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segunda-feira, março 16, 2015

O leão está solto nas ruas



Podem tentar esconder, escamotear, distorcer, mas, enquanto a manifestação “chapa branca” da sexta-feira foi um fiasco, um desperdício, por outro lado, tivemos, no domingo, um notável espetáculo cívico. E não há palavra melhor para descrever a horda verde-amarela que invadiu as ruas do Brasil pedindo o impeachment de Dilma e o fim da corrupção, coisas que estão, pelo menos no imaginário popular, amplamente ligadas.
Não se precisa nem discutir a diferença de números alegada. O fato é que um chamamento difuso, sem uma organização centralizada, sem a participação de partidos, sem lideranças claras conseguiu levar para as ruas milhares de pessoas, quase todas com roupas verdes e amarelas, sem apoio financeiro (não se distribuiu nada, nem se pagou ninguém) e até mesmo sem objetivos definidos, palpáveis, senão o de demonstrar sua insatisfação com o governo, não deixa de ser um fenômeno que famílias inteiras, estudantes, donas de casa, crianças, propiciassem um espetáculo de bom comportamento reclamando, democraticamente, contra o um governo inteiramente desacreditado, que diz uma coisa e faz outra e ainda tenta, de todas as formas, descaracterizar quem aponta os seus erros.
Diziam que era um movimento “gourmet”, de elite, que apenas iriam os “coxinhas”. Depois tentaram caracterizar o ato como antidemocrático que eram os que “pregavam o 3º turno” ou até mesmo “a direita fascista” que deseja a volta dos militares. Nenhum dos rótulos pegou. Pegou mesmo, e com o susto da surpresa, as avaliações dos números de cidades, não apenas nas capitais. Os números divulgados pela Policia Militar, que no Brasil, historicamente, sempre faz essas avaliações, foram contestados pelos estupefatos governistas que se negam a ver, o que o país todo já mostrou por meio de diversos panelaços e apupos: o povo quer democracia, de fato, e mudança na economia. O povo de fato está de saco cheio de enrolação, de candidatos que pregam uma coisa na campanha e fazem outra e, principalmente, da corrupção desenfreada que vem ocorrendo, nos diversos níveis governamentais, porém, que, como apontou Eduardo Cunha, tem sua fonte “do outro lado da rua”.

Não importa se foram os mais de um milhão em São Paulo ou se os quinze mil de Porto Velho ou os supostos 50 mil de Brasília. O que importa é que “nunca antes neste país”, nem mesmo Collor teve uma rejeição tão alta. O que importa é que predominaram os gritos de “nossa bandeira não é vermelha e sim verde e amarela” pedindo a saída de Dilma e do PT, demonstrando o cansaço com um governo pelo qual não se sentem representados. E isto é ainda mais fantástico por não se ter visto nenhuma presença política significativa, nenhuma citação, bandeira ou sigla de qualquer partido ou político. Voluntária, ou não, com toda a tranquilidade, transparência, a manifestação pacifica foi um gigantesco e homérico protesto contra o que o governo fez e faz. Foram manifestantes que, majoritariamente, se posicionaram contra o governo. E mais: em todo Brasil. O governo tentará desmentir, negar, dizer que isto é “democrático”, que “ouviu as ruas” e desculpas congêneres, mas, precisará fazer muito. Precisará se mexer, sob pena, de se tornar, em muito pouco tempo, completamente sem a menor representatividade, um governo tão sem rumo e legitimidade, que será impossível impedir que o impeachment seja a única solução possível. Sob a cabeça de Dilma pende a espada da insatisfação popular e esta não se pode comprar com os recursos da corrupção. Será preciso dar respostas às demandas das ruas. 

quinta-feira, março 12, 2015

Mídias sociais tendem a aumentar a influência no consumo


Uma pesquisa norte-americana, feita durante um período de mais de dois anos, pela CivicScience, mapeou o que influencia mais os consumidores na hora de comprar, onde comer e o que assistir: anúncios na TV, propaganda na internet ou conversa nas redes sociais. Observando os resultados durante um tempo a empresa chegou a alguns resultados:
1)      Que a influência da TV sobre o comportamento do consumidor está diminuindo. E mais pelo encolhimento significativo da influência da televisão;
2)      O clima (por lá, é claro) influencia muito. Quando o clima é quente, as pessoas são mais influenciadas pelas redes e com a temperatura mais baixa a influência da TV é maior;
3)      Os anúncios na internet apresentam um crescimento gradual, mas, com menos volatilidade que TV ou mídia social.

