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terça-feira, outubro 17, 2023

O HARAQUIRI ELEITORAL

 


O governo deve servir ao povo e não o povo ao governo- isto deveria ser uma regra básica da boa administração. No Brasil não é. Os governantes de plantão fazem o que bem entendem sem atentar para o bom senso e, como tem sido comum, também pagam o preço por suas decisões. O governo Lula da Silva, seguindo a norma da velha política, se comporta como se o mundo não tivesse mudado até mesmo depois de uma pandemia. Como, desde meados dos anos 90, sempre o governo tem optado por aumentar impostos para cobrir suas despesas se comporta como se o tempo não houvesse passado. Como se a carga tributária não tivesse chegado a níveis mais altos dos que admissíveis para uma economia como a nossa. Como se Bolsonaro, com todos os erros que possa ter, não tivesse existido e comprovado que, com desoneração, as coisas ficam mais baratas, as famílias compram mais e o PIB-Produto Interno Bruto e a arrecadação aumentam, como ficou evidente em 2022. Então, então, o que temos visto é a reoneração dos impostos, medidas que visam somente arrecadar mais e cobrir os rombos de despesas maiores. A opção do governo Lula tem sido clara: mais governo e mais impostos. A reforma tributária, que se esperaria que fosse para simplificar e diminuir impostos, até agora, dentro da incerteza que a cerca, tem tido textos que simplificam, porém aumentam os impostos. O setor de serviços, por exemplo, se mobiliza freneticamente para impedir que as alíquotas cresçam estratosfericamente. O próprio relator da reforma afirmou, categoricamente, que seria impossível não esperar que a reforma não aumentasse os impostos. É com esta impopularidade que o governo federal está lidando. E, para se livrar de tamanho fardo, vendeu aos governadores, em cima de uma reforma que não se sabe o que vai ser, que é preciso aumentar a alíquota do ICMS de 17% para 21,5%! Ou seja, disse que, com os novos impostos, mesmo que haja uma regra de compensação, é preciso aumentar também o ICMS. Antes apenas 13 estados haviam embarcado nesta barca furada. Rondônia não era um deles. Agora, com uma manobra com todos os pecados da ausência de diálogo, o governo de Rondônia embarcou também por este caminho. Os deputados estaduais que aprovaram já experimentam o mau gosto da impopularidade. O governo ainda não. A população ainda não sentiu os efeitos. Os empresários, mais conhecedores dos efeitos, se revoltaram. A ida de mais de 90 entidades para reclamar na Assembleia Legislativa demonstra que manter a lei que foi sancionada  é assumir a crise. Os burocratas do governo somente pensam no seu financiamento e nos compromissos assumidos, mas a economia é uma ciência triste. Vai ensinar a eles que a esperteza tem um preço eleitoral muito caro. Alguns deputados já estão pagando. O governador e o candidato do governo estão dispostos a pagar? O estrago vai passar, é claro, pela cesta básica, mas o efeito será bem maior: cada bebedor de cerveja do estado vai lembrar muito bem a quem deve estar pagando seu prazer mais caro.

quinta-feira, outubro 05, 2023

O LEÃO ESTÁ SOLTO NAS RUAS

 


Não há como negar a notável campanha que o Fortaleza realiza na atual Sul Americana, basta dizer que foi o time que alcançou mais vitórias e só teve uma derrota em 11 jogos. A LDU de Quito, que também fez uma campanha belíssima, chega à final com 7 vitórias, 4 empates (o dobro do Fortaleza) e 2 derrotas. Em saldo de gols, o Fortaleza possui 16 gols, com dois jogos a menos que o time colombiano, e sofreu 9 gols. A LDU, nos seus 13 jogos, fez 22 gols e sofreu 7, o que mostra sua imensa capacidade defensiva, comprovada por não sofrer nenhum gol do Defensa y Justicia, um time argentino difícil de não fazer gol em casa. Então, teremos na final o melhor ataque contra a melhor defesa, mas isto não quer dizer nada. Enquanto o Fortaleza tem a seu favor o entusiasmo e o forte desejo de fazer história, de fato, a mística da LDU é bem maior, são mais experimentados nos grandes embates, de forma que não ponho a mão no fogo por nenhum dos dois. Será um grande jogo- é minha única certeza. Mas, temos que elogiar e ressaltar a campanha do Tricolor de Aço. Um time que, em 2018, estava na Série C do brasileiro e, agora, disputa a final da Sul Americana, depois de fazer boas campanhas na Série A, ou seja, tem demonstrado consistência nos últimos anos, é raro. E não se pode deixar de elogiar sua direção, que deu estabilidade ao time e ao seu treinador. Aqui vale lembrar que, citando um exemplo clássico, a Orquestra Sinfônica de São Paulo foi maravilhosa sob a regência de John Neschling. Sem o maestro, pode o conjunto voltar a ter um alto nível de excelência, porém não será o mesmo, o som magistral que o mestre conseguiu obter era único. Em termos de futebol temos que nos dobrar a maestria do técnico argentino Juan Pablo Vojvoda, que se tornou, em números de jogos, o segundo maior treinador em jogos da história do time. Isto, é claro, colabora para que, com 79 vitórias, 35 empates e 40 derrotas e mais de 59% de aproveitamento somado a que consegue extrair o máximo de suas equipes, ainda que os investimentos sejam menores. É uma vitória do conjunto, mas com o indiscutível dedo de um maestro, a quem, merecidamente, deram tempo para trabalhar, um exemplo que deveria ser seguido por muitos outros times. É claro que torço, espero, que o Fortaleza ganhe da LDU, porém não há como não exaltar o feito da equipe neste na Sul Americana e neste ano de 2023. Que se cuidem o Leão está solto nos estádios e com o cuidado do seu treinador. Quem for fraco que se cuide. Porque se não for sólido quem estará nas ruas são os torcedores para comemorar mais uma vitória, mais um título.

quinta-feira, setembro 07, 2023

CHICO VIOLA NÃO MORREU

 


A história da música brasileira não pode ser escrita sem seus grandes ídolos. E, quando se volta no tempo, há alguns, antes de Roberto Carlos, que é o rei desde dos finais dos anos 60, existiram outros grandes cantores que foram grandes ídolos. Três, pelo menos, dominaram a cena brasileira; Francisco Alves, Orlando Silva e Cauby Peixoto. Eles arrastaram multidões. Ninguém, porém como o Chico Viola, o Rei da Voz. De fato, Francisco de Moraes Alves, que nasceu em 19 de agosto de 1898, na Rua da Prainha, no Rio de Janeiro, que  foi uma criança inquieta. E sua inquietude o levou a seguir os passos da irmã, Nair Alves, um atriz do Teatro de Revista, com quem trabalhou e com a atriz Zazá Soares, que o batizou de “Chico Viola”. Chico gravou três músicas em disco, em 1919, do compositor Sinhô (José Barbosa da Silva) na gravadora “A Popular”, de João Gonzaga, companheiro  Chiquinha Gonzaga. Ele gravou as músicas de Sinhô: O Pé de Anjo, marcha; Fala, Meu Louro (Papagaio Louro), samba; e Alivia Esses Olhos, samba, acompanhado pelo Grupo dos Africanos. O disco foi lançado em 1920. Mesmo com o sucesso da marcha “O Pé de Anjo”  só viria a ser reconhecido por ser o primeiro a gravar com o sistema de gravação elétrica, quando gravou as músicas de Duque. Depois começou a gravar regularmente e ser considerado, em 1928, o Príncipe dos Cantores Brasileiros. Foi o locutor César Ladeira que, em 1933, o chamou de o Rei da Voz. Gravou com grandes nomes da época, como Mário Reis e Carmen Miranda. Era um excelente violonista e compositor, mas também comprou muitas músicas-uma prática comum da época- e lançou artistas como Orlando Silva e João Dias. Não bastasse isto foi ovacionado, em Buenos Aires, cantando Gardel e gravou clássicos, como “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso; “Na Virada da Montanha”, “Eu sonhei que tu estavas tão linda”, de Lamartine Babo e Francisco Matoso; Nervos de Aço, samba de Lupicínio Rodrigues e Marina, de Dorival Caymmi. Quando começou o que chamou atenção, além de “Pé de Anjo” foi o samba “Fala meu louro”, que Donga tomou como uma alusão a ele, mas era contra o ex-senador, ministro e deputado Ruy Barbosa, que quieto depois de ser derrotado na corrida presidencial de 1919. A letra  “Tu que falavas tanto / Qual a razão que vives calado?”, perguntava o samba de Sinhô, que rebaixava Ruy (do heroico “Águia de Haia” ao falante “papagaio louro”) e apontava o fim de seu poder: “A Bahia não dá mais coco / Para botar na tapioca / Para fazer um bom mingau / E embrulhar o carioca...”. Ele fez um notável sucesso, no mínimo, por 25 anos ininterruptos. Impossível dizer qual seu maior sucesso. Mas, de concreto se sabe que foi a música “Adeus 5 letras que choram”, que o acompanhou no enterro, depois do acidente, 27 de setembro de 1952, na Via Dutra, quando seu carro colidiu de frente com um caminhão na altura de Una, município de Pindamonhangaba (SP). Falam que foi acompanhado por 500 mil pessoas, as menores estimativas, falam em 200 mil. Que importa isto? Importa é que Chico Viola não morreu. Vive eternamente no imaginário popular. E seus sucessos serão cantados por muitos pelo tempo afora.

