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terça-feira, julho 21, 2020

O NOVO NORMAL NÃO SERÁ TÃO NOVO



Há uma série de pensamentos sobre a vida depois da pandemia do novo coronavírus que me parecem irreais. As pessoas pensam, ou desejam acreditar, que o isolamento pode provocar uma mudança profunda na forma de pensar das pessoas, o que está longe de ser realidade. É verdade sim que altera a forma de vida, porém, me parece que, em que pese algumas atitudes de maior relevância em termos de solidariedade, que a crise leva mais longe ainda as diferenciações que já existiam e eleva o grau de egoísmo das pessoas. Basta ver que, por exemplo, muitas das pessoas que podem ficar em casa veem quase como um crime que outras pessoas, que não podem ficar em casa, procurem meio de sobreviver ou até mesmo façam críticas exacerbadas contra as festas de algumas pessoas (há os que não sabem viver sem festas, em geral jovens). Mas, a crise teve, em termos econômicos, um papel extremamente perverso: concentrou ainda muito mais a renda. Só o sistema financeiro e as grandes empresas lucraram com ela. E impulsionaram uma tendência profundamente anti-social que é a que, inclusive domina a mente de muitas pessoas que se consideram defensores dos pobres, que é a de que pensam na população mais vulnerável com os seus padrões, ou seja, de que essas vivem (e devem)  migrar para o digital. Mas, quem vive no mundo digital? É quem pode. São os que tem mais dinheiro, os que tem acesso a aparelhos e conexões melhores, os que podem se dar ao luxo de ficar comentando a vida, postando nos Facebooks, no Instagram ou comentando em grupos no Whatssap. Mas, esta é a realidade do interior do Brasil? É a realidade das periferias de Porto Velho? Não. Num país em que cerca de 70 milhões de adultos não completaram o ensino médio o mundo digital é uma irrealidade. Uma sondagem feita pela consultoria Usina de Ideias mostra, por exemplo, que 83% das pessoas perderam renda em Rondônia e que, em Porto Velho, mais de 58% das pessoas dependem do auxílio emergencial para viver. Não é a loucura, portanto, que fez as filas que observamos nas agências da Caixa Econômica Federal durante a pandemia, e sim a necessidade. Há muitos analistas, políticos e sociólogos, que se dizem socialistas em mesa de bar, que não sabem nada de povo, que não conhecem ninguém na Zona Sul ou Zona Leste, não conversam nem estão em contato com essa população desassistida. Basta ver  que na Fundação Universidade de Rondônia-UNIR, em relatório do CONSUN, o conselho universitário, sobre inclusão digital  mostra que somente 12,3% possuem uma conexão excelente e 44,4% uma boa e só 78% possuem conexão, assim mesmo grande parte por celular. E 30% possuem computador em casa, mas, de forma compartilhada. Ou seja, mesmo a nossa maior universidade não é digital tanto que se procura meios de ter aulas virtuais, embora, por diversas formas, se tenha atividades virtuais, na maioria,  por  plataformas externas. Então, não se espere muito do “novo normal”. Com certeza, as coisas levam muito tempo para mudar. E a razão está na cabeça das pessoas. Principalmente, das que pensam que sabem o que é melhor para os outros.


sexta-feira, julho 10, 2020

QUEM CORRE RISCO É OPINIÃO PÚBLICA



Cada vez mais as pessoas migram de determinadas plataformas para outras em busca de informações, sejam notícias ou produtos. Por exemplo, agora mesmo, se verifica uma queda de acessos no Facebook em busca de outros serviços similares.  Qual a razão? A razão é a mesma que afeta a grande imprensa nacional. O descrédito. Ou, como acontece com o Facebook, com um posicionamento que se pauta pela esquerda, pelo controle sobre opiniões divergentes, enquanto fecha os olhos para o que os que fazem o que querem,  que estão alinhados com suas opiniões. Uma coisa é fazer jornalismo, ainda que as mídias sociais sejam meios de opinião e não jornalismo, outra é buscar usar o jornalismo ou uma empresa usar a mídia social para justificar suas crenças e desejos pessoais, ou de seus chefes, ou defender a ideia de um estado que tudo domina e controla. Embora grande parte dos jornalistas só defendam mesmo sua carreira e não possuem, inclusive, preparo para ter opiniões próprias. De forma que o que se observa é o descrédito que já atingiu grandes redes de televisões, portais, emissoras, empresas e profissionais. É flagrante isto, por exemplo, com a campanha negativa que se faz com a crise do novo coronavírus. Que se seja contra Bolsonaro, que não paga, com razão, aliás, as vultosas somas que se pagava para manter uma imprensa submissa e lacaia, é compreensível. Não é compreensível é que pela repetição se deseje manter o país em permanente estado de medo para atingir o presidente e seu governo. Não é compreensível, por exemplo, que, apesar da comprovação patente do fracasso da política nacional de restrições às armas, se crie uma inflação de casos para justificar o que não deu certo. E como a grande imprensa, com a falsificação exagerada se encontra, cada vez mais, espremida e desossada pela internet, onde se debate tudo, que se queira, como se quer, utilizar uma legislação criada atabalhoadamente para sustentar a narrativa do medo na população evitando o contraditório. Há até mesmo a criação histérica de ataque a imprensa livre, que nunca foi tão livre antes, porque, agora, é o cúmulo, para a imprensa, qualquer pessoa pode contestar os dados fornecidos, cobrar a fonte da informação ou até mesmo mostrar, o que é muito normal, que o profissional apenas copiou uma notícia e não se empenhou em verificar sua autenticidade. Autenticidade? Meu Deus! Aqui me ocorre que é a grande imprensa, que publica quase a totalidade das notícias,  não checa nada! Até porque, a rigor, não se tem mais redações. A grande imprensa brasileira, com exceção dos colunistas, passou a ser um repassador de notícias. Não há mais repórteres, não se cria nada. Basta ver que até os mesmos erros são publicados da mesma forma em vários jornais, portais, emissoras e quejandos. Com a criação de leis para coibir a opinião quem, de fato, corre risco não é a imprensa livre, nem as grandes empresas que dominam a imprensa - que estas somente publicam o que lhe interessa, mas, a opinião pública livre, como as opiniões das mídias sociais que mostram o que a grande imprensa, por interesses próprios, não gosta de mostrar. Os que estão sendo atacados são os que conseguem se destacar por contestar o alimento ruim com que tentam alimentar a manada. Mas, pelo jeito, para muitos políticos o importante é que se tenha a mesma ração sempre. Uma ração diferente pode fazer com que o gado mude de direção- é o que pensam. O problema é que o povo não é gado.

