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sexta-feira, maio 22, 2020

AS PERSPECTIVAS DEPOIS DA CRISE DO CORONAVÍRUS



Os setores mais ricos, aliados com a esquerda supostamente progressista, até por oposição à Bolsonaro, mas, sem nenhuma consideração pelas consequências econômicas, nos dois últimos meses, criaram tanto ruído nos meios de comunicação e nas redes sociais, que, embora seja o desejo majoritário da população mais pobre, esta não teve força, nem  pressão política suficiente, para conseguir o avanço na liberação das atividades. O fato é que, como há um equilíbrio de forças, entre as tendências pró e contra o isolamento, isto acabou privilegiando o combate à covid-19, em detrimento da economia, em que pese o peso crescente da insatisfação da população pelo sofrimento causado. O mal está feito. Não tem mais como serem recuperadas as empresas falidas, os empregos perdidos, a produção não realizada. Os custos disto são sentidos pelas finanças das empresas que sobreviveram e que, por pior que estejam, se preparam para o passo seguinte de aceleração e investimento que terão que tomar em relação ao seu futuro. Neste contexto, existe a angústia de se ter que agir diante de um quadro de grande incerteza que deve se seguir à crise. Considerando o histórico de crises recentes e de epidemias passadas, algumas premissas são possíveis de se perceber como bases para uma orientação nas tomadas de decisões:

·       Uma expectativa lógica, embora um pouco distanciada da realidade, é a de que as pessoas tentarão reconstruir o estado anterior, pré-crise. Muitos dos esforços terão a direção do resgate da vida anterior.

·       Como pano de fundo será inevitável a busca de medicamentos, tratamentos e vacinas eficazes para o covid-19.

·       Embora existam muitos arautos da tese de que “o mundo não será mais o mesmo” as mudanças são lentas, o que não quer dizer que não existirão, mas, em linhas gerais, as coisas seguirão o mesmo curso.

·       A crise não atingiu a todos da mesma forma. Assim as diferenças de setores, geográficas, de tamanho e de capacidade de inovação gerarão dificuldades e oportunidades particulares para pessoas e empresas.

·       Em que pese as polêmicas sobre a retomada das atividades, mesmo que não vá ocorrer, como muitos preveem um retorno em ‘V’, depois de seis meses, ou um ano, deve haver um crescimento econômico forte resultante das oportunidades represadas pela crise. Este tem sido um comportamento histórico no capitalismo.

·       Ninguém substitui sua ação nem sua iniciativa. Isto também acontece com as empresas. A recuperação, mais rápida ou mais lenta, é sempre resultado da ação, das iniciativas que são tomadas para ocupar o seu espaço no mercado. E vai crescer mais quem estiver atento as necessidades que surgirão.

·       É esperado que os governos, preocupados com sua economia, atuem no sentido de propiciar mais recursos e mais crédito, com taxas de juros mais baratas. No caso brasileiro, isto deve ser essencial em especial para as micro e pequenas empresas. Nem todas, porém, irão conseguir acesso (e outras, talvez, nem resistam), mas, as finanças serão um fator essencial para o futuro próximo.

Um componente decisivo para o sucesso no futuro próximo será a velocidade com que as empresas irão ganhar espaço no mercado, inclusive substituindo as que foram engolidas pela crise. Em outras palavras, as empresas terão que ter não apenas a necessidade de sobreviver, mas, devem se preparar para crescer e inovar. Esta inovação não será, como muitos pregam, nem um retorno ao mundo antigo, nem um “novo mundo” e sim uma mistura do antigo com adaptações possíveis para o ambiente que mudou com o vírus, criou algumas novas preocupações e expectativas que devem ser captadas e atendidas. Em particular terá que se ter atenção a fatores novos como a tecnologia 5G, o uso da Inteligência Artificial, a tendência de se procurar trabalhar em casa ou próximo do trabalho, uma tendência de minimalismo, que irá passar também pela busca de maior acesso aos bens, ao invés de posse e uma maior busca de lazer, de leveza, mas, com algum componente de isolacionismo. Muitas empresas irão depender muito mais de suas próprias iniciativas do que dos programas de ajuda, porém, vão precisar de parcerias em setores que não dominam, bem como terão que reavaliar seus fornecedores, a logística e seus produtos sempre buscando oferecer mais com menor custo. Certamente isto significará uma ampliação do uso de aplicativos, ou, usando o termo correto, uma “uberização”, que será essencial para a sobrevivência. Ainda que a crise tenha sepultado muitas empresas somente acirrou a necessidade de maior competitividade, ainda que criando problemas para os insumos e produtos importados. Será um traço novo, neste cenário, a tentativa de diminuir a dependência de produtos externos, que já se percebe nas campanhas do tipo compre no seu estado, ou no seu bairro, mas, como se sabe, a eficácia desta tendência depende sempre dos preços. Ninguém compra mais caro por patriotismo ou regionalismo. Assim, embora as empresas possam, de fato, ter um diferencial por pertencerem a uma região ou estado, se não tiverem um preço competitivo ou um diferencial que justifique a aquisição de seu produto é melhor não contar com a fidelidade de seus consumidores locais. Uma coisa que não se altera, com certeza, no pós-crise são os fundamentos econômicos. Oferta e procura, custos, competitividade continuarão a ser elementos essenciais para as empresas até onde se pode avistar no ambiente econômico do presente século. Portanto, entre as perspectivas para se ter sucesso, não se poderá abrir mão de ter um produto de qualidade por um preço menor ou ter um produto diferenciado por suas qualidades. Ou seja, as perspectivas pós crise não mudaram tanto assim. Ser competitivo ou diferenciado ainda será essencial. 


Ilustração: https://worthwhile.com/.

terça-feira, maio 12, 2020

A CRISE DO CORONAVÍRUS E SEUS IMPACTOS NA CULTURA




Um dos setores mais profundamente impactados pela crise do coronavírus foi o setor cultural, em especial a denominada economia criativa, a parte da economia que engloba todas as expressões de criatividade da arte e inovação. Não é preciso pensar muito para ver, por exemplo, que, com o confinamento, não se acabaram apenas as apresentações de artistas em eventos ou shows, o que representa uma imensa perda de receitas não somente para eles, como também para toda uma série de pessoas que se movimentam em sua volta, que operam transportes, sons, imagens, negociações, contratos e direitos. Isto não se restringe, porém, aos artistas renomados, pois, mesmo os cantores de barzinhos, os grupos que se apresentam em restaurantes ou churrascarias também ficaram órfãos durante esta epidemia. Pode-se dizer que não. Que as lives, as apresentações ao vivo se sucedem, com duas ou três, no mesmo dia. Isto é fato, no entanto, elas são feitas mais como uma forma de continuarem presentes do que rendem recursos para os artistas. Muitos, aliás, o fizeram mais como um meio de ajudar os necessitados ou comemorar alguma coisa, de vez que somente grandes empresas, como a Google ou a Netflix, conseguem ganhar dinheiro com a internet. Mas, não são apenas os artistas que sofreram com a crise. Imagine os museus ou exposições de artes que precisam ter público para sobreviver? Nem vou falar dos cinemas, das festas, inclusive as costureiras e pessoas que vivem delas e dos teatros que foram fechados à força para evitar a transmissão do vírus. Esta crise do coronavírus tem uma característica que é ímpar: é globalizada, mas, seu impacto é sentido muito mais fortemente na vida local. Afinal todos nós, querendo ou não, fomos forçados ao recolhimento, a voltar a viver nos nossos ninhos, nas nossas tocas. Esta crise tem um lado cruel que é o de nos impedir a convivência, o entrelaçamento, o que, principalmente, para nós, brasileiros, efusivos, que gostamos de abraços, apertos de mãos e beijos, dos encontros nos locais de lazer é uma verdadeira sentença de morte para o cultivo das amizades. É uma crise que nos força, nos induz à solidão. Muitos argumentam que, neste momento, nunca antes fomos tão digitais. Talvez também tenhamos muito mais contatos via e-mails, Twitter, Facebook, Whatsapp e Instagram do que antes. Até mesmo utilizamos muito mais os bate-papos em vídeos ou as videoconferências. É verdade sim. Tivemos que nos adaptar a uma realidade que nos limita. Mas, duvido que, qualquer pessoa, por mais boa companhia que tenha, por melhor que esteja passando, não tenha saudades de dar um bom dia a um desconhecido, de poder beber uma cerveja ou um cafezinho, de dizer: -vou até ali assistir fulano cantar ou ver uma peça ou um filme. Por mais bem acompanhado que você esteja não tenho a menor dúvida: somos prisioneiros em nossas próprias casas. Deserdados da cultura na medida em que não é possível uma cultura de qualidade sem a presença física, sem o compartilhamento. Esta, por incrível que pareça, é também uma crise de solidão. Amputaram uma parte considerável da nossa cultura quando nos impedem de ir e vir e de trabalhar fora de casa. E sem cultura e sem convivência somos muito menos humanos. 

