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domingo, agosto 23, 2020

AS LOJAS AUTÔNOMAS ESTÃO CHEGANDO

A tendência dos empregos formais desaparecerem é antiga. E, hoje, com o fenômeno da “uberização” do trabalho, ou seja, com um novo formato de fazer negócios, por meio de tecnologias móveis, que conectam o consumidor, de modo mais direto, ao fornecedor dos produtos e serviços, agregando mais valor, menor custo e personalização, esta tendência tende a se acentuar, daí, o elevado aumento da informalidade nas novas ocupações. Este fenômeno deve se intensificar, a partir de que, a grande maioria das pessoas preferem não interagir com atendentes, o que originou um novo modelo de varejo e auto-atendimento, a loja autônoma. O maior exemplo delas vem dos supermercados que estão desenvolvendo novos modelos, como o Self Check-Out, onde o consumidor faz todas as tarefas por meio de um aplicativo no celular, sem funcionários e caixas. É um modelo que favorece extremamente os clientes, que passam, apenas com o uso de tecnologia, a fazer suas compras, mas, produzem uma enorme redução da utilização da mão de obra. Na loja autônoma, o cliente entra na loja, escolhe os produtos que deseja levar e os valores são cobrados no seu cartão de crédito virtualmente, sem filas no caixa ou se vendedor. Nem se pense que se trata de coisa do futuro. Não. Este tipo de loja de autoatendimento já é uma realidade e deve se espalhar mais rapidamente do que se pensa, por todos os lugares, inclusive no Brasil. Parece estar distante o tempo do consumidor entrar, comprar e pagar sem contato com colaboradores, apenas com a tecnologia como suporte, mas, isto não é verdade. Em muitos lugares já está se tornando parte da vida cotidiana das pessoas usar seu smartphone para entrar na loja, pegar os itens que precisa, conferir os produtos, confirmar o pagamento e ter o valor é cobrado no cartão de crédito, sem nenhuma intervenção humana. A loja só precisa, para sua operação, de um repositor, para fazer a reposição dos itens necessários, do aplicativo para compras e um software de gestão de quantidade e preços. No Brasil e na América Latina, a empresa Zaitt inaugurou a primeira loja autônoma, em 2017, em Vitória no Espírito Santo, e sua segunda, no ano passado,  no Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo, que funciona 24 horas, sem atendentes, filas e caixas. A Onii implantou um modelo de loja autônoma que funciona dentro de condomínios residenciais inspirado nas lojas de conveniência Amazon Go, gigante varejista norte-americana. A única diferença é que, aqui, o cliente escaneia  ítem por ítem no celular para que a compra seja creditada no cartão cadastrado. Tudo é feito pelo próprio cliente. No começo de março, e estimulado pela pandemia, a empresa fechou 80 contratos para a instalação de lojas similares, mas, a previsão é de ter 200 lojas instaladas no país até o fim do ano. A empresa Carrinho Cheio, conhecida no norte do Paraná pelo seu delivery super rápido, agora, se lançou no mercado de lojas autônomas com sua primeira loja autônoma, em Londrina, denominada Carrinho Cheio Experience, localizada no Carbamall Palhano, shopping na Rodovia Mabio Gonçalves Palhano. Ainda é motivo de curiosidade e de atração. Mas, não por muito tempo. Este tipo de modelo é o futuro. Claro que as lojas com atendentes não desaparecerão, mas, irão conviver com a proliferação deste novo modelo.

segunda-feira, agosto 17, 2020

NÃO SE PODE FAZER REFORMA TRIBUTÁRIA DE FORMA APRESSADA

 

O ministro Paulo Guedes, apesar de seus inegáveis conhecimentos, em especial do setor financeiro, quando se trata da condução da política econômica tem se mostrado imensamente competente, em muitas coisas, é verdade, porém, em outras, talvez por falta de ter trabalhado no setor público antes ou por não ser um economista com conhecimento do lado da demanda, acerta no atacado, contudo, tem tido uma visão, para ser suave, míope quando se trata do varejo. Ninguém pode afirmar que não esteja certo ao se mostrar, como tem se mostrado, um liberal, quando pretende diminuir o tamanho do aparelho estatal. Não é, como o acusam, por querer vender e conceder tudo que vê pela frente, mas, por ter uma visão, correta, de que é a iniciativa privada que cria renda, empregos e crescimento. No entanto, como muito bem aprendeu, com a pandemia, viu que, ao criar o auxílio emergencial, estimulou o consumo e, grande parte do dispêndio com ele, acabou por voltar em forma de impostos. Pena que, influenciado por ver o funcionalismo público apenas como entrave, não perceba que, de fato, apesar dos evidentes problemas e distorções que existem, os servidores possuem o lado, muito positivo, de serem os guardiões da memória e da sabedoria da administração pública, bem como o que se gasta com eles dá um retorno ainda maior que o auxílio emergencial, de vez que são taxados (fortemente taxados, aliás) na fonte.  O contraditório é que o liberal Paulo Guedes, quando apresenta uma proposta de reforma tributária, parece ser tão estatista, quanto qualquer outro anterior, ao querer recriar um imposto sobre transações financeiras, ou seja, apenas sobre a movimentação do dinheiro, que, por mais que se tergiverse, tem na facilidade da cobrança sua eficácia, porém, é, claramente, uma cobrança tributária acumulativa. O ministro, infelizmente, se equivoca, pelo menos no seu discurso, ao dizer que pretende fazer justiça social diminuindo os impostos sobre a folha de pagamento. Qualquer especialista em tributos sabe que este é um caminho que pode melhorar o emprego, mas, não tem efeitos práticos sobre a desigualdade. Para melhorar a desigualdade o caminho seria diminuir os impostos sobre as pessoas físicas, sobre os trabalhadores. A proposta do governo, cujo fatiamento já é um erro, na medida em que não permite que se tenha uma visão da lógica que se pretende ter no novo sistema, pelo menos até agora, somente busca simplificar a forma do governo arrecadar e, talvez, até mais com um aumento significativo da alíquota, que dizem pode diminuir. É fácil ajustar as contas em cima do dinheiro alheio, mas, a realidade é que, da forma acelerada e somente redistribuindo internamente o peso dos tributos, a proposta governamental, da forma como se pretende, é pior do que a PEC nº 45/2019, que tem uma lógica interna e unifica mais impostos. O que é mais grave é que o pedido de urgência, numa reforma fatiada, tende a criar não uma reforma e sim um arremedo de reforma tributária. Uma boa reforma tributária tem que ser, obrigatoriamente, fruto de discussões técnicas e de convencimento político. Não pode ser feita de forma apressada sob pena de tornar o sistema ainda pior do que já é. Foram as sucessivas emendas feitas ao sistema tributário brasileiro que o tornaram tão complexo e ruim. A reforma tributária para ser boa e melhorar deve ser feita de uma forma abrangente e de uma vez só.