quinta-feira, junho 11, 2020

É PRECISO DECRETAR O “NOVO NORMAL”



Já passamos pelo pior. Começam a aparecer em todo o mundo os sinais de que o bom senso começa a voltar. Houve um interesse mundial, por razões não muito claras, de vender o “lockdown”, bem como no Brasil, politizaram uma questão de saúde para fechar as atividades econômicas. Foi um erro, todavia, não tem mais como consertar. Também não há como continuar a manter, como se tem feito, as atividades econômicas, as atividades comerciais paralisadas. Houve erros de políticas muito graves nesta pandemia. Sem dúvida, fechar, como fizeram muitos países, estados, suas economias aceitando supostos “argumentos científicos” para decretarem lockdowns foi uma grande furada, mas, não tem mais jeito porque já destruíram as empresas, empregos e vidas sem, contudo, mudar o curso da pandemia. A verdade é que a economia de Rondônia, a do Brasil, vai custar a voltar aos níveis anteriores, porém, o governo federal conseguiu suavizar um pouco com o auxílio emergencial o impacto negativo sobre os mais pobres. Não importa, agora, também, embora fosse importante, verificar que o lockdown induzido pela pandemia foi em si um evento que produziu "vítimas em massa", com mortes por condições não tratadas de não-coronavírus e suicídios provavelmente superando em muito o número as mortes pelo vírus. Somente se presta atenção, no momento, nas mortes do covid-19 e não se calcula as mortes silenciosas, porém, como existem 45 mil de causas não identificadas, é possível que sejam, segundo estimam alguns médicos, o dobro do que as do coronavírus. O importante, agora, e aqui em Rondônia estamos fazendo a lição de casa, que é estabelecer protocolos para buscar retomar não a normalidade, que depois de tantos problemas, como costumam dizer será um “novo normal”. Não é possível, e esperamos que o governador Marcos Rocha esteja à altura do momento atual, que pense grande. Que pense que, por exemplo, não se pode deixar o Porto Velho Shopping fechado. Um shopping é um investimento muito alto e de custo de manutenção elevado. Parado muito tempo é um desserviço a qualquer cidade e a qualquer economia, pois, além de ser um centro de compras e de atividade econômica também funciona, por sua beleza e glamour, como um local para levantar o astral, para se ter prazer com os olhos. Esta compreensão já fez que, segundo levantamento da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), no país  238 shoppings  em 123 cidades de 17 estados tenham sido reabertos. É tempo de fazer isto também em Porto Velho e, por analogia, reabrir o comércio. Com protocolos adequados, com publicidade e conscientização os riscos serão diminuídos. E ficar em casa deve ser uma obrigação para os grupos de riscos e os contaminados ou com suspeitas. Não devemos nos deixar levar pelo medo irracional. É preciso retornamos ao normal, mesmo que seja um “novo normal”.

Ilustração: https://open.spotify.com/.

domingo, junho 07, 2020

O RENASCIMENTO POSSÍVEL



Que não há nada de novo no mundo bem o sabiam os sábios antigos. Assim, embora surpreendente para quase todos, a nossa velha companheira de todos os dias, a morte, abriu a porta da casa e se sentou no sofá através de um vírus que, nem sequer, é novidade, pois, através dos tempos, já teve mais de 150 mutações. E a morte, que está longe de ser a representação dela, que vemos, figurativamente, em geral negra ou um esqueleto carregando uma gadanha (foice), que sempre esteve ao nosso lado, mas, parecia distante, agora participa do nosso cotidiano de forma tão intensa que se banaliza. Apesar de, relativamente, não alcançar dimensões já alcançadas no passado, o medo que causa está bem no presente, nos discursos dos mais ricos, dos que podem se dar ao luxo de não fazer nada, no receio que estimula o fenômeno “fique em casa”, como se ficar em casa livra-se alguém do vírus ou da morte. É humano e compreensível: os homens pretendem ter poder sobre seus destinos. Bela ilusão que, modernamente, é estimulada pela ciência, outra ilusão que participa do atual balé das tolices. Sinto frustrar os iluminados que consideram a quarentena uma solução. Não há controle humano sobre o vírus. É o vírus que está no controle e, pasmem, se sabe muito menos sobre ele do que dizem os “cientistas”, nossos feiticeiros modernos. Pior ainda é que são os interesses e o marketing que nos dizem o que é “científico”. Mas, as discussões tolas estão nos noticiários, nas mídias sociais, nos posts e memes, nas agressões grotescas ou sutis. É hora de pensar que tudo isto é pura bobagem. Como pura bobagem é reclamar dos dirigentes, pedir união ou culpar o capitalismo. É ridículo pensar que, com  a crise do vírus, o  mundo irá mudar rapidamente ou nos levar a uma inusitada solidariedade. Só a falta de experiência ou de reflexão conduz a esses pensamentos. Esta crise é diferente de outras crises do passado sim, mas, nenhuma crise é igual. A questão é que a crise e a morte sempre estiveram ao nosso lado assim como o poder e a desigualdade. O mundo não é justo, nunca foi e somente será quando houver, se houver, uma igualdade das pessoas sobre o ponto de vista econômico e de educação. No nosso horizonte temporal estamos muito longe disto. Assim é melhor brandir a esperança: logo ali na frente haverá um “novo normal”, que nunca foi normal. Aproveite o tempo que tem. Você que pode ficar em casa, que, talvez, tenha amanhã, pare para repensar seus valores. Definir o que, realmente, deseja da vida. Se nós tivermos esta sorte, e a probabilidade está a nosso favor, no Brasil morreram menos pessoa este ano que no ano passado, procure ser mais tolerante, estudar mais, refletir mais. Um bom começo é pensar que, se você tem razão, o tempo dirá, porém, aproveite para fazer uma verificação se suas ideias correspondem aos seus comportamentos. De vez em quando é indispensável tirar os óculos ou a venda dos olhos. E ver os próprios erros é mais difícil do que os alheios. Posso estar errado, mas, creio na possibilidade do renascimento. Das artes, inclusive, depois desta crise até a próxima. 


terça-feira, junho 02, 2020

A COMUNICAÇÃO NA CRISE DO CORONAVÍRUS.