Ilustração: https://colorador eview.colostate.edu/.

sexta-feira, maio 08, 2020

NEM AS MÁSCARAS NOS TORNAM IGUAIS



É verdade. Antes usar máscara era coisa de bandidos ou de heróis marginais, como Zorro, Fantasma ou Batman. Agora não. Para sair na rua ou entrar num supermercado, fora levar uma borrifada de álcool gel nas mãos, temos que usar máscaras. De repente viramos um bando de mascarados. Quem imaginaria que tivéssemos de decifrar as pessoas pelo olhar somente? Até parece que ficamos todos iguais, de vez que a beleza ou a feiura, se esconderam por detrás de um paninho. Mas, se a máscara, poderia, como pensam alguns, tornar as pessoas mais iguais, não é verdade? Nem a máscara unificou as pessoas. Há máscaras e máscaras, de fato. Não porque, na prática, acaba virando um acessório de moda. Já existe uma diversidade de cores, de estampas, de formas que até mesmo as máscaras já não iguais. Pode-se até pensar que, pelo menos, para as mulheres, que ficam dispensadas do uso de maquiagem, a máscara as torna mais iguais. Mas, não é verdade. Mesmo mascaradas, os olhos mostram as diferenças e/ou o aroma sutil de um Chanel nº 5 diz mais sobre uma mulher do que a imaginação poderia supor. E, depois, as mulheres. Ah!, as mulheres são cheias de meneios, de formas, de sutilezas, que as tornam sempre muito diferentes. Se bem que se, agora, podemos parecer tão iguais, efetivamente, nunca fomos iguais e isto é flagrante, mesmo entre os mascarados dos supermercados, pelos carrinhos, cheios ou não, pelos que nem vem aos supermercados por não terem como pagar suas mercadorias. A máscara somente nos mostra que a fragilidade é humana. Só nos mostra que, apesar de tudo que construímos ou fizemos, de termos ido à lua ou prometermos viagens a Marte, quando se trata da própria vida, do controle do próprio destino, o homem, por mais diferente que seja, continua a ser um ser indefeso, um animal, como outro qualquer, impotente diante das forças da natureza que o cerca. De tal forma que, por mais que nos torne mais iguais, esta uniformidade facial, qualquer que seja a cor ou ou estampa, não encobre nada das diferenças humanas. Pode, por um momento, esconder quem é mais rico ou pobre, elegante ou mal vestido, porém, as diferenças sociais, a hierarquia social permanece mesmo na desgraça comum, na vulnerabilidade de todos. Por mais que pareça que todos podemos adoecer e morrer da mesma forma, não é assim. É verdade que todos estamos, mais ou menos, desprotegidos diante do vírus, porém, ter dinheiro sempre, na nossa sociedade, faz diferença. Uma coisa é se sentir mal e ir parar num hospital público ou ter um plano de saúde ou capacidade de pagar os melhores hospitais. É verdade também que um vírus veio da China e tirou tudo do lugar, mas, não será um simples pedaço de pano que nos irá tornar mais iguais. Infelizmente isto somente acontecerá com muito mais tempo, cultura e educação. As máscaras, é verdade, servem para nos lembrar da nossa condição humana e de que, nunca seremos iguais, senão na morte.


quarta-feira, maio 06, 2020

APESAR DO LOCKDOWN O CORAÇÃO FALOU MAIS ALTO



Embora, no Brasil, a mídia tenha consagrado a quarentena, ou isolamento horizontal, como um consenso científico, de fato, não é bem assim. O coronavírus, além de ser um vírus novo, é um vírus extremamente mutável. Então, há uma corrente grande a favor de que haja a contaminação do “rebanho”, ou seja, o vírus se dissemine para que as pessoas desenvolvam antivírus. E, não são poucos os cientistas que dizem que se não houver este tipo de desenvolvimento, o vírus pode se tornar muito mais perigoso, de vez que, quando não encontra formas de sobreviver o vírus se transforma e se torna mais letal (dizem que o vírus possui já identificadas 150 mutações). Um estudo de Harvard afirma que tentar superar o vírus, agora, pode resultar em muito mais estresse e mais mortes a longo prazo, segundo os pesquisadores. Eles também concluem que esse vírus não desaparecerá por si próprio. Ou se devolve um remédio ou uma vacina ou não tem jeito. Por essas razões, e que, como economista, tenho a certeza de que a quarentena, como comprovam estudos do King’s College London (Reino Unido) e da Australian National University-ANU com o isolamento social se pode estar praticando um crime de lesa humanidade, com o retorno de padrões de renda de 30 anos atrás  (https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/19841/como-o-isolamento-social-pode-estar-se-tornando-um-crime-de-lesa-humanidade),  considero que olhar a questão somente sobre a ótica da doença é irracional, pois, sob o conceito de saúde, que a própria Organização Mundial de Saúde-OMS adota não se pode desconsiderar a economia. O sueco Anders Tegnell, que defende, e é o maior representante da tese, de que a estratégia adequada de combate a epidemias baseado na convicção, por motivos científicos, de que é menos prejudicial, no longo prazo, promover a imunidade de grupo em lugar da quarentena total tem como maior rival, com, a tese oposta, Neil Ferguson, conhecido como Professor Lockdown, que projeta, por meio de um modelo por ele desenvolvido, sem a quarentena, o crescimento do vírus com números, e mortes, catastróficas. Epidemiologistas e matemáticos, agora, ganharam notoriedade por causa do vírus, mas, isto está longe de poder afirmar que seus modelos e teses estão corretos. A ironia é que Ferguson, como a pandemia foi politizada, ganhou a simpatia de órgãos e pessoas de esquerda, mesmo sendo colaborador de um governo conservador. Ele também já tem em seu currículo dois grandes fracassos, de vez que prognosticou também números catastróficos para a vaca louca e a gripe aviária, que tiveram números bastante insignificantes. Agora, porém, teve que se demitir da comissão de peritos que assessora o governo – em inglês, o acrônimo é SAGE, ou sábio, por causa de um escândalo amoroso. Sua amante atravessou Londres para ter encontros amorosos com ele. Ou seja, ela quebrava as regras do isolamento para vê-lo. Foi o suficiente para que Iain Duncan Smith, ex-líder do Partido Conservador e pouco simpático ao isolamento extremo por causa dos devastadores efeitos econômicos, afirmasse dele que “Cientistas como ele estão nos dizendo o que devemos fazer, mas ele está fazendo o que quer” e concluiu  “Ele quebrou suas próprias regras. É difícil de acreditar que um homem inteligente faça isso. Além do risco de prejudicar a mensagem do governo sobre o lockdown”. Neil Ferguson se deu mal não por seu modelo, até agora, mas, pelo seu coração (o que, convenhamos, só mostra que não é normal para os seres sociais ficarem isolados), porém, não deve sair do centro do debate na medida em que, mais do que nunca, na história humana, nenhum tema foi tão politizado e tantos cientistas se concentraram na previsão e no combate a um vírus em tempo real. 




domingo, abril 19, 2020

O DESAFIO DE SOBREVIVER ALÉM DA CRISE



A crise do coronavírus, por mais que alguns desejem até esticar por razões políticas, não irá durar para sempre. As pessoas mais pobres, os micros e pequenos empresários mais atingidos por ela já se manifestam pelas ruas do Brasil contra a quarentena a ponto de muitos até pedirem a quebra da ordem institucional. É um reflexo do desespero que, se não for atendido, em breve provocará situações muito mais complicadas, em especial para aqueles que defendem o isolamento denominado de horizontal. Na prática, aliás, ele já não existe, pois, mesmo em estados, como São Paulo, que, deveriam ter apenas 30% das pessoas nas ruas, possuem muito mais. O problema real será depois que virar a chave da crise? Como iremos tratar de, no mínimo, mais dois milhões de desempregados? Que empresas, especialmente entre as micros e pequenas, ainda estarão de portas abertas? Com certeza também as famílias, que já estavam endividadas e já não tinham poupanças suficientes para lidar com este tipo de choque, como se comportarão? Um cálculo, que já fazem os especialistas no mercado de trabalho, é de que haverá uma sensível redução da mão de obra a ser contratada. Estima-se que, dos que perderam seus empregos, somente 70 a 80% serão recontratados e não de imediato. Não se espera- e nisto existe quase um consenso entre os analistas-  que o crescimento, a globalização e o comércio simplesmente voltem ao normal quando houver o controle da epidemia. Em suma, o mundo não será mais o mesmo. Em primeiro lugar porquê quanto maior o tempo de paralisação das atividades econômicas mais o país, as empresas e as pessoas empobrecem e, em segundo lugar, com o aumento das compras por meio do e-commerce e a utilização do teletrabalho, uma das resultantes inevitáveis será, certamente, uma diminuição do número e do tamanho das lojas físicas.
Em terceiro lugar, não há possibilidade de uma recuperação rápida da crise, tanto que o Fundo Monetário Internacional-FMI prevê a maior depressão econômica desde os anos 30, porém, naquele tempo as razões e a economia eram completamente diferentes. Inclusive teve seu início no sistema financeiro. Agora não. É na produção que se atingiu a economia. E, mesmo na Grande Depressão o desemprego nos EUA subiu  somente 3,5%, ao longo de quatro anos, agora, no Brasil, se estima uma queda imediata de 5%, todavia, que podemos chegar um aumento do desemprego de 9% em mais quatro semanas de paralisação das atividades.
É um desafio enorme para um governo, como o brasileiro, que já possui dívida e déficit público altos. Mas, o governo brasileiro não poderá fugir de ter que criar pacotes de ajuda, de crédito e de transferir recursos para os mais necessitados. Não somente no nosso país isto acontece, de fato. Porém, em países em melhor situação, países com taxas de juros mais baixas do que as taxas de crescimento, como os Estados Unidos e os mais fortes da Europa, os pacotes  se pagam sozinhos. Para países como o nosso não há opção fora rodar enormes déficits orçamentários no futuro e usar a inflação para aliviar o peso da dívida. A solução boa seria impulsionar o crescimento, para diminuir a dívida como proporção do PIB, mas, como vimos antes da crise, isto é mais fácil falar do que fazer.