 

sexta-feira, julho 31, 2020

O MUNDO VAI MUDAR POR ONDE MENOS SE ESPERA


Ora, mesmo antes da pandemia, dizer que o mundo ia mudar não se tratava de uma profecia muito original. Com a pandemia, então, a mudança parece mesmo obrigatória, principalmente, quando se pensa que o uso dos meios digitais e o comércio eletrônico se expandiram até por necessidade. Uma das necessidades maiores foi sentida pelo setor educacional, de uma hora para outra, necessariamente precisado de ter continuidade por meios digitais. E, convenhamos, num país como o nosso a dificuldade, em especial, provém da ausência de programas escolares para adaptar os métodos de ensino aos novos tempos e, por questões que passam pelo custo do acesso de alunos a equipamentos e conexões. De formas diversas houve sim uma busca de se adaptar à conjuntura e até iniciativas muito originais, como a da Universidade Federal do Ceará, que criou um programa para proporcionar formas dos seus alunos a ter acesso a equipamentos, via o crédito. De qualquer forma o setor educacional foi muito prejudicado com a crise e a iniciativa privada se queixa de que tem problemas de manutenção de suas instituições com custos e inadimplência maiores. Isto aqui no Brasil. Imagine nos Estados Unidos onde se enfrenta uma crise maior, um declínio de matrículas, altos custos, problemas com adaptação dos currículos e também um lapso entre as necessidades do mercado e a adoção do ensino à distância. Se isto já se constituía num coquetel explosivo que colocava em xeque o combalido setor educacional imagine, então, o que não significou quando, o Google, em 14 de julho último, lançou novos programas de certificação profissional em análise de dados, gerenciamento de projetos e design de UX, a serem hospedados no Coursera, uma plataforma que cobra uma taxa mensal de US$ 49 para se ter acesso. Bem, de qualquer forma, para nós, parece um preço elevado (nada comparado com os custos da educação nos EUA), mas, a verdadeira bomba foi  o Google anunciar que vai fornecer 100.000 bolsas de estudo e vai conceder mais de US $ 10 milhões em doações a organizações sem fins lucrativos que se associarem  ao desenvolvimento da força de trabalho para mulheres, veteranas e minorias. Para completar também anunciou que os novos certificados de carreira profissional, que podem ser concluídos em seis meses, possibilitam  aos americanos oportunidades de emprego de alto rendimento. Também acenaram aos candidatos a emprego que tratariam tais certificados, que não exigem experiência prévia em graduação, como o equivalente a quatro anos de graduação. A iniciativa do Google é um duro golpe no ensino norte-americano na medida em que os que fazem seus cursos, 80% dos que concluem a certificação de especialista em suporte de TI, conseguiram um novo emprego ou ganharam um aumento. Experiência prévia e ensino superior não são necessários como pré-requisito para os cursos. E, uma vez concluídos, normalmente em três a seis meses, os participantes podem ter oportunidades  de trabalho com a gigante da tecnologia. Antes, a Microsoft já havia lançado uma iniciativa global para elevar as habilidades profissionais de 25 milhões de pessoas. As ambições-alvo à luz da pandemia são semelhantes ao Google no apoio a “programas de recuperação genuinamente inclusivos para fornecer acesso mais fácil às habilidades digitais para as pessoas mais afetadas por perdas de empregos, incluindo as com renda mais baixa, mulheres e minorias. " Impressionante, mas, tudo indica que a mudança deve começar pela educação.

Ilustração: https://senhoradesirius.wordpress.com/.


quarta-feira, julho 22, 2020

O NORTE TAMBÉM TEM CACHAÇA



Por intermédio do meu amigo Jackson Jibóia tive o prazer de ter acesso ao anuário “A Cachaça no Brasil-Dados de Registro de Cachaças e Aguardentes-Ano 2020” publicado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento-MAPA, que busca atualizar os estabelecimentos da área cadastradas no Brasil. Os dados se referem ao ano de 2019, o que é preciso ressaltar porque se trata de um setor muito dinâmico no qual as alterações, ainda mais com a atual pandemia, se verificam rapidamente. Também é preciso dizer que, conforme ressalta o próprio trabalho, o anuário atual modificou algumas formas do anterior procurando tornar os dados mais reais, mais transparentes, excluindo os produtores inexistentes, bem como fazendo diferenciação entre produtores e marcas. A publicação revela que, no ano de 2019, existiam 894 (oitocentos e noventa e quatro) produtores de cachaça registrados no Mapa. Minas Gerais ocupou a 1ª posição, com quase o triplo do 2º colocado, que é São Paulo. Mais uma vez evidenciou-se a concentração da produção de cachaça na Região Sudeste, com 622 (seiscentos e vinte e dois) estabelecimentos registrados, sendo que Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro juntos concentram cerca de 70% da produção registrada. A proporção foi igual ao ano anterior, com a região Nordeste com 129 (cento e vinte e nove) estabelecimentos,14,4%, a região Sul com 101 (cento e um), 11,3%, a região Centro-Oeste com 33 (trinta e três), 3,7% e, por fim, a região Norte, com somente 9 (nove) produtores, com a menor parcela, de 1%. Vale salientar que produção de cachaça acontece em 558 (quinhentos e cinquenta e oito) municípios brasileiros contando com o Distrito Federal, continuando a representar 10,02% do total. Com maior representatividade aparece a região Sudeste, com cerca de 22% dos municípios com produção de cachaça. Segundo a publicação, quando se refere ao Norte, não há estabelecimentos registrados para produção de aguardente e de cachaça nos estados do Amapá, Amazonas e Roraima, todos da região Norte, sendo a região com menor número de estabelecimentos registrados, destacando-se apenas o estado do Pará. A produção de cachaça em Rondônia e no Acre está restrita apenas a um estabelecimento que não se consegue saber qual é na publicação. A do Acre não tenho a menor dúvida que é a do meu amigo Jackson Jibóia que produz a Jibóia, uma cachaça que degustamos com muito prazer no Buraco do Candiru, que, aliás, a inclui nas suas camisas de carnaval e out-doors de eventos como parceiro. Já a de Rondônia tenho impressão que, embora existam outras,  não são registradas, de forma que penso que a registrada deve ser, até pelo tempo de existência, a do João Zanin, lá de Vilhena, que começou a ser produzida no ano de 2.000, a que também tem nome de cobra, Cachaça Sucuri, distribuída em pontos de venda de Ariquemes, Porto Velho, Mato Grosso, São Paulo, Curitiba e outros estados. Lá inclusive ela tem duas linhas, uma com envelhecimento de dois anos em barril de carvalho e outra com um ano de cura, inclusive com envelhecimento em barris de jequitibá. Pelo que sei, embora existam outras, é a cachaça mais famosa no Estado. Posso estar errado, mas, penso que ela é a que tem registro (também outros podem ter feito ultimamente), mas, são empreendedores como o Jibóia e o Zanin, que fazem com que nossos estados, Rondônia e Acre, apareçam no Anuário da Cachaça. São os pioneiros de uma tradição nacional que, orgulhosamente, se mantém também no Norte do País. Merecem os nossos parabéns que são extensivos também a outros que, infelizmente, pelo menos aqui em Rondônia sei que existem, e que não estão registrados.


