Lula, que sempre foi o
dono do Partido dos Trabalhadores-PT, afirmava que quando assumisse o governo
daria solução para os problemas brasileiros. E passou mais de trinta anos
chamando os outros partidos de corruptos, pregando a divisão de classes (o nós
contra eles), xingando as elites (ainda quando comandava o país, ou seja, quando
era ele é a elite-mor). Não se pode dizer que não teve seus quinze minutos de
fama: amparado na multiplicação das benesses a sindicalistas, órgãos de
comunicações e movimentos sociais montou a maior claque que o Brasil já teve.
E, navegando no crescimento mundial e na liberação do crédito, fez a população
acreditar que o Brasil, de uma hora para outra, tinha acabado com a fome, criado
uma via de desenvolvimento sustentável e se transformado em país de primeiro
mundo. A fantasia durou enquanto duraram as burras cheias de dinheiro do
tesouro. Já no final do seu segundo mandato as coisas estavam feias, mas,
pioraram significativamente quando entregou o cetro à Dilma Roussef,
apresentada como a “gerente”. E ela gerenciou a derrocada por quatro anos. E,
não satisfeita, apesar do rombo que o caixa apresentava, partiu para ganhar um
segundo mandato, onde não somente gastou milhões com empresas de marketing
político e de comunicações, utilizando amplamente as mídias sociais, inclusive
fazendo o que, hoje, acusam Bolsonaro de fazer, o WhatsApp, com mensagens
propagandísticas. Elegeu-se, mas, a deterioração do governo e do partido já
havia alcançado limites inimagináveis: nunca antes neste país houve tanta
corrupção. Todos os outros partidos estavam envolvidos, pois, o PT havia
comprado todo mundo no atacado ou no varejo. A Lavajato explodiu o tumor e a
credibilidade do PT foi para o ralo. O povo viu que Lula havia acusado os
outros do que sabia fazer muito bem. Não são as mídias sociais, nem a
inteligência ou a esperteza de Bolsonaro que estão derrubando o PT. O PT, hoje,
luta contra o povo que acreditou nele. Pode mudar as cores, todavia, não pode
mais se apresentar com a cara limpa e honesta que um dia já teve. Efetivamente,
o povo não esquece o estelionato eleitoral de que foi vitima, da enganação
maciça, da tapeação gigantesca que foi a reeleição desastrosa de Dilma. Nem de
que, com ela, começou a pagar a conta do que o PT denomina, hoje, dos “anos
felizes”: recessão, desemprego, corrupção e endividamento. Bolsonaro foi o
felizardo por sua luta contra o que sabia ser errado. Com todas as suas
contradições e limites encarna a mudança. Encarna a decência contra a
corrupção, a esperança de paz contra a violência predominante, a esperança na
política e nos políticos. É uma aposta que pode não dar certo? É. Mas, o povo
não quer mais o PT. O PT não entendeu que não luta contra Bolsonaro, mesmo com
a fala lúcida de Mano Brown. Luta contra a maioria da população que não aceita
mais o partido. Não há a mínima condição do PT ganhar. Os petistas se
desesperam gritam, esperneiam, choram, chamam os outros de fascistas, inventam
fakes, usam crianças numa propaganda que chega às raias da inconsequência, querem
puxar o tapete, mudar o mundo e as regras. O problema é que a democracia é uma
questão aritmética, de voto: ganha quem a maioria quer. E o nome está na rua,
na mídia e estará nas urnas do dia 28: Jair Bolsonaro. É uma aposta na
interrogação, porém, os brasileiros preferem o desconhecido ao que já se provou
ineficiente e danoso. Bolsonaro é a desarrumação popular contra tudo que está
aí e que o povo não quer mais.
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sexta-feira, outubro 26, 2018
terça-feira, outubro 23, 2018
APROXIMA-SE DO FIM A GUERRA ELEITORAL DAS SANDICES
Esta
é, sem dúvida, a campanha mais bizarra, mais surpreendente, violenta e insólita que o Brasil já assistiu. Jair Bolsonaro e o poste de Lula continuam trocando
pérolas, se estapeando, se esmerando em dizer besteiras e acirrar os ânimos entre
suas duas claques. O democrático, e moderado, Haddad, que dizem os seus
adeptos, não tem o menor pendor para ser fascista, foi o primeiro a dizer que
Jair Bolsonaro é um "anti-ser humano a ser varrido da face da Terra".
E, claro que como Lula ele não sabe de nada, enquanto o PT tentava emplacar a
hastag #BolsonaroAnticristo no Twitter. Vindo da esquerda petista qualquer coisa
é normal. Por outro lado, Bolsonaro disse que “A faxina agora será muito mais
ampla, se essa turma quiser ficar aqui vai ter que se colocar sob a lei de
todos nós, ou vão pra fora ou pra cadeia. Esses marginais vermelhos serão
banidos de nossa pátria”. Ele colocou a lei no meio, mas, é uma afirmação que
tem muito pouco de bom senso. E que joga lenha nos ataques e acusações de
fascismo contra ele, que nem liga, e contra seus eleitores que, estimados em
mais de 60 milhões, estão bem longe de ser isto. Chamo tudo isto de “fumaça
eleitoral”. O problema é que isto desviou a campanha de qualquer discussão
importante. Virou um desvario virtual onde muitas pessoas que pensam se perderam
e passaram a se comportar como policiais da opinião alheia, com professores,
que deveriam educar, partindo para acusações infundadas, a repetir slogans
vazios e até mesmo utilizando palavras de baixo calão. É um festival de
sandices que só desperta o pior do ser humano e nojo de olhar para o Facebook
ou ver as “descobertas” e fakenews, via whatsapp, que são enviados como se
fossem o suprassumo da sabedoria humana querendo colonizar a cabeça alheia. Me
poupem! Ninguém, com a idade que tenho, vai conseguir mudar meu modo de pensar,
nem me impedir de analisar com os meus próprios neurônios.
Bolsonaro,
é claro, tem seus problemas. Não é um mito. É um homem que encarnou a vontade
de milhões de mudança. E a mudança é contra o PT com toda razão. Afirma Sérgio
Pardellas, num artigo denominado de “A cristianização de Haddad” (https://istoe.com.br/a-cristianizacao-de-haddad/)
que “o partido que se recusou a assinar a Constituição de 1988, votou contra o
Plano Real, não topou participar da coalizão em torno de Itamar Franco
pós-impeachment de Collor e que buscou a hegemonia por meio do aparelhamento do
Estado, da corrupção institucionalizada e da perseguição inclemente a
adversários políticos, muitos tratados como ‘inimigos a eliminar’, não dispõe
de autoridade moral para entoar, aos 48 do 2º tempo, a cantilena da aliança do ‘centro
democrático’- desde que encabeçada pelo PT. Repetindo a sentença-sinceriCIDio
de Gomes: o partido que adota a mentira como dogma de ação ‘vai perder e vai perder
feio’”. É o que se constata de todas as pesquisas sérias que foram feitas,
neste segundo turno, onde Bolsonaro supera a casa dos 60% dos votos válidos e
se consolida como virtual presidente com uma vantagem acima de 21,5 milhões de
votos. A rejeição de Haddad é muito maior e o Ibope constatou que 60% dos
eleitores não votam no candidato petista. Esta a razão pela qual afirmo que,
quem está indo contra ele está indo contra a maioria do povo brasileiro. São os
fatos. O PT já teve esta maioria a seu favor. Não tem mais. O PT luta contra o
povo brasileiro. Por isto, não importa o que façam, digam, estrebuchem, chiem.
No domingo perderão. Já perderam. Só irão constatar na contagem dos votos.
segunda-feira, outubro 22, 2018
A VIA CRUCIS DO PT E DA ESQUERDA BRASILEIRA
É
impressionante a fragilidade do discurso de esquerda nesta eleição de 2018. Se
uma de suas capacidades sempre foi a de vender o sonho, o imaginário, novas
formas de ver o mundo, o que se mostra, nesta eleição, é que se encontra à
direita da direita, de vez que, hoje, luta pela conservação do “status quo”, ou
seja, são os verdadeiros conservadores. Nesta eleição bradam, desesperadamente,
pelo politicamente correto, quando toda a cúpula petista se encontra na cadeia
ou processada, e, sem a menor lógica, incorporam nos seus programas a
descriminalização das drogas, o aborto e a liberdade de criminosos. Ignorando a
vontade popular pregam a volta dos “bons tempos”, que não pode ser representado
por eles, basta ver que escondem Dilma Roussef, o retrato do desastre econômico
e são guiados por Lula, um detento. O
resultado é o que se vê: os segmentos ditos de direita, mesmo sem dinheiro e
imaginação, conseguiram criar um conjunto de imagens, de estatísticas, de
slogans que empolgam o eleitorado. O comportamento politicamente incorreto de
Bolsonaro deixa os adversários encurralados numa armadilha: para tentar miná-lo
precisam dizer que são politicamente corretos, quando não o são. Então, só
restam os argumentos rasteiros: Bolsonaro é fascista, racista, misógino,
homofóbico, e, agora, para completar, desonesto.
