exemplo, o Censo de Educação Superior 2010 me faz, mais uma vez, gritar contra o que denomino “discurso da educação”, que é a farsa de que se investe e se melhora a educação.
Pode-se pensar, e até dizer que se trata de uma cruzada minha contra Lula. Que Deus o conserve com saúde desde que longe do governo. Não é. Antes de Lula também o discurso da educação, invés de se cuidar da educação, já existia e depois dele continua. A questão é que o discurso de Lula sempre foi o do triunfalismo, de festejar, por exemplo, que nesta década, o crescimento do setor mais do que duplicou, chegando a 6,4 milhões de estudantes, sepultando os vergonhosos índices de outrora, de 8% da população com terceiro grau. Agora, apontam, que estaria por volta dos 13%, mas, os números mostrados carecem de respeito, pois, se sabe que, muitos, são manipulados. A educação nossa continua uma tragédia. Numa comparação, por exemplo, com a Europa, se formos verificar os jovens que frequentam cursos superiores, certamente, estaremos na idade média. A expansão que fizeram, para quem é professor e acompanha o ensino, sabe que, na base do “vamos de qualquer jeito”, perseguindo mais os efeitos político do que fazer, de fato, uma revolução educacional, nós afundamos no pântano. Aumento de cursos de forma acelerada, vagas a granel, pouco treinamento, professores pegos à laço, só podiam dar no que deu: a baixa qualidade.
Aponta-se que 73% dos alunos do ensino superior são da rede privada, uma rede beneficiada, lambuzada de favores nos anos Lula. Encheram-se as salas, porém, sem cursos de gabarito Hoje, o Ministério de Educação tenta organizar a bagunça classificando e, como a diarista que não fez o trabalho, dando uma arrumada para enganar que fez a limpeza. Como solução miraculosa anuncia-se o corte de 50 mil vagas ociosas e só na área da saúde foram 148 cursos penalizados pelas más condições que apresentavam. Para o discurso que denomino de “democratismo”, aquele que prega que todo mundo pode ser universitário, se trata de uma crítica até mesmo fascista. Há, contra toda a lógica e os custos, quem acredite que o importante é aumentar o número de diplomados, ainda que sem condições e sem qualidade. A prática está provando que a tese é falsa. Além da mercantilização do ensino superior a assombrosa verificação de que há pessoas com diplomas que não sabem escrever revela, cristalinamente, que há propaganda demais para pouca qualidade. E que pessoas despreparadas fingindo saber podem ocasionar grandes tragédias.
A triste realidade que vejo todo dia é que os alunos tem cada vez menos interesse na vida acadêmica. Não apenas porque o diploma já não lhes garante empregos e bons salários, de imediato, porém, porque as nossas escolas, as nossas faculdades e universidades, em especial, ainda vivem no século XIXX. Ou mudam seus métodos, ou se tornam instâncias reais de aprendizagem, com o uso de meios e tecnologias modernas, ou tendem a se tornar, na sua quase totalidade, feudos de falsa ciência, assembleias em que burocratas discutem se o governo irá dar 4 ou 5% de aumento, enquanto os alunos zombam de velhos e novos professores que fingem que ensinam, mas, ganham menos do que os policiais que, pelo menos, brigam por aumentos de 44%. E, mesmo quando perdem, conseguem ganhar mais de 20% o que mostra que são mais competentes ou mais armados em seus pleitos. De qualquer forma não há como melhorar sem educar. E não se faz isto sem passar do discurso da educação para sua prática. De discurso, de números e de falas que provam que melhoramos estamos cansados. É preciso melhorar de verdade.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

É preciso uma mudança real na economia


A grande realidade é que somente pelo trabalho duro, pela atividade diária de construção das coisas e, no caso das pessoas e do país, pela educação, pelo aumento da escolaridade, pode haver progresso, no entanto, nossa economia é ditada pelo predomínio da ideia do capital, ou seja, o pensamento de que quem tem recursos está mesmo centrado em quantos por cento uma aplicação gera (embora não gere nada se não for aplicada em capital produtivo, ou seja, num negócio que crie serviços ou produtos). O maior problema brasileiro, no momento, é este. O governo de Dilma Roussef, mesmo com o crescimento nulo do Produto Interno Bruto, no 3º trimestre, vacila entre atender os interesses dos mercados financeiros dos quais depende para rolar a dívida e as necessidades de políticas que estimulem o crescimento, mas, como é natural, impactem sobre os spreads e juros absurdos que as bancas cobram. Embora com sucessivas quedas da taxa Selic o que se observa é que, utilizando o espantalho da situação externa, os juros brasileiros continuam a ser um dos mais altos do mundo favorecendo as atividades especulativas e dificultando a vida de quem precisa produzir.
É um falso problema colocar que fortalecer o mercado interno depende das condições externas. Aliás, a melhor forma para se preparar contra uma crise global sempre foi buscar tornar o ambiente interno melhor o que não se irá conseguir desestimulando os empresários e sem uma perspectiva otimista sobre o futuro. O nosso caminho para o futuro, além de deixar de fazer o discurso da educação e educar de fato, é o de criar um projeto de país o que passa por fazer menos propaganda e investir mais em programas e projetos que funcionem como uma correia de transmissão para muitas cadeias produtivas que precisam ser energizadas. Os recentes picos de crescimento do país tem se alicerçado nos investimentos em infraestrutura e construção civil que se demonstram fortes meios de ativar a economia.
A desindustrialização do país, que por mais que neguem, é evidente, se efetua por conta da dificuldade do nosso ambiente de negócios. A agenda de modernização que impunha as reformas tributária, trabalhista e a desburocratização esbarraram nos vícios políticos e, infelizmente, a competitividade brasileira acabou ficando restrita ao agronegócios a alguns outros poucos setores. Não há milagre a ser feito quando temos como melhor e pior parceiro a China. É preciso que, além de medidas pontuais como a redução de impostos, se adote medidas que visem, efetivamente, recuperar a competitividade do país e mesmo que não se façam as reformas, paulatinamente, se criem as condições de modificar o nosso ambiente de negócios. Não se pode enfrentar o novo se aferrando ao passado. É indispensável que o país avance o que não será feito sem um esforço real de mudança. Sem que se deixe de empurrar os problemas com a barriga.