terça-feira, julho 21, 2020

O NOVO NORMAL NÃO SERÁ TÃO NOVO



Há uma série de pensamentos sobre a vida depois da pandemia do novo coronavírus que me parecem irreais. As pessoas pensam, ou desejam acreditar, que o isolamento pode provocar uma mudança profunda na forma de pensar das pessoas, o que está longe de ser realidade. É verdade sim que altera a forma de vida, porém, me parece que, em que pese algumas atitudes de maior relevância em termos de solidariedade, que a crise leva mais longe ainda as diferenciações que já existiam e eleva o grau de egoísmo das pessoas. Basta ver que, por exemplo, muitas das pessoas que podem ficar em casa veem quase como um crime que outras pessoas, que não podem ficar em casa, procurem meio de sobreviver ou até mesmo façam críticas exacerbadas contra as festas de algumas pessoas (há os que não sabem viver sem festas, em geral jovens). Mas, a crise teve, em termos econômicos, um papel extremamente perverso: concentrou ainda muito mais a renda. Só o sistema financeiro e as grandes empresas lucraram com ela. E impulsionaram uma tendência profundamente anti-social que é a que, inclusive domina a mente de muitas pessoas que se consideram defensores dos pobres, que é a de que pensam na população mais vulnerável com os seus padrões, ou seja, de que essas vivem (e devem)  migrar para o digital. Mas, quem vive no mundo digital? É quem pode. São os que tem mais dinheiro, os que tem acesso a aparelhos e conexões melhores, os que podem se dar ao luxo de ficar comentando a vida, postando nos Facebooks, no Instagram ou comentando em grupos no Whatssap. Mas, esta é a realidade do interior do Brasil? É a realidade das periferias de Porto Velho? Não. Num país em que cerca de 70 milhões de adultos não completaram o ensino médio o mundo digital é uma irrealidade. Uma sondagem feita pela consultoria Usina de Ideias mostra, por exemplo, que 83% das pessoas perderam renda em Rondônia e que, em Porto Velho, mais de 58% das pessoas dependem do auxílio emergencial para viver. Não é a loucura, portanto, que fez as filas que observamos nas agências da Caixa Econômica Federal durante a pandemia, e sim a necessidade. Há muitos analistas, políticos e sociólogos, que se dizem socialistas em mesa de bar, que não sabem nada de povo, que não conhecem ninguém na Zona Sul ou Zona Leste, não conversam nem estão em contato com essa população desassistida. Basta ver  que na Fundação Universidade de Rondônia-UNIR, em relatório do CONSUN, o conselho universitário, sobre inclusão digital  mostra que somente 12,3% possuem uma conexão excelente e 44,4% uma boa e só 78% possuem conexão, assim mesmo grande parte por celular. E 30% possuem computador em casa, mas, de forma compartilhada. Ou seja, mesmo a nossa maior universidade não é digital tanto que se procura meios de ter aulas virtuais, embora, por diversas formas, se tenha atividades virtuais, na maioria,  por  plataformas externas. Então, não se espere muito do “novo normal”. Com certeza, as coisas levam muito tempo para mudar. E a razão está na cabeça das pessoas. Principalmente, das que pensam que sabem o que é melhor para os outros.


