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terça-feira, setembro 26, 2017

O MORCEGO NÃO DIZ TUDO


Quem teve acesso à leitura de “A Interface de Um Morcego- E Outros Contos que a Vida Me Contou”, de Samuel Castiel, editado pela Chiado Editora, na Coleção Palavras Soltas, deve, se conhece um pouco de Porto Velho, da Amazônia, ter tido momentos de muito mais prazer, embora este seja indissociável do mundo criado pelo autor. Foi o que aconteceu comigo, um amazônico adotivo, que, por sorte, ainda vivi um pouco da antiga e acolhedora província, que um dia já foi a capital de nosso Estado. Samuel, que também tenho o prazer de curtir musicalmente, faz na literatura o que mostra na música: é eclético, diversificado e, com muita razão, de certa forma, nostálgico.
Seus contos, narrados de forma simples e direta, são, quase todos, ancorados em memórias ou histórias que viveu ou lhe contaram, mas, na linha saborosa dos grandes contistas, pois, não opta por uma formula de desfecho, de modo que se, algumas vezes, os finais são esperados, no entanto, também, com imaginação e bom humor, não deixa de criar finais, inesperados, muito surpreendentes ou, como acontece com o próprio conto que deu o nome e finaliza o livro, deixa espaço para que os leitores completem ou até mesmo se desviem do que suas palavras permitem entrever. Não é só o morcego que serve de interface, mas, a mente humana que, como faz questão de ressaltar, é criadora de seus próprios fantasmas, como também de suas aventuras.
Somente sei que usando a conhecida história da caçambada, episódio que marcou a cidade pelo atropelamento de muitas pessoas, ou festas, bêbados sempre, incêndios, nuvens, assaltos, velórios ou coronéis de barranco, suas inspirações trazem a marca da versatilidade para mostrar as múltiplas  facetas das criaturas humanas, com o prêmio extra de recuperar memórias que, no fundo, giram em torno de sua vida. De qualquer forma com um sabor  regional, de modo que, os contos, que Samuel Castiel escreve, são também crônicas e histórias que rememoram parte de sua infância com sons de batuque, o mistério e a beleza das noites de luar onde passeiam seus índios, seus cães baleados, seus estouros de boiadas, seus falsos cangaceiros e até mesmo um Che Guevara que só poderia ter saído da imaginação de um pregador de peças como foi João Leal Lobo. Como acredito que a boa literatura se faz cantando sua aldeia só posso recomendar a quem não leu que leia Samuel Castiel. Sua simplicidade esconde a interface da universalidade que o morcego não revela, mas, uma boa leitura sim. Vale a pena, e é saboroso, olhar o mundo por seu prisma.  


sexta-feira, setembro 22, 2017

O FIM DE UM CICLO DA IMPRENSA DE RONDÔNIA


Nos últimos tempos tem sido uma discussão recorrente a questão da sobrevivência da imprensa impressa, com maior evidência para o desaparecimento de jornais e revistas tradicionais do Brasil e do mundo inteiro. Uma coisa, porém, é a discussão, em tese, de uma brutal realidade. Outra é deparar, como deparamos, com a primeira página do centenário jornal “Alto Madeira”, uma testemunha ocular da história de Rondônia, onde, na edição de 21 de setembro, quinta-feira, anuncia em comunicado direto, que, o jornal Alto Madeira, depois de cem anos de circulação, irá em 01 de outubro de 2017, circular com a sua edição de nº 2837, pela última vez na forma impressa. E deixa claro que por falta de sustentação econômica, pois, conforme afirma “reconhecimento e admiração sempre obtivemos de todos”.
Na verdade, estamos todos de luto com o fim de um ciclo da imprensa de Rondônia. É verdade também que se trata de um fenômeno mundial, pois, recentemente, se lamentava em Portugal o fechamento de um grande grupo da imprensa de lá e, aqui, foram, pelo menos, oito grandes, e antigos jornais, brasileiros, que deixaram de circular. Alguns, como o Jornal do Brasil e o Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, verdadeiros baluartes da imprensa nacional. O fechamento do Alto Madeira, porém, para Rondônia, é muito mais sentido. De uma forma ou de outra, o AM sempre teve um papel fundamental não somente na nossa política, como na nossa cultura. Foi não apenas o berço dos grandes jornalistas e intelectuais do estado, como esteve, permanentemente, aberto para as novas ideias, para a arte, para a cultura, para os que desejassem divergir. Um espaço democrático e, notadamente, regional. Impossível ter sido importante e não ter aparecido nas páginas do jornal que documentou por cem anos a nossa história.
É lamentável ainda mais porque a nossa imprensa fica, cada vez mais pobre. Dos jornais que foram importantes no século passado resta apenas, solitário, o mais novo, o Diário da Amazônia. Num espaço de meio século desapareceram grandes títulos, como A Tribuna, o Guaporé, O Estadão do Norte, Diário do Povo, a Folha de Rondônia e, agora, o a maior de todos eles, a grande árvore de nossa floresta, o Alto Madeira, que, parecia capaz de resistir aos tempos. Termina, por incrível que pareça, depois de ter passado as maiores tormentas, mas, deixa, sem dúvida, um grande legado. O Alto Madeira será sempre um orgulho para todos nós, de Rondônia, que amamos esta terra. Deixa de circular, mas, não de ocupar um lugar memorável na história de nossa imprensa.




quinta-feira, setembro 14, 2017

SOBRE NORMALIDADE, POLÍTICA E PRAZOS


Devo dizer que, não sei explicar por ser até imemorial este sentimento, porém, não me sinto um sujeito normal. E, quando digo isto (tem pessoas que podem pensar isto de mim) não é por me sentir, de qualquer forma, superior aos outros (inferior me sinto, muitas vezes, diante de pessoas que são talentosas, gênios mesmo, com quem tive a honra de conviver). Não também que tenha nada de extraordinário ou seja um ser de intenções ocultas ou malévolas. Sou um homem quase normal nos pensamentos, inclusive sob o ponto de vista de padrões normais de desejo e até mínimos de consumo. A questão real é que, desde pequeno, além de uma acentuada timidez, não comungo nem com o proceder nem os valores da maioria das pessoas. E isto, ainda mais hoje, no Brasil é quase uma coisa criminosa.

Em certas fases da vida até cheguei a parecer uma pessoa normal. Já desperdicei, por exemplo, muitas noites diante da tela da televisão. Com a ressalva de que, apesar de considerar muito bem feitas as novelas, nunca me prenderam muito a atenção e Big Brother Brasil nem pensar. Também pareço perfeitamente normal quando assisto futebol, embora um pouco mais quieto do que o normal. Dificilmente me acharão normal por gostar de ficar zapeando ou ficar navegando em sites ou lendo notícias de vários países ou ainda traduzindo poesias. Também na infância nunca fui muito chegado a desenhos animados. Sempre gostava de futebol e de livros. Ler, até bula de remédio, sempre foi um dos meus pecados. E alterno horas em que, preguiçoso, somente desejo dormir e outras em que aceito, temporariamente, o  conceito de que "aproveitar" é "sair", buscar nas ruas e nos lugares a diversão que se supõe não está nas nossas moradias. Sou sim  de ouvir bons shows musicais , de curtir um cinema ou participar de algum evento de meu interesse, no entanto, com calma. Até mesmo viajar não pode ser mais as denominadas excursões, verdadeiras maratonas que só servem para mostrar que você já foi aos lugares que, supostamente, todos devem ir. Até aguento um dia marcar encontro com pessoas que, depois, vejo não ter afinidades e me empanturrar de cerveja como meio de esquecer o dissabor, mas, e nisto sou como a grande maioria dos brasileiros, hoje em dia, não me fale mais do que cinco minutos sobre política que não tenho o menor interesse. Hoje, uma boa discussão política, para mim, é esquecer que a política existe. É que comigo ou sem migo, só no longo prazo as coisas se acomodarão. E sei lá se  ainda tenho longo prazo...