segunda-feira, novembro 28, 2011

Por isto estamos como estamos


Recentemente foi publicado por Carlos Elizondo Mayer-Serra, um reconhecido professor e analista econômico mexicano, o livro "Por Eso Estamos como Estamos: La Economía Política de Un Crecimiento Mediocre", que procura explicar as razões para o baixo crescimento econômico do México. Se bem que examinando o México o livro diz respeito a todos que procuram compreender as complexas estratégias para superar o problema da pobreza e criar desenvolvimento.
O autor considera, com uma grande capacidade analítica, que o México não alcançou taxas elevadas de crescimento porque as decisões políticas e as medidas tomadas internamente não foram nem as melhores, nem as mais adequadas. Deixando de lado as posições ideológicas e justificativas inúteis, que colocam a culpa das nossas desditas nos outros, assume que a causa de tragédia nacional de seu país não se deve nem aos vizinhos, nem as condições adversas que existem no mundo. Para ele, o que o México é, fundamentalmente, foi o resultado do que seu povo e governo, fez ou deixou de fazer.
Mais do que isto: vê como problema central da economia mexicana a capacidade de certos grupos para evitar a formulação e implementação de políticas públicas para o interesse público para premiar o mérito, estender os direitos reais aos mexicanos, a fraqueza e a pouca intenção da sociedade para impor mudanças. No fundo, como acontece no Brasil, há o fato de que a política dominante é realizada sob uma lógica do passado que não cria incentivos para encorajar mudanças de utilidade geral, e persiste a existência de um Estado fraco que não pode enfrentar os interesses poderosos que impedem o país de crescer, incluindo sua própria burocracia. E analisa que o sistema antigo vigente promoveu mecanismos que não estimulam o esforço, o mérito e a competição. E lista alguns dos entraves existentes para um maior crescimento:
1) .- Empresas públicas que perdem dinheiro de forma sistemática e acabam consumindo mais recursos do que geram;
2) .- Monopólios públicos e privados mal regulados, que atraem os consumidores de alta renda e dificultam a competitividade das empresas que consomem seus produtos e serviços;
3) .- Trabalhadores que não fazem nada ou muito pouco, mas, que não podem ser descartados;
4) .-A incerteza, derivada da constante mudança das regras do jogo;
5).- Expropriações arbitrárias que desestimulam o investimento.

Como se observa Elizondo Mayer-Serra mostra que a situação atual do México, e os resultados também, não discrepam muito dos nossos problemas, embora tenham suas configurações específicas. O que ressalta, porém, é que a situação do México, como a do Brasil, não deriva de qualquer herança ou destino histórico ou cultural. Nós é que somos responsáveis pelo que fizemos de nós mesmo. Se isto nos traz muito desalento, pois, não há nada mais difícil que mudarmos nós mesmos, por outro lado, nos mostra que a mudança do Brasil está em nossas mãos. Porém, isto não se fará sem trabalho, estudo, educação e a criação de um projeto de país que exige uma nova forma de fazer política-o que não é nada fácil.

terça-feira, novembro 15, 2011

A podridão está no cerne da maça

Com um livro grande, inclusive no número de páginas, Archie Brown criou uma obra provocadora (Ascensão e Queda do Comunismo, Editora Record), na medida em que procura examinar as razões pelas quais o comunismo, com o desmanche da União Soviética, se tornou uma peça de museu, embora ainda suas viúvas persistam em chorar lágrimas sentidas e ter a fé inabalável de que o fantasma um dia há de voltar. Interessante, sob o aspecto histórico e documental, o livro defende uma tese até certo ponto aceitável, a de que “a reforma produziu a crise”, ou seja, que foi uma escolha, supostamente errada, de Gorbachev, caracterizado como um político ingênuo, que acelerou a dissolução do regime. É certo que a “perestroika” teve uma imensa participação com a condução decisiva de Gorbachev, bem como que o regime seria forte o suficiente para permanecer intacto por muito mais tempo, contudo, até usando o próprio pensamento marxista, cada época somente gera os problemas que pode resolver. Em outras palavras Gorbachev foi uma resposta às fragilidades do modelo: a falta de liberdade e a paralisia. Corroído, como Brown constata, pela ineficiência, pela estagnação e pela incapacidade de, tecnologicamente, entrar na era da informação.
Interessante é a constatação do Autor de que o comunismo acabou ao mesmo tempo em que não deseja admitir que a tirania dos regimes soviéticos é um subproduto direto do marxismo. Sua expressão concreta. Marx, e seus seguidores, concordariam plenamente com a afirmação de que o Estado não é uma entidade imparcial e superior à sociedade, não é um juiz que arbitre serenamente o jogo conflituoso dos interesses econômicos, gerindo o bem comum. Ele não é o representante de interesses superiores aos interesses particulares. Para eles, na verdade, o Estado sempre foi um dos instrumentos mediante os quais a burguesia, a classe dominante, impõe a lei da sua vontade e do seu interesse ao proletariado. Ora, Marx chegou a escrever que “O Estado não é a realização do homem, mas, a sua alienação”. Isto parece completamente contrário a uma sociedade que é dominada pelo Estado! A rigor, seguindo seu pensamento, um Estado completamente estatal seria a alienação completa e, como não é uma entidade imparcial, sempre serviria a alguns interesses. Somente se precisa olhar para o passado para verificar que sim. E, para o presente, vendo o que resta que assim continua.
À parte do livro, que é um instrumento para a reflexão, o que se vê é que o marxismo como forma de pensar está ultrapassado. Não se precisa discutir suas bases, nem a genialidade de Marx, para perceber que era uma teoria única e totalizante, redutora da vida e da história, que exigia e impunha uma solução única e que não deixa espaço nem para a democracia, nem para a liberdade. Marx, que se pregava um democrata, criou uma religião sustentada por uma meia ciência em que, mesmo que tudo aponte para o contrário, a inabalável fé de que o socialismo triunfará, que pode ser sustentada por qualquer crise, sempre se sustenta da esperança no futuro e da repetição de frases de um pseudo-conhecimento que se justifica pela desigualdade social. Mais do que nunca a defesa dos “pobrezinhos”, a ditadura do politicamente correto e o uso gramsciano da hegemonia se justificam por si mesmo, de vez que não há justificativa científica mais para a farsa da revolução socialista.
Qualquer pensador de meia-tigela há de convir que, se a democracia formal, com todos os seus defeitos, não é um primor de liberdade, muito menos o será uma sociedade na qual o partido e o pensamento único vicejam. Como falar em democracia e em povo sem liberdade de escolha? Aqui vale lembrar que ninguém menos que Rosa Luxemburgo afirmou que “Liberdade é, apenas e exclusivamente, a liberdade dos que pensam diferente”. E isto, decisivamente, não é possível sob o comunismo ou qualquer tipo de socialismo real que são, tipicamente, sociedades de comando. Em suma, a podridão da maça está no seu recheio. Não foi o comunismo real uma distorção da teoria marxista, mas, sim sua realização e, por isto, quem a prega deve falar em ditadura simplesmente, pois, do proletariado não tem nada.

