Total de visualizações de página
quinta-feira, fevereiro 17, 2011
Os problemas não mudaram
É como se o tempo não passasse...
Silvio Persivo
A Economia ganhou, não sem razão, a denominação de “ciência triste”. A razão reside que, embora seja política e da política dependa, há certos aspectos qualitativos e quantitativos dos quais não se consegue fugir. Quando se fala em desenvolvimento, por exemplo, é impossível sua existência, que um país consiga crescer com qualidade de vida, se sua população não consome menos do que a renda nacional, de forma a permitir que parte do PIB seja composto de bens e serviços, não de consumo, mas, de poupança que possa se transformar em investimentos. Simplificando se a população consome 100% da renda nacional, a produção teria de ser toda composta apenas de bens e serviços de consumo, logo, tudo que se produz é apenas para manter o consumo e não se aumenta a capacidade de produzir no futuro, ou seja, não se aumentam as fábricas, os equipamentos, não se criam formas de ter uma produção futura maior. Isto só é possível se parte do produto total do país for composta de bens de capital (máquinas, equipamentos, estradas, pontes, etc., tudo aquilo que é chamado de “investimento”) quando a população deixa de consumir parte da sua renda, portanto, quando poupa e investe para aumentar a produção futura.
Assim, em economia, a poupança, a renda não gasta em consumo, é essencial para determinar a continuidade do crescimento e proporcionar o que desejamos que é não apenas crescer, mas, crescer com qualidade de vida, isto é, desenvolvimento. È verdade que o investimento pode ser, e no Brasil isto aconteceu e acontece muito, proporcionado por poupanças externas, porém, neste caso, o resultado, o lucro passa a ser, a pertencer, em grande parte, aos investidores externos. Em outras palavras, quando se fala em investimento nacional se conta com o investimento derivado da poupança nacional mais os investimentos feitos por investidores estrangeiros no Brasil com a poupança trazida do exterior. De qualquer forma não se pode fugir do fato de que se não há poupança não há investimento e a economia não cresce. Portanto, um dos pilares do crescimento econômico é o estímulo à poupança interna, pois, as pessoas somente se sentem estimuladas a poupar (que é a renúncia ao consumo presente) se recebem uma remuneração que lhes permita consumir mais lá na frente. Os economistas costumam dizer que existe um trade-off (troca) entre o presente e o futuro e que as pessoas com renda ganha, somente não consumem hoje, se podem investir para consumir mais amanhã. E, neste caso, é crucial o valor dos juros recebidos sobre a poupança. Ou seja, tem que valer a pena poupar e, no caso, não importa tanto que as taxas de juros aumentem ou diminuam, mas, que seja atrativo para o poupador. No caso brasileiro não é, além do fato de que, historicamente, por conta da inflação e das tungadas governamentais, poupar nunca foi um bom negócio. Daí, a poupança doméstica ser muito baixa, girar em torno de 19% enquanto, por exemplo, na China é de 40%. Assim o Brasil tem um nível de poupança muito baixo e, por isto, tem baixo nível de investimentos, logo, não pode pretender ter desenvolvimento sustentado, pois, a sua poupança e o seu investimento não lhe dão sustentação. E o governo é deficitário crônico, com uma dívida pública muito alta, que o faz disputar recursos com o setor privado, ser o principal responsável pela inflação, que, em última análise, é a razão que leva o Banco Central a elevar as taxas de juros. Como isto é feito para buscar recursos para pagar os juros da dívida o resultado é o que se vê : o governo privilegia o setor financeiro e não o produtivo. É um processo que, entra governo e sai governo, só muda a intensidade, mas, continua o mesmo e não se vê nenhuma solução visível. Nossos problemas continuam os mesmos de dez anos atrás.
sábado, fevereiro 12, 2011
Não vale olhar para o lado
As mudanças que acontecem no Egito me fazem refletir sobre a nossa realidade e sobre o que nos leva a ser tão apáticos em relação ao ambiente que nos cerca. Pode até ser uma impressão errônea, mas, nós temos no imaginário que o Brasil, apesar de ter mudado, na essência não muda. Não tem, como no presente caso, contra um ditador um posicionamento tão forte, tão determinado, tão positivo ao ponto de fazer com que a razão prepondere sobre as armas porque, se sabe que lá, o sangue há de correr. Aqui o que corre mesmo é o suor embalado pelos pandeiros do carnaval e os grandes gritos são o de gol nos nossos estádios de futebol.
Pode até alguém lembrar que houve a grande movimentação pelas “Diretas já” ou mesmo o movimento dos caras pintadas contra Collor. Bem, como “o tempo é o senhor da razão” o que, com o tempo se comprovou, é que a movimentação, realmente, foi maior, o clima foi de empolgação, porém, havia mais disputa e desejo de poder que modificações reais. Basta verificar que o que se buscava no passado era o que se continua buscando: construir um país moderno onde o cidadão não dependa eternamente do estado, que tenha voz e tenha vez. Infelizmente, neste sentido, como no famoso romance “mudamos para que nada mude”.
É só verificar que os problemas, com exceção da inflação menor, parecem uma eterna repetição. Assim, como pela manhã o sol nasce, todo início do ano, nos deparamos com o crescimento da inflação, na esteira da alta dos gastos típicos sazonais, como matrículas e mensalidades escolares, IPTU, IPVA e, mais recentemente, dos preços dos alimentos, cujo valor deixou de ser cotado pela demanda dos consumidores, passando a ser obra da fome dos jogadores dos mercados futuros globais. Até o que muda vem, de fora, que é a ganância dos que transformaram o preço da comida em commodities e fonte de lucros especulativos, numa perversão social de difícil aceitação por qualquer um que não participe dos cassinos globais ou não sejam intoxicados pelo noticiário do cartel da mídia. Previsivelmente sobem, em quase todas as cidades, o preço das tarifas de transporte coletivo e os preços dos aluguéis.
Ultimamente existe a manobra sanfona, instituída para ganhar eleições, que, agora mesmo acontece, nos dois primeiros anos de governo se contém os gastos para, nos dois últimos, fazer uma farra que leva a reeleição ou a eleição do sucessor usando a máquina pública. Nada novo mesmo. Talvez a única coisa nova seja a perversão, também previsível no começo do ano, do Banco Central elevando juros, tendo como álibi deter a inflação provocada pelo câmbio e pela especulação com commodities, o que é óbvio, está totalmente fora do alcance dos juros brasileiros. Mais do que patológico, este modus operandis, tornou-se o principal instrumento de transferência de renda para os especuladores externos que incharam a dívida interna saboreando um dos juros mais altos do mundo e sem taxação. Reformas? Também se fala nelas, como agora se fala, no início do governo, também para que nada se mude. A realidade é a de que a carga tributária subiu, o custo interno da produção mais ainda, o país perde seu mercado interno para produtos chineses e indústrias até para os países vizinhos. A população embalada no samba, no futebol e no crédito nem liga para questões econômicas que são entediantes e chatas. Caminha na mesmice endividada e feliz batendo palmas para quem a conserva deitada em berço esplêndido de miséria e slogans. E daqui a pouco acaba acreditando que “País rico é país sem miséria” de tanta propaganda. O problema é que não vale olhar para o lado.
sábado, fevereiro 05, 2011
O direito à bobagem é universal
A tradição bacharelesca brasileira é conhecida. Sendo uma sociedade nova, relativamente sem tradição, seria de se esperar que tivéssemos uma legislação enxuta, o que não é verdade. Em matéria de leis temos um cipoal que garante tudo, principalmente, depois da Constituição de 1988, nós, no papel, temos direito à quase tudo: saúde, educação, trabalho e o escambau. Papel mesmo de Constituição pega tudo. O que ninguém explica é como estes direitos serão assegurados. Até em campanha eleitoral, num ápice de cara de pau, o ex-presidente Lula da Silva, para justificar o fracasso do seu governo na área, chegou ao cúmulo de dizer que o atendimento do SUS era de primeiro mundo! Se ele não tivesse viajado tanto...até se explicaria.
Nós, economistas, no entanto, sempre procuramos explicar que não existe almoço grátis. Ou seja, se alguém come sem pagar é porque outro produz para que exista o que comer. O governo, por si mesmo, não produz nada, logo, de onde vem sua receita, sua capacidade de oferecer serviços? Dos impostos que são uma parcela do que a sociedade produz. Assim, para se assegurar que haja um tipo qualquer de serviço, é preciso que, além de se arrecadar o imposto do setor privado, o governo seja capaz de gerir bem os recursos para que este serviço seja oferecido. A grande realidade dos governos, em especial os brasileiros, é que são muito bons em cobrar impostos e péssimos em gerir os recursos que são, em geral, desperdiçados com a manutenção da máquina pública, afora os desvios derivados da corrupção. Se cobra mais recursos, por exemplo, para a saúde, porém, não se fala que a saúde é um sorvedouro de recursos. Bastaria ser melhor administrada para que os recursos sobrassem. O grande, e constatado absurdo em relação ao Brasil, é que temos uma carga tributária de primeiro mundo com serviços de quarto. E, para piorar, quem paga imposto no Brasil é o assalariado e não as empresas, daí, a classe média, real, não a abstração das pesquisas de mercado, ter caído dolorosamente, em especial, militares, professores, funcionários públicos que eram melhores pagos e, hoje, se encontram tentando fechar o mês.
