Hoje dia 7 de abril é Dia
do Jornalista. Apesar dos tempos difíceis em que vivemos, de que a profissão de
jornalista tenha sido muito depreciada, submetida, como está sendo, a condições
quase vis, a uma gradativa e contínua subordinação à interesses pouco
recomendáveis, o verdadeiro jornalista continua a ser uma figura indispensável
para a nossa sociedade. É verdade que o jornalismo profissional, uma fonte de
informação qualificada, checada, que busca ser o mais fiel possível aos fatos e
fornecer os dois lados de uma notícia qualquer, se encontra, cada vez mais,
difícil de ser feito. O que temos, hoje, é a invasão de francos atiradores,
quando não arrivistas sociais, que usam a imprensa para seus próprios fins de
enriquecimento, extorsão, de alpinismo social. Há, inclusive nas redes sociais,
uma profusão de palpiteiros, de copiadores, que outorgam a si mesmo o título de
jornalistas (e muitos conseguiram até ser reconhecidos como profissionais) que
jamais se deram ao trabalho de buscar fatos e informações em fontes primárias,
quanto mais de reportá-los para a
sociedade de uma forma clara e objetiva. Na realidade nossa de hoje, do reino imperial
do Fake News, do sensacionalismo barato, da propagação unilateral de versões
nocivas, da facilidade na fabricação de
fatos, o jornalismo se tornou engajamento cego, opinião sem análise, alguns até
se valendo de Millôr Fernandes que disse que “Jornalismo é oposição. O resto é
secos e molhados”, se esquecendo que, até outro dia, aplaudiam governos
corruptos que enchiam suas bolsas. Jornalismo só é oposição, só pode ser
oposição em tiranias, em ditaduras. Em democracias deve ter equilíbrio, ser um
fiscal sim dos governos, porém, com equidade, buscando formar e informar. Não
posso, aqui, deixar de saudar os verdadeiros jornalistas, os grandes
profissionais da imprensa que sempre buscaram dar o melhor de si em prol da boa
informação. Por isto mesmo não posso deixar, de hoje, lembrar o meu grande e
saudoso amigo Euro Tourinho, que por mais de sessenta anos na frente do Alto
Madeira procurou transmitir, a todos que passaram por sua redação, as
verdadeiras qualidades de um bom jornalista. Lembro que, uma vez, numa
entrevista disse que: “Jornalista acima de tudo, tem que ter amor pela
profissão e levar a sério o que faz, sempre primar pelo respeito ao leitor e à
notícia”. Ele, com seu modo calmo e sábio, dizia que “não se deve publicar como
jornalista o que não se pode sustentar como cavalheiro”. Para ele, “O bom
jornalismo é como uma xícara de porcelana, bela e frágil, precisamos cuidar com
o maior zelo possível”. Ser, e fazer, jornalismo de qualidade é isto: garantir
que a informação que se passa é fidedigna, pautada pela ética e por princípios
fundamentais- algo difícil nos nossos conturbados tempos. É, por isto, pela
falta destes valores que agregam respeito e credibilidade à imprensa, que
restam, hoje, o jornalismo anda tão desacreditado, com jornalistas sendo apenas
papagaios, meros repetidores de chavões e, por isto, uma razão fundamental para
que o nome de Euro Tourinho não seja esquecido e cultuado, além de suas
inesquecíveis qualidades humanas. Na figura dele, nossa homenagem aos
verdadeiros jornalistas.
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sexta-feira, abril 10, 2020
segunda-feira, abril 06, 2020
UMA TENTATIVA DE OLHAR ALÉM DA CRISE DO VÍRUS
Não
apenas a mídia, como também as redes sociais, todas as pessoas, desejem, ou
não, estão falando sobre o coronavírus e atentos para o que acontece no mundo,
quem toma medidas melhores ou sofre mais com a crise. O que poucas pessoas
fazem é pensar sobre o futuro pós-crise. O que encontraremos na frente depois
de passado este período em que o medo, irracional, permeia, sem que as pessoas
percebam, seu modo de pensar. Embora expressem, nas palavras, a preocupação com
os outros, na verdade, são movidas pelo receio de uma morte horrível. Há um
medo imenso e imperceptível, até por defesa própria, que vem da natureza
humana: o medo que se tem de ter perdido o controle, de que não há defesa fácil
contra o vírus.
No
entanto, se pensarmos na vida depois da epidemia, com uma visão otimista,
veremos que a crise nos obriga a ver, e
dar valor, a coisas que, normalmente, fazemos sem valorizar, como dar um
aperto de mão, um abraço, jantar ou conviver com os amigos, seja num clube ou
num boteco. Talvez, até diminua o hábito que temos de, até na convivência, dar
mais atenção às telas de celulares ou tvs. Quem
diria, por exemplo, que sair de casa, até para um supermercado, é tão bom!
Imagine ir a um evento, a um cinema, a uma livraria ou a um parque?Até
mesmo uma caminhada pelo bairro ou pelo centro, agora, ganha uma importância
que não se sabia ter. O coronavírus também nos mostrou que o trabalho em casa
funciona. E, muitos, até trabalharam mais do que nos seus locais de trabalho.
Também aprendemos, à força, é verdade, que não lavamos as mãos direito. Pois é!
Até lavar as mãos tem sua tecnologia. Mais do que todas essas coisas, porém, o
coronavírus nos obriga a pensar na economia. Na quantidade de bens, serviços e
dinheiro que precisamos para sobreviver. Há uma enorme quantidade de pessoas
que, surpreendidas pelo vírus, não possuíam dinheiro suficiente para enfrentar
a tempestade. Ficaram em uma situação muito difícil sem poder trabalhar, sem
poder sustentar a família. Houve casos em que o chefe de família pirou e,
depois, ajudado, chorando, disse ter pensado em suicídio. Quem tinha economias,
ou um salário garantido durante a epidemia, tem uma enorme vantagem, um
verdadeiro colchão de massagem, para enfrentar o estresse contra um assassino
invisível que pode estar nos lugares menos imagináveis. Sem dúvida um dos
comportamentos que deve se acentuar, pós-crise, deve ser o de buscarmos criar
uma poupança maior, usar nosso dinheiro de uma forma que nos dê a certeza que
não seremos pegos de calça-curta de novo. O duro é que, ainda estamos imersos
nesta situação terrível, e quanto mais perdurar o isolamento, mais os problemas
futuros da economia se acentuarão. E, hoje, com a falência de muitos negócios,
e a demissão em massa, que está acontecendo, além dos riscos que corremos de
desestabilização e de desabastecimento, não é de espantar que, até mesmo os
chefes de estado, se recorra à religião. São tantas as preces e as orações que,
de uma hora para outra, até os ateus estão apelando para Deus. É talvez,
também, pós epidemia, o povo fique mais religioso.
domingo, abril 05, 2020
O JORNALISMO DO TERROR É UM DESSERVIÇO
Sou,
por convicção e por história, favorável ao regime democrático e à liberdade de
opinião. Porém, não tenho como não assinalar que a imprensa brasileira tem tido
um comportamento altamente negativo, não somente no presente caso da epidemia do
coronavírus, mas, especialmente nela, nos impingindo um jornalismo de “terror e
pânico”. Não vou entrar em discussões idiotas, tipo esquerda e direita, pró ou
contra Bolsonaro, isolamento horizontal ou vertical. A própria OMS-Organização
Mundial de Saúde foi cristalina, ao afirmar que as medidas deviam depender, em
cada caso, do grau da epidemia, das possibilidades e recursos de cada país. É,
um fato irretorquível o de que, nos casos de calamidades sanitárias, mais do
que nunca, tudo é relativo. Isolamento, universal ou não, não garante nada. Não
é possível se ter certezas, nem prever o que vai acontecer da forma como a
mídia apresenta. Como se houvesse uma certeza absoluta que o isolamento total é
o melhor a ser feito, independente das famílias sem sustento econômico e dos
efeitos desastrosos desta medida sobre a economia, sobre o nosso futuro.