O questionário foi respondido por mais de 17 mil adultos norte-americanos e o total de respostas variou entre 2 mil e 5 mil, de forma que se trata de uma pesquisa bastante representativa. Há, no entanto, algumas análises que foram feitas que devem ser levadas em consideração. Apesar de tudo, a pesquisa mostra que existe uma crescente percentagem de consumidores dizendo que conversas em redes sociais são as que mais os influenciam. A proliferação dos dispositivos móveis, por exemplo, é outro fator importante de modificação. Durante este mesmo período de tempo, os dados mostraram que os possuidores de smartphones passaram de 53% para 67%, e os usuários de tablets passaram de 32% para 52%. Ou seja, o acesso a mídias sociais está ficando maior e, por incrível que pareça, isto não significa que há menos gente assistindo episódios inteiros de conteúdo de TV. Estes números continuaram praticamente iguais no mesmo período. Porém, os que se dizem mais influenciados pelos anunciantes da TV são muito mais “tradicionais” nos seus atributos. Eles tendem a ter mais de 45 anos, assistem a mais de quatro horas de televisão por dia, preferem meios tradicionais de comunicação (ligação via telefone fixo) e, a maioria, se não todos, compram em lojas físicas. Eles são mais propensos a dirigirem carros produzidos nos Estados Unidos e a comer nas redes de fast-food. Enquanto que o segmento que alega ser mais influenciado pelos comentários das redes sociais tem certa tendência feminina; são mais propícios a ter entre 18 e 29 anos; dizem ser viciados em devices digitais; preferem comer nos restaurantes casuais ou locais; dirigem carros feitos no Japão; e assistem TV por outros aparelhos. É neste grupo que os anunciantes precisam focar, já que são consumidores que prestam muita atenção em comentários, e o botão de compartilhar está a um toque de distância. A vantagem deste público é que podem ser fortes aliados para a aceitação de um produto. Há um dado importante que é o fato de que os anúncios digitais conseguem atingir no pico 14% dos consumidores, ou seja, não funcionam tão bem, o que é um fator de dificuldade para quem vive de publicidade digital. Vale ressaltar que a pesquisa é norte-americana. Mas, não deixa de ser uma luz de farol para o nosso futuro. Tenho sérias dúvidas sobre sua validade entre nós, porém, não tenho dúvida nenhuma de que o forte aumento do número de equipamentos móveis transforma o mercado brasileiro e, com certeza, modifica também a forma de avaliar os produtos e aumenta a influência das mídias sociais.



sábado, fevereiro 28, 2015

Jogo de velho é videogame


Jogar é da natureza humana. Não vou ao ponto, nem tenho a capacidade de pensamento, do filósofo Johan Huizinga que disse que “É no jogo e pelo jogo que a civilização surge e se desenvolve”, mas, percebo, no meu pobre horizonte de pensamento que, de qualquer forma, na vida, sempre se joga. E ainda, dentro de meus limites mentais, penso que somos bons em alguns jogos e outros não e, consciente, ou não, fazemos escolhas dos jogos que jogamos, porém, ninguém, nem mesmo os críticos dos jogos, deixa de jogar. Em suma, a política, a economia, a vida social, o viver, enfim, é um jogo.
E, sob o ponto de vista científico, no estado de saber atual, se divulga que jogar faz bem ao cérebro. Claro que não falamos do vício de jogar, mas, ao de cultivar o hábito de manter alguma atividade que exija a movimentação do cérebro. Segundo os cientistas, o sinal mais evidente do processo de envelhecimento é a redução da velocidade de absorver novos conhecimentos e problemas de coordenação motora. O motivo da velhice-dizem- não se deve, como se pensava, à perda de neurônios, mas, à diminuição do número de sinapses. De forma que, para eles, a melhor forma de se manter bem é criar novas sinapses. Trata-se de um processo semelhante ao exercício físico que mantém o corpo mais saudável. No caso do cérebro é preciso exercício mental.
Por conta disto se recomenda que se pratique alguns tipos de atividades que fortalecem a capacidade mental quanto mais se envelhece devido à função executiva do cérebro, necessária para atenção, percepção, memória e resolução de problemas, diminuir. Assim praticar leitura com reflexão, aprender uma nova língua, conviver socialmente, praticar exercícios físicos, fazer palavras cruzadas, realizar jogos de memória e praticar diversos tipos de jogos, mais modernamente, os vídeos games são fundamentais para criar novas conexões entre os neurônios, para a criação de novas sinapses.

