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quinta-feira, março 09, 2006

SEM FUTURO

O governo estadual anuncia que vai dar, em abril, um aumento de 2% e um auxílio alimentação de R$ 50,00 o que é bem mais que o aumento previsto de 0,01% do governo federal, mas bem abaixo da inflação de, no mínimo, 5%, ou seja, não recupera nem sequer as perdas salariais dos funcionários públicos. É bem verdade que esta política salarial não é apenas de Cassol. Em grande parte é nacional. Tem uma longa história. Começou com o ex-presidente Collor que na campanha eleitoral, utilizando os salários exagerados, e politicamente obtidos de segmentos do funcionalismo, em geral deputados, juízes, advogados, delegados e outros, vendeu a imagem de que todos eram marajás não só para ganhar a eleição, mas ganhando puder manobrar a máquina pública a seu bel prazer.
Ganhou e fez. Quem se lembra da época sabe dos famosos “currais”, locais onde os funcionários públicos eram amontoados, de uma hora para a outra, sacados de seus lugares e vitimas indefesas da vontade política de ignorantes completos dos tramites burocráticos. De lá para cá a situação somente tem piorado. Não apenas porque os barnabés experimentaram longos tempos de perdas salariais sem ter a quem recorrer, pois a Justiça tem sido uma cúmplice da injustiça sempre a favor dos governos por piores que eles sejam, como porque, cada vez mais, a indicação tem sido política chegando ao ponto na atual administração do PT na qual para ter acesso a qualquer cargo, ou CDS, como é o nome usual das gratificações, era indispensável ou ser do PT ou de um partido da base aliada com raríssimas exceções. Porém o pior de tudo e, sejamos justos, no caso o PT e Lulla somente pioraram o que já era muito ruim, a predominância das prioridades do caixa sobre as prioridades públicas e sociais. Tudo se subordinou as necessidades de pagar juros, de fazer investimentos mínimos e, em ultimo lugar, estão às pessoas e suas necessidades. E se for funcionário público, então ocupa a posição de ultimo dos últimos. O resultado é visível. Nossos serviços públicos somente se rivalizam com os africanos, as estradas caminham para se rivalizar com as da Índia e, no governo, com raras ilhas de excelência, tudo é difícil, demorado, penoso, ineficiente. Claro que isto tem a haver com a corrupção. Pagar bons salários não permite polpudas comissões, embora a massa salarial proporcione desenvolvimento e bem-estar. Porém não adianta a máquina e/ou equipamento mais sofisticado do mundo sem pessoas qualificadas, com conhecimento e boa vontade para realizar seu trabalho, daí estarmos caminhando a largos passos para a rabeira do mundo. Ou se modificam as políticas públicas para valorizar as pessoas, os funcionários públicos ou caminhamos cada vez mais para ser um país sem futuro.

terça-feira, março 07, 2006

MAIS UM ENGODO

No meio de um mar de corrupção, e para justificar seus “erros”, os diversos protagonistas dos escândalos, ajudados pelos bem intencionados, pregaram a mudança na Lei 9.504/97, a Lei Eleitoral em vigor, que não é lá essas coisas, realmente. O consenso para sua mudança, inclusive, não data de agora porque contém erros de concordância, dispositivos inócuos, penas de araque, brechas reprováveis que premiam quem, por condutas ilícitas, mereceriam estar presos e cassados. No entanto do modo como as mudanças estão ocorrendo com as mudanças que estão sendo propostas parece que a emenda será muito pior do que o soneto. Afinal a quem interessa impedir que haja doação de brindes, restrição das hipóteses de propaganda pelos eleitores e limitação padronizada de gastos se, o essencial, como mostram as CPMIs, é a utilização espúria de dinheiros públicos para manutenção de um sistema que favorece sensivelmente os criminosos ousados? Até propõem a restrição de outdoors como se este não fosse uma das formas mais democráticas de campanha, porque devidamente democratizado e vigiado, além do seu baixo custo. Enfim o que se observa é que as alterações introduzidas não somente não alteram as regras do jogo como se aproximam bastante do casuísmo da chamada (e de amarga memória) “Lei Falcão” que, de fato, visava castrar a oposição e conservar o status quo.
Nada parece indicar que o Congresso, e os demais poderes, se preocupem com o cerne da questão que não pode deixar de ser o famoso “caixa-dois”. Assim como acontece com as conclusões das comissões parlamentares não se avança no sentido de punir severamente a este tipo de conduta que, inclusive, deveria ser prioridade tendo em vista a sujeira visível em depoimentos, negações infantis, delações premiadas e negócios promíscuos e escusos amplamente revelados nos meios de comunicação. O que fica patente é que se trata de uma reforma panacéia, meramente uma desculpar, conversa mole para boi dormir. Ninguém de sã consciência, de mente aberta e atilada, acredita que toda esta bobajada que se conversa, em especial o entra e sai da verticalização, tenha importância nenhuma para a mudança de costumes políticos. Trata-se na verdade de uma tremenda empulhação.
Tudo parece indicar, e é muito provável, que tudo fique como antes no quartel de Abrantes. O poder e os interesses econômicos continuarão fazendo valer sua influência, os candidatos, e Lulla da Silva o faz com desenvoltura e confessadamente, continuarão a fazer propaganda antecipada com recursos públicos, ou não, de tal forma que tende a se aprofundar ainda mais o fosso entre a representação real da população, seus canais de representação, os partidos políticos, e os desejos e demandas da população. Ou seja, qualquer que seja o resultado, com verticalização ou não, as mudanças serão apenas mais um engodo.

A ORDEM AMEAÇADA

Um dos fatos mais graves ocorridos ultimamente demonstra bem a deterioração da ordem e convida as elites nacionais a uma profunda reflexão. Trata-se da tremenda ousadia dos que invadiram um quartel do Exército, espancaram militares e roubaram armas e munições. Um fato assim demonstra, em primeiro lugar, que já não existe instituição que os bandidos temam e, em segundo lugar, que o desmonte do aparato estatal, com o sucateamento das armas, equipamentos e capacidade de operação das Forças Armadas, inclusive, chegou a um ponto em que já não existe mais o mínimo de respeito por nada nem por ninguém e, quando isto acontece, ninguém consegue impor a autoridade da lei.
Não deve ser por outra coisa que os setores mais responsáveis das Forças Armadas brasileiras passam por imensas dificuldades e, muitas vezes, não sabem o que fazer para conter as insatisfações que não giram, como é comum se pensar, só em torno de salários. Basta verificar as movimentações de oficiais aposentados e das mulheres dos militares, mas o que é sintomático, principalmente se as investigações sobre a morte do general Jeffre, em Belo Horizonte confirmarem a suspeita inicial, de que é o segundo general em comando a suicidar-se nos últimos meses o que deveria ser motivo de profunda inquietação pública ainda mais quando se fala tanto em valores republicanos.
O certo é que os últimos governos, seguindo as diretrizes de dar prioridade ao ajuste das contas públicas e de pagamento dos juros da divida, têm submetido às Forças Armadas a uma situação humilhante que redundou, o que por si só já é um absurdo, na declaração de autoridades militares de que se dispensaria mais de 200 mil recrutas por falta das coisas mais elementares como fardamento e alimentação. Evidentemente um crime de lesa-pátria na medida em que muitos desses dispensados oriundos de áreas mais pobres são, durante o alistamento, não somente educados como disciplinados e ensinados a ser cidadãos, mas sem passar pela caserna, certamente, irão engrossar a já quase incontrolável horda de jovens a serviço do crime.
Também a redução do recrutamento resulta em enfraquecer ainda mais os efetivos, e seu treinamento adequado, diminuindo consideravelmente a preparação de reservistas. Não bastasse o congelamento dos soldos e demais vencimentos dos servidores civis e militares que contribui para o mal-estar dos nossos oficiais e redução do seu padrão de vida familiar todos estes fatores somados desviam os jovens da carreira militar que, infelizmente, hoje, hoje perdeu todo o charme, todo o carisma. Ser militar, agora, já não se constitui o ideal de nenhum jovem. Mas, um país sem Forças Armadas forte é um país incapaz de ter liberdade e ordem e preservá-las. É tempo de dar as Forças Armadas o valor que merecem, inclusive para defender nossa soberania tão desrespeitada justamente por falta de forças capazes de defendê-la.