segunda-feira, setembro 04, 2017

A RENOVAÇÃO NECESSÁRIA DA IMPRENSA ESCRITA


Como um aficionado dos jornais, das revistas e dos livros é impossível não me ligar às questões da que se costuma denominar como crise da imprensa escrita. Sem dúvida, a imprensa escrita sofreu muito, em especial, nos últimos 10 anos, com as grandes mudanças tecnológicas, com os meios digitais e as redes sociais roubando grande parte dos seus leitores e, mais ainda, desviando os gastos em  publicidade, ainda que, examinadas de perto,  as receitas do on-line não compensem as receitas perdidas no papel. De fato, estima-se que os  anunciantes na imprensa escrita decresceram, em uma década, quase 80%, enquanto o digital, talvez, recupere apenas 55 a 60% dos investimentos, ou seja, na prática, há uma queda de investimentos, embora a sua multiplicidade, e até mesmo a anarquia das mensagens invadam nossos olhos e mentes.
O sinal real da crise reflete-se em que os grandes jornais, as grandes revistas, nacionais perderam milhares de leitores nas edições impressas, e, como se sabe, muitos até cessaram de ter edições impressas, ou até mesmo, encerraram suas atividades, enquanto sobe, e muito, a leitura digital que, no entanto, sobe muito pouco na circulação digital paga, o que gera um saldo pouco positivo para a imprensa em geral. A crise, no meu entender, é, na verdade, do modelo de negócio que a indústria jornalística tanta manter, num ambiente hostil à sua permanência, até mesmo por falta de opção. Aliás, a tentativa que vem sendo feita, de cortar custos, parece ter piorado sua situação na medida em que diminui a qualidade do seu jornalismo e, via de consequência, acelera seus problemas mais do que resolve. E o resultado se vê como um desastre: jornais e revistas com, cada vez mais, menos páginas, com análises e notícias mais curtas, numa concorrência inútil de atender uma população com cada vez menor capacidade de atenção. E, como cortaram na carne, nas redações, o preenchimento dos espaços com fotos e notícias de agências de notícias, torna todos muito parecidos, tudo muito igual, muito pasteurizado.
Não tenho uma formula para combater isto, e se tivesse já teria tentado, mas, ainda creio existir um mercado para o jornalismo de investigação e de análise e de uma opinião bem sustentada. É este tipo de jornalismo que faz falta à democracia, que falta (e muito) ao nosso país. Minha crença é a de que , para que os jornais permaneçam relevantes,  é preciso servir um jornalismo de muito maior qualidade, que seja um diferencial para o leitor. Ainda creio que exista uma grande procura por uma imprensa qualificada, de opinião e crítica. Também pode ser lida, é claro, e até partilhada, com as redes sociais, mas, é este tipo de notícia que cria audiência e da qual sinto falta em todos os meios. Claro que as revistas e jornais são empresas, porém, não são apenas isto. Possuem também um papel cívico e responsabilidades mais amplas. Não podem, como tem sido a tônica nos últimos tempos, somente considerar seus interesses próprios, sem qualquer preocupação em relação à veracidade das notícias. Se fazem isto, então, em nada se diferenciam das opiniões do Facebook, onde cada um diz o que quer, na maioria das vezes, indiferente aos efeitos. Revistas e jornais continuam a ser os maiores produtores de conteúdo e devem ser a melhor fonte de informação sobre os governos, as empresas e as instituições que conformam as nossas vidas. Se não fazem isto, se perdem este tipo de preocupação, se não despertam interesse, é natural que percam importância. E perder a importância é também perder renda e leitores. É preciso inovar nossa imprensa escrita.


quinta-feira, agosto 31, 2017

NÃO FOI BEM DE AMOR QUE O POETA MORREU


Algumas vezes não fazemos o que devemos fazer. É, algumas vezes, por conta de um “deixa a vida me levar”, mas, outras, apenas pela maldosa procrastinação, que é um mal que, infelizmente, me assola. Seja como for devia, já faz tempo, um comentário sobre o mais recente livro de Júlio Olivar, “O Poeta que Morreu de Amor” sobre o poeta maranhense Vespasiano Ramos, tido por grande parte dos historiadores como o precursor da literatura de Porto Velho, o que significa, praticamente, de Rondônia, de vez que a cidade foi, por muito tempo, a única parte onde podia existir algum tipo de literatura.
Antes de mais nada cabe dizer que Júlio, com este segundo livro, se torna uma espécie de escavador literário do tempo, pois, já no seu livro anterior sobre Santo Antônio do Rio Madeira, tinha se arriscado nas águas profundas da história em busca de pérolas que, supostamente, só existiam como lendas. E, como na vez anterior, pode se gabar de ter conseguido um resultado extraordinário, apesar dos riscos e da tarefa árdua que teve de executar. De fato, especialmente, no livro sobre o poeta, consegue tirar leite de pedra.
É que, Vespasiano, em Rondônia, é mais lenda mesmo que realidade. O poeta de Caxias foi uma figura contraditória, que andou por outras cidades, inclusive com relativo sucesso em Belém do Pará, autor de apenas um livro “Coisa Alguma” que, se fosse no mundo atual, se diria que foi mais performático do que construiu uma obra. Além de ter vivido pouco (32 anos), uma vida conturbada, se atribui a uma decepção amorosa sua vinda para Rondônia onde, em pouco tempo, viria a falecer na cidade de Porto Velho em 26 de novembro de 1916. E, como foi, mesmo assim, adotado como intelectual local, mereceu de Júlio Olivar uma recuperação histórica de muito valor que começa pelo título de “O Poeta que Morreu de Amor”, uma evidente licença poética, de vez que o que o matou mesmo foi uma cirrose. Talvez até, depois de duvidar de sua importância para a literatura de Rondônia até me incluam na famosa prole que cantou no poema “Ao Cristo”:

“Prometeste voltar! Não voltes, Cristo:
Serás preso, de novo, às horas mudas,
Depois de novos e divinos atos,

Porque, na terra, deu-se apenas, isto:
Multiplicou-se o número de Judas
...E vai crescendo a prole de Pilatos”.