É fantástico que as novas tecnologias sejam aconselháveis para os mais velhos (e a adesão das pessoas de mais 60 anos à internet, por exemplo, tem sido acima de 50%), porém, é mais interessante ainda que os videogames sejam considerados como excelentes para a prevenção e para o tratamento de algumas enfermidades. Especialistas afirmam que, se usados pelos mais velhos, o videogame melhora o condicionamento físico, a força, o equilíbrio e também ajuda o lado cultural e social. E, pasmem, ao contrário do que seria esperado, quanto maior o período de uso melhor é a concentração, a agilidade e até mesmo o processamento das informações e, meses depois que param, os benefícios permanecem. Confesso que fiquei com inveja de alguns deles que, ao jogar,  se esqueciam de tudo, inclusive mulheres, que deixavam as panelas no fogo queimar a comida. A minha razão é simples. Gosto de jogos. Futebol, basquete, futebol de salão, vôlei. Fui, até certo tempo, um jogador de gamão, um jogador de cartas, não muito aplicado, um razoável jogador de xadrez. Confesso que gosto de bingos, um pouco, e jogo, mesmo contra todas as probabilidades, nas loterias. Afinal jogar é humano,contudo, quando se trata de videogames, sinceramente, devo ter um problema geracional. Não que considere os games estranhos, embora considere muito pouco atrativo o fato de que, em geral, são violentos ou muito competitivos, todavia, me parece sempre como cigarro: algo com que não consigo ter prazer. É claro que isto não vale para os outros. Há pessoas que consideram os games funcionais, divertidos e até instrutivos. Até penso que a experiência com os denominados Exergames, os controlados pelos movimentos corporais e que são utilizados para tarefas e exercícios físicos, devem dar, de fato, alguma diversão, mas, não consigo me livrar da percepção de que os games, talvez, seja a idade mesmo, são algo meio infantil. É claro que esta é uma reflexão que só serve para mim e alguns dinossauros de estrutura parecida. Pelo estado da arte os games geram mesmo benefícios até mesmo sob o aspecto de integração geracional. E se é para o bem de todos, e felicidade geral da nação, digo aos mais velhos, com entusiasmo:- Vão jogar videogames, seus meninos levados! 

