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quarta-feira, outubro 24, 2007

O LEGADO DE LORD PETER BAUER

Faz falta, hoje, no Brasil um grupo de bons economistas que tivessem incorporado as idéias do professor da London School of Economics e especialista em questões de desenvolvimento e pobreza, Lord Peter Bauer. Qual o grande conhecimento de Bauer? Efetivamente aquele que mais faz falta especialmente aos petistas no poder, a noção exata do que propicia o desenvolvimento. Por aqui, não poucas vezes, me vêem como um feroz opositor de Lula da Silva e me comparam a Diogo Mainardi ou Reinaldo Azevedo. Sempre digo menos, menos. Mainardi possui uma particular aversão a Lula e ao petismo e tem um prazer quase mórbido em retalhar com precisão. Azevedo se aproxima muito mais de um pensamento conservador do que sou capaz, embora não possa deixar de admirar a coerência de seus argumentos. Com ambos concordo plenamente que Lula, e por conseqüência, o PT são o atraso. Fora isto sou um conciliador. Não sei ficar com raiva muito tempo e procuro pensar e construir, de modo que passou o tempo em que servia para oposição. Costumo ver os dois lados e relativizar. Devo ter algo errado, bem sei, e se, às vezes, pareço ferozmente anti-petista é somente por culpa única e exclusiva dos métodos que adotam de esconder os erros, de negar a realidade, mistificar e, na maioria das vezes, procurar desqualificar quem faz críticas e não responder as que são pertinentes. È a famosa política de que todo mundo é igual e já fazia, logo somos o bastião da moralidade.
Esqueçamos o PT. A questão é Lord Bauer que defendia serem as oportunidades e os lucros privados a chave para o desenvolvimento e não, como muitos pensam, os burocratas com especialidade, os planos de governo. Bauer, no Brasil, mandaria esquecer o PAC e se concentrar no fato de que o desenvolvimento se baseia nas pessoas terem desejos e atitudes adequadas e que o sistema político e legal permita que esta busca se realize com sucesso. Em outras palavras, nada de políticas voltadas para a desigualdade de renda via políticas paternalistas, assistencialistas que tratam os pobres como coitadinhos. Não se consegue erradicar a pobreza com esmolas nem ajuda, mas sim com oportunidades. Neste sentido a criação de um país melhor não passa pelo Bolsa Família ou pela defesa de direitos inócuos e sim pela educação e criação de um ambiente adequado à iniciativa privada. Bons governos, portanto são os que asseguram os direitos de propriedade, a validade das regras e contratos, torna todos iguais perante a lei, reduz a inflação ao mínimo e mantém os impostos progressivos e baixos.
Antes que os urros se levantem é isto mesmo: Bauer diria que a questão do Brasil é menos governo e não mais governo. O governo no país está presente em tudo e a tudo atrapalha e tudo o que dele depende é ruim, tem corrupção e não se desenvolve. Como desenvolver mais aumentando o tamanho da ineficiência? O que Lula e sua equipe ainda não aprenderam é que o governo somente deve cuidar de suas funções fundamentais e se der liberdade ao mercado o país cresce por um passe de mágica. Se trata de fazer o país ser capitalista, é claro. Porém, existe outro caminho?

LUXOS E MORDOMIAS DOS QUAIS NÃO SE FALAM

O Peleguismo em xeque
Num golpe de astúcia o deputado Augusto Carvalho transformou uma operação corporativista numa polêmica e na oportunidade ímpar de acabar com uma injustiça quase centenária contra os trabalhadores que são obrigados a pagar para que sindicalistas façam política e vivam sem trabalhar. Apenas colocou uma emenda que pretende tornar o pagamento da Contribuição Sindical facultativo. Ou seja, a partir do instante em que a legislação entrar em vigor, cabe ao empregado, no exercício dos seus direitos, decidir se paga, ou não, a contribuição.
Como sabe quem for estudar, embora não se diga que é um imposto, está taxa foi criada com o nome de Imposto Sindical, em 1939, e transplantada para a CLT em 1943, depois sendo reciclada pelo regime militar em 1976, com o nome de Contribuição Sindical. É, por natureza, uma contribuição involuntária, obrigatória e corporativista que, infelizmente, as Constituições de 1946 e 1988 não conseguiram erradicar. Claro que o peleguismo sindical tenta impedir que os assalariados recuperem a prerrogativa, gozada até 1940, de dizer se estão dispostos, ou não, a arcar com os custos de entidades artificiais e de dirigentes eternizados à frente de sindicatos, federações e confederações.
Os sindicalistas profissionais acostumados ao bem bom dos recursos que lhes chegam sem esforço, que inclusive pagam luxos e mordomias desproporcionais aos serviços que prestam, estão, agora, assanhados diante da perspectiva de ter que submeter-se ao teste mais objetivo de liderança e confiabilidade que pretendem ter, ou seja, como os políticos comuns terão que buscar votos sem contar com apoio de estruturas que lhe proporcionam ônibus, alimentação, carros de som e outros aparatos por conta do suado dinheiro do trabalhador que, muitas vezes, não tem a menor idéia de que os alimentam nem sabe que se perpetuam na inexistência de oposições, nas eleições manipuladas que são proporcionadas pelo dinheiro obrigatório, caudaloso e fácil.
O melhor da proposta do deputado é que se harmoniza perfeitamente com o princípio de livre associação contido na Convenção 87 da OIT, e nos artigos 5º e 8º da Constituição. Na verdade absurdo mesmo é que o sindicalismo seja agraciado com recursos públicos, de um lado, quando, de outro, na regra expressa no artigo 8º, I, da Constituição é vedado ao poder público “a interferência e a intervenção na organização sindical”, da mesma maneira que se encontra impedido, em nome do Estado de Direito Democrático, de interferir na livre manifestação de pensamento, de crença religiosa, de opção político-partidária.
Criou-se, desta forma, uma monstruosidade que é a de que as organizações sindicais puderam, inclusive, como tem feito muitas vezes, intervir nas questões contra as posições do governo utilizando recursos que dele aufere. Nada contra ser contra qualquer governo, mas governo nenhum deve sustentar organizações que, como se tem visto, nos últimos tempos, acabam por influir, de forma decisiva, no jogo democrático e, não raro, contra a democracia.

segunda-feira, outubro 15, 2007

PERDIDOS NA SELVA


A Cegueira Ambiental
No começo deste mês de outubro ambientalistas de nove organizações não-governamentais lançaram uma proposta para acabar com o desmatamento na Amazônia em sete anos. A iniciativa, recebeu o nome de Pacto Nacional pela Valorização na Amazônia, prevendo metas progressivas de redução, a começar por 25% no primeiro e no segundo anos, e ampliando anualmente as reduções em relação à área desmatada de 2005/2006, até eliminar totalmente o problema no sétimo ano. A grande inovação da proposta seria uma compensação econômica para quem se beneficia do desmatamento. O mecanismo deveria funcionar de forma simples sendo oferecido ao dono de uma área que ainda tem direito de desmatar R$ 100 por hectare/ano que ganharia por não derrubar a floresta. A Imazon e as outras ONGs, signatários da proposta, estimam que para financiar os mecanismos e a infra-estrutura inicial para implementá-la seriam necessários R$ 1 bilhão por ano, que poderiam ser pagos pelo governo e pela inciativa privada. A iniciativa recebe também o apoio das ONGs Instituto Socioambiental, Greenpeace, Instituto Centro de Vida, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, The Nature Conservancy, Conservação Internacional, Amigos da Terra-Amazônia Brasileira, Imazon e WWF-Brasil.
È outra proposta destinada ao fracasso. Embora ataque de frente a causa: a questão econômica. Há um grave erro no diagnóstico dos que se dizem ambientalistas que decorre do juízo que fazem sobre a Amazônia. Não compreendem que faz muito tempo que a Amazônia deixou de ser uma terra vazia. Mesmo nas áreas que se dizem públicas, e devolutas, isto não é uma realidade, pois são palcos de disputas de interesse e se esquecem que o Estado brasileiro, autoritariamente, arrecadou as terras de seringalistas que a mantinham imemorialmente. Assim ficam raciocinando sobre “povos da floresta” que não tem significação na realidade amazônica. Quem domina a Amazônia é o migrante que tem a ambição do desenvolvimento, o desejo de produzir, crescer, ficar rico. Não serão míseros R$ 100,00 nem a oferta de bolsa qualquer coisa, que os impedirão de querer crescer e, na visão, deles é o gado, a soja, a madeira, talvez o café que possam lhe trazer o bem-estar. Enquanto o governo não raciocinar como oferecer ciência e tecnologia, incentivos e formas alternativas para que suas ambições sejam satisfeitas será inútil, ou mera perfumaria, a fiscalização e programas de faz de conta. A verdade é que o mercado pode mais que o governo e uma população acostumada a ter o governo contra si irá sempre gerar desenvolvimento, mesmo a qualquer preço, apesar das divagações e programas de gabinete que desconhecem o fato de que temos uma selva povoada por pessoas ávidas de progresso. A cegueira é a mãe do desastre da nossa política ambiental.

domingo, outubro 07, 2007

UM ESTADO MUITO PESADO

O Grande Erro
O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário-IBPT informa que, dezenove anos depois da promulgação da Constituição Federal, a legislação brasileira foi acrescida de 3,6 milhões de novas normas. Em síntese são feitas duas novas normas por hora! Deste total, 148.577 foram editadas no âmbito federal com a maior parte delas (97%) provenientes do Poder Executivo, ou seja, na prática, é quem também legisla. É uma prova cabal de que o Poder Legislativo brasileiro está paralisado, e o Executivo, supre e supera quem deveria ser responsável pela edição de normas. E, no máximo, o Judiciário tem servido como bombeiro da irracionalidade do Executivo, mas, para o público e os empresários deixa muito a desejar na defesa da sociedade.
Em parte tal situação foi provocada pela própria Constituição de 1988, que transferiu poder para o Executivo por meio da Medida provisória, que se mostrou pior que o decreto-lei, na medida em que deu mais poder ao Executivo tornando o Parlamento apenas o local de debate apenas do que não é relevante. E não se pode dizer que os parlamentares não aceitaram passivamente este papel na medida em que, mesmo reconhecendo o perigo representado pelas MPs para a função legislativa, não o trataram com a necessidade de regulamentação que um instrumento tão importante deveria ter. Assim colaborou para seu próprio esvaziamento. Um Executivo muito forte, no entanto é um desserviço à democracia e um convite ao uso imoderado do poder como, hoje, se demonstra até com a sugestão, por parte de figuras do partido do governo, de fechamento do Senado considerado “inútil e oneroso”.
É claro que, hoje, não existe no mundo uma legislação tão sistemática e complexa como a brasileira, que acaba impedindo a realização de negócios, o exercício da cidadania e o desenvolvimento do País. A grande realidade é a de que, no Brasil, o peso do Estado sobre a sociedade sempre foi demasiado e, agora, trata-se de um momento em que, ao contrário do que pregam os discursos governistas, é tremendamente exagerado. Não apenas pela quantidade de normas, que asfixiam a sociedade, como pelo excessivo peso da carga tributária como também pelos péssimos serviços que o governo devolve em troca dos impostos que arrecada.
O grande erro da filosofia petista de governo, ainda associada à visão antiga de esquerda, é pregar mais estado quando já há estado demais. E um estado ineficiente que, reconhecidamente, gasta mal e sempre mais. Como não estamos num estado socialista é flagrante que somente poderemos crescer com o crescimento da sociedade civil, com o incentivo à iniciativa privada. Na contramão da modernidade se procura, cada vez mais, impor mecanismos de controle quando o país precisa, de fato, é de incentivos à iniciativa privada e ao empreendedorismo. O Estado, hoje, no Brasil é um fator não de progresso, mas, efetivamente, um empecilho ao crescimento e à modernidade.

quinta-feira, outubro 04, 2007

EH! VIDA DE GADO!