domingo, março 05, 2006

A VITÓRIA DO MEDO

A vinda de Anthony Garotinho a Porto Velho cavando votos para sua candidatura a presidente pelo PMDB, uma aventura complicada e sem final feliz visível, recoloca um problema que não é só nacional como estadual e municipal que é o da ausência de opções políticas capazes de resolver os problemas públicos. Independente dos problemas de corrupção e da safra perdida de liderança nos tempos de chumbos atravessamos um período de poucas opções entre os políticos atuais, notadamente os que chefiam os executivos estadual e municipal. Neste sentido talvez nenhum estado seja mais emblemático que o Rio de Janeiro no qual o problema da violência continua a ser uma questão que perpassa o dia a dia dos cidadãos e, apesar da cidade continuar maravilhosa, não se avista uma solução nem governantes capazes de propor novas formas de combate ao crime. O que se vê, como agora, são distorções como o Exército, por ter tido um quartel atacado e armas roubadas, realizar uma operação que deveria fazer para salvar vidas, para sufocar a vergonha nacional que consiste na cidade símbolo do Brasil ser tida como capital do tráfico e das quadrilhas.
A questão, que Garotinho foge dela como o diabo da cruz, é que, além de revelar sua incapacidade, é desveladora também do fato de que, com honrosas exceções, os políticos e suas administrações não tem como objetivo resolver os problemas públicos e também as pessoas comuns não possuem a educação e os instrumentos para medir a eficiência da máquina pública. Infelizmente, como acontece não só em matéria política, a mídia, hoje, é determinante de muitas das visões públicas, do que os marqueteiros chamam de “imagem”. E, esta, vinculada ao poder econômico sem os freios controladores da ética, permite que muitas figuras sem a devida educação, inclusive cívica, muitos deles provincianos, caricatos, com visões estreitas, incapazes de ter propostas para os municípios quanto mais para o país sejam guindados pelo voto popular para altos cargos sem a menor dimensão para a grandeza, o desprendimento e o sentido social e brasilidade que implica. Sem contar que, igual a Garotinho, não tem uma bagagem de realizações administrativas nem plano, excetos em geral meramente personalistas e assistenciais, que o capacitem, de fato, a estar a altura do que almejam. Esta a maior razão para os avanços políticos se processarem como andar de tartaruga. Esta a realidade que se mostra na falta de candidatos fortes, viáveis que despertem o mínimo de esperança para disputar com chances reais, a eleição para presidente da República, em outubro próximo. Não se trata de que Lulla da Silva, e seu governo que é o que todos vêem e sabem, sejam lá essas coisas. È que, para desespero dos que desejam mudanças, que desejam dias melhores, os outros candidatos que surgem não parece que sejam melhores. Daí que o presidente atual ainda tenha chances. Entre o mal conhecido e o desconhecido as pessoas por conforto ou por preguiça permanecem onde estão. A verdade é esta: as opções possíveis não oferecem muita esperança. O medo, definitivamente, venceu.

sábado, março 04, 2006

MUDANÇAS NAS NUVENS

O publicitário Marcos Valério, já tipificado nas diversas CPIs como pagador do mensalão, como está se sentindo desamparado e emparedado pela CPI dos Correios, ameaça detonar três bombas que explodirão nos terreiros do PT e do PMDB. A primeira bomba: segundo a revista Veja que circula nas bancas a partir deste sábado, Valério tem avisado que pode revelar detalhes de como, nos primeiros meses de 2004, fez o repasse do dinheiro utilizado por José Borba para pagar o apresentador Carlos Massa, o Ratinho. O apresentador, em troca do dinheiro, passou a usar seu programa no SBT como palanque de promoção do presidente Lula e seu governo, bem como apoiar a então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, que se encontrava em campanha para a reeleição. Como, quem se lembra ou leu, sabe, Ratinho fez uma longa entrevista com Lula num churrasco na Granja do Torto como é natural ao som de música sertaneja. A entrevista-churrasco passou a ser exaustivamente reprisada no programa do apresentador que sempre negou que recebesse qualquer pagamento. Fazia tudo por amizade e que amizade(R$).
As revelações prometem voltar a esquentar o clima, principalmente em face de que, apesar da CPI dos Correios estar sendo omissa em diversos pontos, inclusive na moleza e na análise das contas de Duda Mendonça, o simples fato de citar Lulla da Silva no final do seu relatório, mesmo não o indiciando, dará, efetivamente, pano para as mangas e munição para os adversários. Também no próprio PT a revelação de que se prepara outra Carta aos Brasileiros II, na qual há basicamente o compromisso de manutenção da atual política de arrocho das contas públicas e de manutenção do patamar dos juros altos que só seriam diminuídos no longo prazo, provoca dissensão no meio dos petistas. Um dos pontos que os críticos internos mais batem é na política econômica a quem atribuem parte importante dos “erros” dos companheiros. Para muitos dos petistas é uma repetição piorada do filme anterior, pois, ao fazer uma nova carta sem discussão interna, se está de novo abrindo espaço para que as cúpulas façam o que bem entendam e, novamente, o partido leve a culpa quando a coisa der errada. No entanto as principais lideranças do partido, ainda quando contra, se comportam como cordeiros com Berzoini e Tarso Genro (que falta de se mirar na filha) defendo que Lulla tem direito de “traçar as diretrizes de seu governo” como se fosse possível elle se reeleger sem partido e sem o apoio dos militantes.
As decisões, todavia estão se afunilando. O problema suscitado pela verticalização, as definições de PSDB e do próprio PMDB, com uma prévia tumultuada por Sarney, Renan e outros governistas que só desejam aderir, impõe que o ritmo do jogo seja acelerado. E, certamente, nos próximos dias, como provam as novas declarações de Marcos Valério, novas revelações hão de surgir acuando o governo que se encontra, no atual momento, embalado pelas aparentes perspectivas promissoras.