terça-feira, fevereiro 10, 2015

Um aniversário sem festa


O PT ao completar 35 anos de história conseguiu um feito inédito, nas palavras de seu guia, como “nunca antes neste país”, partido algum teve. A associação imediata que se faz com o nome do partido: corrupção. A grande contradição é a de que foi um partido que construiu sua reputação brandindo a bandeira da ética, com ferozes ataques aos adversários contra a corrupção! O Lula e seu partido que, agora, são acusados de patrocinar os dois maiores escândalos que o país já assistiu- o “Mensalão” e o “Petrolão” não podia ver, antes, qualquer sinal, de qualquer vírgula errada, sem apontar o dedo, e indignado, gritar contra o assalto aos cofres públicos. No entanto, hoje, diante dos esquemas muito maiores de corrupção fecha os olhos e até indulta e bate palmas para os acusados.
Longe estão os tempos onde Lula acusava Collor, Sarney, Maluf e Quércia de ladrões e o Congresso de ter “300 picaretas”. Hoje, abraça a todos desde que façam o que lhes pede, e o próprio Maluf, numa sincera “mea culpa”, disse que o PT entende muito mais da área do que ele e, perto do que o partido faz, disse se considerar um “trombadinha”. E o partido não vê nada demais no assalto organizado da Petrobras quando, em cima de um simples Fiat Elba, demonizou Collor e o arrastou ladeira abaixo do Planalto. Depois iria tentar o mesmo contra FHC sem sucesso. Infelizmente, a grande realidade atual é que pensar em PT é pensar em corrupção, seja isto uma realidade do partido ou não. Não há como fugir de que a corrupção sob as asas do governo petista assusta pela quantidade e qualidade. E, se antes, ainda podia se alegar que “tirou 30 milhões da pobreza”, hoje, se desconfia, de que seus militantes é que saíram da pobreza e os índices foram apenas manipulados para vender a propaganda eleitoral. Os pobres continuam aí e, pasmem, de um forma crescente vivendo nas ruas, pedindo esmolas e, o que é pior, principalmente os jovens, sem bons empregos, sem perspectivas, assaltando e matando.
Claro que a corrupção não é monopólio do PT. Mas, o agravante é que a corrupção petista assusta também porque nenhum escândalo atingiu figuras tão próximas dos mandantes, nem envolveu figuras tão relevantes de qualquer partido, como são, por exemplo, Dirceu, Palocci e outros tantos do núcleo de poder. Sem contar os “malfeitos” que permanecem sem apuração ou foram jogados para debaixo do tapete. E o agravante maior é o de que, em grande parte, a corrupção petista não foi feita para enriquecer os bolsos dos políticos nem dos empresários. Não. Foi feita por meio de um plano para se comprar o Legislativo, manietar o Judiciário e ter decisões partindo do Executivo que favoreciam a manutenção do poder. Assim, não há como Dilma, por exemplo, não responder pelo que foi feito, de vez que era beneficiária dos recursos usados para se impor aos outros poderes e impor uma pauta política. Fizeram assim da oposição meros fantoches, centralizando o poder e impondo o que desejavam enquanto gastavam milhões fazendo publicidade positiva de um governo que não avançava em nada. O Brasil se tornou um país pouco competitivo e voltou a ser agrário-exportador. Não adianta, hoje, quando colhe os frutos de seus erros, apelar para o “todo mundo faz isto” ou