sexta-feira, julho 10, 2020

QUEM CORRE RISCO É OPINIÃO PÚBLICA



Cada vez mais as pessoas migram de determinadas plataformas para outras em busca de informações, sejam notícias ou produtos. Por exemplo, agora mesmo, se verifica uma queda de acessos no Facebook em busca de outros serviços similares.  Qual a razão? A razão é a mesma que afeta a grande imprensa nacional. O descrédito. Ou, como acontece com o Facebook, com um posicionamento que se pauta pela esquerda, pelo controle sobre opiniões divergentes, enquanto fecha os olhos para o que os que fazem o que querem,  que estão alinhados com suas opiniões. Uma coisa é fazer jornalismo, ainda que as mídias sociais sejam meios de opinião e não jornalismo, outra é buscar usar o jornalismo ou uma empresa usar a mídia social para justificar suas crenças e desejos pessoais, ou de seus chefes, ou defender a ideia de um estado que tudo domina e controla. Embora grande parte dos jornalistas só defendam mesmo sua carreira e não possuem, inclusive, preparo para ter opiniões próprias. De forma que o que se observa é o descrédito que já atingiu grandes redes de televisões, portais, emissoras, empresas e profissionais. É flagrante isto, por exemplo, com a campanha negativa que se faz com a crise do novo coronavírus. Que se seja contra Bolsonaro, que não paga, com razão, aliás, as vultosas somas que se pagava para manter uma imprensa submissa e lacaia, é compreensível. Não é compreensível é que pela repetição se deseje manter o país em permanente estado de medo para atingir o presidente e seu governo. Não é compreensível, por exemplo, que, apesar da comprovação patente do fracasso da política nacional de restrições às armas, se crie uma inflação de casos para justificar o que não deu certo. E como a grande imprensa, com a falsificação exagerada se encontra, cada vez mais, espremida e desossada pela internet, onde se debate tudo, que se queira, como se quer, utilizar uma legislação criada atabalhoadamente para sustentar a narrativa do medo na população evitando o contraditório. Há até mesmo a criação histérica de ataque a imprensa livre, que nunca foi tão livre antes, porque, agora, é o cúmulo, para a imprensa, qualquer pessoa pode contestar os dados fornecidos, cobrar a fonte da informação ou até mesmo mostrar, o que é muito normal, que o profissional apenas copiou uma notícia e não se empenhou em verificar sua autenticidade. Autenticidade? Meu Deus! Aqui me ocorre que é a grande imprensa, que publica quase a totalidade das notícias,  não checa nada! Até porque, a rigor, não se tem mais redações. A grande imprensa brasileira, com exceção dos colunistas, passou a ser um repassador de notícias. Não há mais repórteres, não se cria nada. Basta ver que até os mesmos erros são publicados da mesma forma em vários jornais, portais, emissoras e quejandos. Com a criação de leis para coibir a opinião quem, de fato, corre risco não é a imprensa livre, nem as grandes empresas que dominam a imprensa - que estas somente publicam o que lhe interessa, mas, a opinião pública livre, como as opiniões das mídias sociais que mostram o que a grande imprensa, por interesses próprios, não gosta de mostrar. Os que estão sendo atacados são os que conseguem se destacar por contestar o alimento ruim com que tentam alimentar a manada. Mas, pelo jeito, para muitos políticos o importante é que se tenha a mesma ração sempre. Uma ração diferente pode fazer com que o gado mude de direção- é o que pensam. O problema é que o povo não é gado.

quinta-feira, junho 11, 2020

É PRECISO DECRETAR O “NOVO NORMAL”



Já passamos pelo pior. Começam a aparecer em todo o mundo os sinais de que o bom senso começa a voltar. Houve um interesse mundial, por razões não muito claras, de vender o “lockdown”, bem como no Brasil, politizaram uma questão de saúde para fechar as atividades econômicas. Foi um erro, todavia, não tem mais como consertar. Também não há como continuar a manter, como se tem feito, as atividades econômicas, as atividades comerciais paralisadas. Houve erros de políticas muito graves nesta pandemia. Sem dúvida, fechar, como fizeram muitos países, estados, suas economias aceitando supostos “argumentos científicos” para decretarem lockdowns foi uma grande furada, mas, não tem mais jeito porque já destruíram as empresas, empregos e vidas sem, contudo, mudar o curso da pandemia. A verdade é que a economia de Rondônia, a do Brasil, vai custar a voltar aos níveis anteriores, porém, o governo federal conseguiu suavizar um pouco com o auxílio emergencial o impacto negativo sobre os mais pobres. Não importa, agora, também, embora fosse importante, verificar que o lockdown induzido pela pandemia foi em si um evento que produziu "vítimas em massa", com mortes por condições não tratadas de não-coronavírus e suicídios provavelmente superando em muito o número as mortes pelo vírus. Somente se presta atenção, no momento, nas mortes do covid-19 e não se calcula as mortes silenciosas, porém, como existem 45 mil de causas não identificadas, é possível que sejam, segundo estimam alguns médicos, o dobro do que as do coronavírus. O importante, agora, e aqui em Rondônia estamos fazendo a lição de casa, que é estabelecer protocolos para buscar retomar não a normalidade, que depois de tantos problemas, como costumam dizer será um “novo normal”. Não é possível, e esperamos que o governador Marcos Rocha esteja à altura do momento atual, que pense grande. Que pense que, por exemplo, não se pode deixar o Porto Velho Shopping fechado. Um shopping é um investimento muito alto e de custo de manutenção elevado. Parado muito tempo é um desserviço a qualquer cidade e a qualquer economia, pois, além de ser um centro de compras e de atividade econômica também funciona, por sua beleza e glamour, como um local para levantar o astral, para se ter prazer com os olhos. Esta compreensão já fez que, segundo levantamento da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), no país  238 shoppings  em 123 cidades de 17 estados tenham sido reabertos. É tempo de fazer isto também em Porto Velho e, por analogia, reabrir o comércio. Com protocolos adequados, com publicidade e conscientização os riscos serão diminuídos. E ficar em casa deve ser uma obrigação para os grupos de riscos e os contaminados ou com suspeitas. Não devemos nos deixar levar pelo medo irracional. É preciso retornamos ao normal, mesmo que seja um “novo normal”.

Ilustração: https://open.spotify.com/.