O EFEITO PREVISÍVEL DO CHOQUE DE GESTÃO
Já houve um tempo em que um certo sr. Lula da Silva possuía preocupações com eficiência da máquina pública, com aumento de salários e qualidade de serviços. È claro que nos tempos em que era candidato. Naqueles tempos a saúde, que era melhor do que é hoje, não era de “primeiro mundo”, os professores e funcionários públicos tinham razão em cobrar aumento de salários, existia excesso de funcionários e de mordomias e o governo era muito, mas, muito mesmo, mal administrado por não resolver os problemas que eram todos urgentes.
O candidato de ontem feito presidente aumentou, os dados são do Ministério do Planejamento, entre dezembro de 2002 e dezembro de 2006, o número de funcionários de 809.975 para 997.739, ou seja, 187.764 servidores a mais e, se fizermos uma continha, vamos verificar que, em média, foram contratados no seu governo 128 funcionários por dia. Uma expansão modesta de 23,2% em quatro anos. No seu governo o total de funcionários dos três poderes alcançou, em dezembro passado, a quantidade de 1.116.002 servidores na ativa, 203.810 a mais do que em dezembro de 2002, quando foi de 912.192, por sinal o menor contingente desde 1990. A massa de funcionários atual é a maior desde 1995, quando os poderes tinham 1.033.548 servidores. E o crescimento do quadro de pessoal foi de 8%. Agora Lula da Silva diz que “É preciso parar com a mania de achar que contratar gente é inchaço da máquina”. E se prepara para, em 2008, contratar, por concurso, mais 56 mil servidores. Ora, como Lula enviou ao Congresso um projeto de lei que limita o crescimento da folha de pagamento da União em 1,5% ao ano acima da inflação, logo se pode deduzir que pretende aumentar a quantidade de funcionários públicos mantendo-os na miséria salarial contra a qual tanto bradou no passado. Claro que isto não atinge seus “companheiros” todos comissionados que tiveram aumentos recentes dignos de parlamentares.
Diz Lula que contratar mais gente é choque de gestão. Pode ser também construção de curral eleitoral e esperteza. Para ser choque de gestão mesmo seria necessário não quantidade de pessoal, mas qualidade. E qualidade profissional, boa administração, diminuição da corrupção, criação de equipes, métodos adequados e eficiência não se consegue sem trabalho e sem determinação. Só palavras e maus exemplos, por mais pessoas que se contrate, não farão a burocracia estatal funcionar bem. As pessoas esclarecidas têm certeza de que se trata de empreguismo, de inchaço, de abertura de lugares para seus apadrinhados. Certeza que provém da constatação diária do excesso de funcionários nas repartições públicas e da existência de funcionários fantasmas em grande quantidade, inclusive nos gabinetes de altas figuras públicas. Há também a certeza de que “nunca antes na história deste país” um governo nomeou tanto, criou tantos ministérios, pendurou tanto sua patota nos cabides das repartições, fez tanto aparelhamento político-partidário da administração pública. De uma coisa somente se tem certeza: o recolhimento do dízimo, inexoravelmente, vai aumentar.

quarta-feira, outubro 03, 2007

TEMPOS E COSTUMES

O SIGNIFICADO DE UM JANTAR
Sei que se há uma coisa certa é que o futuro, hoje, não tem mais nada com o passado. Não sou saudosista e, de fato, não me lembro de bons tempos, embora já tenha havido tempos melhores e piores. A questão real, entretanto, é que, numa era que se diz da informação, haja um domínio tão grande e tão permanente da desinformação. Por exemplo, a palavra jantar. Se considerarmos um dicionário qualquer on-line iremos ver escrito lá que jantar vem do Latim. jentare, almoçar; s. m., uma das principais refeições do dia, que é tomada ao fim da tarde; iguarias que a compõem;antigo tributo enfitêutico;tributo que as povoações pagavam aos reis para sustento da sua comitiva, quando iam exercer justiça; v. tr., comer por ocasião da principal refeição; v. int., tomar essa refeição. Porém, podem ter certeza, esta concepção é antiga.
Só descobri isto quando o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp, para tentar acalmar os ânimos dos peemedebistas resolveu reunir num jantar os "franciscanos" e os "cardeais" da legenda. Raupp anda cheio de boas intenções. Quer reunir a bancada dividida, quer manter o partido coeso para evitar novas rebeliões que coloquem em risco à votação da PEC-Proposta de Emenda Constitucional que prorroga a CPMF-Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira até o ano de 2011. Como se vê algo de extrema relevância para o governo. Ôps, mas isto não é contra o povo? Esqueçamos. O fato é que Raupp enviou convite a 19 senadores do PMDB-incluindo o presidente do Senado, Renan Calheiros- mesmo admitindo a impossibilidade de conseguir promover a união integral dos peemedebistas no Senado, posto que senadores como Jarbas Vasconcellos (PE) e Pedro Simon (RS) declararam independência e desejam, por motivos sobejamente conhecidos, distância do presidente Lula da Silva. Bom esta divisão entre os senadores peemedebistas de "franciscanos" e "cardeais" é uma classificação feita por aquele notável senador que parece um Sansão moderno, inclusive nos modos um tanto rústicos, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) em razão de que, segundo ele, os "franciscanos" (será “é dando que se....) não se conformam com o tratamento do governo à bancada do Senado e acusam o Palácio do Planalto de dialogar somente com os "cardeais" da legenda, como os senadores José Sarney (PMDB-AP), Romero Jucá (PMDB-RR) e Roseana Sarney (PMDB-MA).
Como se vê jantar, agora, pode significar, por exemplo, pretexto. Mas as mudanças de significado não param por aí. No citado pretexto, digo jantar, além dos pratos rolou, segundo consta, as demandas insatisfeitas que incluem, como seria de se esperar, coisas santas como partilhas de ministérios, cobranças de cargos, verbas e promessas. De modo que jantar, agora, pode ter significados muito mais profundos do que se poderia esperar, inclusive o de que se trata de um tipo de refeição cujo prato principal depende de ignorar toda e qualquer indignação pública e fazer fisiologismo explícito. Ou seja, jantar pode, com um pouquinho de esforço e acomodação, virar amostra. Amostra de falta de vergonha.

segunda-feira, outubro 01, 2007

O ENTREGUISMO OFICIAL

È impressionante a omissão da imprensa brasileira sobre os assuntos que afetam diretamente a soberania da Amazônia. Nem gosto de tocar na questão absurda, imoral, antibrasileira das concessões que tende, agora, a se concretizar, se os rondonienses não se erguerem contra a entrega da Flona do Jamari a grupos estrangeiros. Aliás, região que, bem se sabe, é rica de minérios. Agora um outro assunto tem merecido mais atenção fora do que dentro do país. Trata-se de decisão do ministro da Defesa para expulsar brasileiros não-índios da região da Raposa Serra do Sol, em Roraima, situada junto às fronteiras com a Guiana e a Venezuela. Ação que seria feita neste mês de outubro, pela Polícia Federal, com a participação de 500 agentes, já se tendo certeza que haverá resistência armada da população local.
È um completo absurdo. O estranho ainda mais é que as pessoas que se colocaram contra esta monstruosidade, como o general Maynard Santa Rosa, ex- secretário de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa, que declarou-se taxativamente contra a invasão, foram demitidos. E não foram poucos, pois, comenta-se que o mesmo aconteceu com os membros da Abin, em especial o seu diretor-geral, Marcos Buzanelli, e o gerente em Roraima, cel. Gélio Fregapani, bem de importante cargo no Ministério da Defesa o general Rômulo Bini Pereira. É um modo rápido de ser expelido de um cargo ser contra esta intervenção que, inclusive, inquieta as Forças Armadas brasileiras que consideram isto uma missão antinacional e desonrosa.
A medida é tão esdrúxula que nem os índios, em especial os macuxis que são maioria, todos aculturados desejam a separação do território até porque, em parte, vivem do comércio com os moradores lá existentes. No entanto são entidades estrangeiras a serviço dos donos do poder mundial, decididos a monopolizar a riqueza mineral do subsolo da área que impõem à retirada das pessoas que já, em abril de 2005, foi impedida pelos próprios índios. Como é aceitável expulsar moradores brasileiros de suas terras por não serem índios? Agora tirar os estrangeiros de lá com ação fartamente documentada não tiram. O que é tanto mais perigoso quanto anunciado no último dia 12 de setembro de 2007, a Assembléia-Geral das Nações Unidas aprovou a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, adotada em 26.06.2006 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU. Ninguém liga isto, é claro, a existir organizações pedindo dinheiro recursos em nome dos ianomâmis, recém-emancipados. E que já existe um governo ianomâmi no exílio, presidido por um norte-americano de Massachusetts, com Parlamento de 18 membros, sob a presidência de um alemão do qual faz parte um índio brasileiro. Ou seja, há um circo armado para montar uma nação indígena na fronteira e o governo quer expulsar os brasileiros para ajudar a internacionalizar a Amazônia? È o entreguismo oficial.