Não é pretensão destas linhas resolver os problemas nacionais. O Brasil, hoje, vive bem nas manchetes, mas, perdeu competitividade, perdeu capacidade produtiva. É um país agrário-exportador de novo e, de novo, defasado em ciência e tecnologia. Não vou discutir com a propaganda maciça, do governo que afirma que melhoramos, mas, como um país pode melhorar se sua produção piora? E prometem resolver tudo. Sempre amanhã. Agora surgiu mais uma brincadeira interessante. Nos fins do ano passado foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado a denominada Emenda Constitucional da Felicidade, que introduz no artigo 6.º da Constituição federal, relativo aos direitos sociais, uma frase com a menção de que são estes essenciais à busca da felicidade. De forma que pretende-se alterar nossa Carta Magna para direcionar os direitos sociais à realização da felicidade individual e coletiva. Ho!Ho! É o máximo de ignorância absoluta obter a felicidade a golpes de artigos de lei. É uma maravilha garantir condições mínimas de vida e "elevar o sentimento ou estado de espírito que invariavelmente é a felicidade ao patamar de um autêntico direito". Em suma, o emburrecimento geral chegou ao ponto que não devemos pensar nem discutir mais nada. Vamos ser felizes por obra e graça da Constituição. Só falta, agora, criarmos a Carta Universal de Direitos Humanos de Emburrecimento e de Direito à Bobagem. E, que me desculpe Tiririca, mas, pior do que está parece que a coisa vai ficar!
domingo, janeiro 23, 2011
O poder escancarado e sem máscaras faz o que quer
A volta dos que nunca se foram
Leio comentários de analistas, e até mesmo de pessoas comuns, criticando que, depois de passada a eleição presidencial, com a vitória de Dilma Rousseff, se anuncia a volta de membros do Partido dos Trabalhadores que, a bem da verdade, nunca foram deixados de lado. Somente esperavam a oportunidade para reaparecer. Assim, não me parece nem novidade nem espantoso, que alguns dos caciques petistas, por conveniência defenestrados do poder por conta do envolvimento em episódios de corrupção, estejam de volta. É claro que os casos mais clamorosos são o do ex-deputado e ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, e de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido, que estiveram envolvidos até o pescoço no chamado “escândalo do mensalão”, porém, há muitos mais que, passada a tempestade estão por aí gozando as benesses do poder.
Devo dizer que não sei mesmo qual o espanto. As indicações da “reabilitação” de petistas são históricas e notórias e começaram com o próprio Lula da Silva que jamais colocou em xeque seus aliados que, ao contrário dos outros, que cometem crimes, só cometem “erros” ou possuem “despesas não contabilizadas”. Efetivamente, por exemplo, José Dirceu, jamais esteve ausente das hostes petistas manobrando, apesar de ter oficialmente perdido seus direitos políticos, nos bastidores com uma desenvoltura não menor do que seu antagonista e detonador do “mensalão”, o presidente informal do PTB, Roberto Jefferson. Sabe-se que Zé Dirceu não apenas costurou acordos como foi vital para impor certas situações políticas, como nos bastidores se diz a respeito de Minas Gerais e do Ceará. Suas viagens pelo país, em jatinhos, por menos noticiadas que tenham sido, geraram fatos e demonstram que sua atividade política tem sido permanente. Ou seja, mesmo sem cargos, mesmo desprovido do mandato político, manteve-se sempre muito próximo do centro do poder neste tempo todo de domínio petista. Delúbio, é verdade, o mais estigmatizado, manteve obsequioso silêncio e, nas raras vezes, em que quis colocar a cabeça de fora foi advertido. Com razão na medida em que tesoureiro sem utilidade só atrapalha.
Embora estejamos nos tempos do Ficha Limpa, que foi defendido por interesses notórios do PT que visavam ganhar, como ganharam, o governo do Distrito Federal, ficha suja não existe no partido até porque, como disse explicitamente o líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), “nenhuma pena é eterna”. Porém, o perdão dos companheiros, que se ensaiava, se tornou impossível de não ser dado depois que, na posse, uma serelepe ex-ministra Chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, apareceu perdoada por um inquérito interno do governo. Assim, com tanta bondade no ar, qual a surpresa que, no ano em que o escândalo do “mensalão” deve começar a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a estratégia petista reabilite os que nunca se foram para desqualificar a dimensão dada ao caso e vender a versão de Lula de que tudo não passou de uma ficção para depô-lo do cargo? É só a continuidade da tarefa anunciada por Lula, em cujo governo vicejaram esta e outras denúncias de corrupção, da empreitada de desmistificar a existência do “mensalão”. Que providência mais efetiva para isto que reabilitar os inocentes companheiros? E, como Palocci já foi inocentado, e Genoíno convidado para ser assessor do Ministério de Defesa, que melhor ataque pode existir que resgatar a imagem de notórias personagens políticas atoladas em passado recente num lodaçal de denúncias.
Não importa que o procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza, tenha apontado a existência de uma verdadeira organização criminosa envolvendo políticos, empresários, publicitários e doleiros num grande esquema de compra de apoio político. Nem que a estimativa do procurador seja de que a quadrilha girou em torno de R$ 55 milhões (aliás, uma imensa subestimação) e tenha imputado aos envolvidos os crimes de corrupção ativa, passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, peculato e falsidade ideológica. Para o projeto de poder petista a inocência deles é perene e justificada. Sem eles não haveria a tomada de poder. Por esta razão, de fato, não se trata de uma volta. Eles nunca foram.
quarta-feira, janeiro 19, 2011
A Tragédia real
A tragédia de sermos o país do futuro
Silvio Persivo
Tragédias são coisas lamentáveis. Tragédias brasileiras são, a meu ver, coisas cotidianas na medida em que vivemos a tragédia permanente da mais completa falta de educação. É o que constato em relação a tragédia da região serrana do Rio de Janeiro e da afirmação, no mínimo, risível de que, finalmente, irá se implantar um sistema moderno de prevenção de tragédias como esta última. Não quero parecer indiferente, nem tampouco crítico ou profeta de coisas acontecidas, mas, quem não sabe que a situação é a mesma em vários pontos do país na qual a miséria ou apenas o poder desrespeitando as leis se estabelece em áreas que não poderiam ser ocupadas? Já tive, em tempos passados, a função de implantar planos urbanos e, bem sei, como são desrespeitados e até mesmo destruídos pelas forças econômicas e políticas que não vêem senão os interesses imediatos.
Nem sabor de novidade, exceto na sua extensão, a tragédia tem, pois, Angra dos Reis, passou por um processo similar na passagem de 2009 para 2010, quando o Rio de Janeiro foi sacudido por uma tragédia igual de proporções menores. O que aconteceu? Lembro que logo depois começaram a bater os tambores e os tamborins anunciando o carnaval e o Brasil caiu no samba esquecido e curado, as providências adiadas como sempre, e tudo ficou como antes soterrado pelos ecos da folia. Este ano o carnaval será mais tarde e a tragédia foi maior, porém, quem duvida que o esquecimento será o mesmo? Não tenho a menor dúvida de que tragédia que, hoje, ocupa longas horas dos noticiários será relegada a segundo plano para dar passagem à alegoria carnavalesca e, depois dela, ao futebol, de forma que na folia e na bola continuaremos a esperar que as tragédias anunciadas não retornem, embora, os lúcidos, normalmente, ébrios, saibam que um país que desgraça sua juventude com a inércia e a falta de estudos não tem futuro.
Não, meus amigos, não pensem que estou amargo neste começo de ano. Estou bem comigo mesmo. Talvez nunca estive tão consciente da minha pequenez e de que sou uma pobre e teimosa voz a desejar que o Brasil dê certo, como disse Caetano Veloso, porque eu quero. O fato, porém, é que brigo, discuto, contrário meus próprios interesses para ser fiel a princípios e vejo que é uma luta vã. A tragédia real não é a da natureza que sempre causará problemas, mas, sim a triste, amarga e molhada, não da chuva, mas, das lágrimas que a ignorância coletiva cultua de não construirmos um amanhã melhor pela educação, que é mera palavra para discursos políticos. Não serão as bolsas misérias, nem as ajudas festeiras de última hora que darão dignidade aos brasileiros. Cidadania só existe como afirmação pessoal, como oposição ao outro, por isto não se outorga, não se dá. É preciso que se conquiste. A tragédia brasileira real é de esperarmos a libertação como uma dádiva. Não é. O Brasil sem tragédias só existirá quando houver educação e representatividade política. Enquanto isto não existir seremos o eterno país do futuro.
domingo, janeiro 02, 2011
O verdadeiro tamanho do desafio

É bem verdade que, no Brasil, as coisas só começam de fato depois do carnaval. No entanto, a posse de Dilma significa, na prática, o apito inicial do jogo. O recado das urnas foi o mais claro possível: as forças produtivas, as forças modernas do país, estão descontentes e exigem mudança. É verdade que, aliado ao coronelismo, o clientelismo oficial ganhou a eleição e um prazo de continuidade, porém, a um preço muito elevado, que o novo ministério, uma eclética junção de interesses contrastantes, obriga a ter uma dose muito grande de força para que alguma coisa ande, mas, se não andar o bicho pega.