É
um ótimo discurso para Bolsonaro. Principalmente, que sem poder sair do canto
do ringue, a esquerda em geral, e os petistas em particular, se exasperam e
exercem a censura, o moralismo, o policiamento e até o xingamento contra os que
pensam diferente, em suma, perderam o patrimônio de ser a vanguarda da
sociedade e foram empurrados para exercer o papel da direita mais extrema, de
repressão, de acusações infundadas, de
policiamento ostensivo e antidemocrático da opinião e dos direitos
alheios. É uma completa inversão de papéis: a esquerda se tornou extrema-direita!
O que não enxergaram, até por problemas ideológicos, é que não existe ideologia
nenhuma na ascensão de Jair Bolsonaro. Uma parte é culpa do insucesso do
governo petista na economia, mas, outra parte é porque Bolsonaro encarnou o
reclamo popular pela decência na vida pública. Contra isto não adianta dizer
que Bolsonaro representa a barbárie (atribuindo a si mesmos os papéis de
iluminados). Bolsonaro somente usa o figurino que o povo deseja de moralista,
militar e defensor da ordem pública. Caiu nas graças do povo porque apareceu
gritando primeiro contra a desordem, a desorganização, a anarquia de Brasília! Ganhou
notoriedade por representar o diferente no meio do discurso tosco, comum e
mentiroso dos políticos. O capitão caiu
na graça do povo e ganhou notoriedade por ser um “outsider”. E a participação
de militares no seu governo é vista como um sinal de que se terá ordem no
futuro, como um aviso de que as coisas irão mudar. Invés de causar temor, causa
satisfação. E é contra este sentimento que a esquerda e o PT lutam. Querem
derrubar Bolsonaro de qualquer jeito. Não respeitaram nem o seu bucho aberto
por uma facada, mas, estrebucham desesperadamente na mão dos brasileiros que
ignoram, sistematicamente, seus ataques, respondendo com o aumento da vantagem
de Bolsonaro sobre seu adversário. A esquerda, que ironia, se colocou contra o
povo! Irão se desesperar, sem jeito, até serem derrotados fragorosamente nas
urnas no próximo dia 28 de outubro.
terça-feira, outubro 16, 2018
VITÓRIA DE BOLSONARO DEVE SER POR UMA DIFERENÇA MUITO MAIOR
A
primeira pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada na segunda-feira, 15,
confirmou o que as outras existentes já afirmavam: Bolsonaro aumentou a
distância em relação ao seu adversário. Mas, os
59% das intenções de votos de Jair Bolsonaro (contra 41% de Haddad),
considerando-se apenas os votos válidos, uma diferença a favor do candidato do PSL
expressiva de 18% de vantagem pode ainda aumentar muito mais. É o que mostra a pesquisa
Datafolha de 10 de outubro, onde Bolsonaro obteve 58% das intenções de voto,
enquanto que para Haddad este número foi de 42% e apontava que a rejeição a
Haddad agora é muito maior do que a de seu adversário: 47% dos pesquisados
afirmam que não votariam nele em hipótese alguma enquanto que para Bolsonaro a
rejeição foi de 35%. Este é um indicador que a campanha eleitoral em rádio e
televisão de Bolsonaro está sendo mais eficaz do que Haddad em provocar o
aumento da rejeição do concorrente.
Isto
em grande parte porque Bolsonaro está sendo beneficiado por dois fenômenos
conjuntos: 1) O PT optou por uma campanha de ataque ao que considera pontos
negativos do seu concorrente e taxando-o de fascistas; 2) Há um grande
sentimento antipetista e anti-Lula que, segundo pesquisa, dois terços dos
brasileiros desejam que continue preso. A pecha de fascista em Bolsonaro parece
muito pouco eficaz. Afinal se trata de um nome que, no primeiro turno, recebeu
49 milhões de votos e, como a insensatez do ataque se espalha, nas mídias
sociais se torna mais negativo ainda com os petistas convictos tachando os
eleitores de Bolsonaro de fascistas. É muito fascista no Brasil inteiro pelo
visto. Só aumenta a rejeição ao PT e ao seu candidato.
Também o PT não desce
do salto alto e não fez o seu “mea culpa”, apesar de toda a sua direção já ter
experimentado a cadeia. Neste ponto, o senador eleito, Cid Gomes, detonou uma
crítica que foi contundente: o PT agia como se fosse “dono do Brasil” e o
Brasil é, de fato, um país complexo. Nem mesmo adiantou a retirada de Lula das
imagens e a mudança nas cores, eliminando o tradicional vermelho do PT e
adotando o verde-amarelo, a marca negativa do partido, pois, como também adotou
uma agenda onde as propostas de governo continuam sendo vagamente expostas ( o
que também acontece com Bolsonaro) as
campanhas investem nos conflitos no campo moral e cultural, que sempre foi o
forte do populismo no PT, porém, que, agora, parece Bolsonaro e sua equipe têm
aplicado esta técnica com muito mais eficácia. Nada parece mover as tendências,
o que favorece Bolsonaro, principalmente, porque se persistem estas condições,
é provável que o capitão deve vencer a corrida
presidencial com uma ainda mais larga margem de vantagem. De vez que, dada a
expressiva diferença de votos em favor de Bolsonaro que não foi captada pelos
institutos de pesquisa, tudo leva a crer que parece haver muitos eleitores que
evitam declarar publicamente sua opção por Bolsonaro, mas, são votos que podem
produzir uma vantagem numérica ainda maior. O primeiro turno mostrou isto
concretamente e, com o pouco tempo existente, e a mais completa falta de opções
no quadro atual, onde são limitadas as chances de mudança, tudo indica que
Bolsonaro deve vencer com uma diferença muito maior.
quinta-feira, outubro 11, 2018
HADDAD NÃO É MAIS LULA?
No
primeiro turno Haddad usou a bandeira vermelha do PT e saiu dizendo, a Deus e o
mundo, que era Lula. Até teve a coragem de usar uma máscara do seu líder. O
resultado foi o que se viu: Bolsonaro teve 49.276.990 votos (46,03% dos
válidos), e Haddad, 31.342.005 (29,28%). Assim Bolsonaro teve 17.934.985 votos
a mais. Bem, o segundo turno é outra eleição? Pode Haddad virar? As respostas
são sim e sim, habitualmente. Porém, na situação atual a possibilidade disto
ocorrer é muito mais de não e não. A razão é que já no primeiro turno a eleição
polarizou-se e os que não votaram em Bolsonaro, fora os brancos e nulos, ou
seja, votaram em outros candidatos foram um pouco mais de 26 milhões. Decorre
disto que, se Bolsonaro só tivesse o mesmo número de votos, Haddad, para
vencer, precisaria buscar para si cerca
de 70% dos votos que foram dados a todos os outros candidatos.
A
dificuldade imensa disto é que Haddad não consegue obter nem mesmo os votos que
Lula poderia alcançar. Piora ainda mais a possibilidade quando se verifica que
o primeiro turno mostrou um forte sentimento antipetista que se ancora numa
situação real: Lula e os principais nomes do Partido dos Trabalhadores ou estão
presos ou estão condenados pela Justiça por corrupção e outros crimes. A farsa
do “golpe” recebeu uma condenação pública em Minas Gerais com Dilma Roussef
acabando em quarto lugar na eleição para o senado. E não foi só ela: Suplicy,
um símbolo do PT e uma liderança paulista também perdeu para o senado, mesmo
sendo favorito. E, como o PT também teve apoio de outros partidos, que
participaram do botim com ele, as lideranças, os velhos caciques que o
apoiaram, foram, exemplarmente, castigados. É o caso de Romero Jucá, de
Requião, de Raupp e tantos outros.