culpar o mensageiro (a “mídia”, sempre acusada de ser a verdadeira oposição) ou vender a versão fantasiosa de que estão querendo criminalizar o PT ou ganhar no “terceiro turno”. É só olhar o que Dilma dizia na campanha eleitoral e comparar com o que faz depois de eleita. É a tempestade que carrega quem semeou os ventos. Nada mais impactante para refletir a decadência e a imagem do partido de que a “piada” que circulou amplamente na internet e fora dela que não houve festa do aniversário do partido porque roubaram o bolo.


segunda-feira, fevereiro 02, 2015

Sem bons horizontes


Bem, mais uma vez, fui assaltado em Porto Velho. Claro que ser assaltado para o brasileiro não é nenhuma novidade. A nossa impotência diante dos assaltos se inicia com o próprio governo que nos mete a mão no bolso sem a menor apelação, pelos políticos que, brandindo a lei e a razão, nos assaltam de diversas formas fingindo nos representar, pela falta dos serviços públicos mínimos. Ainda assim nada nos parece tão invasivo quanto, em plena rua, ser impelido a entregar o seu celular e fazer esforço para nem olhar direito o ladrão porque não se sabe o que ele pode fazer, se não gostar da sua cara. Foi só um celular. E, na hora, com um guarda-chuva na mão, sem uma viva alma por perto, de vez que chovia, ainda pensei diante da autoconfiança do bandido em lhe dar uma pancada com o guarda-chuva e correr, mas, me lembrei, sabiamente, que, um garoto, por causa de um celular atirou e quase mata um conhecido que ficou numa cadeira de rodas. A precaução, o fato de que a voz imperativa, seguida de um xingamento, não era de quem brincava, me fez,  por instinto de sobrevivência-penso eu- entregar com a mansidão de um cordeiro o aparelho. E ainda me culpar por não ter os mesmos laivos de coragem (ou loucura) do passado.
O aparelho, aliás, nem era dos melhores. Mas, a questão não é o que se perde. E a única perda real-para mim-era dos telefones dos amigos. É a sensação ruim de insegurança, de impotência, de, no futuro, não poder, como sempre fiz, transitar por ali sem receio de um novo assalto. Claro que aconteceu por um acaso infeliz, todavia, quem me garante que não acontece de novo? Isto de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar anda muito desmoralizado. E o assalto não foi tão por acaso assim, pois, várias pessoas já haviam sido assaltadas nas proximidades do Porto Velho Shopping e até, recentemente, um jovem que reagiu foi morto. Para quem, como foi o meu caso, conheceu Porto Velho em um tempo onde se podia andar sem susto na noite e deixar as portas das casas e dos veículos abertas, esta violência crescente me faz, de fato, ser mais cauteloso, medroso mesmo. Afinal se não se pode andar armado como se defender se não existe um bom sistema de policiamento? Sei-como muitos fazem questão de acentuar- que se trata, hoje, de um fenômeno brasileiro. No ano passado, de uma forma menos traumática, já havia me acontecido também próximo de casa. Foi até prosaico por ser o dia do primeiro jogo do Brasil e, pasmem, o ladrão queria roubar bebida! Umas poucas garrafas de cerveja que levava. E só me mostrou que tinha uma faca na cintura. E claro que não discuti muito, mas, por sorte, apareceu um policial na hora e fiquei com a bebida e ele ganhou umas tapas.