Não
sou, nem nunca fui, um dos que advogam retaliações contra a Rede Globo, nem
nunca deixei de reconhecer que tem sido, ao longo do tempo, competente para se
manter na liderança da televisão aberta, no entanto, isto não me impede de ser
um crítico antigo de seu comportamento. É claro que se trata de uma empresa,
que está preocupada com sua sobrevivência e seus lucros, logo não será a favor
de quem cortou suas fontes de renda, então, nada do que faz, do que fez, se
afasta de seus interesses. Não há nada demais nisto, exceto quando vira uma
política deliberada que se aliena do que se espera de uma imprensa correta e
informativa. Prever, como tem previsto, que, na semana de 30 de março, nas
cidades de São Paulo, Rio e Brasília o vírus chegaria a 16 mil casos, quando em
dia 4 de abril, os casos confirmados, de fato, eram somente, no Brasil, 9.056,
é criar uma atmosfera alarmante como divulgar falas de que irão morrer mais de
um milhão de pessoas no País. Claro que sempre existirão os argumentos de que as
fontes são “especialistas”. O uso de especialistas é um artifício. Ainda mais quando
se cerceia os que discordam. E até a CNN fez isto. Uma televisão, uma rádio, um jornal, qualquer
empresa ou instituição precisa ter responsabilidade pelo que divulga. No mínimo
se precisa relativizar os dados ou corrigir a previsão antes feita. Mas, não só
a Rede Globo, como a maioria de nossa imprensa, está jogando no time do
alarmismo e do quanto pior melhor. Só isto explica tanto destaque, por exemplo,
para informar que, em maio, o número de infectados no Estado poderia chegar a
mais de 500 mil, sem as devidas precauções que devem ser dadas a uma previsão.
Mas, o caráter alarmista fica evidente quando o G1 de Rondônia estampou que os
casos de coronavírus aumentaram, em uma semana 500% de 1 para 6! Não é de
espantar que estejam, rapidamente, perdendo a credibilidade.
Ilustração:
https://www.trendsmap.com/.
domingo, março 29, 2020
O MUNDO NÃO É JUSTO, MY SWEET GIRL
O filme “O Poço”,
dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia, recentemente lançado pela Netflix, é uma metáfora
fascinante, grotesca e perturbadora. Embora não esteja explícito representa uma
clara crítica à nossa sociedade, sua distribuição de recursos e à falta de
solidariedade dos mais ricos, ao criar um personagem que, por vontade própria,
entra numa prisão para se livrar do vício do cigarro e ganhar um certificado, e
que se vê, de repente, obrigado a lutar pela vida, pois, na prisão, a comida
passa por uma rampa com mais de trezentos níveis, na qual não chega aos níveis
mais baixos, forçando a quem neles vive a lutar pela sobrevivência. É uma
abordagem com elementos ainda mais complexos, porém, com uma permanente tendência
de questionar o mundo atual quando começa, por exemplo, com as fortes palavras;
“Há três tipos de pessoas. As de cima, as de baixo e as que caem”. O que
parecia incompreensível para o protagonista do filme (Goreng), que, como todos os prisioneiros só podia levar um objeto para
a prisão, e levou o livro de Cervantes, Dom Quixote, acaba ficando explícito, quando
compreende que a única coisa que se faz na prisão é esperar por uma rampa com uma
plataforma de comida. Preparada no nível zero, um banquete, consumido, durante algum
tempo, em cada nível, uma vez a cada dia, sem que se possa guardar nada, em que
os de cima não se importam com o que sobra para os debaixo, nem que se alimentem
de seus restos. Quando acorda, Goreng, está no 48, onde ainda se come, mas, os
prisioneiros são, mensalmente, trocados de nível para que passem por todas as
situações. Quando acorda, no nível 147, se vê amarrado, por seu companheiro de
cela, Trimagasi, que, prevendo a falta de comida, passaria a comer parte de seu
corpo. E faria isto, se uma personagem, Miharu, misteriosa e canibal, que se
transporta pela plataforma atrás de sua filha, não o salvasse. É se alimentando
de partes do corpo e das larvas do companheiro que Goreng sobrevive e vai ser
compartilhar cela com Imoguiri, quem o selecionou para a prisão, que, depois se
descobre, ao saber que tinha câncer, foi tentar mudar o sistema por dentro. O
lado idealista dos personagens reaparece, depois, no próprio personagem e em um
negro, Baharat, que topa, primeiro tentar descer e distribuir a comida, depois
fazer com que uma mensagem chegue ao nível zero. É um filme onde várias metáforas
se entrelaçam numa grande metáfora. O fato de Baharat querer subir, dependendo
da bondade de estranhos, sem sucesso, mesmo apelando para a religião, ou a
alusão que se pode fazer os de baixo cooperar pela força, bem como a menção
explícita de que “nenhuma mudança é espontânea” não conseguem superar a de que,
por mais educados, bem intencionados e delicados que possamos ser, nas
situações limites, nos comportamos como qualquer animal, ou seja, o que vale é
sobreviver. Embora deixe visível, o que é uma verdade, que há alimentos e
recursos para todos, se os poderosos tivessem solidariedade, também deixa
entrever que a mudança só pode ser feita pela educação. Como é um filme que
visa questionar valores também não são propostas soluções, daí, o final tão ambíguo.
A salvação da criança, no nível 333, é realidade? Uma das regras da prisão era
de não se ter menores e, alguns personagens, colocam em xeque a existência da
filha de Miharu. Ainda que seja. Isto mudaria de fato alguma coisa? Quando se
vê o chefe indo à loucura, no fim do filme, por um cabelo na panacota, é de
cabível perguntar se, para muitos, tem importância o que se passa nos níveis
inferiores, desde que não altere sua vida. Algo semelhante não se passa, por
exemplo, agora, quando se pede para os outros ficar em casa, quando esses não
tem o que comer? Há uma quantidade muito grande de pessoas que fazem belos
discursos socialistas comendo caviar e bebendo champanhe, mas, quantos se
moveram para alimentar alguém na atual crise do coronavírus? Os pobres, na sua
grande maioria, não estão discutindo no Facebook ou no Whatsapp sobre Bolsonaro
ou Lula, sobre ficar ou sair. Estão, como os do final do poço, em busca do que
comer hoje ou amanhã. E são poucos, muitos poucos, os que tem o que teve Goreng
no filme, a coragem de se sacrificar pela menina (o amanhã). O filme é cruel. É
preciso ter estomago para assistir, mas, trata de todos nós: da nossa violência,
do que vemos, do que não vemos, dos que desejam o diálogo, dos que não
entendem. Mas, a realidade do poço nos envolve com outras formas. E, é óbvio,
não nos salva nem a literatura, nem o marketing nem a cegueira. Apesar das
nossas melhores intenções o mundo continua a ser injusto. E o poço não tem
fundo.
Ilustração: Observatório do Cinema.
segunda-feira, março 23, 2020
O CUSTO (QUASE) INVISÍVEL DO ISOLAMENTO
O
presidente Bolsonaro não é um homem que se possa dizer que seja refinado, nem
culto, nem que se destaque por manejar as palavras, enfim, por ser um sofista.
Muito ao contrário, o seu estilo seco e grosso é, por assim dizer, um traço de
sua personalidade. Seu traquejo na arte da diplomacia deve ser comparado à
fineza de um elefante numa casa de louças. Para se eleger, não há como negar, o
presidente foi extremamente competente, pois, só dependia dele e de quem estava
sob suas ordens. Governar é outra coisa. Exige sim, buscar formas de
cooperação, de consenso, até mesmo ceder, o que se considera razoável, em
certas horas. Bolsonaro é intransigente, age como se todos tivessem o seu senso
de dever, seus ideais, seus objetivos. Isto, é cristalino, não funciona muito
bem numa sociedade, como a brasileira, acostumada aos jeitinhos, aos
compadrios, aos acordos de gabinete. Isto não quer dizer que, em muitos
aspectos, ele não acerte até mesmo quando contraria seus próprios seguidores e
grande parte do povo brasileiro.
Agora
mesmo o presidente Jair Bolsonaro está
sendo duramente atacado quando tem razão. Ele disse, em entrevista à TV Record,
na noite de domingo, que a população
descobrirá em breve que foi enganada pelos governadores de Estados e pela
imprensa na crise causada pela pandemia do novo coronavírus e voltou a afirmar
que existe um exagero nas medidas de combate à Covid-19. Bolsonaro está coberto
de razão. A forma açodada, com o fechamento apressado dos estabelecimentos, com
o esvaziamento das cidades, com as restrições ao direito de ir e vir, com o
extermínio em massa de empresas e empregos é completamente irracional. A
explicação é simples: até, agora, quando escrevo, na noite do dia 23, a Itália,
que foi o país mais atingido, teve, com uma população de 60 milhões de pessoas,
6.077 mortos, ou seja, 0,01% da
população! No mundo todo, para 260.319 casos ativos, um total de 16.491 mortos,
uma letalidade de 6,3% dos que adquiriram o vírus. São muitas pessoas? São.