domingo, setembro 23, 2007

É PRECISO REAGIR

A VERGONHA FLORESTAL
Só há uma palavra correta para o anúncio da primeira concessão de florestas a ser feita pelo governo federal. E esta é o celebre bordão de Boris Casoy: “É uma vergonha”. Depois da queda, o coice. Depois da absolvição de Renan Calheiros desmoralizando o Senado nada pior para o país que esta entrega silenciosa e definitiva da Amazônia. O grande geógrafo Aziz Ab’Saber, presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência SBPC, brasileiro de indiscutível saber e mérito posicionou-se duramente contra o Ministério do Meio Ambiente pela licitação da primeira área pública para concessão, a Floresta Nacional-Flona do Jamari, em Rondônia. Suas palavras:“Tenho absoluta certeza que o exemplo, mais uma vez, mostra que o Brasil continua não sabendo gerenciar sua floresta. Estão, agora, privatizando a floresta. Não pensam no futuro. Tenho raiva da ignorância ambiental que existe nesse governo. Estou indignado”, frisou Ab’Saber. Aos 83 anos, confessou ser esta uma das “maiores tristezas” de sua vida. Ele está triste. Agora perguntem como estou que considero a medida safada, anti-nacional e uma porta aberta para se perder o controle da Amazônia. A resposta é impublicável.
Na verdade sempre fui contra a política adotada no Meio Ambiente que é surda, cega e insensível à nossa realidade. Basta verificar que, quando alguém deseja plantar alguma coisa, há toda a sorte de impedimentos que vão desde de que pode plantar e não conseguir retirar até o fato de que a burocracia e as interpretações das leis ambientais deixam qualquer empreendimento ao sabor do dirigente de plantão e, afora os custos exorbitantes de atender as leis, a preocupação existente se situa apenas na fiscalização. O resultado todo mundo vê, embora as estatísticas escondam, o desmatamento avança na medida em que o governo não pode com a iniciativa privada nem com a devastação ilegal.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ao anunciar o processo de licitação de 1 milhão de hectares de florestas públicas, diz que “Todas as inverdades sobre a Lei de Gestão de Florestas Públicas estão agora sendo desconstruídas”. Não dá para levar a sério. Este tipo de concessão é somente falta de patriotismo, de visão ou até mesmo um modo de servir a interesses pouco claros. Utilizar uma medida desta como forma de “resolver” a questão da preservação é criminoso.
Na verdade é um meio de impedir o acesso dos locais (que jamais terão condições de participar contra grandes grupos externos ou cumprir a burocracia que se impõe), mas, o que jamais pensei foi que, logo, a primeira área pública a ser licitada fosse aqui, na Floresta Nacional-Flona do Jamari, em Rondônia. A unidade de conservação do Jamari tem 220 mil hectares de extensão, dos quais 90 mil hectares serão concedidos, mas, não é, como muitos pensam, uma área sem ocupação. Não importa. Importa é que nós, rondonienses, não podemos e não devemos aceitar este verdadeiro estupro de nosso território. A meu ver é hora de fazer um movimento contra esta licitação entreguista e anti-nacional. Se querem entregar algo aos estrangeiros é melhor, então começar licitando o Ministério do Meio Ambiente e uma porção de parlamentares que aprovam este tipo de lei. Se a ministra acha tão boa a medida devia começar pelo Acre.

sexta-feira, setembro 14, 2007

A RELATIVIDADE DAS ANÁLISES

A Imprensa Ideal
Seria até engraçado se não fosse doloroso, mas, até mesmo alguns jornalistas tidos como “sérios” embarcam na tese furada, que tem sua origem no filósofo petista Wanderley Guilherme dos Santos, de que “a imprensa no Brasil é um partido político” porque, segundo ele, “se considera indestrutível porque resiste à democratização, à republicanização do Brasil” (sic), por culpa da “capacidade que a imprensa tem de criar movimentação popular, de criar atitudes, opiniões, independentemente do que está acontecendo na realidade”, ou seja, para ele, “a imprensa brasileira tem a capacidade de gerar crises, instabilidade política”. Este poder seria derivado da concentração das notícias em grandes jornais e revistas e da TV Globo.Para Wanderley, este poder é utilizado contra o governo Lula da Silva por suas “prioridades óbvias”, supostamente sua atenção “as classes subalternas”, o que irrita e “faz com que aumente a disposição da imprensa para acentuar tudo aquilo que venha a dificultar e comprometer o desempenho do governo”.
Não se pode negar ao emérito professor sua capacidade de elaboração de teses. O problema talvez esteja na memória, na leitura ou na ideologia. Na própria imprensa também grassa uma outra vertente da mesma tese que é a de que a imprensa estaria julgando, sendo, ao mesmo tempo, “delegados de polícia, promotores públicos, juízes, júri e carrasco”, ou seja, estaria extrapolando suas prerrogativas de consciência nacional e praticando excessos porque, nas palavras de alguns, “a opinião publicada não é a opinião pública”. Engraçado é que, no passado, quando o PT acusava sem a mínima prova, quando na ânsia de cortar cabeças insistia em criminalizar qualquer ato alheio não havia o mínimo questionamento sobre o papel da imprensa que, ao acusar os integrantes do governo FHC por qualquer coisa apenas “exerciam o papel da imprensa livre”. Há!Há!Há!
Ora, a imprensa se alimenta de noticias e, ninguém nega, que, em geral de notícias ruins. A questão é a de que quem a fabrica, nos últimos tempos, quem plantava, e planta, notícias é o próprio governo, o partido do governo e seus integrantes. Nem se precisa lembrar de partidários do PT, membros do MP, que foram punidos por alimentar a imprensa com notícias contra autoridades ou o que a imprensa carinhosamente chama de “fogo amigo”. A grande realidade que não se pode esconder é a de que “nunca antes neste país” um governo fabricou tantos escândalos e, a rigor, a imprensa, que sempre foi de esquerda, alisa mais do que bate e, as empresas, principalmente as grandes, enchem as burras de dinheiro, satisfeitas com o governo Lula da Silva. Se não escondem mais é não dá. Nunca, de fato, a lama foi tão grande e a transparência da Internet deixaria seus meios de comunicação em maus lençóis. A verdade verdadeira é que nunca houve uma imprensa tão pouco investigativa e submissa quanto à do Brasil atual. O sonho do governo Lula e de seus ideólogos, porém, é de que tenhamos uma imprensa tipo três macaquinhos: sem ver, sem ouvir e sem falar.

QUE PAÍS!

Uma lição de falta de vergonha
Só há um dado que é pior para o país do que a absolvição de Renan Calheiros: é, sem dúvida, a normalidade com que o resultado foi encarado e a falta de vergonha dos principais atores. Desde que filmaram Waldomiro Diniz, um assessor de Zé Dirceu, próximo de Lula da Silva, pedindo propina para bicheiro, que a norma tem sido a da mais completa impunidade coberta pelo argumento petista de que tudo é somente “caixa 2” eleitoral e que, no fim, todos são iguais, daí que ninguém tem mais ética do que o nosso operário presidente que, no entanto, somente se sustenta com o apoio dos que, ontem, execrava públicamente como o próprio Renan, Sarney, Jader Barbalho, Orestes Quércia e tantos outros.
Neste sentido a salvação momentânea de Renan se constitui apenas numa reprise da gigantesca pizza servida pelos poderes desde 2005, quando permitiram que o presidente Lula da Silva escapasse impune do escândalo do mensalão, sem tentar seriamente o “impeachment”, malgrado a fartura de evidências de sua responsabilidade por práticas delituosas, seja como mandante ou omisso. Neste sentido a não condenação de Calheiros segue a lógica do próprio presidente que, em tempos passados, no começo da crise, afirmou que a primeira mentira exige outras, mais outras e outras até que já não se possa mais cobrir o descalabro que as sucessivas mentiras provocam. Assim, na verdade, o caso Renan é apenas uma reprise, uma repetição das mesmas práticas, inclusive com muitas das mesmas pessoas, pois salta aos olhos que a política foi reduzida a um círculo no qual os fins justificam os meios e os interesses particulares e imediatistas são sempre colocados acima de qualquer interesse público.
O mais triste ainda é verificar que a sustentação dos interesses de um grupo partidário é feita com a benção de banqueiros, rentistas e grandes empresários em detrimento do futuro do país e da maioria dos brasileiros que são condenados à perpetuação da desigualdade por um esquema que utiliza uma roupagem de esquerda e social por meio de um assistencialismo que mitiga, hoje, a subnutrição de milhares sem lhes proporcionar capacidade de obter uma existência digna. O episódio Renan Calheiros somente expõe que os membros do Executivo e Legislativo, em sua maioria, são cúmplices deste estado de coisas e não possuem a menor vergonha de posarem para fotos como marionetes de um governo que não oferece nenhuma opção, exceto o agravamento da doença. Infelizmente se há uma derrota, se houve uma derrota, esta foi da vergonha e do Código Penal.

terça-feira, agosto 21, 2007

OS MEIOS SÃO OS FINS

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO EM CRISE
Os dados mais recentes do IVC-Instituto Verificador de Circulação demonstram que existe uma crise entre jornalões e revistas, especialmente os de maior circulação e tradicionais como os dos irmãos Marinho ("O Globo"), dos Frias ("Folha"), dos Mesquita (Estadão), dos Civita ("Veja") e, por extensão, nos outros grupos importantes do país todo. De um lado é um fenômeno mundial, mas, por outro lado, há o fato também de que, além da falta de escolaridade e de hábito de leitura, esses veículos enfrentam a agilidade e, muitas vezes, a competência de agências e sites de notícias que esvaziam as novidades e, como se sabe, em nossa época novidade é tudo. Basta dar um giro pelas televisões e pela Internet para se verificar que só o novo atrai. Seja um Alemão da vida, seja uma nova geringonça eletrônica ou a descoberta de um rato com dente.
Também não tem nem mesmo surtido efeito as formas com que lá no exterior as empresas procuram enfrentar o problema. As promoções e ofertas mirabolantes de assinaturas do tipo "assine por um ano e ganhe DVD, celular, relógio, etc" não tem tido bons resultados. Há quem diga que se oferecessem bom jornalismo talvez a circulação aumentasse. È possível, porém, na verdade, hoje a segmentação é tanta, as exigências tamanhas, os custos tão altos que se as empresas já não se sustentam com o modelo atual se fossem buscar fazer o que é necessário talvez falissem antes. É verdade que há um exagero em relação à cobertura política, se bem que não se distingue bem qual a diferença entre política e policial, mas o fenômeno-não se pode deixar de acentuar- diz respeito diretamente ao faturamento. Como politizaram as verbas públicas e os grandes impérios de mídia estão recebendo menos publicidade direta do governo e muito mais de forma indireta o fato real é o de que, sempre que não são contemplados como entendem que devem ser, utilizam a arma do ataque pesado ao governo.
No fundo uma reação do tipo você me espreme aqui então lhe espremo lá. E isto é feito de forma sorrateira. Tão sorrateira que a "Meio & Mensagem" on-line, afirma que os gastos dos órgãos da administração direta caíram 64%: de R$ 771 milhões para R$ 278 milhões. O problema maior, talvez, resida, justamente, aí: o que era visível passou a ser feito de modo invisível. Não é que o governo Lula da Silva gaste menos com publicidade-o que se verifica quando se somam os valores globais- é que, de fato, gasta muito mais, porém, controlado a partir do Palácio grande parte das despesas é feita por campanhas das empresas e autarquias. Também o governo tomou iniciativas como as de intervir no mercado publicitário, sob alegações de saúde, restringindo as propagandas de bebidas e cigarros que atingiram, e podem atingir ainda mais, os meios de comunicação. Há analistas que não vêem isto como um acaso. Entendem que “nunca antes neste país” se procurou ter um controle tão grande sobre o jornalismo, principalmente, político que é feito por diversos meios, sejam financeiros ou judiciais. O fato é que assim como a política o jornalismo tem perdido visivelmente qualidade.