Ilustração: Superinteressante.

sexta-feira, abril 10, 2020

EURO TOURINHO E O DIA DO JORNALISTA



Hoje dia 7 de abril é Dia do Jornalista. Apesar dos tempos difíceis em que vivemos, de que a profissão de jornalista tenha sido muito depreciada, submetida, como está sendo, a condições quase vis, a uma gradativa e contínua subordinação à interesses pouco recomendáveis, o verdadeiro jornalista continua a ser uma figura indispensável para a nossa sociedade. É verdade que o jornalismo profissional, uma fonte de informação qualificada, checada, que busca ser o mais fiel possível aos fatos e fornecer os dois lados de uma notícia qualquer, se encontra, cada vez mais, difícil de ser feito. O que temos, hoje, é a invasão de francos atiradores, quando não arrivistas sociais, que usam a imprensa para seus próprios fins de enriquecimento, extorsão, de alpinismo social. Há, inclusive nas redes sociais, uma profusão de palpiteiros, de copiadores, que outorgam a si mesmo o título de jornalistas (e muitos conseguiram até ser reconhecidos como profissionais) que jamais se deram ao trabalho de buscar fatos e informações em fontes primárias, quanto mais de  reportá-los para a sociedade de uma forma clara e objetiva. Na realidade nossa de hoje, do reino imperial do Fake News, do sensacionalismo barato, da propagação unilateral de versões nocivas,  da facilidade na fabricação de fatos, o jornalismo se tornou engajamento cego, opinião sem análise, alguns até se valendo de Millôr Fernandes que disse que “Jornalismo é oposição. O resto é secos e molhados”, se esquecendo que, até outro dia, aplaudiam governos corruptos que enchiam suas bolsas. Jornalismo só é oposição, só pode ser oposição em tiranias, em ditaduras. Em democracias deve ter equilíbrio, ser um fiscal sim dos governos, porém, com equidade, buscando formar e informar. Não posso, aqui, deixar de saudar os verdadeiros jornalistas, os grandes profissionais da imprensa que sempre buscaram dar o melhor de si em prol da boa informação. Por isto mesmo não posso deixar, de hoje, lembrar o meu grande e saudoso amigo Euro Tourinho, que por mais de sessenta anos na frente do Alto Madeira procurou transmitir, a todos que passaram por sua redação, as verdadeiras qualidades de um bom jornalista. Lembro que, uma vez, numa entrevista disse que: “Jornalista acima de tudo, tem que ter amor pela profissão e levar a sério o que faz, sempre primar pelo respeito ao leitor e à notícia”. Ele, com seu modo calmo e sábio, dizia que “não se deve publicar como jornalista o que não se pode sustentar como cavalheiro”. Para ele, “O bom jornalismo é como uma xícara de porcelana, bela e frágil, precisamos cuidar com o maior zelo possível”. Ser, e fazer, jornalismo de qualidade é isto: garantir que a informação que se passa é fidedigna, pautada pela ética e por princípios fundamentais- algo difícil nos nossos conturbados tempos. É, por isto, pela falta destes valores que agregam respeito e credibilidade à imprensa, que restam, hoje, o jornalismo anda tão desacreditado, com jornalistas sendo apenas papagaios, meros repetidores de chavões e, por isto, uma razão fundamental para que o nome de Euro Tourinho não seja esquecido e cultuado, além de suas inesquecíveis qualidades humanas. Na figura dele, nossa homenagem aos verdadeiros jornalistas.

segunda-feira, abril 06, 2020

UMA TENTATIVA DE OLHAR ALÉM DA CRISE DO VÍRUS



Não apenas a mídia, como também as redes sociais, todas as pessoas, desejem, ou não, estão falando sobre o coronavírus e atentos para o que acontece no mundo, quem toma medidas melhores ou sofre mais com a crise. O que poucas pessoas fazem é pensar sobre o futuro pós-crise. O que encontraremos na frente depois de passado este período em que o medo, irracional, permeia, sem que as pessoas percebam, seu modo de pensar. Embora expressem, nas palavras, a preocupação com os outros, na verdade, são movidas pelo receio de uma morte horrível. Há um medo imenso e imperceptível, até por defesa própria, que vem da natureza humana: o medo que se tem de ter perdido o controle, de que não há defesa fácil contra o vírus.
No entanto, se pensarmos na vida depois da epidemia, com uma visão otimista, veremos que a crise nos obriga a ver, e  dar valor, a coisas que, normalmente, fazemos sem valorizar, como dar um aperto de mão, um abraço, jantar ou conviver com os amigos, seja num clube ou num boteco. Talvez, até diminua o hábito que temos de, até na convivência, dar mais atenção às telas de celulares ou tvs. Quem diria, por exemplo, que sair de casa, até para um supermercado, é tão bom! Imagine ir a um evento, a um cinema, a uma livraria ou a um parque?Até mesmo uma caminhada pelo bairro ou pelo centro, agora, ganha uma importância que não se sabia ter. O coronavírus também nos mostrou que o trabalho em casa funciona. E, muitos, até trabalharam mais do que nos seus locais de trabalho. Também aprendemos, à força, é verdade, que não lavamos as mãos direito. Pois é! Até lavar as mãos tem sua tecnologia. Mais do que todas essas coisas, porém, o coronavírus nos obriga a pensar na economia. Na quantidade de bens, serviços e dinheiro que precisamos para sobreviver. Há uma enorme quantidade de pessoas que, surpreendidas pelo vírus, não possuíam dinheiro suficiente para enfrentar a tempestade. Ficaram em uma situação muito difícil sem poder trabalhar, sem poder sustentar a família. Houve casos em que o chefe de família pirou e, depois, ajudado, chorando, disse ter pensado em suicídio. Quem tinha economias, ou um salário garantido durante a epidemia, tem uma enorme vantagem, um verdadeiro colchão de massagem, para enfrentar o estresse contra um assassino invisível que pode estar nos lugares menos imagináveis. Sem dúvida um dos comportamentos que deve se acentuar, pós-crise, deve ser o de buscarmos criar uma poupança maior, usar nosso dinheiro de uma forma que nos dê a certeza que não seremos pegos de calça-curta de novo. O duro é que, ainda estamos imersos nesta situação terrível, e quanto mais perdurar o isolamento, mais os problemas futuros da economia se acentuarão. E, hoje, com a falência de muitos negócios, e a demissão em massa, que está acontecendo, além dos riscos que corremos de desestabilização e de desabastecimento, não é de espantar que, até mesmo os chefes de estado, se recorra à religião. São tantas as preces e as orações que, de uma hora para outra, até os ateus estão apelando para Deus. É talvez, também, pós epidemia, o povo fique mais religioso.

domingo, abril 05, 2020

O JORNALISMO DO TERROR É UM DESSERVIÇO





Sou, por convicção e por história, favorável ao regime democrático e à liberdade de opinião. Porém, não tenho como não assinalar que a imprensa brasileira tem tido um comportamento altamente negativo, não somente no presente caso da epidemia do coronavírus, mas, especialmente nela, nos impingindo um jornalismo de “terror e pânico”. Não vou entrar em discussões idiotas, tipo esquerda e direita, pró ou contra Bolsonaro, isolamento horizontal ou vertical. A própria OMS-Organização Mundial de Saúde foi cristalina, ao afirmar que as medidas deviam depender, em cada caso, do grau da epidemia, das possibilidades e recursos de cada país. É, um fato irretorquível o de que, nos casos de calamidades sanitárias, mais do que nunca, tudo é relativo. Isolamento, universal ou não, não garante nada. Não é possível se ter certezas, nem prever o que vai acontecer da forma como a mídia apresenta. Como se houvesse uma certeza absoluta que o isolamento total é o melhor a ser feito, independente das famílias sem sustento econômico e dos efeitos desastrosos desta medida sobre a economia, sobre o nosso futuro.
Não sou, nem nunca fui, um dos que advogam retaliações contra a Rede Globo, nem nunca deixei de reconhecer que tem sido, ao longo do tempo, competente para se manter na liderança da televisão aberta, no entanto, isto não me impede de ser um crítico antigo de seu comportamento. É claro que se trata de uma empresa, que está preocupada com sua sobrevivência e seus lucros, logo não será a favor de quem cortou suas fontes de renda, então, nada do que faz, do que fez, se afasta de seus interesses. Não há nada demais nisto, exceto quando vira uma política deliberada que se aliena do que se espera de uma imprensa correta e informativa. Prever, como tem previsto, que, na semana de 30 de março, nas cidades de São Paulo, Rio e Brasília o vírus chegaria a 16 mil casos, quando em dia 4 de abril, os casos confirmados, de fato, eram somente, no Brasil, 9.056, é criar uma atmosfera alarmante como divulgar falas de que irão morrer mais de um milhão de pessoas no País. Claro que sempre existirão os argumentos de que as fontes são “especialistas”. O uso de especialistas é um artifício. Ainda mais quando se cerceia os que discordam. E até a CNN fez isto.  Uma televisão, uma rádio, um jornal, qualquer empresa ou instituição precisa ter responsabilidade pelo que divulga. No mínimo se precisa relativizar os dados ou corrigir a previsão antes feita. Mas, não só a Rede Globo, como a maioria de nossa imprensa, está jogando no time do alarmismo e do quanto pior melhor. Só isto explica tanto destaque, por exemplo, para informar que, em maio, o número de infectados no Estado poderia chegar a mais de 500 mil, sem as devidas precauções que devem ser dadas a uma previsão. Mas, o caráter alarmista fica evidente quando o G1 de Rondônia estampou que os casos de coronavírus aumentaram, em uma semana 500% de 1 para 6! Não é de espantar que estejam, rapidamente, perdendo a credibilidade.