Mas, como ficará o mundo com uma recessão que ameaça ser muito pior que a de
2008? Quantas pessoas, hoje, apenas no Brasil estão sem condições de ganhar o
pão de cada dia? Na verdade, o desemprego, a falta de renda, a pobreza está se
alastrando mais rápido do que o vírus!!! É racional para uma taxa de letalidade
de 1% parar toda a atividade econômica? Quanto não irá se gastar com os
problemas mentais, o estresse, a desordem que virá de uma paralisação tão
brusca (e quase completa) de nossa economia? Thomas Friedman, um dos colunistas
mais influentes do mundo, afirma com razão que “Se essa for a taxa verdadeira,
paralisar o mundo todo com implicações financeiras e sociais é irracional. É como um elefante sendo atacado por
um gato doméstico. Frustrado e tentando fugir do gato, o elefante
acidentalmente pula do penhasco e morre”. São os pobres, os sem emprego, os sem
renda e os que ficarão desempregados que pagarão a conta. Fechar os negócios,
parar a economia pode ser a forma mais fácil de conter a transmissão do vírus,
mas, é o melhor caminho? Pode prejudicar muito mais a sobrevivência, o sustento
e a saúde das pessoas, com um custo muito maior de vidas do que se pensa. O
objetivo de salvar vidas e evitar o colapso do sistema de saúde é nobre, mas,
vale o custo de destruir nossa economia? E, para os que não me conhecem,
esclareço que estou no topo do grupo de risco: tenho mais de 70 anos e problemas
de respiração, mas, penso, que os neurônios ainda funcionam razoavelmente...
terça-feira, janeiro 14, 2020
ARTE PARA QUÊ?
A
questão do que é a arte e da beleza da arte tem sido um tema sempre permanente
nas discussões intelectuais. De certa forma, entre os brasileiros, foi abordada
a relação entre arte e beleza pelo poeta Afonso Romano de Sant’Ana, que
considera ter havido um desvirtuamento da arte ao se realçar o conceito se
abandonando o objeto, ou seja, a arte passou a ser conceitual, enfim, mais explicações
da arte do que arte mesmo. Outro intelectual brasileiro que se debruçou sobre o
tema foi Ferreira Gullar que lamenta a covardia da crítica de arte que, talvez
por medo ou mesmo por dinheiro, deixou que os critérios da arte se tenham
diluído, de tal forma que a arte, agora, pode ser qualquer coisa que se
denomine de arte. Este tema me rondava a cabeça em razão de um vídeo do artista
rondoniense Joeser Alvarez que sob o título “Arte Para Quê?”, fez o que chamou
de “Um registro documental e artístico no qual, quase uma centena de produtores
culturais e artistas, manifestam de modo diverso e, por vezes confluente, suas
visões sobre a finalidade da arte, conferindo a esse repertório uma semântica
rica e diversa . As imagens foram captadas por câmeras e celulares ao longo de
10 anos”. O vídeo é mais dinâmico e provocador e, como se pode ver no Youtube
facilmente (https://www.youtube.com/watch?v=ZmelLX7rZus&feature=youtu.be&fbclid=IwAR1z9gnN4l1TKzdqf2fEpjMm5G2z3XrXRDtzckd2qUwozbg65wDPVjb5_Pw)
uma busca de explicações sobre a visão de cada um sobre a arte. É uma
coincidência, um pouco dolorosa, embora os céticos não acreditem em
coincidência, que o vídeo surja quando morre um filósofo que muito se ocupou da
arte e da beleza: Roger Scruton. É dele,
aliás, um livro muito interessante denominado de “Beleza” onde alerta para o
permanente desejo de dispor da beleza desde da arrumação da casa, passando pela
arrumação da mesa num jantar para os amigos, do jardim mais simples ao mais
sofisticado, e até mesmo nas vestimentas,
especialmente, nos nossos tempos de redes sociais e “zilhões” de fotografias de
celebridades e desconhecidos. No cotidiano, a beleza é buscada por todas as
culturas e fica evidente na exposição de Scruton, ao dizer sobre a beleza, que não
se estabelece um critério firme para a definição do que é a beleza, pois, isto
passa por um conjunto amplo de possibilidades, ao mesmo tempo, que sempre o
desejo de beleza se relaciona com critérios formais e com uma certa sensação de
bem-estar e aconchego. O que ressalta é que, sem sombra de dúvida, a arte
consiste numa das mais apropriadas atividades para a busca da beleza. Scruton,
que nada tem de saudosista, escreve que :
“... tudo que afirmei acerca da experiência da beleza insinua que ela possui
fundamentos racionais. Desafia-nos encontrar significados em seu objeto, traçar
comparações críticas e examinar nossas próprias vidas e emoções à luz do que descobrimos”.
Para ele, a questão é a de que, no mundo
moderno, há na arte uma fuga da beleza e da verdade. Então, talvez, a pergunta
certa não seja “Arte Para quê”, mas, “Arte Por quê”. Daí, o importante é
perguntar até onde a arte serve para a vida. Ou, talvez, indo mais longe, como
se faz da vida uma arte. Fazer arte na vida, no entanto, hoje, em dia, até para
obter 15 segundos de fama, milhões já fazem, independente da beleza e da
verdade.
segunda-feira, novembro 25, 2019
MAKTUB
Eu também sou
Rodrigues, mas, não sou Nelson. Se fosse escreveria que já estava escrito nas
palimpsestos gregos, nas pedras ancestrais, nos primórdios da criação do mundo,
nas línguas dos primeiros profetas que o Flamengo seria campeão da Libertadores
este ano. Este time do Flamengo é um grande time? É, inexplicavelmente é. Feito
mais por obra do acaso, embora também fruto de trabalho de excelentes técnicos,
é uma obra das mais improváveis. É que nele estão juntos velhos talentos,
talvez, movidos também por antigas paixões reavivadas, com promessas, agora,
cumpridas e até com desconhecidos talentos, como Pablo Marí. Trouxeram Diego, Diego
Alves, Rafinha e Filipe Luís, veteranos consagrados, para juntar com nomes
conhecidos, todavia, que ainda não tinham marcado seus nomes nos campos, como
Bruno Henrique, De Arrascaeta, Gerson, Everton Ribeiro, Rodrigo Caio e, até
mesmo, Gabigol, que, mesmo tendo sido artilheiro do brasileiro, não tinha ainda
títulos que sedimentassem sua carreira. Com a mão do português, Jorge Jesus,
arranjando as peças, fizeram história e se tornaram campeões da Libertadores de
2019. É verdade também que sobraram no campeonato brasileiro. Tudo indica que alcançarão
a maior quantidade de pontos que um time ganhador já conseguiu, desde que o
campeonato de pontos corridos foi estabelecido. Sua campanha, com vitórias
memoráveis, o seu bom futebol rápido e demolidor, credenciavam o Flamengo como favorito contra
o River Plate. Ainda que Gallardo, que ignorava o destino, tivesse razão em
dizer que se o Flamengo era superior que provasse nos gramados. Que foi
provado, foi. Mas, convenhamos, da forma mais cruel possível. Sejamos justos.
Não há como negar que o River foi melhor durante exatamente 93 minutos da
partida. Jogou uma partida impecável durante todo este tempo. Dominou o campo,
impediu que o Flamengo jogasse. O Flamengo foi irreconhecível, ao ponto, de
permitir um gol inacreditável, que foi uma falha coletiva, porém, quase
espírita. Era uma jogada que teve tudo para não acontecer. Não pensavam assim
os deuses do futebol que permitiram ao River o sabor de pensar que poderiam vencer.
Depois de uma hora e meia sem conseguir fazer uma única jogada, adormecido em
campo, dominado, submetido, o Flamengo despertou. Do triste Flamengo, que não
acertava passes, que não fazia uma jogada certa, que não ganhava um rebote, que
desanimava o torcedor, reapareceu o time vencedor e, em três minutos, em apenas
três rápidos minutos, fulminou o River Plate. Acertando uma jogada! Só uma! E,
com ela, desmontou tudo o que o River havia feito. O golpe foi tão mortal, tão
fatal, tão perfeito, tão monumental que nem precisou de uma segunda. De um
lance improvável, de uma bola lançada mais para a defesa do que para um provável
ataque, de um lançamento sem futuro, o faro de goleador de Gabigol, a vocação
de artilheiro, brilhou. E ele, que só havia tido o fácil trabalho de empurrar a
bola nas redes no primeiro gol, como um tanque, se impôs aos zagueiros, que
atrapalhados, assistiram o seu chute implacável, certeiro, matador. Não havia o
que fazer mais. Era só levantar a taça. Foi sorte? Foi. Porém, quem disse que
os grandes times não precisam de sorte para vencer? A sorte foi tanta que, no
domingo, foi campeão brasileiro sem entrar em campo. Agora, sejamos cirúrgicos,
precisos no exame: ninguém é um grande campeão apenas com sorte. O Flamengo fez
história jogando muito. E foi premiado ganhando a Libertadores quando fez sua
pior partida dos últimos tempos. Porém, não é todo time que só precisa de três
minutos jogando bem para ganhar do River Plate. A verdade é que estava escrito!
terça-feira, novembro 19, 2019
AS MUDANÇAS NO MUNDO DO TRABALHO RECLAMAM NOVAS FORMAS DE PENSAR O FUTURO
Leio no jornal
português “O Público” que uma pesquisa do Instituto Nacional de Estatística
(INE) revela que as empresas portuguesas contatam mais frequentemente os seus
trabalhadores fora dos seus respectivos horários de trabalho atualmente mais do
que há quatro anos. Segundo ainda a mesma pesquisa quase 40% dos funcionários tiveram
solicitações de trabalho no seu período de descanso pelo menos uma vez nos dois
meses anteriores. Segundo o inquérito, em 2015 mais de metade (56,6%) da
população empregada no 2º trimestre afirmava nunca ter sido contatada
profissionalmente fora do horário de trabalho. No trimestre equivalente de
2019, aquele valor diminuiu 3,9%, sendo agora 52,7% os que fazem tal afirmação.