sexta-feira, março 03, 2006

ESPAÇO PARA A SURPRESA

A bem da verdade foi Lulla da Silva, de forma inesperada e num golpe publicitário que pegou os adversários desprevenidos, porém de resultados duvidosos quem começou a campanha eleitoral em fala no primeiro dia do ano. Se não colheu os frutos que queria, no entanto no embalo se motivou para contra-atacar e, pelo menos, é o que dizem as pesquisas conseguir retomar a capacidade de ser um candidato viável mesmo que muitos apontem para sua alta rejeição.
O certo é que o presidente Lulla da Silva depois da partida não tem parado. Ou melhor, parou, agora, no carnaval para repor as baterias, porém revigorado, depois dias de pescarias e distensão numa praia carioca, sem a rotina de Brasília, deve estar novamente inquieto para voltar a fazer campanha. Ainda mais animado, como vive, pela confirmação de sua recuperação eleitoral segundo as últimas pesquisas. E, quando como os ventos sopram a favor, deve estar pensando que sua estratégia de antecipar a campanha para a reeleição, contra a legislação eleitoral, que estabelece seis de julho como o marco zero para a publicidade das candidatura, deu certo. Ainda mais que tem seguido à risca um programa de viagens pelo país com fins eleitorais, com tudo pago com recursos públicos, inaugurando até o que já foi inaugurado. Se quiser negar que está em campanha o tom dos discursos, em cima de palanques armados com o objetivo de impulsionar uma candidatura, não deixa. O presidente tem se aproveitado das brechas da legislação para fazer campanha sem assumir o projeto de reeleição, mas com um olho (e muitas vezes com lapsos nos discursos) na corrida eleitoral.
Porém, por mais que a estratégia tenha dado certo, é só o início de campanha. A vinda de Garotinho a Porto Velho, e sua exposição na mídia local, mesmo sendo Garotinho quem é, um candidato difícil de ser viabilizado e tendo contra si a incapacidade de resolver os problemas de violência do Rio, já dão uma mostra das dificuldades de Lulla da Silva, pois o ex-governador do Rio não somente elencou os principais problemas do seu governo como o de ser voltado para os banqueiros, a ineficiência administrativa, classificando os Ministérios como “Ministério das Tartarugas” e a corrupção generalizada do PT expressa no “mensalão”, nas cuecas de dólares & outras mazelas. Garotinho, no entanto apenas ciscou em volta do tema preocupado como está em viabilizar sua candidatura, porém deixou bastante evidente que se, durante dois meses, houver um fogo cerrado nos males e nas “heranças malditas” de FHC e Lulla outro candidato é bem possível de ser viável e uma grande surpresa. Até usou uma frase de efeito ótima: “Se FHC era o pai dos banqueiros, Lulla é a mãe” se referindo ao fato que os bancos tiveram 30% a mais de lucro em três de Lula que em todos oitos anos do ex-presidente.


quarta-feira, março 01, 2006

A VIDA CONTINUA

Terminou o carnaval começa o ano novo-esta é a verdade. Se bem que este é um ano muito atípico (com copa do mundo e eleição) num tempo mais atípico ainda. Não há como não se estranhar os costumes (e a completa falta de recursos do cidadão) diante de um país no qual assistimos um festival de impunidade definitivamente assustador. Do jeito que a carruagem anda, apesar das inúmeras irregularidades e denúncias já constatadas, do “Mensalão” ter virado o tema predileto do carnaval, as três CPIs que deveriam passar o país a limpo esbarraram na defesa férrea dos parlamentares petistas e aliados (muitos deles receosos de serem alcançados pela lama que escorre fétida sobre os poderes) impedem que se desvende os furtos dos dinheiros públicos e privados, sem que seja permitido alcançar os chefões da corrupção, pois até liminares no principal tribunal da República cria blindagem segura para a cobertura de ações criminosas. Só falta como fecho da palhaçada ser acatada ação em que o cassado ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, chega ao escárnio de querer readquirir seu mandato quando, de fato, esta é uma punição deveras branda diante de tudo que fez por ação e/ou omissão.
É uma vergonha que, apesar de terem sido montados sofisticados esquemas de assalto aos cofres públicos, descobertos tais atentados à ética e às leis, permaneçam sem uma apuração graças, sobretudo a um Congresso aliciado por meios, no mínimo, infames, com a aquiescência, participação ou omissão do Judiciário. Constata-se um verdadeiro capachismo dos demais poderes ao executivo, malgrado este se mostrar completamente esfarrapado pelos expurgos das principais figuras governamentais e partidárias e, por incrível que pareça, ainda se vende à reeleição de Lulla da Silva não se sabe atendendo a que sórdidos interesses, porém, evidentemente, instaurando uma nova ética na qual tudo é possível desde que se tenha dinheiro e poder político, inclusive criar sistemas de corrupção, roubo e crime, num processo que não somente desestrutura os partidos como a própria sociedade. Afinal se vale tudo, então nada vale tanto como a violência, a posse das armas, a imposição pela violência.
Hoje há uma perplexidade das pessoas cultas, dos brasileiros, da classe média (não das elites que podem escapar para Nova York ou Paris) do assombroso crescimento da imposição, por via dos caminhos ditos legais, de leis que ferem os direitos dos trabalhadores, aumentam impostos, impedem o crescimento do país e, por incrível que pareça, até o Senado, que deveria ser uma câmara revisora, um poder capaz de não permitir certas atrocidades, aprovou a incrível lei da exploração de nossas florestas, uma ponta de lança das máfias estrangeiras, em especial a anglo-americana, para a ocupação progressiva da Amazônia com a ajuda de ONGs, parte delas verdadeiras tropas de choques antinacionais e antidesenvolvimentistas. E, sem governo, com um governo títere, com um "presidente" que se ocupa, acima de tudo, com sua reeleição regada a discursos ocos e programas sociais assistencialistas caminhamos, cada vez mais, para o desmembramento de nossa nação. O país do futuro caminha de volta para o passado.
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sábado, fevereiro 25, 2006