terça-feira, agosto 15, 2023

NEYMAR FAZ GOL DE PLACA

 


Queiram, ou não, os despeitados, porém a grande verdade é que Neymar Júnior é, no momento, o maior jogador de futebol em atividade. Não que possamos desconhecer a história de Messi ou de Cristiano Ronaldo, duas grandes lendas do futebol moderno, ou a qualidade de um Lewandowsky, de um Benzema ou de um Mbappé. Sim, todos são grandes nomes dos campos de futebol. No entanto, ninguém consegue ter o apelo emocional, a presença mundial e as atenções que Neymar desperta. Isto para o bem ou para o mal. Assim como o criticaram por ter ido para o PSG, agora, também o criticam por ir para o Al-Hilal. Até dizem que, como vai para um campeonato com menos apelo visual do que a Champions League, tende a encerrar sua carreira como jogador de alta intensidade. Isto é uma bobagem sem tamanho. A grande, a enorme realidade é que o futebol está equalizado em todo mundo. Num nível mais alto físico e de menor qualidade-é verdade-mas é assim. Basta ver que os clubes árabes, ultimamente, tem enfrentado os grandes clubes europeus de igual para igual. Basta ver, por exemplo, que o Olimpia faz três gols e desclassifica o Flamengo; que um clube como Deportivo Pereira ganhou do Boca Juniors, despachou o Independente Del Valle e está entre os oito maiores da Libertadores da América. Aqui mesmo, é preciso ver, que o América Mineiro, que está em último lugar no campeonato brasileiro, é um time muito difícil de ser batido, o que mostra o equilíbrio do Brasileirão, e, pasmem, está entre os oito classificados na Sul Americana e não será muito espantoso se chegar na semifinal ganhando do Fortaleza. Voltando a Neymar. A verdade é que sua ida para o PSG foi um passo arriscado. E ele foi protagonista no time francês. Pode ser que haja alguns erros seus, mas os acertos foram maiores. E, convenhamos, o campeonato francês é um dos mais pesados que existe, daí também as lesões que o acompanharam. A meu ver não teve sorte. Mas, o time também não ajudava pelas mudanças e o ajuntamento de jogadores. Até teve entrosamento, em alguns momentos, todavia nunca foi, de fato, uma grande equipe, mesmo agrupando jogadores de qualidade como o trio Messi, Neymar e Mbappé. O ambiente também nunca ajudou. Como não se valorizar ter um jogador como Messi, como Neymar no seu time? Como hostilizar estrelas deste tamanho? A verdade é que Neymar saiu por falta de opção, por não se sentir feliz em jogar lá. E ir para o Al-Hilal nas atuais circunstâncias é sim um gol de placa. Em primeiro lugar pela fortuna que irá auferir e, em segundo lugar, por potencializar as luzes que se jogam sobre o futebol árabe. Hoje, com nomes como os de Cristiano Ronaldo, Benzema, Kanté e tantos outros que poderiam ser citados é um futebol ascendente sim. Assim como Messi valoriza o futebol norte-americano também Neymar valoriza o futebol árabe. Ambos, como Cristiano Ronaldo, fazem história, uma nova história. E tornam o futebol o maior esporte mundial mais globalizado do que nunca. A verdade é que muitas pessoas no mundo, agora, comprarão a camisa do Al-Hilal e desejarão assistir seus jogos por causa de Neymar. Não é pouca coisa. E quando se paga o que se pagou para ele é porque, com certeza, o retorno vale a pena.

 

domingo, julho 30, 2023

DESENROLA, MAS NÃO MUITO....

 


Evidentemente que ninguém é contra um programa que buscar retirar as famílias do endividamento. Afinal o mérito de ser destinado, na maior parte, as pessoas de menor renda, o programa Desenrola, criado pelo governo federal, tem, mas, apesar da boa intenção, quem entende de economia sabe que só vai funcionar por pouco tempo na medida em que se atacam os efeitos e não as causas. Não há dúvida de que, teoricamente, se trata de uma forma de fazer a economia girar aumentando o consumo via os que, hoje, estão com o nome sujo. Este é, na verdade, o objetivo maior do programa, pois apesar de revestido de caráter social, é uma tentativa do governo de estimular a economia e aumentar o produto interno. O erro está na forma. Um país, para crescer, se faz necessário aumentar a renda, melhorar o nível de emprego. A tentativa via consumo não tem sustentação, não resolve o problema. Quem está endividado, na maioria das vezes, perdeu um emprego, teve um negócio mal sucedido, o que ocorreu muito durante a pandemia, ou uma doença grave e avançou sobre o crédito usando dinheiro que não possuía. E aqui o cerne do problema: a grande massa dos endividados não possui noções de educação financeira, não controla seus gastos e isto em todas as faixas de renda. É claro que, para quem está numa situação de inadimplência, o programa Desenrola, é excelente, inclusive para os bancos, que irão receber parte de um dinheiro dado como perdido. O grande problema é que, agora, com parte da divida o inadimplente pode voltar a ter crédito. Com certeza vai gastar de novo e, com mais certeza ainda, voltará a ficar inadimplente. Isto porque o problema não é financeiro e sim derivado da falta de educação financeira. O que vejo de errado no programa Desenrola é que, embora todo mundo seja, em tese, a favor da educação, a prática dela não existe na ação governamental. Se existisse, a primeira exigência do programa -assim como se faz com motoristas flagrados em casos de bebida-deveria ser submeter a quem quisesse participar do programa da obrigação de fazer um curso de educação financeira, com matemática básica, estudo comportamental e estratégias para ter uma vida financeira sob controle. Inclusive orientando sobre a necessidade da poupança e de criar um fundo para a aposentadoria, de vez que, com os problemas da previdência, será cada difícil se aposentar pelo INSS e se ter sustentação na velhice. Da forma como está sendo feito o programa Desenrola irá dar um alívio temporário e um alento à economia, porém no médio e longo prazo tende a aumentar ainda mais os problemas do endividamento. Inclusive também possui o aspecto pouco claro sobre quais incentivos estão sendo oferecidos aos bancos para, por exemplo, suspender, incialmente, quem tem dividas abaixo de R$ 100,00, de vez que apenas se retira o nome dos órgãos de cadastros negativados.  E também trata de forma desigual os inadimplentes ao fixar a negociação somente para quem ganha até R$ 20 mil. Os que ganham mais não tem direito a resolver seus problemas? Bom, de qualquer forma, o programa começou com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) divulgando que, nos 5 primeiros dias do Desenrola Brasil, programa teve uma adesão de 2 milhões de brasileiros com dívidas de até R$ 100,00 e foram repactuados mais de 150 mil contratos de dívidas, no valor de cerca de R$ 500 milhões, exclusivamente pela faixa 2, categoria para brasileiros com renda mensal de até R$ 20.000,00. Não se pode negar o sucesso da iniciativa.