Certamente não será o caso de Olivar que escreveu um livro bem documentado, fácil de ler, divertido, com parte dos poemas de Vespasiano e, ainda por cima, com um certo perfume de passado, que torna o seu livro uma leitura fascinante. Vale a pena comprar, ler e divulgar. 

sexta-feira, agosto 18, 2017

A IMPORTÂNCIA DESPREZADA DA HIDROVIA DO MADEIRA



A discussão trazida à baila pela Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária- FENAVEGA, no debate sobre a Hidrovia do Madeira, a Importância do Transporte Sustentável em Rondônia, Amazônia e Impactos pós-UHE’s, acontecido na sexta-feira, 18 de agosto, serviu para mostrar como a nossa realidade se encontra distante da nossa política. Embora contando com o apoio da ANTAQ-Agência Nacional de Transportes Aquaviários, num momento onde a questão da dragagem do Madeira assume um imenso relevo- até por estar atrasada e ser questionada pela forma como tem sido conduzida- é sintomática da falta de atenção às demandas públicas, em especial às da Amazônia- a ausência de autoridades e de órgãos que não poderiam estar ausentes de questão tão relevante como é o caso do Ministério do Meio Ambiente, do IBAMA e do DNIT, entre outros.
Vale frisar que a Hidrovia do Tiete, a única de fato que merece o nome, segundo foi mencionado nos debates, possui, no máximo, embarcações que transportam cerca de 7 mil toneladas, enquanto no rio Madeira já transita o 2º maior comboio do mundo, com capacidade de 32 mil toneladas, o   que corresponde a 20 balsas e ao que transporta 1.300 carretas, e já está autorizado o uso de comboios que irão transportar 50 mil toneladas. É importante também acentuar, como disse o presidente da FENAVEGA, Raimundo Holanda, que, apesar de se transportar anualmente 13 milhões de toneladas de cargas, quando é possível, no mínimo, dobrar esta quantidade, “Nós não temos uma hidrovia”. Sim, o rio Madeira, pela falta de atenção, pela falta de investimentos, de uma política pública de aproveitamento de nossos caminhos fluviais, não é senão um rio navegável com toda a sua importância para a região.

De fato, o que o debate demonstrou amplamente é que há a necessidade vital de se transformar o rio Madeira, efetivamente, numa hidrovia. E, foi dito, e muito bem dito, que é um mito opor o transporte fluvial ao rodoviário. Ambos se complementam e, como também se sabe, é indispensável que haja a integração multimodal, inclusive com a implantação da Ferrovia da Soja-Porto Velho/Sapezal, uma forma eficiente e rentável de escoar a soja do Mato Grosso. É indubitável também que as questões pós-UHE’s, como a do desbarrancamentos e das toras, não podem ser, como estão sendo, descuidadas com enormes prejuízos para a navegação e para as cidades, empresas e cidadãos atingidos. Do questionamento não escapou nem mesmo o fato de que até mesmo a dragagem, da forma que está sendo feita, se será uma solução ou um mero paliativo. Uma coisa, porém, ficou evidente: não se pode continuar impassível diante da falta de soluções dos problemas que o rio Madeira vem atravessando. A questão não é apenas econômica. É uma questão, como a da conclusão da BR-319, que entrava o nosso futuro. Rondônia e a Amazônia são dependentes dos caminhos, sejam os das terras ou das águas, e não se pode, como se tem feito, emperrar a vida de milhares de pessoas em nome de interesses distantes, e obscuros, enquanto nós sofremos na pele o descaso e a desatenção do poder público aos nossos problemas. 

sexta-feira, julho 21, 2017

A CHINA EM RITMO QUÂNTICO


Ao contrário do Brasil, a China, com investimentos crescentes que contrastam com a economia mundial, recuperou o tempo perdido e investe, fortemente, em tecnologias de ponta. Em especial está dando um salto de qualidade em áreas como ferrovias de alta velocidade, grandes aeronaves, foguetes portadores, telefonia celular e, fez uma mudança fantástica, nas suas telecomunicações quânticas.
Para se ter uma ideia do novo rumo, embora o que tenha chamado a atenção da imprensa tenha sido o ARJ21, o primeiro jato projetado e produzido no país, o fato mais relevante mesmo é a entrada na arena da competição internacional da Informação Quântica. Os cientistas chineses foram os primeiros a alcançar estados quânticos emaranhados e teletransporte a uma distância segura acima de 100 km. Efetivamente, são pioneiros, ao criar a primeira rede mundial quântica em larga escala, e líderes mundiais nas aplicações metropolitanas de tecnologia e no uso de distribuição quântica para comunicação de informação sensível.
É primordial entender que a comunicação quântica é uma nova modalidade de envio de informação de forma absolutamente segura, de vez que utiliza o “emaranhado quântico”, a partilha de um canal quântico que permite o átomo ser compartilhado entre duas localizações, mesmo à distância, com a percepção em tempo real e, se o estado de um muda o outro irá se alterar de forma correspondente.  Assim a comunicação quântica possui eficiência e segurança ao não permitir o sequestro da informação que está sendo transmitida na medida em que, qualquer interceptação, será reconhecida tanto pelo transmissor, quanto pelo receptor, impedindo que o hacker possa obter toda a informação, o que é fundamental para a proteção de informações de segurança e de negócios financeiros.
Também, em agosto do ano passado, foi lançado o primeiro satélite quântico experimental do mundo, o Micius, permitindo a primeira conexão quântica entre um satélite e a terra. Não bastasse estes sucessos, ainda foi construído o Link Xangai-Hangzhou, com 260 km de extensão, a primeira linha de comunicação quântica mundial e, logo em seguida, um novo link, o Link Pequim-Xangai foi adicionado para transferir importantes informações, inclusive com bancos comerciais utilizando o sistema para transmissão de backups.

E a cereja do bolo é a constatação do enorme potencial da tecnologia quântica tanto que sua lucratividade induziu a IDQTEC Quantum Tecnology Co. Ltda. a ser a primeira empresa do setor de comunicação quântica a lançar ações no mercado de capitais. São infinitas as possibilidades na área e, embora não se tenha uma ideia clara do futuro, já se prevê que a comunicação quântica será tão difundida que as contas eletrônicas, mesmo as feitas por celular, deverão ter chips de encriptação quântica, para garantir que as transações financeiras sejam absolutamente seguras. Como se vê a China, definitivamente, está sendo movida em ritmo quântico. 

quinta-feira, junho 29, 2017

UM PROTAGONISTA DA HISTÓRIA DE RONDÔNIA


Tomo conhecimento, com muito pesar, da morte de Luiz Malheiros Tourinho, o notável empresário Luiz Tourinho, não somente o responsável pela manutenção por mais de meio século do jornal Alto Madeira, mas, sem dúvida, durante, pelo menos, trinta anos um dos mais importantes empresários do Território e, depois, Estado de Rondônia. Certamente, Luiz Tourinho nunca teve, em vida, um reconhecimento à altura do enorme papel que exerceu em nossa sociedade. Ao contrário dos irmãos, que enveredaram por caminhos mais suaves, Luiz foi, ao seu modo, um gênio do mundo dos negócios e um articulador político excelente de bastidores. Como um homem que disputa poder teve seus admiradores e seus adversários e os tratou de acordo com seus interesses e grau de ferocidade que as lutas pela sobrevivência exige. Não foi um santo, claro, porém, não se pode negar sua grandeza como figura de relevo no panorama estadual. E sempre foi amigo dos seus amigos. E sempre foi um homem de princípios. Leal até mesmo com os adversários avisava do que não gostava e não negava as atitudes que tomava na defesa dos seus interesses.
Logo cedo surgiu como uma liderança estudantil e, depois, empresarial. Teve uma passagem vitoriosa pelo Banco do Brasil que, para ele, foi uma escola e ganhou dinheiro com seguros, depois enveredando por outros negócios, de fato, criou um pequeno império que geriu com tino e sagacidade. Foi proprietário da primeira revendedora de automóveis Fiat e de uma corretora de seguros, bem como também foi proprietário do jornal O Rio Branco e da Rádio Rio Branco, no Acre, onde se formou como advogado. Um homem de larga visão, que, depois de ter sido dirigente da Associação Comercial de Porto Velho, teve o mérito de, com os empresários José Ribeiro Filho e Frederico Simon Camelo, ser um dos responsáveis direto pela criação das federações do Comércio e da Indústria de nosso Estado. Depois, por longo tempo, seria presidente da Fecomércio, como também presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae, que  ajudou a fundar em nosso Estado. Incansável participou também da criação da Federação da Agricultura e Pecuária (Faperon). Entre outras coisas construiu o prédio Rio Madeira, o primeiro grande edifício privado de nossa capital e que também foi pioneiro em ter elevador. Na transformação do Território para Estado, quando o Alto Madeira, atingiu o auge como jornal estadual mais importante, exerceu um papel muito grande junto ao governador Jorge Teixeira tendo, inclusive, sido responsável pela indicação de postos importantes do governo. Também exerceu a função, no governo Raupp, de secretário de Indústria e Comércio. Foi, com o governador do Acre, Nabor Junior, iniciar com uma comitiva que foi ao Peru, convidado pelo ex-presidente Belaunde Terry, em 1983, o sonho da Saída para o Pacífico, que, depois seria uma bandeira que gerou a atual estrada Bioceânica que, liga via Assis Brasil, com o Peru e os portos do Pacífico. Recentemente lançou um livro em que defendeu a necessidade da integração latino-americana, em especial, da integração de nossa região com os países vizinhos.