A realidade de nosso país foi obscurecida pela enceradeira de Lula da Silva. Dando brilho ao piso ruim foi empurrando com a barriga, adiando as decisões necessárias e chegamos onde estamos: grande parte da população feliz de estar endividada, uma invasão de produtos chineses que desindustrializa o país e voltamos a ser agrário-exportadores, ao mundo pré-Juscelino até no toque pai dos pobres do governo passado. A propaganda oficial pode fazer tudo: pintar a vida de cor de rosa, eleger Dilma, tornar Lula um estadista, esconder a realidade da saúde, da educação e da infraestrutura aos pedaços, todavia, não tem como sustentar a situação econômica de um país que vem perdendo produção, empregos de qualidade e, especialmente, agregação de valor aos produtos e competitividade. A transferência de renda depende dos setores econômicos que produzem, porém, estes estão estafados de carga tributária elevada, de burocracia, de crédito caro e de sustentar uma ciranda de juros exorbitantes que somente serve aos banqueiros e aos rentistas.
È claro que o Brasil não vai piorar embora possa. Deve por um tempo continuar no mesmo ramerame. A questão é que o modelo que sustentou o PT, que é mais eleitoral e de propaganda que de crescimento real, está chegando aos seus limites e, na hora, em que o sempre bafejado Lula, o prestigiador das palavras, cai fora. A fórmula parece querer ser aplicar o mesmo modelo. Depois da gastança na farra eleitoral, o arrocho de mais dois anos e a volta da farra com um crescimento recorde para “mostrar” que tudo mudou. Nada mudou porque as bases são as mesmas. Lula com seu PACs e sua retórica de crescimento, apesar de ter pego céu de brigadeiro, durante todo o seu vôo, conseguiu, na média, 3,5% de crescimento contra 2,5% de Fernando Henrique, pegando crises e arrumando a casa, e conclui seu mandato com um produto e participação menor em relação ao resto do mundo. Ou seja, o país continuou seu voo de galinha e diminuiu de peso, embora, tenha a seu favor ter ligeiramente melhorado as condições de vida da base da pirâmide. A questão continua a ser que, o que sustenta a economia, é a produção e a produção competitiva. Para isto precisamos de educação, carga tributária compatível com o grau de desenvolvimento, governo eficiente, desburocratização e poupança interna. È uma agenda, sob o ponto de vista técnico, de todos conhecida. Terá Dilma Roussef capacidade de enfrentar os desafios que Lula não enfrentou? Este é o tamanho do desafio da criatura.
quarta-feira, dezembro 29, 2010
Promessas de fim de ano

Inevitavelmente fim de ano é tempo de balanço. É tempo de lembranças, de teres e haveres, de pesar os prós e os contras. E quanto mais o tempo passa sempre parece que passa mais rápido e que somos mais felizes na medida em que morrem menos amigos e podemos contabilizar, pelo menos, a saúde e alguma estabilidade monetária, quando possível. A vida, porém, é isto mesmo. Uma sucessão de dias e noites que se guarda e se perde na memória até quando a própria memória se perde. Sinceramente, não me importa mais recordar o passado, que já ficou mesmo para trás. Escrevo em busca do novo, da esperança que o futuro, este indevassável e esperado tempo, traga os frutos doces que sempre desejamos degustar. Vida, daí-me o vinho e o amor e o resto que puder, por favor.
Não, meus amigos, não bebi. Estou mesmo, como é natural, até certo ponto nostálgico depois de um natal em que fiquei dois dias dormindo meio avariado. Também, não me venham com diagnósticos médicos, dizer que é efeito da tonteira. Não é. Encontro-me bem, encontro-me lúcido e contente comigo mesmo até onde se pode estar, pois, afinal, é próprio do ser humano estar sempre abaixo do que espera, exceto alguns iluminados, que, como não consegui estar, credito sempre à sorte, que podem se gabar de ter alcançado a glória que, como dizia Napoleão, é efêmera sim, porém, melhor que a obscuridade eterna. Posso dizer que a única embriaguez que me possui é a de final de ano, de ter ouvido umas músicas de Nara Leão, uns versos de Vinícius, de ter tentado em vão fazer alguma poesia, voltar a escrever alguma poesia, de vez que, na vida, não posso me queixar de que, apesar dos problemas, sempre tenho vivido o mais poeticamente que posso, amando o possível, mesmo com todo o sofrimento e a insatisfação que o amor sempre traz.
De que posso me queixar? De que jamais terei o amor que sonhei? Tive, tenho o amor possível. O amor real de tantas pessoas que seria uma ingratidão não dizer a elas, neste momento, muito obrigado. È muito mais do que se pode almejar, muito mais do que a fama ou o dinheiro, ter um amor, um amigo, onde sempre se pode despejar sua dor, buscar o afago, o carinho, a beleza de um momento que pode custar e ser apenas o prazer de estar ao lado ou, muitas vezes, a voz no telefone que se lembra de perguntar por você ou se queixa de que não liga, não escreve, não telefona, não passa um e-mail e nem sequer mais dá bolas pro Orkut, pro MSN, Facebook! Sou um relapso confesso. Faz tempo que não escrevo, nem telefono, nem vejo meus irmãos. Muitas vezes deixo pra lá meus mais queridos seres sem uma palavra, sem um gesto de amor. É que a lógica, esta assassina de sentimentos, me diz que eles todos, mulher, filhos, amigos, sabem que vivem no meu coração por mais distantes que estejam. Não é assim, lógica cruel. E, neste fim de ano, me penitencio: fui relapso. Meus amigos, meus amores, meus queridos, só posso lhes prometer um tratamento melhor em 2011, porém, não esperem muito. Vocês sabem como são as promessas de fim de ano.
domingo, dezembro 26, 2010
Razões para se sentir triste no Natal

Bem, meus amigos, há quem diga que o Natal é uma data massacrante. E não deixa de ter lá suas razões. Começa pelo fato de que, em outubro, passado o Dia das Crianças, já começa a aparecer Papai Noel de todo lado e, convenhamos, não existe figura mais deslocada entre nós do que Papai Noel. Sempre fico com pena de quem é contratado para fazer este personagem que, com tanta roupa, corre o risco de insolação e, ainda mais de barba, pode acabar com um fedor acre que só não espanta as criancinhas porquê, em geral, elas nem estão aí mesmo para sujeira. E me incomoda também que as roupas, como acontece com as àrvores de Natal e os enfeites, são guardadas e ressuscitadas, de forma que o Natal de hoje parece o do ano passado. E o dinheiro? Sempre falta dinheiro no Natal. Não me lembro um fim de ano, apesar das maravilhas que dizem dos atuais, onde o dinheiro sobre. Sempre fico com uma certa sensação de idiota, de que, durante o ano, não fiz o que podia, ou devia, para estar de novo assim e para ter mais dinheiro e poder dar mais presentes. Como o Falcão já dizia que “Dinheiro não é tudo, mas, é 100%” me rendo à evidência de que a falta dele me faz assim triste no Natal, no fim de ano.
Deixemos, porém, de ser materiais. Há outras razões fortes para me sentir triste no Natal. Entre elas, o fato de que sou mesmo muito sensível. E, neste quesito, muitos o são. Muitos terão seus motivos para ficarem reflexivos e emocionais por causa do Natal. É inevitável que, nesta época, se pense nos natais passados. No tempo em que meus pais eram vivos, na mesa larga e farta de uma Fortaleza que não existe mais, dos meus irmãos e suas brincadeiras, de um tempo no qual a missa era o ponto alto da festa e a ceia uma confraternização complementada pelos presentes e pela alegria. É certo que algo desta alegria, desta mágica, desta realidade foi perdida, além dos meus pais. O Natal, para mim, queira ou não, tem um certo gosto de saudade, uma certeza de que jamais será o mesmo.
Talvez, como me explica, uma amiga religiosa, meu problema seja a falta de fé. Ela me explica que, sendo imagem e semelhança de Deus, já sou perfeito (embora não seja esta sensação que sinto) e que não percebo que minha desconexão com Deus é que gera a ilusão de separação e, por conseqüência, todos os problemas que enfrento. E ao falar da fé verdadeira preconizada por Jesus, a fé do tamanho de um grão de mostarda, que remove montanhas, ela me incita a restabelecer a conexão cósmica com Deus. Na fé verdadeira há a gratidão total e absoluta pela conexão com Deus. Tudo muito bom, mas, fé não é como televisão, que é só encontrar o botão e ligar e sintonizar no canal. Não encontro em mim tanta fé assim por mais que procure o canal. Será por isto que me sinto triste no Natal?