A Comunique-se, empresa especializada em comunicação, realizou, nesta terça-feira (02 de junho) um webinar denominado de “Impactos da Covid-19 na comunicação corporativa” na qual apresentou uma pesquisa onde mostrou alguns dados muito interessantes. Um deles foi o fato de que constatou que 83,3% das agências tiveram perdas de receita e estas foram muito mais elevadas entre as empresas micros e pequenas. Outras constatações feitas foram a de que 36,5% das empresas reduziram suas jornadas de trabalho e mais 23,4% anteciparam férias. Embora tenha sido uma tendência geral do setor manter seu quadro de funcionários mesmo assim 24,7% delas promoveram demissões. Outra tendência observada foi a do trabalho home-office. E aqui um resultado que deve impactar no futuro das empresas: 55,3% disseram que a produtividade aumentou com o trabalho em casa. E isto é mais significativo quando mais 30% disseram que a produtividade permaneceu no mesmo patamar, enquanto que somente 13,8% disseram que a produtividade piorou. Uma pergunta que foi feita na pesquisa tentando sondar o futuro mostrou que 38,2% das empresas, depois da crise, terão escritórios menores e home office parcial. Por fim, verificou-se que houve uma procura muito maior de conteúdo, o que demonstrou a preocupação das empresas em se comunicar, em não perder o elo com seus clientes, bem e-mail marketing, por ser um meio de comunicação mais efetivo e menor custo.

Os especialistas em comunicação corporativa que discutiram os dados e o que será o que chamamos de o “novo normal” consideram que a comunicação será essencial para a economia e para as empresas, porém, a questão fundamental será como as empresas irão cuidar das “pessoas”. A principal razão é a de que tão necessária quanto a comunicação externa, ou até mais, será a comunicação interna, de vez que o home office tem suas indubitáveis vantagens, todavia, também afeta o psiquê das pessoas e a cultura das empresas. É preciso ver que o coronavírus cria, ao mesmo tempo, medo, crise e oportunidades. E obriga, forçosamente, a mudar os comportamentos, de vez que as coisas estão mudando rapidamente. Neste sentido, quem se comunica bem durante este período, quem constrói bem seus conteúdos e age com transparência e rapidez tem maior chance de protagonismo. Este é um momento, de fato, de se ter uma comunicação séria, consistente com a ação das empresas e das pessoas. Comunicar e comunicar bem é uma necessidade nesta época tão conturbada. E quem comunicar bem, certamente, ocupará espaços e terá mais condições de recuperar os prejuízos que a crise acarretou em quase todas as empresas.




sexta-feira, maio 29, 2020

O CRESCIMENTO DO SEGMENTO ATACADISTA DISTRIBUIDOR EM 2019




COLETIVA DO RANKING ABAD/NIELSEN DESTACA REGIÃO NORTE E  OS CINCO MAIORES FATURAMENTOS DE RONDÔNIA NO SEGMENT

A ABAD (Associação Brasileira de Atacadistas Distribuidores), que representa mais de quatro mil empresas de todo o Brasil, de um segmento que movimenta 5% do PIB nacional, é responsável pelo abastecimento de mais de um milhão de pontos de venda em todos os 5.570 municípios brasileiros, promove estudos e pesquisas como o Ranking ABAD/Nielsen, realizado anualmente desde 1994, e divulgado pela Revista Distribuição, com o objetivo de fornecer uma radiografia do segmento atacadista distribuidor, o qual mostrou que, em 2019, o segmento atacadista distribuidor cresceu +4,5% em termos nominais e 0,19% em termos reais, atingindo faturamento de R$ 273,5 bilhões. Capitaneado pelo empresário Emerson Luiz Destro, que é diretor geral do Destro MacroAtacado, maior atacadista do Sul do país, e reeleito  presidente da ABAD no biênio 2019/20, os especialistas professor Nelson Barrizzelli, da Fundação Instituto de Educação-FIA e Daniel Asp Souza, gerente de atendimento de varejo da Nielson, fizeram uma apresentação geral dos resultados do setor em 2019 revelando que como grande empregador houve um crescimento de 5,5% no número de empregados diretos que terminaram o ano sendo 82.674. Interessante é que o estudo apontou a região Norte como o grande destaque em termos de crescimento de faturamento. Nesta  edição a região apresentou um resultado 32,7% superior ao ano anterior. Estão sediados na região Norte 16% dos atacadistas e distribuidores que que participaram do Ranking deste ano, correspondendo a 6% do faturamento total das empresas estudadas. 
Entre os 667 respondentes da pesquisa, 106 estão na região Norte, e 13 estão em Rondônia. Os cinco maiores faturamentos do setor no estado de Rondônia, em ordem decrescente, são as empresas: Friron (R$ 154,6 milhões), Tai Max (R$ 125,7 milhões), Nova Rover (R$ 59,1 milhões), Casa da Lavoura (R$ 39,7 milhões) e SB Log (R$ 36,9 milhões).  As top dez da Região Norte são:

TOP 10 EMPRESAS POR FATURAMENTO – REGIÃO NORTE


Classific.
Nome Fantasia
UF
Ano 2019
N
1
MERCANTIL NOVA ERA
AM
1.021.184.000
2
DUNORTE
AM
1.011.398.593
3
BIG AMIGÃO
AM
614.130.174
4
DISMELO
PA
532.573.810
5
DI FELICIA
AM
494.417.025
6
PREÇO BAIXO MEIO A MEIO
PA
410.439.575
7
MEIO A MEIO ALIMENTOS
PA
335.659.254
8
RECOL DISTRIBUIDORA
AC
314.834.134
9
ARMAZÉM BRASIL
AP
201.805.300
10
ECOACRE
AC
186.728.993



Interessante também na coletiva de Imprensa Online Ranking ABAD/Nielsen 2020 foi a informação de que, mesmo na crise do coronavírus, o  comércio alimentar é um dos poucos que têm se mantido em patamares razoáveis, com  o consumo dos produtos de alimentação, higiene e limpeza doméstica se mantendo estável. O faturamento do setor atacadista e distribuidor, que tem o pequeno varejista como o seu principal cliente, cresceu, em termos nominais, 4,5% em 2019, atingindo R$ 273,5 bilhões. É o 16º ano consecutivo em que a participação do setor permanece superior a 50% (atingiu 53%), reforçando sua abrangência e importância na economia brasileira.

sexta-feira, maio 22, 2020

AS PERSPECTIVAS DEPOIS DA CRISE DO CORONAVÍRUS



Os setores mais ricos, aliados com a esquerda supostamente progressista, até por oposição à Bolsonaro, mas, sem nenhuma consideração pelas consequências econômicas, nos dois últimos meses, criaram tanto ruído nos meios de comunicação e nas redes sociais, que, embora seja o desejo majoritário da população mais pobre, esta não teve força, nem  pressão política suficiente, para conseguir o avanço na liberação das atividades. O fato é que, como há um equilíbrio de forças, entre as tendências pró e contra o isolamento, isto acabou privilegiando o combate à covid-19, em detrimento da economia, em que pese o peso crescente da insatisfação da população pelo sofrimento causado. O mal está feito. Não tem mais como serem recuperadas as empresas falidas, os empregos perdidos, a produção não realizada. Os custos disto são sentidos pelas finanças das empresas que sobreviveram e que, por pior que estejam, se preparam para o passo seguinte de aceleração e investimento que terão que tomar em relação ao seu futuro. Neste contexto, existe a angústia de se ter que agir diante de um quadro de grande incerteza que deve se seguir à crise. Considerando o histórico de crises recentes e de epidemias passadas, algumas premissas são possíveis de se perceber como bases para uma orientação nas tomadas de decisões:

·       Uma expectativa lógica, embora um pouco distanciada da realidade, é a de que as pessoas tentarão reconstruir o estado anterior, pré-crise. Muitos dos esforços terão a direção do resgate da vida anterior.

·       Como pano de fundo será inevitável a busca de medicamentos, tratamentos e vacinas eficazes para o covid-19.

·       Embora existam muitos arautos da tese de que “o mundo não será mais o mesmo” as mudanças são lentas, o que não quer dizer que não existirão, mas, em linhas gerais, as coisas seguirão o mesmo curso.

·       A crise não atingiu a todos da mesma forma. Assim as diferenças de setores, geográficas, de tamanho e de capacidade de inovação gerarão dificuldades e oportunidades particulares para pessoas e empresas.

·       Em que pese as polêmicas sobre a retomada das atividades, mesmo que não vá ocorrer, como muitos preveem um retorno em ‘V’, depois de seis meses, ou um ano, deve haver um crescimento econômico forte resultante das oportunidades represadas pela crise. Este tem sido um comportamento histórico no capitalismo.

·       Ninguém substitui sua ação nem sua iniciativa. Isto também acontece com as empresas. A recuperação, mais rápida ou mais lenta, é sempre resultado da ação, das iniciativas que são tomadas para ocupar o seu espaço no mercado. E vai crescer mais quem estiver atento as necessidades que surgirão.

·       É esperado que os governos, preocupados com sua economia, atuem no sentido de propiciar mais recursos e mais crédito, com taxas de juros mais baratas. No caso brasileiro, isto deve ser essencial em especial para as micro e pequenas empresas. Nem todas, porém, irão conseguir acesso (e outras, talvez, nem resistam), mas, as finanças serão um fator essencial para o futuro próximo.

Um componente decisivo para o sucesso no futuro próximo será a velocidade com que as empresas irão ganhar espaço no mercado, inclusive substituindo as que foram engolidas pela crise. Em outras palavras, as empresas terão que ter não apenas a necessidade de sobreviver, mas, devem se preparar para crescer e inovar. Esta inovação não será, como muitos pregam, nem um retorno ao mundo antigo, nem um “novo mundo” e sim uma mistura do antigo com adaptações possíveis para o ambiente que mudou com o vírus, criou algumas novas preocupações e expectativas que devem ser captadas e atendidas. Em particular terá que se ter atenção a fatores novos como a tecnologia 5G, o uso da Inteligência Artificial, a tendência de se procurar trabalhar em casa ou próximo do trabalho, uma tendência de minimalismo, que irá passar também pela busca de maior acesso aos bens, ao invés de posse e uma maior busca de lazer, de leveza, mas, com algum componente de isolacionismo. Muitas empresas irão depender muito mais de suas próprias iniciativas do que dos programas de ajuda, porém, vão precisar de parcerias em setores que não dominam, bem como terão que reavaliar seus fornecedores, a logística e seus produtos sempre buscando oferecer mais com menor custo. Certamente isto significará uma ampliação do uso de aplicativos, ou, usando o termo correto, uma “uberização”, que será essencial para a sobrevivência. Ainda que a crise tenha sepultado muitas empresas somente acirrou a necessidade de maior competitividade, ainda que criando problemas para os insumos e produtos importados. Será um traço novo, neste cenário, a tentativa de diminuir a dependência de produtos externos, que já se percebe nas campanhas do tipo compre no seu estado, ou no seu bairro, mas, como se sabe, a eficácia desta tendência depende sempre dos preços. Ninguém compra mais caro por patriotismo ou regionalismo. Assim, embora as empresas possam, de fato, ter um diferencial por pertencerem a uma região ou estado, se não tiverem um preço competitivo ou um diferencial que justifique a aquisição de seu produto é melhor não contar com a fidelidade de seus consumidores locais. Uma coisa que não se altera, com certeza, no pós-crise são os fundamentos econômicos. Oferta e procura, custos, competitividade continuarão a ser elementos essenciais para as empresas até onde se pode avistar no ambiente econômico do presente século. Portanto, entre as perspectivas para se ter sucesso, não se poderá abrir mão de ter um produto de qualidade por um preço menor ou ter um produto diferenciado por suas qualidades. Ou seja, as perspectivas pós crise não mudaram tanto assim. Ser competitivo ou diferenciado ainda será essencial. 