Com sua morte, certamente, nossa paisagem intelectual fica muito mais pobre e perdemos a oportunidade de ter um retrato muito preciso da história política estadual, de vez que havia prometido fazer um livro de suas memórias que, com certeza, seria muito esclarecedor de uma época política (e rica) da história mais recente do Estado. Com a morte de Luiz Tourinho fecha-se um ciclo, pois, deve ser um dos últimos remanescentes dos grandes empresários que participaram ativamente da vida pública no final do século passado. Ele foi o nosso grande empresário que se fez por si mesmo, de certa forma, embora mais diversificado, foi o nosso Assis Chateaubriand, um Chatô eclético, que formou um império e ergueu bem alto o nome da família Tourinho na região. A morte, como se sabe, é inevitável, mas, nem por isto não se pode deixar de lamentar quando morre um homem que participou e escreveu parte de nossa história. No mínimo, para ser justo, se deve dizer que morreu um grande empreendedor. E que será impossível escrever a história empresarial de nosso Estado sem considerar sua imprescindível colaboração. 

quarta-feira, junho 07, 2017

A CRISE É O MOMENTO IDEAL PARA EMPREENDER


Todos os especialistas em desenvolvimento acentuam que a educação é indispensável para se obter mais crescimento e maior qualidade de vida, mas, não é suficiente. Por que não é suficiente? A razão reside em que, caso não exista uma expansão da economia, os empregos existentes serão obtidos somente pelos mais preparados sem que aumentem em número. É por isto que se insiste na necessidade do empreendedorismo como um fator determinante para o desenvolvimento. Sem novos negócios, sem ter pessoas com iniciativa, que se determinem a empreender, de fato, não existe desenvolvimento.
No Brasil, infelizmente, embora se diga que existe muito empreendedorismo, o que se observa é que se trata do “empreendedorismo forçado”, ou seja, a pessoa que não obtém emprego para sobreviver cria algum tipo de atividade para se sustentar. Não é empreendedorismo no seu sentido bom. No sentido bom o empreendedorismo nasce de um sonho, de um grande sonho, mas, factível de execução e que requer características pessoais, como coragem, autoconfiança, persistência, resiliência, entre outras. Isto é necessário em razão de que terá que superar muitos obstáculos, não somente vindos da excessiva burocracia, como da falta de capital para investimento, em geral, e de que, no período de maturação, até o negócio dar retorno, quem empreende tem que fazer muitos sacrifícios, inclusive o de se dedicar sem uma contrapartida financeira compensadora.

Porém, hoje, com a diminuição do mundo, com a conexão on line, com a tecnologia rompendo barreiras, acabando com as distâncias, nada é mais cruel, em especial para o novo empreendedor, que a concorrência cada vez mais acirrada. Todo negócio, por menor que seja, pode ser impactado pelo que acontece distante, de forma que empreender vai ser, cada vez mais, uma questão de identificar necessidades. O sucesso de um negócio está muito ligado a explorar um nicho qualquer mal atendido. E, hoje, no Brasil, com os problemas da crise, empreender também importa em se motivar para o sucesso e acreditar em novas soluções.  De qualquer forma precisamos de empreendedores. É preciso deixar de falar em crise, pois, empreender é difícil em qualquer época. Portanto, a crise é um momento de oportunidade.  Se você tem uma ideia e acredita que ela traz algum tipo de solução que pode impactar na vida das pessoas, que é possível de gerar um negócio de sucesso, não tenha dúvida e empreenda! As dificuldades serão grandes, mas, não há sucesso sem trabalho e sem problemas. 

Ilustração: Arquitetos de Elite. 

segunda-feira, março 20, 2017

UMA BOA MEDIDA COM EFEITOS INCERTOS


A Tendências Consultoria estimou que a liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviços-FGTS das contas inativas, cerca de R$ 16,5 bilhões este ano, terão um impacto, considerando o efeito multiplicador, de cerca de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os produtos e serviços produzidos internamente durante o ano, mesmo com pesquisas do Serviço de Proteção ao Crédito-SPC indicando que 38,2% dos recursos serão destinados ao pagamento de dívidas.
É fato que, embora o montante de tais recursos somente, não possa tirar o país da crise, no entanto, não deixa de ser uma medida importante para aliviar o orçamento das famílias brasileiras endividadas e deve contribuir para melhorar as expectativas de consumo e de investimentos, um passo importante para a retomada do crescimento. Ainda assim, grande parte dos analistas econômicos consideram que o efeito será pouco. Há mesmo economistas como o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, projetando um impacto menor sobre o PIB, de apenas 0,2% na taxa de crescimento, considerando que "Boa parte desses recursos deve ir para pagamento de dívida, o que ajuda em um segundo momento no consumo, mas não agora". A equipe do Banco Santander é mais pessimista, pois, afirma que o uso do dinheiro das contas inativas do FGTS para pagar dívidas deverá ter efeito "desprezível" sobre o comprometimento da renda e inadimplência, de forma que, de um modo geral, o “impacto efetivo será bem pequeno e, definitivamente, não muda o cenário". Entre estas visões, que tem seus fundamentos, pode-se dizer que variam com o otimismo dos analistas, porém, a grande verdade é que a economia brasileira atual anda ao sabor das novidades políticas. O problema é que a política está proporcionando mais notícias ruins do que boas.

Uma medida como a da liberação do FGTS poderia ter sim um efeito muito maior, de vez que desperta mesmo mais esperança e otimismo. O ruim é que, logo em seguida, surge, como agora, a “Operação Carne Fraca” que, tem sim, efeitos nocivos. Não que não devesse ser feita, mas, a forma de divulgação não teve o mínimo de cuidado com os seus efeitos. Assim, quando me perguntam, se a liberação vai ter um impacto maior ou menor, sou, como um economista cuidadoso, e não um vidente, obrigado a dizer que depende. Como num jogo de xadrez o resultado depende de peças que serão ainda mexidas e mesmo com mexidas corretas, como a do FGTS, sem capacidade de prever o jogo futuro, só é possível torcer para que melhores tempos venham. Da forma como está tudo anda muito incerto, imprevisível. E não há crescimento sem estabilidade, sem notícias ruins que apaguem os efeitos positivos das boas medidas. 

sexta-feira, março 17, 2017

SEGURANÇA JURÍDICA, UMA PRIORIDADE RELEGADA


Depois de uma discussão que se arrastou por mais de vinte anos a maioria do STF-Supremo Tribunal Federal decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS- ressalta a imprensa. Parece brincadeira, mas, mostra a realidade tributária e jurídica brasileira. Embora seja cristalino, sempre foi, que a Constituição estabelece que o PIS e a CONFINS incidem somente sobre o faturamento ou a receita, de forma que, como o ICMS entra para ser repassado a seus credores, que são os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, não poderia, de forma alguma entrar, pois, não poderia, não pode, ter por base algo que não é faturamento ou receita. É cristalino. Não no Brasil onde nem sempre a legislação infraestrutural respeita o que está contido na Constituição e nas leis.
Não é por simples acaso que isto acontece. Na verdade, há um imenso histórico de que as burocracias brasileiras sempre legislam a seu bel prazer e, muitas vezes, no sentido contrário ao espírito das leis e do direito. Sempre contra o contribuinte, contra seus direitos e a favor de encher os cofres estatais mesmo quando a matéria é mais clara do que a luz do sol e, na grande maioria das vezes, com o beneplácito e o conluio, aberto ou disfarçado da Justiça, a ponto de ser até, de certa forma, espantoso quando, em ocasiões, como agora, no caso da cobrança da bagagem nos aviões, tomarem uma decisão a favor do setor privado.