sexta-feira, agosto 17, 2007

CANSADO JAMAIS

São muitas as pessoas, inclusive da melhor qualidade e formação, que insistem em dizer que não se deve discutir política, religião ou futebol. Os dois últimos temas, de fato, são escolhas pessoais (mas nem assim menos discutíveis) e se pode até mesmo passar uma vida inteira sem discutir e adotar posições, todavia o mesmo não se dá com a política. Ser cidadão é participar da vida pública. É contribuir para melhorar as nossas instituições. E não há como melhorá-las sem uma discussão sobre seus princípios, sobre as práticas sociais, sobre o Estado e seu controle. A pessoa, por mais culta que seja, que abre mão da política, inclusive muitos dizendo que não gostam dela, na verdade, abre o espaço para que os ignorantes e os mal intencionados a controlem. Isto é muito sensível, por exemplo, na pregação absurda do voto nulo que tomou conta da Internet nas últimas eleições.
É verdade que a Internet é um meio de comunicação maravilhoso. E, igual a todas as coisas, pode ser usada para o bem ou para o mal. Também se constitui, no momento atual, uma forma cada vez mais importante de expressão de opinião. É suficiente para comprovar sua crescente importância a quantidade de mensagens sobre política, na maior parte fazendo críticas aos políticos, aos partidos e o pântano de moral e ética que atravessamos no momento. Há também os conformistas e os equivocados que nos propõem cruzar os braços como protesto (afinal o que todos querem é apenas se dar bem) e os que se dizem cansados da política. Enquanto há vida há política e não é possível se cansar dela. Efetivamente fazem confusão com o péssimo desempenho das pessoas que nos representam muito mal com a necessidade da qual não se escapa de ter boas instituições que impeçam, justamente, que ocupem a vida pública pessoas que não possuem merecimento para tal. Não se muda as coisas com cansaço, mas com ação. Cansado? Jamais. Ativamente político sempre.
E não se pode deixar de fazer política porque ser homem, exercer a política faz parte da vida do homem, ser social por excelência, que dela não tem como abdicar, exceto se exilado ou morto. A mais conhecida, e reconhecida, definição de homem é a de que “O homem é um animal político” que se atribui a Aristóteles. Ou seja, ser homem é por natureza participar do destino da sua sociedade e não há como participar sem tomar posições, sem ser contra ou favor das ações que são feitas pelos políticos e pelo Estado. Neste sentido, não existe meio termo. A não participação também é um ato político. É, no fundo, um consentimento pelo silêncio, pela falta de coragem ou fé na participação, mas, quem não participa, também deixa seu destino entregue nas mãos dos que atuam na política, nas dos que são ativos. Por isto quando não concordo, como é o caso da prorrogação da Contribuição Provisória de Movimentação Financeira-CPMF escrevo, falo, chio e grito contra. É um imposto ruim, ilegal e economicamente nocivo. Podem até prorrogar esta imoralidade, mas, contra o meu mais veemente protesto. Ser cidadão é lutar por seus direitos, protestar, gritar, vaiar...

domingo, agosto 05, 2007

OS CRITÉRIOS TÉCNICOS

Não deixa de ser cômico quando o governo tenta tapar o sol com uma peneira. Outra coisa não foi o fato de, depois do presidente Lula da Silva afirmar que não tem medo de vaias e de ruas, o Cerimonial da Presidência da República aprontar uma solenidade, no Palácio do Planalto, para promover um ato de apoio ao próprio governo. E, com o cuidado, mesmo tendo na lista de convidados prefeitos e governadores aliados e da oposição, de escolher, a dedo, dois petistas para criticar a “elite” e dizer que o povo “aplaude” o presidente. É uma tentativa de minimizar o impacto político de que “nunca antes neste país” um presidente foi tão vaiado.
Embora negue problemas com as vaias Lula afirmou que a oposição e a mídia não iriam emparedá-lo e prendê-lo no Planalto. Mas, o certo é que seus assessores e conselheiros mostram-se cautelosos em marcar novos eventos em cidades com mais de 150 mil habitantes. A solenidade no Palácio é a maior prova. Lula livrou-se da tarefa de visitar 12 capitais nas quais iria anunciar obras do PAC do Saneamento, mas, onde, certamente, o esperavam 12 novas vaias. Interessante foi o esforço, quase heróico, dos petistas escalados em afagar o ego do presidente. O prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho, e a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, recorreram a expressões típicas do presidente como “As elites não colocam em prática uma campanha para reverter a miséria”, disse Carepa, ou “Todos sabem que falamos em nome do nosso povo, e o nosso povo te aplaude”, disse Sobrinho, que, sem boa memória, esqueceu que Lula não pára em Porto Velho por, neste município, ter experimentado uma das primeiras grandes vaias de sua vida pública. O prefeito convidou o presidente a visitar Porto Velho afirmando que “O senhor jamais receberá uma vaia no nosso município, pois não somos traíras”, disse, quase aos gritos. Lula, é claro, não se deixou seduzir. Sabe bem que mais vaias virão e que, ali mesmo, seria vaiado, se não fossem as conveniências.
No seu discurso preferiu dizer que os maiores problemas sociais do Brasil estão nas periferias das grandes cidades, “o centro nervoso da sociedade”, em “que as pessoas disputam lugar com ratos e baratas”. E criticou a imprensa dizendo que "É importante que a nossa gloriosa imprensa registre que nós utilizamos, eu diria, um paradigma técnico, que eu não sei se em outro momento foi feito, pode ser que em algum estado tenha sido feito, em alguma cidade, mas o critério de distribuição dos recursos foi eminentemente técnico e comprometido com os principais problemas de cada cidade”. Se esqueceu, apenas, de mencionar quais foram os critérios técnicos que o fizeram dar enormes aumentos aos DAS e a nomear um político no lugar de um técnico em Furnas. Sintoma de que seu tecnicismo é muito, muito relativo.
(Publicado simultaneamente no Site Gente de Opinião (http://www.gentedeopiniao.com.br/).

AS VAIAS REVELADORAS

Embora mantenha a convicção de que Lula da Silva não tem o preparo necessário para ser presidente não comungo do desejo, nem da pretensão, de retirá-lo do poder a qualquer preço. É verdade que contesto sua eleição. Uma eleição marcada pela deslavada manipulação da imprensa, dos recursos públicos, com o decisivo crescimento do Bolsa Família, gerando os pingentes governamentais, verdadeira reedição do coronelismo oficial. Porém, se não houve, o recurso às vias legais para caracterizar o uso (e abuso) do poder econômico, não me parece lícito sua utilização agora. O que desejo deixar bem claro é que sou contra o radicalismo. Não se pode construir dividindo a nação.
No entanto, desnorteado pelas vaias consecutivas, o presidente operário tenta caracterizar quem reclama contra os escândalos de seu governo, sua inoperância, sua inação de “direitistas” ou de “golpistas” chegando ao cúmulo de, em Cuiabá, afirmar que se trata de um movimento pequeno, mesquinho e comparou a política a um casamento que não deu certo. E, numa total incoerência, comparou os manifestantes que o vaiaram aos que apoiaram o Golpe Militar de 1964. Para Lula, as pessoas que o vaiam estão incomodadas com a democracia. “Esta gente que pensa assim fez a Marcha com Deus pela Liberdade que resultou no golpe, levou João Goulart a renunciar e levou Getúlio Vargas ao suicídio”. Bem, a falta de conhecimento histórico, de capacidade de discernimento poderia inocentar o presidente, mas, há contra ele seu indiscutível conhecimento político e sua malícia que não tornam a afirmação senão um crime contra a própria Constituição na medida em que classifica como golpistas os que não aprovam seu governo. Aqui vale lembrar Ruy Barbosa que escreveu: “Odeio as combinações hipócritas do absolutismo dissimulado sob as formas democráticas e republicanas; oponho-me aos governos de seita, aos governos de facção, aos governos de ignorância; e, quando esta se traduz pela abolição geral das grandes instituições docentes, isto é, pela hostilidade radical à inteligência do país nos focos mais altos da sua cultura, a estúpida selvageria dessa fórmula administrativa impressiona-me como o bramir de um oceano de barbárie ameaçando as fronteiras de nossa nacionalidade.”
Lula da Silva é incapaz de conviver com a divergência e a elite, ou seja, com a democracia e o melhor do país, com a nata que, entre outros, inclui intelectuais, artistas, políticos, magistrados, militares, advogados, lideranças, cientistas, enfim os que pensam. Gosta mesmo é do puro aulicismo, dos pelegos que batem palmas sem pensar nem discutir. Como, os que pensam e não se venderam por trinta moedas, hoje, são contra ele, pela sua completa falta de gerência, quer caracterizar quem não concorda com seu governo como anti-povo. Não é isto. Quem está contra Lula é a vanguarda do país. São os que se mobilizam para restabelecer a confiança popular nas instituições da República. E não aceitam que, em nome do culto à personalidade, o país continue caminhando para o atraso. As vaias são uma prova de que existe vida inteligente no Brasil.
(Publicada simultaneamente no Rondonotícias (www.rondonoticias.com.br).

domingo, julho 29, 2007

O FUTURO DAS VAIAS ANUNCIADAS

Embora FHC até hoje negue que tenha dito “esqueçam o que escrevi” que o PT transformou em símbolo de seu comportamento, hoje, em dia parece que quem tem amnésia geral em relação a todas as suas lutas antigas é o Partido dos Trabalhadores. E a amnésia parece ser recorrente, pois abarca até mesmo o mês passado. Basta ver, por exemplo, que pretenderam vender a absurda idéia de que a uníssona, gloriosa e contundente vaia dada no Maracanã ao ex-esfaqueado e, agora, mais “aéreo” do que nunca operário-presidente teria sido ensaiada, a partir de César Maia, com servidores municipais. Não conseguem encarar de frente o choque de realidade. Lula da Silva, no entanto, sabe muito bem como sua reeleição foi duramente conquistada não se ilude mais.
Tanto que não foi ao Rio de Janeiro, no final do Pan, nem foi ao Rio Grande do Sul que, previsivelmente, o esperavam para repetir a apoteótica ovação.
A esperteza do marketing oficial, então, depois da solidão, de deglutir da forma possível a indigestão do vomito popular sobre ele, resolveu ir lançar o Plano de Aceleração do Crescimento-PAC cercado de todas as garantias em Aracaju, terra de um dos petistas mais avaliados, no Nordeste onde a farta de distribuição de bolsas famílias, supostamente, o livraria de novas vaias. Todo cuidado como se observou foi inútil, embora a segurança tenha eliminado faixas que, certamente, incomodariam a visão, aliás, pouco utilizada de nosso timoneiro. Até em Sergipe as vaias o perseguiram demonstrando bem que se o seu partido e ele esquecem as promessas há muita gente que não se esquece do que prometeram e não cumpriram.
O que Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores esquecem, em primeiro lugar, é que há uma grande massa de primeira hora que deu sempre todo o apoio ao PT e a Lula e os encaram como grandes traidores. Isto ficou visível quando, no mês passado, uma manifestação da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal-Condsef, foi recebida, com parlamentares do PT e PCdoB, para solicitar pedir negociações entre servidores e governo. Já na época cinco categorias representadas pela Confederação estavam em greve (Ibama, Incra, Cultura, Datasus e CNEN). Houve o protesto realizado no Palácio do Planalto pelos servidores do Incra que foi respondido por Lula com a necessidade de se aprovar o projeto que quer regulamentar o direito de greve. Ou seja, respondeu com dureza aos desejos de negociação. E as greves e protestos só reivindicavam que o governo cumprisse os acordos firmados com as categorias em 2005 e que até o presente são solenemente ignorados. Em Sergipe, portanto, foram os servidores públicos que deram os primeiros sinais de sua insatisfação. A imprensa afirma que somente onze vaiaram. Há!Há! Não falam da enorme operação que tiveram que fazer para impedir que Lula da Silva tivesse outra vaia história nem que tiveram que reprimir e levar o presidente por outros caminhos para que não recebesse os apupos vindos da insatisfação popular. Agora vão ver que as vaias vão ser sim organizadas. Os insatisfeitos aprenderam o caminho.

quarta-feira, julho 25, 2007

SERÁ QUE VAI DAR CERTO UMA BOA IDÉIA?