 

 

UMA REFORMA TRIBUTÁRIA DIFÍCIL E NECESSÁRIA

 


A Reforma Tributária aprovada na Câmara dos Deputados possui algum lado bom? Sim. Considerando que, no momento, se paga 15% de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), bem como de 12 a 18% de Imposto de Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS), mais 9,25% de PIS e COFINS, afora ainda as taxas sobre a folha de pagamento e o Imposto de Renda sobre os lucros e um considerável volume de trabalho contábil cujos custos são também grandes, então a unificação dos tributos procedida pela a PEC aprovada é sim um avanço. Porém houve um grande problema no texto atual: promover uma reforma tão importante desta forma, tão apressada e sem a participação da sociedade que irá pagar a conta é um enorme erro, o que terá consequências na medida em que os contribuintes sentirem a mordida. Aliás, segundo nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a alíquota efetiva do novo imposto brasileiro sobre o consumo de bens e serviços seria de 28,4%. Isto representaria a maior alíquota do mundo para um Imposto sobre Valor Agregado (IVA), mas, existem dúvidas, de vez que  a alíquota ainda precisa ser definida por meio de uma lei complementar.
Na realidade nós já temos um alíquota muito elevada. Apenas não aparece, de forma que o novo texto só revela o que já é uma realidade. É possível que esta transparência possa impulsionar reformas administrativas e um ambiente fiscal mais rigoroso nos próximos anos, porém também pode se tornar um obstáculo para se obter um maior crescimento.  Assim, mesmo com uma alíquota mais alta, não se altera o fato de que o sistema deve se tornar mais simplificado e eficiente, reduzindo problemas e mitigando  distorções nos tributos. Em outras palavras, com todas as ressalvas de um texto que foi modificado de última hora, que pode tornar a carga maior, ainda assim o novo modelo,  aparenta ser mais racional e melhor para o Brasil como um todo, embora possa pesar mais para alguns setores.  O governo, por meio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, contestou a nota técnica do Ipea afirmando que ela não considerou outros fatores, como análise do impacto na sonegação, evasão fiscal e redução dos benefícios tributários. Em parte, isto é verdade e é difícil avaliar o quanto,  ainda mais que as exceções podem, ou não, ser mantidas no Senado. Alguns especialistas em tributo são mais otimistas prognosticando que será possível, no longo prazo, convergir para uma alíquota de 25% ou até mesmo menos. É uma projeção sujeita a chuvas e trovoadas. Há muitos pontos não definidos no texto aprovado, que, por sinal, mesmo para os analistas é complexo. O que se pode ver, até agora, é que ainda não se pode ter uma análise clara dos impactos da reforma tributária, que é ainda está em processo e sujeita a modificações imprevisíveis. Mas, a simplificação dos tributos é boa para o ambiente de negócios e para a economia brasileira.

segunda-feira, julho 10, 2023

A SALSICHA TRIBUTÁRIA

 


Sinceramente, quando me perguntam sob os impactos da reforma tributária que foi aprovada na Câmara, somente posso imitar Sócrates e dizer que nada sei. Falam que foram 30 anos de debate, mas se trata de uma versão falsa da realidade. Na versão original, por exemplo, o IVA teria uma alíquota única, via fusão dos tributos, mas, nas duas últimas versões, virou dual e com várias alíquotas. Também, de uma hora para outra, apareceu um conselho federativo, com imensos poderes na gestão de impostos estaduais e municipais e competência para submeter projetos de lei complementar ao Congresso Nacional. Quais os critérios para sua composição? Quais as regras para suas decisões? Não se sabe. Pelo que foi falado (ainda não se pode avaliar direito o que acabou sendo o texto final) aumentou-se a quantidade de participantes, mas isto parece favorecer a União e os estados maiores que tem maior poder de participação. Não há quem tenha uma avaliação realista dos impactos (até porque eles foram diluídos no tempo como se uma reedição da velha tática de cozinhar o sapo lentamente para que não possa sentir a fervura), no entanto, aparentemente, pelo que se pode perceber, o que foi aprovado, inclusive graças a uma  impressionante cooptação governamental, que até incluiu o governador de São Paulo como aliado, e uma intensa  campanha publicitária a  favor, que invadiu maciçamente a mídia, o que demonstra o dedo de interesses, no mínimo, ricos, para financiar uma investida assim, passou quase a ser crime dizer que a reforma tributária não é boa para a federação, em especial para os estados menores, e para o consumidor. Mas, trata-se de uma salsicha feita com sobras e aparas que se desconhece a procedência, ou seja, não se sabe o gosto que terá. A venda do pacote inclui um favor aos mais pobres (a cesta básica não ser tributada), a manutenção dos incentivos à Zona Franca de Manaus e as áreas de livre comércio, mas ainda não se sabe como ficarão os impostos sobre os serviços, embora vários setores tenham sido aliviados do aumento que sofreriam, no entanto há um indiscutível mal estar dos que serão penalizados (e sabem, pois há muitos que nem sabem ainda).Sem sombra de dúvida me parece muito rum que a Federação, resguardada por cláusula pétrea constitucional, se veja ameaçada pela atual reforma de modo sub-reptício e me causa espécie que os governadores, senadores e deputados dos estados mais pobres aceitem, passivamente, o que está sendo feito que, aparentemente, também irá promover um forte deslocamento de carga tributária para alguns setores e contribuintes, estes, certamente, não serão, por exemplo, os profissionais liberais, nem os trabalhadores, que acabarão arcando com possíveis aumento de impostos. O fato mais forte é que se aprovou uma caixa preta que irá depender de desdobramentos futuros, porém quando o objetivo governamental é, claramente, arrecadar mais e concentrar poder na União, é difícil poder se esperar que esta reforma seja boa para os contribuintes. Deve simplificar o método de arrecadar. Ora, todo mundo concorda que é indispensável a reforma, mas a esperança seria de que ela iria simplificar e diminuir impostos. É preciso fazer sim. Por isto há quem comemore. Sempre pedi por uma reforma tributária, mas olhando para esta não sei bem o que comemorar.

 

sexta-feira, junho 30, 2023

SETE ANOS NA VIDA DE UM BAR

 


Vou falar de um bar. De um bar encravado numa ruazinha da Embratel. É um bar pequeno, com mesas na calçada e uma atmosfera acolhedora. É um bar mutável. Uma hora está repleto, outra pairam por lá algumas almas cotidianas, aliás mais noturnas, porém o bar se tornou um refúgio para quem busca um bom papo,  momentos de descontração, alguma poesia e boa companhia, que, nas quintas ganha o encanto de uma boa comida feita pelo chef Orlando Jr. ou da, hoje, quase portuguesa Sandra Santos, que, por sinal, é mesmo chegada à comida e à música italiana, enfim são encantos deste bar, que já teve árvores, buganvilles e tem as estrelas do Madeira, o que o tornou um verdadeiro ícone da intelectualidade local.

Bem, o bar, para dizer a verdade, é bem intimista e, se, do lado de fora, tem uma profusão de luzes, quando se entra a iluminação e a música suave de fundo, criam uma atmosfera agradável e o espaço permite que os clientes se acomodem à vontade. A decoração, meio kistsch, com uma mistura de quadros, livros e garrafas, conta histórias de um passado recente despertando curiosidade e conversas sobre personalidades que fizeram parte da vida de Porto Velho. O dono do bar, o Marcus Danin, é uma figura querida e controversa. Como se trata de um amigo querido, para mim, não tem defeitos, mas, as pessoas o comparam, uma má comparação diga-se de passagem, ao velho Guimarães, de famoso bar da Carlos Gomes ou ao Bigode, que era também muito querido, contudo muito mais intolerante, todavia a filosofia é a mesma: meu bar, minhas regras. Seja como for o dono é atencioso até certo ponto e o bar é um reflexo dele: de sua paixão pela vida, pelas festas, pela arte e também por suas regras. Bem existem clientes que não se adaptam. Fazer o quê? Sob certos aspectos penso até que ele tem suas razões. O bar jamais foi pensado como um negócio. Começou, de fato, como um local para se ouvir música, o chorinho do seu Lito Casara, passou por noites de MPB, de poesias, por comemorações históricas de aniversário, teve os seus notáveis carnavais, com o menor circuito carnavalesco do mundo, suas noites de dia dos namorados, dias de cardápios diferenciados como os risos e o prazer que fizeram parte de sua história e quase foi à pique na pandemia. Sobreviveu aos trancos e barrancos e, hoje, há uma clientela, que continua diversificada, desde os intelectuais de sempre, que discutem política até descobrirem que não há acordo possível, passando por futebol, literatura, casos de amor e até insinuações fantasiosas sobre participantes da confraria ou figuras da região. Lendas como a de que Ravel esteve em Guajará-Mirim ou Che Guevara vendeu sua metralhadora em Porto Velho. O bar não é único apenas pelo nome. Também o é por ser um refúgio das preocupações diárias, por proporcionar, com os amigos e as bebidas, um clima onde as conversas fluem livremente e se pode fugir das cadeias do politicamente correto com um palavrão sonoro ou dizer uma poesia ou cantar mal sem causar muito espanto. Por todas essas coisas, e muitas outras que a convivência nos permite encontrar, é que o Buraco do Candiru se tornou uma parte da nossa vida e da nossa cidade. É um boteco sim. Mas, não um boteco como tantos outros. Há nele um aspecto sensorial que ultrapassa a compreensão de quem não sabe que beber faz parte da arte de viver. E se vive mais e melhor com o Buraco do Candiru. Por isto, quando faz sete anos, iremos brindar sete vezes ao nosso boteco. Viva o Buraco do Candiru!