Ilustração: https://worthwhile.com/.

terça-feira, maio 12, 2020

A CRISE DO CORONAVÍRUS E SEUS IMPACTOS NA CULTURA




Um dos setores mais profundamente impactados pela crise do coronavírus foi o setor cultural, em especial a denominada economia criativa, a parte da economia que engloba todas as expressões de criatividade da arte e inovação. Não é preciso pensar muito para ver, por exemplo, que, com o confinamento, não se acabaram apenas as apresentações de artistas em eventos ou shows, o que representa uma imensa perda de receitas não somente para eles, como também para toda uma série de pessoas que se movimentam em sua volta, que operam transportes, sons, imagens, negociações, contratos e direitos. Isto não se restringe, porém, aos artistas renomados, pois, mesmo os cantores de barzinhos, os grupos que se apresentam em restaurantes ou churrascarias também ficaram órfãos durante esta epidemia. Pode-se dizer que não. Que as lives, as apresentações ao vivo se sucedem, com duas ou três, no mesmo dia. Isto é fato, no entanto, elas são feitas mais como uma forma de continuarem presentes do que rendem recursos para os artistas. Muitos, aliás, o fizeram mais como um meio de ajudar os necessitados ou comemorar alguma coisa, de vez que somente grandes empresas, como a Google ou a Netflix, conseguem ganhar dinheiro com a internet. Mas, não são apenas os artistas que sofreram com a crise. Imagine os museus ou exposições de artes que precisam ter público para sobreviver? Nem vou falar dos cinemas, das festas, inclusive as costureiras e pessoas que vivem delas e dos teatros que foram fechados à força para evitar a transmissão do vírus. Esta crise do coronavírus tem uma característica que é ímpar: é globalizada, mas, seu impacto é sentido muito mais fortemente na vida local. Afinal todos nós, querendo ou não, fomos forçados ao recolhimento, a voltar a viver nos nossos ninhos, nas nossas tocas. Esta crise tem um lado cruel que é o de nos impedir a convivência, o entrelaçamento, o que, principalmente, para nós, brasileiros, efusivos, que gostamos de abraços, apertos de mãos e beijos, dos encontros nos locais de lazer é uma verdadeira sentença de morte para o cultivo das amizades. É uma crise que nos força, nos induz à solidão. Muitos argumentam que, neste momento, nunca antes fomos tão digitais. Talvez também tenhamos muito mais contatos via e-mails, Twitter, Facebook, Whatsapp e Instagram do que antes. Até mesmo utilizamos muito mais os bate-papos em vídeos ou as videoconferências. É verdade sim. Tivemos que nos adaptar a uma realidade que nos limita. Mas, duvido que, qualquer pessoa, por mais boa companhia que tenha, por melhor que esteja passando, não tenha saudades de dar um bom dia a um desconhecido, de poder beber uma cerveja ou um cafezinho, de dizer: -vou até ali assistir fulano cantar ou ver uma peça ou um filme. Por mais bem acompanhado que você esteja não tenho a menor dúvida: somos prisioneiros em nossas próprias casas. Deserdados da cultura na medida em que não é possível uma cultura de qualidade sem a presença física, sem o compartilhamento. Esta, por incrível que pareça, é também uma crise de solidão. Amputaram uma parte considerável da nossa cultura quando nos impedem de ir e vir e de trabalhar fora de casa. E sem cultura e sem convivência somos muito menos humanos. 

Ilustração: https://colorador eview.colostate.edu/.

sexta-feira, maio 08, 2020

NEM AS MÁSCARAS NOS TORNAM IGUAIS



É verdade. Antes usar máscara era coisa de bandidos ou de heróis marginais, como Zorro, Fantasma ou Batman. Agora não. Para sair na rua ou entrar num supermercado, fora levar uma borrifada de álcool gel nas mãos, temos que usar máscaras. De repente viramos um bando de mascarados. Quem imaginaria que tivéssemos de decifrar as pessoas pelo olhar somente? Até parece que ficamos todos iguais, de vez que a beleza ou a feiura, se esconderam por detrás de um paninho. Mas, se a máscara, poderia, como pensam alguns, tornar as pessoas mais iguais, não é verdade? Nem a máscara unificou as pessoas. Há máscaras e máscaras, de fato. Não porque, na prática, acaba virando um acessório de moda. Já existe uma diversidade de cores, de estampas, de formas que até mesmo as máscaras já não iguais. Pode-se até pensar que, pelo menos, para as mulheres, que ficam dispensadas do uso de maquiagem, a máscara as torna mais iguais. Mas, não é verdade. Mesmo mascaradas, os olhos mostram as diferenças e/ou o aroma sutil de um Chanel nº 5 diz mais sobre uma mulher do que a imaginação poderia supor. E, depois, as mulheres. Ah!, as mulheres são cheias de meneios, de formas, de sutilezas, que as tornam sempre muito diferentes. Se bem que se, agora, podemos parecer tão iguais, efetivamente, nunca fomos iguais e isto é flagrante, mesmo entre os mascarados dos supermercados, pelos carrinhos, cheios ou não, pelos que nem vem aos supermercados por não terem como pagar suas mercadorias. A máscara somente nos mostra que a fragilidade é humana. Só nos mostra que, apesar de tudo que construímos ou fizemos, de termos ido à lua ou prometermos viagens a Marte, quando se trata da própria vida, do controle do próprio destino, o homem, por mais diferente que seja, continua a ser um ser indefeso, um animal, como outro qualquer, impotente diante das forças da natureza que o cerca. De tal forma que, por mais que nos torne mais iguais, esta uniformidade facial, qualquer que seja a cor ou ou estampa, não encobre nada das diferenças humanas. Pode, por um momento, esconder quem é mais rico ou pobre, elegante ou mal vestido, porém, as diferenças sociais, a hierarquia social permanece mesmo na desgraça comum, na vulnerabilidade de todos. Por mais que pareça que todos podemos adoecer e morrer da mesma forma, não é assim. É verdade que todos estamos, mais ou menos, desprotegidos diante do vírus, porém, ter dinheiro sempre, na nossa sociedade, faz diferença. Uma coisa é se sentir mal e ir parar num hospital público ou ter um plano de saúde ou capacidade de pagar os melhores hospitais. É verdade também que um vírus veio da China e tirou tudo do lugar, mas, não será um simples pedaço de pano que nos irá tornar mais iguais. Infelizmente isto somente acontecerá com muito mais tempo, cultura e educação. As máscaras, é verdade, servem para nos lembrar da nossa condição humana e de que, nunca seremos iguais, senão na morte.