CARNAVAL, DESENGANO

Diz um dos mais polêmicos psicólogos norte-americano, Steven Hayes, que “a felicidade não é normal”, ou seja, a dor faz parte da vida embora nós façamos esforços para escapar dela das mais diversas formas possíveis. Nas palavras dele: “As artimanhas que usamos para escapar da aflição nos desviam de nossos objetivos de vida”. Efetivamente procuramos nos esquivar das coisas ruins, não lembrar que um dia iremos morrer, esquecer a perda de amigos diletos, buscar a felicidade momentânea de sair com os amigos, beber um bom vinho, viajar, viver uma aventura amorosa ou procurar atenuar as incertezas do futuro. De fato “Nosso conceito de felicidade está ligado a emoções de curto prazo”. E, entre tais emoções, o carnaval surge como o resumo delas na medida em que busca apagar a realidade e, seja pela fantasia, seja pelas drogas, por um amor de três dias, viver momentos que bem sabemos são irreais. O carnaval é, na verdade, um intervalo de sonho na dureza da vida. No entanto é sonho, um sonho curto como os dos suburbanos de Madureira ou de Vila Isabel que vestem roupas de rei e, na quarta-feira, terão que voltar as suas vidas pequenas. Todavia, muitas vezes, se sacrificaram (e sacrificam outros prazeres) por muito tempo para viver seu momento de glória na avenida.
O certo é que o carnaval é uma espécie de prazer com fim pré-datado. É como se, por uns dias, tudo fosse permitido, porém com a quarta-feira ingrata, no fim, para cobrar a conta, para fazer com que a alegria se transforme, de novo, no cotidiano, na vidinha de sempre, de trabalhar, estudar, comer, fazer o que tem que ser feito e, depois, dormir. Há, contudo, como em todo sonho, uma grandeza, um elemento indefinido e indefinível que faz com que o carnaval, mesmo se sabendo no fim desengano, valha a pena. Afinal é significativo que pessoas e comunidades façam desses três dias o motivo de tantos sacrifícios, de tanto planejamento, de tanto trabalho e suor. Para não ir longe, e o protótipo é o carnaval carioca, aqui mesmo temos exemplos memoráveis de dedicação ao carnaval como é o caso de Manelão da Banda do Vai Quem Quer que se sacrificou pessoalmente, muitas vezes, para criar esta instituição que, hoje, é a banda. Temos, inclusive o anonimato heróico de muita gente que criou, e cria, blocos como o Galo da Meia Noite, o famoso bloco estacionário do Caititu, o Bloco da Mucura, do Canto da Coruja, do Tô Nessa, do Não Tô nem Aí, do Kayari e, agora, surge também o Pirarucu do Madeira. Sem falar dos blocos e escolas que são o suporte do nosso carnaval de rua. È, de certa forma, uma prova de que o carnaval é uma metáfora da vida. Apesar do desengano vale a pena ser feliz mesmo que por algumas horas. Um bom carnaval.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

TUDO É CARNAVAL

É carnaval. Aqui em Porto Velho, o Galo da Madrugada já cantou o início da folia numa animação das maiores. Lá no Recife se anuncia que o som das alfaias se iniciou, no fim da tarde, na rua da Moeda e que se esperava uma apoteose dos 400 batuqueiros, que se apresentaram sob o comando de Naná Vasconcelos, às 19h de ontem no Marco Zero, no Recife Antigo. Segundo a previsão a festa de abertura do carnaval do Recife iria reunir batuqueiros de 11 nações de maracatu. A surpresa fica por conta da participação da Orquestra de Sopros, sob a batuta do maestro Neneu Liberauquino. Virgínia Rodrigues, Claudionor Germano e Jorge Du Peixe também estarão no palco. Animação não menor se esperava na Bahia com vinte e dois blocos desfilando ontem, sexta-feira, no Circuito Dodô (Barra-Ondina).Como sempre o ministro da Cultura Gilberto Gil com seu trio Expresso 2222, Daniela Mercury, Timbalada, Babado Novo e Chiclete com Banana são algumas das principais atrações. A grande expectativa é para saber se o cantor da banda U2, Bono Vox, vai subir ou não no trio de Gil para uma canja. A temperatura em Salvador deve subir por conta do ingresso na folia de mais de 470 mil turistas. Aliás, este ano a Bahia deverá receber um milhão de turistas neste carnaval, 30% a mais do que no mesmo período do ano passado, estima a Bahiatursa, órgão oficial de turismo do estado. De acordo com a empresa, o volume equivale à metade do número estimado de dois milhões de turistas que devem passar o verão 2005/2006 (dezembro de 2005 a março de 2006) na Bahia.
No Rio de Janeiro, para manter a segurança, cinco favelas foram ocupadas por policiais, e, por volta das quinze horas de ontem, a cidade já mostrava ares de festa com foliões e blocos começando o reinado de Momo. A iluminação do Sambrodómo e de vários locais nos quais iriam ser realizados bailes populares foi melhorada e tudo estava pronto para a folia, inclusive com as escolas tomando as últimas providências para seus desfiles. O fato é que, até quarta-feira, tudo é carnaval. Aqui o general da Banda, Manelão diz que tudo está pronto para um grande carnaval e até Lito Casara desembarca de Belo Horizonte para comandar o Kayari. De forma que o carnaval de Porto Velho promete ser dos melhores. Surgiram novos blocos, o apoio, sem dúvida, este ano foi maior de modo que se espera um excelente carnaval, inclusive nos clubes e até, na Quéops, haverá na segunda o Baile dos Comerciários. De fato não dá para falar de outra coisa. E lembrando do Bloco do Caititu, lá no bar do seu Zé, na Arigolândia, do Tô Nem aí, do Bloco da Mucura e do Canto da Coruja torcemos para que seja um carnaval de muita alegria e paz. E, no embalo, vamos nos divertir com alegria e responsabilidade.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

MITO E GRANDEZA

Que o Brasil é um país de contrastes o prova as polêmicas que cercam a figura de JK. Louvado por muitos, execrado por alguns que o acusam de grandes males que ainda hoje nos assolam, é muito difícil analisar de forma racional o papel histórico de JK, principalmente quando, como agora, a TV Globo criou uma série de louvação generalizada para suas realizações. Nenhum estadista mesmo Getúlio Vargas, que lançou as bases para o Brasil moderno, tem uma dimensão tão grande quanto Juscelino no imaginário popular associado ao fato de que não somente industrializou o país como também se notabilizou por ter criado um jargão de mudar o país com um plano que se propunha a fazer o que não foi feito em cinqüenta anos em cinco.
Acrescente-se que há outras razões para o encanto que Juscelino possui como o fato de que seu governo, com todos os problemas que possa ter tido, foi o último mandato exercido plenamente entre períodos de ditaduras, por sua coragem para enfrentar os desafios não só para ser presidente, mas para realizar projetos fundamentais, como Brasília, a abertura de estradas para integrar o país, usinas hidrelétricas e a criação de mecanismos, à margem da burocracia oficial, para impulsionar a expansão industrial brasileira numa época em que a moda, a música e o mundo mudavam radicalmente. Juscelino criou, na ocasião, um clima de desenvolvimento, uma sensação nunca mais sentida de que o Brasil avançava para melhores dias, para alcançar a modernidade. Ressalte-se também que foi uma figura simples, generosa, alegre, mulherengo e musical, um dos poucos presidentes amante das atividades artísticas e de suas expressões, que, além de tudo, mostrava uma grande paixão pelo Brasil e pela vida.
Talvez nenhum outro presidente encarnou tão profundamente o sentimento de brasilidade e de descontração, inclusive no hábito pouco ortodoxo de tirar os sapatos, de forma que, se antecipando aos fenômenos da década de sessenta, desbloqueava o ambiente daqueles dias e não por coincidência abrindo espaço para o surgimento de fenômenos como a Bossa Nova, o Cinema Novo, o reconhecimento de nossa literatura, avanços científicos como as pesquisas nucleares de César Lattes, a conquista do primeiro campeonato mundial de futebol e, fruto direto de sua ação, a arquitetura de Niemeyer que deslumbrava o mundo. O Brasil, portanto nas mãos de JK resplandeceu como se houvesse, enfim encontrado o rumo do progresso e do desenvolvimento. Ilusão que se desfez logo depois, porém que deixou marcas profundas na lembrança popular. Podem acusar JK de ter cometido gravíssimos erros, no entanto não podem ofuscar sua grandeza de ser humano e de político. Como poucos, pouquíssimos mesmo, presidentes, eleitos ou não, era um homem que tinha sonhos, projetos e via no poder uma forma de realizá-los em prol de sua comunidade. Esta a marca real de todo grande político e que faz dele um mito e um exemplo a ser imitado. Este também um contraste diante dos pigmeus que fazem da política um mero passaporte para gozar do poder e de suas benesses.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