domingo, junho 07, 2020

O RENASCIMENTO POSSÍVEL



Que não há nada de novo no mundo bem o sabiam os sábios antigos. Assim, embora surpreendente para quase todos, a nossa velha companheira de todos os dias, a morte, abriu a porta da casa e se sentou no sofá através de um vírus que, nem sequer, é novidade, pois, através dos tempos, já teve mais de 150 mutações. E a morte, que está longe de ser a representação dela, que vemos, figurativamente, em geral negra ou um esqueleto carregando uma gadanha (foice), que sempre esteve ao nosso lado, mas, parecia distante, agora participa do nosso cotidiano de forma tão intensa que se banaliza. Apesar de, relativamente, não alcançar dimensões já alcançadas no passado, o medo que causa está bem no presente, nos discursos dos mais ricos, dos que podem se dar ao luxo de não fazer nada, no receio que estimula o fenômeno “fique em casa”, como se ficar em casa livra-se alguém do vírus ou da morte. É humano e compreensível: os homens pretendem ter poder sobre seus destinos. Bela ilusão que, modernamente, é estimulada pela ciência, outra ilusão que participa do atual balé das tolices. Sinto frustrar os iluminados que consideram a quarentena uma solução. Não há controle humano sobre o vírus. É o vírus que está no controle e, pasmem, se sabe muito menos sobre ele do que dizem os “cientistas”, nossos feiticeiros modernos. Pior ainda é que são os interesses e o marketing que nos dizem o que é “científico”. Mas, as discussões tolas estão nos noticiários, nas mídias sociais, nos posts e memes, nas agressões grotescas ou sutis. É hora de pensar que tudo isto é pura bobagem. Como pura bobagem é reclamar dos dirigentes, pedir união ou culpar o capitalismo. É ridículo pensar que, com  a crise do vírus, o  mundo irá mudar rapidamente ou nos levar a uma inusitada solidariedade. Só a falta de experiência ou de reflexão conduz a esses pensamentos. Esta crise é diferente de outras crises do passado sim, mas, nenhuma crise é igual. A questão é que a crise e a morte sempre estiveram ao nosso lado assim como o poder e a desigualdade. O mundo não é justo, nunca foi e somente será quando houver, se houver, uma igualdade das pessoas sobre o ponto de vista econômico e de educação. No nosso horizonte temporal estamos muito longe disto. Assim é melhor brandir a esperança: logo ali na frente haverá um “novo normal”, que nunca foi normal. Aproveite o tempo que tem. Você que pode ficar em casa, que, talvez, tenha amanhã, pare para repensar seus valores. Definir o que, realmente, deseja da vida. Se nós tivermos esta sorte, e a probabilidade está a nosso favor, no Brasil morreram menos pessoa este ano que no ano passado, procure ser mais tolerante, estudar mais, refletir mais. Um bom começo é pensar que, se você tem razão, o tempo dirá, porém, aproveite para fazer uma verificação se suas ideias correspondem aos seus comportamentos. De vez em quando é indispensável tirar os óculos ou a venda dos olhos. E ver os próprios erros é mais difícil do que os alheios. Posso estar errado, mas, creio na possibilidade do renascimento. Das artes, inclusive, depois desta crise até a próxima. 


terça-feira, junho 02, 2020

A COMUNICAÇÃO NA CRISE DO CORONAVÍRUS.



A Comunique-se, empresa especializada em comunicação, realizou, nesta terça-feira (02 de junho) um webinar denominado de “Impactos da Covid-19 na comunicação corporativa” na qual apresentou uma pesquisa onde mostrou alguns dados muito interessantes. Um deles foi o fato de que constatou que 83,3% das agências tiveram perdas de receita e estas foram muito mais elevadas entre as empresas micros e pequenas. Outras constatações feitas foram a de que 36,5% das empresas reduziram suas jornadas de trabalho e mais 23,4% anteciparam férias. Embora tenha sido uma tendência geral do setor manter seu quadro de funcionários mesmo assim 24,7% delas promoveram demissões. Outra tendência observada foi a do trabalho home-office. E aqui um resultado que deve impactar no futuro das empresas: 55,3% disseram que a produtividade aumentou com o trabalho em casa. E isto é mais significativo quando mais 30% disseram que a produtividade permaneceu no mesmo patamar, enquanto que somente 13,8% disseram que a produtividade piorou. Uma pergunta que foi feita na pesquisa tentando sondar o futuro mostrou que 38,2% das empresas, depois da crise, terão escritórios menores e home office parcial. Por fim, verificou-se que houve uma procura muito maior de conteúdo, o que demonstrou a preocupação das empresas em se comunicar, em não perder o elo com seus clientes, bem e-mail marketing, por ser um meio de comunicação mais efetivo e menor custo.

Os especialistas em comunicação corporativa que discutiram os dados e o que será o que chamamos de o “novo normal” consideram que a comunicação será essencial para a economia e para as empresas, porém, a questão fundamental será como as empresas irão cuidar das “pessoas”. A principal razão é a de que tão necessária quanto a comunicação externa, ou até mais, será a comunicação interna, de vez que o home office tem suas indubitáveis vantagens, todavia, também afeta o psiquê das pessoas e a cultura das empresas. É preciso ver que o coronavírus cria, ao mesmo tempo, medo, crise e oportunidades. E obriga, forçosamente, a mudar os comportamentos, de vez que as coisas estão mudando rapidamente. Neste sentido, quem se comunica bem durante este período, quem constrói bem seus conteúdos e age com transparência e rapidez tem maior chance de protagonismo. Este é um momento, de fato, de se ter uma comunicação séria, consistente com a ação das empresas e das pessoas. Comunicar e comunicar bem é uma necessidade nesta época tão conturbada. E quem comunicar bem, certamente, ocupará espaços e terá mais condições de recuperar os prejuízos que a crise acarretou em quase todas as empresas.