 

 

terça-feira, abril 11, 2023

EM RONDÔNIA O SICREDI JÁ FAZ MUITA DIFERENÇA

 


Com mais três agências Sicredi já atende 18 municípios em Rondônia e planeja ter 45 agências até 2025

A grande vantagem do sistema cooperativista é o fato de que, além de atender as necessidades dos associados, os recursos que são arrecadados continuam na região e contribuem com o desenvolvimento local. Isto porque contam com a presença efetiva nas comunidades, para as quais as cooperativas oferecem produtos e serviços financeiros e também desenvolvem projetos sociais e parcerias que ajudam a transformar a realidade. Assim não posso deixar de assinalar, o que muito me alegra, os resultados do Sicredi, em 2022, obtidos em Rondônia, onde com um montante de 11,176 milhões, alcançou crescimento de 27% em relação ao ano anterior. Em Rondônia, o número de associados saltou 41% em 2022, para 26.815 ao fim do ano, com a entrada de 7.746 novos associados. Para atender esse contingente de associados (pessoas físicas, empresas e produtores rurais) foram abertas três agências ao longo do ano em Rondônia, com um total de 17 em operação ao fim de 2022, quantidade 21,4% maior que no ano anterior. A presença do Sicredi foi ampliada no Estado, com um total de 18 municípios atendidos, cinco a mais que no encerramento de 2021.  A evolução nos Resultados, na quantidade de associados e na presença do Sicredi refletiu em números importantes para o negócio. A Carteira de Crédito, por exemplo, registrou expansão de 76% em Rondônia de 2021 para 2022, ao passar de R$ 463,770 milhões para R$ 816,328 milhões. No País, a carteira de crédito passou de R$ 160 bilhões no último ano.  Deste total, a carteira de Crédito Comercial respondeu por 57,2%, com R$ 466,476 milhões em 2022, volume 43% maior que o registrado ao fim de 2021. A carteira de Crédito Rural fechou 2022 em R$ 349,852 milhões, o equivalente 42,8% do total. A cifra é 155% superior à obtida no ano anterior. Vale lembrar que o Sicredi é a maior instituição financeira cooperativa do Brasil em liberação de crédito rural. De recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), desembolsados via Sicredi, em Rondônia o volume chegou a R$ 46,189 milhões em 2022, expansão de 94% sobre o ano anterior. Os recursos foram contratados por associados produtores rurais e empresas. Já com relação ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), a carteira apresentou evolução de 28% em Rondônia, ao passar de R$ 29,032 milhões para R$ 37,168 milhões de um ano para outro. Esse crescimento comprova o apoio e a atenção que as cooperativas do Sicredi dão aos pequenos produtores, para fortalecer as atividades e agregar renda às famílias que vivem no campo. Estes resultados, porém não surgiram em vão. É fruto de um trabalho contínuo de planejamento do Sicredi, de vez que, como acentua o presidente da Central Sicredi Centro Norte, João Spenthof “A abertura de novas agências é parte do nosso planejamento, e é uma constante. Para se ter uma ideia, projetamos chegar a 45 agências em Rondônia em 2025, para o atendimento a 48 mil associados que prevemos no Estado. Nossa intenção é fortalecer os municípios e contribuir para o crescimento das pessoas que vivem neles”. É muito importante que o Sicredi se fortaleça em Rondônia. Não podemos esquecer que se trata de uma instituição que se envolve com a comunidade e se empenha em oferecer experiências que fazem a diferença na vida das pessoas. Afinal, além de confiança, solidez, o Sicredi também desenvolve programas e ações que impactam não apenas os associados, mas também a sociedade em geral. E Rondônia precisa de mais instituições assim, que cumpram esta papel para construir um futuro melhor.

 

sexta-feira, abril 07, 2023

HÁ OUTRAS ALTERNATIVAS AO CHAT GPT

 


Não há mais dúvidas de que o Chat GPT chama, cada vez mais, a atenção das pessoas por ter conseguido provar que se trata de algo bem mais complexo do que um simples chatbot, desses que nos atendem por uma loja ou banco. O robô da Open AI atende a pedidos inusitados, além de poder  escrever uma poesia, uma carta, um livro infantil ou responder às questões que lhe são apresentadas, mesmo na atual fase de experiência. Há problemas sim, de não se conseguir acesso quando está sobrecarregado, como o que provocou sua interdição na Itália, por exposição de dados privados, ou facilitar aos hackers a realização de crimes virtuais, bem como a questão problemática de  plágios em trabalhos acadêmicos ou direitos autorais dos textos e músicas criadas na plataforma. No entanto, apesar do mau humor de Elon Musk e outros temerosos dos efeitos da tecnologia, não se pode negar que as expectativas sobre o super chatbot são altas e se fala que vai substituir o Google. Bill Gates, que não se pode acusar de não saber para onde o vento sopra, está apostando muito dinheiro na inovação, embora tenha feito um acordo secreto ventila-se que estaria investindo US$ 10 bilhões num contrato com a Open AI.

Contudo não existe somente a experiência da Open AI no mercado. Há outros concorrendo, como, por exemplo, o ChatSonic da Mycroft AI, que se intitula o "ChatGPT com superpoderes". A razão é que traz funções como um gerador de imagens a partir de descrições textuais  e  reconhecimento por comando de voz. Um grande diferencial do ChatSonic é ser integrado à Internet e ao Google e acessar informações mais atualizadas que o ChatGPT,  limitado aos eventos até 2021. Ainda permite mudar a persona do robô.  Quem usa  pode escolher perfis como poeta, comediante e especialista em motivação e terá as respostas diferentes para cada perfil que escolher. Muitos dizem que é uma alternativa melhor que o Chat GPT.  E por que não faz tanto sucesso? A resposta é que ele é pago. O plano mais simples custa US$ 24 dólares. Se pode ter acesso gratuito, porém de forma limitada a 25 perguntas por dia. Outra opção é o PerplexityAI, que é  mais minimalista e fácil de usar. Seu objetivo é oferecer respostas para as mais diversas pesquisas e soluções para os problemas do dia a dia. Um diferencial significativo é o de que cita as fontes usadas para obter a informação pedida. Além de oferecer outras referências de pesquisas relacionadas ao tema. Possibilita uma interação pessoal menor  que os outros chatbots, mas paree ser mais eficiente para pesquisas. O PerplexityAI é gratuito, e não precisa de cadastro, o que é muito legal. Basta abrir o site (https://www.perplexity.ai) e começar a digitar na área de prompts. Bem diferente é o Replika, que pretende ser uma "amiga" virtual com quem se pode recorrer para conversar assuntos pessoais. Eu tenho meus receios disto, pois a tecnologia armazena e analisa as informações das conversas  e, conforme o tempo vai passando parece até mesmo que já te conhece!!! E permite que se crie um avatar com nome e gênero desejados. O sistema é grátis e tem planos pagos, mas só se pode usar o inglês. O software também é conectado à Internet, o que permite realizar pesquisas atualizadas. Para usar, digite https://my.replika.com e clique em "Create a Replika". Na tela que vem a seguir, digite seu nome e e-mail para ter conta e começar a usar.  Outro concorrente do Chat GPT é o  Jasper Chat, um concorrente mais soft porque oferece serviços de criação de conteúdo digital, como anúncios para redes sociais, roteiros para vídeos, e-mail marketing, artigos otimizados para SEO e  artes para postagens. Os desenvolvedores são parceiros da Open AI, de vez que o software foi desenvolvido no modelo de linguagem GPT 3.5.  Também é pago e mais caro. Muito interessante é o o CharacterAI, que permite um “diálogo” com personalidades, personagens de filmes e séries, celebridade, políticos, entre outros.  O robô assume personas como Tony Stark, Joe Biden,  Albert Einstein ou do personagem Loki. Pode-se usar perfis de profissões, como professor ou filósofo e até mesmo criar personagens personalizados.

 

terça-feira, março 07, 2023

2023 É O ANO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?