quinta-feira, novembro 10, 2011

Um bom momento para começar


Até o dia 20 de dezembro serão injetados na economia brasileira, provenientes do 13o salário, R$ 118 bilhões, recursos que representam 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo informa o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No Brasil são 78 milhões de pessoas que recebem, um número 5,4% superior ao verificado em 2010, e, estima-se que, em Rondônia, uma parcela de R$ 768 milhões deve ir para as mãos de 468 mil pessoas. São recursos que são esperados, normalmente, em novembro e dezembro, período em que se gasta muito com compras de Natal e quando as pessoas costumam elaborar planos pessoais para o novo ano que se aproxima. Mas, o dinheiro que, a princípio, parece muito quando não se planeja seu uso some por mágica.
As explicações são diversas entre as quais a clássica em economia: os recursos são sempre insuficientes para prover todos os desejos. Ainda mais quando, no fim de ano, as pessoas são assaltadas por uma febre de consumo diante da enchente de publicidade e ofertas sedutoras. Mais do que nunca é preciso se policiar. Esta é uma época de muitos gastos extras, razão pela qual, para não entrar 2012 já devendo, é preciso que o dinheiro que for gasto nos presentes e nas das ceias de Natal e Ano-Novo não venha a ser chorado depois. Então não há outro modo de fazer que não o de administrar os seus gastos para não acabar no vermelho. É preciso acima de tudo ter disciplina.
Acostumado com a inflação o brasileiro, em geral, ainda conserva sua memória histórica e ainda não aprendeu a fazer planejamento financeiro que consiste em escrever, ou quando possível utilizar uma planilha, em que sejam elencadas suas receitas e despesas. É uma questão matemática para se manter saudável economicamente: suas despesas devem estar, sempre que possível, abaixo das receitas, o que lhe dá condição de poupar, ou, no máximo, deixar as contas zeradas. É claro que isto é mais simples de dizer do que executar, principalmente, quando se vai fazer compras sem uma lista e sem a determinação de gastar um determinado teto. As pesquisas da Fecomércio/RO, dizem que, em outubro, em Porto Velho, 66% das famílias tinham dívidas, mas, em situação problemática só 17% se consideravam muito endividados. De qualquer jeito para quem tem dívidas o ideal é quitar as dívidas cujos custos sejam mais altos, como os de cartões de créditos ou cheques especiais. Aliás, se recomenda também estes sejam usados, em especial nesta época, somente o indispensável e o que se possa saldar de imediato.
É preciso pensar também que o 13º salário não se limita apenas aos gastos de fim de ano. Sempre surgem contas a pagar em janeiro e fevereiro. São as férias, pagar o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), renovar o seguro do carro, a matrícula dos filhos e material escolar. Tudo isto sem contar com os gastos constantes como alimentação, aluguel, transporte, telefone, luz e, para quem gosta, ou não, o carnaval, quando chega, implica em algumas despesas a mais. De qualquer forma não há jeito fácil de poupar. É preciso colocar no papel, ter controle e disciplina todo mês para sobrar algum dinheiro. E um bom momento para começar é agora quando chega um dinheiro extra. Planejar suas finanças é poder ter sua vida sobre controle.

terça-feira, novembro 01, 2011

Você é sério? Ou esconde sua tolice?