domingo, março 29, 2020

O MUNDO NÃO É JUSTO, MY SWEET GIRL



O filme “O Poço”, dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia, recentemente lançado pela Netflix, é uma metáfora fascinante, grotesca e perturbadora. Embora não esteja explícito representa uma clara crítica à nossa sociedade, sua distribuição de recursos e à falta de solidariedade dos mais ricos, ao criar um personagem que, por vontade própria, entra numa prisão para se livrar do vício do cigarro e ganhar um certificado, e que se vê, de repente, obrigado a lutar pela vida, pois, na prisão, a comida passa por uma rampa com mais de trezentos níveis, na qual não chega aos níveis mais baixos, forçando a quem neles vive a lutar pela sobrevivência. É uma abordagem com elementos ainda mais complexos, porém, com uma permanente tendência de questionar o mundo atual quando começa, por exemplo, com as fortes palavras; “Há três tipos de pessoas. As de cima, as de baixo e as que caem”. O que parecia incompreensível para o protagonista do filme (Goreng), que, como todos  os prisioneiros só podia levar um objeto para a prisão, e levou o livro de Cervantes, Dom Quixote, acaba ficando explícito, quando compreende que a única coisa que se faz na prisão é esperar por uma rampa com uma plataforma de comida. Preparada no nível zero, um banquete, consumido, durante algum tempo, em cada nível, uma vez a cada dia, sem que se possa guardar nada, em que os de cima não se importam com o que sobra para os debaixo, nem que se alimentem de seus restos. Quando acorda, Goreng, está no 48, onde ainda se come, mas, os prisioneiros são, mensalmente, trocados de nível para que passem por todas as situações. Quando acorda, no nível 147, se vê amarrado, por seu companheiro de cela, Trimagasi, que, prevendo a falta de comida, passaria a comer parte de seu corpo. E faria isto, se uma personagem, Miharu, misteriosa e canibal, que se transporta pela plataforma atrás de sua filha, não o salvasse. É se alimentando de partes do corpo e das larvas do companheiro que Goreng sobrevive e vai ser compartilhar cela com Imoguiri, quem o selecionou para a prisão, que, depois se descobre, ao saber que tinha câncer, foi tentar mudar o sistema por dentro. O lado idealista dos personagens reaparece, depois, no próprio personagem e em um negro, Baharat, que topa, primeiro tentar descer e distribuir a comida, depois fazer com que uma mensagem chegue ao nível zero. É um filme onde várias metáforas se entrelaçam numa grande metáfora. O fato de Baharat querer subir, dependendo da bondade de estranhos, sem sucesso, mesmo apelando para a religião, ou a alusão que se pode fazer os de baixo cooperar pela força, bem como a menção explícita de que “nenhuma mudança é espontânea” não conseguem superar a de que, por mais educados, bem intencionados e delicados que possamos ser, nas situações limites, nos comportamos como qualquer animal, ou seja, o que vale é sobreviver. Embora deixe visível, o que é uma verdade, que há alimentos e recursos para todos, se os poderosos tivessem solidariedade, também deixa entrever que a mudança só pode ser feita pela educação. Como é um filme que visa questionar valores também não são propostas soluções, daí, o final tão ambíguo. A salvação da criança, no nível 333, é realidade? Uma das regras da prisão era de não se ter menores e, alguns personagens, colocam em xeque a existência da filha de Miharu. Ainda que seja. Isto mudaria de fato alguma coisa? Quando se vê o chefe indo à loucura, no fim do filme, por um cabelo na panacota, é de cabível perguntar se, para muitos, tem importância o que se passa nos níveis inferiores, desde que não altere sua vida. Algo semelhante não se passa, por exemplo, agora, quando se pede para os outros ficar em casa, quando esses não tem o que comer? Há uma quantidade muito grande de pessoas que fazem belos discursos socialistas comendo caviar e bebendo champanhe, mas, quantos se moveram para alimentar alguém na atual crise do coronavírus? Os pobres, na sua grande maioria, não estão discutindo no Facebook ou no Whatsapp sobre Bolsonaro ou Lula, sobre ficar ou sair. Estão, como os do final do poço, em busca do que comer hoje ou amanhã. E são poucos, muitos poucos, os que tem o que teve Goreng no filme, a coragem de se sacrificar pela menina (o amanhã). O filme é cruel. É preciso ter estomago para assistir, mas, trata de todos nós: da nossa violência, do que vemos, do que não vemos, dos que desejam o diálogo, dos que não entendem. Mas, a realidade do poço nos envolve com outras formas. E, é óbvio, não nos salva nem a literatura, nem o marketing nem a cegueira. Apesar das nossas melhores intenções o mundo continua a ser injusto. E o poço não tem fundo.


Ilustração: Observatório do Cinema.

segunda-feira, março 23, 2020

O CUSTO (QUASE) INVISÍVEL DO ISOLAMENTO




O presidente Bolsonaro não é um homem que se possa dizer que seja refinado, nem culto, nem que se destaque por manejar as palavras, enfim, por ser um sofista. Muito ao contrário, o seu estilo seco e grosso é, por assim dizer, um traço de sua personalidade. Seu traquejo na arte da diplomacia deve ser comparado à fineza de um elefante numa casa de louças. Para se eleger, não há como negar, o presidente foi extremamente competente, pois, só dependia dele e de quem estava sob suas ordens. Governar é outra coisa. Exige sim, buscar formas de cooperação, de consenso, até mesmo ceder, o que se considera razoável, em certas horas. Bolsonaro é intransigente, age como se todos tivessem o seu senso de dever, seus ideais, seus objetivos. Isto, é cristalino, não funciona muito bem numa sociedade, como a brasileira, acostumada aos jeitinhos, aos compadrios, aos acordos de gabinete. Isto não quer dizer que, em muitos aspectos, ele não acerte até mesmo quando contraria seus próprios seguidores e grande parte do povo brasileiro.
Agora mesmo o  presidente Jair Bolsonaro está sendo duramente atacado quando tem razão. Ele disse, em entrevista à TV Record, na noite de domingo,  que a população descobrirá em breve que foi enganada pelos governadores de Estados e pela imprensa na crise causada pela pandemia do novo coronavírus e voltou a afirmar que existe um exagero nas medidas de combate à Covid-19. Bolsonaro está coberto de razão. A forma açodada, com o fechamento apressado dos estabelecimentos, com o esvaziamento das cidades, com as restrições ao direito de ir e vir, com o extermínio em massa de empresas e empregos é completamente irracional. A explicação é simples: até, agora, quando escrevo, na noite do dia 23, a Itália, que foi o país mais atingido, teve, com uma população de 60 milhões de pessoas,  6.077 mortos, ou seja, 0,01% da população! No mundo todo, para 260.319 casos ativos, um total de 16.491 mortos, uma letalidade de 6,3% dos que adquiriram o vírus. São muitas pessoas? São. Mas, como ficará o mundo com uma recessão que ameaça ser muito pior que a de 2008? Quantas pessoas, hoje, apenas no Brasil estão sem condições de ganhar o pão de cada dia? Na verdade, o desemprego, a falta de renda, a pobreza está se alastrando mais rápido do que o vírus!!! É racional para uma taxa de letalidade de 1% parar toda a atividade econômica? Quanto não irá se gastar com os problemas mentais, o estresse, a desordem que virá de uma paralisação tão brusca (e quase completa) de nossa economia? Thomas Friedman, um dos colunistas mais influentes do mundo, afirma com razão que “Se essa for a taxa verdadeira, paralisar o mundo todo com implicações financeiras e sociais é irracional.  É como um elefante sendo atacado por um gato doméstico. Frustrado e tentando fugir do gato, o elefante acidentalmente pula do penhasco e morre”. São os pobres, os sem emprego, os sem renda e os que ficarão desempregados que pagarão a conta. Fechar os negócios, parar a economia pode ser a forma mais fácil de conter a transmissão do vírus, mas, é o melhor caminho? Pode prejudicar muito mais a sobrevivência, o sustento e a saúde das pessoas, com um custo muito maior de vidas do que se pensa. O objetivo de salvar vidas e evitar o colapso do sistema de saúde é nobre, mas, vale o custo de destruir nossa economia? E, para os que não me conhecem, esclareço que estou no topo do grupo de risco: tenho mais de 70 anos e problemas de respiração, mas, penso, que os neurônios ainda funcionam razoavelmente...


terça-feira, janeiro 14, 2020

ARTE PARA QUÊ?