sexta-feira, maio 29, 2020

O CRESCIMENTO DO SEGMENTO ATACADISTA DISTRIBUIDOR EM 2019




COLETIVA DO RANKING ABAD/NIELSEN DESTACA REGIÃO NORTE E  OS CINCO MAIORES FATURAMENTOS DE RONDÔNIA NO SEGMENT

A ABAD (Associação Brasileira de Atacadistas Distribuidores), que representa mais de quatro mil empresas de todo o Brasil, de um segmento que movimenta 5% do PIB nacional, é responsável pelo abastecimento de mais de um milhão de pontos de venda em todos os 5.570 municípios brasileiros, promove estudos e pesquisas como o Ranking ABAD/Nielsen, realizado anualmente desde 1994, e divulgado pela Revista Distribuição, com o objetivo de fornecer uma radiografia do segmento atacadista distribuidor, o qual mostrou que, em 2019, o segmento atacadista distribuidor cresceu +4,5% em termos nominais e 0,19% em termos reais, atingindo faturamento de R$ 273,5 bilhões. Capitaneado pelo empresário Emerson Luiz Destro, que é diretor geral do Destro MacroAtacado, maior atacadista do Sul do país, e reeleito  presidente da ABAD no biênio 2019/20, os especialistas professor Nelson Barrizzelli, da Fundação Instituto de Educação-FIA e Daniel Asp Souza, gerente de atendimento de varejo da Nielson, fizeram uma apresentação geral dos resultados do setor em 2019 revelando que como grande empregador houve um crescimento de 5,5% no número de empregados diretos que terminaram o ano sendo 82.674. Interessante é que o estudo apontou a região Norte como o grande destaque em termos de crescimento de faturamento. Nesta  edição a região apresentou um resultado 32,7% superior ao ano anterior. Estão sediados na região Norte 16% dos atacadistas e distribuidores que que participaram do Ranking deste ano, correspondendo a 6% do faturamento total das empresas estudadas. 
Entre os 667 respondentes da pesquisa, 106 estão na região Norte, e 13 estão em Rondônia. Os cinco maiores faturamentos do setor no estado de Rondônia, em ordem decrescente, são as empresas: Friron (R$ 154,6 milhões), Tai Max (R$ 125,7 milhões), Nova Rover (R$ 59,1 milhões), Casa da Lavoura (R$ 39,7 milhões) e SB Log (R$ 36,9 milhões).  As top dez da Região Norte são:

TOP 10 EMPRESAS POR FATURAMENTO – REGIÃO NORTE


Classific.
Nome Fantasia
UF
Ano 2019
N
1
MERCANTIL NOVA ERA
AM
1.021.184.000
2
DUNORTE
AM
1.011.398.593
3
BIG AMIGÃO
AM
614.130.174
4
DISMELO
PA
532.573.810
5
DI FELICIA
AM
494.417.025
6
PREÇO BAIXO MEIO A MEIO
PA
410.439.575
7
MEIO A MEIO ALIMENTOS
PA
335.659.254
8
RECOL DISTRIBUIDORA
AC
314.834.134
9
ARMAZÉM BRASIL
AP
201.805.300
10
ECOACRE
AC
186.728.993



Interessante também na coletiva de Imprensa Online Ranking ABAD/Nielsen 2020 foi a informação de que, mesmo na crise do coronavírus, o  comércio alimentar é um dos poucos que têm se mantido em patamares razoáveis, com  o consumo dos produtos de alimentação, higiene e limpeza doméstica se mantendo estável. O faturamento do setor atacadista e distribuidor, que tem o pequeno varejista como o seu principal cliente, cresceu, em termos nominais, 4,5% em 2019, atingindo R$ 273,5 bilhões. É o 16º ano consecutivo em que a participação do setor permanece superior a 50% (atingiu 53%), reforçando sua abrangência e importância na economia brasileira.

sexta-feira, maio 22, 2020

AS PERSPECTIVAS DEPOIS DA CRISE DO CORONAVÍRUS



Os setores mais ricos, aliados com a esquerda supostamente progressista, até por oposição à Bolsonaro, mas, sem nenhuma consideração pelas consequências econômicas, nos dois últimos meses, criaram tanto ruído nos meios de comunicação e nas redes sociais, que, embora seja o desejo majoritário da população mais pobre, esta não teve força, nem  pressão política suficiente, para conseguir o avanço na liberação das atividades. O fato é que, como há um equilíbrio de forças, entre as tendências pró e contra o isolamento, isto acabou privilegiando o combate à covid-19, em detrimento da economia, em que pese o peso crescente da insatisfação da população pelo sofrimento causado. O mal está feito. Não tem mais como serem recuperadas as empresas falidas, os empregos perdidos, a produção não realizada. Os custos disto são sentidos pelas finanças das empresas que sobreviveram e que, por pior que estejam, se preparam para o passo seguinte de aceleração e investimento que terão que tomar em relação ao seu futuro. Neste contexto, existe a angústia de se ter que agir diante de um quadro de grande incerteza que deve se seguir à crise. Considerando o histórico de crises recentes e de epidemias passadas, algumas premissas são possíveis de se perceber como bases para uma orientação nas tomadas de decisões:

·       Uma expectativa lógica, embora um pouco distanciada da realidade, é a de que as pessoas tentarão reconstruir o estado anterior, pré-crise. Muitos dos esforços terão a direção do resgate da vida anterior.

·       Como pano de fundo será inevitável a busca de medicamentos, tratamentos e vacinas eficazes para o covid-19.

·       Embora existam muitos arautos da tese de que “o mundo não será mais o mesmo” as mudanças são lentas, o que não quer dizer que não existirão, mas, em linhas gerais, as coisas seguirão o mesmo curso.

·       A crise não atingiu a todos da mesma forma. Assim as diferenças de setores, geográficas, de tamanho e de capacidade de inovação gerarão dificuldades e oportunidades particulares para pessoas e empresas.

·       Em que pese as polêmicas sobre a retomada das atividades, mesmo que não vá ocorrer, como muitos preveem um retorno em ‘V’, depois de seis meses, ou um ano, deve haver um crescimento econômico forte resultante das oportunidades represadas pela crise. Este tem sido um comportamento histórico no capitalismo.

·       Ninguém substitui sua ação nem sua iniciativa. Isto também acontece com as empresas. A recuperação, mais rápida ou mais lenta, é sempre resultado da ação, das iniciativas que são tomadas para ocupar o seu espaço no mercado. E vai crescer mais quem estiver atento as necessidades que surgirão.

·       É esperado que os governos, preocupados com sua economia, atuem no sentido de propiciar mais recursos e mais crédito, com taxas de juros mais baratas. No caso brasileiro, isto deve ser essencial em especial para as micro e pequenas empresas. Nem todas, porém, irão conseguir acesso (e outras, talvez, nem resistam), mas, as finanças serão um fator essencial para o futuro próximo.