UMA 51 NO MEIO DO CAOS
Quando, depois de um final de ano conturbado pelo “apagão aéreo”, se pensava que as coisas iriam, enfim, voltar à normalidade do passado, verificamos que isto, de fato, vai custar a acontecer. E o fizemos da pior forma. Por meio de uma tragédia que vitimou mais de 200 pessoas causadas pela explosão do AirBus da TAM no qual ficou explícito, no mínimo, uma grande falta de previsão, de dirigentes sérios. Se dúvidas houvesse o gesto obsceno do assessor internacional do Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, delatou, de forma inequívoca, o nível de gente a que estamos subjugados. Em qualquer ocasião seria um gesto reprovável, mas, neste contexto, um prato cheio para a mídia e para sermos, em prosa e versos, vendidos como atrasados e ignorantes no mundo inteiro. Para completar não faltou nem mesmo uma pane em radares dos Cindacta-4 da Amazônia com retorno de aeronaves internacionais e novos riscos de colisão de aeronaves na região amazônica. Hoje, sabemos que não houve o devido cuidado na escolha dos dirigentes do setor aéreo e, na verdade, não só dele. É fruto lamentável do que sabíamos de antemão: Lula não estava, e não está, preparado para governar o País. Porém, como ainda é o presidente, pode, pelo menos, ouvir mais.
Neste sentido, no meio de todo este caos, uma boa idéia foi levantada pelo secretário de Transportes do Estado do Rio, Júlio Lopes, que fez umas contas por alto e defende que o custo da construção de um novo aeroporto é mais do que a metade do que seria gasto na implantação do trem bala Rio-São Paulo. Disse Lopes que "Um novo aeroporto não sairá por menos do que algo entre R$ 5 bilhões e R$ 7 bilhões. Não é só construir a pista e o terminal. Será preciso fazer o acesso rodoviário e ferroviário para ligar o aeroporto a São Paulo, já que ele não deve ser construído a menos de 100 quilômetros do centro da capital paulista e de outros centros. Isso custaria mais R$ 1 bilhão ou R$ 2 bilhões". O custo estimado da ligação ferroviária Rio-São Paulo é de US$ 9 bilhões (cerca de R$ 17 bilhões), mas a grande vantagem do trem é a de desafogar o trafego aéreo, começar a mudar a opção brasileira de transportes e, por fim, poder contar com investidores internacionais, inclusive com o apoio da China que tem uma indiscutível competência no setor ferroviário. E, com a vantagem adicional de que os trens podem ser tão ou mais confortáveis que os aviões e não precisam parar com chuva ou neblina. É ótimo que o governo do Rio tente influenciar o governo federal a trocar o projeto de construção de um terceiro aeroporto em São Paulo pela adoção do trem de alta velocidade, principalmente para o usuário que poderá ter o embarque e desembarque no centro das duas capitais e tarifas menores e, para o país, que pode começar a dar uma guinada para o transporte ferroviário.

domingo, julho 22, 2007

BIODIESEL- A NOVA ENERGIA DO INTERIOR

Foi uma iniciativa vitoriosa, principalmente para a Prefeitura Municipal de Ariquemes, o "Encontro Intermunicipal de Biodiesel-A Nova Energia do Interior", no último dia 13 de julho, que congregou políticos e técnicos para discutir as possibilidades e lançar um projeto intermunicipal para viabilizar o uso do biodiesel em Rondônia, especialmente na região da Grande Ariquemes, que envolve os 13 municípios em volta. O encontro foi excelente para mostrar que a alternativa tem amplas condições de dar certo, porém envolve uma reestruturação do programa em nível governamental. A política energética nacional do biodiesel, centrada na inclusão da pequena propriedade familiar, cerceia os investimentos privados na medida em que, hoje, o biodiesel é feito a partir da soja e os outros tipos de cultura disponíveis são de custo muito mais elevado retirando a competitividade do combustível obtido. Não se pode assim embarcar na onda de euforia sem frisar que se há um aspecto bastante descuidado é o relativo ao mercado. Ainda mais quando fontes governamentais dizem que não haverá mais leilões de compras de biodiesel. Isto nos leva citar o caso da Oleoplan SA – Óleos Vegetais Planalto que inaugurou uma usina de biodiesel em Veranópolis, no interior do Rio Grande do Sul e já possui capacidade ociosa. Até agora, a usina forneceu 10 milhões de litros de biodiesel à Petrobras – o que equivale a 15% da produção prevista anual e será difícil vender para outros setores dado que o produto é cerca de 35% mais caro do que o diesel tradicional. Este fato foi que, na ocasião do Encontro, no painel que participei, procurei ressaltar. Efetivamente é o chamado mercado obrigatório, constituído pela Lei nº 11.097/05 que estabelece os índices de 2% até 2008 e 5% até 2013 para ser misturado com o diesel que cria um mercado, porém, com as 23 plantas existentes e em implantação, que já poderão produzir 928 milhões de litros, o mercado oficial já se encontra saturado. O outro mercado possível, o das empresas de transporte coletivo e de cargas encontra sérios problemas por causa do custo mais alto do combustível alternativo. Sobra, portanto como opção o mercado externo, que hoje se concentra na União Européia, no entanto não se pode esquecer que este já é o maior produtor da atualidade e que, por adoção de uma política agrícola protecionista, isto impede uma maior exportação brasileira para o bloco. Por tudo isto já se cobra a antecipação, de 2008 para este ano, da adição obrigatória de 2% de biodiesel ao diesel comum e os produtores querem que esse índice suba logo para 5% até 2010. De qualquer forma é preciso ter cuidado. O biodiesel pode ser uma ótima opção, mas ainda exige um tratamento da cadeia produtiva, uma reformulação do programa com atenção aos impostos e consolidar o mercado. Enfim, como em muitas outras coisas, o papel do governo é essencial e sua ausência sentida.

terça-feira, junho 19, 2007

PROTESTAR É PRECISO...

NADANDO CONTRA A CORRENTE
O poder, no mundo moderno, é invasivo. Diluindo as fronteiras entre o trabalho e o lazer, entre a casa e o escritório, entre o público e o privado, efetivamente, penetrou em todas as esferas da existência, e, numa mágica às avessas, mobilizou inteiramente o homem para se alienar pela busca incessante de mais riqueza, mais poder, mais ter. Assim o corpo, a afetividade, o psiquismo, a inteligência, a imaginação, a criatividade não são postas em prol do bem-estar próprio e geral e sim de uma filosofia invertida em que o que importa é ganhar dinheiro, ter sucesso a qualquer custo fechando os olhos para a miséria e a decomposição em volta. Porém, nenhum homem, ou sociedade, é uma ilha. Somos, cada vez mais, uma aldeia global, daí que ao violar, invadir, colonizar os outros em seu proveito os donos do poder plantam as sementes do seu próprio mal-estar. É impossível ser feliz num mundo totalmente desequilibrado.
Talvez, para piorar ainda mais as coisas, especialmente no Brasil, o poder está nas mãos dos que menos possuem preparo para exercê-lo e, como a inteligência é bem distribuída e os medíocres cientes de que somente pela força podem governar, o uso dos mecanismos de controle, como o capital, o Estado, a mídia e as instituições, tomam formas difusas que moldam a forma de pensar das pessoas. O poder, infelizmente, se exerce por dentro vendendo, por exemplo, a convicção de que a política é ruim, que todos os políticos são iguais, que todos roubam e que não vale a pena lutar por um mundo melhor. E como todos são iguais o negócio é se locupletar do que é possível. Como, para a grande maioria, é impossível ler através dos fatos o que o poder leva é ao conformismo, à vidinha sem objetivos nem grandeza, sem sonhos enfim.
É o que se prega, no momento, no Brasil que todos nós fiquemos conformados em ser homens-múmias. É certo que fora do sarcófago, mas devemos aceitar que este é o melhor dos mundos possíveis, que o Brasil nunca esteve tão bem, que, agora, não devemos ter pressa, que os 0,01% de aumento e os 2,8% de crescimento (aumentados por alquimia) é o máximo que se pode ter. Ao mesmo tempo que, por ações da Polícia Federal, se comprova que tudo é uma porcaria, que todo mundo é corrupto, até pelo exemplo de cima de adultério e de venda de bois, o melhor mesmo é a indiferença política que vem pela exaustão da luta. Afinal não vale a pena. Chegamos ao melhor que se pode chegar...Mas, nós, brasileiros, seres criados para o prazer e a felicidade, criadores do carnaval, não podemos aceitar ser o que o poder quer. O poder quer homens docilizados, inconscientes, vegetativos, conformados que digam sim. E nós, que não desistimos nunca, que, ontem, dissemos não ao poder centralizado e brutal, agora, diremos também não, ao descentralizado e mais brutal ainda. Não somos uma manada. Somos um povo. E, contra os anti-povo de direita e de esquerda, ainda iremos fazer deste país uma democracia de verdade.

O FANTÁSTICO CIRCO DA MÍDIA

Com a perda de dinheiro que os meios de comunicação enfrentam se, antes, já não existia, agora, é que não existe mesmo mais o tal do “jornalismo investigativo”. É pura conversa para boi dormir. As redações, seja do que for, possuem pouca gente (e sem grande experiência) para ir atrás das notícias e são pautados, ou seja, vão somente atrás do interesse do momento que, em geral, é o assunto dominante, daí a razão de que quando se fala do Vavá é só do Vavá, se do Renan é só do Renan, de Luana Piovani ter chamado Caetano de “banana de pijama”, é só de Luana ou, para ser temático, do aquecimento global.
Logo também o famoso "furo", a descoberta de uma notícia antes dos outros, só acontece movido por interesses. Normalmente quando uma fonte oficial, ou não, despeja um dossiê para atingir alguém por motivações políticas ou econômicas. É, sem tirar nem por, o que acontece agora com o festival de vazamentos de informações das operações da Polícia Federal ou com o circo da “venda” dos bois de Renan Calheiros. Claro que o senador não pode ser considerado nenhum santo, porém é muito suspeita a ânsia de investigação da acomodada e pacífica Rede Globo que, de repente, se torna investigativa. Está na cara que não é. Certamente é fruto dos adversários locais, ou federais, inconformados, quando ficou evidente a pizza, que partiram para quebrar a blindagem, por sinal frouxa, do presidente do Senado. Se absolverem, se arquivarem o processo contra Calheiros é o mesmo que dizer que se pode fazer qualquer coisa, mesmo documentada, que o Congresso absolve.
Na verdade, hoje, jornalismo investigativo virou isto: ações de pessoas ou grupos envolvidos numa briga qualquer vazam informações para a imprensa visando atingir seus adversários. A imprensa buscando afirmar a imagem de "independência" acaba sendo massa de manobra, se deixa manipular, por algumas manchetes sensacionalistas. Os policiais, como estão com a mão na massa, também ganham projeção com tais escândalos, vide elogios e o alto conceito em que a PF anda, de forma que o sucesso da formula está se espalhando tanto que até as policiais estaduais resolveram também aderir e uma exorbitou prendendo 2.532 pessoas num só dia. Pasmem 2.532 pessoas! Imagine como serão tomados os depoimentos (e quando), onde serão alojados e qual a justificativa para prender tantos de uma vez só! Agora que as manchetes estão asseguradas não há dúvida. E, de fato, durante algum tempo o circo da mídia deve ser alimentado por depoimentos, indícios & cia ltda., porém, como tem sido norma, o difícil será tomar conhecimento de punições, pois, na prática, fora as breves e rápidas prisões, as sentenças, como o jornalismo investigativo, não existem. É só mesmo jogo de cena e alimento para o circo. Que país!