A norma, no entanto, é que seja um órgão de regulação, seja o INSS, Receita Federal, enfim, qualquer tipo de órgão, se criem resoluções ou normas que sempre impactam no bolso das empresas e das pessoas sem que se possa ter muita alternativa de recorrer, exceto se dispendendo recursos e também, em geral, sem muito sucesso. Exemplo linear disto é a substituição tributária do ICMS, um verdadeiro acinte às regras mais comezinhas da natureza do imposto, que, no entanto, permanece sendo aplicado apesar das inúmeras tentativas de derrubá-la na Justiça. Por situações assim, pela insegurança jurídica, derivada do cipoal de normas e interpretações de direito tributário, pela constante mudanças dessas normas, sem nenhuma consideração pelos custos que acarretam, é que o Brasil figura no “Doing Business 2016”,  do Banco Mundial, que mede a facilidade de fazer negócios, na 116ª posição num ranking de 189 países. Ou seja, está quase no terço dos piores até por apresentar os piores resultados nos indicadores de pagamento de impostos (178º), abertura de empresas (174º) e obtenção de alvará para construção (169º). Depois de dois anos consecutivos de produto interno negativo, se desejamos retomar o desenvolvimento, e atrair investimentos,  as lideranças políticas e empresariais precisam, mais do que nunca, dar atenção à necessidade de desburocratização e de segurança jurídica para que possamos, realmente, diminuir o nosso atraso em relação aos países desenvolvidos. 

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

O SOFREDOR DE PLANTÃO


O consumidor, no Brasil, embora, aparentemente, haja toda uma legislação de proteção, na verdade, está sem nenhum tipo de defesa em relação, em especial, as empresas telefônicas, bancos e cartões de crédito, entre outras grandes corporações. Sem contar que o próprio governo, em qualquer nível, pisa, sem dó nem piedade, sobre os direitos de consumo. O fato mais comum é o de que quando o consumidor pretende contratar algum serviço se oferece mundos e fundos. Parece que irá encontrar o paraíso e toda a facilidade possível. Há, inclusive, ofertas que, na grande maioria, nunca se concretizam. E ainda que o serviço ofertado fique bem abaixo do que se esperava, aí do consumidor quando desistir. Para fazer a rescisão de um contrato, para começo de conversa, é, praticamente, impossível fazer pelo telefone ou por internet. Toda e qualquer facilidade some. Não tem jeito. A forma possível, recomendável, é, na prática, quase que obrigatória, a de ter que fazer o pedido, por escrito, para a empresa por carta com Aviso de Recebimento (AR) ou notificação via Cartório de Títulos e Documentos.
Há também uma prática que é um verdadeiro abuso, inclusive, quando se pretende forçar o consumidor a buscar sua fatura de pagamento seja via internet ou dispositivo móvel. Sem contar que o código de barras, muitas vezes, não presta ou o caixa eletrônico não consegue ler. Uma empresa de tv paga, por exemplo, oferece até desconto para colocar em débito no banco ou receber a fatura via e-mail, mas, envia a fatura em papel, invariavelmente, fora do prazo para obrigar o consumidor a fazer o que deseja. Bancos, cartões e telefônicas também para que o consumidor tenha acesso, supostamente, para manter a confidencialidade, obrigam a criar nomes de usuários e senhas, inclusive, o que é absurdo, no acesso aos call-centers. Grave é que, em alguns casos, o cliente não consegue pagar sua fatura por não ter acesso a ela. E, em grande parte dos casos, é o site e o call center que não funcionam bem. Há casos até que, para reclamar, se pede que se obtenha um número de protocolo! E até para responder aos e-mails levam mais de uma semana. E, quando é o caso, de se querer pagar a fatura para cancelar o serviço é um Deus nos acuda. O pior é que, se o consumidor não paga, para poder cancelar, corre o risco, muito grande de acabar com o seu nome negativado. Pode-se recorrer à Justiça. Pode sim, mas, é também um outro sofrimento. Em geral, é preciso, primeiro, enfrentar o Procon, o que nem sempre é fácil. Depois, falta a muitas pessoas o conhecimento das peculiaridades deste tipo de problema. No fim, sobra mesmo é para o consumidor. Mesmo quando ganha, o que recebe não compensa os aborrecimentos nem o tempo gasto na empreitada. Ser consumidor no Brasil é viver no purgatório.


segunda-feira, janeiro 30, 2017

A INTERVENÇÃO SOBRE O CRÉDITO ROTATIVO


Sob a alegação de que é preciso diminuir a inadimplência dos consumidores brasileiros o Governo Federal vai alterar, a partir de abril, as regras no rotativo do cartão de crédito. Muitos economistas analisando a medida consideram que se trata de uma boa intervenção, de vez que os juros devem cair. É verdade que é um absurdo, segundo a Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), que, em dezembro, os juros do cartão de crédito tenham alcançado o patamar de  15,33% ao mês, um total de 453,74% ao ano. Mas, com a nova medida, o consumidor perde a opção de pagar apenas uma parte do valor da fatura, o que, no mínimo, é de 15% e a possibilidade de deixar o saldo restante para os próximos meses, ou seja, deixa de, na prática, existir  o crédito rotativo. De acordo com a medida adotada, agora, a manutenção do rotativo, a partir de abril, com as novas regras, se o consumidor não tiver dinheiro para pagar o total da fatura, não poderá passar de mais de 30 dias usando o rotativo. Depois disto, o banco deve oferecer um crédito parcelado com taxas mais baixas. Ou seja, o cliente que entrou no rotativo em abril, terá que, obrigatoriamente, parcelar a sua conta em maio.
Aparentemente se trata de um ganho. O rotativo é considerado como uma verdadeira bola de neve e o parcelado deve ter um custo menor. Ou seja, a medida visa fazer com que as famílias paguem menos juros e que sobre mais dinheiro para estimular a economia. Há, porém, alguns problemas. Primeiro, o Banco Central não anunciou em quantas vezes o rotativo será parcelado e nem a taxa de juro. É provável que deixe os prazos e os juros por conta das instituições. Talvez, estimam os especialistas, deva ficar próxima do CDC (Crédito Direito ao Consumidor), que está em torno dos 7% ao mês. Seria uma queda dos juros acima da metade, o que seria um grande ganho.
O problema, ao meu ver, é que, mais uma vez, se alteram as regras depois do desastre, quando grande parte dos consumidores já estão perdidos nas suas contas. Acrescente-se que os bancos, não são obrigados a oferecer o crédito. E se não oferecerem? O que acontece com quem não tiver dinheiro? Será obrigado a buscá-lo em fontes alternativas? Se for, então, o consumidor pode estar, invés de sendo obrigado a se organizar, a ter problemas de obtenção de crédito ou cair nas garras de agiotas. De qualquer forma o que me parece mais complicado é o fato de que, de novo, o governo, que não tem suas próprias contas organizadas, interfere diretamente na vida privada para influir sobre as finanças dos cidadãos. E, se for para facilitar a vida das pessoas, seria bem melhor que começasse a rever os seus procedimentos burocráticos, os impostos em grande quantidade e altos, os custos que acarreta com obrigações acessórias ou até mesmo criar programas de recuperação dos endividados. Intervir, porém, me parece sempre um retrocesso. Já existe governo demais. Precisamos de mais mercado.