Criado num laboratório de pesquisas dos Estados Unidos chamado OpenAI, com sede em São Francisco, o Chat GPT é uma sigla para “Generative Pre-Trained Transformer” em português, quer dizer “Transformador Pré-Treinado Generativo”. Lançado em 30 de novembro de 2022, é a terceira geração de um modelo de inteligência artificial da OPenAI, uma empresa de pesquisa e implementação de IA fundada em 2015 por Elon Musk e outros, que hoje pertence a Peter Thiel, cofundador do PayPal. Jessica Livingston, sócia fundadora da Y Combinator. A arquitetura do Chat GPT é baseada numa rede neural criada para lidar com textos. Esta inteligência artificial coleta informações da internet e  tudo que nela está disponível serve como informação para abastecer a rede. O seu diferencial está na forma de organizar os dados da busca e retornar para o usuário. Quando uma pergunta é recebida, o Chat GPT é capaz de contextualizar o assunto perguntado, elaborar textos, letras de músicas, códigos de programação, receitas e tudo o mais que estiver no banco de dados do algoritmo. Uma mudança assim nunca vem só, de forma que 2023 já está sendo apontado como o ano da inteligência artificial. Talvez seja um exagero, mas deve, pelo menos, ser o ano do gatilho dela, ou seja, quando irá começar a ser produtora de maiores mudanças. É fato que a inteligência artificial tem sido uma das tecnologias mais inovadoras e transformadoras dos últimos anos. O avanço constante dos algoritmos e da capacidade de processamento, a inteligência artificial a está tornando cada vez mais poderosa e sofisticada, o que tem implicações significativas para o mundo do trabalho e para a produtividade em geral.  A IA pode ser usada para automatizar tarefas repetitivas, aumentar a eficiência em processos de negócios e melhorar a tomada de decisões. A capacidade de coletar, analisar e aplicar dados em tempo real é algo que pode transformar a produtividade e a eficiência do mundo do trabalho. Hoje, a inteligência artificial está sendo usada para criar novos produtos e negócios que irão impactar fortemente a economia e a sociedade.Um exemplo é o Watson da IBM, que usa inteligência artificial para ajudar as empresas a entenderem melhor seus clientes. Através da análise de grandes quantidades de dados, o Watson é capaz de prever as necessidades dos clientes e fornecer soluções personalizadas em tempo real.  A inteligência artificial (IA) está gerando novos negócios em uma variedade de setores, desde cuidados de saúde até varejo e finanças. Aqui estão alguns exemplos: Cuidados de saúde: Empresas como a Babylon Health estão usando chatbots alimentados por IA para ajudar pacientes a obter aconselhamento médico. Varejo: As empresas estão usando a IA para prever as tendências de compras dos consumidores, personalizar recomendações e melhorar a eficiência da cadeia de suprimentos. A Amazon, por exemplo, usa IA para sugerir produtos aos clientes com base em seu histórico de compras. Finanças: A IA é usada para análise de dados, previsão de riscos e detecção de fraudes. Grandes bancos como o JPMorgan Chase estão usando IA para detectar fraudes em tempo real. Logística: A IA está sendo usada para otimizar rotas de entrega, gerenciar estoques e prever demanda. Empresas como a UPS estão usando IA para prever o tempo de entrega com base em fatores como o tráfego e as condições climáticas.

Este é o só o começo de suas aplicações. À medida que a tecnologia continua a evoluir, novas oportunidades de negócios surgirão. Mas, já existem várias maneiras pelas quais as empresas estão ganhando dinheiro com a IA:

Venda de produtos de IA: Empresas como a IBM, a Microsoft e a Google estão vendendo plataformas de IA e software para outras empresas.  

Serviços de consultoria de IA: Empresas de consultoria, como a Accenture e a Deloitte, ofereceM consultoria para ajudar outras empresas a implementar soluções de IA.

Soluções de IA personalizadas: Algumas empresas oferecem soluções personalizadas de IA para atender às necessidades específicas de outras empresas.

Publicidade: As empresas estão usando a IA para segmentar anúncios com base no comportamento do consumidor e nas informações demográficas, gerando receita por meio de publicidade online.

Economia compartilhada: As empresas estão usando a IA para gerenciar a economia compartilhada, como o compartilhamento de carros e o compartilhamento de quartos.

As perspectivas da IA são promissoras na medida em que se multiplicam novas facilidades com o surgimento de novos APIs, expressão inglesa Application Programming Interface que, traduzida é uma interface de programação de aplicação. Ou seja, API é um conjunto de normas que possibilita a comunicação entre plataformas por meio de uma série de padrões e protocolos. Por meio de APIs, desenvolvedores podem criar novos softwares e aplicativos capazes de se comunicar com outras plataformas e revolucionar os métodos e a produtividade atual. Você pode achar, no começo, os nomes e as coisas complicadas, porém, principalmente se for jovem, não pode deixar da acompanhar o que está acontecendo. É uma disrupção e é o futuro que está chegando,

domingo, fevereiro 12, 2023

UM RECANTO DE BOA COMIDA E BOA MÚSICA

 


Sei que existem muitas pessoas que não conhecem ainda o Restaurante Don Peppe, na rua José do Patrocínio, 736, no  centro de Porto Velho, na denominada “Rua das óticas”, que desemboca no meio da praça do Palácio Presidente Vargas, hoje Museu Palácio da Memória Rondoniense. Bem não vou falar do que estão perdendo, mas devo dizer que estão perdendo muito. É que o Don Peppe é um restaurante bem diferente. Começa que ele tem uma vocação gourmet por natureza. Um dos seus criadores, o que conheço bem, é o ilustre filho de Guajará-Mirim, não sei se de origem, mas, certamente de coração, amigo de uma espécie rara, daqueles que se pode estar perto, ou longe, porém sempre presente. Trata-se do bon vivant, no melhor de todos dos sentidos, Paulo César Cortêz de Medeiros, que, de fato, é um cidadão do mundo. Um apreciador, e com o talento fantástico de saber fazer, de pratos de qualidade inigualável, de bons vinhos, de chocolates, enfim do que a vida oferece de melhor. Inclusive possui também a Casa do Alfajor, na rua Brasília, 3292, no bairro São João Bosco, onde se pode beber uma café ou capuchino da melhor qualidade, bem como encontrar chocolates, doces e outras preciosidades vindas de Gramado, no Rio Grande do Sul. Só isto já tornaria nosso querido Paulinho um ser diferenciado. A questão é que o seu bom gosto o leva muito mais além. O Dom Peppe é também um local de boa música, de boa poesia, um recanto onde os amigos se encontram e saúdam com chopes, cervejas, drinques e vinhos da melhor qualidade a vida. E sempre ao som das melhores músicas. Inclusive, nas sextas-feiras, se pode ouvir o famoso bandolim de Lito Casara, que dispensa maiores comentários, acompanhado de um mestre do violão das 7 cordas, certamente o paraense de Santarém, Derival Marcião. É indispensável, efetivamente, falar mais um pouco a respeito deste músico porquê, não conheço muitos na verdade, que tenham sua habilidade, e destreza, no manuseio de um violão de 7 cordas. Deve ser de família por ser primo de Sebastião Pena Marcião, o conhecido compositor Sebastião Tapajós, reconhecido violonista clássico que marcou época na vida musical do país. Derival, sem dúvida, conseguiu atingir um nível de excelência musical que tem feito o deleite de quem o escuta, ao lado de Lito, com peças e chorinhos que, em mim, um privilegiado ouvinte, tem proporcionado noites de imenso prazer. Não vou falar que, no sábado, o Don Peppe tem uma feijoada imperdível, nem dizer das suas carnes, das massas, do bife à Parmegiana, da provoleta ou dos sanduíches. Lembrar somente que, em breve, teremos a quinta-feira de massas e vinhos, com a luxuosa participação da flautista Rose Abensur acompanhada ao piano. Vou ficar mesmo com a música e com o aconchego da casa: é tudo uma delícia. E só escrevo isto porque, como tenho poucos leitores, não estamos correndo o risco de aparecer muita gente. Afinal lá, embora se possa agendar, normalmente, não existe problema de lugar e de estacionamento. Ou seja, é um pedacinho do céu em Porto Velho.

terça-feira, dezembro 20, 2022

O RESCALDO ANUNCIADO DE MAIS UMA COPA PERDIDA

 