Qual
a estratégia de Haddad para tentar reverter o jogo? Segundo tudo indica é
amenizar o discurso petista, buscar o centro, não ir mais pedir conselhos de
Lula na cadeia de Curitiba. Ou seja, Haddad não é mais Lula. O grande problema
desta estratégia é que não basta deixar de usar o vermelho ou trocar as cores
de sua campanha para verde e amarelo. Como deixando de ser Lula irá segurar os
votos que são de Lula? O que é certo é que ao se afastar de Lula deve
desagradar a uma parte do seu próprio eleitorado. E assumir mais o seu lado
Haddad. Bem, outro problema é que o próprio Haddad não está fora dos problemas
que o PT possui: além de processos tem contra si também a pecha de ser um
administrador não muito competente. Haddad pode não ser Lula, mas, pode não ser
muita vantagem voltar a ser Haddad.
terça-feira, outubro 09, 2018
O COMÉRCIO EM 2030 SERÁ MUITO DIFERENTE
Como
será o comércio em 2030? Mais sustentável e inclusivo? Estas foram perguntas que nortearam o debate na edição
2018 do Fórum Público da Organização Mundial do Comércio (OMC), que aconteceu
entre os dias 2 e 4 de outubro, em Genebra, na Suíça. O que ficou patente no
encontro foi que as mudanças tecnológicas e sociais provocarão uma grande
transformação da sociedade e vão gerar novos hábitos de consumo, fazendo com
que o ato de ir às compras no futuro seja muito distinto do de hoje. Uma das
expectativas é a de que, em 2030, o varejo será lazer, com as fronteiras, entre ambos, desaparecendo, de vez
que as experiências de compras únicas e personalizadas para consumidores serão
cada vez mais digitais. A expectativa também é de que o acesso aos bens
predomine sobre a sua posse. Outra previsão é a de que a cadeia de abastecimento
irá adaptar-se a prazos de entrega cada vez mais curtos. As mudanças na procura
e as possibilidades ofertadas pelas novas tecnologias vão fazer com que os
processos de produção se tornem mais locais com a produção feita por impressão
3D e 4D, o que impulsionará o comércio. Os
clientes forçarão os varejistas a caminhar mais no sentido da omnicanalidade,
integração entre todos os canais, de tal modo que a norma será comprar o que se
quiser, como e quando se quiser, o que irá requerer uma interação mais intensa
entre as empresas e a logística. A loja física deve continuar a desempenhar um
papel importante na comunicação da marca e na atração do cliente. E mesmo os
negócios puramente on-line, chamados de "pure players", amparados na
análise de dados, acrescentarão lojas físicas ao seu canal online.
Uma
tendência que parece inevitável será das cidades reduzirem a prioridade dos
veículos. Decorrente disto a necessidade de criação de jardins e praças e de
ambientes mais acolhedores. Isto deve levar a uma revalorização dos centros das
cidades, mais amigáveis para os pedestres, e com uma maior dinâmica e atividades como os festivais urbanos, pois,
o lazer deverá ganhar maior expressão nessas áreas. Na verdade, os centros
comerciais serão comunidades de uso misto e incluirão todos os elementos para a
vida cotidiana, misturando escritórios, varejo e áreas residenciais. E passarão
a incluir novos serviços, como ofertas educativas, espaços de co-working, zonas
de armazenagem e serviços de saúde. Com o aumento das vendas online serão
necessárias menos lojas para cobrir um mercado. Em contrapartida, os
consumidores serão mais exigentes e cobrarão experiências mais personalizadas. A
tecnologia digital reformulará as lojas físicas para melhorar a experiência de
compra e reduzir custos. E não será nenhuma surpresa a introdução de com robôs
no varejo para a automatização de processos. O Big Data e análise de dados aprofundará o poder
de previsão e o entendimento das emoções
dos clientes. É varejo concorrerá com o lazer focado na personalização de
produtos para manter a fidelidade dos clientes. Surgirão novas soluções que não
se tem como prever, mas, veículos autonômos recolherão os produtos devolvidos
em casa dos clientes ou em pontos definidos. A logística recorrerá à analise de
dados para serem mais eficazes, o que tornará os processos de entrega e
devolução bem mais eficientes. O
artesanato, em 2030, será um novo
segmento do comércio. O consumidor está cada vez mais interessado em produtos
artesanais e marcas locais devido ao aumento da procura por experiências únicas
e autênticas, daí, o número de negócios
independentes deve aumentar. Além disto, as próprias grandes cadeias de varejo
vão desenvolver conceitos e marcas com aparência independente para ocupar uma
parte deste mercado. Não há dúvida de que a
beleza e a saúde serão setores que ganharão imenso impulso. Graças ao
Instagram, Facebook e da vontade de
aparecer continuamente, os negócios da beleza e cirurgia estética,
focados na melhoria da imagem, tendem a ter um forte crescimento, bem como a
procura de bem-estar fará crescer os serviços de "wellness" e as
lojas de alimentação .
Nos
combustíveis, os a previsão é do surgimento de mini hubs logísticos. Os serviços serão centrados nos veículos
elétricos, porém, incorporarão mais
oferta de comércio e de lazer devido aos tempos de espera dos carregamentos.
Devido à sua localização, converter-se-ão também em locais de mini distribuição
e incluirão diferentes opções de ponto de retiradas de mercadorias (os
"click & collect"). O que parece ser uma tendência consolidada é
a de que os consumidores serão mais sensíveis às experiências do que para a
aquisição de bens, o que aumentará o nível de competitividade. Na prática
desparecerão as grandes diferenças de preços entre os artigos de luxo e os
comuns e o consumidor tenderá a compras no curto prazo, com os produtos
baratos, ou no longo prazo, com os produtos de maior qualidade.
segunda-feira, outubro 01, 2018
ELEIÇÃO NÃO É RISCO PARA A DEMOCRACIA
Muitos
analistas, apressados ou influenciados pela mídia ou mesmo pelas redes sociais,
afirmam que o país está dividido entre Bolsonaro e PT, daí que, qualquer deles
que ganhe, a ingovernabilidade ameaça o próximo governo. Sinceramente esta não
é minha leitura da situação atual. É visível, por exemplo, o desgaste do PT,
mesmo no seu núcleo mais forte, o Nordeste. Haddad, segundo o último
levantamento do Ibope, alcança apenas 29% dos votos, enquanto Bolsonaro, sem
base partidária forte e sem horário eleitoral, consegue ter 17% dos votos. E a
propaganda do candidato do PT, Fernando
Haddad, prometendo que os bons tempos
de Lula voltarão parece não surtir o efeito desejado. Ninguém parece ter
saudades deste passado, exceto os próprios petistas.
Talvez
ainda esteja muito recente na mente das pessoas o próprio anúncio eleitoral da
campanha de Dilma Roussef que prometia a felicidade, a volta dos bons tempos de
Lula, mas, entregou ao país a maior recessão econômica de sua história. Basta
verificar que saiu deixando 12,3 milhões de desempregados, com uma inflação em
9,3%, uma retração do Produto Interno Bruto-PIB de -3,9%, a aceleração da
dívida interna que aumentou mais de 70%, sem contar a perda de valor das
empresas nacionais do qual a assaltada
Petrobrás foi o maior exemplo. Ninguém deseja mais a volta do PT dos “nós e
eles”, afora os petistas que, por problemas com a justiça ou ideológicos,
aceita a tosca versão de Lula e deseja vingança contra os “golpistas”, que
promoveram o impeachment de Rousseff. O problema disto é que os supostos
“golpistas” são a maioria do povo brasileiro.
Quanto
a Bolsonaro (PSL) é verdade que se trata de um candidato impregnado de
conservadorismo, bem como, parte de seus adeptos fazem manifestações de racismo
e homofobia. Porém, muito mais do que isto sua força se deve apelo aos valores
familiares, à necessidade que as pessoas sentem de ordem, de segurança, da
volta, aí sim onde estão as verdadeiras saudades, dos tempos em que se podia
circular pelas ruas sem medo de assaltos ou de tiros. Bolsonaro pode até não
ganhar, mas, no momento atual, é quem mais representa a necessidade de paz que
o país anseia. É paradoxal que um capitão do exército, uma pessoa com
personalidade contraditória como ele, encarne, hoje, as aspirações nacionais.
No entanto, ele sim é o representante do desejo da maioria por ser, de fato, o
único que mobiliza a população, inclusive parte contra ele. Mas, isto não
autoriza ninguém, inclusive por seus atos e palavras, a crer que sua eleição
seja uma ameaça às instituições.