Em sentido contrário, 39,2% dos trabalhadores empregados hoje dizem ter sido
contatados por questões da empresa em horário de descanso, pelo menos, uma vez
nos últimos dois meses – a diferença entre os dois indicadores são os
entrevistados que não sabem ou não respondem. Destes, 20,2% receberam este tipo
de contato “uma ou duas vezes”, enquanto os restantes 19% revelam uma prática
mais frequente. Na maioria desses casos (13,2%), os contatos são feitos na
expectativa de que o trabalhador interrompa o seu período de descanso para
resolver algum problema. Os contatos
fora do horário de trabalho são mais frequentes entre homens (49,1%, contra 40,3%
entre as mulheres); funcionários com formação superior (61,2%) e trabalhadores
por conta de outrem (56,8% reportam a existência destas práticas nos últimos dois
meses). Dentro destes, o fenômeno é particularmente sentido pelos funcionários
que têm vínculos com termo (60,5%). Também é significativo na pesquisa que quase
um terço dos trabalhadores (28,8%) afirma trabalhar “sempre, ou muitas vezes”
sob pressão de tempo, “tendo de terminar tarefas e trabalhos ou tomar decisões
dentro de prazos considerados insuficientes”. Pouco mais de um terço da
população empregada (34,1%) afirma ter total, ou muita, autonomia para decidir
a ordem e o modo como executa as suas tarefas ou trabalhos. Bem, a pesquisa é
portuguesa, mas, não deve ser muito diferente no Brasil. Parece que, apesar do
descanso ser considerado um direito fundamental do trabalhador, a jornada de
trabalho, que é o período estabelecido no contrato com a empresa que deve ser
cumprido pelo empregado, está, cada vez mais sendo menos respeitada,
principalmente, quando se trata de trabalhadores de nível superior ou
especializados. O que se percebe é que a legislação brasileira (e mundial) gira
em torno do emprego que, com o desenvolvimento da tecnologia e da inteligência
artificial, ao meu ver, tende a diminuir muito. Mas, se o emprego tende a
diminuir, ou, talvez, como pregam alguns, a desaparecer, o trabalho,
certamente, não desaparecerá. A verdade parece ser que é preciso que se pense
em novas leis mais adequadas a uma nova realidade. O enfraquecimento sindical
não se dá à-toa. Reflete o fato de que a classe trabalhadora é, cada vez mais,
fragmentada e heterogênea. Pensar que se possa agrupar interesses
crescentemente difusos é uma tolice. A questão do futuro será como remunerar
melhor o trabalho ou como criar uma forma de renda universal que se sustente
num modelo onde só uma parte muito pequena da força de trabalho será contratada
por empresas. A dissolução entre o trabalho e o descanso, que aumenta a olhos
(e pesquisas) vistos, é um sintoma das profundas modificações do mundo do
trabalho. E é preciso que se pense em novas formulas e não, como faz grande
parte da mentalidade de esquerda, desejar que “direitos” se sustentem, quando
não possuem, como contrapartida, o substrato econômico que os viabilize. É um
belo discurso, o de falar em direitos, mas, a história demonstra que eles só
existem quando a economia permite que possam ser sustentados.
Ilustração: http://www.fetecsp.org.br/.
quinta-feira, novembro 14, 2019
CRIAR CIDADES INTELIGENTES É CUIDAR DO FUTURO
Cada vez mais merece
atenção o tema de transformação das cidades em cidades inteligentes, ou, em inglês,
Smart Cities, que são sistemas de pessoas interagindo e usando energia,
materiais, serviços e financiamento para promover o desenvolvimento econômico e
a melhoria da qualidade de vida. Estes
fluxos de interação são inteligentes por fazer uso estratégico de
infraestrutura e serviços e de informação e comunicação com planejamento e
gestão urbana para dar resposta às necessidades sociais e econômicas da
sociedade. O Cities in Motion Index, do IESE Business School na Espanha,
utiliza 10 dimensões para indicar o nível de inteligência de uma cidade:
governança, administração pública, planejamento urbano, tecnologia, o
meio-ambiente, conexões internacionais, coesão social, capital humano e a
economia. A importância que se dá as cidades inteligentes pode ser medida pela
criação do Ranking Connected Smart Cities, um estudo desenvolvido pela Urban
Systems para o evento homônimo, idealizado pela Urban Systems e pela Sator e
realizado desde 2015, criando uma plataforma de discussão e negócios sobre o de
Cidades Inteligentes. Com 5 publicações já realizadas, as versões 2015 a 2019,
o Ranking Connected Smart Cities se configura um esforço da Urban Systems para o
entendimento e a definição dos indicadores que apontem o desenvolvimento
inteligente das cidades. A última edição
do Ranking Connected Smart Cities, de 2019, avaliou 700 cidades brasileiras,
levando em consideração 70 indicadores distribuídos nos eixos de mobilidade,
urbanismo, meio ambiente, energia, tecnologia e inovação, economia, educação,
saúde, segurança, empreendedorismo e governança. Campinas (SP) conquistou o
primeiro lugar geral, seguida por São Paulo (SP) e Curitiba (PR),
respectivamente. A liderança de Campinas se explica pelo quesito economia, com
independência do setor público, uma vez que 94,5% dos empregos formais não
estão na administração pública. Mas, também, pela tecnologia e inovação:
Campinas possui cinco parques tecnológicos e cinco incubadoras de empresas, e
apresenta 4,9% de crescimento do número de entidades de tecnologia, mesmo em
período de crise econômica. No Norte, porém, entre as 100 cidades listadas como
as mais inteligentes do Brasil só uma aparece: Palmas, a capital de Tocantins.
É preciso, portanto, que nossos prefeitos e nossas lideranças passem a olhar
com mais carinho a questão de como tornar nossas cidades inteligentes. Até
porque para se ter uma cidade inteligente não se pode olhar os setores de uma maneira
isolada. Todos eles precisam ser entendidos como fazendo parte de um ecossistema integrado que afeta o
dia a dia do cidadão. Daí, que o
processo para tornar as cidades mais inteligentes é sempre gradativo
exigindo não só gestão pública, mas,
também a compreensão dos próprios
cidadãos de que são também responsáveis pelo futuro de suas cidades. É preciso
que, urgente, se discuta como tornar nossas cidades inteligentes buscando soluções
que atendam a realidade e a necessidade de todos nós.
quarta-feira, novembro 13, 2019
A NECESSIDADE DA ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL DE RONDÔNIA
O
Departamento Acadêmico de Ciências Econômicas da UNIR, com o apoio do Núcleo de
Ciências Sociais Aplicadas também da Universidade de Rondônia e o Conselho
Regional de Economia de Rondônia-CORECON/RO, realizam, no Auditório da UNIR
Centro, um Seminário de Economia que tem como tema “A Economia do Estado de
Rondônia no contexto do Desenvolvimento Regional” em três encontros, dois dos
quais já aconteceram nos dias 4 e 12 de novembro, e o próximo, que acontece no
dia 20, na próxima terça-feira, terá como mote “A Economia de Rondônia, tendo o
Estado como agente mediador e indutor do Desenvolvimento” a ser apresentado
pelo Coordenador da Secretária de Agricultura, economista Avenilson Gomes
Trindade, e o emérito Conselheiro do Tribunal de Contas e professor Valdivino
Crispim de Souza. Até agora, apesar do público estar quase limitado aos alunos de
Economia da Universidade Federal de Rondônia, o seminário tem sido muito
frutífero no sentido de apontar a falta de um projeto para o estado e das
dificuldades de articulação, planejamento e recursos que Rondônia possui para o
seu desenvolvimento.