A questão do que é a arte e da beleza da arte tem sido um tema sempre permanente nas discussões intelectuais. De certa forma, entre os brasileiros, foi abordada a relação entre arte e beleza pelo poeta Afonso Romano de Sant’Ana, que considera ter havido um desvirtuamento da arte ao se realçar o conceito se abandonando o objeto, ou seja, a arte passou a ser conceitual, enfim, mais explicações da arte do que arte mesmo. Outro intelectual brasileiro que se debruçou sobre o tema foi Ferreira Gullar que lamenta a covardia da crítica de arte que, talvez por medo ou mesmo por dinheiro, deixou que os critérios da arte se tenham diluído, de tal forma que a arte, agora, pode ser qualquer coisa que se denomine de arte. Este tema me rondava a cabeça em razão de um vídeo do artista rondoniense Joeser Alvarez que sob o título “Arte Para Quê?”, fez o que chamou de “Um registro documental e artístico no qual, quase uma centena de produtores culturais e artistas, manifestam de modo diverso e, por vezes confluente, suas visões sobre a finalidade da arte, conferindo a esse repertório uma semântica rica e diversa . As imagens foram captadas por câmeras e celulares ao longo de 10 anos”. O vídeo é mais dinâmico e provocador e, como se pode ver no Youtube facilmente (https://www.youtube.com/watch?v=ZmelLX7rZus&feature=youtu.be&fbclid=IwAR1z9gnN4l1TKzdqf2fEpjMm5G2z3XrXRDtzckd2qUwozbg65wDPVjb5_Pw) uma busca de explicações sobre a visão de cada um sobre a arte. É uma coincidência, um pouco dolorosa, embora os céticos não acreditem em coincidência, que o vídeo surja quando morre um filósofo que muito se ocupou da arte e da beleza: Roger Scruton.  É dele, aliás, um livro muito interessante denominado de “Beleza” onde alerta para o permanente desejo de dispor da beleza desde da arrumação da casa, passando pela arrumação da mesa num jantar para os amigos, do jardim mais simples ao mais sofisticado, e até mesmo  nas vestimentas, especialmente, nos nossos tempos de redes sociais e “zilhões” de fotografias de celebridades e desconhecidos. No cotidiano, a beleza é buscada por todas as culturas e fica evidente na exposição de Scruton, ao dizer sobre a beleza, que não se estabelece um critério firme para a definição do que é a beleza, pois, isto passa por um conjunto amplo de possibilidades, ao mesmo tempo, que sempre o desejo de beleza se relaciona com critérios formais e com uma certa sensação de bem-estar e aconchego. O que ressalta é que, sem sombra de dúvida, a arte consiste numa das mais apropriadas atividades para a busca da beleza. Scruton, que nada tem de saudosista,  escreve que : “... tudo que afirmei acerca da experiência da beleza insinua que ela possui fundamentos racionais. Desafia-nos encontrar significados em seu objeto, traçar comparações críticas e examinar nossas próprias vidas e emoções à luz do que descobrimos”.  Para ele, a questão é a de que, no mundo moderno, há na arte uma fuga da beleza e da verdade. Então, talvez, a pergunta certa não seja “Arte Para quê”, mas, “Arte Por quê”. Daí, o importante é perguntar até onde a arte serve para a vida. Ou, talvez, indo mais longe, como se faz da vida uma arte. Fazer arte na vida, no entanto, hoje, em dia, até para obter 15 segundos de fama, milhões já fazem, independente da beleza e da verdade.

segunda-feira, novembro 25, 2019

MAKTUB



Eu também sou Rodrigues, mas, não sou Nelson. Se fosse escreveria que já estava escrito nas palimpsestos gregos, nas pedras ancestrais, nos primórdios da criação do mundo, nas línguas dos primeiros profetas que o Flamengo seria campeão da Libertadores este ano. Este time do Flamengo é um grande time? É, inexplicavelmente é. Feito mais por obra do acaso, embora também fruto de trabalho de excelentes técnicos, é uma obra das mais improváveis. É que nele estão juntos velhos talentos, talvez, movidos também por antigas paixões reavivadas, com promessas, agora, cumpridas e até com desconhecidos talentos, como Pablo Marí. Trouxeram Diego, Diego Alves, Rafinha e Filipe Luís, veteranos consagrados, para juntar com nomes conhecidos, todavia, que ainda não tinham marcado seus nomes nos campos, como Bruno Henrique, De Arrascaeta, Gerson, Everton Ribeiro, Rodrigo Caio e, até mesmo, Gabigol, que, mesmo tendo sido artilheiro do brasileiro, não tinha ainda títulos que sedimentassem sua carreira. Com a mão do português, Jorge Jesus, arranjando as peças, fizeram história e se tornaram campeões da Libertadores de 2019. É verdade também que sobraram no campeonato brasileiro. Tudo indica que alcançarão a maior quantidade de pontos que um time ganhador já conseguiu, desde que o campeonato de pontos corridos foi estabelecido. Sua campanha, com vitórias memoráveis, o seu bom futebol rápido e demolidor,  credenciavam o Flamengo como favorito contra o River Plate. Ainda que Gallardo, que ignorava o destino, tivesse razão em dizer que se o Flamengo era superior que provasse nos gramados. Que foi provado, foi. Mas, convenhamos, da forma mais cruel possível. Sejamos justos. Não há como negar que o River foi melhor durante exatamente 93 minutos da partida. Jogou uma partida impecável durante todo este tempo. Dominou o campo, impediu que o Flamengo jogasse. O Flamengo foi irreconhecível, ao ponto, de permitir um gol inacreditável, que foi uma falha coletiva, porém, quase espírita. Era uma jogada que teve tudo para não acontecer. Não pensavam assim os deuses do futebol que permitiram ao River o sabor de pensar que poderiam vencer. Depois de uma hora e meia sem conseguir fazer uma única jogada, adormecido em campo, dominado, submetido, o Flamengo despertou. Do triste Flamengo, que não acertava passes, que não fazia uma jogada certa, que não ganhava um rebote, que desanimava o torcedor, reapareceu o time vencedor e, em três minutos, em apenas três rápidos minutos, fulminou o River Plate. Acertando uma jogada! Só uma! E, com ela, desmontou tudo o que o River havia feito. O golpe foi tão mortal, tão fatal, tão perfeito, tão monumental que nem precisou de uma segunda. De um lance improvável, de uma bola lançada mais para a defesa do que para um provável ataque, de um lançamento sem futuro, o faro de goleador de Gabigol, a vocação de artilheiro, brilhou. E ele, que só havia tido o fácil trabalho de empurrar a bola nas redes no primeiro gol, como um tanque, se impôs aos zagueiros, que atrapalhados, assistiram o seu chute implacável, certeiro, matador. Não havia o que fazer mais. Era só levantar a taça. Foi sorte? Foi. Porém, quem disse que os grandes times não precisam de sorte para vencer? A sorte foi tanta que, no domingo, foi campeão brasileiro sem entrar em campo. Agora, sejamos cirúrgicos, precisos no exame: ninguém é um grande campeão apenas com sorte. O Flamengo fez história jogando muito. E foi premiado ganhando a Libertadores quando fez sua pior partida dos últimos tempos. Porém, não é todo time que só precisa de três minutos jogando bem para ganhar do River Plate. A verdade é que estava escrito!

terça-feira, novembro 19, 2019

AS MUDANÇAS NO MUNDO DO TRABALHO RECLAMAM NOVAS FORMAS DE PENSAR O FUTURO





Leio no jornal português “O Público” que uma pesquisa do Instituto Nacional de Estatística (INE) revela que as empresas portuguesas contatam mais frequentemente os seus trabalhadores fora dos seus respectivos horários de trabalho atualmente mais do que há quatro anos. Segundo ainda a mesma pesquisa  quase 40% dos funcionários tiveram solicitações de trabalho no seu período de descanso pelo menos uma vez nos dois meses anteriores. Segundo o inquérito, em 2015 mais de metade (56,6%) da população empregada no 2º trimestre afirmava nunca ter sido contatada profissionalmente fora do horário de trabalho. No trimestre equivalente de 2019, aquele valor diminuiu 3,9%, sendo agora 52,7% os que fazem tal afirmação. Em sentido contrário, 39,2% dos trabalhadores empregados hoje dizem ter sido contatados por questões da empresa em horário de descanso, pelo menos, uma vez nos últimos dois meses – a diferença entre os dois indicadores são os entrevistados que não sabem ou não respondem. Destes, 20,2% receberam este tipo de contato “uma ou duas vezes”, enquanto os restantes 19% revelam uma prática mais frequente. Na maioria desses casos (13,2%), os contatos são feitos na expectativa de que o trabalhador interrompa o seu período de descanso para resolver algum problema.  Os contatos fora do horário de trabalho são mais frequentes entre homens (49,1%, contra 40,3% entre as mulheres); funcionários com formação superior (61,2%) e trabalhadores por conta de outrem (56,8% reportam a existência destas práticas nos últimos dois meses). Dentro destes, o fenômeno é particularmente sentido pelos funcionários que têm vínculos com termo (60,5%). Também é significativo na pesquisa que quase um terço dos trabalhadores (28,8%) afirma trabalhar “sempre, ou muitas vezes” sob pressão de tempo, “tendo de terminar tarefas e trabalhos ou tomar decisões dentro de prazos considerados insuficientes”. Pouco mais de um terço da população empregada (34,1%) afirma ter total, ou muita, autonomia para decidir a ordem e o modo como executa as suas tarefas ou trabalhos. Bem, a pesquisa é portuguesa, mas, não deve ser muito diferente no Brasil. Parece que, apesar do descanso ser considerado um direito fundamental do trabalhador, a jornada de trabalho, que é o período estabelecido no contrato com a empresa que deve ser cumprido pelo empregado, está, cada vez mais sendo menos respeitada, principalmente, quando se trata de trabalhadores de nível superior ou especializados. O que se percebe é que a legislação brasileira (e mundial) gira em torno do emprego que, com o desenvolvimento da tecnologia e da inteligência artificial, ao meu ver, tende a diminuir muito. Mas, se o emprego tende a diminuir, ou, talvez, como pregam alguns, a desaparecer, o trabalho, certamente, não desaparecerá. A verdade parece ser que é preciso que se pense em novas leis mais adequadas a uma nova realidade. O enfraquecimento sindical não se dá à-toa. Reflete o fato de que a classe trabalhadora é, cada vez mais, fragmentada e heterogênea. Pensar que se possa agrupar interesses crescentemente difusos é uma tolice. A questão do futuro será como remunerar melhor o trabalho ou como criar uma forma de renda universal que se sustente num modelo onde só uma parte muito pequena da força de trabalho será contratada por empresas. A dissolução entre o trabalho e o descanso, que aumenta a olhos (e pesquisas) vistos, é um sintoma das profundas modificações do mundo do trabalho. E é preciso que se pense em novas formulas e não, como faz grande parte da mentalidade de esquerda, desejar que “direitos” se sustentem, quando não possuem, como contrapartida, o substrato econômico que os viabilize. É um belo discurso, o de falar em direitos, mas, a história demonstra que eles só existem quando a economia permite que possam ser sustentados.