Tem certos livros e ideias que nos agradam à primeira vista, mesmo quando dizem que os livros e as ideias não significam muita coisa nos tempos atuais. De qualquer forma, como sou mesmo um dinossauro, ainda me toca ler um escritor como o de Lee Siegel, que escreveu “Are You Serious? How To Be True and Get Real in The Age of Silly” (Harper Collins), numa tradução livre -“Você Fala Sério? Como Ser Verdadeiro e Cair na Real na Era da Bobagem”, que é um estudo de como a nossa cultura perdeu a capacidade de distinguir entre a seriedade, a bobeira e a falta de sentido que, muitas vezes, é um niilismo revestido de intelectualidade. Siegel põe o dedo na ferida quando mostra que qualquer um opina sobre tudo, ainda que seja um comediante ou um âncora do telejornal, embora o comediante só saiba ser engraçado e o âncora repetir noticias e, aqui, me lembro de Caetano Veloso que, por mais brilhante que seja, não deveria ter pedida sua opinião em coisas que sabe tanto quanto eu de física quântica. Em suma, Siegel nos mostra que não se sabe, hoje, em dia distinguir a seriedade da tolice.
Interessante é que, apesar de reconhecer as dificuldades da tarefa, o livro pretende guiar o leitor pelo caminho da seriedade na política, na cultura e tenta recomendar, no melhor estilo dos bons livros de auto-ajuda, com uma receita simples de que maneira se pode ser sério. Não pensem, porém, que se trata de um livro de humor, embora a ideia não esteja longe de ter um humor sofisticado, no fim se trata mesmo de uma autópsia de nossos tempos e a constatação perfeita para o nosso país, mas, não apenas para ele, de que existe um enorme hiato entre seriedade da nossa vida privada e a bobagem que se enxerga, e somos obrigados a tolerar na vida pública. Siegel cunha um termo, um neologismo, o "whateverism", algo como o “qualquercoisismo”, que seria um sintoma existente entre os adolescentes norte-americanos de impotência diante disto, diante do fato de que a tecnologia da bobagem na nossa época é estrutural, uma espécie de efeito colateral das engrenagens da qual não escapamos, daí, a conformação dos jovens.
Também é interessante o receituário de Siegel contra isto. Para ele para se ser, realmente, sério é preciso ter atenção, propósito e continuidade. Ou seja, prestar mesmo atenção às coisas, estar situado, saber onde se encontra e a partir deste ponto saber, ou pelo menos, buscar chegar a algum lugar. E dá um exemplo de sua receita: o piloto Chesley Sullenberger, o capitão da US Airways, que aterrissou no gelo fino, com os motores do avião em pane, em janeiro de 2009. Um homem sério que estava cumprindo sua obrigação profissional. Se bem que a seriedade, para ele, se revista até mesmo de um burocratismo, de um formalismo e de nuances que misturam seriedade e bobagem, como exemplifica com Oprah Winfrey, que é um híbrido de seriedade e bobagem, tanto que toma posições fortes como a de apoiar Obama quase com a mesma velocidade com que fica à vontade com Tom Cruise dizendo besteiras e saltando no sofá.
De qualquer forma o que nos prende, e polemiza, é o fato de que Siegel nos mostra que, no mundo moderno, parece que as figuras sérias, ou a maioria delas, praticamente desapareceram nos deixando órfãos e nas mãos de amadores, bufões e palhaços profissionais (sem nenhuma alusão a Tiririca, por favor). Interessante é que ele tem um olhar atemporal ao declarar que tem sido, mais ou menos assim, em todas as épocas, e cada tempo teve seus próprios obstáculos para se viver a sério. Creio que o grande mérito do livro é o de combinar ficção, história, crítica social, sátira, e reflexão para iluminar nossa paisagem e como o lucro, a popularidade, e o prazer imediato influenciam na cultura, na política e no cotidiano da vida. É, por isto mesmo, uma reflexão inteligente e esclarecedora da seriedade em todas as dimensões. E pode ser um bom antídoto para a nossa própria tolice. Até mesmo um caminho para se forjar a própria seriedade. Que dê a primeira risada quem não se acha, muitas vezes, um pouco tolo.

sexta-feira, outubro 28, 2011

Tópicos sobre o mercado de trabalho de Rondônia


O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) lançaram na última terça-feira (25), em Brasília, a terceira edição do Anuário do Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda. A publicação traz informações sobre o mercado de trabalho brasileiro, entre elas, a ocupação, postos de trabalho gerados e renda. No lançamento, em discurso, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, afirmou que “Esse é o maior retrato que temos de um Brasil que está dando certo. É uma fotografia do mercado de trabalho, das políticas de qualificação profissional, de economia solidária, das políticas para a juventude. A cada ano, vamos aprimorando e ele serve para melhorar as políticas públicas do Ministério. Com os dados do sistema nacional de emprego, podemos saber, por exemplo, onde está precisando de qualificação”.
De fato o trabalho, em especial a parte relativa ao mercado de trabalho, é rico em informações globais sobre o país e, embora não sendo tão detalhado em relação aos estados o que, naturalmente, seria mais interessante. Talvez por causa dos dados utilizados, em grande parte do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE cuja forma de pesquisa segue as contas nacionais que são mais regionalizadas. No entanto, há muitas informações boas como a de que, no final de 2010, os empregados formais no Estado de Rondônia eram 334.290, o equivalente a 0,8% dos trabalhadores nacionais. Interessante também foi observar que os assalariados representam, em Rondônia, 59.9% do total da força de trabalho e que a iniciativa própria é alta tanto que 20,1% trabalham por conta própria e há 7,5% de não remunerados. Embora a informalidade em Rondônia seja considerada grande se observa que os trabalhadores sem carteira assinada são apenas 15% do total, o que representa o menor percentual do Norte, onde, por exemplo, o Amazonas tem 16,6% de empregados sem carteira assinada; no Pará, este percentual sobe para 22,5%. No país a média é de 16,5%, ou seja, neste item, pelo menos, estamos melhor que a média do Brasil. Vale ressaltar ainda que, em Rondônia, a Taxa de Pessoas em Idade Ativa (PIA) foi, em 2009, de 1.270.000 pessoas, a População Economicamente Ativa, 834.000 pessoas e a Taxa de Desocupação de Rondônia de 6,8%, uma das mais baixas do Norte, que teve uma média de 8,6% enquanto que a média brasileira foi de 8,3%. Não foram divulgados por estados a participação da força de trabalho por setores econômicos, porém, por regiões se assinala que ainda continua a ser o setor agrícola o grande empregador no Norte com, em 2010, respondendo por 20,2% do uso da mão de obra, seguido do setor de comércio e serviços que respondem por 19,1% da ocupação e da indústria que utiliza 10,6% da mão de obra. São dados que nos informam e esclarecem sobre o Brasil atual.