Penso
que não importa quem ganhe não há riscos para a governabilidade, que já passou
por testes bem duros nos últimos tempos. A questão muito maior que envolve a
atual eleição é se iremos avançar ou não, além de Lula. Na verdade é sua sombra
que tisna a atual eleição, de vez que, mesmo na cadeia, ainda manipula seu
partido e interfere, de forma indevida, no processo eleitoral. Mas, somente
isto é feito com a conivência de grande parte da imprensa (por ele muito
favorecida) e pela manipulação de dados das pesquisas. Apesar dos pesares,
mesmo com o acirramento de opiniões, a democracia se fortalece com eleições.
sexta-feira, setembro 28, 2018
O CANDIDATO MASSA DE BOLO
É um exercício inútil,
bem sei, mas, em época eleitoral, gosto de fuçar nos números das pesquisas. Foi
o que fiz com os últimos números do IBOPE
relativos aos resultados divulgados no último dia 24 de setembro que estão
disponíveis por estado no link https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/eleicao-em
numeros/noticia/2018/09/26/pesquisas-ibope-nos-estados-veja-evolucao-da-intencao-de-voto-para-presidente-26-09.ghtml.
É verdade que faltam lá os números dos estados do Paraná e do Espírito Santo,
mas, não eliminam a possibilidade de se fazer algumas análises, quando as eleições
estão, aparentemente, polarizadas, de vez que Bolsonaro surge com 27%, seguido
por Haddad com 21% e o mais próximo deles seria Ciro com apenas 12%.
Vendo os dados por
estado o que salta aos olhos é que Bolsonaro vence em 15 estados e no DF, incluindo
os três maiores colégios eleitorais: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Já Haddad só lidera em sete estados, todos do Nordeste. Fora eles, somente Ciro
Gomes ganha no Ceará. Quando se somam os votos totais, considerando apenas os
válidos, ou seja, considerando 20% a menos dos votos, se verifica que Bolsonaro
apresenta 30, 7 milhões de votos contra 23,4 milhões de Haddad, uma diferença
muito significativa de 7,3 milhões de votos. Acrescente-se que Haddad no
Nordeste inteiro consegue ter uma diferença de 3,9 milhões de votos, o que é
muito significativo, porém, só em São Paulo, ironicamente, onde o petista foi
prefeito da capital, Bolsonaro consegue ter uma diferença de 5,6 milhões de
votos. No Rio de Janeiro, a diferença é de 2,1 milhões de votos; em Minas
Gerais de 1,6 milhões de votos e no Rio Grande do Sul é de 1,2 milhões de
votos. Em suma, é uma surra monumental,
considerando o atual retrato do instituto de pesquisa.
Interessante também é
verificar que, se considerarmos os votos válidos, teríamos, sem considerar os
dois estados que não aparecem na pesquisa, algo como 109.587.875 votos válidos
( pode ser alguma coisa mais ou menos). Não precisamos ser muito exatos numa especulação.
Ora, os demais candidatos reuniriam, neste contexto, algo como 23% dos votos
válidos, ou seja, considerando que Bolsonaro possui 28% deles e, pelos dados
por estados, Haddad somente 23,1%, então ainda existem cerca de 25% dos votos
em disputa e não apenas os 18% dos brancos e nulos ou dos que não sabem ou não
responderam. Talvez isto explique muito dos ataques insanos, de última hora,
contra Bolsonaro: a decisão desses votos se dará na última e decisiva semana. O
esforço, a artilharia pesada que se vê contra Bolsonaro, mesmo aceitando os
números do IBOPE, parece comprovar que o temor real é de que Bolsonaro ganhe
mesmo no primeiro turno. Inclusive porque, no Nordeste também, o antipetismo
cresce de uma forma exponencial. De qualquer forma o que os dados mostram, de
vez que a própria pesquisa informa que 85% dos votos de Bolsonaro são
cristalizados, é que carece de sentido pensar que será possível batê-lo fácil
se houver um segundo turno. Seja quem for encontrará um candidato com forte
contingente eleitoral nos maiores
colégios eleitorais do País e que se assemelha a massa de bolo: quanto mais
batem mais cresce.
sexta-feira, agosto 31, 2018
A MARÉ BOLSONARO
A
chegada de Bolsonaro em Porto Velho, com a manifestação apoteótica que lhe foi
prestada, a partir do Aeroporto Jorge Teixeira de Oliveira, demonstra que é
impossível não considerar a caminhada do, até então deputado, um fenômeno
eleitoral. Não são os gritos de “Mito” ou o refrão gritado de “Um, dois, três,
quatro, cinco, mil, queremos Bolsonaro presidente do Brasil” que, parte dos
seus fãs apaixonados, que o qualificam assim, mas, o fato irrefutável, que tem
ocorrido em muitos outros lugares do País, que sua chegada reúne uma multidão,
de uma hora para outra, sem que haja um partido ou organização planejando.
Trata-se, isto sim, de um reconhecimento de que, para o bem ou para o mal, no
meio de uma política pantanosa, Bolsonaro surge como alguém verdadeiro, de
opiniões e que atende a uma necessidade que a população sente de rumo, de
direção, de segurança.
Confesso
que o fenômeno, no começo, me pareceu uma reação anti-petista, anti-esquerda.
Afinal, sua candidatura é posta como uma candidatura que busca resgatar os
valores da pátria, da família e até mesmo da religião, embora, sem um definição
de qual delas. Parecia mesmo que fosse uma oposição à Lula da Silva. Pode até
ter sido. Não é mais. Pelo que estou vendo houve um alargamento de sua base que
somente se pode explicar pela necessidade de esperança. Na areia movediça da
política, diante do bombardeio de notícias sobre corrupção, diante da própria
falta de firmeza da justiça, quando surge alguém que não foge de seus
princípios, que não tergiversa, que não esconde o que é, mesmo com todas as
suas limitações, passa a encarnar o papel de um condutor, de uma pessoa que
pode canalizar as energias para construir o novo.
Na
minha opinião falta muito para se considerar Bolsonaro presidente eleito (mesmo
sendo o fenômeno que já é), todavia, os seus opositores o estão ajudando muito.
A tentativa de demonização que fazem, quase infantil, de querer atribuir a ele
homofobia, ou de menosprezar as mulheres ou não ter sensibilidade social ou
mesmo capacidade intelectual, não vão muito longe. Somente se pode suplantar a
esperança com mais esperança. Se um dos outros candidatos não passa a
simbolizar a esperança para os brasileiros, sua eleição será inevitável. E, por
enquanto, nenhum dos outros consegue mobilizar, como Bolsonaro tem feito, os
eleitores. Em Porto Velho, nesta sexta-feira, tive que ceder e dar minha mão à
palmatória. Não se pode mais tratar Bolsonaro sem considerar que é o mais forte
candidato à presidência, no momento. A maré Bolsonaro já existe. E com
possibilidade de virar tsunami.
terça-feira, agosto 28, 2018
A FORMULA CONHECIDA PARA O BRASIL CRESCER SEM MÁGICA
É
preciso que as pessoas entendam, pelo menos, um pouco de economia. É claro que,
se quisermos ser um especialista na matéria leva anos e é muito difícil.
Entender profundamente de economia é uma tarefa para a vida toda. Porém, há
toda uma soma de conhecimentos econômicos que já se estabeleceram e fazem
parte, por assim dizer, do senso comum. E, para dizer de uma forma bem simples,
são parte da sabedoria popular como é notório, por exemplo, que quem gasta mais
do que tem se endivida ou que, para poupar, se deve gastar menos do que se
ganha. Mas, há outros tipos de conhecimentos econômicos tão simples que, mesmo
assim, ainda não foram absorvidos pelo público em geral.
Um
deles é o de que não se pode ter um país desenvolvido sem liberdade econômica,
segurança, inclusive jurídica e escolaridade. Liberdade econômica é se poder
empreender sem o ônus de um estado pesado, sem uma burocracia excessiva e sem
uma carga tributária pesada-como ocorre no nosso País. Segurança, inclusive
jurídica, é ter segurança mesmo, não se ser assaltado, mas, também as leis não
mudarem de uma hora para outra, de forma que se possa ter um horizonte para os
negócios, ou seja, o que se chama previsibilidade. E escolaridade porque nenhum
país se desenvolve com uma quantidade grande de analfabetos. Todos os países desenvolvidos possuem, em
média, mais de 13 anos de escolaridade. Aqui, Lula da Silva, vendeu, e
convenceu muita gente, de que seria possível se transformar o Brasil sem educar
sua população, um verdadeiro conto do vigário. Só prova que ele foi muito bom
em vender ilusões. No entanto, é preciso pensar no futuro.