quinta-feira, novembro 14, 2019

CRIAR CIDADES INTELIGENTES É CUIDAR DO FUTURO



Cada vez mais merece atenção o tema de transformação das cidades em cidades inteligentes, ou, em inglês, Smart Cities, que são sistemas de pessoas interagindo e usando energia, materiais, serviços e financiamento para promover o desenvolvimento econômico e a melhoria da qualidade de vida.  Estes fluxos de interação são inteligentes por fazer uso estratégico de infraestrutura e serviços e de informação e comunicação com planejamento e gestão urbana para dar resposta às necessidades sociais e econômicas da sociedade. O Cities in Motion Index, do IESE Business School na Espanha, utiliza 10 dimensões para indicar o nível de inteligência de uma cidade: governança, administração pública, planejamento urbano, tecnologia, o meio-ambiente, conexões internacionais, coesão social, capital humano e a economia. A importância que se dá as cidades inteligentes pode ser medida pela criação do Ranking Connected Smart Cities, um estudo desenvolvido pela Urban Systems para o evento homônimo, idealizado pela Urban Systems e pela Sator e realizado desde 2015, criando uma plataforma de discussão e negócios sobre o de Cidades Inteligentes. Com 5 publicações já realizadas, as versões 2015 a 2019, o Ranking Connected Smart Cities se configura um esforço da Urban Systems para o entendimento e a definição dos indicadores que apontem o desenvolvimento inteligente das cidades.  A última edição do Ranking Connected Smart Cities, de 2019, avaliou 700 cidades brasileiras, levando em consideração 70 indicadores distribuídos nos eixos de mobilidade, urbanismo, meio ambiente, energia, tecnologia e inovação, economia, educação, saúde, segurança, empreendedorismo e governança. Campinas (SP) conquistou o primeiro lugar geral, seguida por São Paulo (SP) e Curitiba (PR), respectivamente. A liderança de Campinas se explica pelo quesito economia, com independência do setor público, uma vez que 94,5% dos empregos formais não estão na administração pública. Mas, também, pela tecnologia e inovação: Campinas possui cinco parques tecnológicos e cinco incubadoras de empresas, e apresenta 4,9% de crescimento do número de entidades de tecnologia, mesmo em período de crise econômica. No Norte, porém, entre as 100 cidades listadas como as mais inteligentes do Brasil só uma aparece: Palmas, a capital de Tocantins. É preciso, portanto, que nossos prefeitos e nossas lideranças passem a olhar com mais carinho a questão de como tornar nossas cidades inteligentes. Até porque para se ter uma cidade inteligente não se pode olhar os setores de uma maneira isolada. Todos eles precisam ser entendidos como fazendo  parte de um ecossistema integrado que afeta o dia a dia do cidadão. Daí, que  o processo para tornar as cidades mais inteligentes é sempre gradativo exigindo  não só gestão pública, mas, também a compreensão  dos próprios cidadãos de que são também responsáveis pelo futuro de suas cidades. É preciso que, urgente, se discuta como tornar nossas cidades inteligentes buscando soluções que atendam a realidade e a necessidade de todos nós.

quarta-feira, novembro 13, 2019

A NECESSIDADE DA ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL DE RONDÔNIA



O Departamento Acadêmico de Ciências Econômicas da UNIR, com o apoio do Núcleo de Ciências Sociais Aplicadas também da Universidade de Rondônia e o Conselho Regional de Economia de Rondônia-CORECON/RO, realizam, no Auditório da UNIR Centro, um Seminário de Economia que tem como tema “A Economia do Estado de Rondônia no contexto do Desenvolvimento Regional” em três encontros, dois dos quais já aconteceram nos dias 4 e 12 de novembro, e o próximo, que acontece no dia 20, na próxima terça-feira, terá como mote “A Economia de Rondônia, tendo o Estado como agente mediador e indutor do Desenvolvimento” a ser apresentado pelo Coordenador da Secretária de Agricultura, economista Avenilson Gomes Trindade, e o emérito Conselheiro do Tribunal de Contas e professor Valdivino Crispim de Souza. Até agora, apesar do público estar quase limitado aos alunos de Economia da Universidade Federal de Rondônia, o seminário tem sido muito frutífero no sentido de apontar a falta de um projeto para o estado e das dificuldades de articulação, planejamento e recursos que Rondônia possui para o seu desenvolvimento.
É verdade, como defendeu um dos integrantes do governo durante o seminário, que Rondônia possui um Plano de Desenvolvimento Estadual Sustentável de Rondônia-PDES/RO 2015-2030, mas, como foi ressaltado por um dos debatedores, não há um nexo causal entre o plano, o plano plurianual de investimentos e o orçamento. Ainda que se tenha tentado defender o governo apontando que, dada a complexidade dos objetivos e metas e a pequenez dos recursos, seja feita uma redução das grandes ambições do plano para um planejamento estratégico que se concentraria no que é possível gerir, no entanto, também se contestou a gerência, que seria feita por ilhas setoriais do governo. Ainda, porém, que se aceitasse os argumentos em defesa do planejamento governamental é indiscutível que o PDES é um plano de governo. Não é de conhecimento da sociedade, apesar de terem tido, conforme foi afirmado, várias audiências públicas e se garantido espaço para as instituições e sociedade civil. O fato é que seus objetivos não são os objetivos da sociedade nem são por ela encampados. O que ficou patente, no decorrer do seminário, é que a definição do que desejamos, a falta de organização da própria sociedade, gera um hiato entre os anseios públicos e o governo. Há, por assim dizer, um diálogo entre diferentes línguas que não se entendem. Apesar disto, a economia estadual cresce, porém, é preciso, mais do que nunca, que a sociedade civil se organize para fazer com que suas demandas sejam incorporadas aos planos governamentais. Neste sentido, não importa a questão levantada da não participação da população na medida em que é chamada apenas para corroborar o que se planejou. Na verdade, em Rondônia, o que não é diferente do resto do país, a população e as próprias lideranças não têm informações nem conhecimento, por exemplo, sobre o orçamento e a utilização dos recursos públicos, o que, em tais condições, faz prevalecer as manipulações. A grande maioria não sabe quais são as possíveis formas de participação ativa nas deliberações públicas, de forma que o controle social acaba sendo só pro forma, como também o direcionamento dos recursos. Não importa se as pessoas tem, ou não, conhecimentos, inclusive burocráticos e digitais, o que importa é que suas demandas sejam incorporadas ao planejamento e se crie formas de controle social, sob pena de se criar um campo fértil para a ineficiência e se abrir as portas para a corrupção. Neste sentido, quanto menos permeável é um governo, quanto menos acessível, menor será a influência da sociedade sobre os recursos que lhes são retirados em forma de impostos. E menor também o retorno que deles recebem. O Seminário está sendo esclarecedor sobre este aspecto e, principalmente, de que a sociedade rondoniense precisa se organizar melhor para encontrar consensos sobre o que deseja e cobrar do governo uma atuação mais efetiva em prol do desenvolvimento do Estado.