Vivemos numa época na qual os valores se inverteram e isto se demonstra, em especial, no (mau) jornalismo que se pratica e, mais do que nunca, se viu antes e depois da Copa do Mundo do Catar. É claro que, quando um time perde, se procure ver os erros. E, deve-se fazer isto, mas como forma de aprendizado e não para buscar os culpados, execrar jogadores que, algumas vezes, deram o melhor de si para ganhar. Ganhar um campeonato, uma competição passa por um punhado de coisas, porém sempre se inicia pela administração mais alta, por quem dirige e escolhe os que vão comandar os jogadores e as estratégias para fazer uma equipe vencedora. E também não se pode esquecer que se precisa de um time com bons jogadores, que joguem em conjunto, e contem com fatores tão imprevistos como uma coisa chamada sorte. Há grandes equipes, como, por exemplo, a da Holanda de Joan Cruijff ou a própria seleção brasileira de 1982, que não ganharam a copa. Jogadores excepcionais, então nem se fala. A questão central é que, hoje, não se faz mais uma análise do futebol em si. Como o próprio futebol foi fortemente mercantilizado, mundializado, não apenas nivelaram sua prática, mais pelo lado da força física do que pelo talento e a habilidade. Basta ver, e  comparar, por exemplo, com o basquetebol. A seleção norte-americana de basquetebol, o mais alto nível de basquete no mundo, é uma seleção quase imbatível, que perdeu, ao longo do tempo, muito poucas vezes. Já a seleção brasileira de futebol, que, relativamente, deveria ter a mesma posição no esporte bretão, ao longo do tempo, perdeu tantas vezes que se perdeu a conta. Qual a grande diferença? No basquete não se perde de vista os fundamentos. No futebol não se observa isto. Há uma obsessão pelos números sim, pela posse de bola, pelo número de passes, pelos chutes a gol, todavia quantas vezes não assistimos jogadores tidos como estrelas executarem lances bisonhos por não saberem chutar ou cabecear. Nesta Copa do Catar os passes errados e os gols perdidos demonstram isto. Alguns chutes de profissionais regiamente pagos foram vergonhosos. Como vergonhosa foi a cobertura da Copa pela imprensa brasileira (e mundial também). Quantas vezes os fatos não são distorcidos e se apresentam versões estapafúrdias do que acontece? Basta ver que, insanamente, quando o Brasil ganhava era tido como imbatível. Perdeu os jogadores viraram moleques, indignos de vestir a camisa amarela. Fora as fofocas que criam, como a sobre o jantar dos jogadores num restaurante chique ou porque Neymar cumprimenta Messi isto se trata de um deboche com Mbappé. Pelo amor de Deus! Deve-se julgar o que se faz em campo. O grande erro vem do passado. Perdemos esta Copa muito antes. Tite, depois de ter perdido a última Copa e de ter perdido a Copa América havia demonstrado, sobejamente, suas limitações. Não há culpa. Há erros que não são apenas de um ou de outro.  É do conjunto da obra. Descascar Neymar é um absurdo. Ele, visivelmente, jogou machucado. No sacrifício por desejar ganhar a Copa. Na França, os franceses reconhecem a grandeza de Mbappé e de seus companheiros. Sabem que a vitória e a derrota são do jogo. O Brasil, macunaímente, digere e cospe quem, com ou sem razão, se destaca. Aqui a mediocridade não aceita superação. Corta a cabeça de quem ousa se levantar e ter notoriedade ou opinião. Nosso futuro é caminhar sempre em busca do passado.  

domingo, dezembro 18, 2022

COOPERATIVISMO É O CAMINHO PARA UM FUTURO MELHOR

 


O Encontro Nacional de Jornalistas e Formadores de Opinião, realizado pelo Sicredi nos últimos dia 15 e 16 deste ano, proporcionou a reunião de mais de 60 profissionais de todo o país para terem uma imersão no cooperativismo. Em Porto Alegre receberam as boas vindas do presidente do Conselho de Administração da SicrediPar, Fernando Dall’Agnese, e depois assistiram a apresentação institucional feita pelo Diretor Executivo do Sicredi, César Bochi. Após um intervalo foram saudados por Manfred Dasenbrock, Diretor do Woccu e Presidente da Central Sicredi PR/RJ, e, em seguida, assistiram a palestra “Cooperativismo de Crédito no Mundo”, com Elissa McCarter LaBorde, CEO do Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (Woccu). Fabiola Motta, Gerente Geral da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCN) discorreu sobre a “Reformulação do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC). E finalizando as palestras do dia, Ronaldo Vieira da Silva, Chefe-Adjunto do Departamento de Promoção e Cidadania Financeira do Banco Central do Brasil palestrou sobre o “Panorama da Cidadania Finaceira”. Os jornalistas e formadores de opinião também tiveram a oportunidade de visitar o Centro Administrativo do Sicredi (CAS) e, em Nova Petrópolis, a nova agência da Sicredi Pioneira, onde foram recebidos pelo Presidente da Cooperativa Pioneira, Tiago Luiz Schmidt. É preciso acentuar que Nova Petrópolis é o berço do cooperativismo financeiro do Brasil porque foi lá, em 1902, que o padre Theodor Amstad, reuniu um grupo de produtores rurais para fundar a primeira cooperativa de crédito do país e da América Latina, justamente, a Sicredi Pioneira. O que foi demonstrado, inúmeras vezes, por palavras e por amostras práticas, é que o modelo de cooperativismo de crédito possui como premissa essencial atender as necessidades das pessoas, por meio de um ciclo virtuoso, que proporciona o uso dos recursos captados na região, evitando sua evasão, e sendo aplicado na área de atuação da mesma cooperativa, gerando desenvolvimento e prosperidade para pessoas e para o local. Ou seja, em si mesmo, pela forma, a cooperação já é inovação, por prover novas formas de resolver os problemas, e, principalmente, por unir os esforços e sedimentar a cooperação entre as pessoas da mesma comunidade. Foi ressaltado também que o Sicredi, conta, hoje, com mais de 5,5 milhões de associados, possui um resultado líquido de R$ 4,8 bilhões e está presente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, através de 5 centrais, 108 cooperativas e mais de 30 mil colaboradores em 1.600 municípios. O mais importante, no entanto, foi a mensagem que foi passada para os participantes de que o futuro precisa ser cooperativista. A razão está em que as instituições de crédito tradicionais não alcançam as regiões onde os recursos são escassos e o acesso é limitado. Nem se preocupam com a missão de levar educação e inclusão financeira para que seja possível as pessoas realizarem seus sonhos.  Neste sentido, podemos dizer que o movimento cooperativista tende a ampliar a sua presença no país, porque, na contramão das grandes instituições financeiras segue abrindo Postos de Atendimento e Relacionamento. Isto porque, para o cooperativismo, é fundamental estar junto às pessoas, entendendo suas dores e necessidades. Não se trata apenas de oferecer benefícios financeiros, mas de consolidar a colaboração entre pessoas com interesses em comum. Unir em prol de um mesmo objetivo, alcançar resultados e benefícios que, provavelmente, não seriam conquistados sozinhos. Um futuro melhor para o Brasil passa, necessariamente, por um grande avanço do cooperativismo.

quarta-feira, março 02, 2022

OS SINAIS DA DESMATERIALIZAÇÃO DA REALIDADE

 


É um problema demasiado humano, talvez provindo do desejo de sermos “realistas”, somente nos ocuparmos daquilo que é imediato, dos problemas políticos e/ou econômicos tidos, no presente, como mais relevantes. Daí, é uma tendência inevitável, nos ocuparmos de fazer distinções fundamentais entre o que é importante, ou não, para o futuro. Tendemos a tratar exclusivamente do momento, do que está na moda. Isto é visível, por exemplo, pela atenção que se dá pela intervenção da Rússia na Ucrânia. Efetivamente, embora não se possa desconsiderar os aspectos humanos, não está acontecendo nada de muito diferente do que sempre foi a tônica das grandes nações, das nações com poder: o utilizam para impor seus desejos. Claro que isto tem consequências, mas, são consequências muito menos de longo prazo do que, por exemplo, os grandes avanços na desmaterialização da economia cujo principal motor está sendo o Metaverso. As transformações que esta nova forma de interagir irá provocar já se torna visível no aumento de sua popularidade, e visibilidade, que atrai a atenção de empresas e investidores. Um dos sinais da importância que terá vem de que as grandes marcas de luxo do mundo identificaram o seu maior potencial, que é o da  vontade humana de ser o que quiser, sem limites ou julgamentos. Hoje, são óculos especiais que podem nos levar acima das limitações dos cinco sentidos, nos levar para um mundo imaterial onde podemos satisfazer nossos desejos usando o  campo da realidade virtual, da realidade aumentada e da própria holografia. Também o surgimento de Plataformas de Games (Roblox, OpenSea, SandBox, Fortnite e outras) ocupando um mercado global de US$300 bilhões (universo dos Games) compreensivelmente incomoda muito o Google, o Facebook, a Apple e a Microsoft que tentam dominar o mercado da Geração “Z” (nascidos entre 1995 e 2010) e da Geração “Alpha” (nascidos depois de 2010) por entenderem que seu comportamento, visão, idéias, determinarão o consumo global do futuro. Assim, foi premido pelas circunstâncias, por se sentir atrasado, que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg mudou o nome de sua empresa para “Meta” e anunciou o “Metaverso” com um aporte de US$100 bilhões de investimento. O poder de transformação desta nova realidade virtual pode ser avaliado pelo fato da Ralph Lauren com a Plataforma Zepeto, feita com um investimento da SoftBank e um valuattion superior a US$1 bilhão, alcançou rapidamente mais de 1 milhão de visitantes na sua loja virtual. Se formos falar de marcas estrangeiras a quantidade no Metaverso é imensa, desde Coca-Cola, Nike, Gucci, Balenciaga, OutBack, Rolls Royce, Hermés, Adidas e Blueberry-somente para mostrar empresas conhecidas. O fato marcante é que esta camada nova  da realidade, integrando os mundos real e virtual em um ambiente imersivo, um universo que só existe teoricamente, no Brasil, se calcula que já agrega mais de 5 milhões de seguidores! E se estima que, até 2030, segundo a Revista Cult, surgirão dentro dele diversas profissões. Por enquanto, é sintomático que a Boticário, via Plataforma Avakin, obteve mais de 9 milhões de visitantes em sua loja virtual. Que a BioBots, uma Startup brasileira de publicidade, especializada na criação de Avatares de “Influencers” e famosos, como por exemplo a versão digital da Sabrina Sato, chamada “Satiko”, faturou  R$20 milhões e prevê aumentar seu faturamento para R$50 milhões até 2023. Todavia, um sinal forte do futuro que nos espera  vem dos Fundos Imobiliários e Fundos de Investimento especializados em negócios do  “Metaverso”. Um deles, recém lançado pela XP e Rico, prevê R$100 milhões de aporte inicial. Não se enganem: em uma década o mundo não será mais o mesmo. O intangível e as infinitas possibilidades da imaginação humana nos levarão para um mundo muito diferente.