É
verdade, como defendeu um dos integrantes do governo durante o seminário, que
Rondônia possui um Plano de Desenvolvimento Estadual Sustentável de Rondônia-PDES/RO
2015-2030, mas, como foi ressaltado por um dos debatedores, não há um nexo
causal entre o plano, o plano plurianual de investimentos e o orçamento. Ainda que
se tenha tentado defender o governo apontando que, dada a complexidade dos
objetivos e metas e a pequenez dos recursos, seja feita uma redução das grandes
ambições do plano para um planejamento estratégico que se concentraria no que é
possível gerir, no entanto, também se contestou a gerência, que seria feita por
ilhas setoriais do governo. Ainda, porém, que se aceitasse os argumentos em
defesa do planejamento governamental é indiscutível que o PDES é um plano de
governo. Não é de conhecimento da sociedade, apesar de terem tido, conforme foi
afirmado, várias audiências públicas e se garantido espaço para as instituições
e sociedade civil. O fato é que seus objetivos não são os objetivos da
sociedade nem são por ela encampados. O que ficou patente, no decorrer do
seminário, é que a definição do que desejamos, a falta de organização da
própria sociedade, gera um hiato entre os anseios públicos e o governo. Há, por
assim dizer, um diálogo entre diferentes línguas que não se entendem. Apesar
disto, a economia estadual cresce, porém, é preciso, mais do que nunca, que a
sociedade civil se organize para fazer com que suas demandas sejam incorporadas
aos planos governamentais. Neste sentido, não importa a questão levantada da
não participação da população na medida em que é chamada apenas para corroborar
o que se planejou. Na verdade, em Rondônia, o que não é diferente do resto do
país, a população e as próprias lideranças não têm informações nem conhecimento,
por exemplo, sobre o orçamento e a utilização dos recursos públicos, o que, em tais
condições, faz prevalecer as manipulações. A grande maioria não sabe quais são
as possíveis formas de participação ativa nas deliberações públicas, de forma
que o controle social acaba sendo só pro forma, como também o direcionamento
dos recursos. Não importa se as pessoas tem, ou não, conhecimentos, inclusive
burocráticos e digitais, o que importa é que suas demandas sejam incorporadas
ao planejamento e se crie formas de controle social, sob pena de se criar um
campo fértil para a ineficiência e se abrir as portas para a corrupção. Neste
sentido, quanto menos permeável é um governo, quanto menos acessível, menor
será a influência da sociedade sobre os recursos que lhes são retirados em forma
de impostos. E menor também o retorno que deles recebem. O Seminário está sendo
esclarecedor sobre este aspecto e, principalmente, de que a sociedade
rondoniense precisa se organizar melhor para encontrar consensos sobre o que
deseja e cobrar do governo uma atuação mais efetiva em prol do desenvolvimento
do Estado.
quarta-feira, outubro 30, 2019
FACEBOOK É UMA MÍDIA AINDA MUITO DOMINANTE
Não se pode negar as
grandes vantagens que as redes sociais nos proporcionam. Basta pensar como
facilitaram a nossa vida, inclusive sob o ponto de vista profissional, como
criaram espaço para novos tipos de profissões e negócios, bem como tornaram a
comunicação fácil e instantânea. Se, vinte anos atrás, alguém tivesse dito que
poderíamos compartilhar informações, notícias, fotos, eventos tão rapidamente;
que os acontecimentos do mundo poderiam ser acompanhados e divulgados em tempo
real, dificilmente, alguém teria acreditado. Hoje é um fato cotidiano. Com as
mídias digitais, podemos bater fotos, escrever, falar, encontrar pessoas. Criar
grupos por assuntos que nos interessam, fazer novos parceiros e/ou amigos ou até
mesmo reencontrar pessoas que fizeram parte de nossas vidas no passado. Fora encontrar
trabalhos, estabelecer ligações profissionais, divulgar nosso trabalho, vídeos,
desenhos, livros, enfim, mostrar nossas
habilidades, distribuir ou vender artesanatos ou produtos. Devo dizer que já
fui mais adepto delas. Hoje tenho um certo receio tendo em vista alguns
problemas que enfrentei de notícias falsas, e-mail e uso de meu nome. Assim,
hoje, me abstenho de dar opiniões, de discutir, até mesmo em particular, com os
amigos, pois, quem não nos conhece pode interpretar brincadeiras ao pé de letra
e se tornar uma dor de cabeça de graça. Estamos no tempo da boiada. Pensar
incomoda todos os lados. Assim só posto amenidades, alguma música, uma foto com
algum amigo ou personalidade, um evento que desejo enaltecer ou convidar
pessoas para participar. Minha visão, hoje, das mídias sociais, portanto, é de que
precisam de alguma regulação e/ou mediação para terem um papel melhor. Mas, me surpreendi, realmente, com uma
pesquisa feita pela Activate Inc., que revelou que o Facebook, nos últimos dois
anos, perdeu cerca de 26% do engajamento médio por usuário e o tempo a ele
dedicado caiu de 14 horas ao dia para
apenas durante 9 horas ao dia. Redes menos fortes, como o Twitter, o Snapchat e
mesmo o Instagram, conseguiram manter seu tráfego estável, o Facebook. Bem, não
acredito que isto vá afetar o negócio, a
empresa de Mark Zuckerberg. Considero, aliás, uma análise superficial afirmar
que há “uma debandada e desinteresse exponencial da gigantesca base de usuários
em sua rede social”. O negócio dele, ao meu ver, se mantém muito forte e os
efeitos atuais são, como acontece sempre com mídias novas que fazem sucesso,
uma certa acomodação. É claro que
fatores como a questão com a Libra, os fake news, a publicidade na política e
mesmo números falsos sobre vídeos não afetem seu desempenho, mas, de fato, sua
sobrevivência está garantida por muito tempo, exceto, se uma nova plataforma, que faça ou supere seu papel na vida das pessoas, apareça. Hoje, mesmo na mídia
social, não há nada de novo no horizonte.
sexta-feira, outubro 18, 2019
O VALOR NEGATIVO DO CORINGA
Não li as críticas,
mas, o filme “O Coringa” estava cercado de muita polêmica, de modo que fiquei
ansioso para vê-lo. Todavia, para mim, foi um anticlímax. Sinceramente não
gostei nenhum pouco do filme. O filme tem sim um bom roteiro, a fotografia é
excelente e muito bem dirigido. Enfim, sob o ponto de vista técnico é um grande
filme. Que a atuação de Joaquin Phoenix é genial, também, não resta dúvida.
Porém, diga-se a bem da verdade, é muito talento gasto num papel que não honra
nenhum grande ator. Horrível também a participação de Robert De Niro. Não sei o
que o levou a aceitar um papel tão medíocre. O filme é deprimente. Não sei o
que leva alguém a contar a história de Arthur Afleck, um palhaço com
transtornos mentais, que mata pessoas, inclusive a própria mãe. Mostrar que na
nossa sociedade existem pessoas loucas? Ou que nossa sociedade é injusta e
opressiva, daí, transformar pessoas com
problemas psicopáticos em assassinos? O filme não tem lições, nem moral. É um
filme sem noção feito para uma época sem noção. Um filme que isenta de
responsabilidades quem pratica o mal e, ao mesmo tempo, pune de forma indiscriminada
quem merece ou não. Enfim, me parece mais uma contribuição para justificar que
tudo é mesmo assim, sem jeito e sem remédio. E termina com uma música que diz
que a vida é mesmo assim. Claro que não concordo. Ainda mais que a arte, e o cinema
é uma arte, deve ser feita para glorificar a vida, para criar grandes momentos,
a ilusão de que podemos ser melhores. Por isto o filme é o mais violento que já
assisti. Não pelas mortes e sim por glorificar a falta de noção, inclusive,
quando cria um assassinato em pleno um programa de televisão ou quando, a
partir dos assassinatos num trem, faz de um louco, que mata três pessoas por
impulso, o gatilho de um movimento popular anárquico e irreal sob a alegação de
que se trata de uma revolta contra a opressão silenciosa dos ricos. É uma
inversão monstruosa da civilização sob o pretexto de crítica. Há violências que
se justificam ou não. No entanto, nada justifica se glorificar a violência pela
violência. A violência é uma coisa natural do homem sim, todavia, só a
civilização, com todos os seus problemas, pode por limites aos comportamentos
humanos. O filme é corrosivo por ser selvagem, no sentido de querer justificar
qualquer coisa, por ser anticivilizatório. De fato usar a figura arquetípica do
palhaço, um ícone do riso, para uma paródia lúgubre onde uma pessoa com graves
distúrbios se transforma num assassino em série me parece muito mais um
incentivo aos loucos de nossa época (que hibernam) para que ganhem seus 15
minutos de fama. Muitas pessoas devem achá-lo maravilhoso por diversos motivos.