quarta-feira, outubro 30, 2019

FACEBOOK É UMA MÍDIA AINDA MUITO DOMINANTE



Não se pode negar as grandes vantagens que as redes sociais nos proporcionam. Basta pensar como facilitaram a nossa vida, inclusive sob o ponto de vista profissional, como criaram espaço para novos tipos de profissões e negócios, bem como tornaram a comunicação fácil e instantânea. Se, vinte anos atrás, alguém tivesse dito que poderíamos compartilhar informações, notícias, fotos, eventos tão rapidamente; que os acontecimentos do mundo poderiam ser acompanhados e divulgados em tempo real, dificilmente, alguém teria acreditado. Hoje é um fato cotidiano. Com as mídias digitais, podemos bater fotos, escrever, falar, encontrar pessoas. Criar grupos por assuntos que nos interessam, fazer novos parceiros e/ou amigos ou até mesmo reencontrar pessoas que fizeram parte de nossas vidas no passado. Fora encontrar trabalhos, estabelecer ligações profissionais, divulgar nosso trabalho, vídeos, desenhos, livros, enfim,  mostrar nossas habilidades, distribuir ou vender artesanatos ou produtos. Devo dizer que já fui mais adepto delas. Hoje tenho um certo receio tendo em vista alguns problemas que enfrentei de notícias falsas, e-mail e uso de meu nome. Assim, hoje, me abstenho de dar opiniões, de discutir, até mesmo em particular, com os amigos, pois, quem não nos conhece pode interpretar brincadeiras ao pé de letra e se tornar uma dor de cabeça de graça. Estamos no tempo da boiada. Pensar incomoda todos os lados. Assim só posto amenidades, alguma música, uma foto com algum amigo ou personalidade, um evento que desejo enaltecer ou convidar pessoas para participar. Minha visão, hoje, das mídias sociais, portanto, é de que precisam de alguma regulação e/ou mediação para terem um papel melhor.  Mas, me surpreendi, realmente, com uma pesquisa feita pela Activate Inc., que revelou que o Facebook, nos últimos dois anos, perdeu cerca de 26% do engajamento médio por usuário e o tempo a ele dedicado caiu de  14 horas ao dia para apenas durante 9 horas ao dia. Redes menos fortes, como o Twitter, o Snapchat e mesmo o Instagram, conseguiram manter seu tráfego estável, o Facebook. Bem, não acredito que isto vá afetar o negócio,  a empresa de Mark Zuckerberg. Considero, aliás, uma análise superficial afirmar que há “uma debandada e desinteresse exponencial da gigantesca base de usuários em sua rede social”. O negócio dele, ao meu ver, se mantém muito forte e os efeitos atuais são, como acontece sempre com mídias novas que fazem sucesso, uma certa acomodação.  É claro que fatores como a questão com a Libra, os fake news, a publicidade na política e mesmo números falsos sobre vídeos não afetem seu desempenho, mas, de fato, sua sobrevivência está garantida por muito tempo, exceto, se uma nova plataforma, que faça ou supere seu papel na vida das pessoas, apareça. Hoje, mesmo na mídia social, não há nada de novo no horizonte.

sexta-feira, outubro 18, 2019

O VALOR NEGATIVO DO CORINGA



Não li as críticas, mas, o filme “O Coringa” estava cercado de muita polêmica, de modo que fiquei ansioso para vê-lo. Todavia, para mim, foi um anticlímax. Sinceramente não gostei nenhum pouco do filme. O filme tem sim um bom roteiro, a fotografia é excelente e muito bem dirigido. Enfim, sob o ponto de vista técnico é um grande filme. Que a atuação de Joaquin Phoenix é genial, também, não resta dúvida. Porém, diga-se a bem da verdade, é muito talento gasto num papel que não honra nenhum grande ator. Horrível também a participação de Robert De Niro. Não sei o que o levou a aceitar um papel tão medíocre. O filme é deprimente. Não sei o que leva alguém a contar a história de Arthur Afleck, um palhaço com transtornos mentais, que mata pessoas, inclusive a própria mãe. Mostrar que na nossa sociedade existem pessoas loucas? Ou que nossa sociedade é injusta e opressiva, daí, transformar  pessoas com problemas psicopáticos em assassinos? O filme não tem lições, nem moral. É um filme sem noção feito para uma época sem noção. Um filme que isenta de responsabilidades quem pratica o mal e, ao mesmo tempo, pune de forma indiscriminada quem merece ou não. Enfim, me parece mais uma contribuição para justificar que tudo é mesmo assim, sem jeito e sem remédio. E termina com uma música que diz que a vida é mesmo assim. Claro que não concordo. Ainda mais que a arte, e o cinema é uma arte, deve ser feita para glorificar a vida, para criar grandes momentos, a ilusão de que podemos ser melhores. Por isto o filme é o mais violento que já assisti. Não pelas mortes e sim por glorificar a falta de noção, inclusive, quando cria um assassinato em pleno um programa de televisão ou quando, a partir dos assassinatos num trem, faz de um louco, que mata três pessoas por impulso, o gatilho de um movimento popular anárquico e irreal sob a alegação de que se trata de uma revolta contra a opressão silenciosa dos ricos. É uma inversão monstruosa da civilização sob o pretexto de crítica. Há violências que se justificam ou não. No entanto, nada justifica se glorificar a violência pela violência. A violência é uma coisa natural do homem sim, todavia, só a civilização, com todos os seus problemas, pode por limites aos comportamentos humanos. O filme é corrosivo por ser selvagem, no sentido de querer justificar qualquer coisa, por ser anticivilizatório. De fato usar a figura arquetípica do palhaço, um ícone do riso, para uma paródia lúgubre onde uma pessoa com graves distúrbios se transforma num assassino em série me parece muito mais um incentivo aos loucos de nossa época (que hibernam) para que ganhem seus 15 minutos de fama. Muitas pessoas devem achá-lo maravilhoso por diversos motivos. Não sou psicólogo. Tento conservar o pouco de racionalidade que ainda penso ter. Para mim, é um filme deprê. Uma pena que não tenham feito algo mais proveitoso com tantos recursos e atores maravilhosos.

sexta-feira, outubro 04, 2019

O FUTEBOL NO FUNDO DO POÇO




O Brasil anda de pernas para o ar. Decididamente as pessoas perderam a noção das coisas. Assisto estarrecido algumas pessoas próximas se comportarem de uma forma que está longe de ser crível que tenha algo de racionalidade. Nem vou citar qualquer coisa de posições políticas porque, algum tempo atrás, prometi a mim mesmo que, dado a falta de noção (e conhecimento, inclusive histórico, que as pessoas demonstram), não é muito sensato, nem conduz a nada, discutir posições políticas. Vou escrever mesmo é sobre o que acontece nos campos de futebol que, como dizem, não é só futebol. É também um retrato de nossa sociedade. A loucura que invade nossos campos, por exemplo, se demonstra nas agressões entre torcidas. E, faz algum tempo, se transporta para as agressões gratuitas. A grande realidade é que futebol é um esporte. Um esporte que apaixona e que gera muito dinheiro, mas, ganhar e perder depende de muitas condições. Não é só o querer de dirigentes, de técnicos, de jogadores ou de torcidas.
Neste mundo, no Brasil, em especial, a posição mais frágil é a do técnico, mas, o jogador também está extremamente exposto. Não importa como esteja. Se exige dele é o resultado. E os julgamentos são implacáveis. Neymar, que é um indiscutível craque, tem sua vida esquadrinhada, cada ato seu examinado, pesquisado, analisado como se tivesse a obrigação de ser um ser perfeito. Cito um jogador de grande sucesso. Porém, se exige do jogador que, além de jogar muita bola, em toda e qualquer situação, se comporte como uma primeira dama. Garrincha, o anjo das pernas tortas, o maior gênio, que este esporte já teve, se vivo, seria execrado por mau comportamento e, no campo, já teria sido agredido por “desmoralizar” o adversário. Empurraram para o campo o politicamente correto, apesar de toda a tecnologia do VAR, não se conseguir nem correção nas arbitragens, de só servir para impedir gols e tornar o jogo mais chato. Em suma, o que se espera, hoje, é que, num campeonato brasileiro, como o atual, em que os times são extremamente parecidos, todos sejam feitos de super-homens e de gentlemen. E, levada a lógica vigente, como temos, no mínimo, doze grandes clubes, todos teriam que ser campeões! O que é certo: ter um campeão com onze torcidas conformadas com o fracasso de seus times ou um campeão com onze torcidas invadindo centros de treinamentos e agredindo dirigentes, técnicos e jogadores? O que diz o seu bom senso?
Lembro, agora, que, ultimamente o técnico do Santos, Jorge Sampaoli, parece até um analista do Brasil.  Não que diga nada errado. Muito pelo contrário. Tem acertado com uma frequência muito maior do que seu time joga bola. Ele afirmou:  “Vitória gera satisfação para nós. A pressão que se gera em uma derrota chega a ser ridícula. São críticas que chegam ao ponto de se invadir um CT. É assim que funciona e o que temos que viver nesta profissão”. É um diagnóstico do absurdo nosso de cada dia. O futebol, que deveria ser uma fonte de prazer e de diversão, se transformou também numa demonstração de que a ignorância é ousada. Não respeita a ordem, nem a civilização. Até nos tempos mais bárbaros sempre se preservou o circo. A luta sempre foi pelo pão. No Brasil conseguiram subverter tanto a ordem que nada é sagrado. Nem o pão, nem a igreja, nem o circo. Aí do nosso futebol!