Talvez não tenha encontrado o verdadeiro sentido do Natal. Natal representa o nascimento do homem que deu a vida por nós, que passou o que ninguém jamais passou pra salvar aqueles que o crucificaram. Natal é o nascimento daquele que mais nos amou- me dizem. A mensagem é linda. O sentido também, mas, não me toca. Jesus, para mim, é uma figura mítica, uma Atlântida religiosa. A prova de que os homens também fazem seus deuses. Enfim, curvo-me à certeza de que há muitas razões para se sentir triste no Natal. Este ano tive uma razão mais prosaica. Não sei o que comi ou, talvez, tenha sido uma virose. Sei que adoeci, mal comi e não bebi e, para um hedonista, um Natal assim é sempre motivo de tristeza. Espero que o seu Natal tenha sido ótimo por muitas outras razões também. De qualquer jeito, dizem que Natal para ser direito, tem que ser planejado. Vou planejar o próximo.
sábado, dezembro 18, 2010
COM MUITA SEDE AO POTE

Quando se fala em endividamento e inadimplência no Brasil havia, até pouco tempo atrás, uma certa racionalidade, uma sazonalidade no comportamento do consumidor que se caracterizava por, via de regra, alcançar seus níveis mais altos de endividamentos, e até mesmo incapacidade de pagar as contas, por volta do final do primeiro semestre. Havia nisto também uma lógica que nos parecia familiar que é a de que, com os gastos extras de fim de ano e as férias, se acabava por, lá por fim de março, começo de abril, se voltar a consumir e até mesmo comprar bens duráveis. O resultado era que, em junho, no máximo, julho as contas desandavam. E muitos devedores se moviam para regularizar a situação (limpar o nome) e procurar chegar em dezembro com crédito e capacidade de compras. Até meados desta década o comportamento era este.
Com o aumento do crédito, que dobrou no período Lula da Silva, e alguma melhoria da renda das classes mais baixas, que a propaganda política procura classificar como “a nova classe média”, a ordem e a sazonalidade desandaram de vez tanto que, para meu espanto, em termos nacionais, a inadimplência voltou a subir em novembro, segundo a Serasa Experian, sendo este o sétimo mês consecutivo em que isto acontece. Em parte porque, de fato, existem os novos consumidores, pessoas que não tinham condições de comprar muita coisa que, no momento, o crédito abundante favorece. As pessoas de classe mais pobre têm o que nós, economistas, denominamos de “propensão marginal a consumir”, ou seja, o dinheiro que entra é utilizado em consumo. E também raciocinam em termos absolutos. Explicando: não levam em consideração as taxas de juros ou o custo final. Sua lógica é a de se “cabe no orçamento”. Em suma, um televisor LCD se tem uma prestação de R$ 176,00, e ela pode ser paga, o custo final, muitas vezes, 2,3 vezes o valor do bem, não é levado em consideração. Decorre, daí, a euforia do consumo e o aparente contrasenso econômico que vivemos de existir crédito abundante com taxas de juros elevadas. Falta o que se denomina de planejamento financeiro. Falta o que se denomina de consumo consciente. O consumo é bom para a economia tanto que se prevê que a economia brasileira vai crescer 7,5%, mas, não pode ser fonte de endividamento permanente.
É fácil conseguir crédito, porém, não é barato. Nos Estados Unidos em crise os juros anuais estão na casa de 10,7% ao ano. Aqui, se paga, sem pensar muito, 4% ao mês que é um juros quase criminoso, mas, se chega a pagar no cheque especial o juros criminoso de 8% ao mês ou o assassino de cartão de crédito de 12% ao mes. Se, na pesquisa nacional do mês de novembro da Confederação Nacional do Comércio (CNC), em termos de Brasil, o número de famílias endividadas cresceu de 58,6% em outubro para 59,8% em novembro, em Porto Velho a inadimplência cresceu de 67% para 69% das famílias com o endividamento local continuando 15% maior que o nacional. Isto, aliado ao fato de que, mesmo com o pacote do Banco Central, o consumo não arrefeceu, mostra que, hoje, o brasileiro foi como muita sede ao pote do consumo e se encontra todo melado. Felizes e endividados. E a política monetária brasileira consegue ignorar que não é lógico, nem saudável, ter uma economia com crédito fácil e taxas de juros absurdas.
Ilustração: http://www.padero_rj.blogger.com.br/
quarta-feira, dezembro 08, 2010
A maturidade e os limites

Apesar do tempo ter passado e, hoje, ser um homem sexy, isto é, sexagenário, não fosse os problemas normais da idade, é fato que nunca antes me senti tão bem comigo mesmo até mesmo para perdoar meus erros e viver, dentro do possível, da melhor maneira. E devo dizer que, criado como fui, num tempo de grande repressão, com todos os problemas que, hoje, existem, sou um homem mais de hoje que de ontem. Ao contrário de muitos contemporâneos meus, não gostaria de voltar ao passado. Hoje, as facilidades da vida moderna, os computadores, os celulares, as bugigangas eletrônicas, a liberdade de opinião, os avanços da democracia tudo me parece melhor mesmo quando lamento algumas coisas perdidas que, invariavelmente, passam pela educação.
Entre elas três coisas, particularmente, me desgostam que são um sintoma da perda da tecnologia dos bons costumes, da delicadeza que, de certa forma, sempre foi uma marca mesmo dos brasileiros mais ignorantes. Uma deles é a assunção do politicamente correto que, para meu espanto, só funciona como uso político. Dizer certas palavras, contar certas piadas, que sempre serão motivo de riso, virou crime, porém, não é criminoso, por exemplo, a enxurrada de nomes feios que passaram a ser lugar comum. No passado até esculhambação era uma palavra horrorosa. Hoje parece infantil. A segunda é uma decorrência da primeira ou efeito. Que sei eu? Mas, não concordo, de forma alguma, com a ideia, que é quase unânime, da “cultura do coitadinho”. Por trás do crescimento da violência esta a ideia, para mim errônea, de que se alguém é criminoso foram às famosas “condições de vida”. Não acredito e mesmo abomino isto na medida em que, muitas vezes, outros tiveram condições piores e, no entanto, não são criminosos, logo, é para mim, uma questão pessoal. A culpa, creio, é individual. Há o que se chama de livre arbítrio.
Talvez a terceira coisa que muito me desgosta venha de que existe uma crença, quase generalizada, de que os pais não devem ser duros com os filhos. Não devem castigar e, pasmem, nem dar umas palmadas, hoje, se pode. Para mim esta crença costuma levar a família a ser permissiva, não cobrar, não exigir respeito, não exercer a autoridade parental. Isto contribui para a dificuldade que muitos pais têm de estabelecer as regras necessárias a uma educação saudável e eficiente, que construa relações de respeito mútuo e a noção de hierarquia dentro e fora da família. Talvez até tenha errado neste sentido por ter sido, mesmo com todo o amor e o respeito que meu pai me despertou, um libertário e, até certo ponto, um desregrado. Hoje, a maturidade me faz pensar que se deve ter um equilíbrio entre o afeto e o limite. Limite visto como uma fronteira que não deve ser ultrapassada. O limite serve para conter, para formar uma barreira de proteção, mas, não deve inibir a espontaneidade. Limite inclui saber dizer não, estabelecer regras e cobrar responsabilidade. Só com limites as pessoas podem obter o desenvolvimento de um senso de justiça, de respeito aos outros. No momento em que os pais deixam seus filhos sem limites e correções, tiram também a chance de desenvolver sua autonomia moral e cognitiva, não os preparando para a vida. É a falta de limites que proporciona o festival de má educação que se assiste nas ruas, no trânsito, no completo desrespeito em relação ao direito alheio que, diariamente, aumenta a violência contra todos nós. Reconhecer seus limites é uma questão de educação e de maturidade e deve ser a primeira lição de casa.
sábado, dezembro 04, 2010
A Política é Economia, mas,

A Economia é Política
Esta semana o Banco Central anunciou que passava a exigir o aumento do requerimento de capital das instituições financeiras dos atuais 11% para 16,5%, para a maioria das operações de crédito a pessoas físicas. Também foi anunciado o aumento de alíquotas de depósitos compulsórios, recursos que os bancos são obrigados a deixar no BC, e assim não podem usar os recursos para emprestar aos clientes. Não há a menor dúvida de que as medidas decorrem do susto com o endividamento que, segundo a Confederação Nacional do Comércio-CNC, em novembro, alcançou 59% das famílias. É preciso lembrar que o governo Lula praticamente dobrou a média histórica de crédito de 24% do Produto Interno Bruto-PIB para os atuais 47% que são um recorde desde que se acompanha a série histórica das contas nacionais.
Não se pode negar que este foi o grande trunfo eleitoral do governo Lula. A sensação de bem-estar que as pessoas sentem vem muito menos do aumento real da renda, embora ela exista, do que do aumento do consumo derivado, em especial, de que mesmo pagando 2,5 a 3 vezes o preço de um bem, hoje, as pessoas consomem mais em detrimento do futuro. Porém, o alto volume de crédito no país que, ainda mais nos últimos meses, se espalhou por todos os setores da economia, especialmente no financiamento de veículos, de bens duráveis e no setor da construção civil tem seu lado negativo que é o alto endividamento e, como os brasileiros, em geral, não controlam suas contas nem fazem planejamento financeiro o receio, por parte dos bancos e dos empresários, com 9% das famílias afirmando que não podem pagar suas contas, começou somente agora a preocupar o governo.