E
pensar no futuro é cobrar do nosso futuro presidente, seja quem for, se exigir,
até para dar o seu voto, que se comprometa com estas metas que são essenciais
para se ter um desenvolvimento de verdade: 1) fazer um programa efetivo de
alfabetização melhorando a escolaridade; 2) simplificar, desburocratizar as
leis tributárias, trabalhistas e os regulamentos, em especial relativos ao meio
ambiente; 3) Fazer a reforma tributária; 4) Criar incentivos para o
empreendedorismo, inclusive facilidade de crédito; e 5) Implantar um grande
programa de primeiro emprego para os jovens. Como se observa, na prática, é
fazer o que fizeram os países, como a China e a Coréia do Sul, que fizeram um
esforço real de planejamento, de educação, de empreendedorismo e de criação de
um futuro melhor para sua população. E para isto não se precisa de um super-presidente,
nem de um salvador da pátria. Se precisa sim de determinação, de vontade de
mudar esta nossa triste realidade, fruto de uma política econômica centrada no
aumento do estado, no consumo, e não na
produção, que é o caminho, sem fazer as reformas essenciais que o País tanto
necessita. É preciso que o próximo presidente faça apenas o feijão com arroz
para preparar o futuro com que tanto sonhamos. Controlar as contas públicas e criar condições para que as pessoas se desenvolvam, criem negócios, sejam protagonistas de suas vidas. O estado é um ser estéril. Só serve para os que dele se servem e, em geral, contra a população.
Ilustração:
onfloow.com.
segunda-feira, agosto 13, 2018
UM CONSTRUTOR DE SONHOS COM AS PALAVRAS
O
nosso querido amigo Lito Casara, indiscutível mestre do chorinho com o seu
bandolim mágico, me emprestou para ler o livro da Editora Record, “Ficha de
Vitrola & Outros Contos”, do seu parceiro, no clássico da música popular
brasileira “Matinês” Jaime Prado Gouvêa. Já sabia que devia ser muito bom,
porém, fui surpreendido com a capacidade de escritor do mineiro, pois, não
consegui parar mais. Só parei quando terminei de ler o livro todo. É uma
leitura, sem dúvida, deliciosa. Não somente por Jaime ser um ser, mesmo na
literatura, essencialmente musical, como também porque transparece nas letras
sua alma de boêmio, sua imensa capacidade de construir narrativas que prendem e
revelam um sólido intelectual.
Suas
histórias, que, mesmo quando não expressa de forma clara, são mineiras, cantos
mineiros, possuem também o lado universal com o qual todo ser humano se
identifica. Seu livro de contos é um livro urbano, um livro em que sua
imaginação percorre as ruas, a cidade, passeia pelos sons, máquinas, odores,
mormaços e pedras não deixa de ser, em momento algum musical, não apenas pelas
alusões constantes a vitrolas, ou o ambiente dos bares que, junto com o álcool,
exigem sons, porém, ainda mais por suas citações de preferências artísticas que
vão dos mineiros (Milton Nascimento e Fernando Brant) brincar com Charlie Parker,
bordejar Caetano, Torquato Neto, Macalé, Caymmi ou Paul McCartney, com a mesma
sensibilidade devoradora que junta Odair José, Bee Gees, Nara Leão, Martinho da
Vila, Elvis Presley até abusar com Nat King Cole, Roberto Carlos e Antônio
Carlos & Jocafi. É uma salada que pode ter tanto Chopin, quanto Lindomar
Castilho, Wanderley Cardoso ou mesmo “Que c’est triste Venise” com Charles
Aznavour, todavia, encaixadas em contextos nas quais se tornam indispensáveis
como referências para personagens que destilam suas desesperanças ou reproduzem
destinos familiares.
Apesar
de, em muitos momentos, ser triste e pesado, como a vida, o que não falta no
texto de Jaime é beleza, imaginação, uma concisão das palavras que vai se
incrustando em nós como as valsas ou os rocks lentos que se insinuam em
estórias do cotidiano que são, sempre, poéticas, com citações literárias de
grandes pensadores, poetas e escritores, como Nietzsche, Homero, Joyce,
Rimbaud, Robert Frost, Dumas, F. Scott Fitzgerald, Edgar Allan Poe, Ascenço
Ferreira e Paulo Mendes Campos, cujo um dos textos dá título ao conto “Batuque
dos gambás”. Efetivamente se trata de um autor refinado. Não é uma leitura para
incultos nem enquadrados, embora esses também possam ler para compreender que
quem tem cultura e visão larga escreve bem melhor. E é o que muito me agrada em
Jaime. Seu descompromisso com filosofias ou tribos, com padrões, inclusive na
literatura, do qual um maravilhoso exemplo é o conto “Relatório de viagem”, que
faz, com maestria, sobre os ocupantes das poltronas de um ônibus, onde revela a
vida e os pensamentos dos passageiros, ou em outro no qual o filho mais novo do
sargento Lima depois de ter aprendido a voar despenca sobre a cristaleira para
encher os olhos de vidro.
Há
na escrita de Jaime o prazer e a dor de viver. Seja no tédio, um tema
constante, na repetição dos destinos ou mesmo no novo começo que nunca se sabe
onde vai terminar. É a incerteza que faz seus contos, em certos momentos, quase
serem poemas trágicos ou desconcertantes. Todos, porém, latentes de lirismo.
Ler Jaime Prado Gouvêa é um mais um prazer que a vida nos dá. É como escutar
uma música de qualidade em letras, sorver um bom vinho, fazer o suave e
desesperado amor que seus personagens transmitem. É para quem gosta de boa
literatura. Não deixem de ler!
segunda-feira, julho 16, 2018
NÃO SE PESCA BOA NOTÍCIAS NAS REDES SOCIAIS
Que
nós vivemos uma época confusa ninguém, de sã consciência, duvida. A questão é
que os velhos valores, as instituições que existem, em grande parte, deixaram
de funcionar num mundo de imensas diversidades. Isto danificou, de forma
irreversível, o conceito de “audiência” que, no passado, era igualado a
consumidor. Aliás, tanto televisões abertas, quanto rádios, revistas e jornais
eram feitos para a grande massa e dispensavam a necessidade de um conhecimento
mais profundo de cada um dos leitores, espectadores, e, atualmente, dos internautas.
Assim não havia a necessidade de atingir demandas segmentadas ou individuais.
Se vivia em torno de um leitor médio, uma abstração. Sem outras alternativas o
leitor consumia o que estava disponível, embora insatisfeito.
A
internet produziu uma transformação impensável antes no modelo de negócio da
mídia que, agora, precisa, necessariamente, de uma adaptação radical, para a
qual, até agora, não se mostrou preparada, de vez que o poder do consumidor foi
acrescido com informações alternativas que qualquer um fornece via mídias
sociais. E, embora exista, o consumidor, em geral, não vê grandes diferenças
entre o jornalismo e as informações, por exemplo, do Facebook ou do Whatsapp.
Claro que não é tudo igual. Normalmente, a informação jornalística é confiável.
É checada antes de ir à público. O jornalista, via de regra, tem muito mais
consciência de que tem responsabilidades e obrigações com o que notícia. Já
quem posta alguma coisa não pensa nos efeitos, nem tem a mínima noção dos
efeitos ou da responsabilidade pelo que faz. Haja vista o imenso
compartilhamento dos fakes e notícias mais toscas, sem pé nem cabeça que fazem.
Agora mesmo na Copa reproduziram, somente mudando o nome de personagens, a
mesma notícia de que o Brasil havia vendido a Copa por um acordo com a Fifa, sem
tirar nem pôr o texto da copa que a França venceu no passado! Santo Deus!
A
grande verdade é que o consumidor é quem decide o que consome, onde consome, quando
consome, mas, por outro lado, muitos que são consumidores também escrevem,
programam e editam na mídia social. Ora, é lógico que, como são muitos, eles
atingem melhor individualmente a interesses diversos, mas, estão melhor
preparados para fazer isto do que, por exemplo, sites, portais, jornais e
revistas de notícias? É claro que não. Estes possuem um foco nas notícias,
vivem de procurá-las e verificar seu grau de confiança. Por isto, de fato, é
muito difícil veicularem notícias falsas. Até tem muitas que, por reprodução,
podem ser distorcidas. No entanto, nem dá para comparar com o nível de notícias
sem base, sem sentido, falaciosas, mentirosas mesmo, que transitam nas redes
sociais, onde, é preciso dizer, rola um clima de torcedor de futebol, que
somente veicula o que favorece o seu time. A importância que se dá, no momento,
ao que se escreve, ou edita, nas redes sociais provém, em boa medida, do desconhecimento
que as grandes empresas de mídia continuam a ter dos seus consumidores. Na
medida em que se assenhorearem melhor do mercado, criarem uma forma de receber e
pagar bem pelos conteúdos que o público deseja, com certeza, será muito menos
influente o papel das mídias sociais. É a falta de informação que torna a rede
social importante para muita gente que, por ironia, não confia nos meios de
comunicação e valoriza fontes ainda muito menos confiáveis.