sábado, dezembro 31, 2016

NO FIM DAS CONTAS 2016 FOI UM BOM RECOMEÇO


Não este ano de 2016 não foi um ano comum. É o que constato ao tentar fazer um retrospecto, um balanço, mesmo que de leve, do que passamos, quando estamos a poucas horas de seu fim. É verdade que não despertava, desde seu início, muitas ilusões. Havia um governo, o de Dilma Roussef, desgovernado fazia tempo e a economia destroçada pelo populismo e a irresponsabilidade comandada apenas pelo desejo de poder. Não havia mais como Dilma se sustentar-isto era notório-mas, se esperava que o processo fosse menos traumático para se ter mais estabilidade. Não foi. Os governantes de plantão não queriam largar o osso, de jeito nenhum, e o que se viu foi a tentativa desesperada, inclusive de tentar criar um primeiro ministro por decreto, para manter o que era insustentável. Até o fim a expulsão de Dilma foi marcada pela chicana e o desrespeito à lei. A manutenção dos seus direitos foi o ápice da demonstração de que somente se importavam com eles mesmos e seus desejos de poder. E nem com o despejo se conseguiu ter, até o momento, a estabilidade desejada para se voltar a crescer.

Este ano também, com a Lava Jato, se chegou ao ponto máximo da tentativa de se descaracterizar a política, a democracia como única forma razoável de governo. A chamada “Delação do Fim do Mundo” é o termo final da chamada política petista de provar que “todo mundo é igual e corrupto”. Não é. Mesmo na corrupção há graus diferentes. A realidade é que não serve ao País, nem serve à boa política a divulgação de que todo mundo recebeu dinheiro para as eleições. A questão real é como veio o dinheiro? De onde saiu? Do governo, da Petrobras. Então, onde estão os que comandaram a corrupção que não aparecem? Estão se divulgando os beneficiários. Ou seja, estão cuidando dos efeitos. Não das causas. Não defendo quem pegou, mas, vamos começar por quem fez de fato a corrupção-isto é que é o correto. De qualquer forma, a grande realidade é que o País avança. Chegamos ao fim do ano com a inflação sendo controlada, os juros tendendo a baixar e a economia a crescer. Toda reconstrução é sempre mais difícil. Mas, quando olhamos para este ano, embora fique nos devendo mais, contudo, é um bom recomeço, com todos os problemas que tivemos. E Viva 2017! Que nossas esperanças se consolidem para termos um futuro melhor. 

quinta-feira, dezembro 29, 2016

A MAIOR DÍVIDA DO GOVERNO TEMER


Há os que, e são tanto as viúvas do antigo regime sindicalista, como os esquerdistas de plantão, que não dão crédito nenhum ao governo de Michel Temer. Estes somente querem por Temer para fora. Mas, existe a grande massa dos brasileiros que, evidentemente, não tem nenhuma adoração por Temer, porém, entendem que seu governo é o mal menor; que fosse quem fosse colocado, pegaria uma situação muito difícil de administrar, que teria que tomar medidas duras e tentar consertar a maior recessão já herdada de um governo, esta sim, uma herança maldita.
Não é fácil se sair bem numa situação assim, mas, Temer tem sido habilidoso. Claro que não pode ser, nem de longe, o santo que exigem dele, nem o diabo como o pintam. Mas, tem a seu favor que tem procurado tomar as medidas necessárias, ajustar as contas públicas e retomar o crescimento. Neste ponto é que reside sua maior dívida. Entre as medidas que tem tomado muito pouco fez em relação à burocracia. E a burocracia no Brasil é uma praga histórica herdada dos tempos da Colônia da qual nunca nos livramos. Só lembro de um esforço sério do ministro Hélio Beltrão.
A burocracia brasileira é o maior exemplo do processo de Kafka, o escritor. No Brasil existe complexidade para tudo, inclusive para pagar tributos. E o que dizer de empreender? De abrir uma firma? O brasileiro tem uma tendência sim de ser empreendedor, até por necessidade, mas, é sufocado por processos desnecessariamente complicados e demorados. A burocracia brasileira é um imenso buraco negro criado por uma legislação cruel, adminstrada com rigor por abnegados funcionários públicos e privados, em que não se leva em conta os interesses dos contribuintes ou clientes, mas, sim a lei do esforço mínimo, da falta de zelo e da acomodação. Veja o exemplo do imposto de renda. Já é um absurdo ter que se declarar para pagar, pois, é do governo a obrigação de buscar as informações. O pior é que, para se ter acesso a um documento de pagamento, é preciso dar o número do CPF, fazer uma senha, gerar um código que requer os números dos recibos dos dois últimos anos, ou seja, não se leva em conta as dificuldades, nem o tempo das pessoas. Mas, apesar desses supostos cuidados, os dados dos contribuintes vazam...E, muitas vezes, não se consegue pagar o imposto em dia por falta de acesso. E não é só no setor público. Um grande banco, quando se perde ou esquece a senha, não tem jeito de criar uma nova. Só é feita na matriz. Ou seja, é possível se passar vários dias sem ter acesso a sua conta, com seu dinheiro inacessível, por injunções burocráticas. Nem vou falar de reclamações, de telefones, de obter o crédito das milhas que se tem direito e, nem vamos falar do que é necessário para se obter um empréstimo. O mais irônico é que tantas exigências, tanto na esfera pública quanto na privada, surgem sob a desculpa de que são para dificultar as fraudes e os crimes. E, quando esses acontecem, o que se sabe é que, para os criminosos, as coisas correram com uma velocidade que nem se imaginava possível! Na verdade, o que se atesta é que, ao se presumir que todos, em princípio, são criminosos, a burocracia eleva o custo das transações exigindo de todos um preço alto em nome dos desonestos. É um preço alto e uma inversão dos valores democráticos. É claro que o “jeitinho brasileiro” nasceu disto. É tanta exigência que sempre se procura burlar. O Governo Federal precisa, na medida em que não há, no curto prazo, meios de diminuir os impostos, nem baixar o desemprego e os juros, pelo menos, atacar a burocracia para melhorar o ambiente dos negócios. Esta é, hoje, a grande dívida do governo de Temer.