Sob o ponto de vista teórico as medidas tomadas em nome do controle da inflação são, efetivamente, corretas. Pode-se reclamar que vieram um pouco tarde na medida em que muitos consumidores já financiaram suas compras ao longo de novembro com a parcela do 13º, mas, não deixa de ser uma medida saneadora sob o aspecto econômico. Evita-se a inflação, por um lado, e, por outro, se acalmam os receios de que a inadimplência possa levar os bancos, principalmente os pequenos bancos, a terem dificuldades. Talvez um efeito colateral deste processo seja afetar um pouco as expectativas de vendas, contudo, será só um pouco mesmo, pois, as medidas levarão algum tempo para ter efeito. Isto talvez explique a demora do governo em adotar as medidas. Como é importante obter um crescimento do PIB substancial este ano para ter um comportamento fiscal mais ortodoxo no próximo, a visão de especialistas é de que se as medidas tivessem sido tomadas um mês atrás, por exemplo, os efeitos seriam muito fortes sobre as vendas de final de ano. Assim, fica claro que, pelo menos, no caso atual, a política se impôs à economia.
sexta-feira, novembro 26, 2010
Os perigos das commodities para o nosso futuro

Ninguém que analise o aumento do consumo e os indicadores da economia brasileira pode deixar de constatar que, mesmo com todas as fragilidades, passamos por um bom momento com visões otimistas sobre o futuro. No entanto, alguns dados são preocupantes, em especial quanto ao cenário externo. Basta verificar, e os dados são do próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que, na última década, a participação de matérias-primas, como soja, minério de ferro e petróleo, praticamente dobraram na pauta nacional de exportações, enquanto os produtos de alto valor agregado, como aviões, veículos automotores e equipamentos agrícolas recuaram significativamente acendendo a luz amarela da desindustrialização.
Embora o país, com a crise de 2008, tenha se beneficiado da pantagruélica fome dessas commodities, por parte da China, não se pode debitar na conta daquele país esta mudança. Em grande parte foram os problemas internos de falta de educação e de investimentos em P&D (Pesquisa & Desenvolvimento) que nos deixaram fora dos recentes desenvolvimentos em itens de maior conteúdo tecnológico. O país que comemora os sucessivos recordes de criação de empregos deveria lamentar que isto acontece em detrimento dos empregos de maior escolaridade e renda com um problema adicional: o desestímulo ao investimento na modernização do nosso parque industrial. Este é um problema que, intrinsecamente, está ligado ao fato de que as reformas indispensáveis para que possamos avançar para sermos desenvolvidos, como a tributária, a das relações de trabalho e a desburocratização, encalharam na república sindical em que não se avança no que é essencial para promover a modernidade.
Acrescente-se que, além do aumento da exportação de produtos básicos influir na desindustrialização, com graves reflexos sobre a renda e o emprego, também deixa o país ao sabor das oscilações de preços-as commodities são definidas pelas bolsas de mercadorias- tornando insegura as receitas externas e prejudicando um planejamento de longo prazo. É um fato inconteste, que nenhum economista respeitável irá desmentir, que quando se exporta grãos ou minérios, se exporta um produto de baixo valor agregado que só compensa em grandes volumes, como é o caso da soja, mas, se abre mão de desenvolver o parque fabril e se renuncia, na prática, a consolidar a economia por meio de uma indústria exportadora mais robusta e que, ao contrário dos produtos primários, exige que se tenha permanente atenção com a inovação e a competitividade.
Neste sentido urge que o Brasil desperte desta modorra, aparentemente venturosa, da exportação do agronegócio e dos minerais e aproveite o enorme potencial que advém do crescimento do crédito e do mercado interno para investir na remodelação de sua indústria e retomar a produção de artigos de ponta ou, sem dúvida, iremos comprometer nosso futuro sendo, novamente, um país somente agrário-exportador.
sábado, novembro 06, 2010
A primeira traição a gente nunca esquece

Somente de pode classificar como uma vergonha que mal saída da campanha eleitoral em que prometeu sob as luzes da imprensa conter os gastos, controlar sua qualidade e aliviar a tributação que é uma unanimidade que é excessiva e prejudica a competitividade dos produtos nacionais a presidente Dilma Roussef se declare disposta a discutir a recriação do indigitado (e morto e enterrado sem honras) imposto sobre o cheque, a CPMF, uma das maiores aberrações já criadas no sistema tributário brasileiro.
É uma vergonha não apenas por desmentir todo o discurso de reformas e de empenho para modificar o país e levá-lo ao maior desenvolvimento e justiça social, mas, por fazer com que o seu discurso que já era considerado ambíguo se torne, agora, completamente desacreditado aumentando a oposição inicial ao seu governo até mesmo para quem não recebeu com ceticismo o seu pronunciamento generalista de domingo à noite.
Acrescente-se que a presidente eleita não desacredita somente a ela mesma ao afirmar que os governadores estão mobilizados para a defesa da volta da CPMF referindo-se a um movimento anunciado pelo governador reeleito do Piauí, Wilson Martins (PSB) que teria conversado sobre o assunto com Lula da Silva. Além de Martins, também os governadores Cid Gomes (PSB-CE), Eduardo Campos (PSB-PE), Renato Casagrande (PSB-ES) e Jacques Wagner (PT-BA), segundo anunciado, defendem a proposta. E Lula prestou-se a abrir o “saco de maldades” ao levantar o assunto na quarta-feira, antes da entrevista de sua sucessora. Mais uma vez, com o ilusório argumento, de que com a extinção da CPMF a oposição havia prejudicado a maioria dos brasileiros. Para não ser desrespeitoso com o cargo que Lula ocupa deve-se alertar que se trata de “menas” verdade. Apesar de lastimar sempre que o governo perdeu R$ 40 bilhões anuais da CPMF o presidente ou não quer saber, ou finge não saber, que os recursos suprimidos nunca fizeram falta para a política de saúde. Seja porque os recursos nunca foram totalmente aplicados na saúde, seja porque a arrecadação e a carga tributária continuaram a aumentar nos anos seguintes, ou seja, o que se arrecadava se arrecadou por outras fontes muito menos nociva que o imposto em cascata altamente prejudicial ao setor produtivo e ao bolso do consumidor.
Não foi a falta de recursos que impediu a saúde de ser melhor. É, como historicamente, tem sido a gestão. E se fosse o caso de recursos bastaria o presidente conter despesas menos importantes como, por exemplo, as de propaganda ou improdutivas como colocar um freio ao empreguismo, ao inchaço da folha de pessoal por meio da criação de funções gratificadas. Bastaria promover, por exemplo, uma comparação entre os preços públicos e privados e verificar que estes, em grande parte, são superfaturados e podem ser facilmente diminuídos com um bom choque de gestão. Não há a menor dúvida que a CPMF é desnecessária. Há recursos suficientes para custear a saúde que não cumpre seus compromissos por ineficiência e falta de administração. Dinheiro existe. Falta mesmo é usá-lo bem, usá-lo de forma correta. A CPMF somente serve para dar maior liberdade de gasto ao governo e fazer com que continue a ser um mau gestor e um perdulário sem atentar que a carga tributária é tão pesada quanto, acima de 35% do Produto Interno Bruto (PIB) que entrava a produção. A tributação brasileira é maior que a de economias desenvolvidas como Estados Unidos, Japão, Suíça, Espanha e Canadá que possuem bons sistemas de saúde, mas, muitos emergente com tributação bem menor, como o México, Chile, têm padrões sanitários e educacionais superiores aos brasileiros. É também ridículo argumentar que só os ricos pagavam a CPMF, como argumenta o governador Wilson Martins. È uma tolice e indício de desinformação. O imposto do cheque incidia sobre toda e qualquer liquidação financeira, portanto, sobre toca operação da cadeia produtiva. Quanto mais complexa a cadeia, maior o peso da tributação, maior o dano ao poder competitivo dos produtos e maior o prejuízo para a criação de empregos. E no fim quem paga? Os consumidores que, na sua grande maioria, são pobres. Dilma Rousse, que prometeu seriedade fiscal e a eficiência administrativa, começa por trair seus compromisso se não for definitivamente contra a criação de impostos para financiar a gastança ainda mais com um imposto tão nocivo quanto a CPMF. È bom, enquanto é tempo, parar com esta iniciativa insana que sinaliza de forma tão negativa o início de seu governo.
terça-feira, novembro 02, 2010
Oposição já!

Precisa-se urgente de um partido de oposição
“Um governo que não tenha críticos implacáveis é um governo sem razão de existir. E empobrece a democracia” (Tomás Vasques).
Até onde me permite minha vontade de sonhar sou um homem prático. Assim não sou de chorar as pitangas perdidas. Aliás, Serra nunca foi meu ideal de presidente embora fosse o possível. Votei em Serra por considerar que, devido às circunstâncias, entre dois jogadores burocratas preferia o mais experiente, o que havia demonstrado maior eficiência nas suas ações públicas. Votei também contra a vocação incontrolável de Lula, que está acima do Partido dos Trabalhadores, de ser um déspota, um ditador. Meu voto foi um voto a favor da democracia, contra a continuidade de um governo que mina as bases da liberdade de imprensa, que tem como ideal claramente exposto a predominância do partido e da opinião única, em que pese os discursos generalistas em favor da liberdade religiosa e de imprensa.
È uma constatação que quem, de fato, foi derrotado, foi o país que irá continuar tendo um governo pouco eficiente, de muita propaganda, que aumenta, subrepticiamente, nossas dívidas enquanto propaga que pagou, que beneficiou os banqueiros e rentistas e que, logo nos dois primeiros anos fará o que sempre fez: um arrocho sobre o orçamento e sobre os salários sem um pio das entidades sindicais com seus pelegos gozando as delícias dos altos salários das estatais. Também, é claro, e peço a Deus que a crise cambial não nos leve a uma situação pior, o crescimento será menor em 2011 para compensar as imensas despesas que fizeram às vésperas das eleições. Roussef é o terceiro mandato de Lula terceirizado, apesar de afirmarem que são contra a privatização, de modo que não se pode esperar nada de muito novo. Será o rame-rame de sempre, agora, com os dirigentes, pelo menos, no inicio, mais cautelosos na medida em que a grande aprovação que esperavam ter não se consumou. Até o fim estavam receosos da derrota mesmo com a quantidade imensa de recursos gastos, mesmo com a propaganda maciça e concentrada em cima de sua candidata.