Um componente decisivo para o sucesso no futuro próximo será a velocidade com que as empresas irão ganhar espaço no mercado, inclusive substituindo as que foram engolidas pela crise. Em outras palavras, as empresas terão que ter não apenas a necessidade de sobreviver, mas, devem se preparar para crescer e inovar. Esta inovação não será, como muitos pregam, nem um retorno ao mundo antigo, nem um “novo mundo” e sim uma mistura do antigo com adaptações possíveis para o ambiente que mudou com o vírus, criou algumas novas preocupações e expectativas que devem ser captadas e atendidas. Em particular terá que se ter atenção a fatores novos como a tecnologia 5G, o uso da Inteligência Artificial, a tendência de se procurar trabalhar em casa ou próximo do trabalho, uma tendência de minimalismo, que irá passar também pela busca de maior acesso aos bens, ao invés de posse e uma maior busca de lazer, de leveza, mas, com algum componente de isolacionismo. Muitas empresas irão depender muito mais de suas próprias iniciativas do que dos programas de ajuda, porém, vão precisar de parcerias em setores que não dominam, bem como terão que reavaliar seus fornecedores, a logística e seus produtos sempre buscando oferecer mais com menor custo. Certamente isto significará uma ampliação do uso de aplicativos, ou, usando o termo correto, uma “uberização”, que será essencial para a sobrevivência. Ainda que a crise tenha sepultado muitas empresas somente acirrou a necessidade de maior competitividade, ainda que criando problemas para os insumos e produtos importados. Será um traço novo, neste cenário, a tentativa de diminuir a dependência de produtos externos, que já se percebe nas campanhas do tipo compre no seu estado, ou no seu bairro, mas, como se sabe, a eficácia desta tendência depende sempre dos preços. Ninguém compra mais caro por patriotismo ou regionalismo. Assim, embora as empresas possam, de fato, ter um diferencial por pertencerem a uma região ou estado, se não tiverem um preço competitivo ou um diferencial que justifique a aquisição de seu produto é melhor não contar com a fidelidade de seus consumidores locais. Uma coisa que não se altera, com certeza, no pós-crise são os fundamentos econômicos. Oferta e procura, custos, competitividade continuarão a ser elementos essenciais para as empresas até onde se pode avistar no ambiente econômico do presente século. Portanto, entre as perspectivas para se ter sucesso, não se poderá abrir mão de ter um produto de qualidade por um preço menor ou ter um produto diferenciado por suas qualidades. Ou seja, as perspectivas pós crise não mudaram tanto assim. Ser competitivo ou diferenciado ainda será essencial. 


Ilustração: https://worthwhile.com/.

terça-feira, maio 12, 2020

A CRISE DO CORONAVÍRUS E SEUS IMPACTOS NA CULTURA




Um dos setores mais profundamente impactados pela crise do coronavírus foi o setor cultural, em especial a denominada economia criativa, a parte da economia que engloba todas as expressões de criatividade da arte e inovação. Não é preciso pensar muito para ver, por exemplo, que, com o confinamento, não se acabaram apenas as apresentações de artistas em eventos ou shows, o que representa uma imensa perda de receitas não somente para eles, como também para toda uma série de pessoas que se movimentam em sua volta, que operam transportes, sons, imagens, negociações, contratos e direitos. Isto não se restringe, porém, aos artistas renomados, pois, mesmo os cantores de barzinhos, os grupos que se apresentam em restaurantes ou churrascarias também ficaram órfãos durante esta epidemia. Pode-se dizer que não. Que as lives, as apresentações ao vivo se sucedem, com duas ou três, no mesmo dia. Isto é fato, no entanto, elas são feitas mais como uma forma de continuarem presentes do que rendem recursos para os artistas. Muitos, aliás, o fizeram mais como um meio de ajudar os necessitados ou comemorar alguma coisa, de vez que somente grandes empresas, como a Google ou a Netflix, conseguem ganhar dinheiro com a internet. Mas, não são apenas os artistas que sofreram com a crise. Imagine os museus ou exposições de artes que precisam ter público para sobreviver? Nem vou falar dos cinemas, das festas, inclusive as costureiras e pessoas que vivem delas e dos teatros que foram fechados à força para evitar a transmissão do vírus. Esta crise do coronavírus tem uma característica que é ímpar: é globalizada, mas, seu impacto é sentido muito mais fortemente na vida local. Afinal todos nós, querendo ou não, fomos forçados ao recolhimento, a voltar a viver nos nossos ninhos, nas nossas tocas. Esta crise tem um lado cruel que é o de nos impedir a convivência, o entrelaçamento, o que, principalmente, para nós, brasileiros, efusivos, que gostamos de abraços, apertos de mãos e beijos, dos encontros nos locais de lazer é uma verdadeira sentença de morte para o cultivo das amizades. É uma crise que nos força, nos induz à solidão. Muitos argumentam que, neste momento, nunca antes fomos tão digitais. Talvez também tenhamos muito mais contatos via e-mails, Twitter, Facebook, Whatsapp e Instagram do que antes. Até mesmo utilizamos muito mais os bate-papos em vídeos ou as videoconferências. É verdade sim. Tivemos que nos adaptar a uma realidade que nos limita. Mas, duvido que, qualquer pessoa, por mais boa companhia que tenha, por melhor que esteja passando, não tenha saudades de dar um bom dia a um desconhecido, de poder beber uma cerveja ou um cafezinho, de dizer: -vou até ali assistir fulano cantar ou ver uma peça ou um filme. Por mais bem acompanhado que você esteja não tenho a menor dúvida: somos prisioneiros em nossas próprias casas. Deserdados da cultura na medida em que não é possível uma cultura de qualidade sem a presença física, sem o compartilhamento. Esta, por incrível que pareça, é também uma crise de solidão. Amputaram uma parte considerável da nossa cultura quando nos impedem de ir e vir e de trabalhar fora de casa. E sem cultura e sem convivência somos muito menos humanos. 