Não sou psicólogo. Tento conservar o pouco de racionalidade que ainda penso
ter. Para mim, é um filme deprê. Uma pena que não tenham feito algo mais
proveitoso com tantos recursos e atores maravilhosos.
sexta-feira, outubro 04, 2019
O FUTEBOL NO FUNDO DO POÇO
O
Brasil anda de pernas para o ar. Decididamente as pessoas perderam a noção das
coisas. Assisto estarrecido algumas pessoas próximas se comportarem de uma
forma que está longe de ser crível que tenha algo de racionalidade. Nem vou
citar qualquer coisa de posições políticas porque, algum tempo atrás, prometi a
mim mesmo que, dado a falta de noção (e conhecimento, inclusive histórico, que
as pessoas demonstram), não é muito sensato, nem conduz a nada, discutir
posições políticas. Vou escrever mesmo é sobre o que acontece nos campos de
futebol que, como dizem, não é só futebol. É também um retrato de nossa
sociedade. A loucura que invade nossos campos, por exemplo, se demonstra nas
agressões entre torcidas. E, faz algum tempo, se transporta para as agressões
gratuitas. A grande realidade é que futebol é um esporte. Um esporte que
apaixona e que gera muito dinheiro, mas, ganhar e perder depende de muitas
condições. Não é só o querer de dirigentes, de técnicos, de jogadores ou de
torcidas.
Neste
mundo, no Brasil, em especial, a posição mais frágil é a do técnico, mas, o
jogador também está extremamente exposto. Não importa como esteja. Se exige
dele é o resultado. E os julgamentos são implacáveis. Neymar, que é um
indiscutível craque, tem sua vida esquadrinhada, cada ato seu examinado,
pesquisado, analisado como se tivesse a obrigação de ser um ser perfeito. Cito
um jogador de grande sucesso. Porém, se exige do jogador que, além de jogar
muita bola, em toda e qualquer situação, se comporte como uma primeira dama.
Garrincha, o anjo das pernas tortas, o maior gênio, que este esporte já teve, se vivo, seria execrado por
mau comportamento e, no campo, já teria sido agredido por “desmoralizar” o
adversário. Empurraram para o campo o politicamente correto, apesar de toda a
tecnologia do VAR, não se conseguir nem correção nas arbitragens, de só servir
para impedir gols e tornar o jogo mais chato. Em suma, o que se espera, hoje, é
que, num campeonato brasileiro, como o atual, em que os times são extremamente
parecidos, todos sejam feitos de super-homens e de gentlemen. E, levada a
lógica vigente, como temos, no mínimo, doze grandes clubes, todos teriam que ser
campeões! O que é certo: ter um campeão com onze torcidas conformadas com o
fracasso de seus times ou um campeão com onze torcidas invadindo centros de
treinamentos e agredindo dirigentes, técnicos e jogadores? O que diz o seu bom
senso?
Lembro,
agora, que, ultimamente o técnico do Santos, Jorge Sampaoli, parece até um
analista do Brasil. Não que diga nada
errado. Muito pelo contrário. Tem acertado com uma frequência muito maior do
que seu time joga bola. Ele afirmou: “Vitória
gera satisfação para nós. A pressão que se gera em uma derrota chega a ser
ridícula. São críticas que chegam ao ponto de se invadir um CT. É assim que
funciona e o que temos que viver nesta profissão”. É um diagnóstico do absurdo
nosso de cada dia. O futebol, que deveria ser uma fonte de prazer e de diversão,
se transformou também numa demonstração de que a ignorância é ousada. Não
respeita a ordem, nem a civilização. Até nos tempos mais bárbaros sempre se
preservou o circo. A luta sempre foi pelo pão. No Brasil conseguiram subverter
tanto a ordem que nada é sagrado. Nem o pão, nem a igreja, nem o circo. Aí do
nosso futebol!
sexta-feira, setembro 27, 2019
O INFERNO ASTRAL DOS TÉCNICOS
A
bem da verdade não há nada de muito novo no fato de que três técnicos de
futebol sejam demitidos de uma hora para a outra, exceto ser em lote e as
decisões terem sido noturnas. A tônica forte da vida dos técnicos brasileiros é
um retrato da nossa mentalidade: o imediatismo. Basta uma sequência de maus
resultados para qualquer técnico, por melhor que seja, ficar com uma espada sobre
a cabeça. No caso atual, se olharmos para o trabalho do Cuca, ainda que possa
ter seus problemas, é um reflexo também da falta de um ambiente estável no São
Paulo. Já Zé Ricardo nem teve tempo, a rigor, de mostrar nada. Inclusive, se
comparado ao grande rival do estado, o Ceará, que se encontra a 7 jogos sem
vencer, os quatro dele deveriam ser tolerados. Ainda mais que a defesa do
Fortaleza, mesmo com Ceni, não apresentava um bom rendimento. Já Oswaldo de
Oliveira é uma ironia das grandes. O Fluminense, mesmo com dois a menos, fez
seu melhor jogo dos últimos tempos. A vida de técnico não é mesmo nada fácil.
Aliás,
numa entrevista muito feliz, Sampaoli, se queixava das críticas aos técnicos,
de não compreender nossa mentalidade. E apontava para Mano Menezes, um treinador
de qualidade, que saiu do Cruzeiro, depois de uns resultados ruins, e só obteve
vitórias no Palmeiras. Ele seria ruim em Minas e bom em São Paulo? Não. O
exemplo inverso é o de Rogério Ceni que estruturou o Fortaleza e teve uma trajetória
vitoriosa, a ponto de ser aclamado como o melhor técnico que a equipe já teve,
mas, não conseguiu, na sua curta passagem pelo Cruzeiro, nada de relevante. É
um técnico ruim? Claro que não. Tem toda razão Sampaoli quando afirmou que “Não
se crê em alguém, o resultado muda tudo e torna alguém bom ou ruim. Há mais
modificações do que do treinador em si. Que treinador é descartável e só é bom
quando ganha e mal quando perde. Acaba sendo mais importante o roupeiro do que
o treinador. Treinador se vai sempre”. É a pura verdade. É indispensável se
mudar esta mentalidade de curto prazo e dar estabilidade aos técnicos para
fazer um bom trabalho. Lembro aqui os técnicos Odair Helmann, do Internacional
e Tiago Nunes, do Atlético Paranaense. Trata-se de dois grandes técnicos. Este ano
o Internacional, até agora, não ganhou nada. Já o Atlético Paranaense ganhou a
Copa Brasil. Será que por isto o trabalho de Tiago é melhor do que o de Odair?
Difícil de dizer. Futebol também é acaso, é sorte, inclusive dos jogadores.
Odair perdeu o campeonato gaúcho nos pênaltis. Tiago conseguiu eliminar o
Flamengo e o Grêmio nos pênaltis. Um lance diferente podia ter mudado tudo. O
Edenílson, por exemplo, foi crucificado por um lance que, dificilmente, Marcelo
Quirino fará outro igual. E, aqui, entra o imponderável, inclusive a condição física
e psicológica dos jogadores. Muitos deles não jogam o que podem por falta de
treino ou por excesso de jogos. E, se o resultado não vem, a culpa será sempre
do técnico. Os dirigentes deveriam ser muito mais cuidadosos tanto para
contratar técnicos (e jogadores) como para dispensar. Pensar em criar um estilo
de jogo e uma equipe, como no passado, quando se sabia quem iria jogar e se
decorava o nome dos jogadores. Os times mais vitoriosos fazem isto. Cito o
Grêmio que, em parte pela estrela e a competência de Renato, busca manter e reforçar
uma equipe. De qualquer jeito a vida de técnico não tende a ser nada fácil
mesmo. Lembro de, pelo menos, dois deles que tiveram um imenso sucesso com seu
time e, mesmo assim, foram dispensados: Diego Aguirre, no São Paulo, e Lisca,
no Ceará. Se houvesse bom senso e uma visão de longo prazo, certamente, as equipes
seriam bem melhores e o inferno astral dos técnicos mais atenuado.
quinta-feira, setembro 05, 2019
A (IN) VERDADE NAS REDES SOCIAIS
Ninguém,
que analisar a vida moderna, pode negar que as redes sociais expandiram a
comunicação e são presentes na vida da maioria das populações, especialmente
urbanas, bem como se tornaram importantes na relação clientes/consumidores. Na
prática, os canais de comunicação ficaram mais abertos à interação, o que, sem
dúvida, gera oportunidades, porém, também cria grandes desafios. O maior deles
diz respeito as informações que circulam nas redes. Todos nós, empresas ou
pessoas, estamos sujeitos ao uso do nosso nome por outros e isto se torna, cada
vez mais, um problema na medida em que, por incrível que pareça, um estudo do
MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), dos Estados Unidos, garante que
as notícias falsas se espalham pelas redes sociais com uma velocidade seis
vezes maior do que as notícias verdadeiras. E, para tornar o estrago maior
ainda, as pessoas retêm as notícias falsas por longos períodos, principalmente,
quando estão aliadas às crenças que as pessoas alimentam. Assim, se uma
informação falsa sobre um político que não gosto circula, eu (e você também)
estamos mais propensos a lembrar desta informação por muito mais tempo.