OS NOVOS TEMPOS DA POLÍTICA

Não se vive sem política. No entanto a política não pode ser bem feita sem que considere que sua finalidade ultima é o bem-estar da sociedade, a busca da resolução de seus problemas. Neste sentido há uma mudança profunda no cenário político da América Latina que, ao mesmo tempo, que possui governos, aparentemente, cada vez mais comprometidos com as lideranças comunitárias e sindicais se mostram incapazes de criar o progresso econômico e o desenvolvimento social. Seja Lulla da Silva, no Brasil, Evo Morales, na Bolívia ou Chávez, na Venezuela, apesar dos discursos voltados para os menos favorecidos suas administrações, ao menos por enquanto, não conseguem demonstrar eficiência nem a transparência desejada nos negócios públicos. É preciso salientar que não fazem, necessariamente, proselitismo ideológico nem se apresentam como de esquerda, mas adotam em relação aos Estados Unidos uma posição quando não de hostilidade, pelo menos, ambígua.
E, no caso particular do Brasil, apesar das pesquisas que dizem que Lulla vai bem, a cúpula do governo e do partido se desmanchou a partir das denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson, porém nem mesmo assim os petistas deixam de demonstrar uma arrogância e a prepotência, com a ajuda e outros políticos de todos os partidos, inclusive parlamentares rondonienses, que tem se traduzido em debates e agressões no
Congresso Nacional capaz de deixar assustado qualquer telespectador com o baixo nível apresentado. Os argumentos sobre as grandes questões nacionais que deveriam ser o tema central dos debates, cedem espaço às ameaças, brigas e disputas de egos na fogueira da vaidade. De forma que faltam políticas públicas e sobra politicagem o que explica a visão pouco lisonjeira que a opinião pública, com razão, tem da classe política. Há, por conta desses fatos, um ambiente de confusão, de irritação, de crença em que as coisas não mudam e que, apesar de toda a sujeira levantada, as coisas irão ficar por isto mesmo e acabarão em pizza. Todavia há mudanças lentas, silenciosas que apontam para o fato de que, a médio prazo, para espanto dos conservadores este estado de coisas irá mudar.
Que não se enganem os que pensam que com assistencialismo e com discursos de tapeação enganarão o povo mesmo com a ajuda interessada, e áulica, dos meios de comunicação. Há, no ar, uma desconfiança geral e quase por intuição a população parece começar a entender quem são os que estão do lado deles e quem são os que só têm projetos pessoais de poder e querem continuar gozando das mordomias à custa dos cofres públicos. Não adianta criar fatos novos, ou requentar antigos, quando o jogo começar, ou seja, na hora da onça beber água é que se verá se chegamos a novos tempos, ou não. Se toda a lama da corrupção que escorreu terá sido em vão ou, se apesar das arapucas, os tempos serão, de fato, novos na política.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

O NÓ DA EDUCAÇÃO

O presidente Lulla, fazendo pose com Bono Vox, disse que pretende desenvolver o Nordeste criando na região um pólo produtor de biodiesel. Segundo ele sua grande iniciativa para redução da pobreza e criação de postos de trabalho, uma forma de inserir no mercado centenas de pessoas, dos mais variados níveis de escolaridade, do primário ao universitário. Assim como não tem o menor apreço pelo planejamento a fala de Lulla demonstra também que não entende que não há programa possível de desenvolvimento que não passe pela educação. Isto fica patente não apenas pelo fato de, orgulhosamente, ter dito que, pela primeira vez na história, havia um presidente e um vice que não possuíam diploma de curso superior (só o diploma da vida) e por admitir que jamais leu um livro. Podia até não ter lido, mas para que dar um triste exemplo deste? A resposta é que Lulla despreza a educação, não compreende que se trata da única forma real de crescimento das pessoas porque, no caso dele, por uma série de fatores conseguiu sucesso sem estudo, sem gostar de trabalhar e estudar. Basta lembrar que o também metalúrgico Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, deputado federal por São Paulo, formou-se em Direito. Não reclamou que lhe faltava tempo para fazer um curso universitário nem dos problemas de formação. Foi à luta e se formou com esforço, é verdade, mas é o oposto de Lulla. É alguém que vem crescendo, não estacionou e que reconhece ter melhorado com a educação.
E é, de fato, preocupante a falta de atenção de Lulla da Silva com a educação. Afinal não se trata apenas do principal elemento transformador de um país. A instrução da população é a base real do desenvolvimento e, na fase atual em que o trabalho repetitivo está desaparecendo, ou se dá embasamento, por meio da escola, para que as pessoas tenham conhecimento ou não se terá como fazer a inclusão no mercado de vastas camadas da população por mais projetos mirabolantes que se criem. Para ser cidadão, para ter renda, mais do que nunca, hoje é preciso ter estudo. Neste sentido, por mais discursos que tenham sido feitos sobre a educação, jamais se levou à frente um esforço sério de escolarização em massa. Não apenas fomos um dos últimos países da América do Sul a ter uma universidade, mas carregamos o fardo de ser, entre os países emergentes, o que possui a maior massa de analfabetos e com um dos menores tempos médios por aluno. Assim não é surpreendente que grande parte dos nossos males seja uma linha direta da falta de instrução. Ter um presidente sem apreço ao estudo e sem ter a dimensão real da necessidade de conhecimento que pensa que pode (e vai levando) tudo na base da esperteza e da improvisação não é, certamente, um passaporte viável para a modernidade e para um Brasil mais justo socialmente.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

O DISCURSO E A REALIDADE

Todo político em campanha tem por hábito acenar com o maior número possível de promessas, esquece o que prometeu e não cumpriu, evitar temas que o embaracem e prometer um futuro mais risonho e melhor. Lulla da Silva não se comporta de modo diferente. Repete a formula, de um modo calculado e populista, pois esta sua visita a seis estados, inclusive com reinaugurações que nada mais são que pura campanha eleitoral.
É uma tentativa de consolidar o que o governo considera uma boa fase. Assim pode-se esperar um Lulla brandindo os aumentos reais concedidos ao salário-mínimo (e escondendo os problemas que isto traz em especial o desastroso impacto nas contas públicas), os bilhões destinados ao Bolsa Família, os mais de três milhões de empregos criados ainda que, de fato, isto represente, de vez que nas contas do passado do próprio PT seria preciso criar 1,5 milhão de empregos/ano só para não aumentar o desemprego, um desempenho abaixo do governo FHC. De qualquer forma a questão é vender que está se criando o “circulo virtuoso do crescimento” e que, amanhã vai ser melhor.
No entanto ao antecipar a campanha eleitoral, o que Lulla fez com seu discurso no primeiro dia do ano, e tentar vender uma imagem irreal de seu governo o que se faz é prestar um desserviço à evolução política do país. Tenta se esconder da população o já constatado aumento dos gastos públicos que vem sendo financiado à custa do aumento da carga tributária e do corte dos investimentos. Nada se fala a respeito de que, ao chegar aos 39% do PIB — índice de país de Primeiro Mundo — o peso dos impostos converteu-se numa maneira de aumentar a informalidade, a sonegação, diminuir os investimentos, que não são suficientes para manter coisas básicas como estradas, e, principalmente estrangular a iniciativa privada massacrando as micro e pequenas empresas e os trabalhadores, em especial a classe média, que não tem como fugir dos impostos.
Infelizmente Lulla da Silva não fala nada sobre como irá desarmar esta armadilha fiscal que massacra e aumenta a inadimplência das pessoas físicas e jurídicas. Menos ainda toca em questões fundamentais como a da reforma política ou trabalhista. Seja quem for o próximo presidente não terá como fugir de tais problemas até porque a questão do desenvolvimento terá, obrigatoriamente, um papel central nos debates eleitorais. Até mesmo o mais leigo dos leigos em economia sabe que o Brasil não poderá melhorar, por mais que o governo prometa desenvolvimento em longo prazo, com as ridículas taxas de crescimento de 2% em média que temos experimentado. E, neste ponto, Lulla da Silva está em desvantagem. Prometeu um espetáculo de crescimento e, até agora, somente produziu vôo de galinha.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