sexta-feira, outubro 21, 2011

As nuvens negras no céu de 2012


Ou Secando as aves e os astros de mau agouro

Não bastassem os economistas e futurólogos afirmando que uma possível desaceleração do crescimento chinês, aliado com os problemas europeus e norte-americanos, apontam para a possibilidade de termos um 2012 muito difícil, agora, quem vem nos assustar é a astrologia, esta inefável e imprecisa ciência que, todos nós negamos acreditar, porém, invariavelmente, corremos para ler nos jornais, por mais inacreditáveis que sejam suas previsões. O fato é que o astrólogo Ivan Freitas faz uma correlação entre o passado e o presente afirmando que “O mesmo céu que regeu o período da grande depressão econômica advinda do crash da Bolsa de Nova York (em 1929) está regendo o céu na atualidade, desde a quebra do Lehman Brothers (em 2008)”. Ou seja, a mesma quadratura que se formou no céu no dia da quebra da Bolsa de Nova York, em 29 de outubro de 1929, a terça-feira negra (“Black Tuesday”), se repete, 83 anos depois. Segundo os astrólogos, naquele dia, o planeta Urano, responsável pelas mudanças drásticas, repentinas e as situações críticas, colocou-se a 08º22’ do signo de Áries, numa quadratura negativa com o planeta Plutão, que transforma as estruturas de poder. Pois é, estamos, novamente, sob as influências insondáveis do Sistema Solar e, para desespero e impotência nossa, no dia 23 de junho de 2012 Urano estará no mesmo 08º22’ do signo de Áries e novamente em quadratura com Plutão.” Podia ser pior: afinal havia até mesmo a predição desmoralizada de que o mundo ia acabar em 2012.
No terreno da realidade, todavia, há o fato real de que há indícios da desaceleração do gigante asiático, mas, a China ainda é um planeta de certa forma também insondável para nós. Afinal se ninguém acertou que iria tão rapidamente ascender no cenário mundial qual a razão para acertarem que terá um baque? É demasiado humano desejar ler o futuro e, neste ponto, a economia pode apontar, graças as chamadas contas nacionais, certas tendências. Ocorre que estas na China (e não somente lá, podem crer) é objeto de muita manipulação. Inflação e produto interno chineses são olhados com certa desconfiança, embora, como acontece com outros indicadores, são os que existem. Mas, o que se divulga, por enquanto, não autoriza ninguém a crer num declínio chinês. E se houver? É evidente que nos afeta, que afeta o mundo todo. No entanto, caso haja, termos que lidar com seus efeitos que, como já ocorreu com os EUA, pode ser bem menos dramático do que se pinta. Quando se trata de futuro, porém, astrologia e economia tem muito em comum: são excelente fontes de erros. E, me valendo de outra ciência que erra muito, a meteorologia, devo concluir que nuvens negras nem sempre são sinais de tempestade, daí, esperar que apesar das quadratura adversas , 2012, venha com muito mais surpresas agradáveis. Mesmo que não seja verdade é um consolo saber que ninguém sabe nada do futuro e, apesar dos astros, quem morre de véspera continua sendo o peru. Feliz 2012!

quinta-feira, outubro 13, 2011

Chico Buarque e a inocência humana


Em primeiro lugar devo dizer que sou um fã de Chico Buarque. Aliás, de longa data quando um velho e grande político do Ceará, Paulo Sarasate, que era dono do jornal “O Povo” e um homem de cultura, louvou fazendo política a música “A Banda”. Era, é, um primor de letra e música e, ali, já se anunciava a genialidade do compositor e letrista. Repetem, e é verdade, que nenhum poeta conseguiu ir tão fundo na alma feminina e, confesso, minha inveja de certos versos que qualquer um gostaria, se pudesse, ter feito. O poeta Chico Buarque é um talento indiscutível. O poeta, porém, não se separa do homem. E o homem envelhece, perde a sintonia com seu tempo, tem as fraquezas e os desejos demasiados humanos.
Chico, que já foi uma unanimidade, esqueceu a música e fez romances. Seus romances me lembram a música “Construção”, uma música perfeita, mas, que possui uma arquitetura que mostra os andaimes da construção, deixa ver o trabalho da elaboração e, se mostra grandeza, acaba por não parecer real. Os livros de Chico são bons, diria que quase ótimos, porém, ao fim, difíceis, exercícios de elaboração, que deixam a desejar diante da obra do poeta mór, do compositor inspirado e múltiplo. Talvez não tenha sido uma opção errada. Quem sabe, amanhã, num país mais culto, com pessoas mais cultas do que sou, as suas obras venham a ser mais importantes do que me parecem. Hoje não. Hoje parece que esqueceu o que sabia fazer tão bem e nos deixou órfãos de belas canções e conseguiu mesmo ser um pouco esquecido.
E Chico também tem uma ingenuidade que transparece nas suas letras. Não que também não seja maldoso, mas, há nele o paradoxo de ser maldosamente inocente. Também na vida, como num episódio em que se envolveu com uma amada nas praias, ou em pensar que é possível opinar livremente sobre política sem ônus ainda mais quando se é um privilegiado num país que está dividido em todos os sentidos. Chico foi um ídolo, um ícone, um tocador da manada quando era contra a ditadura. Num país de múltiplas opções ficar ao lado do poder sendo egresso da elite, e podendo ter apartamento em Paris, é se colocar como alvo, ainda mais quando seu posicionamento político ajudou a irmã a alçar voo para um ministério.
Agora lançou um disco denominado Chico (Biscoito Fino). O primeiro, depois de cinco anos, recebido apenas com críticas e suas novas canções não tocam, nem em canais de internet, televisão e dá trabalho encontrar saber quais as faixas de suas canções, exceto para quem comprar os CDs que sobram nas lojas. E só deram atenção a um verso que fala em “mulher sem orifício”. Uma pena. O CD de dez faixas é de excelente qualidade. O problema é que Chico, um homem de elite, esteve ajudando com seu apoio à incentivar a falta de cultura. Num vídeo se assombra que tem pessoas que falam mal dele na internet e o chamam de “velho bêbado” quando nem bebe. A verdade, para muitos, é que se comportou como se bebesse, e, se suas canções não produzem o mesmo impacto é, justamente, porque até mesmo os que, hoje, estão no poder, na sua grande maioria, são incapazes de compreender (e sentir) a beleza de seus versos. A indiferença vem de que a grande massa gosta dos baticuns ou do barulho do rock ou até mesmo da batida de trilho das grandes bandas e seu público, igual a ele, envelheceu e não conta mais. Chico, infelizmente, esteve distante do país e ainda vive ao som da bossa nova e crê no homem cordial. A violência para ele só chegou pela internet. Pelo menos, o salva fazer ainda belas canções para o futuro. Neste momento, é cercado pela indiferença dos amigos e pela pena de muitos fãs que gostariam que tivesse permanecido sendo apenas o grande poeta que sempre foi. A pena não é de que ele esteja sozinho, mas, que não tenha se limitado a torcer pelo Fluminense e jogar bola pelo Politheama. A pena é de que tenha se equivocado tanto sem ter percebido que estava se enterrando em vida. Talvez seja um caso exemplar de auto-engano. Ou a maldição de que nossos maiores compositores, igual ao país, não encontrem jamais a felicidade.