terça-feira, junho 05, 2007

KLEDIR RAMIL

O ARTISTA VISÍVEL
Fui, no Teatro Um do SESC, para o lançamento do livro de Kledir Ramil, “O Pai Invisível”, uma série de crônicas em que Kledir, de forma dinâmica e informal, relata as situações cômicas e surrealistas pelas quais um pai moderno tende a passar. No caso específico as que ele mesmo passou com os filhos adolescentes. Com maestria compara os períodos diferentes, ao relembrar seu próprio tempo de garoto, quando o ritmo e a posição do pai era outra. Kledir tem um estilo espirituoso, uma forma engraçada de contar histórias que são comuns e, ao mesmo tempo, únicas, dos problemas entre pais e filhos. Não há como não se identificar com o tema que é atual, difícil, complicado o que, mesmo com o tratamento jocoso, fica explícito a seriedade com que encara sua missão de passar algo de sua vivência. A tese que defende é ótima: se no início de suas vidas os filhos dependem dos pais para tudo, quando chega a adolescência, esquecem que o pai existe, e a impressão é que ele se torna um ser invisível. Mas, na verdade, não é bem assim: volta e meia será lembrado justamente quando gostaria de ser esquecido – para a carona de madrugada, para pagar o cinema, o tênis importado, levar os filhos e a galera num passeio que é a maior roubada. Pai é uma espécie de lona que não deve ser percebida enquanto o filho não erra o trapézio.
Kledir Ramil, um gaúcho torcedor do Internacional, nascido em 1953, consagrou-se na música com a dupla Kleiton & Kledir, tendo sido um verdadeiro ícone da modernidade das palavras, talvez gauchescas, porém que influenciaram toda uma geração. Impossível não lembrar de sucessos maravilhosos como “Deu pra ti”, “Nem Pensar”, “Paixão”, “Vira, Virou” e “Maria Fumaça” entre tantos outros. Não sabia muito sobre sua vida passada, nem presente, pois, a dupla desapareceu do cenário nacional, numa certa época, não sei se recolhido mais ao Rio Grande ou se a vida os levou por outros projetos. Sei que reencontrar Kledir, agora como escritor, foi um momento agradável sobre vários aspectos. Trata-se de um artista, de fato, preocupado com seu fazer e seu mundo, uma verdadeira antena da raça, que é de uma grande empatia com o público mesmo fora do espaço musical. Provou ser polivalente e até mesmo teatral, no melhor sentido do termo, ao saber explorar sua própria figura seja nas vídeocrônicas, seja no debate com o público, ao criar momentos de beleza, de descontração e até mesmo de surpresa ao apresentar o público o último tipo de videogame japonês, o bilboquê, aquele brinquedo de madeira que se deve encaixar numa ponta, conhecido por nós, embora não encontrável nos dicionários, como currimboque que, como rapaz de boa cepa, achou meio pornográfico. Não importa. Importa que Kledir é um talento multifacetado, embora, como música seja música, gostaria também de tê-lo ouvido cantar, embora lembrar “Churrasquinho de Mãe” de Teixeirinha, para nossa geração e adjacências, seja um plus. Viva Kledir! Que volte outras vezes ás margens do Madeira!

sábado, maio 05, 2007

NÃO SE FALA MUITO A RESPEITO DA....

A VIOLÊNCIA SILENCIOSA
São cada vez maiores, no mundo atual, os sinais de violência contra o outro. E a violência maior, na maioria das vezes, é invisível na medida em que, se uma morte por bala perdida causa comoção e horror ou, como recentemente, na Paraíba, um grupo de bandidos usa mais de cinqüenta pessoas como reféns para estabelecer uma barreira humana, afim de escapar da polícia, nos faz ver como os bandidos chegaram a uma audácia sem limites, o fato repercute, mas resulta das pequenas (e grandes) violências que se cometem no dia à dia.Isto, no entanto não acontece por acaso. È fruto do que a ex-juíza Denise Frossard alegava, numa entrevista a Marília Gabriela, que há a violência maior do uso do Estado contra o cidadão negando ou usurpando os seus direitos.
É preciso, aqui, relembrar que violência, derivado do Latim violentia, quer dizer qualidade do que é violento, ímpeto ofensivo, veemência, tirania, abuso de força e opressão, ou na sua forma jurídica, o constrangimento exercido sobre uma pessoa para a obrigar a fazer ou a deixar de fazer um ato qualquer, coação no seu sentido estrito. Assim entendido quem tem maior possibilidade de coagir? O governo, é claro. E se é um governo que não atende as classes mais esclarecidas, que não trata como iguais os cidadãos comuns, se divide a sociedade em classes e trata certas classes com evidente má vontade, desrespeito e até perseguição, enquanto concede benesses a quem julga necessário dentro de uma concepção própria de poder “republicano” isto é ou não uma violência? Assim como é ou não uma violência estimular a luta pela terra para que os sem terras arranjem um pedaço de terra para ingloriamente produzir com desvantagens imensas ate que o desânimo os leva sempre a serem expulsos de seus lotes? Ou não é uma violência, por exemplo, negar licenças sistematicamente para os grandes projetos de desenvolvimento da Amazônia? Ou impedir que madeireiros retirem madeira de áreas florestais enquanto se vendem grandes áreas para empresários externos? Ou, simplesmente, adequar a saúde dos pacientes do SUS aos recursos? Ou, dizer que não há filas na Previdência quando só atendem um número determinado por dia?
A violência, portanto é parte integrante de nossa realidade diária. Não é, com certeza, privilégio do governo atual, porém, com seu viés socialista de botequim, exacerbou-a num nível nunca antes visto neste país. Basta verificar o ministro da Previdência, apesar de reconhecer que o déficit no setor é do governo, desejar diminuir a pensão das viúvas.Ou a manutenção da CPMF ou a criação de um super-receita para cobrar mais por um subgoverno. A violência, portanto não se restringe aos assaltos, drogas, transgressões físicas, morais, sociais, etc... mas é um câncer que corrói o nosso tecido social e só desaparecerá na hora que a Justiça crie consciência que não pode ser um poder ancilar do governo e faça valer as leis para quem mais a desobedece. Quando o parlamento acabar com a excrescência das medidas provisórias. Infelizmente sem modificações nas leis, permitindo que processos contra os governo sejam protelados, se deixa a impressão de que o poder e o dinheiro podem tudo, cria a sensação de um vazio de horizontes, de falta de bons exemplos e até de que a família e a sociedade estão colaborando não só para o crescimento da violência, como para sua cristalização. É preciso dar um basta à violência do Estado e que este assuma suas obrigações de respeitar os direitos privados. Começando, por exemplo, a taxar menos os salários e mais os lucros, inclusive dos bancos.

domingo, abril 15, 2007

A MANIPULAÇÃO OFICIAL

MALABARISMOS VERBAIS
Dizem-lá por Minas Gerais-que muita esperteza acaba sempre por comer o dono. É confiando na sabedoria mineira que vou esperar o desastre que ainda vai acontecer com o presidente Lula da Silva. Afinal, quero acreditar com Lincoln, que não se pode enganar todo mundo por todo o tempo. Veja, por exemplo, o comportamento de Lula no jantar com o PMDB quando se esforçou para limpar a barra de figuras que, num passado bem recente, os petistas só faltavam dizer que era a figura do diabo ou, pelo menos seu enviado. Lula, numa retórica demagógica, perguntou: "Qual cidadão de pensamento progressista em 1974 não votou no Quércia para senador? Quem é o progressista que, em 1978, não votava em Jader Barbalho no Pará para deputado federal?" É um contorcionismo espetacular, mas, o pior, é que a busca da limpeza de barra não pára nas palavras. Autorizado pelo Ministério das Comunicações Barbalho conseguiu transferir a concessão da TV Bandeirantes no Pará da empresa Rede Brasil Amazônia de TV para a firma Sistema Clube do Pará de Comunicação, da qual é sócio. A questão insanável é que a primeira estava imersa em dívidas com o fisco, a Previdência e o FGTS. O Sistema Clube Pará opera num azul de dar inveja. Ou seja, deixaram o mico para o governo e transferiram a renda para Barbalho. Uma maravilha!
Na verdade fatos para colocar Lula na parede não faltam. A questão real é que, como sempre se soube, não há oposição de fato. Quando o PT era oposicionista dominava toda o sistema sindical que era quem se movia para, supostamente, levantar as causas populares. Os sindicalistas ou estão no governo ou estão navegando em berço esplendido somente receando CPIs que mexam com as ONGs ou sindicatos por onde o dinheiro público mantém todos batendo palmas para um governo que somente faz um assistencialismo oficial bastante duvidoso. O “Apagão aéreo” acabou por desnudar o grau de incompetência do governo que, agora, anda cheio de receios com uma nova CPI do caos aéreo tanto que começou a afastar funcionários da Infraero como forma de afirmar que o governo está investigando. Vai ser difícil a oposição engulir por causa do advogado Roberto Teixeira, compadre e íntimo amigo de Lula, que teve um papel privilegiado na venda da Varig. Este é um dos motivos que assusta o governo. Há o temor de que o compadre do presidente se transforme no Paulo Okamoto da “CPI do Apagão aéreo” – Okamoto é o presidente do Sebrae, que pagou uma dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT de forma bastante esquisita. O fato é que a compra da Varig pela Gol, um negócio de US$ 320 milhões, será um dos objetos de investigação da CPI do Senado, que acabou por privilegiar a Gol e a TAM. A convocação de Roberto Teixeira é certa. Resta saber se vão abrir sua caixa preta. Se isto acontecer talvez Lula tenha que fazer malabarismos na sua própria biografia. Basta que a oposição aterrisse e não seja apenas aérea como tem sido e não deixe os malabarismos verbais se transformarem em verdade pela manipulação do poder.

domingo, abril 08, 2007

MULHERES QUE FAZEM DIFERENÇA

ESSAS MULHERES MARAVILHOSAS E SEUS LIVROS INDISPENSÁVEIS
Falar de mulheres é falar de humanidade, de beleza e amor. Isto é mais verdade ainda quando se juntam mulheres e livros. E não consigo falar de livros sem lembrar os maravilhosos versos de Castro Alves:

“Oh! Bendito o que semeia/ Livros... livros à mão cheia.../ E manda o povo pensar!/ O livro caindo n'alma /É germe — que faz a palma, /É chuva — que faz o mar”.