quarta-feira, maio 06, 2020

APESAR DO LOCKDOWN O CORAÇÃO FALOU MAIS ALTO



Embora, no Brasil, a mídia tenha consagrado a quarentena, ou isolamento horizontal, como um consenso científico, de fato, não é bem assim. O coronavírus, além de ser um vírus novo, é um vírus extremamente mutável. Então, há uma corrente grande a favor de que haja a contaminação do “rebanho”, ou seja, o vírus se dissemine para que as pessoas desenvolvam antivírus. E, não são poucos os cientistas que dizem que se não houver este tipo de desenvolvimento, o vírus pode se tornar muito mais perigoso, de vez que, quando não encontra formas de sobreviver o vírus se transforma e se torna mais letal (dizem que o vírus possui já identificadas 150 mutações). Um estudo de Harvard afirma que tentar superar o vírus, agora, pode resultar em muito mais estresse e mais mortes a longo prazo, segundo os pesquisadores. Eles também concluem que esse vírus não desaparecerá por si próprio. Ou se devolve um remédio ou uma vacina ou não tem jeito. Por essas razões, e que, como economista, tenho a certeza de que a quarentena, como comprovam estudos do King’s College London (Reino Unido) e da Australian National University-ANU com o isolamento social se pode estar praticando um crime de lesa humanidade, com o retorno de padrões de renda de 30 anos atrás  (https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/19841/como-o-isolamento-social-pode-estar-se-tornando-um-crime-de-lesa-humanidade),  considero que olhar a questão somente sobre a ótica da doença é irracional, pois, sob o conceito de saúde, que a própria Organização Mundial de Saúde-OMS adota não se pode desconsiderar a economia. O sueco Anders Tegnell, que defende, e é o maior representante da tese, de que a estratégia adequada de combate a epidemias baseado na convicção, por motivos científicos, de que é menos prejudicial, no longo prazo, promover a imunidade de grupo em lugar da quarentena total tem como maior rival, com, a tese oposta, Neil Ferguson, conhecido como Professor Lockdown, que projeta, por meio de um modelo por ele desenvolvido, sem a quarentena, o crescimento do vírus com números, e mortes, catastróficas. Epidemiologistas e matemáticos, agora, ganharam notoriedade por causa do vírus, mas, isto está longe de poder afirmar que seus modelos e teses estão corretos. A ironia é que Ferguson, como a pandemia foi politizada, ganhou a simpatia de órgãos e pessoas de esquerda, mesmo sendo colaborador de um governo conservador. Ele também já tem em seu currículo dois grandes fracassos, de vez que prognosticou também números catastróficos para a vaca louca e a gripe aviária, que tiveram números bastante insignificantes. Agora, porém, teve que se demitir da comissão de peritos que assessora o governo – em inglês, o acrônimo é SAGE, ou sábio, por causa de um escândalo amoroso. Sua amante atravessou Londres para ter encontros amorosos com ele. Ou seja, ela quebrava as regras do isolamento para vê-lo. Foi o suficiente para que Iain Duncan Smith, ex-líder do Partido Conservador e pouco simpático ao isolamento extremo por causa dos devastadores efeitos econômicos, afirmasse dele que “Cientistas como ele estão nos dizendo o que devemos fazer, mas ele está fazendo o que quer” e concluiu  “Ele quebrou suas próprias regras. É difícil de acreditar que um homem inteligente faça isso. Além do risco de prejudicar a mensagem do governo sobre o lockdown”. Neil Ferguson se deu mal não por seu modelo, até agora, mas, pelo seu coração (o que, convenhamos, só mostra que não é normal para os seres sociais ficarem isolados), porém, não deve sair do centro do debate na medida em que, mais do que nunca, na história humana, nenhum tema foi tão politizado e tantos cientistas se concentraram na previsão e no combate a um vírus em tempo real. 