UM PROGRAMA NECESSÁRIO

Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, por iniciativa do Ministério da Fazenda, foi criado o Programa de Recuperação Fiscal-REFIS, por meio da Medida Provisória nº 1.923, de 06 de outubro de 1999, posteriormente transformada na Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000. A finalidade central do Refis era permitir a regularização das empresas e, por conseguinte, a geração de empregos e de renda.
Foi uma medida que, de certa forma, aliava à inteligência de não perdoar os tributos a um reconhecimento de que o governo passara do ponto, pois, ao mesmo tempo em que as pessoas físicas e jurídicas experimentavam dificuldades e perda de rendas, acentuava-se um brutal aumento da carga tributária. Ocorre que a medida não era unânime nem dentro do próprio governo no qual alguns setores, mais interresados no aumento da receita que no desenvolvimento, criaram barreiras que afetaram o desempenho do programa e sua eficácia, inclusive cortando o benefício para quem viesse a não pagar impostos e criando uma confissão de divida irrevogável e irretratável e até, pasmem, garantias para o valor do débito. Com tais tipos de exigências, embora tenha surtido algum efeito o Refis ficou muito aquém dos resultados que poderiam ser alcançados.
A situação daquela época esta um pouco pior agora. São inúmeras as dificuldades com que se debatem as pessoas físicas, que tiveram um aumento da inadimplência em 2005 de 15%, bem como das pessoas jurídicas o que exige, por parte do Ministério da Fazenda, uma revisão dos seus conceitos e a sensibilidade para criar um novo programa semelhante ao Refis. Um programa deste tipo, por meio de uma MP ou adendo a uma MP em tramitação no Congresso, pela simples abertura de um novo prazo para adesão ao antigo programa ou uma correção com melhoria de suas regras, representaria, de fato, um grande alívio para os que se encontram, atualmente, inadimplentes com o fisco e, muitos deles, com declarações das dividas, mas sem a necessária capacidade financeira para fazer face aos pagamentos requeridos. È preciso verificar que quem declara e não paga não o faz, na maioria, das vezes por desejo de não pagar, mas sim pelas dificuldades advindas da excessiva carga tributária que massacra, em especial, os que vivem de salários.
Atente-se para o fato de que esta proposta tem a vantagem de elevar a arrecadação na medida em que, de imediato, muitos que não tem como pagar tudo irão pagando paulatinamente, bem como irá regularizar a situação fiscal de milhares de pessoas e empresas que reabilitadas poderão contribuir para o aumento da renda, do emprego e do desenvolvimento. É tempo do governo Lulla da Silva criar um pouco de sensibilidade em relação aos que tem imensa dificuldade em suportar a carga fiscal, em especial as micro e pequenas empresas.

domingo, fevereiro 12, 2006

O TÚMULO DA REPRESENTAÇÃO

A salvação de Pedro Henry, tido, havido e apontado por Roberto Jefferson como um dos operadores do “mensalão” deixa um forte cheiro de pizza no ar. Nem adianta os líderes negarem que há acordão, ou acordinho, o mal está feito e a indignação dos que pensam somente aumenta e diminui o respeito que o Legislativo deveria merecer, mas teima em deslustrar. Infelizmente invés de tomar o caminho da limpeza este tipo de comportamento reforça o estereotipo de que político somente liga para si mesmo e quer saber é de se dar bem. Até o ar de morto-vivo de Aldo Rebelo lembra uma sepultura e o Congresso caminha para se transformar numa imensa cova da política brasileira. Se existia uma distância enorme entre os desejos da população e o comportamento dos parlamentares, agora, parece existir um abismo.
È verdade que ainda existe uma imensa fila de possíveis cassados que engloba, no momento, 11 deputados, todos com o as mãos manchadas com o dinheiro, que dizem não ter marcas, porém tem o cheiro e a lama do valerioduto. O PT tem, nada mais nada menos, que cinco representantes. Mais quatro são do PP. O PFL e o PL respondem pelos dois restantes. Um senhor elenco de mágicos das maracutaias. Não são, como poderia parecer, figurinhas do baixo clero. Basta ver que há um ex-presidente da Câmara (João Paulo Cunha), um presidente de partido (Pedro Corrêa), um ex-participante da famosa CPI do Banestado (José Mentor) e um andarilho das marmotas, com passagens até por Rondônia, cujo incrível coração somente não se abala para receber dinheiro sujo. Janene, um caso raríssimo de doença oportuna, já fez de tudo que foi possível, de ameaça ao choro desabrido, para escapar, apesar de envolvido até o pescoço no escândalo do “mensalão”. Este, como se viu com um deputado menor jogado às feras enquanto Pedro Henry era inocentado, é apontado como o inventor da estratégia de poupar os figurões entregando as piabas do baixo clero.
O grande problema é que, apesar das negativas, os documentos e os depoimentos demonstram que os que se dizem inocentes carregam o imenso fardo da culpa. Se julgados à luz dos fatos não escaparão. Trazem as marcas dos crimes nas mãos, no rosto, nas desculpas esfarrapadas. Não só passaram por cima das normas legais também enlamearam os mandatos que teimam em querer preservar mesmo quando já não possuem sequer resquício de decoro. Por suas ações não perdem nada a Câmara, os partidos, o país nem os eleitores que neles votaram. Também, agora, não importa se permanecem, ou não. A absolvição de Pedro Henry, com todas as provas que cercaram sua ação, deixa patente que as cassações não dependem da culpa e sim dos conchavos, das mediações, das mutretas. É um melancólico fim para um poder que deveria representar o povo.