No caso são as “benditas” que semeiam livros. Este texto é, na verdade, um reconhecimento e um agradecimento a três mulheres que, não somente por sua trajetória, como pela dedicação, o esforço e o trabalho de lançarem seus livros estão sedimentando a sociedade e a cultura de nosso Estado como já o tem feito, cotidianamente, sem o reconhecimento devido em suas tarefas diárias. È, de fato, uma louvação a três batalhadoras, guerreiras completamente distintas nas suas personalidades, porém com a vocação e o desejo de ser, a necessidade de criar, de fazer, de influir no nosso meio ambiente e, quando falo de meio ambiente o faço no sentido mais exato, no sentido que não distingue a Natureza da Cultura, que não isola o homem do seu mundo, mas procura dar à vida humana o significado mais profundo da igualdade e da beleza que requer as palavras não para o exercício do poder e sim para se doar ao próximo, pois a verdadeira liberdade consiste em ser livre para realizar o melhor que há em si que é sempre a auto-satisfação dos outros- o único meio real de se prosperar. Não há sociedade boa com violência, dominação e oportunismo.
Pedindo perdão pela digressão volto a elogiar os três livros lançados nos últimos quinze dias. O primeiro deles o de Marlene Rolim, “Gente Que Faz Rondônia-Fatos e Causos”, um livro de reminiscências e pesquisa que resgata uma parte importante da história de nosso Estado. O segundo de Mariluce Paes de Souza, “Governança no Agronegócio-Enfoque na Cadeia Produtiva do Leite”, que estuda uma cadeia importante de nossa economia sua estrutura, seus participantes e desempenho. Uma notável contribuição para melhorar o desempenho do setor. E, por fim, o livro de Carolina Rodrigues da Costa Doria, “Ecoturismo na Amazônia-Alternativa de Renda para as Comunidades Locais”, um exame da viabilidade do ecoturismo que vai além da Amazônia, feito em parceria com Claudia Azevedo Ramos. São sintomas de que Rondônia avança no sentido cultural, mas, principalmente, que a contribuição feminina para isto é, cada vez mais, importante. A estas maravilhosas mulheres os parabéns de todos nós que desejamos um Estado melhor e sabemos que sem cultura não há salvação.

domingo, abril 01, 2007

OLHOS E CÂMERAS TE PERSEGUEM...


PRIVACIDADE É PARA OS ANÔNIMOS
Ser uma figura pública, que muitos almejam, tem suas vantagens e desvantagens. Principalmente para quem possui “problemas” no passado, mesmo que os outros não descubram, é uma eterna lâmina pendente sobre a pessoa. Um caso recente, e didático, é o do escritor Günter Grass que, em agosto passado, pegou os alemães de surpresa depois de confessar seu passado, que omitiu durante cinco décadas, de participação na tropa de elite nazista Waffen-SS. E o fez no seu livro de memórias disparando uma imensa polêmica e o alçando aos primeiros lugares, mas a um custo altíssimo para o prêmio Nobel de Literatura de 1999.
Na autobiografia, Grass contou lembranças da infância em Danzig, as vivências como soldado, o sofrimento da fome enquanto prisioneiro de guerra do Exército americano e o período em Paris, quando transferia para o papel “O Tambor”, seu grande sucesso literário. A narrativa vai até o ano do seu lançamento que se tornou seu primeiro e mais famoso romance. Mas a passagem em que revelou ter feito parte dos pelotões da Waffen-SS foi, sem dúvida, o detalhe que causou todo o alvoroço e as altas cifras envolvidas nas vendagens. A primeira edição desapareceu das estantes em poucos dias, mas, a imagem de Grass saiu bastante destroçada. Agora, no seu novo livro, cujo título é um trocadilho. É o nome pelo qual os alemães chamam o mais ingênuo e atrapalhado personagem da tradição circense, o palhaço dummer August (o tolo Augusto). Günter Grass se mostra, assim, como uma pessoa exposta ao ridículo, acusa a mídia de tê-lo feito de palhaço, de transformá-lo num bobo da corte. O auto-retrato dele com cara de derrotado sob um chapéu pontudo, ilustração para o poema que dá nome ao livro, é um dos desenhos mais expressivos do livro. Mas outra possível tradução para o título é 'agosto tolo', lembrando ter ocorrido no mês "maldito" o escândalo que acompanhou o lançamento, porém nem de leve, agora, há a repercussaão que as quase 500 páginas de Beim Hüten der Zwiebel (Descascando a Cebola, tradução literal, a ser lançado no Brasil pela Record no segundo semestre) alcançou. A recepção da imprensa ao novo livro é fria. Culpar a imprensa, quando os fatos da vida o machucam não é uma novidade propriamente, é, em geral, a forma que todos usam, inclusive os políticos, porém não seriam figuras públicas sem ela. E,efetivamente, as críticas, o destaque dos cadernos culturais dos periódicos alemães, tudo que isto tem sido classificado pelo autor repetidamente como uma “encenação mediática”, uma “tentativa de destruição”, que o “magoou profundamente”, é inerente a qualquer figura que ocupa o centro das luzes. Embora não possa negar que é um processo cruel, para quem o sofre, é preciso ver que ninguém reclama quando o processo é elogioso. Então a questão é que, no mundo moderno, não deixe suas mazelas à vista. Se, por exemplo, for roubar gravatas certifique-se que está no Brasil e que o local não tem câmeras. Quanto mais um pai bater numa filha....

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

O PAC E A AMAZÔNIA

O Programa de Aceleração do Crescimento-PAC consiste num amplo conjunto de ações e de projetos de investimentos na infra-estrutura pública – que, se espera, deve aumentar também os investimentos privados. A expectativa despertada foi de que, na soma dos investimentos públicos diretos (R$ 63,3 bilhões nos próximos quatro anos), investimentos das estatais, financiamentos dos bancos oficiais e investimentos privados, seja alcançado um investimento da ordem de R$ 503,9 bilhões entre 2007 e 2010. Embora muito falado nem mesmo na apresentação do programa houve um detalhamento preciso da participação de cada setor na composição do montante, mas apenas o esclarecimento adicional da participação, em mais de R$ 106 milhões das estatais. Como objetivo final se encontra a pretensão de crescer 5% ao ano destravando a economia e obter um crescimento do PIB de 4,5% em 2007 e 5% ao ano entre 2008 e 2010 - contra uma média de crescimento entre 2% a 2,5 % nas duas últimas décadas. Os críticos dizem- com razão- que o programa não ataca os principais empecilhos ao crescimento- alta carga tributária, péssima estrutura dos gastos públicos e a elefantíase burocrática- mas, de qualquer forma, é melhor ter um plano do que nada.
A questão nossa é quais as vantagens do PAC para a Amazônia? Bem no geral, por setor, os gastos do PAC previstos privilegiam o setor energético com recursos da ordem de 274,8 bilhões, ou seja, mais de metade dos recursos, seguido dos setores social e urbano que abocanham outros R$ 170,8 bilhões. Porém quando se analisam os gastos por regiões se verifica que é no Sudeste que se concentrarão os maiores investimentos R$ 180,5 bilhões (3, 5 vezes o que será aplicado na região Norte) e no Nordeste R$ 80,4 bilhões. O Norte será contemplado com R$ 50,9 bilhões e o Centro-Oeste receberá apenas R$ 24,1 bilhões, ou seja, os dois juntos receberão menos do que a região Nordeste. A questão é que, em termos reais, os projetos que participam do PAC em relação à Amazônia são, de fato, projetos que já estavam programados. A rigor são projetos que estão, temporalmente, atrasados. São projetos de transportes, como as BR-319, 163, 230, 156 e BR-364, no trecho do Acre, que se arrastam por problemas de meio ambiente ou de verbas, bem como os de energia, como o gasoduto Urucu/Porto Velho, as usinas do Madeira, a de Belmonte, Serra Quebrada, linhões e outros investimentos que há muito já deveriam ter sido feitos. Nada de novo, portanto em transportes e energia. E no que tange as áreas social e urbana, além da falta de investimentos concretos e morosidade burocrática, são destinados apenas um percentual de 11, 9% para região com, talvez, mais uns 2 ou 3% advindos dos 8,7% destinados ao Centro-Oeste. Em suma, o PAC, em termos de Amazônia, se resume a uma reafirmação das prioridades do governo federal para a Amazônia. Se houver determinação para implantá-lo pode fazer diferença, mas, para quem acompanha o panorama amazônico, não trouxe nenhum subsídio, nada que se possa dizer enfim a Amazônia mereceu atenção. Neste sentido o PAC, para a Amazônia, é um vazio igual ao que temos sido para o planejamento federal.

sábado, dezembro 09, 2006

SOBRE MEMÓRIAS & ALQUIMISTAS

Um passeio rápido sobre os transformadores da vida no passado
Quem não se interessou em algum momento por alquimia? Eu também tive meus momentos de alquimista assim como enveredei pelo espiritismo, por um xamanismo e acabei, pasmem, por criar o meu induísmo à brasileira. Pois, meus amigos, uma dia já sonhei em ser casto, quis mesmo ser santo...Muito do que estudei nesta época o tempo levou assim como alguns papéis velhos de formulas e receitas foram queimadas por uma empregada ciosa que não compreendeu jamais porque me irritei tanto por ter queimado os papéis velhos que só alimentavam as traças. Muitas memórias perdi assim na vida por falta de um bom hardware, pela ausência de um scanner, alquimias modernas que no passado seriam considerados palavrões. E o micro não deixa de ser uma alquimia bem moderna. Um micro (que funcione) não deixa de ser um milagre humano só equiparável ao celular, que-dizem-serão, em breve, um só ou outro, quem sabe de tais alquimias?
O raciocínio sobre o assunto me veio da lembrança de que os egípcios, antes da era cristã, adquiriram grande habilidade na extração e no trabalho com metais. Até mesmo na coloração da superfície dos metais e na preparação das ligas que imitavam a aparência do ouro e da prata. Na Alexandria estas práticas se combinaram com a astrologia e a magia dos babilônios e com a filosofia dos gregos, daí foi um passo para esta fusão de conhecimento, especulação e misticismo passar para a Síria e a Pérsia e mais tarde, no século VII, para a Arábia. Os árabes pegaram, então a palavra grega chemeia, que se referia à imitação do ouro e da prata, juntaram o artigo árabe al como prefixo, e nos legaram a alquimia. Que tinha uma organização e algumas premissas fundamentais:

1. Toda matéria é composta de uma mistura de terra, ar, água e fogo, em proporções variáveis.
2. O ouro é o mais nobre e mais puro dos metais, seguido pela prata.
3. Qualquer metal pode ser transformado em outro, por um processo chamado transmutação, que consiste em modificar as proporções dos quatro elementos básicos.