sexta-feira, setembro 27, 2019

O INFERNO ASTRAL DOS TÉCNICOS



A bem da verdade não há nada de muito novo no fato de que três técnicos de futebol sejam demitidos de uma hora para a outra, exceto ser em lote e as decisões terem sido noturnas. A tônica forte da vida dos técnicos brasileiros é um retrato da nossa mentalidade: o imediatismo. Basta uma sequência de maus resultados para qualquer técnico, por melhor que seja, ficar com uma espada sobre a cabeça. No caso atual, se olharmos para o trabalho do Cuca, ainda que possa ter seus problemas, é um reflexo também da falta de um ambiente estável no São Paulo. Já Zé Ricardo nem teve tempo, a rigor, de mostrar nada. Inclusive, se comparado ao grande rival do estado, o Ceará, que se encontra a 7 jogos sem vencer, os quatro dele deveriam ser tolerados. Ainda mais que a defesa do Fortaleza, mesmo com Ceni, não apresentava um bom rendimento. Já Oswaldo de Oliveira é uma ironia das grandes. O Fluminense, mesmo com dois a menos, fez seu melhor jogo dos últimos tempos. A vida de técnico não é mesmo nada fácil.
Aliás, numa entrevista muito feliz, Sampaoli, se queixava das críticas aos técnicos, de não compreender nossa mentalidade. E apontava para Mano Menezes, um treinador de qualidade, que saiu do Cruzeiro, depois de uns resultados ruins, e só obteve vitórias no Palmeiras. Ele seria ruim em Minas e bom em São Paulo? Não. O exemplo inverso é o de Rogério Ceni que estruturou o Fortaleza e teve uma trajetória vitoriosa, a ponto de ser aclamado como o melhor técnico que a equipe já teve, mas, não conseguiu, na sua curta passagem pelo Cruzeiro, nada de relevante. É um técnico ruim? Claro que não. Tem toda razão Sampaoli quando afirmou que “Não se crê em alguém, o resultado muda tudo e torna alguém bom ou ruim. Há mais modificações do que do treinador em si. Que treinador é descartável e só é bom quando ganha e mal quando perde. Acaba sendo mais importante o roupeiro do que o treinador. Treinador se vai sempre”. É a pura verdade. É indispensável se mudar esta mentalidade de curto prazo e dar estabilidade aos técnicos para fazer um bom trabalho. Lembro aqui os técnicos Odair Helmann, do Internacional e Tiago Nunes, do Atlético Paranaense. Trata-se de dois grandes técnicos. Este ano o Internacional, até agora, não ganhou nada. Já o Atlético Paranaense ganhou a Copa Brasil. Será que por isto o trabalho de Tiago é melhor do que o de Odair? Difícil de dizer. Futebol também é acaso, é sorte, inclusive dos jogadores. Odair perdeu o campeonato gaúcho nos pênaltis. Tiago conseguiu eliminar o Flamengo e o Grêmio nos pênaltis. Um lance diferente podia ter mudado tudo. O Edenílson, por exemplo, foi crucificado por um lance que, dificilmente, Marcelo Quirino fará outro igual. E, aqui, entra o imponderável, inclusive a condição física e psicológica dos jogadores. Muitos deles não jogam o que podem por falta de treino ou por excesso de jogos. E, se o resultado não vem, a culpa será sempre do técnico. Os dirigentes deveriam ser muito mais cuidadosos tanto para contratar técnicos (e jogadores) como para dispensar. Pensar em criar um estilo de jogo e uma equipe, como no passado, quando se sabia quem iria jogar e se decorava o nome dos jogadores. Os times mais vitoriosos fazem isto. Cito o Grêmio que, em parte pela estrela e a competência de Renato, busca manter e reforçar uma equipe. De qualquer jeito a vida de técnico não tende a ser nada fácil mesmo. Lembro de, pelo menos, dois deles que tiveram um imenso sucesso com seu time e, mesmo assim, foram dispensados: Diego Aguirre, no São Paulo, e Lisca, no Ceará. Se houvesse bom senso e uma visão de longo prazo, certamente, as equipes seriam bem melhores e o inferno astral dos técnicos mais atenuado.

quinta-feira, setembro 05, 2019

A (IN) VERDADE NAS REDES SOCIAIS



Ninguém, que analisar a vida moderna, pode negar que as redes sociais expandiram a comunicação e são presentes na vida da maioria das populações, especialmente urbanas, bem como se tornaram importantes na relação clientes/consumidores. Na prática, os canais de comunicação ficaram mais abertos à interação, o que, sem dúvida, gera oportunidades, porém, também cria grandes desafios. O maior deles diz respeito as informações que circulam nas redes. Todos nós, empresas ou pessoas, estamos sujeitos ao uso do nosso nome por outros e isto se torna, cada vez mais, um problema na medida em que, por incrível que pareça, um estudo do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), dos Estados Unidos, garante que as notícias falsas se espalham pelas redes sociais com uma velocidade seis vezes maior do que as notícias verdadeiras. E, para tornar o estrago maior ainda, as pessoas retêm as notícias falsas por longos períodos, principalmente, quando estão aliadas às crenças que as pessoas alimentam. Assim, se uma informação falsa sobre um político que não gosto circula, eu (e você também) estamos mais propensos a lembrar desta informação por muito mais tempo.
Como alguém que já foi vítima de informações falsas sei muito bem que isto é verdade. Já tive blog invadido com post que nunca colocaria sendo colocado em meu nome. Já experimentei o dissabor de veicularem e-mails em meu nome com fins escusos e até mesmo postarem no Facebook informações que não postaria porque, no momento, só posto poesias ou músicas, justamente, porque as disputas político-partidárias altamente emocionais, derivadas das eleições presidenciais, criaram um clima que tornou o Facebook o maior palco da insensatez e da sem noção. Aliás, faz tempo que não opino, nem discuto em redes sociais. E até, diante da insensatez do que se posta, escrevi um livro (já publicado) com o nome de “Troféus de Caça-Contos da Era Digital” onde demonstro que as pessoas, nas redes sociais, talvez, por pensarem erroneamente, que são anônimas, perdem completamente o bom-senso e se comportam como se tivessem perdido, no mínimo, metade dos neurônios.
A verdade é que, queiramos ou não, o  ambiente digital se impõe na nossa vida e não podemos prescindir dele. No entanto, também traz muitos desafios.  Cabe a todos nós, pessoas e empresas, saber utilizar bem essas ferramentas. Embora muitos falem e escrevam sobre elas, de fato, ainda são muito recentes e estamos aprendendo a utilizá-las. É um processo educativo, porém, penso que as pessoas devem ter muito mais cuidado com o que dizem e escrevem nas redes e, em especial, se certificar se o que veem, realmente, partiu de quem aparece como autor. Nunca é demais lembrar que o que mais circula nas redes são as notícias falsas, as fake news. E que, como escreveu Mark Twain, muito antes de existirem as redes sociais: “Para quem só tem um martelo, todo problema parece um prego”. Verifique e pense antes de bater. Não que vá fazer muita diferença, mas, pelo menos, não estará contribuindo para o festival de falta de bom senso que inunda as redes sociais.

Ilustração: https://www.rappler.com/.


quinta-feira, junho 06, 2019

OS DANOS DA INSEGURANÇA JURÍDICA


No começo do ano o novo ministro da Economia, Paulo Guedes, andou apontando caminhos que poderiam mudar muito o País. Em primeiro lugar, disse que a carga tributária atual de 36% representa um fardo muito pesado e estava muito acima da existente em outros países similares em tamanho ao nosso. E disse que a carga tributária ideal para o Brasil seria de 20%, porém, que para chegar a isto a velocidade dependeria dos gastos. E apontou o excesso de gastos na publicidade e na compra de influência parlamentar como formas que deveriam ajudar a diminuir as despesas. Uma parte, de fato, está aí, no entanto, o enxugamento do governo exige mais. Exige, principalmente, que se atente aos custos das compras, ao controle das despesas também. Fazer este dever de casa é essencial sim para sanear as contas públicas. Ocorre que isto somente não será capaz de mudar o Brasil. Para mudar será preciso que se faça um trabalho profundo de desburocratização e de criar segurança jurídica para a economia.
A segurança jurídica é uma categoria de direito que indica estabilidade nas relações judiciais, seja na questão da não alteração arbitrária das normas legais, seja  na  previsibilidade do resultado de uma ação judicial. Este princípio serve como um dos pilares fundamentais do estado de direito, pois,  a organização social depende da confiança que os  cidadãos têm no Estado, ou seja, na confiança de que, quando tiver um direito violado, esse estado o protegerá. Trata-se de um princípio que, embora não inscrito na Constituição, está implícito em muitos dos seus artigos, mas, que é continuamente desrespeitado a todo e qualquer instante. Basta verificar que pouco países dispõem de um cipoal de leis tão complexo quanto o  Brasil. Mas, o problema não é somente a quantidade. É o fato de que as regras do jogo mudam a cada dia, o que deteriora o ambiente de negócios, afasta investidores e emperra o crescimento econômico. Principalmente, os estrangeiros, de vez que nós já nos acostumamos com a insegurança cotidiana, não conseguem entender como até mesmo um agente público estadual ou municipal, por exemplo, com um simples parecer afeta toda uma pratica de anos de tramitação comercial. E o que é pior: quando se recorre ao judiciário custam a decidir contra o governo ou até mesmo coonestam mudanças que, a rigor, careceriam de uma nova legislação. Isto é, particularmente sensível, quando se trata do setor tributário onde a complexidade por si só já é um problema que torna difícil, para qualquer um, entender como as coisas funcionam por aqui, como as decisões são tomadas, como se dá o ordenamento jurídico. O que se conclui é que o excesso de leis, de regulamentos, de normatizações e suas mudanças constantes, aliadas ao fato de que as diversas interpretações da Justiça no Brasil, criam incertezas que impedem a previsibilidade e desencorajam investimentos, novos negócios. Um exemplo recente é a discussão sobre uma nova lei dos dividendos. A isenção dos tributos sobre os dividendos é um incentivo para pessoas físicas e fundos investirem mais, porém, até parece que o país não necessita de investimentos. Necessita sim. E necessita muito mais ainda de simplicidade e permanência no seu ambiente de negócios. Somos extremamente prejudicados como nação pelo permanente estado de insegurança jurídica que faz dos planos de negócios e projetos econômicos tabula rasa. Efetivamente, há uma ignorância econômica muito grande sobre a necessidade de estabilidade no ambiente de negócios para que o país possa ter crescimento econômico e se criam leis, decretos, regulamentos e normas que aumentam as despesas das pessoas jurídicas e físicas como se os recursos de que dispõem estivessem à disposição dos agentes públicos. Diariamente se criam despesas inesperadas para o contribuinte sem que, muitas vezes, quem usa a caneta tenha a menor noção do que é uma empresa e de seus custos. É indispensável que as leis sejam simplificadas e haja segurança jurídica dos negócios ou estaremos condenados a ser sempre o país do futuro.