Não me perguntem se estou contente ou conformado. Não estou. È de minha natureza nordestina ser teimoso e confiante no futuro. È por isto que, na minha opinião, está na hora de surgir um novo partido realmente de oposição. O PSDB, que saiu desta eleição mostrou sua face leniente e adesista, deixando Serra sozinho. O PSDB que está aí é, no mínimo, preguiçoso e se mostrou incompetente em alcançar o povo, palco real da guerra política. Não adianta demonstrar que onde existe escolaridade e renda Serra e o partido ganharam. Os votos da população que não tem escolaridade ou renda contam como qualquer outro e não se pode desqualificar sua capacidade de escolha. Eles votam e votam em quem sabe lhes mostrar que é melhor para eles. È preciso que, a partir do primeiro momento, do próximo governo comece a se mostrar seus erros, seus escândalos, que muitos haverão, suas inconsistências, sua falta de capacidade de realizar. Se isto não for feito com persistência e com capacidade, se não houver uma oposição real, se esta ficar a cargos dos oportunistas e de políticos de espinha dorsal flexível não tenham dúvidas iremos nos transformar numa Cuba tamanho família com uma cópia piorada de Fidel Castro nativo. Do jeito que estamos indo, sem dúvida, o nosso futuro é o atraso. Se não criarmos um partido de oposição o nosso país será mesmo o eterno país das bananas habitado por bananas eternos.
terça-feira, outubro 12, 2010
Diz-me com quem andas

Claro que sou a favor do voto facultativo. É claro que não é também por desconhecer a importância da política. Sou, até sem desejar ser tanto, um homem político na medida, por exemplo, que estou entre os que no último domingo foram assistir o primeiro debate do segundo turno da Rede Bandeirantes. Reconheço que este não é o comportamento normal das pessoas. As pessoas comuns discutem política como comentam o tempo e só vão mesmo decidir, por obrigação, no dia do voto e estão longe de pensar, como penso, que é o dia em que podemos mudar nosso futu¬¬ro, decidir nosso destino. E realmente o voto tem este poder, todavia, poucos tem esta consciência de que eleger nossos representantes é uma responsabilidade ímpar e que, por isto, deveria ser cumprida com muito cuidado.
Sempre defendi uma maior participação política. Que a política deixasse de ser apenas a formal. Aque¬¬la feita em gabinetes e parlamentos, restrita aos detentores de mandatos e seus assessores, ou seja, que se dê mais consistência aos partidos; que se agregue a participação popular. Quem já leu um pouco a respeito de Ciência Política sabe que nos países onde a luta para as conquistas dos direitos civis e sociais são mais fortes, os partidos são mais comprometidos com ideais e o personalismo costuma ser menor, assim como o clientelismo. Onde não há participação popular, a representatividade mínima de todos os interesses – incluindo os das chamadas minorias –, não há uma democracia forte e, em geral, como no Brasil atual, se procura impedir a alternância do poder e a discussão pública por imposição de um falso consenso em torno de um líder o que, por melhor que seja, é sempre um atraso. Nenhuma sociedade avança sem lutas, sem mudanças no governo, sem oxigenação do setor público por novas ideias e governantes. O continuísmo é ruim para a democracia e para o desenvolvimento seja de quem for.
É evidentemente difícil para o cidadão comum, que não acompanha a vida pública, separar o joio do trigo. E o engessamento pela legislação eleitoral tende a favorecer quem está no poder inclusive por usar a máquina pública a seu favor. No entanto, mesmo não sendo uma tarefa fácil, de vez que com tantas obrigações que o cidadão tem na sua vida privada, sobra muito pouco tempo para se preocupar com a vida política, algumas coisas são visíveis no atual panorama político para fazer escolhas responsáveis. Basta seguir à risca o diga-me com quem andas e te direi quem és. Para verificar quem é o atraso é só olhar para quem está no palanque dos candidatos. E o pior é que, se confrontadas as opiniões antigas e atuais dos que dividem o mesmo palanque, até uma freira ficaria com vergonha de votar em qualquer um deles.
sexta-feira, outubro 08, 2010
As contradições expostas

Não é só o PT nem Lula que desejam pautar a imprensa e a opinião pública. O deputado Ciro Gomes também ao dizer que o tema do aborto é “baixo nível” na sua tentativa de pautar a campanha pelas suas conveniências. Não adianta dizer que o tema do aborto “é uma calhordice” na medida em que ele é importante, em especial para grande parte dos segmentos religiosos, bem como quem é candidato a presidente tem que esclarecer para o público suas posições. Ainda mais a candidata Roussef que disse que “lidará com o assunto por uma questão de saúde pública”. Lula também ao dizer que “priorizar o aborto é baixar o nível da campanha” ataca os religiosos que consideram a questão central.
Aliás, diga-se que quem levantou o tema do aborto foi a própria Dilma Roussef na sua Carta ao Povo de Deus ou algo similar. Também numa entrevista ao SBT. Se bem que não seja uma questão central para a figura do presidente dependendo de sua postura há diferenças de poder, ou não, haver mudanças na legislação e, em qualquer campanha, o eleitor quer saber a posição dos candidatos em relação a este e muitos outros assuntos. O que acontece de fato é que Dilma não passa sinceridade quando fala sobre o assunto. Nem mesmo teve coragem de dizer que mudou de idéia, mas, prefere insistir em dizer que “sempre” foi contra o aborto, apesar de desmentida pelos vídeos em que aparece dizendo o contrário. É a mesma coisa que se repete quando se trata de querer se isolar de Erenice Guerra e dos problemas relativos à quebra dos sigilos e do tráfico de influência na Casa Civil. É preciso lembrar que nos dois episódios primeiro o desmentido foi feito pelo próprio governo e só depois pela candidata e pelo presidente Lula. Num deles, Lula até mesmo culpou a mídia de invencionice em relação à Casa Civil, mas, depois demitiu a ministra Erenice Guerra que deve logo estar depondo na Polícia Federal. Também no caso da Receita Federal a alegação inicial era de que não se tratava de problema político, que era pura exploração eleitoral, mas, a conclusão sobre a investigação da quebra de sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, foi contundente e incriminou o analista tributário Gilberto Souza Amarante, filiado e militante do PT, de forma que ficou caracterizada a motivação político-eleitoral, pela violação ao cadastro de três empresas da vítima, além, de que o militante mentiu publicamente ao justificar a quebra de sigilo como involuntária por ter confundido Eduardo Jorge com um homônimo. Ficou patente a motivação política e a tentativa de, a partir do governo, tentar encontrar algo para comprometer os adversários. A realidade é que se nega a realidade. Ou seja, há uma tendência a atropelar os fatos e querer controlar as notícias e a imprensa adaptando-as a versões fantasiosas ou tentando escondê-las. Tanto que o governo que diz não querer controlar a mídia é o mesmo que, no começo do 2º turno, despacha Franklin Martins para a Europa atrás de modelos de “regulação” e, antes de ganhar a eleição, já disputa o botim com declarações de senadores dizendo que o PMDB quer sua parte e com a de Michel Temer afirmando que a Câmara é do partido e ninguém tasca. É uma prova de que o governo será loteado e que as disputas de espaço serão inevitáveis. Mas, a preocupação dos coordenadores da campanha, como Ciro, não é a de lidar com esta realidade e das contradições da candidata e das alianças. É a de que a mídia somente deve escrever e comentar o que interessa ao PT e suas conveniências . Este é um jogo que esqueceram de combinar com os participantes.
sexta-feira, setembro 24, 2010
UMA BOA RAZÃO PARA NÃO SE ACREDITAR EM PESQUISAS
Em geral as pessoas não entendem nada de pesquisa. Com espanto, quando ainda era vivo, vi grandes nomes da política nacional, como Ulysses Guimarães ou mesmo Leonel Brizola, dizerem, por meio de arrodeios, que não acreditavam em pesquisas. No fim, apesar de serem homens de grande entendimento político, se comportavam como as pessoas comuns que não acreditam nas pesquisas ou por não serem entrevistadas ou por considerarem que o número de entrevistados é muito pequeno-o que não tem nada a haver. È fato que os eleitores, em geral, pouco conhecem de pesquisas eleitorais e costumam apenas ligar para os resultados divulgados. No máximo prestam atenção às informações sobre o número de eleitores entrevistados, a margem de erro e o intervalo de confiança utilizado. Para muitos é a margem de erro e o intervalo de confiança que garantem a fidedignidade da pesquisa. De qualquer forma a grande maioria sabe de pesquisa o que sabem da caixa preta de um avião, ou seja, que é uma caixa preta. Nem procuram saber mais. È tão cômodo quanto acender a luz sem saber nada a respeito de energia.