Os alquimistas buscavam firmemente a transmutação de um metal básico em ouro, se supunha, podia ser conseguida com o uso de uma substância indefinida, a pedra filosofal. Assim como viviam a procura do elixir da vida e da panacéia. O primeiro a fonte da vida imortal e o segundo a cura de todos os males. Graças a Deus a inocência faz parte de todas as épocas. E naquela, pelo menos, acreditavam em coisas concretas não em palavras. Os alquimistas não podem ser subestimados. Seu trabalho foi, na verdade, a base real dos químicos modernos e fizeram experimentos tão importantes quanto são, hoje, os seqüenciamentos genéticos ou as sínteses de uma nova droga ou fibra. Os alquimistas não eram místicos ou charlatães inevitáveis e muito do seu legado persiste até hoje. Suas tentativas de todas as possíveis combinações das substâncias conhecidas, durante muitos séculos, possibilitou a rejeição das que não interagiam, e o registro lento e metódico das combinações e receitas que fizeram a química evoluir. A Química não seria uma ciência sem os alquimistas que construíram, exemplo, o esmaltamento de louças por Jabir (cerca de 760-815), alquimista árabe que se tornou conhecido dos europeus como Geber. Ele escreveu em seu Livro das Propriedades, que viajou do Oriente para o Ocidente uma receita como a abaixo descrita:

Tome uma libra de litargírio (composto de chumbo e oxigênio), pulverize bem e aqueça suavemente junto com quatro libras de vinagre de vinho, até reduzi-lo à metade de seu volume original. Tome então uma libra de barrilha e aqueça juntamente com quatro libras de água, até reduzir seu volume à metade. Filtre as duas soluções até que se tornem límpidas, e acrescente gradualmente a solução de barrilha à de litargírio. Forma-se uma substância que se deposita no fundo. Jogue fora a água e deixe secar o resíduo. Ele se tornará um sal tão branco como a neve.

Ou seja, como fazer o chumbo branco, utilizado durante séculos na esmaltação de louça e na pintura. Não somente por meio de receita como também por nomear e organizar os elementos os alquimistas deram uma enorme contribuição como foi o caso do que foi considerado o maior dos alquimistas árabes, Rhazes (865-925), cujo nome significa "homem de Ray", uma cidade da Pérsia. Num dos seus livros descreve inclusive qual deve ser o equipamento de um laboratório. Suas sugestões incluem, entre outras coisas os seguintes equipametos e utensílios: forno, fole, cadinho, alambiques, conchas, tenazes, tesourões, tachos, balanças, pesos, frascos, vidros, caldeirões, fogões, filtros, estufas, fornalhas, pratos, funis, banheiras. Talvez, hoje, se classifique um laboratório assim equipado como um covil de bruxa ou uma cozinha, porém, seria muito moderno para época, assim como, hoje, os grandes computadores nos parecem risíveis. E não se poderia subestimar Rhazes que conhecia muitos compostos químicos, incluindo possivelmente os ácidos sulfúrico e nítrico, bem como classificou a matéria como animal, vegetal ou mineral. Os alquimistas não estão chegando, porém, olhando para a nossa realidade, bem que estamos precisando de alguns.

quarta-feira, novembro 29, 2006

A INCIPIENTE ARTE DIGITAL

Um tempo, que me parece longínquo, me considerei um poeta. Uma ilusão talvez. Talvez nem mesmo existam mais poetas e a poesia seja um vicio do passado, de pessoas como o poeta Vinícius de Moraes, um Borges, um Neruda que fizeram com que as palavras contivessem emoção. A palavra, hoje, parece estar despida de sentimento, de teatralidade, de grandeza. Passou a ser um mero adereço do espetáculo. De certa forma a literatura, refém da vida, incorpora as novidades do cotidiano e não pode deixar de ter como matéria-prima a condição humana. Com as profundas mudanças tecnológicas a literatura também mudou, inclusive na forma de ser produzida. Lembro do escritor Joca Reiners Terron, autor de um caso clássico o seu romance “Hotel Hell”, sobre uma cidade degradada, que nasceu de seu blog (http://hellhotel.blogger.com.br/). Bem como livros que são, na verdade, posts de blogs, resgastes puros. Não parecem, porém distantes, na sua grande maioria, de sub-literatura com meu pedido de perdão antecipado para muitos bons intelectuais que os fazem. E, quando se trata de poesia, os produtos parecem piores, degradantes mesmo. Talvez, levando as ultimas conseqüências, a degradação da poesia seja a degradação da vida.
Do público é, certamente. E autor e público se modificaram com as múltiplas, as infinitas possibilidades tecnológicas. A interatividade, as obras coletivas e a comunicação instantânea até mesmo uma certa perda da autoria são fenômenos que ganham força hoje em dia. É possível que, como conseqüência das inovações, a poesia esteja migrando para outros espaços, a literatura mudando de forma e o sentimento de perda, de busca de uma poesia perdida não seja mais do que o anacronismo de um artista do passado que nem tomou consciência de que é um sobrevivente de um mundo que só existe ainda na sua memória. A Internet, imposição e progresso inevitável, com suas wikis e permissões facilitadas se tornou a grande mãe das idéias, a grande usina, a grande difusora de idéias, sejam boas ou não, com um amplo poder de comunicação e de mudança da produção, das técnicas e da estética.
Não vejo muitas coisas novas nem sequer novas técnicas na produção poética. A mídia e o público, com certeza, ficaram menos exigentes, embora existam núcleos muito intelectualizados e pouco influentes. Os recursos tecnológicos parecem ter encoberto a pobreza e até mesmo a miséria do conteúdo artístico. É possível que nos Estados Unidos ou em outros países desenvolvidos, o que se sabe que existe, por exemplo experiências com telas de textos programados, não necessariamente são bons exemplos de uma novidade em arte e nem no Power Point se vê um bom uso da técnica para a poesia. Os meios novos não tem sido bem utilizados para abranger o que se chama de arte ou da percepção do mundo dos artistas que parecem ainda pré-digitais. No fundo se existir a arte digital em literatura ou poesia parece ainda não ter um estatuto digno de ser percebido e difundido. A arte digital, pelo menos no que conheço, ainda me parece anêmica.

quarta-feira, novembro 22, 2006

AS FLORES DO EMPREENDEDORISMO

OU UMA REALIDADE EM MUTAÇÃO
Duas forças modernas praticamente desmontaram a capacidade dos trabalhadores de ter a mesma força de reivindicação do passado. A primeira delas foi a crescente utilização das máquinas nos diversos campos do fazer humano acabando com as tarefas repetitivas. Máquinas são, sem dúvida, uma solução muito mais prática, e confiável, para tarefas que exigem força, habilidade e que se repetem. A segunda foi a fragmentação da produção que, além de desterritorializar as fábricas, passou, por meio de redes, a aproveitar diversas formas antigas de trabalho como os dos free-lancers, o trabalho em casa, o trabalho parcial ou o pago por tarefa. Assim acontecem, ao mesmo tempo, duas condições que deixam órfãos populações inteiras que haviam desfrutado de certa estabilidade e poder contratual que, agora, se vêem desempregados ou obrigados a aceitar concessões ou situações precárias de emprego. Uma representada pela destruição de postos de trabalho (nas fábricas e escritórios) outra pela exigência crescente de maior escolaridade, pois o trabalho que se deseja, agora, é mental. Contra tais tendências não há como buscar abrigo no sindicato ou na lei. O sindicato porque se encontra esvaziado na medida em que o trabalhador não tem força para parar a produção e na lei na medida em que, como costume, tem que acompanhar as mudanças sob pena de penalizar toda a sociedade. Infelizmente o emprego da era industrial parece coisa do passado e, quem deseja sobreviver, tem que olhar para novas formas de criar riqueza buscando criar valor e renda.
No entanto o que se observa ainda é que mesmo as pessoas mais esclarecidas ainda pensam no presente com um olhar para o passado. Parecem, como observou certa vez Marx, pagarem, por não pensar, tributo aos mortos. É o que acontece comumente quando não compreendem que não bastam grandes projetos ou investimentos em infra-estruturas para criar desenvolvimento. Quando não compreendem que não é mais a indústria que gera empregos, mas sim o setor de serviços, a pesquisa, a tecnologia e o desenvolvimento de novos produtos. Impossível ter futuro sem conhecimento, sem educação, sem criar um ambiente que incentive o saber, a curiosidade, que crie nas pessoas o desejo de progredir, de buscar caminhos novos. Nestas condições não são pessoas que buscam empregos as que irão construir o progresso. São os empreendedores. Pessoas que desejam se arriscar, criar coisas novas, fazer seu próprio nicho. Este tipo de pessoas, porém não vicejam em ambientes burocratizados. São como flores que necessitam de ambiente propício, de um ambiente que, infelizmente, ainda não se construiu no Brasil de verdadeiro capitalismo. Um ambiente no qual o conhecimento, a criação de valor e o empreendedorismo sejam, realmente, valorizados.
Obs.: A ilustração é da notável artista sul-africana Georgia Papageorge.

terça-feira, novembro 21, 2006

A CAUDA LONGA

O jornalista Chris Anderson escreveu que 99% dos CDs vendidos no mercado norte-americano não são mais prensados e o mesmo ocorre na área de vídeo onde, dos 200 mil DVDs produzidos nos EUA nos últimos cinco anos, apenas 3 mil estão disponíveis nas locadoras do país. São dados semelhantes, colhidos no livro The Long Tail (A Cauda Longa), em que Chris analisa as causas e conseqüências da queda da chamada cultura dos hits (grandes sucessos) e a extraordinária ascensão de nichos de mercado altamente segmentados e personalizados. Para ele, o mais interessante é que o crescimento dos nichos de consumo não significa a morte dos mercados de massa. Na verdade implica numa modificação do varejo convencional e numa revisão estratégica drástica dado o aumento da oferta gerada pela internet e direcionada a mercados segmentados. È fato que o caso da música é exemplar. Até a virada do século, as lojas de CD eram as únicas com espaço físico suficiente para estocar uma maior variedade de títulos e estilos musicais. Como a venda era altamente concentrada, as gravadoras se acostumaram a investir nos grandes sucessos, que eram rapidamente consumidos no varejo, evitando que as lojas acumulassem grandes estoques. Caso semelhante ocorre com os CDs que também ilustra a lógica de funcionamento do varejo quando a oferta é limitada pelos custos operacionais. Um mercado como este possui a inevitável tendência de criar grandes sucessos pela homogeneização do consumo. Em mercados assim, com o comércio eletrônico, as operações ficaram descomplicadas. Não mais se empacota, transporta e estoca CDs. As músicas agora são multiplicadas, transmitidas e reproduzidas de forma digital, com custos praticamente nulos de armazenagem e distribuição. Com isto obras mais diversificadas, voltadas para públicos menores e especializados se tornam competitivas em termos de preços e a oferta se torna infinita.
Não se tem ainda uma conseqüência final do fenômeno que está sendo estudado por especialistas num novo livro, chamado de Cauda Longa 2, na qual se defende que a soma dos mercados segmentados em determinados setores pode produzir receitas superiores às de uma rede de supermercados como a Walt-Mart. A questão é saber que ramos do varejo se adaptam melhor ao processo da Cauda Longa e qual a rentabilidade mínima para garantir a sustentabilidade de um site de comércio eletrônico. Não se trata de uma tarefa fácil nem que seja resolvida logo, mas já existem avanços neste sentido. O certo é que o fenômeno da cauda longa é uma característica dos nossos dias.