Ilustração: Tecmundo.com.br.

segunda-feira, janeiro 17, 2022

SOBRE UM HOMEM ABENÇOADO

 


Hoje, 17 de janeiro de 2022, o inesquecível amigo Euro Tourinho, se vivo, faria 100 anos. É, por um lado, uma data alegre por trazer a recordação de uma pessoa que foi sábia, generosa, querida e, acima de tudo, humana. Por outro lado, traz um sabor amargo de sua falta, de não poder dar-lhe um longo abraço e passar alguns bons momentos ao seu lado. É o meu sentimento. Não, certamente, o dele que morreu suavemente, como morrem os passarinhos, e, com uma certeza, que me deixava angustiado, de que já havia cumprido sua missão na terra, que muitos dos seus haviam ido e que era chegada a hora dele ir também. Por algum tempo até tentei dizer-lhe que isto não era verdade, que ele ainda tinha muito para fazer, que havia todo um futuro ainda pela frente. Não era o sentimento dele. Em parte por ter perdido sua esposa, Dona Maria Kang, que foi seu complemento indispensável pelo tempo afora, em parte por ter sentido a partida de pessoas queridas muito próximas e quase todos de sua convivência e geração, mas, penso que ainda mais, porque, de repente, sua mobilidade, agilidade e força ficaram em algum canto no caminho e, com dificuldades nas pernas, não se mostrava o mesmo homem ativo, incansável e sempre disposto a participar de alguma solenidade, festa ou encontro. Talvez também o fato de não ter mais as obrigações com a redação do Alto Madeira o tenham afetado, porém, nos últimos tempos, antes de morrer, se tornava claro que se preparava para seu fim e suas atividades visavam apenas diminuir os problemas do depois para os seus. Uma das últimas conversas que tivemos, e gostava muito de conversar com ele sobre quase tudo, ele me dizia que seria homenageado pela UNIR com o título de Doutor Honoris Causa, o que não aconteceu por seu falecimento, e leu um trecho do discurso que preparava. Como sempre, uma pessoa humilde e cônscio da pequenez humana, começava o discurso diminuindo os seus méritos. Na ocasião pedi que não o fizesse. Exaltei o fato inconteste de ter sido o redator-chefe de fato do Alto Madeira por mais de cinco décadas e, mais do que isto, ser, depois do Marechal Rondon, a pessoa mais conhecida de Rondônia, porém, mais ainda por ter participado como ninguém da história de Porto Velho e do Território e depois Estado. Ele ficou meio comovido, alegre e me deu um abraço carinhoso. Não chegou a receber a homenagem devida que seria o título de Honoris Causa, mas, a meu ver, cumpriu sua missão e, muitas vezes, durante a loucura que foi, e continua sendo, esta pandemia do Covid-19 fico pensando que olhar teria para um tempo tão sem noção. E, apesar do sentimento imenso, irreparável de sua falta, fico pensando que foi um homem abençoado, que até morrer morreu no momento certo. O que, de forma alguma, não preenche a imensa lacuna que deixou na nossa cidade e nas nossas vidas, porém, as sementes que deixou continuam a mostrar que a nossa samaúma continua a manter a floresta através dos tempos.  

domingo, dezembro 12, 2021

UMA DIVAGAÇÃO SOBRE AS INCERTEZAS DO PRESENTE

 


Não há, como algumas vezes, por diletantismo ou especulação, não pensar em como se comportariam certos personagens no mundo moderno. Deveria, por exemplo, para Aristóteles ser um prazer constatar que sua tese de que se deveria rejeitar, o que seu mestre Platão aceitava, a comunidade de bens por considerá-la injusta por não compensar o indivíduo segundo o seu trabalho (ainda que, hoje, a noção de trabalho esteja tão distante do que foi). Para o filósofo os indivíduos não são iguais, portanto não deviam ter a mesma participação na posse dos bens, daí, que a comunidade acabava produzindo mais conflitos do que a desigualdade em si. Segundo ele, o indivíduo devia preocupar-se mais com o que lhe pertence (um pensamento que a juventude atual aprovaria ou, pelo menos, se comporta desta forma) e não com a partilha dos bens existentes. A conclusão dele serve, muito bem, para a Alemanha comunista, para Cuba ou para a dissolução da antiga União Soviética, pois, segundo ele, a comunidade, ao desestimular a propriedade, produz a pobreza. Fiquei pensando a este respeito, as ideias do passado, do muito passado, aliás, pelo olhar tristonho que tenho sobre o presente. A incerteza que nos cerca é mais fruto do apego ao passado do que pensar no futuro. O mundo caminha, cada vez mais, para a que chamamos de Nova Economia, onde as pessoas serão retribuídas conforme sejam capazes de empreender, de criar novos processos, novas formas de gerar valor, uberização em larga escala também e disseminação de novas empresas e de inovação. É preciso urgente, para o Brasil assumir seu destino de grande nação, terminar com os subsídios, o apadrinhamento dos grandes oligopólios, a falta de transparência, de se ter a mão protetora do estado dizendo quem ganha e quem perde, quem pode ou não fazer algo, diminuindo o peso sobre o setor privado. É preciso que as pessoas compreendam que os tempos mudaram. Que somente se sustentam os direitos que tem substrato econômico e os empregos que geram valor. Há, no nosso país, um monte de empregos dispensáveis, que elevam os custos das mercadorias e será natural que desapareçam. Não é ruim que o estado sustente os que não tem como sobreviver, que dê auxilio emergencial, mas, é preciso entender que isto é fruto de uma questão excepcional: as restrições da pandemia. Porém, isto, aí o grande mérito do governo atual, foi feito com controle dos gastos públicos e, pela primeira vez, desde 2003 se pode ter um superávit das contas públicas. Enfim, o que quero dizer é que, apesar das velhas ideias que nos dominam, e a imensa torcida do contra, Adam Smith, se pudesse olhar o presente do Brasil, nem teria a visão da mídia e da oposição de que tudo está ruim e, certamente, seria mais otimista do que sou. Deve ser a questão de que, de alguma forma, já acreditei que o governo poderia criar desenvolvimento. Hoje sei que, apenas, pode não atrapalhar. Que 2022 torne as opções mais claras, se isto for possível.

 

terça-feira, setembro 28, 2021

NADA SERÁ COMO ANTES: O ENTERRO DO MITO

 


O capitalismo, integrando países e fluxos mundiais de comércio, tecnologia e investimentos, melhorou, de forma sustentada, os padrões de vida de diferentes regiões, nos últimos quinhentos anos. A boa observação demonstra que a maior pobreza e as maiores misérias se encontram em regiões não tocadas pelas políticas que os adversários classificam, hoje, de neoliberais. Nem vou discutir que neoliberalismo é uma falácia, mas, de nada adianta a razão contra os que vociferam contra o capitalismo até porque, na prática, costumam acusar de neoliberal quem defende as ideias econômicas ortodoxas e que se comprovaram como socialmente válidas para melhorar a vida das pessoas. Risível é que acusam o capitalismo também, de gerador de crises, como se as crises não fossem inerentes a todos os tempos e épocas, como também se proclama a incapacidade dos mercados de se auto-regularem, e, portanto, da necessidade do Estado para corrigir os desvios do mercado mediante medidas de controle. Ora, bons estudiosos não desconhecem que os ciclos ascendentes, ou descendentes, constituem algumas das características mais interessantes e desejáveis de uma economia de mercado.  É fruto da tensão constante entre os desejos humanos infinitos e as possibilidades limitadas do imediato aumento da oferta. Também, se analisam, descobrem que, na origem, de muitas das crises, como a do Sub Prime de 2008 ou mesmo na do Brasil recente, estão políticas públicas heterodoxas, que estimularam, entre outras coisas, a conivência espúria entre o estado e o setor privado. Deveria ser um consenso-não fosse a ideologia- que os mercados são mais facilmente capazes de se auto-corrigirem do que via os governos: afinal distribuem com rapidez ganhos e perdas, realizando num breve espaço de tempo os lucros (ou prejuízos) dos investimentos (bons ou maus) efetuados. Tudo que se faz, via governo, porém precisa enfrentar o calvário do debate legislativo (nos regimes democráticos). O processo, é verdade, pode ser feito por decreto executivo, porém, em geral, autoritário, sem transparência, mais arbitrário e sujeito ao jogo da corrupção. A grande vantagem relativa dos mercados é a capacidade de mudar rapidamente, o que governos levam anos para fazer. Não sem dor, é claro, mas de forma menos arbitrária. A grande ironia do momento é que a China, em geral, citada como exemplo de que a direção estatal impede as crises se encontra imersa na crise da  falência da Evergrande, sua maior empresa de construção civil,  que gerou pânico nos mercado por excesso de dívidas. O governo da China, que se comporta como qualquer governo do mundo,  somente se preocupa em evitar protestos e tomar medidas que evitem ou minimizem um efeito cascata em compradores de imóveis e na economia. A crise, num país que, supostamente, controla tudo é mais grave porque, dada a falta de transparência, nem mesmo se sabe o seu tamanho. E, ironicamente, nas economias coletivas, onde sempre acontecem pela falta de mercadorias e serviços, no caso atual provém do excesso- de dívidas e de construções. E, pasmem, estimuladas pelo governo chinês. Nada será como antes, depois desta crise, na medida em que a China parece, por fim,  enterrar o mito de que as crises não acontecem em economias estatais.