Isto não ajuda a acabar com o imenso preconceito que existe em relação às pesquisas eleitorais e a descrença nos seus resultados. A verdade é que a descrença-como acontece no momento atual- tem toda razão de ser. Não porque uma pesquisa bem feita, dentro da metodologia científica, não seja confiável, mas, a iniludível verdade é que a maioria das pesquisas não é conduzida de modo científico. A imensa maioria delas atende aos interesses de quem paga. Da forma como elas tem sido feitas não são organizadas para conhecer a realidade e usar a informação, mas, sim procuram substituir a própria realidade pela pesquisa, simulando a compreensão do que se desejaria que fosse a realidade. É ridícula, por exemplo, as atuais pesquisas que mostram que depois do escândalo atual da Casa Civil, Dilma só teria caído 1%, ou seja, dentro da margem de erro! Como há um Código de Ética do Estatístico, que estabelece a responsabilidade do Estatístico no uso da metodologia estatística, quem empresta seu nome a este tipo de pesquisa deveria ser punido. È claro que para provar que uma pesquisa assim não tem credibilidade é preciso gastar muito dinheiro, mas, deveria haver um acompanhamento da Justiça Eleitoral da forma como as pesquisas são feitas.
O aspecto legal das pesquisas, atualmente, é traçado pela Resolução nº 23.190/10, de acordo com a Instrução nº 127 do Tribunal Superior Eleitoral, porém, não se acompanha o aspecto metodológico que é “xis da questão”, apesar de ser complexo e envolver conceitos estatísticos, como: população, parâmetro, amostragem, amostra, amostragem probabilística, amostragem por quotas, estimação e outros. Não poderia a Justiça fazer, como faz, exigindo apenas por meio do inciso IV, do art. 1º, da Resolução nº 23.190/10, do Tribunal Superior Eleitoral, que as pesquisas sejam registradas no juízo eleitoral. Assim para cada pesquisa eleitoral se pede apenas o "plano amostral e a ponderação quanto ao sexo, idade, grau de instrução e nível econômico do entrevistado; área física de realização do trabalho, intervalo de confiança e margem de erro, porém, não se verifica a qualidade nem o respeito aos parâmetros traçados. Assim o registro é, de fato, um mero registro.
É preciso ver que o objetivo da pesquisa eleitoral é a determinação de uma estimativa pontual da proporção populacional de eleitores e a determinação de um intervalo de confiança. Mas, todo bom estatístico sabe que a metodologia estatística, a determinação da proporção populacional e do intervalo de confiança pode ser possível apenas se a seleção da amostra for aleatória. Sem a aleotariedade os resultados somente são válidos para os eleitores entrevistados. Ou seja, a pesquisa para ser boa não pode ter, como muitas vezes tem, uma amostra escolhida sem ser ao acaso. Uma coisa é sortear os municípios proporcionalmente; outra é escolher municípios de forma a privilegiar um candidato. Por exemplo, uma pesquisa feita em Machadinho fará do atual presidente da Assembléia, Carlos Neodi, proporcionalmente mais votado que Tiririca, o que não corresponde a realidade, embora ambos devam ser campeões de votos nas suas regiões. È fato que, para a pesquisa ser válida, como obrigatoriamente estabelece inciso IV, é exigido que se tenha margem de erro e intervalo de confiança da estimativa pontual da proporção populacional, daí, se conclui que a amostra usada em uma pesquisa eleitoral deve ser probabilística (aleatória), porque a metodologia estatística não determina margem de erro e intervalo de confiança para amostragem por quotas. Ou seja, na amostragem aleatória as unidades amostrais (no caso os eleitores) são selecionadas por sorteio aleatório e não escolhidas pelos entrevistadores, como na amostragem não - probabilística por quotas. Por que razão? A razão, sabe quem entende de estatística um mínimo, é que nas amostras não-probabilísticas, não é possível calcular margem de erro e intervalo de confiança. Apenas se estima empiricamente seus valores. Amostra por quotas, como tem sido feitas as pesquisas atuais, são não-probabilísticas. Este é o tipo de amostra atualmente usada por todos os grandes institutos de pesquisa para realizar pesquisas eleitorais. Em outras palavras, é uma grande contrafação. Desafio qualquer estatístico, mesmo sendo mais um analista de pesquisas e um curioso, do que, de fato, um perito no assunto, que me prove ser possível cálculo estatístico para obter o tamanho da amostra no caso de amostras não-probabilísticas. Por isto, calcula-se o tamanho para uma amostra probabilística e define-se que este será o tamanho da amostra por quotas. Em outras palavras, as pesquisas atuais são tão científicas quanto às previsões astrológicas dos jornais. Se duvidar, é capaz da astrologia acertar mais....
Isto não ajuda a acabar com o imenso preconceito que existe em relação às pesquisas eleitorais e a descrença nos seus resultados. A verdade é que a descrença-como acontece no momento atual- tem toda razão de ser. Não porque uma pesquisa bem feita, dentro da metodologia científica, não seja confiável, mas, a iniludível verdade é que a maioria das pesquisas não é conduzida de modo científico. A imensa maioria delas atende aos interesses de quem paga. Da forma como elas tem sido feitas não são organizadas para conhecer a realidade e usar a informação, mas, sim procuram substituir a própria realidade pela pesquisa, simulando a compreensão do que se desejaria que fosse a realidade. É ridícula, por exemplo, as atuais pesquisas que mostram que depois do escândalo atual da Casa Civil, Dilma só teria caído 1%, ou seja, dentro da margem de erro! Como há um Código de Ética do Estatístico, que estabelece a responsabilidade do Estatístico no uso da metodologia estatística, quem empresta seu nome a este tipo de pesquisa deveria ser punido. È claro que para provar que uma pesquisa assim não tem credibilidade é preciso gastar muito dinheiro, mas, deveria haver um acompanhamento da Justiça Eleitoral da forma como as pesquisas são feitas.
O aspecto legal das pesquisas, atualmente, é traçado pela Resolução nº 23.190/10, de acordo com a Instrução nº 127 do Tribunal Superior Eleitoral, porém, não se acompanha o aspecto metodológico que é “xis da questão”, apesar de ser complexo e envolver conceitos estatísticos, como: população, parâmetro, amostragem, amostra, amostragem probabilística, amostragem por quotas, estimação e outros. Não poderia a Justiça fazer, como faz, exigindo apenas por meio do inciso IV, do art. 1º, da Resolução nº 23.190/10, do Tribunal Superior Eleitoral, que as pesquisas sejam registradas no juízo eleitoral. Assim para cada pesquisa eleitoral se pede apenas o "plano amostral e a ponderação quanto ao sexo, idade, grau de instrução e nível econômico do entrevistado; área física de realização do trabalho, intervalo de confiança e margem de erro, porém, não se verifica a qualidade nem o respeito aos parâmetros traçados. Assim o registro é, de fato, um mero registro.
É preciso ver que o objetivo da pesquisa eleitoral é a determinação de uma estimativa pontual da proporção populacional de eleitores e a determinação de um intervalo de confiança. Mas, todo bom estatístico sabe que a metodologia estatística, a determinação da proporção populacional e do intervalo de confiança pode ser possível apenas se a seleção da amostra for aleatória. Sem a aleotariedade os resultados somente são válidos para os eleitores entrevistados. Ou seja, a pesquisa para ser boa não pode ter, como muitas vezes tem, uma amostra escolhida sem ser ao acaso. Uma coisa é sortear os municípios proporcionalmente; outra é escolher municípios de forma a privilegiar um candidato. Por exemplo, uma pesquisa feita em Machadinho fará do atual presidente da Assembléia, Carlos Neodi, proporcionalmente mais votado que Tiririca, o que não corresponde a realidade, embora ambos devam ser campeões de votos nas suas regiões. È fato que, para a pesquisa ser válida, como obrigatoriamente estabelece inciso IV, é exigido que se tenha margem de erro e intervalo de confiança da estimativa pontual da proporção populacional, daí, se conclui que a amostra usada em uma pesquisa eleitoral deve ser probabilística (aleatória), porque a metodologia estatística não determina margem de erro e intervalo de confiança para amostragem por quotas. Ou seja, na amostragem aleatória as unidades amostrais (no caso os eleitores) são selecionadas por sorteio aleatório e não escolhidas pelos entrevistadores, como na amostragem não - probabilística por quotas. Por que razão? A razão, sabe quem entende de estatística um mínimo, é que nas amostras não-probabilísticas, não é possível calcular margem de erro e intervalo de confiança. Apenas se estima empiricamente seus valores. Amostra por quotas, como tem sido feitas as pesquisas atuais, são não-probabilísticas. Este é o tipo de amostra atualmente usada por todos os grandes institutos de pesquisa para realizar pesquisas eleitorais. Em outras palavras, é uma grande contrafação. Desafio qualquer estatístico, mesmo sendo mais um analista de pesquisas e um curioso, do que, de fato, um perito no assunto, que me prove ser possível cálculo estatístico para obter o tamanho da amostra no caso de amostras não-probabilísticas. Por isto, calcula-se o tamanho para uma amostra probabilística e define-se que este será o tamanho da amostra por quotas. Em outras palavras, as pesquisas atuais são tão científicas quanto às previsões astrológicas dos jornais. Se duvidar, é capaz da astrologia acertar mais....
sábado, setembro 18, 2010
A crise é da educação

O que tem a haver o fato de que a influência dos intelectuais, das revistas e dos jornais diminuem quando, como agora, o Brasil pode chegar a eleger alguém sobre o qual se sabe muito pouco e o pouco que se sabe não a recomendaria para assumir um papel tão relevante? Por que as pesquisas, que não batem com a realidade que se vê nas ruas, dá a muita gente a impressão que haverá fraude nas urnas eletrônicas? Como é possível que uma Casa Civil da Presidência da República se transforme em centro de escândalos e não se veja nenhuma reação mais forte, nenhuma tentativa mínima sequer de culpar o dirigente maior? Qual a diferença entre isto e, por exemplo, o que aconteceu com Getúlio Vargas que suicidou-se apenas porque a crise bateu na porta da cozinha?