Como
alguém que já foi vítima de informações falsas sei muito bem que isto é verdade.
Já tive blog invadido com post que nunca colocaria sendo colocado em meu nome.
Já experimentei o dissabor de veicularem e-mails em meu nome com fins escusos e
até mesmo postarem no Facebook informações que não postaria porque, no momento,
só posto poesias ou músicas, justamente, porque as disputas político-partidárias
altamente emocionais, derivadas das eleições presidenciais, criaram um clima
que tornou o Facebook o maior palco da insensatez e da sem noção. Aliás, faz
tempo que não opino, nem discuto em redes sociais. E até, diante da insensatez
do que se posta, escrevi um livro (já publicado) com o nome de “Troféus de
Caça-Contos da Era Digital” onde demonstro que as pessoas, nas redes sociais,
talvez, por pensarem erroneamente, que são anônimas, perdem completamente o
bom-senso e se comportam como se tivessem perdido, no mínimo, metade dos
neurônios.
A
verdade é que, queiramos ou não, o ambiente digital se impõe na nossa vida e não
podemos prescindir dele. No entanto, também traz muitos desafios. Cabe a todos nós, pessoas e empresas, saber utilizar
bem essas ferramentas. Embora muitos falem e escrevam sobre elas, de fato,
ainda são muito recentes e estamos aprendendo a utilizá-las. É um processo
educativo, porém, penso que as pessoas devem ter muito mais cuidado com o que
dizem e escrevem nas redes e, em especial, se certificar se o que veem,
realmente, partiu de quem aparece como autor. Nunca é demais lembrar que o que
mais circula nas redes são as notícias falsas, as fake news. E que, como
escreveu Mark Twain, muito antes de existirem as redes sociais: “Para quem só
tem um martelo, todo problema parece um prego”. Verifique e pense antes de
bater. Não que vá fazer muita diferença, mas, pelo menos, não estará
contribuindo para o festival de falta de bom senso que inunda as redes sociais.
quinta-feira, junho 06, 2019
OS DANOS DA INSEGURANÇA JURÍDICA
No
começo do ano o novo ministro da Economia, Paulo Guedes, andou apontando
caminhos que poderiam mudar muito o País. Em primeiro lugar, disse que a carga
tributária atual de 36% representa um fardo muito pesado e estava muito acima
da existente em outros países similares em tamanho ao nosso. E disse que a
carga tributária ideal para o Brasil seria de 20%, porém, que para chegar a
isto a velocidade dependeria dos gastos. E apontou o excesso de gastos na
publicidade e na compra de influência parlamentar como formas que deveriam ajudar
a diminuir as despesas. Uma parte, de fato, está aí, no entanto, o enxugamento
do governo exige mais. Exige, principalmente, que se atente aos custos das
compras, ao controle das despesas também. Fazer este dever de casa é essencial
sim para sanear as contas públicas. Ocorre que isto somente não será capaz de
mudar o Brasil. Para mudar será preciso que se faça um trabalho profundo de
desburocratização e de criar segurança jurídica para a economia.
A
segurança jurídica é uma categoria de direito que indica estabilidade nas
relações judiciais, seja na questão da não alteração arbitrária das normas
legais, seja na previsibilidade do resultado de uma ação
judicial. Este princípio serve como um dos pilares fundamentais do estado de
direito, pois, a organização social
depende da confiança que os cidadãos têm
no Estado, ou seja, na confiança de que, quando tiver um direito violado, esse
estado o protegerá. Trata-se de um princípio que, embora não inscrito na
Constituição, está implícito em muitos dos seus artigos, mas, que é
continuamente desrespeitado a todo e qualquer instante. Basta verificar que
pouco países dispõem de um cipoal de leis tão complexo quanto o Brasil. Mas, o problema não é somente a
quantidade. É o fato de que as regras do jogo mudam a cada dia, o que deteriora
o ambiente de negócios, afasta investidores e emperra o crescimento econômico.
Principalmente, os estrangeiros, de vez que nós já nos acostumamos com a
insegurança cotidiana, não conseguem entender como até mesmo um agente público
estadual ou municipal, por exemplo, com um simples parecer afeta toda uma
pratica de anos de tramitação comercial. E o que é pior: quando se recorre ao
judiciário custam a decidir contra o governo ou até mesmo coonestam mudanças
que, a rigor, careceriam de uma nova legislação. Isto é, particularmente
sensível, quando se trata do setor tributário onde a complexidade por si só já
é um problema que torna difícil, para qualquer um, entender como as coisas funcionam
por aqui, como as decisões são tomadas, como se dá o ordenamento jurídico. O
que se conclui é que o excesso de leis, de regulamentos, de normatizações e
suas mudanças constantes, aliadas ao fato de que as diversas interpretações da
Justiça no Brasil, criam incertezas que impedem a previsibilidade e desencorajam
investimentos, novos negócios. Um exemplo recente é a discussão sobre uma nova lei
dos dividendos. A isenção dos tributos sobre os dividendos é um incentivo para
pessoas físicas e fundos investirem mais, porém, até parece que o país não
necessita de investimentos. Necessita sim. E necessita muito mais ainda de
simplicidade e permanência no seu ambiente de negócios. Somos extremamente
prejudicados como nação pelo permanente estado de insegurança jurídica que faz
dos planos de negócios e projetos econômicos tabula rasa. Efetivamente, há uma
ignorância econômica muito grande sobre a necessidade de estabilidade no ambiente
de negócios para que o país possa ter crescimento econômico e se criam leis,
decretos, regulamentos e normas que aumentam as despesas das pessoas jurídicas e
físicas como se os recursos de que dispõem estivessem à disposição dos agentes
públicos. Diariamente se criam despesas inesperadas para o contribuinte sem
que, muitas vezes, quem usa a caneta tenha a menor noção do que é uma empresa e
de seus custos. É indispensável que as leis sejam simplificadas e haja
segurança jurídica dos negócios ou estaremos condenados a ser sempre o país do
futuro.
segunda-feira, abril 01, 2019
Viva a poesia
Sinceramente os tempos
não são propriamente bons para os que, igual a mim, gostam de refletir, antes
de discutir, e procurar ter uma visão construtiva, diria mesmo que, de futuro,
das coisas. E, como estamos numa época onde tudo que é sólido se desmancha no
ar, estou quase virando um monge, um eremita. De fato, sair de casa só se for
por uma boa conversa, uma boa música, um jantar ou um vinho com os poucos (e bons)
amigos que tenho. Estou mais para uma tartaruga ou como a avestruz que, todos
pensam que, nas situações difíceis, enterram a cabeça na areia. Pura lenda: se
parecem comigo, pois, correm mesmo (e muito). A diferença é que tanto corro,
quanto durmo. O sono é meu antidoto contra muitos males. Durmo muito. A
preguiça deve ser minha companheira de alma. Vou devagar, devagarinho... Bem,
isto tudo foi somente para dizer que, como não desejo me ocupar de assuntos
traumáticos, vou me ocupar de arte. De paixão para arte. Nada melhor, portanto,
que lembrar os versos de Jorge de Lima:
“PAIXÃO E ARTE
Jorge de Lima
Ter
Arte é ter Paixão. Não há Paixão sem Verso…
O
verso é a Arte do Verbo – o ritmo do som…
Existe
em toda a parte, ao léu da Vida, asperso
E
a Música o modula em gradações de tom…
Blasfemador,
ardente, amoroso ou perverso
Quando
a Paixão que o gera é Marília ou Manon…
Mas
é sempre a Paixão que o faz vibrar diverso;
Se
o inspira o Ódio é mau, se o gera o amor é bom…
Diz
a História Sagrada e a Tradição nos fala
dum
amor inocente (o mais alto destino):
A
Paixão de Jesus, o perdão a Madalena.
Homem,
faze do Verso o teu culto pagão
E
canta a tua Dor e talha o alexandrino
A
quem te acostumou a ter Arte e Paixão”.