domingo, abril 19, 2020

O DESAFIO DE SOBREVIVER ALÉM DA CRISE



A crise do coronavírus, por mais que alguns desejem até esticar por razões políticas, não irá durar para sempre. As pessoas mais pobres, os micros e pequenos empresários mais atingidos por ela já se manifestam pelas ruas do Brasil contra a quarentena a ponto de muitos até pedirem a quebra da ordem institucional. É um reflexo do desespero que, se não for atendido, em breve provocará situações muito mais complicadas, em especial para aqueles que defendem o isolamento denominado de horizontal. Na prática, aliás, ele já não existe, pois, mesmo em estados, como São Paulo, que, deveriam ter apenas 30% das pessoas nas ruas, possuem muito mais. O problema real será depois que virar a chave da crise? Como iremos tratar de, no mínimo, mais dois milhões de desempregados? Que empresas, especialmente entre as micros e pequenas, ainda estarão de portas abertas? Com certeza também as famílias, que já estavam endividadas e já não tinham poupanças suficientes para lidar com este tipo de choque, como se comportarão? Um cálculo, que já fazem os especialistas no mercado de trabalho, é de que haverá uma sensível redução da mão de obra a ser contratada. Estima-se que, dos que perderam seus empregos, somente 70 a 80% serão recontratados e não de imediato. Não se espera- e nisto existe quase um consenso entre os analistas-  que o crescimento, a globalização e o comércio simplesmente voltem ao normal quando houver o controle da epidemia. Em suma, o mundo não será mais o mesmo. Em primeiro lugar porquê quanto maior o tempo de paralisação das atividades econômicas mais o país, as empresas e as pessoas empobrecem e, em segundo lugar, com o aumento das compras por meio do e-commerce e a utilização do teletrabalho, uma das resultantes inevitáveis será, certamente, uma diminuição do número e do tamanho das lojas físicas.
Em terceiro lugar, não há possibilidade de uma recuperação rápida da crise, tanto que o Fundo Monetário Internacional-FMI prevê a maior depressão econômica desde os anos 30, porém, naquele tempo as razões e a economia eram completamente diferentes. Inclusive teve seu início no sistema financeiro. Agora não. É na produção que se atingiu a economia. E, mesmo na Grande Depressão o desemprego nos EUA subiu  somente 3,5%, ao longo de quatro anos, agora, no Brasil, se estima uma queda imediata de 5%, todavia, que podemos chegar um aumento do desemprego de 9% em mais quatro semanas de paralisação das atividades.
É um desafio enorme para um governo, como o brasileiro, que já possui dívida e déficit público altos. Mas, o governo brasileiro não poderá fugir de ter que criar pacotes de ajuda, de crédito e de transferir recursos para os mais necessitados. Não somente no nosso país isto acontece, de fato. Porém, em países em melhor situação, países com taxas de juros mais baixas do que as taxas de crescimento, como os Estados Unidos e os mais fortes da Europa, os pacotes  se pagam sozinhos. Para países como o nosso não há opção fora rodar enormes déficits orçamentários no futuro e usar a inflação para aliviar o peso da dívida. A solução boa seria impulsionar o crescimento, para diminuir a dívida como proporção do PIB, mas, como vimos antes da crise, isto é mais fácil falar do que fazer.

Ilustração: Superinteressante.

sexta-feira, abril 10, 2020

EURO TOURINHO E O DIA DO JORNALISTA



Hoje dia 7 de abril é Dia do Jornalista. Apesar dos tempos difíceis em que vivemos, de que a profissão de jornalista tenha sido muito depreciada, submetida, como está sendo, a condições quase vis, a uma gradativa e contínua subordinação à interesses pouco recomendáveis, o verdadeiro jornalista continua a ser uma figura indispensável para a nossa sociedade. É verdade que o jornalismo profissional, uma fonte de informação qualificada, checada, que busca ser o mais fiel possível aos fatos e fornecer os dois lados de uma notícia qualquer, se encontra, cada vez mais, difícil de ser feito. O que temos, hoje, é a invasão de francos atiradores, quando não arrivistas sociais, que usam a imprensa para seus próprios fins de enriquecimento, extorsão, de alpinismo social. Há, inclusive nas redes sociais, uma profusão de palpiteiros, de copiadores, que outorgam a si mesmo o título de jornalistas (e muitos conseguiram até ser reconhecidos como profissionais) que jamais se deram ao trabalho de buscar fatos e informações em fontes primárias, quanto mais de  reportá-los para a sociedade de uma forma clara e objetiva. Na realidade nossa de hoje, do reino imperial do Fake News, do sensacionalismo barato, da propagação unilateral de versões nocivas,  da facilidade na fabricação de fatos, o jornalismo se tornou engajamento cego, opinião sem análise, alguns até se valendo de Millôr Fernandes que disse que “Jornalismo é oposição. O resto é secos e molhados”, se esquecendo que, até outro dia, aplaudiam governos corruptos que enchiam suas bolsas. Jornalismo só é oposição, só pode ser oposição em tiranias, em ditaduras. Em democracias deve ter equilíbrio, ser um fiscal sim dos governos, porém, com equidade, buscando formar e informar. Não posso, aqui, deixar de saudar os verdadeiros jornalistas, os grandes profissionais da imprensa que sempre buscaram dar o melhor de si em prol da boa informação. Por isto mesmo não posso deixar, de hoje, lembrar o meu grande e saudoso amigo Euro Tourinho, que por mais de sessenta anos na frente do Alto Madeira procurou transmitir, a todos que passaram por sua redação, as verdadeiras qualidades de um bom jornalista. Lembro que, uma vez, numa entrevista disse que: “Jornalista acima de tudo, tem que ter amor pela profissão e levar a sério o que faz, sempre primar pelo respeito ao leitor e à notícia”. Ele, com seu modo calmo e sábio, dizia que “não se deve publicar como jornalista o que não se pode sustentar como cavalheiro”. Para ele, “O bom jornalismo é como uma xícara de porcelana, bela e frágil, precisamos cuidar com o maior zelo possível”. Ser, e fazer, jornalismo de qualidade é isto: garantir que a informação que se passa é fidedigna, pautada pela ética e por princípios fundamentais- algo difícil nos nossos conturbados tempos. É, por isto, pela falta destes valores que agregam respeito e credibilidade à imprensa, que restam, hoje, o jornalismo anda tão desacreditado, com jornalistas sendo apenas papagaios, meros repetidores de chavões e, por isto, uma razão fundamental para que o nome de Euro Tourinho não seja esquecido e cultuado, além de suas inesquecíveis qualidades humanas. Na figura dele, nossa homenagem aos verdadeiros jornalistas.