Ilustração: https://colorador eview.colostate.edu/.

sexta-feira, maio 08, 2020

NEM AS MÁSCARAS NOS TORNAM IGUAIS



É verdade. Antes usar máscara era coisa de bandidos ou de heróis marginais, como Zorro, Fantasma ou Batman. Agora não. Para sair na rua ou entrar num supermercado, fora levar uma borrifada de álcool gel nas mãos, temos que usar máscaras. De repente viramos um bando de mascarados. Quem imaginaria que tivéssemos de decifrar as pessoas pelo olhar somente? Até parece que ficamos todos iguais, de vez que a beleza ou a feiura, se esconderam por detrás de um paninho. Mas, se a máscara, poderia, como pensam alguns, tornar as pessoas mais iguais, não é verdade? Nem a máscara unificou as pessoas. Há máscaras e máscaras, de fato. Não porque, na prática, acaba virando um acessório de moda. Já existe uma diversidade de cores, de estampas, de formas que até mesmo as máscaras já não iguais. Pode-se até pensar que, pelo menos, para as mulheres, que ficam dispensadas do uso de maquiagem, a máscara as torna mais iguais. Mas, não é verdade. Mesmo mascaradas, os olhos mostram as diferenças e/ou o aroma sutil de um Chanel nº 5 diz mais sobre uma mulher do que a imaginação poderia supor. E, depois, as mulheres. Ah!, as mulheres são cheias de meneios, de formas, de sutilezas, que as tornam sempre muito diferentes. Se bem que se, agora, podemos parecer tão iguais, efetivamente, nunca fomos iguais e isto é flagrante, mesmo entre os mascarados dos supermercados, pelos carrinhos, cheios ou não, pelos que nem vem aos supermercados por não terem como pagar suas mercadorias. A máscara somente nos mostra que a fragilidade é humana. Só nos mostra que, apesar de tudo que construímos ou fizemos, de termos ido à lua ou prometermos viagens a Marte, quando se trata da própria vida, do controle do próprio destino, o homem, por mais diferente que seja, continua a ser um ser indefeso, um animal, como outro qualquer, impotente diante das forças da natureza que o cerca. De tal forma que, por mais que nos torne mais iguais, esta uniformidade facial, qualquer que seja a cor ou ou estampa, não encobre nada das diferenças humanas. Pode, por um momento, esconder quem é mais rico ou pobre, elegante ou mal vestido, porém, as diferenças sociais, a hierarquia social permanece mesmo na desgraça comum, na vulnerabilidade de todos. Por mais que pareça que todos podemos adoecer e morrer da mesma forma, não é assim. É verdade que todos estamos, mais ou menos, desprotegidos diante do vírus, porém, ter dinheiro sempre, na nossa sociedade, faz diferença. Uma coisa é se sentir mal e ir parar num hospital público ou ter um plano de saúde ou capacidade de pagar os melhores hospitais. É verdade também que um vírus veio da China e tirou tudo do lugar, mas, não será um simples pedaço de pano que nos irá tornar mais iguais. Infelizmente isto somente acontecerá com muito mais tempo, cultura e educação. As máscaras, é verdade, servem para nos lembrar da nossa condição humana e de que, nunca seremos iguais, senão na morte.


quarta-feira, maio 06, 2020

APESAR DO LOCKDOWN O CORAÇÃO FALOU MAIS ALTO



Embora, no Brasil, a mídia tenha consagrado a quarentena, ou isolamento horizontal, como um consenso científico, de fato, não é bem assim. O coronavírus, além de ser um vírus novo, é um vírus extremamente mutável. Então, há uma corrente grande a favor de que haja a contaminação do “rebanho”, ou seja, o vírus se dissemine para que as pessoas desenvolvam antivírus. E, não são poucos os cientistas que dizem que se não houver este tipo de desenvolvimento, o vírus pode se tornar muito mais perigoso, de vez que, quando não encontra formas de sobreviver o vírus se transforma e se torna mais letal (dizem que o vírus possui já identificadas 150 mutações). Um estudo de Harvard afirma que tentar superar o vírus, agora, pode resultar em muito mais estresse e mais mortes a longo prazo, segundo os pesquisadores. Eles também concluem que esse vírus não desaparecerá por si próprio. Ou se devolve um remédio ou uma vacina ou não tem jeito. Por essas razões, e que, como economista, tenho a certeza de que a quarentena, como comprovam estudos do King’s College London (Reino Unido) e da Australian National University-ANU com o isolamento social se pode estar praticando um crime de lesa humanidade, com o retorno de padrões de renda de 30 anos atrás  (https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/19841/como-o-isolamento-social-pode-estar-se-tornando-um-crime-de-lesa-humanidade),  considero que olhar a questão somente sobre a ótica da doença é irracional, pois, sob o conceito de saúde, que a própria Organização Mundial de Saúde-OMS adota não se pode desconsiderar a economia. O sueco Anders Tegnell, que defende, e é o maior representante da tese, de que a estratégia adequada de combate a epidemias baseado na convicção, por motivos científicos, de que é menos prejudicial, no longo prazo, promover a imunidade de grupo em lugar da quarentena total tem como maior rival, com, a tese oposta, Neil Ferguson, conhecido como Professor Lockdown, que projeta, por meio de um modelo por ele desenvolvido, sem a quarentena, o crescimento do vírus com números, e mortes, catastróficas. Epidemiologistas e matemáticos, agora, ganharam notoriedade por causa do vírus, mas, isto está longe de poder afirmar que seus modelos e teses estão corretos. A ironia é que Ferguson, como a pandemia foi politizada, ganhou a simpatia de órgãos e pessoas de esquerda, mesmo sendo colaborador de um governo conservador. Ele também já tem em seu currículo dois grandes fracassos, de vez que prognosticou também números catastróficos para a vaca louca e a gripe aviária, que tiveram números bastante insignificantes. Agora, porém, teve que se demitir da comissão de peritos que assessora o governo – em inglês, o acrônimo é SAGE, ou sábio, por causa de um escândalo amoroso. Sua amante atravessou Londres para ter encontros amorosos com ele. Ou seja, ela quebrava as regras do isolamento para vê-lo. Foi o suficiente para que Iain Duncan Smith, ex-líder do Partido Conservador e pouco simpático ao isolamento extremo por causa dos devastadores efeitos econômicos, afirmasse dele que “Cientistas como ele estão nos dizendo o que devemos fazer, mas ele está fazendo o que quer” e concluiu  “Ele quebrou suas próprias regras. É difícil de acreditar que um homem inteligente faça isso. Além do risco de prejudicar a mensagem do governo sobre o lockdown”. Neil Ferguson se deu mal não por seu modelo, até agora, mas, pelo seu coração (o que, convenhamos, só mostra que não é normal para os seres sociais ficarem isolados), porém, não deve sair do centro do debate na medida em que, mais do que nunca, na história humana, nenhum tema foi tão politizado e tantos cientistas se concentraram na previsão e no combate a um vírus em tempo real.