Bem há o conforto, a melhoria do crédito, a propaganda maciça que diz que tudo vai bem no melhor estilo George Orwell, os índices de popularidade de Lula da Silva e, como sempre lembram, num discurso já gasto que a internet, supostamente, teria introduzido a democracia, de forma que a informação, nos tempos atuais, seria acessível a todos, daí, que, se nas nações mais desenvolvidas o avanço da internet se tornou uma ameaça aos meios tradicionais de comunicação, no Brasil o problema seria maior ainda: os jornais perderam circulação, assinaturas e credibilidade. Isto é verdade, mas, apenas uma parte da verdade. Não é a internet que mata os jornais, revistas e a influência dos intelectuais. A verdade é que a cultura não influencia mais porque o país é analfabeto.
O maior e mais definitivo pecado de Lula da Silva é ter introduzido duas noções extremamente nefastas e deletérias. A primeira de que não tem importância roubar porque todo mundo rouba. E a segunda que não se precisa estudar porque pode-se alcançar qualquer coisa sem trabalho, sem esforço e sem educação e ele é a prova. O resultado é visível depois de quase oito anos de seu governo: no ano passado, apenas 5,7% dos brasileiros entre 25 e 64 anos de idade buscavam melhor o seu nível educacional. A informação consta da Síntese dos Indicadores Sociais de 2009 divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, para piorar, se informa que quanto mais se eleva a idade, menor é a frequência aos estudos. Ou seja, enquanto o resto do mundo procura desesperadamente se escolarizar quanto mais ficamos adultos menos queremos ser modernos, ou seja, estudar. Triste retrato de um país.
É aí que reside a crise dos jornais, das revistas, dos formadores de opinião. Não é a influência da internet que gera a redução dos pouquíssimos leitores tupiniquins, mas, é que a ignorância acredita, hoje em dia, que não se precisa estudar. O resultado é que o mercado editorial brasileiro, com uma população de quase 200 milhões de habitantes, vendeu apenas 25,5 milhões de livros em 2009, segundo a Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros). Um país continental cuja a economia é dezesseis vezes o mercado da Argentina tem um mercado que é ¼ do mercado argentino, estimado em cerca de 60 milhões de livros. E a análise deste mercado mostra que dos livros vendidos, em 2009, 17,7 milhões são livros didáticos ou de apoio, dicionários e atlas. As publicações literárias somam só 7,8 milhões. Os números são a prova cabal da falência do nosso ensino, de sua crise: dos milhões que aprendem a ler todos os anos só uma pequenina pare de torna um leitor real. São os analfabetos funcionais que pesam nas eleições e podem nos conduzir cada vez mais ao atraso.
sexta-feira, setembro 10, 2010
A quem serve os escândalos espetaculares?

Neste mundo atual onde as palavras tomaram rumos semióticos, que podem ser qualquer coisa distante do seu conteúdo original, já nem mesmo sei se existe mais esquerda ou direita, embora, a meu ver, ser de esquerda, mais do que nunca, é lutar por oportunidades iguais e por uma maior igualdade ainda que não seja mais o antigo sonho de criar sociedades planificadas que se transformaram, de fato, em prisões da liberdade política. Ocorre que, no Brasil, há certos eventos que estão se repetindo, sistemáticamente, e sempre em certas oportunidades e jamais contra certos grupos o que não deixa de criar a suspeita fundada que, se não o faz, como grande beneficiário e fiador do poder, teria que, obrigatoriamente, ter outro tipo de comportamento.
Agora mesmo, por exemplo, o governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), foi preso em Macapá, capital do Estado, durante a Operação Mãos Limpas, deflagrada pela Polícia Federal (PF). O objetivo da operação, segundo se anuncia, seria o de prender uma organização criminosa, composta por servidores públicos, agentes políticos e empresários, que praticava desvio de recursos públicos do Estado do Amapá e da União. Não faz nem quinze dias tivemos a prisão, em Dourados (MS), de 28 pessoas suspeitas de práticas de fraude à licitação, corrupção ativa e formação de quadrilha, entre elas o prefeito, nove vereadores e cinco secretários municipais. Ora, o que há de estranho em que se prendam pessoas que delinqüiram, que usaram o cargo que deveria ser utilizado em favor do povo para proveito próprio? Em princípio nada. Afinal criminoso, investido ou não, de cargo público é criminoso e, como tal, deve ser enquadrado legalmente. O que é ruim, em ambos os casos, é aspecto deletério que causa aos poderes, bem como a coincidência de que casos assim somente acontecem quando o governo federal se vê, como é o caso agora, as voltas com situações difíceis como a de explicar a violação de mais de 2 mil sigilos fiscais de pessoas a partir da Receita Federal.
O fato concreto é que, apesar do rumoroso caso, o maior escândalo político nunca antes visto neste país, o Mensalão não produziu nenhuma prisão em série, nada de espetacular e, na prática, somente quem pagou o pato mesmo foi Marcos Valério e seu advogados, meros operadores do esquema. Este é um fato concreto: não há petistas presos nem integrantes do esquema da base de sustentação do governo de um escândalo comprovadamente tido como o mais abrangente de nossa história. Este é um lado da questão. Outro é o fato de que os escândalos, e a ação policial, parecem somente ser eficientes quando se voltam contra os estados menos influentes ou os adversários. Por que será que os escândalos só espocam no Distrito Federal, no Mato Grosso, em Rondônia ou no Amapá? Certamente porquê, apesar dos inúmeros indícios de que assim não seja, o governo federal está povoado de anjos. Como a Polícia Federal é eficiente, comprovadamente capacitada, quando não se descobrem aloprados nem violadores de sigilos ou quem realiza determinados vazamentos, a impressão que fica é a de que as prisões e os escândalos espetaculares servem a determinados fins que estão muito longe de serem republicanos.
domingo, agosto 15, 2010
O BALÃO ELEITORAL

As recentes pesquisas eleitorais colocam a candidata petista na frente da corrida eleitoral, supostamente com oito pontos percentuais de intenção de votos de diferença, provocando por parte da grande imprensa, muito bem instruída e paga, o delírio de que as eleições podem ser ganhar no primeiro turno. Aliás, não fazem nada mais que repetir o discurso triunfalista de Lula da Silva que não somente se comporta como quem quer ganhar seja de que modo for, como procura achatar e, até mesmo, desmoralizar as oposições num processo que se pretende avassalador na medida em que amparado numa popularidade ímpar, se bem que atestada pelos mesmos institutos que bebem avidamente nos cofres públicos e ligados a interesses bastante conhecidos. Estatísticas, como bem se sabe, e ainda mais eleitorais são amplamente manipuladas e, ainda que possam não ter sido, é muito prematuro ficar cantando vitória antes do tempo numa eleição que será duríssima.
Ocorre que, por mais que as intenções de votos possam estar corretas, ninguém sabe quem é Dilma. A rigor, se há todas estas intenções de votos que os institutos apresentam seria um notável milagre de transferência de votos de Lula e os votos seriam em Lula não nela. Lula, porém, não é candidato. Ora, as evidências científicas mostram que governos bem avaliados, acima de 50% de aprovação, tem muitas chances de eleger seu sucessor, mas, ninguém consegue ver correlação automática entre aprovação e transferência de votos. Para, por exemplo, a candidata petista vencer no primeiro turno, tendo em vista que, de início, tem 20% de rejeição, seria preciso que, praticamente, Lula conseguisse o milagre de, no mínimo, repassar 70% de seus votos para ela, o que é uma tarefa quase impossível. E é preciso lembrar que nem Lula venceu uma eleição no primeiro turno.
Contra esta simplificação da corrida eleitoral também pesa a experiência prática. Aqui vale lembrar o caso do Chile no qual a presidente Michelle Bachelet, apesar de possuir 80% de aprovação, não conseguiu eleger seu candidato que não somente era muito mais conhecido e com experiência política muito maior que a desconhecida Dilma. Em suma, a popularidade do presidente ajuda, mas, para o eleitor não basta Lula dizer que Dilma é sua candidata. O eleitor tem de ouvir isto de Dilma, confiar nela e acreditar nela. Assim a estratégia petista depende do sucesso de três táticas: Lula convencer ao povo que a vitória de Serra é um retrocesso, fazer muita campanha para Dilma e, por fim, Dilma provar que é autêntica e confiável para a população.
Eis o grande problema. Dilma é uma completa desconhecida que passou, recentemente, por uma remodelação total. Não é só o problema de que não se adaptou muito bem ao novo papel, embora isto pese. È que as pesquisas demonstram que quanto mais o eleitor conhece Dilma, em todas as camadas, não vota nela. È improvável que o PT continue conseguindo até o fim da campanha esconder quem ela é e suas idéias da população. E, na medida que forem conhecendo, tudo indica o balão irá desinflar.
Assinar:
Postagens (Atom)