É,
meus amigos, recorrer à poesia é sempre um modo de cantar a vida. Pode-se até
mesmo deixar de lado a forma alexandrina, mas, não, jamais, de buscar na arte,
na poesia, um bom motivo para viver. Como escreveu Friedrich Nietzsche "A
arte e nada mais que a arte! Ela é a grande possibilitadora da vida, a grande
aliciadora da vida, o grande estimulante da vida". Em suma, a arte é, de
fato, uma ode à vida, de modo que vida e poesia se confundem. Assim dar uma
viva à poesia é dar um viva à arte e à vida!
Ilustração:
Travessia Poética.
quarta-feira, março 13, 2019
IDÉIAS USADAS POR LOJAS E NEGÓCIOS DE SUCESSO
O varejo, em qualquer
lugar do mundo, está se tornando muito mais competitivo. É verdade também que a
escala pesa, ou seja, e isto é observável em Porto Velho, as grandes redes, com
compras muito maiores e, via de consequência, preços mais baixos, abocanham pedaços
crescentes do mercado. No entanto, há lojas e empresas micros e pequenas que se
modernizam e criam formas de relacionamento com os clientes que alcançam também
muito sucesso. Sem dúvida, um fator importante, fundamental para isto é o uso das
informações, dos dados obtidos sobre os seus clientes. Na prática, todo mundo
colhe dados sobre seus clientes, mas, usam bem? Aí é que reside o problema da
grande maioria. Ou não colhem bem os dados ou colhem, porém, não sabem usar os
dados que possuem. Hoje, para um negócio ser bem sucedido, é indispensável que
se tenha informações como as do aniversário do cliente, a sazonalidade e o
intervalo de suas compras para chamar sua atenção, estimular suas visitas e
compras. Assim manter um cadastro dos clientes e usá-lo bem é uma das formas
mais eficientes de aumentar e manter sua clientela.
É verdade que, muitas
vezes, existe uma resistência ao cadastro. Em geral o cliente quer ser atendido
o mais rápido possível e a coleta de dados é vista como algo indesejado. Mas,
existem formas de driblar este empecilho. Uma delas é prover os vendedores de
um sistema móvel que permita que registrem dados durante o atendimento, afora
as compras por crediário que possibilitam isto sem grandes problemas. Outro
jeito indolor de obter dados é oferecer wi-fi grátis, desde que o cliente se
cadastre. Muitas empresas fazem isto, via o próprio celular do cliente, o que
facilita ainda mais. Também uma forma atrativa é a de criar promoções onde os
clientes precisam se cadastrar. De qualquer forma, quem pretende ser
competitivo precisa usar bem seu cadastro. E existem outras ações simples que
melhoram o seu atendimento e o aproxima dos clientes. Eis algumas delas de
forma resumida:
1) Investir no pós-venda-
Todo cliente fica satisfeito quando, por um telefonema, whatsapp ou via e-mail,
a empresa procura saber de sua satisfação. Então, fazer pesquisas como o
cliente foi atendido na sua empresa é uma forma muito boa de manter a gestão de
sua clientela;
2 2) Presenteie no aniversário-
Em geral as empresas se limitam a mandar uma mensagem de parabéns que é tida
mais como uma ação de marketing do que uma atenção real. Inove. Ainda que seja
uma lembrancinha sem grande valor econômico, se for original ou engraçada ou
tiver um diferencial que o cliente reconheça como direcionada para ele, pode
ter certeza, que vai gostar. Algumas empresas oferecem cupons de descontos para
o aniversariante o que também é válido;
3) Personalize seu cadastro-
Na medida em que seu relacionamento com o cliente aumenta também melhore a
qualidade de seu cadastro. Recolha mais informações sobre ele para fazer
ofertas e promoções. Sempre dá resultado;
4 4) Crie uma forma de fidelização-
Muitas empresas usam cupons, que quando atingem uma certa quantidade, dão
direito a alguma coisa; outras criam um clube de vantagens que oferece mais
ofertas e descontos na medida em que se compra mais;
5 5) Mantenha uma loja virtual-
Hoje quem não está na internet, de fato, não está no mundo. Assim não basta
usar o Facebook ou o Instagram para divulgar sua empresa. Também outros meios
que permitam a visualização ou a compra via internet são essenciais para os
negócios modernos. É indispensável associar a loja física a um site; e
6 6) Segmente por perfis-
É preciso acessar o cliente de acordo com suas características. Logo aglutinar seus
clientes por faixa etária, assiduidade, tíquete médio, etc. ajuda a direcionar
eficientemente sua comunicação levando a melhores resultados.
De qualquer forma, é
indispensável o uso da tecnologia para se relacionar com o consumidor. É
uma enorme vantagem competitiva para as
empresas, em especial as pequenas. E, no mercado, existem soluções para negócios
de todos os portes e capacidades financeiras (aplicativos). Pode ser difícil,
às vezes, mudar a forma como se atua, porém, se a empresa não realizar ações com base nos dados dos
clientes, no mercado, hoje, tende a ser superada por seus concorrentes.
sexta-feira, dezembro 14, 2018
A FLEXIBILIDADE DOS HORÁRIOS NO MUNDO DO TRABALHO
Embora
o mundo esteja mudando muito rapidamente nem sempre isto é percebido pelas
pessoas, principalmente, as que estão em cargos de chefia. No Brasil isto é uma
realidade latente. Basta ver que ainda existe muita cobrança sobre a questão do
horário de trabalho das pessoas. A própria modificação da lei trabalhista, que
dá maior flexibilidade para todos, por exemplo, foi imensamente combatida pela
percepção pouca prática dos próprios sindicatos, que não compreendem os novos
tempos. Ainda trabalham com a concepção de que é melhor manter privilégios para
poucos do que conseguir gerar renda para muitos. É preciso ver que o sucesso no
trabalho não pode ser mais medido pela presença, pelo número de horas que a
pessoa passa no seu local de trabalho, mas, sim pelos resultados que consegue.
Basta ver que a Gallup verificou que 43% dos americanos empregados passavam o
tempo trabalhando remotamente a partir de 2016, um aumento de 4% desde 2012.
Mais importante ainda a percentagem de trabalhadores norte-americanos que
trabalhavam fora do escritório aumentou de 24% para 31% no mesmo período de 4
anos. Assim a Gallup verificou que as
oportunidades de programação flexível e de trabalho, a partir de casa,
desempenham um papel importante na decisão de um funcionário de aceitar ou deixar
um emprego. Pelo menos, nos Estados Unidos a agência constatou que "Os
funcionários estão forçando as empresas a quebrar as estruturas e políticas
tradicionalmente estabelecidas que influenciavam seus dias de trabalho".
É
uma nova forma de ver as coisas que é correta: não é ter alguém sentado numa
mesa de escritório por um determinado número de horas por dia que irá aumentar
a produtividade da empresa. Ele pode passar horas sentado sem produzir nada.
Esta a razão pela qual deslocar o local ou as restrições físicas do
trabalho para onde o trabalhador vai se
aplicar melhor aos trabalhos de escritório / criação / serviços é uma grande
vantagem. É claro que, cada caso é um caso, mas, há grandes oportunidades
criativas para dar flexibilidade aos funcionários da linha de frente. Mesmo que
o seu trabalho exija sua presença física, isto também não significa que ele
nunca poderá atender a questões pessoais importantes, como necessidades de
saúde e resolver seus problemas bancários na hora do expediente. Cada vez mais,
e, em 2019, isto deve se acelerar, começaremos a ver que o dia de trabalho de
tamanho único será substituído por algo muito mais fluido e flexível, com
modificações baseadas em tempo e localização, adaptadas tanto aos objetivos da
empresa quanto às necessidades dos seus funcionários. Este dia de trabalho
adaptável não é um benefício só para a empresa ou benefício para o funcionário,
certamente, não será a exceção à regra e sim um imperativo estratégico para as
empresas que quiserem se manter produtivas nos novos tempos. A maior prova é
uma pesquisa de Werk revelando que 37% dos funcionários nos Estados Unidos não
se sentem inspirados ou energizados por seus locais de trabalho físicos na
atual estrutura de jornada de trabalho. Também que quando os funcionários são
sobrecarregados com horários de início rigorosos e longos deslocamentos, eles
são geralmente menos capazes de se envolver em uma vida saudável e fornecer
cuidados adequados para seus filhos e entes queridos. Claro que os escritórios
físicos não serão extintos, porém, a flexibilidade dos horários e o trabalho em
casa, definitivamente, vieram para ficar. Aqui vale lembrar as palavras da CEO da Microsoft, Saty
Nadella, "O trabalho não é mais um lugar para onde você vai. O trabalho é
fazer as coisas acontecerem onde você está."
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