terça-feira, outubro 11, 2011

A morte do homem cordial no país sem plano


É engraçado como se consolidam socialmente alguns estereótipos na psique popular. Talvez nenhum deles seja mais emblemático do que, por exemplo, a crença de que nossa sociedade se caracteriza por traços que a apontam como uma sociedade cordial, pacífica, sem imensos conflitos sociais. É claro que isto não poderia escapar do olhar científico e são muito conhecidas as palavras de Sérgio Buarque de Holanda que, em Raízes do Brasil, escreveu “A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro, na medida, ao menos, em que permanece ativa e fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio humano, informados no meio rural e patriarcal”.
Será que ainda é válida a análise feita no século passado, e publicada pela primeira vez em 1936, em que, supostamente, o transplante das relações sociais para o tecido macro da sociedade encobriria, ou amenizaria, as questões mais agudas e graves? Será assim atualmente? Vivemos ainda num país onde grassa a cordialidade? Ultimamente, creio que não, pois, sumiram os traços patriarcais, o predomínio das crenças do meio rural e na nossa realidade contemporânea, urbana e globalizada, o homem cordial se liquefez, com certeza. Nem irei apelar para os episódios de queimas de índios e mendigos ou as recentes agressões absurdas a casais gays ou até a quem num gesto de carinho acabou confundido e sendo espancado. Não há nada de cordial, por exemplo, no MST, nem nas invasões urbanas ou ocupação de edifícios por sem-teto nas cidades brasileiras. Nem mesmo os protestos de estudantes, funcionários públicos, de camelôs ou até movimentos negros e do hip-hop escondem uma violência que se manifesta ainda mais agressiva no trânsito e nos assaltos e roubos. Não faço crítica aos movimentos coletivos, mas, constato que até mesmo os crimes, no passado, eram mais delicados. Não existiam balas dum-duns, nem AR 15, nem se assaltava em grupo como hoje em dia acontece. A grande realidade é que não existe mais o homem cordial e o brasileiro cordial foi enterrado sem pompas num túmulo desconhecido.
Só constato que o Brasil ingênuo morreu. Que há uma violência gratuita mesmo nos grupos mais descompromissados com qualquer agenda política que reflete, talvez, a falta de compreensão dos fenômenos atuais, a impotência da construção de uma solução política para nossos problemas, pois, a grande realidade é a falta representatividade das políticas, dos políticos e das instituições. É imprescindível que se reflita sobre a nossa realidade, sobre um ativismo social que nos faça ter um pensamento estratégico, um planejamento da ação, uma proposta de futuro. Não podemos ficar ao sabor da mistura vazia entre o entretenimento, o marketing e a impostura sem abrir caminho para uma ação conseqüente, sob pena do Brasil cordial, sem a instrumentalização adequada, virar o Brasil da desordem, o Brasil caótico, o Brasil que voltou ao passado sem passar pelo futuro.

quinta-feira, outubro 06, 2011

Alguma reflexões sobre o pós usinas


Estive esta semana conversando com o jornalista Paulo Vagner, do Portal Rondônia, sobre o futuro de Porto Velho depois das usinas. Confesso que foi uma conversa surpreendente e, ao mesmo tempo, estimulante por me fazer tentar exercer um dom de futurologia para o qual não estou minimamente preparado, embora muitas pessoas pensem que isto é uma coisa normal na cabeça de um economista. Não é ainda que seja verdade que os conhecimentos de economia proporcionam certas ferramentas que permitem prever alguns tipos de aumento de demandas e antever problemas. Para tentar matar a curiosidade intelectual do Paulo Vagner, no entanto, tive primeiro que esclarecer que, em Rondônia, para este tipo de exercício, falta inclusive o essencial que são estatísticas em série, estatísticas recentes e confiáveis. Não é um fato comum, mas, todo economista sabe que o grande legado de Keynes foi o de ir buscar na estatística o comportamento médio das variáveis econômicas e, a partir daí, tentar monitorar e controlar o comportamento da economia.
Quando se trata de Porto Velho, como esclareci, o problema é muito maior. A cidade já estava num ritmo de crescimento próximo dos dois dígitos antes do Complexo do Rio Madeira, um megainvestimento de construção de duas usinas ao mesmo tempo, algo raro em qualquer tempo e lugar. O segundo maior empreendimento do mundo com a maior obra do Brasil em execução. Era previsível que houvesse, como de fato aconteceu, um extraordinário crescimento da renda e da geração de emprego por causa do ciclo da construção das hidroelétricas. A cidade recebeu, conforme atestam os resultados preliminares do Censo, algo como 110 mil pessoas, o que foi quase 30% de acréscimo populacional, gerando diversos impactos socioeconômicos também previsíveis, inclusive o aumento trágico da violência e do trânsito. Em contrapartida, com três faculdades de Medicina em funcionamento, a transformação de Jacy-Paraná e a implantação de Nova Mutum há fatores que apontam novos caminhos para o futuro que, na minha opinião, são promissores. Porto Velho é, hoje, uma cidade universitária com mais de 22 mil estudantes de nível superior e, ao contrário do que muitos pensam, não terá grandes dificuldades para o pós usinas. Não se trata de previsão, mas, de dados e de lógica. É evidente que não cresceremos em níveis altos como temos crescido. Mas, como saldo das usinas, teremos uma estrutura muito melhor que ainda depende da governança local ser aprimorada. Nossos problemas não são tão grandes, porém, se faz necessário que haja uma melhor aplicação dos recursos públicos, um melhor planejamento do futuro e trabalho. Existem muito mais promessas, do que realidades efetivas, que precisam se tornar realidade.
É certo que o nível de atividade econômica, de geração de empregos e de renda deve cair no futuro. Já caiu com os recentes distúrbios de Jirau, porém, isto não significa voltar ao período de estagnação, nem aos níveis do passado. Depois das usinas entraremos num período de acomodação. Cerca de 70% da mão do obra formada, ou que aportou com formação, irá seguir o caminho natural dos “barrageiros”, trabalhadores que seguem as grandes obras de construção de hidroelétricas, e com o próprio fim das usinas as demandas serão menores. O nosso futuro, portanto, dependerá mais de nossa capacidade de gerir o pós usinas. De buscar consolidar a vocação de comércio e serviços de Porto Velho, o que significa construir um novo porto fluvial, duplicar a BR-364, que já tem previsão, concluir a BR-319, buscar implantar os projetos do gasoduto de Urucu, das eclusas e da ferrovia Cuiabá-Porto Velho e tornar nosso aeroporto, de fato, internacional, para aprofundar as relações comerciais com os países vizinhos. São projetos viáveis e exeqüíveis que, aliados a uma política de apoio aos micros e pequenos, parecem apontar no sentido de que o período difícil é ainda o que atravessamos, o durante as usinas, em que temos que conviver com uma demanda para a qual a cidade não estava e não está preparada. No meu entender, porém, o pior já passou e se tivermos uma melhora substancial de nossa capacidade política podemos chegar em 2020 com uma grande cidade que poderá ser motivo de orgulho para todos nós.