sábado, fevereiro 11, 2006

A SOLUÇÃO É LOCAL

Fontes do Palácio Tancredo Neves dão conta que o prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho, vai até Brasília com uma declaração de estado de emergência para o Município que só assina se tiver certeza de que receberá recursos para combater a dengue e a malária que grassa pela cidade. A alegação de Sobrinho é a de que não possui recursos para fazer um combate eficaz ao problema. Não deixa de ser um grande contraste com a época da campanha eleitoral quando, possivelmente de modo honesto, mas pouco real, não havia problema algum para transformar Porto Velho com o “novo jeito” de governar.
Na verdade não há novo jeito para velhas coisas. A ilusão de muitos aspirantes a governo é o de que basta sua chegada ao poder para modificar as coisas. Não é assim. Qualquer governo não é uma lousa virgem na qual vai se escrever o que se deseja. È muito mais real pensar numa corrida de obstáculos na qual não se chegará a bom termo sem paciência, manutenção do ritmo e, por melhor que se seja, muitas feridas no corpo. E o ideal é que, para tanto, haja um planejamento, uma visão de futuro, uma antecipação dos obstáculos e, principalmente, a minimização de problemas futuros pela manutenção do existente. Aqui, infelizmente, a falta de experiência da administração municipal petista parece repetir a experiência já acontecida em outros lugares, em especial em Ji-Paraná.
Trata-se essencialmente da questão da manutenção das vias públicas, da limpeza de esgotos e bueiros, de tapar buracos enquanto não se tornam crateras. No ano passado, um trabalho que era feito regular e sistematicamente, não foi realizado que era o de recuperação dos rolamentos e limpeza de bueiros e esgotos. O resultado não se fez esperar. Muitas avenidas e ruas se transformaram em verdadeiros rios, com as chuvas, e mesmo quando baixaram, em muitas áreas, com a ajuda do lixo, criaram águas paradas que se transformaram num criatório de dengue. Até mesmo buracos no asfalto fizeram tal função até porque, o modo pouco eficaz como tapam os buracos, se torna uma forma quase automática de derramar asfalto nos buracos sem que tais remendos durem muito.
Claro que o desastre que assistimos, agora, está além das forças municipais, no entanto também é evidente sua grande contribuição. Embora o mal esteja feito, e o notável aumento das estatísticas e dos casos não notificados de dengue e de malária comprova, o importante, além de procurar remendar o possível, é que o prefeito, que ainda tem tempo de se recuperar do malogro atual, se conscientize de que se faz imprescindível tomar certas providências no tempo adequado e contando com as pessoas certas para os lugares certos. Muitas vezes a vontade da juventude ilude que é capaz de resolver os problemas, porém a história mostra que é sempre mais seguro contar com quem tem o conhecimento e a experiência necessária para fazer as coisas certas no tempo certo. È duvidoso que o prefeito consiga algo de positivo em Brasília, no entanto se fizer uns acertos, como parece disposto, na sua equipe, o resultado, no próximo ano, se fará sentir. A questão é a de trabalhar. Bem e certo.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

EXAUSTÃO TRIBUTÁRIA

O peso dos tributos sobre as empresas e as pessoas físicas, até melhor classificando, o fardo tributário se tornou insuportável. Entre os cidadãos, principalmente levando em conta os péssimos serviços públicos, e as destinações aos “erros” pouco esclarecidos levam a que se desenhe uma revolta surda, mas que tende a ganhar densidade e voz. Não é fácil ao comum dos brasileiros nem compreender nem aceitar a rede de leis, regulamentações e manipulações que cercam a cobrança dos tributos e que, por mais que as autoridades neguem, resultam sempre em maior elevação da carga tributária, suportada pelo povo ao adquirir mercadorias e serviços.
Todos sabem, e vários especialistas reclamam a respeito, que um sistema bom de impostos deve ser simples, no sentido de facilmente compreensível, fácil de ser pago e de acordo com a capacidade de pagamento dos contribuintes. Ou seja, é o oposto do sistema brasileiro cuja complexidade da legislação que rege impostos, taxas e contribuições se alia uma voracidade cada vez maior do Estado que vem, sucessivamente, elevando sua participação na renda nacional e, conseqüentemente, sufocando o setor privado.
Na verdade também é como se houvesse, e certamente há algo de mefistótelico na forma, dos que fazem a legislação tributária, como sabem que se houver uma compreensão clara dos custos e da dimensão do que estão retirando, se valem de meios oblíquos para aumentar a mordida. No fundo reconhecem a injustiça do tributo, que se vista, e dimensionada sua abusividade, provocaria reações de revolta, rejeição e resistência, daí a forma mistificadora com que são introduzidos artigos e/ou incisos que acabam por, de forma capciosa, aumentar a carga tributária.
Esta ação fica bem patente quando, por exemplo, em MP dita do “Bem” se procura introduzir mais impostos ou, como agora, quando se eleva o teto das micros e das pequenas para beneficiá-las, porém, concomitantemente, se alteram as alíquotas entre os intervalos de faturamento levando a que, no fim, as empresas paguem mais. Acrescente-se que, além disto, o governo por comodidade própria passou a arrecadar os impostos nos estabelecimentos industriais, comerciais, importadores, produtores de serviços. Na verdade , por conveniência, e com o beneplácito explícito de sentenças judiciais, se desrespeita o fato gerador que é a venda para cobrar diretamente dos que criam a produção da riqueza. É mais fácil cobrar os tributos nessa etapa do que dos consumidores das mercadorias e serviços, espalhados pelo país, mas isto não somente desrespeita a lei como aumenta os custos da produção. Antes de receber a mercadoria já se cobra o ICMS, ou seja, é a descapitalização, principalmente dos pequenos. E ainda criam pesadas multas quando as empresas não pagam. É lógico que tal sistema também aumenta o custo final das mercadorias e serviços, porém as autoridades fazendárias agem como se este processo pudesse se manter infinitamente. È impossível. Os sinais de exaustão são visíveis e, se não houver, uma diminuição da carga tributária, certamente, uma forte revolta pública não tardará a acontecer.

sábado, janeiro 28, 2006

A FLOR DO LODO

Que o instituto da reeleição presidencial, uma cópia indevida de práticas de outras culturas, adotada entre nós, se tornou uma excrescência o prova a situação atual. Apesar da completa falta de legitimidade do governo Lulla da Silva, com todas as suas principais figuras do Ministério e partido, senão apeadas, pelo menos, publicamente desmoralizadas a ponto de, no seu principal reduto, São Paulo, não ter um candidato viável ao governo. Ainda assim permite que, pelo uso da máquina, que favorece a persistência de laços políticos e eleitorais, pelo conluio de associações de interesses e de alianças de cúpula, amparados, principalmente no Caixa 2 proveniente do Estado, se permite à manipulação explícita das situações, de tal forma que os crimes mais claros são pasteurizados como práticas comuns a todos os partidos ou apenas como tentativa de apressar a corrida eleitoral. A desfaçatez das manipulações é tão grande que a TV Globo, com o auxílio do Ibope e da revista Isto É, chega a ocultar resultados da pesquisa de intenção de votos para favorecer o governo ou, como fez, agora, o jornal O Globo, cria uma enquête para afirmar, o que deve ter acontecido se somente permitiram os votos de petistas favorecidos pelo esquema, que 55% da opinião pública entende que Lulla deve se candidatar de novo. Puro exercício de imprensa áulica.
A questão, porém ultrapassa as meras manipulações da opinião pública por meio da imprensa. O certo é que, como os interesses imediatos da reeleição comandam as ações, acontecem, como foi a quebra da verticalidade das alianças eleitorais, ações isoladas que, sob o ponto de vista da organização do Estado, inviabiliza os esforços já despendidos para preservar a integridade da organização partidária brasileira, com o único fito de frustrar as negociações de base e permitir arranjos de interesse do governo atual. Nada se fez, no entanto, para, por exemplo, criar o voto distrital ou reformular, de fato, a legislação partidária e eleitoral. No fundo tudo gira em torno do curto prazo, em torno do imediatismo.
O discurso que Lulla difundiu nestes três anos de governo, mesmo se não confere com as pregações anteriores dele e do partido, parece não importar. Não há mesmo nem a preocupação de dar um mínimo de coerência entre o que se dizia, o que se diz. A única bússola do atual governo são os números das pesquisas de opinião. E a essência de discurso, uma linha mestra, central, espécie de eixo racional, é o apego à imagem de Lulla da Silva como o “salvador”. Este culto à personalidade do Chefe, a exaltação das suas virtudes e o reconhecimento das suas obras, bastante contestadas, é a base factual do discurso. No fundo se deseja transformar o escândalo, denunciado pelos próprios aliados petistas, numa prova da infalibilidade do chefe. O cerne do discurso é, portanto mostrar Lulla como um mártir que, ao melhorar a vida dos pobres, está sendo sacrificado por isto. Ou seja, querem extrair uma flor do lodo. Como no Brasil tudo é possível....