Ilustração: Lagoinha.
segunda-feira, abril 30, 2018
INOVANDO PARA FACILITAR O ACESSO E A LEITURA
O Gente de Opinião (https://www.gentedeopiniao.com.br/)
não mudava o seu sistema faz 12 anos e sua apresentação continuava igual, nos últimos sete anos. Agora, porém, a partir do meio dia
do último dia 27 de abril, o leitor deparou com um site inteiramente renovado:
mais leve, mais dinâmico, porém, sem deixar de lado a pretensão de ter rapidez
e qualidade da informação jornalística, ao mesmo tempo, que procura expor todos
os lados de um determinado assunto.
O certo é que o novo
site se destaca pela usabilidade, ainda que esteja investindo em vídeos e
procure utilizar, cada vez mais, os efeitos de multimídia. No entanto, a
mudança atende às demandas de leitores que reclamam da dificuldade de utilizar
os sites de notícias existentes pelos problemas de acesso ao conteúdo, a
poluição de muitos deles e, principalmente, pela demora. A instantaneidade,
queiram ou não, se impõe em veículos que buscam a modernidade.
Sem dúvida, a nova cara
do Gente de Opinião consolida uma etapa de um processo, que o coloca como um
dos sites mais acessados do Estado de Rondônia, com destaque para a sua pouca
rejeição e o grande tempo de permanência
dos web-leitores, o que demonstra o interesse pelas matérias, o que, aliás, tem
um adendo: uma parte significativa de seus constantes leitores provém do exterior,
inclusive pelo interesse que a Amazônia produz. A nova plataforma, além de
estar mais fácil e leve de navegar, integra os diversos canais de acesso: site,
celular e tablete. De fato, o formato se
adequa a cada dispositivo e se destaca pela qualidade que possui em todos eles.
Entre as mudanças no
processo, na página inicial do site, os conteúdos passaram a ser organizados de
forma que possibilita um acesso rápido aos assuntos principais, com destaque
para as notícias mais lidas e os colunistas, de forma que as informações, além
de ficarem mais fáceis de serem encontradas, estão mais leves, sem perder a
atenção constante pela qualidade. No entanto, como informam seus editores, este
é um processo em transformação que busca dois objetivos básicos: ampliar a
facilidade de acesso ao público e fazer um site de notícias mais regionalizado
e com maior qualidade. A estrutura foi
planejada para se alternar com
facilidade entre os conteúdos na página inicial, permitindo assim mais clareza
e uma navegação com maior rapidez. O Gente
de Opinião com esta mudança procura tornar a navegação o mais simples possível,
intuitiva mesma, para ser o que é sua vocação: um site feito com carinho para
informar cada vez melhor e com mais qualidade.
segunda-feira, fevereiro 26, 2018
A ECONOMIA CRIATIVA E O CARNAVAL
No mundo cresce a
importância do que se denomina de economia criativa, ou seja, o setor econômico
formado pelas indústrias criativas, aquele conjunto de atividades econômicas
que na produção e distribuição de bens e serviços utilizam a criatividade e as
habilidades dos indivíduos ou grupos como insumos primários. No Plano Nacional
de Economia Criativa, publicado em 2012 pela Secretaria da Economia Criativa, a
economia criativa abrangia os seguintes setores: Música, filme e vídeo, TV e
rádio, Mercado editorial, Design e moda, Artes visuais, Artes cênicas e dança, Cultura
popular, Publicidade, Arquitetura, Jogos e animação, Gastronomia, Turismo e Tecnologia
digital. A abrangência da economia criativa, que tem como matérias primas a
inteligência e a criatividade humanas, incluem atividades tradicionais e
modernas, mas, apresenta possibilidades praticamente ilimitadas de
desenvolvimento.
Entre estas, e é pouco
reconhecido pelos setores públicos, se encontram duas grandes expressões
culturais brasileiras: o futebol e o carnaval. Este último, porém, parece mais
do que qualquer outro, uma síntese da economia criativa, de vez que demonstra e
expõe a extraordinária inteligência e a criatividade do brasileiro, que, faz
uma festa fantástica que se destaca para o mundo inteiro. No entanto, até mesmo
sendo uma enorme fonte de atividade econômica, pois, este ano, por exemplo,
bateu recorde de movimentação econômica girando R$ 11 bilhões, envolvendo cerca
de 10,7 milhões de turistas brasileiros e 400 mil estrangeiros, uma festa que
foi 20% maior que a anterior. Inclusive agregou Belo Horizonte como uma nova
praça de atração que se juntou ao Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife e
Olinda e Fortaleza, que já eram atrações tradicionais.
Não há estatísticas de
qualidade sobre o carnaval em Rondônia, mas, principalmente o de Porto Velho
também já representa uma movimentação significativa para a economia local. No
entanto, como foi representativa a ausência do Galo da Madrugada este ano, o
carnaval, como outras festas populares, continua a não ser olhado com o carinho
devido. São inúmeras as exigências e taxas que se cobram de quem deseja colocar
seu bloco na rua e, muitas vezes, os foliões que somente desejam brincar se
veem tratados como se isto fosse um crime quando é uma manifestação artística e
uma atividade econômica. Ao contrário do que se pensa, quem faz carnaval,
normalmente, tem que trabalhar muito tempo, muitos carnavalescos o ano todo,
para desfilar nos três dias. E esta atividade deveria, isto sim, ser olhada com
carinho e incentivada. Não é fácil, por exemplo, manter uma tradição como a da
Banda do Vai Quem Quer por tanto tempo. Os blocos tem uma história e um papel importante
na união social e na economia de uma cidade. Carnaval, por mais que os
desinformados pensem que não, é coisa séria e é um fator econômico e social que
faz parte da cultura de uma cidade. Quem o faz, e faz bem, deveria receber
apoio e aplausos e não, como é comum, reclamações dos que não gostam e
empecilhos para fazer com que as pessoas se divirtam e tenham lazer. Algo que
falta muito em nossa cidade.
segunda-feira, fevereiro 19, 2018
A MERCADORIA QUE MAIS FALTA NO MERCADO
Viver
nunca foi fácil-esta é uma verdade. Mas, antigamente, não se precisava de muito
conhecimento, de muita informação para se viver. Não havia, como agora
acontece, a obrigação que, muitos possuem de estar sempre bem informado, o que
acaba gerando muita angústia e ansiedade, pois, não é mais possível ao ser
humano ficar por dentro de tudo. Devo
dizer que nem tento, mas, vejo muitos amigos pensando que atualizar-se é
imprescindível. Há muita informação sendo produzida e o seu acesso é cada vez
mais fácil, o que dá a impressão de se entender de tudo. É um luxo que não
pretendo ter. Sei que meu saber é limitado. E também que a informação não é
mais sinônimo de resolução de problemas. Pode ser até a causa deles. Até porque
o excesso de informação pode até ser pior do que a ignorância. Aliás, segundo a Universidade da Califórnia,
em San Diego, os americanos consomem 34 Gigabytes de informações por dia. No
Brasil deve ser menos, porém, a confusão não deve ser menor. Acrescente-se que,
por digerir este gigantesco fast-food digital, muitas pessoas começam a pensar
que sabem de tudo e de tudo entendem. Sem perceber que o excesso sempre
prejudica a qualidade. E, no mundo atual deve-se ser especialista: saber muito
só de poucas áreas.
Num
mundo cada vez mais caótico, ao mesmo tempo em que se tem, cada vez mais,
explicações, há um vácuo imenso entre explicações, de fato, científicas e a
realidade, ou o que quer que pensamos ser real. De fato, para sermos exatos,
tudo é representação e versão no mundo atual. Efetivamente, estamos presos numa
cultura de ruído. Para onde quer que nos viremos acabamos sendo enredados nas
malhas da notícia, da música, dos smartphones, dos ipods, dos alto falantes e
da TV nos espaços públicos. Sem contar que, até mesmo nos locais de refeições,
mesmo em locais abertos, o som alto de bandas de rock se associam à fala alta
das pessoas para nos perturbar. E, nas ruas, os motores de veículos e
motociclistas nos assustam com seus decibéis (no Rio de Janeiro o matraquear de
armas pesadas). O som, a palavra, as
imagens nos envolve, nos arrasta, nos consome junto com a ideia maluca (e
difundida sem contestação e sub-repticiamente) de que precisamos estar em
comunicação o tempo todo. A mídia é selvagem no mundo moderno. Não temos com
ela uma relação ecológica. A qualidade se perdeu na quantidade e o silêncio é
difícil de ser ouvido, como deve ser, como algo necessário, essencial para se
poder ter equilíbrio, pensar, se encontrar com o nosso mundo interior. O
cérebro humano não é preparado para absorver tantas informações ao mesmo tempo.