Ilustação: Alec. 

sexta-feira, dezembro 09, 2016

A INEVITÁVEL DUREZA DA RESPONSABILIDADE FISCAL


O debate sobre a atual situação política brasileira é muito pobre. E estamos presos num círculo vicioso. É pobre porque carece de qualidade nas pessoas que compõem o parlamento, mas, é mais pobre ainda por causa das pessoas que também estão fora dele, de muitos que opinam, e não estão preparados nem entendem o mínimo sobre as necessidades do país. Infelizmente, o Brasil é um país desigual. E desigual em todos os sentidos não apenas da riqueza econômica. Devo dizer que me assusta muito mais a desigualdade da educação que elevou a postos básicos das instituições pessoas sem nenhum preparo, sem nenhuma noção da complexidade que está envolvida nos processos sociais. E pior, como não compreendem a complexidade, resumem-se a colocar a culpa nos outros seja FHC, seja o capitalismo, seja Temer ou qualquer um que possa virar um ser maligno para as massas. Assusto-me com pessoas que pensam que pensam; que confundem as ideias amparados pelo que Marx chamaria, sem dó nem piedade, de marxismo vulgar. A falsa noção de que pensam que falam e lutam pelos pobres, pelos despossuídos. Ou, mais grave ainda, de que bradar chavões em nome dos pobres os fazem donos da verdade e capazes de melhorar a vida de quem quer que seja. 
Se, como é fácil de perceber, o problema brasileiro se encontra no histórico de desigualdades sociais que possui, e nem mesmo com programas governamentais têm sido superados, é preciso compreender a razão pela qual o Brasil não atinge altos níveis de desenvolvimento. E, neste sentido, ao contrário do que pregam as esquerdas, não é por não preencher eficazmente as necessidades sociais de sua população. Aliás, se é verdade que tivemos, no regime militar, uma visão de desenvolvimento restrita, no sentido de Amartya Sem, que ressaltavam o aspecto econômico, como a produção, o nível de consumo e a tecnologia, com o pensamento de que o desenvolvimento  aparecesse como consequência do desenvolvimento econômico, nós, depois com o PT, passamos pelo dissabor de provar a concepção de não ser possível também se desenvolver via estado assistencialista e corporativista, nem mesmo amparado no marketing do atendimento ao “pobrezinho”.
Todos os especialistas em desenvolvimento sabem que não se faz desenvolvimento sem um governo com as contas equilibradas, sem instituições que funcionem, sem estabilidade para o mercado e para os negócios, sem empreendedorismo e sem educação. É verdade que a qualidade de vida e a inclusão social são alavancas do desenvolvimento, porém, o indivíduo, a livre iniciativa é sua base. Por esta razão, os que, hoje, se levantam, contra o ajuste das contas públicas, muitos pensando que estão na vanguarda de dias melhores, são, efetivamente, a massa de manobra dos aproveitadores e míopes que não veem que o mundo mudou. Não existe mais dicotomia entre sociedade de mercado e estatismo. Todo estatismo, comprovadamente, é uma forma disfarçada de ditadura. E  quem acha que é possível um mundo fora do capitalismo, pelo menos nos próximos cem anos,  ou quer se dar bem ou precisa rever o que anda bebendo ou cheirando. Sonhar é bom, mas, é preciso enfrentar a realidade de que, depois da farra de consumo e a utopia dos últimos treze anos, é preciso fazer o dever de casa. E o essencial dele é ter responsabilidade fiscal. Quem deseja um futuro melhor, e luta contra, está dando um tiro no pé. Não existe exemplo de país que cresça e se desenvolva sem as contas públicas equilibradas. Ser contra isto-independente de ideologia- só comprova a mais completa falta da mínima formação econômica.


quarta-feira, novembro 30, 2016

UMA RELAÇÃO COMERCIAL MUITO DELICADA


As relações do Brasil com a China terão, a partir de agora, uma dura prova. É que, na atualidade, 80% das medidas antidumping do Brasil são contra a China mesmo este país sendo o maior importador de bens brasileiros. Acontece que, como a adesão de Pequim à Organização Mundial do Comércio (OMC) e ao sistema multilateral do comércio, foi realizada em 2001, agora, o processo, previsto para durar 15 anos, termina no próximo dia 11 de dezembro. Até então, um país que se considerasse afetado por um dumping de produtos chineses pode aplicar uma taxa extra cobrada nos portos contra o bem importado e se utilizava como parâmetro os preços praticados dos produtos de outras partes do mundo para demonstrar que os chineses estavam agindo de forma desleal.
No entanto, a partir do dia 11, a China já sinalizou que espera que esta regra mude e que os governos apenas comparem os preços chineses com outros do mesmo país. Na prática, impor uma barreira ficará mais difícil. E, mais do que isto, os chineses pretendem que todos os seus parceiros comerciais o tratem como qualquer outro, o que significa menos chances de se adotar barreiras comerciais. E, para tornar a questão mais complicada, os diplomatas chineses já deixaram claro esperar do Brasil uma posição de "aliado", principalmente diante dos compromissos assumidos por ambos no Brics. Em suma: a China está pressiona o governo brasileiro para que passe a tratar suas importações como faz com o resto do mundo e a considerar o país como economia de mercado. E isto já tem sido tema de reuniões ocorridas em Pequim e em Brasília. O certo é que os chineses já avisaram que não vão aceitar mais que seus produtos enfrentem determinadas barreiras.
E aí que o bicho pega. Afinal já no ano passado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI)  avisou ao governo que não se poderia mudar o  tratamento dado aos chineses sob pena da indústria nacional, que não peca por bons resultados, ficar numa posição mais difícil ainda para competir com as importações chinesas. A posição do governo brasileiro, até porque a exportação para a China, e a necessidade de obter seus investimentos, é fundamental, tem sido ambígua. Por um lado, o ministro de Indústria e Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, afirma que vai cumprir os compromissos com os órgãos internacionais, mas, mesmo afirmando que o setor industrial brasileiro está se adaptando às mudanças, diz, aos setores industriais, que estão avaliando novos mecanismos de proteção que terão de ser criados. É o que se chama de um abacaxi diplomático. E daqueles acrianos, bem grande mesmo.



quinta-feira, novembro 24, 2016

A NECESSIDADE DE UMA POLÍTICA DE ENERGIA SOLAR


É, de certa forma, um feito e, visto por outro ângulo, uma grande contradição, que a Alemanha seja o país com maior capacidade de potência fotovoltaica,  conversão da energia do sol em eletricidade, instalada no mundo. Lá, que não é um país igual ao nosso, que se destaca pelo sol, os painéis fotovoltaicos estão espalhados por toda parte. Em média por ano, a Alemanha consegue suprir mais de 20% das suas necessidades de eletricidade por produção fotovoltaica.
Há razões sólidas para isto. Em primeiro lugar os alemães, o que inclui, políticos e empresários, compreendem a importância de produzir energia limpa e de reduzir as emissões de CO2, bem como o desastre da Usina Nuclear de Fukushima, no Japão, o país resolveu encerrar as atividades de suas centrais nucleares, e acelerou o interesse pela produção de fontes renováveis, em especial pela energia do sol. Desde 2.000, o governo oferece subsídios para quem quer instalar placas. E quem paga a conta dos subsídios? Uma sobretaxa na conta de luz de quem não usa energia limpa. Assim o cidadão que gera sua própria eletricidade, além de economizar, ainda vende o excedente para os vizinhos a preços competitivos.  Lá deram ao programa o nome de energiewende (guinada da energia), conjunto de ações do governo para reduzir emissões. Com isto o país a aumentou em mais de 300 vezes sua geração de energia solar em cerca de 10 anos e se tornou líder global no quesito-o país possui 36% de todas as placas fotovoltaicas em operação no mundo.