Não tive tanta sorte agora. Mas, o que me incomoda mesmo é o fato de que há um crescimento da violência que se expressa, inclusive, no uso de armas, de ameaças maiores, de criar o receio de se ir até esquina e, de repente, se perder a carteira, o celular ou até mesmo ser espancado ou levar um tiro. E enquanto a vida piora os impostos só aumentam, aumenta o custo de vida e a insegurança nossa de cada dia. E só nos resta mesmo apelar para a oração, pois, do jeito que as coisas andam não há um céu azul visível no horizonte. As nuvens estão carregadas, negras, muito negras. E tudo indica que as coisas somente tendem a piorar. 

domingo, janeiro 11, 2015

O custo real das campanhas eleitorais

Na campanha eleitoral os candidatos, em especial a nossa presidente, Dilma Roussef, com um marketing afiado, prometeram tudo, se disseram capazes de resolver todas as coisas. Aliás, pelo que se via, e as polianas, os petistas convictos por ideologia ou por dinheiro, atestavam o Brasil não podia estar melhor. O Brasil, pelo que entendi, se é que consigo entender alguma coisa, somente não estava melhor por causa do ambiente externo, mas, por aqui, os nossos dirigentes não erraram nada e tudo permaneceria no melhor dos mundos possíveis, como sempre esteve, pelo menos, depois que o PT alcançou o poder, ou seja, quando, por fim, descobriram ou inventaram este Brasil maravilhoso e novo do presente.
O problema, que, parece coisa de embriagado, é  agora, é a ressaca da felicidade que, supostamente, nos experimentamos. Já no final do ano a energia dava sinais de que seria mais cara, porém, os impostos, aqueles impostos que, no passado, o sr. Lula da Silva considerava exorbitantes, um asssalto ao bolso do contribuinte, que, infelizmente, ao longo do império petista, que também somente haviam aumentado, mesmo com as tais desonerações, só cresce, de vez que o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário-IBPT mostra que estamos próximos já de uma carga tributária por volta de 37%. Agora, eleito, o governo afirma, o que não dizia antes, que os impostos devem ser aumentados, o que nem o sr. Ministro da Fazenda nega, embora tangencie como e de que forma. E, como se sabe, se quando negam, fazem, imagine quando não negam...
E, pelo jeito, os aumentos virão da pior forma possível. Como não existe articulação de nada dentro do governo, nem nas suas esferas, e, se proclama aos quatro ventos, que em todos os níveis os governos passam por problemas de caixa, qual será a solução mais simples e mais lógica? Acertou quem pensou em aumento da tributação. Difícil não é? As prefeituras, logo no início do ano, despacham o primeiro golpe no bolso do contribuinte: o IPTU e outras taxas. Os governos estaduais, porém, não ficam atrás, logo no dia 04 de janeiro, em muitas rodovias do país, os pedágios subiram, de imediato, e o cidadão foi também brindado com mais ICMS, IPVA, cartórios e repasses judiciários e por aí vai. O governo federal segue a cantiga com a tabela fajuta do Imposto de Renda, alíquotas de contribuições, IPI etc.  O problema é que este desespero individual dos caixas públicos pós-eleições, com suas  ações desarticuladas nos vários níveis de governo, possuem um impacto negativo cumulativo que, adivinhem, no bolso de quem vai pesar? Os especialistas falam que serão cerca de mais R$ 60 bilhões nos cofres públicos. Dá para imaginar às custas dos bolsos de quem? Claro que todos desejam que as contas públicas sejam reequilibradas, mas, o problema é que não se cogita, em momento algum, em cortar as farras das despesas, o excesso de secretarias e ministérios, acabar com a farra dos cargos em comissão, eliminar os privilégios gritantes dos diversos poderes.  É do bolso do cidadão comum, e mais ainda de quem depende de salário, que tem seus descontos na fonte,  que se cobra a conta das eleições. E, num momento em que o consumidor está endividado, a indústria com altos níveis de estoque, os juros voltaram a ser um dos maiores do mundo e o investimento está em queda. Ou seja, a perspectiva é de tempos bicudos, aumento do desemprego e o caótico tarifaço que rouba ainda mais a capacidade de gasto das famílias.
E lá vamos nós: sem projeto de futuro, sem visão de longo prazo, sem a menor noção de quando as coisas poderão melhorar e, pior ainda, sem ter para quem apelar. Voltamos aos tempos de  Luís XVI, o último  monarca da França, que, como o governo Dilma e toda a estrutura governamental, somente sabe anunciar novos impostos mantendo o luxo e as mordomias da corte. Só nas redes sociais se exprime uma revolta inócua e, muitas vezes, degradante na medida em que zomba de si mesmo, da situação humilhante de que a elite que pensa (e gera riquezas)  não tem alternativas contra quem nos manda e impõe comer brioches digitais, enquanto se regogizam com vinho Romanée-Conti e charutos Cohiba cubano, verberando contra quem os sustenta e contra a imprensa paga para ficar calada. A economia, é claro, vai se desmiliguindo quando somente se aumentam os impostos e se premia a corrupção. E os nossos dirigentes continuam a se comportar como se tivessem sido eleitos para fazer farra e manter suas mordomias e privilégios sob os aplausos de um povo que pensa que poderá ter na vida sucesso sem estudar e/ou trabalhar. Claro que não estamos ainda no pior dos mundos possíveis. Ainda há muito espaço para piorar. E ninguém tem dúvidas de que temos competência nesta área. Só agora estamos começando a receber, em doídas prestações, a conta do custo da campanha eleitoral.