quinta-feira, janeiro 26, 2006

A FARSA EM DECOMPOSIÇÃO

Embora o governo insista em negar a existência, no seu interior, de uma quadrilha capaz de assaltar os cofres públicos e tenha mesmo externado a opinião de que já apanhou demais, no entanto o furor com que, como um rolo compressor, tenta evitar as investigações levanta, mesmo nos menos avisados, as suspeitas mais sombrias sobre sua atuação. Qual a razão, para que um governo que se diz tão limpo, fugir com tanta pressa das investigações, impedir o fornecimento de documentos e até recorrer à Justiça para que não seja dado acesso a documentos em poder da Polícia Federal? E, malgrado a negação da existência do Mensalão, as demissões, os expurgos e até as doenças súbitas de ilustres companheiros, ou aliados, são de molde a induzir que, quem encosta-se a Lulla da Silva, por mais brilhante que seja seu passado, termina apresentando um comportamento que é oposto do que pregaram durante tanto tempo e, por isto mesmo, estão sendo enterrados publicamente.
O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, mesmo sendo tratado a pão de ló na CPI dos Correios, não deixou de parecer uma daquelas almas penadas de prisão, fantasma que desfila com uma bola no pé. É, no mínimo, uma zombaria ainda ter a coragem pública de, mesmo de forma indireta, defender seus ex-companheiros de Prefeitura e afirmar, sem pestanejar nem ficar vermelho, que todos os problemas que por lá apareceram se deve a manipulações. Um imenso conluio que, certamente, deve ter contado com seus próprios ex-companheiros na medida em que episódios como o dinheiro proveniente de Cuba ou os repasses de recursos para a direção do PT não são afirmações dos outros partidos e sim denúncias do chamado “fogo amigo”. Da onça, certamente.
O pior é que o governo, que, supostamente, iria salvar o país dos bandidos, dos que assaltavam os cofres públicos, não consegue se livrar da suspeita generalizada de que não apenas o PT como o próprio Palácio do Planalto, no poder, produziu o inverso do esperado e, com mais afinco do que os governos passados, foi ao pote e impede de todas as formas possíveis a descoberta de suas patifarias, inclusive inventando desculpas como a do Caixa 2, dos empréstimos e, por fim, uma tentativa de acórdão para paralisar todas as investigações em andamento. O grande problema é que a lama do valerioduto causou interrogações que não podem ser controladas. Não adianta querer transformar, malandramente, denúncias tão fortes em mero discurso eleitoral. Mesmo com as CPIs subjugadas, com o engodo oficial do discurso dos “erros”, do “não sei de nada” e a alegação pouco comprovada de que “nunca um governo fez tanto” e, apesar dos sindicalistas e ONGs pelegas, a opinião pública segue exigindo, cobrando punição. E não vai adiantar impedir o acesso a conta de Duda Mendonça no BankBoston de Miami (a Dusseldorf) nem aos papéis sob a guarda da Receita Federal, pois ao agir assim, o governo afunda, cada vez mais, no pântano da crise e a lama que respinga pode até ser encoberta pelas manipulações das pesquisas, porém, nas eleições, o povo brasileiro dará sua resposta a toda esta gigantesca farsa.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

OS LIMITES DO IMPÉRIO

Condoellezza Rice já havia sido mais do que explícita: “O poder conta”. Agora Bush, tendo como ouvinte, Angela Merkel, a Chanceler da Alemanha, perguntado sobre o escândalo de Guantanamo, rasgou a fantasia e mostrou a face imperial norte-americana: a questão-disse-não é da humanidade, mas, acima de tudo, da segurança do povo americano. Ou seja, os limites dos direitos humanos estão subordinados, claramente, à segurança do império. Ao mandar para as calendas gregas qualquer inspeção internacional na prisão, de fato, Bush reafirma o direito, mesmo contra a grita do Congresso, contra as denúncias das torturas em Abu Ghraib, os vôos secretos da CIA na Europa e na Ásia, ou da escuta sem permissão judicial dos telefones de suspeito ou da detenção indeterminada dos prisioneiros da guerra do Afeganistão, de, em nome da segurança, fazer o que bem quer sem qualquer supervisão interna ou externa.
O império norte-americano, pela voz de Bush se arroga o direito prioritário de defesa, para além das regras normais, da chamada Rule of Law ou do chamado de Estado de Direito. Manter, como tem sido mantidos, prisioneiros sem processos ou investigações, sem considerar o princípio básico da presunção da inocência, por tempo indeterminado, sem provas e apenas baseado na convicção de que cometeram crimes, atenta contra os mais comezinhos princípios da democracia, da liberdade e da justiça que, ao que consta, são os pilares da própria democracia norte-americana. Aliás, o direito de defesa é uma instituição tão consolidada, na cultura americana, que os próprios advogados norte-americanos, receosos da falta de defesa, fizeram uma oferta gratuita para acompanhar e defender Saddam Hussein no seu julgamento. Assim, ao utilizar o terrorismo como motivo para pairar além dos fundamentos da própria Constituição e do respeito aos direitos humanos, os Estados Unidos tornaram Guantanamo o próprio símbolo de seu poder imperial.
Mesmo que as explosões terroristas do World Trade Center tenham dado uma forte justificativa inicial ao governo, com a divulgação sobre as redes terroristas e sua capacidade de agressão, parte deste capital foi embora com as mentiras que cercaram a Guerra do Iraque. Hoje não somente o Congresso, como expressiva parte da opinião pública, desconfia que ações mantidas em segredo conduzam a um quadro de conspiração, de descontrole e ao risco de manipulações, como as agressões aos prisioneiros iraquianos demonstraram, que ameaçam a própria sanidade da democracia. Mas o recado foi claro: só o império determina seus próprios limites. Bush não poderia ser mais direto ao afirmar que a segurança justifica qualquer coisa. Um recado dito com tanta clareza, na Europa, vale com muito mais força no quintal.