sábado, agosto 28, 2021

A REPETIÇÃO INOVADORA DE UMA VELHA HISTÓRIA

 


O mundo nunca foi justo. Quando mais jovem acreditei na utopia de que a nossa geração, os nascidos na segunda metade do século XX, poderiam transformar o mundo num lugar de maior justiça social. Era um sonho das pessoas jovens e, grande parte de melhor formação da sociedade brasileira, muitos dos quais se embeberam de Marx, Engels, Gramsci, Marcuse e Jean Paul Sartre, que se apresentava como o intelectual engajado com  as causas sociais, acreditavam na capacidade de fazer mudanças rápidas. Havia a crença, pouco justificada cientificamente, de que seríamos capazes de mudar as condições sociais pela atuação dos intelectuais e pela conscientização dos trabalhadores. Olhando para trás não há como não sorrir da nossa ingenuidade. O conceito de classe social marxista em que nos baseamos-só os cegos pela ideologia-não conseguiram ver que se dissolveu pela realidade. Marx, que no fim da vida não era mais marxista-possivelmente torceria o nariz para uma infinidade de intelectuais que se dizem marxistas por repetir chavões sem nenhuma correlação com a realidade moderna. E olhe que Marx, apesar de seu indiscutível talento, depois de arrasar intelectualmente Bakunin ouviu dele a sua sentença definitiva quando confessou, com humildade, que não tinha condições de discutir com ele, mas, que, em compensação, Marx “não entendia nada da natureza humana”. Aliás, ele passou a vida inteira, praticamente, sem conseguir manter sua própria vida, o que, no mínimo, é constrangedor para quem se julgava capaz de tudo explicar. Há uma imensa quantidade de imitadores atuais-até mesmo sem saber. Principalmente jovens que não arrumam a própria cama, não se sustentam, não possuem formação intelectual, muitas vezes, nem exerceram qualquer tipo de trabalho, mas, se propõem a mudar o mundo. São os próprios homens que classificam os outros de mocinhos, bandidos, santos, medíocres, bons, ruins. Em geral, sem ter nem consciência da régua que usam para medir os outros e, menos ainda de que a história da humanidade tem sido uma história de vencidos e vencedores. Que o que fez o mundo avançar mais do que a educação foi o desejo de poder. E domar o egoísmo, o desejo de dominar, de poder dos homens é um processo, infelizmente, muito lento. É muito fácil julgar o passado e queimar, sem nenhum senso de ridículo e de falta de civilidade, a estátua de Borba Gato como se ele tivesse sido apenas um exterminador de índios, mas, a grande realidade é que a natureza humana mudou muito pouco, embora revestida de mantos mais elegantes. Esta aí, explodindo em nossos rostos, o problema do Afeganistão, que, no fundo, não é diferente das guerras de conquistas do passado (os escravos é que mudam). Nem do ambiente esfumaçado e obscuro do Brasil onde uma pandemia exacerbou a luta pelo poder sem nenhum respeito ao sofrimento dos mais pobres. E me espanta ver que pessoas que pensam que pensam tomar partido numa luta que só tem como vítima a população brasileira. Talvez, de vez que o mundo não mudou na sua essência, o que tem de novo na antropofagia brasileira é que os limites da capacidade de analisar estão totalmente perdidos e a nossa dita elite se comporta com o apetite dos conquistadores antigos. Enfim, a ferocidade do passado não desapareceu. Agora desfila impune no palco político, no Facebook, no Whatsapp, na vida real com  a naturalidade com que os índios andavam nus e comiam os inimigos antes e durante os séculos iniciais da colonização.

Ilustração: http://revoluciomnibus.com/. 

 

domingo, agosto 01, 2021

A IMPRENSA BATEU NO ICEBERG DA VIRALIZAÇÃO


 

Que nós vivemos tempos em que se repetem os pensamentos, as notícias e as imagens sem análise não se trata de novidade nenhuma. O que mais me impressiona, porém, é a completa falta de noção que passou a dominar as redações dos denominados órgãos de imprensa, a grande imprensa em especial, as agências de notícias e os portais que dominam a veiculação das notícias. É comum, repetindo as palavras de Millôr Fernandes de que “Imprensa é oposição, o resto é secos e molhados”, que os jornalistas sejam oposição ao governo (embora a moda tenha se acentuado, agora, pois, passaram anos aplaudindo governos anteriores), porém, o que se pede de quem escreve para o público é, no mínimo, que procure, mesmo colocando sua posição, analisar os fatos e não ser explicitamente contra e, fortemente, partidário. Até aparece, e aqui não digo que não possa ter algum conteúdo de verdade, como chamada para um artigo a citação de que “em um ano, Bolsonaro emitiu mais de 1,6 afirmações falsas ou enganosas”. Convenhamos que o presidente pode, de fato, ter mentido, mas, a base para isto provém de onde? A resposta é de que vem de uma pouco conhecida entidade denominada de Artigo 19, aliás, que criou um Relatório Global de Expressão. Nada contra organizações assim, mas, em geral, apesar de possuírem pessoas com espirito público e, muitas, capacitadas, são direcionadas por um viés que é nitidamente anti-bolsonarista. Na maioria das vezes são pessoas ligadas às causas de direitos humanos, de defesa de minorias, do politicamente correto, ou seja, é quase como analisar o presidente sob a ótica dos lulistas! Também é preciso ver que grande parte da população não tem o menor interesse no que Bolsonaro diz ou deixa de dizer. Bem, mas, esta não é a questão, no fim, pois até mesmo a agência de notícias do governo federal quando anuncia os resultados de indicadores o que faz? Ressalta o aumento da inflação, quando, efetivamente, a notícia mais relevante é a de que o Produto Interno Bruto-PIB, a soma de tudo que se produz em bens e serviços no país, na previsão do mercado financeiro aumentou!!! Esta aí o nó da questão. A imprensa trata de assuntos de menor importância e é uma difusora permanente de más notícias. Todo dia reprisa o número de mortos, mas, não dá nenhuma atenção ao fato de que o país vacina quase três vezes mais, hoje, do que os Estados Unidos. Não dá a mínima para uma recuperação visível da economia que é o que interessa para nós, pobres mortais, que precisamos de renda para sobreviver. Que isto atue contra o governo Bolsonaro é ruim. Sob o ponto de vista econômico é péssimo por não contribuir para a estabilidade e a previsibilidade, contudo, este é um problema de Bolsonaro. O que me incomoda é que, como alguém que gosta de redação e da imprensa, é que as redações pareçam dominadas por robôs. Até parece que o que importa é ser contra, o que basta é criar polêmica, fazer a notícia ter ar de sensacionalismo-algo antes execrado no jornalismo marrom. Até os termos que usam são amadoristas. Nos estimulam a ver o que “viralizou”. Meu Deus! Viralizar não é ser importante, notável nem mesmo fundamental. É, nas mídias sociais, o que dá mais citações, mais likes! Penso que o jornalismo perde totalmente sua importância quando se pauta pelas redes sociais. Vira, efetivamente, um prisioneiro dos robôs e dos algoritmos. É de ser perguntar: para que manter pessoas nas redações se tudo está padronizado? Se não há bons jornalistas fazendo a escolha e a análise das matérias; se as notícias, as visões e as fotos são as mesmas, então, não é de espantar que os ouvintes/leitores estejam migrando para as redes sociais. A imprensa desta forma está se tornando irrelevante e, o que é mais grave, sendo vista, cada vez mais, como menos confiável.

Ilustração: Em alta.