Mas, a competição requer produção seja do que for. O homem competitivo
desrespeita os seus limites, porém, gera tanto informação, quanto lixo. E só
sabe diferenciar quem tem sabedoria. Uma mercadoria muito em falta no mercado
de celebridades instantâneas. Por isto, os quinze minutos de fama estão caindo
para quinze segundos.
Ilustração: Muitas Mídias - WordPress.com.
quinta-feira, fevereiro 08, 2018
FAKE NEWS É CRIME
É
risível, em muitos momentos, o contorcionismo que, os que, hoje, se dizem de
esquerda, mas, que se esquecem
que até pouco estavam mandando, desmandando e se lambuzando no governo, ou seja,
sendo mais direita que a própria direita, fazem para tentar voltar ao poder.
Campanhas a favor do voto nulo, que só favorece a um improvável candidato, ou a
de que “eleição sem Lula é farsa” são de um infantilismo a toda prova, na
medida em que, até pouco tempo, defendiam que ficha suja não poderia, de forma
alguma, participar da eleição. Como Lula, agora, é ficha suja, então, para ele
as leis não valem? É, como se observa, o jogo dos que, não importa os meios, o
que vale são os fins, alcançar as tetas do tesouro a qualquer custo, que, no passado, levaram países inteiros, como a Rússia,
à bancarrota e, nos dias atuais, infernizam a vida dos venezuelanos. Se existe
uma coisa que os fatos comprovam é que não pode existir democracia com o
predomínio do estado. Só há, portanto, democracia, mesmo que digam que é
formal, sob o capitalismo. Pode ser que venha a existir outra forma, porém, no
mundo atual, ou se vive no capitalismo, com os males que tiver, ou se vive sob
uma ditadura de um grupo que domina o estado. O resto é conversa para boi
dormir.
O
último deste tipo de malabarismo vem dos especialistas em mídia da esquerda que
criticam a criação de grupos por parte da Polícia Federal para discutir formas
de coibir os fake news (notícias falsas) no período eleitoral. O notável
raciocínio que é de que o combate a este tipo de crime visa privilegiar a
grande mídia e cerecear o crescimento dos portais e blogs independentes, que,
segundo os próprios, fazem o enfrentamento ao monopólio da informação. Em
síntese dizem que é um golpe articulado pelo governo Temer para restringir a
liberdade de expressão de veículos alternativos de mídia, no ano eleitoral. E
justificam que isto, os boatos, sempre aconteceram em eleições, bem como que o
monitoramento exclui os meios de comunicação da mídia tradicional. Assim,
supostamente, se perderia pluralidade e circulação de informações.
Ora, todavia, que tipo
de informações vão se perder? As falsas. De fato, manipulação de informações
podem ser feitas pelos meios tradicionais, porém, há uma pluralidade deles, a
favor e contra, muito mais contra o governo. Depois os meios de comunicação
estampam sua responsabilidade e, mesmo que não o façam, devem primar pela
qualidade, o que não é como desejam, isenção. Jornais, revistas, televisões tem
interesses próprios, refletem a sociedade. Mas, quem responde pelas notícias
falsas? Depois do dano realizado, é claro, será muito difícil recuperar os
estragos, todavia, pelo menos, ao se identificar e punir quem os fez,
efetivamente, se cumpre a lei.
O esquerdismo infantil
confunde tudo. Liberdade de expressão não é se poder, como fazem muitos deles,
fabricar notícias, por mais absurdas que sejam, como se fossem verdade para
atender seus interesses. Não pode ser aceitar que a falsidade, a mentira e os
boatos possam intervir na vida social ou no processo eleitoral. Não se pode
confundir liberdade com licenciosidade. Fake news devem ser punidos sim. E ao
criar um grupo para identificar os autores, e punir, a Polícia Federal presta
um relevante serviço ao País. Fake news
pode ser tipificado como crime contra a honra, como calúnia, injúria ou difamação,
mesmo que ainda não exista uma legislação específica. E como criminosos devem
ser tratados quem os cria e divulga. As mídias sociais não estão acima da lei e
quem as usa para divulgar mentiras, ou difamar pessoas, tem que sofrer as penas
que as leis preveem. Não há democracia sem respeito às regras, sem respeito às
leis.
Ilustração: Ontotext.
sábado, janeiro 27, 2018
A ESQUERDA É UMA RELIGIÃO
Walter Benjamin foi quem disse que o capitalismo era
uma forma de religião. Não deixava de
ter uma visão correta ao pensar que, como qualquer pessoa obcecada, o
capitalista é uma pessoa que só tem uma ideia: ganhar dinheiro. Mas, fico
tentado, por pura ironia, a dizer que, quem se pensa de esquerda, hoje, no
Brasil, é também um religioso. É, no mínimo, um adepto do fervor
anticapitalista. Foi Marx quem, num momento impensado, estimulou, sem desejar,
é claro, a religião mais autêntica do país, no momento, ao dizer que “os filósofos
limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo”.
As palavras, como grande parte do Marx escreveu, são poderosas, mas, ele
acreditava que o capitalismo estava prestes a ruir, quando, na verdade, estava
ainda na infância. Como vidente Marx se não foi cego, no mínimo, teve uma
visão muito deficiente. No entanto, incitou os idiotas a agir sem pensar, daí, a multiplicação do marxismo vulgar e ativista, especialmente de álcool e
de sofá, que se constata no presente.
Não
é preciso de muito discernimento para verificar que o capitalismo é, por excelência,
quase sinônimo de crise. O que se observa, porém, e Marx foi um precursor desta
visão, é que sua capacidade de adaptação, de sobrevivência se mostra, cada vez
mais, forte na medida em que a fragmentação e a complexidade do mundo
aumentaram. E a explicação maior para isto reside, justamente, em que se baseia
num sistema de decisões difusas, ao contrário, da visão socialista que depende
da centralização. Crise, desigualdade, crescimento, inclusive dos problemas, é
o cerne mesmo do capitalismo, mas, não, como pensaram Marx e Engels, a pobreza,
até porque a pobreza é relativa. O que as pessoas de esquerda não sabem agora,
é o que fazer. São simplesmente contra. Ficam fazendo o discurso idiota contra
os ricos, os grandes bancos, as grandes empresas, a Globo, a elite e por aí vai, mas, não respondem
a uma pergunta simples: como substituir o atual sistema? Que sistema propõem
para substituir o capitalismo? Como fazer? Quanto a isto a resposta é um
profundo silêncio. É como o médico que tenta tratar da doença sem um
diagnóstico e não sabe o remédio que vai dar ao paciente. E esta situação mostra que é preciso, de novo, ser marxista antes de Marx,
ou seja, interpretar a realidade atual. Não adianta querer mudar o mundo,
rapidamente, sem saber para onde. Ficar chorando as pitangas por Lula, ficar protestando apenas, reclamar
do “mordomo de vampiro” ou dos coxinhas, estigmatizar Bolsonaro, é uma delícia; fazer faixas e usar camisas “Fora Temer” é fácil, bem como usar o Facebook para atacar quem pensa diferente, mas, pensar e propor mudanças para
a nossa realidade é que o problema. É o vazio do pensamento, de propostas e de lideranças que
transforma o país num deserto de ideias e o esquerdismo numa fé inabalável.
quarta-feira, janeiro 24, 2018
CONSIDERAÇÕES SOBRE O OBSCURANTISMO CONTEMPORÂNEO
Não tenho mais
paciência nem de explicar, quanto mais discutir, questões complexas com a
imensa maioria das pessoas. Não que me considere um grande pensador, porém, a
intelectualidade brasileira anda pensando de forma tão rasteira que barriga de
cobra pode ser pensada como um lugar elevado. Ainda permanecemos, em termos das
discussões relevantes, no século passado. Este pensamento dominante de
esquerda, por exemplo, do politicamente correto e da ideologia do “coitadinho”
são, tipicamente, produtos de sub-pensadores (não vou nomear os mais conhecidos
para não dar crédito ao submundo), que são ampliados nos vídeos e facebooks da
vida pelos nerds pagos e os (as também para agradar a mediocridade) ativistas
de sofá. É difícil, para estes pseudointelectuais pensar, daí, que ainda estão
no tempo em que era possível pensar que mais estado fosse uma solução e
incapazes de reconhecer que o capitalismo, por mais desigualdade que faça, foi
quem melhorou a vida de todos nós.