segunda-feira, abril 06, 2020

UMA TENTATIVA DE OLHAR ALÉM DA CRISE DO VÍRUS



Não apenas a mídia, como também as redes sociais, todas as pessoas, desejem, ou não, estão falando sobre o coronavírus e atentos para o que acontece no mundo, quem toma medidas melhores ou sofre mais com a crise. O que poucas pessoas fazem é pensar sobre o futuro pós-crise. O que encontraremos na frente depois de passado este período em que o medo, irracional, permeia, sem que as pessoas percebam, seu modo de pensar. Embora expressem, nas palavras, a preocupação com os outros, na verdade, são movidas pelo receio de uma morte horrível. Há um medo imenso e imperceptível, até por defesa própria, que vem da natureza humana: o medo que se tem de ter perdido o controle, de que não há defesa fácil contra o vírus.
No entanto, se pensarmos na vida depois da epidemia, com uma visão otimista, veremos que a crise nos obriga a ver, e  dar valor, a coisas que, normalmente, fazemos sem valorizar, como dar um aperto de mão, um abraço, jantar ou conviver com os amigos, seja num clube ou num boteco. Talvez, até diminua o hábito que temos de, até na convivência, dar mais atenção às telas de celulares ou tvs. Quem diria, por exemplo, que sair de casa, até para um supermercado, é tão bom! Imagine ir a um evento, a um cinema, a uma livraria ou a um parque?Até mesmo uma caminhada pelo bairro ou pelo centro, agora, ganha uma importância que não se sabia ter. O coronavírus também nos mostrou que o trabalho em casa funciona. E, muitos, até trabalharam mais do que nos seus locais de trabalho. Também aprendemos, à força, é verdade, que não lavamos as mãos direito. Pois é! Até lavar as mãos tem sua tecnologia. Mais do que todas essas coisas, porém, o coronavírus nos obriga a pensar na economia. Na quantidade de bens, serviços e dinheiro que precisamos para sobreviver. Há uma enorme quantidade de pessoas que, surpreendidas pelo vírus, não possuíam dinheiro suficiente para enfrentar a tempestade. Ficaram em uma situação muito difícil sem poder trabalhar, sem poder sustentar a família. Houve casos em que o chefe de família pirou e, depois, ajudado, chorando, disse ter pensado em suicídio. Quem tinha economias, ou um salário garantido durante a epidemia, tem uma enorme vantagem, um verdadeiro colchão de massagem, para enfrentar o estresse contra um assassino invisível que pode estar nos lugares menos imagináveis. Sem dúvida um dos comportamentos que deve se acentuar, pós-crise, deve ser o de buscarmos criar uma poupança maior, usar nosso dinheiro de uma forma que nos dê a certeza que não seremos pegos de calça-curta de novo. O duro é que, ainda estamos imersos nesta situação terrível, e quanto mais perdurar o isolamento, mais os problemas futuros da economia se acentuarão. E, hoje, com a falência de muitos negócios, e a demissão em massa, que está acontecendo, além dos riscos que corremos de desestabilização e de desabastecimento, não é de espantar que, até mesmo os chefes de estado, se recorra à religião. São tantas as preces e as orações que, de uma hora para outra, até os ateus estão apelando para Deus. É talvez, também, pós epidemia, o povo fique mais religioso.

domingo, abril 05, 2020

O JORNALISMO DO TERROR É UM DESSERVIÇO





Sou, por convicção e por história, favorável ao regime democrático e à liberdade de opinião. Porém, não tenho como não assinalar que a imprensa brasileira tem tido um comportamento altamente negativo, não somente no presente caso da epidemia do coronavírus, mas, especialmente nela, nos impingindo um jornalismo de “terror e pânico”. Não vou entrar em discussões idiotas, tipo esquerda e direita, pró ou contra Bolsonaro, isolamento horizontal ou vertical. A própria OMS-Organização Mundial de Saúde foi cristalina, ao afirmar que as medidas deviam depender, em cada caso, do grau da epidemia, das possibilidades e recursos de cada país. É, um fato irretorquível o de que, nos casos de calamidades sanitárias, mais do que nunca, tudo é relativo. Isolamento, universal ou não, não garante nada. Não é possível se ter certezas, nem prever o que vai acontecer da forma como a mídia apresenta. Como se houvesse uma certeza absoluta que o isolamento total é o melhor a ser feito, independente das famílias sem sustento econômico e dos efeitos desastrosos desta medida sobre a economia, sobre o nosso futuro.
Não sou, nem nunca fui, um dos que advogam retaliações contra a Rede Globo, nem nunca deixei de reconhecer que tem sido, ao longo do tempo, competente para se manter na liderança da televisão aberta, no entanto, isto não me impede de ser um crítico antigo de seu comportamento. É claro que se trata de uma empresa, que está preocupada com sua sobrevivência e seus lucros, logo não será a favor de quem cortou suas fontes de renda, então, nada do que faz, do que fez, se afasta de seus interesses. Não há nada demais nisto, exceto quando vira uma política deliberada que se aliena do que se espera de uma imprensa correta e informativa. Prever, como tem previsto, que, na semana de 30 de março, nas cidades de São Paulo, Rio e Brasília o vírus chegaria a 16 mil casos, quando em dia 4 de abril, os casos confirmados, de fato, eram somente, no Brasil, 9.056, é criar uma atmosfera alarmante como divulgar falas de que irão morrer mais de um milhão de pessoas no País. Claro que sempre existirão os argumentos de que as fontes são “especialistas”. O uso de especialistas é um artifício. Ainda mais quando se cerceia os que discordam. E até a CNN fez isto.  Uma televisão, uma rádio, um jornal, qualquer empresa ou instituição precisa ter responsabilidade pelo que divulga. No mínimo se precisa relativizar os dados ou corrigir a previsão antes feita. Mas, não só a Rede Globo, como a maioria de nossa imprensa, está jogando no time do alarmismo e do quanto pior melhor. Só isto explica tanto destaque, por exemplo, para informar que, em maio, o número de infectados no Estado poderia chegar a mais de 500 mil, sem as devidas precauções que devem ser dadas a uma previsão. Mas, o caráter alarmista fica evidente quando o G1 de Rondônia estampou que os casos de coronavírus aumentaram, em uma semana 500% de 1 para 6! Não é de espantar que estejam, rapidamente, perdendo a credibilidade.