sexta-feira, setembro 30, 2011

Top of de Mind O Estadão do Norte, uma feliz iniciativa

A pesquisa Top of Mind O Estadão do Norte/IPESO sobre as marcas mais lembradas de Porto Velho é uma iniciativa que merece todo apoio por levantar uma necessidade do mundo moderno que, no Brasil, é muito esquecida: a de cultivar o valor das marcas. Embora os exemplos de marcas, como as da Coca-Cola ou da Windows, sejam uma mostra do valor intangível dos símbolos é um fato comprovado que, em nosso país, a criação e o cultivo de marcas e de patentes ainda é um setor bastante descuidado e sem o investimento que deveria ter. Por esta razão a inovação e a iniciativa do Estadão do Norte deve ser apoiada para que, cada vez mais, haja o cuidado e a atenção com a construção de marcas num estado de uma região como a Amazônia que, por si mesmo, é uma marca mundial.
Veiculada na última quinta-feira como encarte do jornal diário com um sub-título “Na ponta da língua, Confira os nomes mais lembrados de Porto Velho” tendo como jornalista responsável o sempre competente Antônio Pessoa, a revista com os resultados da pesquisa Top of Mind O Estadão, aponta que, em certos setores, os resultados corresponderam ao que é voz comum, como são os casos, por exemplo, dos destaques da Romanel e da Roberto Simon, em jóias; em perfumes, O Boticário e Água de Cheiro; em calçados, Milani e Di Santini; em padarias, Nordeste e Roma; em distribuidoras, Coimbra e Atacadão; em supermercados, Gonçalves e Irmãos Gonçalves; em Pizzaria, Bella Pizza e Fiorella; em fast food, Bob’s e Mc Donald’s; em cervejas, Crystal e Skol; em sorvetes, Dullim e Kibom; em papelaria, Prisma e Líder; escolas particulares, Classe A e Objetivo; em móveis e eletrodomésticos, Gazin e City Lar; em material de construção, Alfa e Ronsy; em hospitais, 9 de Julho e Central; em plano de saúde, Unimed e Ameron; em bamcos, Banco do Brasil e Bradesco; em televisão regional, Rondônia e Allamanda; rádios, Transamérica e Parecis; TV por assinatura, Sky e Via Embratel, Óticas, Diniz e Especialista; Veículos, Saga e Autovema; academias, Mahatama e Win e farmácias, Farmabem e Econômica, entre outras que se destacaram na pesquisa. Que, aliás, foi feita com uma amostra de 600 entrevistados com uma margem de erro de 4%, o que é muito representativo do universo.
Se os resultados acima não surpreendem o mesmo não se pode dizer, por exemplo, da Churrascaria Boi na Brasa ser mais lembrada que a tradicional, e de excelente conceito, Paraná, ou o fato de, em Porto Velho, o refrigerante Dydyo ter um recall maior do que o da Coca-Cola. É claro que não se duvida dos dados, mas, são indicativos reveladores de que estas empresas desenvolveram algum tipo de marketing que a tornaram mais lembradas espontaneamente, um mérito indiscutível de suas estratégias. O importante é que a iniciativa do jornal O Estadão avança num setor que é preciso que se dê mais atenção, não só em nosso estado, como no país. Só por incentivar a preocupação com as marcas a pesquisa já mereceria os parabéns, mas, é preciso que, o que, hoje, é pontual se torne uma tradição para que se criem marcas rondonienses, um grande valor intangível que é mais do que imprescindível cultivar. Uma boa marca é por si mesmo um grande ativo financeiro no mundo atual.

domingo, setembro 25, 2011

Sobre as ideias de Roger Scruton


Na Veja desta semana, mais precisamente nas páginas amarelas, a entrevista do filósofo inglês Roger Scruton é um facho de luz sobre o pensamento moderno. Em especial sua observação de que o pensamento utópico sobrevive por ser uma forma que, ao se embeber do otimismo mal-intencionado, é fácil de digerir e permite que se fuja dos problemas reais de construção de qualquer alternativa real, o que sempre exige determinação e trabalho. É fértil sua afirmação de que a esquerda possui, e adora, ter uma tradição de culto à vitima. Como bem acentua Scruton sua origem vem de Karl Marx, no século XIX, que criou o método de julgar toda forma de sucesso humano a partir do fracasso dos outros, como se o sucesso de alguém dependesse menos de seus esforços que de usufruir dos outros (a idéia de um capitalismo que se sobrepõe à consciência e à vontade humana).
Marx, com base neste método, e contra sua própria capacidade lógica, inventou um plano para salvação dos mais fracos e, com uma causa muito justificável, criou a fórmula de seu sucesso da esquerda: ter uma causa justificável e uma vítima a ser resgatada para pousar de justiceira do mundo. No século XIX, lembra o filósofo, eram os proletários, depois, nos anos 60, foram a juventude, as mulheres, os pobres e, atualmente, com o ambientalismo, se propõem a salvar o planeta. Ocorre que a esquerda jamais trata do mundo e dos problemas reais, mas, radicaliza a questão que passa a ser uma espécie de fé e os que a ela não aderem são estigmatizados como o “mal”. Scruton acentua que isto é um jogo de “soma zero” com um vencedor e um perdedor, quando as relações humanas não precisam ser um jogo de perde-e-ganha, quando podem ser um jogo de ganha-ganha.
É muito lúcida sua análise de que “quando uma pessoa começa a pensar sobre as grandes questões que afligem o homem e a sociedade, tende a aceitar as posições de esquerda, pois, elas parecem oferecer soluções. Ao pensar além, ao se aprofundar, a pessoa aprende a duvidar e rejeita o argumento esquerdista. Na universidade muita gente pensa, mas, poucas refletem profundamente”. Sem dúvida é preciso levar em conta o valor objetivo da liberdade, o qual as sociedades coletivas impedem que exista, e, sobre este tema, é muito arguta a observação do filósofo inglês de que “O conservador reflete sobre coisas reais e sabe que a liberdade verdadeira é obtida sob leis e regras”. Não pode ser, como muitos pretensos iluminados desejam, monopólio de um grupo ou de um partido e sim devem ser uma construção social em que as pessoas possam exercer seu direito democrático de serem diferentes e discordarem ainda que a maioria prevaleça. Isto, porém, jamais poderá ser uma realidade privilegiando a cultura do “coitadinho”, de que as elites sociais invés de serem os guias da sociedade passem a ter que regredir para se adequar ao pensamento comungado pelos menos cultos. Não se pode, como muitos hoje desejam, aceitar o anti-iluminismo como forma de progresso social ou, o nosso futuro, estará no passado. Só alguns indivíduos fazem o pensamento avançar e, estas águias solitárias, não fazem parte da massa. Efetivamente se destacam por discordar delas e ter um pensamento que faz a sociedade avançar.