A incompreensão,
para não dizer um termo mais forte, vem de que se apegam a uma definição (nem
sabem que isto existe) de pobreza do passado para argumentar que, quem não
concorda com suas ideias, ou é alienado ou não tem compaixão
com os pobres. A pobreza mental deriva de que a pobreza moderna não é a mesma
nem do século passado quanto mais do século XVIII, quando havia, de fato, muito
mais pessoas em situação de carência alimentar. Hoje, o que havia no passado,
seria considerada pobreza intolerável, mas, foi a norma. E as pessoas não
tinham escolas, nem sapatos, nem qualquer tipo de assistência de saúde, por
pior que seja. Ignoram que, mesmo que a pobreza seja eliminada, digamos em 25
anos, sempre haverá um “revolucionário” usando a pobreza para justificar seus
interesses de poder ou, meramente, pelo desejo de aparecer numa sociedade do
espetáculo.
A
verdade é que a pobreza estará sempre sendo redefinida por ser uma forma de
comparação. A pobreza depende da comparação que se faz. Com o que ou quando se
compara. E só mesmo a indigência mental deduz uma correlação entre pobreza e
criminalidade. Os pobres são criminosos? Não se pode levar esta correlação que
a esquerda faz a sério. A pobreza sequer ajuda a criminalidade. São as ideias
vigentes, o discurso idiota de que todos têm direito sem deveres, que basta
existir para que o estado dê tudo a todos. É muito bonito o discurso, mas, quem
paga. Não são os Chicos Buarques da vida, nem as atrizinhas bonitas, que fazem
discursos infantis, que vão abrir mão de sua boa vida para manter os pobres.
Depois a grande realidade é que, com todos os problemas, as condições de vida
têm melhorado, cada vez mais, enquanto a criminalidade aumenta violentamente. A
realidade é que o discurso idiota do politicamente correto, como o incitamento
à revolta, ajudam mais ao aumento da violência do que o discurso conservador, e
correto, de que é preciso melhorar a educação, trabalhar e se esforçar para
melhorar de vida. Mas, terceirizar a culpa para os políticos, para a corrupção,
contra a elite, os ricos e outros, estigmatizando quem não segue o discurso
fácil, é sempre mais confortável do que pensar. Vivemos uma época obscura onde
se empunha tochas apagadas pretendendo fazer luz.
domingo, dezembro 31, 2017
O QUE O GOOGLE REVELA DO BRASIL
Quando
se fala na influência sociais das redes na formação das opiniões não deixo de
ser um pouco (pouco?) cético. Pelo menos, no Brasil, penso que, por muito tempo
ainda, a TV Globo, embora não sendo o Grande Irmão, que os radicais costumam
pintar, ainda será muito mais influente que as redes sociais. É claro que, com
certos descontos, no que diz ao mercado. Quando se trata de consumo, de fato,
as redes sociais estão se tornando, cada vez mais, relevantes.
No
entanto, basta verificar quais os assuntos que os brasileiros mais pesquisaram
no Google, em 2017, para se ter o tamanho da influência das redes sociais. Nos
cinco primeiros lugares nas buscas aparecem: 1) Big Brother Brasil; 2) Tabela
do Brasileirão; 3) Enem; 4) Marcelo Rezende; e 5) O Chamado. Alguma surpresa
para o fato de que a televisão seja a fonte dos interesses maiores? Bem, então,
vejam os por quês mais perguntados pelos brasileiros: 1) Por que o Brasil não
está na Copa das Confederações?; 2) Por que o Zeca vai ser preso? 3) Por que
Evaristo saiu do jornal Hoje?; 4) Por que Claúdia Leitte saiu do The Voice?; e
5) Por que Pedro Bial saiu do BBB?. Não precisamos discutir a relevância destes
assuntos, mas, é possível que olhando o que os brasileiros desejam saber a
coisa melhore.
Quando
se vai ver a busca pelo “O que é”, então, vemos que o brasileiro tem,
efetivamente, interesses espantosos. Assim os cinco significados mais buscados
são: 1) O que é pangolim?; 2) O que é sararah?; 3) O que é TBT?; 4) O que é um
ábaco? e 5) O que é sororidade?. Se examinarmos as buscas veremos que um
refere-se ao reino animal, dois à linguagem digital, um, sobre o ábaco, que é
surpreendente, diz respeito à história e/ou à matemática e só o último tem
alguma coisa a haver com política e/ou movimentos sociais.
Longe
de mim desejar fazer ilações apenas de alguns indícios, mas, quando se observa
que as cinco personalidades mais citadas foram, por ordem, William Wack, José
Mayer, Leo Stronda, Fábio Assunção e Pabllo Vittar, então, fico, sinceramente,
em dúvida se o nível de educação do Brasil não é superavaliado. E, aproveitando
a deixa, espero que a educação do Brasil melhore, na medida em que, se ficar do
jeito que está, ou piorar, vamos sair do nível da fofoca para a criação de uma
fábrica de monstros em série. De qualquer forma o Google diz muito sobre nós
mesmos.
quinta-feira, dezembro 28, 2017
NADA SERÁ COMO ANTES EM 2018
Bem, todo fim de ano,
queiramos ou não, é tempo de renovação. Senão, de fato, ao menos de esperanças.
A partição do tempo em períodos, no caso ocidental de meses e anos, tem o dom
também de, periodicamente, nos trazer a sensação de que haverá mudanças. E,
comprovamos que elas sempre existem, para o bem ou para o mal. Embora, com o
passar dos anos, como vamos ficando mais velhos, possa até parecer que, no
palco da vida, não existe nada original, de vez que as coisas se repetem, no
entanto, não se repetem da mesma forma. Há sempre algo de novo, por mais que
desejemos pensar com os padrões antigos. E há alguns visionários, como Ray
Kurzweil, um inventor e futurista, que aposta que o passo acelerado da inovação
tecnológica continuará multiplicando-se. Para ele, “Nós não vamos experimentar
100 anos de progresso no século 21 – será algo como 20.000 anos (no passo de
hoje),” diz. Se as tecnologias criadas nos últimos anos são a fusão de milênios
de trabalho, ciência e progresso humano, então, mesmo com o parto difícil da
prosperidade brasileira, e de muitos outros países atrasados, temos que
acreditar no futuro. Apesar de tudo, há vida inteligente na terra. Há quem,
certamente, evolua.
Exemplos disto são, nem
tanto para nós, pobres brasileiros, os mercados mundiais em ascensão.
Espera-se, por exemplo, que, em 2018, as principais tendências de negócios
sejam em tipos de tecnologias novas como os drones, cuja estimativa é de que
decolem e, pasmem, pelo menos nos Estados Unidos, passem a fazer o serviço de
Delivery, ou seja, as pizzas passarão a ser entregues via drones. Também o site
de tecnologia TechCrunch aponta que o mercado de RA (Realidade Aumentada) e RV
(Realidade Virtual) deve crescer e movimentar 108 bilhões de dólares até 2021. Representações
virtuais possibilitam imersão em filmes, games, simulações para treinamento e
começam a gerar hologramas. Não é à-toa que o Pokémon GO, o game de Realidade
Aumentada da Nintendo, tornou-se um fenômeno mundial. Bem, para quem não tem
água, energia e esgoto, pensar em Internet das Coisas parece um sonho irreal,
mas, a integração dos sistemas tecnológicos, que é uma decorrência dela, fatalmente
nos alcançará. Assim como já começamos a comprar ingressos no Cine Aráujo, do
Porto Velho Shopping, graças à automação
que deve aumentar ainda mais, mesmo nos socavões do mundo. E o que dizer da
Inteligência Artificial? Que está nos cercando, de forma inevitável. Como não
se pode viver longe da Internet é preciso lembrar que
os assistentes pessoais
Echo e Google Assistant oferecem uma eficiente e informativa interação. O Echo,
assistente da Amazon, é um dos itens mais vendido na Amazon.com. Segundo a
Morgan Stanley, mais de 11 milhões de pessoas já contam com o assistente, e
segundo a VoiceLabs, 24.5 milhões de assistentes pessoais estariam sendo
vendidos até o fim de 2017. E o Watson? O sistema da IBM, para empresas, conta
com a inteligência artificial mais avançada já criada. É uma prova que computador
pode compreender e responder à linguagem humana, o que já mudou a forma como
interagimos com as máquinas. E, se pensa mesmo que nada não muda, não ouviu
falar da máquina, criada pela empresa Hanson Robotics, o simpático robô, que chegou a falar que possuía alma, agora Sophia é um cidadão saudita. A
condecoração ocorreu no evento de tecnologia Future Investment Initiative, em
Riad, capital da Arábia Saudita. Não fazemos ideia do que uma "cidadania
para robôs" representa, mas, não se pode deixar de ficar impressionado, ao saber que a máquina recebeu
a nomeação e fez um discurso de agradecimento. Como acreditar que, em 2018, as
coisas serão as mesmas?
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