Como se sabe está se tornando cada vez mais fácil instalar este tipo de energia. Mesmo no Brasil já é possível ver painéis solares fotovoltaicos, que são dispositivos compostos por células solares, que captam a luz solar e convertem a energia do sol em eletricidade, instalados em quaisquer superfícies livres como telhados, fachadas e coberturas de estacionamentos. A captação da energia solar vem se tornando cada vez mais viável devido ao aumento da produção mundial desses equipamentos que produzem energia limpa e renovável. O Brasil possui um enorme potencial fotovoltaico. Basta verificar que, onde temos menos sol, o pior grau de irradiação é 40% superior ao melhor local de irradiação da Alemanha. Além disto, nosso país lidera o mercado de exportação de quartzo em pedra, insumo do silício, elemento principal para a produção de painéis fotovoltaicos. Agora isto não avança sem a adesão popular. Sem que as pessoas entendam que o investimento inicial é, relativamente, mais alto, porém, é muito mais rentável ao longo do tempo. O Brasil, os governos estaduais e municipais, precisam adotar a ideia de investir em energia solar. Na Alemanha, no ano passado, foram gastos US$ 17 bilhões com energia limpa. Suja, ela custaria menos da metade, mas, se estima que, se paga muito mais no longo prazo. Nós, de uma forma geral, precisamos nos conscientizar da importância de gerar energia solar. Os governos precisam imitar o da Alemanha incentivando a energia solar num país que é talhado para isto. Sempre fui um entusiasta deste tipo de energia e fiquei muito contente que, aqui, em Rondônia, tenha surgido uma empresa, a Eletrowatt Solar, com o objetivo de suprir a necessidade de elaboração de projetos e instalação de sistemas voltaicos, atuando, de forma até agressiva, para mostrar que é uma boa forma de economizar e que se trata de um investimento melhor que poupança e CDI. É um sinal de que Rondônia, como em muitos outros campos, possui uma tendência inata a inovar e servir de exemplo para os outros estados. Energia solar é, sem dúvida, um campo onde vale a pena investir. E o Brasil precisa que, no curto prazo, os governos, os empresários e a população invistam neste tipo de energia limpa no qual já deveríamos ter um desenvolvimento muito maior. 

Ilustração: Projeto Fotovoltaico

quinta-feira, novembro 17, 2016

A RIQUEZA DO YOUTUBE


Qualquer discussão, no momento atual, sobre criatividade passa pelas mídias sócias e, por conseguinte, o YouTube ocupa uma posição privilegiada seja nos mercados de produção de mídia, seja no futuro da cultura digital. É verdade que, como o futuro está em formação e sempre nos surpreende, há a possibilidade de que, como outras mídias de sucesso, como já aconteceu no passado, surja algo totalmente inesperado e enterre sua importância, mas, aparentemente isto não aparece no horizonte visível.
A razão mais forte é a de que o YouTube tem crescido cada vez mais não somente na questão do consumo, mas, também como um espaço de produção e, mais ainda, como um espaço dinâmico de inovação e de entretenimento que incorpora, crescentemente, comunidades de fãs que não se importam com a lógica dos mercados de produção de mídia.  Isto colabora para que apresente uma imensa diversidade de narrativas tanto as mais sofisticadas, que não somente recompensam a atenção como acabam se tornando virais, como mesmo aquelas que, menos produzidas, apresentam algum aspecto peculiar que chamam a atenção, seja da massa do público, seja de públicos segmentados. Isto torna o YouTube, de certa forma, uma plataforma que atende a todos os usuários, a todos os gostos. Até mesmo a falta de uma classificação adequada, de títulos que enquadrem os vídeos, parece colaborar para que as audiências aumentem, pois, não existe um comportamento padrão nem desejado para as produções e audiências. Tanto se assiste o que se quer, como se posta o que se deseja. Assim o YouTube é usado de maneiras diferentes por consumidores diversos e surge como um modelo híbrido de cultura popular, por meio de sua produção amadora, de seu consumo criativo, mas, também permite que os profissionais a usem sem o menor problema e todos com satisfação de suas necessidades.

O que se percebe é que se trata de uma  plataforma que fornece acesso à cultura ao mesmo tempo que permite aos seus consumidores atuar como produtores E tal amplitude se transforma na grande riqueza do site que é uma fonte permanente de diversidade ao alcance  de todos ou quase todos. Por esta razão também o YouTube já tem seu lugar na história e, apesar do futuro incerto da mídia, da participação cultural e do conhecimento, enquanto as condições não mudarem, radicalmente, se não existirem grandes mudanças culturais e econômicas atreladas às tecnologias digitais, à internet e à participação mais direta dos consumidores, não é difícil prever que continuará sendo uma das mais importantes mídias sociais do mundo moderno. 

segunda-feira, novembro 14, 2016

YOUTUBE, UM DOS MARCOS DA REVOLUÇÃO DIGITAL


Não sou um especialista em mídia. Sou, na verdade, um curioso. E um curioso, muitas vezes, vencido por uma indomável preguiça. É, por tal razão, que somente, agora, me ocupo de tatear um pouco, fazer um pequeno esforço mental, sobre um indiscutível fenômeno de nossos tempos que é o YouTube. Claro que, episodicamente, já pensei a seu respeito. Afinal o YouTube faz parte do cotidiano das pessoas reais e dos diversos meios de comunicação e, como a globalização, queiramos, ou não, faz parte de nossas vidas.
Há uma tendência a se pensar o YouTube como  um depósito de vídeos, digamos assim, para situar melhor, de conteúdo intangível. Penso que é muito mais que isto. De fato, como a grande maioria das pessoas, não somente conheci o site de mídia social por meio de um vídeo e o uso, constantemente, para assistir vídeos, ou que me são enviados por e-mail, em geral por amigos, ou que, por acaso, encontro no FaceBook ou nos blogs em que clico, atrás de algum tipo de divertimento ou informação. Devo ter algumas gravações no YouTube, mas, não gravei nem pensei, até pouco tempo, em contribuir para o seu crescimento com uma produção própria.
Isto não significa desconhecer sua importância como um elemento essencial da comunicação moderna. Significa apenas que sou, até certo pouco, o que se chama de um BIOS-Bicho Ignorante de Sistemas Operacionais. O certo é que, apesar de um fã de cinema, de vídeos, um seguidor de séries, um curtidor de imagens, exceto com a fotografia, e, certamente, de uma forma sofrível, jamais consegui criar alguma coisa que, a meu ver, passe de amadora. É claro que os amadores possuem vez no YouTube (cães, gatos, pancadas e bêbados também), mas, me considero ridículo o suficiente para não acrescentar novos motivos para provocar sorrisos.
Quando penso no site o que me salta aos olhos é sua capacidade promocional. Ainda que os seus aspectos de relacionamento social não sejam poucos significativos. Mas, o que me espanta mesmo é que seja, como é, um dos maiores sintomas do que chamamos de cultura participativa. O Youtube, mais do que qualquer outro tipo de mídia social, me parece que gerou, inconscientemente mais para os usuários que as empresas, modificações nas relações de poder entre os segmentos de mercado da mídia e seus consumidores.  Mais que isto: abre um canal para, qualquer um participar ativamente da criação e circulação de novo conteúdos, o que produz novas configurações econômicas e culturais. Apesar de ser de uma empresa hoje (Google), no entanto, não deixa de ser um site incômodo e contestador (até hoje não gerou lucro), o que lhe dá aspectos potencialmente libertários. Nos debates que se travam a seu respeito ninguém sabe para onde vai, porém, não se pode negar que, cada vez mais cresce de importância, e é um difusor notável do que se chama de cultura popular. Pode-se discutir o seu valor, e até a legitimidade de certos sucessos que produz, todavia, impossível negar que, como o mundo moderno, se nos causa mal estar é devido à sua diversidade e fragmentação. Isto é ruim ou é bom? Fico com Einstein.