terça-feira, setembro 20, 2011

A insensatez nossa de cada dia


Há um belo sol lá fora. O dia, indiferente aos problemas humanos, esparge luz. Tentei ler um livro sobre capital especulativo, sobre capitalismo especulativo. Esta uma realidade da qual pouco se fala, mas, que é significativa de nossa realidade atual, da insensatez humana. Insensatez que está em toda parte. Na violência do trânsito, nos maus modos, na agressividade com que as pessoas se comportam e até mesmo no ambientalismo, que travestido de defesa da vida nega vida a pequenos produtores, que não tem como sobreviver cercado pelas infames regras dos códigos florestais. Leis que transformam um homem, que deseja apenas viver e derruba a mata ou mata uma paca, num marginal enquanto livra os que roubam milhões ou que matam impunemente, porém, tem bons advogados.
Os veículos passam velozes. Distante um jazz lento me lembra o quanto o passado era mais simples e, paradoxalmente, mais difícil. Tento ouvir as notas musicais para atenuar a dor que me corrói, a dor da morte de uma pessoa querida irracionalmente, insensatamente, assassinada por uns míseros trocados. São contraditórios também meus sentimentos de querer apagar o passado e, ao mesmo tempo, ter este negro desejo de que se aplique a lei de Talião, do olho por olho, dente por dente. Inútil. Nada trará de volta o sorriso, a mansidão e a beleza da pessoa que se foi. A insensatez humana também faz parte de mim. Também me cobra o preço de agir e pensar, muitas vezes, de forma errática, sem sentido. E é isto, talvez, o que nos faz humano. Conseguir conviver com a insensatez que nos cerca como se o absurdo fosse normal até que um dia a foice feche nossos olhos para o amanhã.

terça-feira, setembro 13, 2011

Lana Del Rey, a diva do momento


O performático artista Andy Warhol disse, no passado, sabíamente, que “No futuro toda gente será famosa por quinze minutos”. Ele acertou em cheio na sua profecia, mas,talvez, tenha errado no tempo que, hoje, parece muito longo. Talvez todos tenham, no futuro, seus quinze segundos de fama. Porém, enquanto isto não acontece ainda temos, com a internet, celebridades que são feitas de forma instantânea seja por algum tipo de talento, seja por um comportamento bizarro ou algo que escapa ao comum. Afinal, por mais que se deseje uma vida previsível, sempre o imprevisível e o novo é saudado com certo entusiasmo. Comprova isto, por exemplo, o sucesso do rapaz de Rondônia que reclamou por “não ser cutucado” por ninguém ou o sucesso de canções como “Friday”, de Rebecca Black, e “Oração”, da curitibana “A banda mais bonita da cidade”, que viraram sucesso imediato, mas, que, parecem, depois de algum tempo esquecidos. O fato de ser visto, aliás, se celebriza não garante a qualidade.
Há alguns destes fenômenos que podem resistir se apresentarem qualidade. No momento, por exemplo, chama a atenção o trabalho da americana Lana Del Rey, uma louraça belzebu de 24 anos, que, na semana passada, sem razões aparentes, bombou do nada, alcançando mais de 340 mil visualizações no YouTube com uma canção de título moderno “Video games”. Pode-se dizer que a marca não seja grande coisa para a rede, no entanto, a repercussão da música foi poderosa na medida em mostrou uma qualidade artística que mereceu elogios. A razão se situa na beleza da moça, um diva no melhor estilo Maryln Monroe, e na canção com vocais etéreos e uma melodia melancólica que percorre um clipe cheio de referências cinematográficas ajudando a compor aimagem da jovem cantora. Diga-se, de passagem que a canção começa a surpreender pela abertura com um solo de harpa e termina surpreendendo mais com uma seção de cordas completa e, com uma letra longa e bem estruturada, consegue ter uma sonoridade atemporal que aumenta a intensidade poética e a aura da canção.
Pode até ser que esta canção “Video games” seja a porta para a fama de uma grande cantora. Isto porque Lana chegou a lançar um disco em 2010, com a produção de David Kahne, que passou quase despercebido e foi considerado fraco. Pode também, como foram os casos já citados e outros, que tudo morra com esta canção, mas, um fato a moça já criou: é a diva do momento. Pelo menos da semana, embora, há quem diga que com sua beleza ainda que não emplaque mais nada com “Video games” estabeleceu uma das canções memoráveis de 2011 e colocou sua imagem no caminho da fama. Nem que seja a de 15 segundos. De qualquer forma vamos torcer para que repita o feito desta canção que sou o primeiro a indicar como um vídeo de talento.