terça-feira, dezembro 30, 2014

A sombra da retrospectiva de 2014

Que retrospectiva se pode fazer de 2014? Em termos de fatos não se pode dizer que não tenham existido muitos, embora, de fato, o Brasil viva mais de marketing, de escândalos e manchetes do que de qualquer outra coisa. Foi um ano do qual não se pode falar sem citar dois momentos que galvanizaram a atenção dos brasileiros e, por incrível que pareça, ambos marcados por duas grandes decepções: a Copa do Mundo e as eleições. Da Copa não se precisa falar grande coisa na medida em que os expressivos 7x1 são uma clara demonstração de que não somente perdemos, mas, que perdemos vergonhosamente. As eleições não são tão claras, todavia, um exame acurado mostra que foi outra vergonha imensa: os mais pobres e os menos escolarizados, por uma opção imediatista, por pressão, ou mesmo por utilitarismo, escolheram o caminho de mais do mesmo, ou seja, tentarmos manter a ilusão de que é possível ter dias melhores sem esforço, sem trabalho, sem educação e sem um projeto de futuro.
Não entro pelo caminho da corrupção, nem pela estigmatização do PT ou mesmo pelo evidente uso (e abuso) da máquina pública que, se não é nada recente, não justifica quem ganhou o poder em nome da mudança dos costumes. A questão, para mim, é mais ampla. É o fato de que já se havia comprovado amplamente que não se faz desenvolvimento via consumo (embora consumir mais seja um sinal de desenvolvimento), porque consumo é o caminho da procura e desenvolvimento (que, necessariamente, requer crescimento) é um caminho que só se trilha via oferta, via investimentos. A fórmula petista (aliás, gerada mais pelo acaso do que por um pensamento econômico construído) teve seus méritos ao utilizar o crescimento do crédito (em especial de longo prazo) como forma de aumentar o consumo. E foi, por longos anos, um instrumento para dar à impressão que se melhorou a renda e criar uma demanda real maior, mas, alcançou seus limites no endividamento e na falta de um ambiente econômico saudável que pudesse criar mais e melhores empresas e empregos (não os de baixa renda e distanciados dos setores produtivos de maior inovação).
Com os programas sociais diminuindo a procura por empregos se criou a ficção de ter encontrado o caminho mágico de distribuir renda e gerar desenvolvimento a partir do governo e, pior ainda, que o governo tudo pode. Para manter esta ficção (e o poder que ela confere) valeu tudo na última eleição e continuará valendo pelo resto do 2º mandato de Dilma. Porém, que futuro isto nos aponta? Não será, decerto, o futuro prometido, no passado, pelo ministro Mantega que nos prometia 15 anos de crescimento a taxas de 5%. O que vemos, no momento, é a recessão técnica da qual saímos para, quem sabe, crescer 2% no próximo ano. Isto se não fizerem o que vem fazendo, sistematicamente, e não afastam a possibilidade de voltar a fazer, de aumentar ainda mais os impostos. Impostos que já se encontram entre os maiores do mundo e inibem, junto com uma burocracia infernal, os investimentos. De forma que optamos por gerar mais incertezas do que buscar o caminho da mudança. Não tem, portanto, por este caminho, nenhuma possibilidade de voltarmos a ser felizes como no passado. Nem mesmo a possibilidade mais de sermos endividados e felizes. Assim a retrospectiva, seja sob qualquer aspecto que fizermos de 2014, somente pode nos informar que continuamos onde sempre estivemos: empurrando os problemas com a barriga. E que há razões fundadas para pensar que 2015 tende a ser pior que 2014. Não é nada certo, mas, é uma projeção razoável da retrospectiva.


Ilustração: dorescronicas.com.br

quarta-feira, dezembro 24, 2014

Sentimento de Natal


É mais um natal. Os natais passam na nossa vida quase sem nos darmos conta. E, só depois de muito tempo, passei a compreender que cada natal é um natal diferente. Não que o natal mude, pois, na verdade, quem muda somos nós, quem muda são as condições do mundo, da economia, da vida. Não desejo ficar nostálgico nem olhar para o passado, porém, não há jeito. Para quem, igual a mim, carrega muitos natais nas costas, um olhar retrô é imprescindível, inescapável, fatal mesmo. E, por menos que se deseje negar, o natal, realmente, não é mais o mesmo. Também pudera! Qual o natal de comparação? Falar que o natal mudou, como numa série histórica, é preciso que se fixe uma base, um natal que sirva de comparação, uma espécie de natal padrão.
Esta é a grande dificuldade. Se examino o passado, constato, sem muito problema, que, de fato, o natal era diferente. Havia, no passado, uma religiosidade, talvez exagerada, que cercava a data. O natal do passado, do passado dos meados dos anos 60, 70, era um natal que exigia um longo tempo de preparação. Havia todo um ritual de compra dos presentes, das roupas, das ceias. Era, numa má comparação, um carnaval religioso para o qual se passava longo tempo nos ensaios. E a missa do galo era o ápice e o fim de toda a festa. Depois dela já não havia o que fazer, senão dormir e pensar no outro natal. Bem, é preciso acentuar que os natais do passado eram verdadeiros banquetes. Lembro-me que se comia e bebia de forma pantagruélica, abismal mesmo, no melhor estilo dos grandes abades, aqueles que apareciam nos rótulos sempre gordos, rútilos, eternos bebedores dos melhores vinhos, apreciadores dos melhores chocolates e bolos. Eram natais, por assim dizer, religiosos e, ao mesmo tempo, festivais de gula, onde o comércio aparecia de forma secundária. Não se dava, como se dá, na atualidade, uma predominância para o faturamento, as vendas. Hoje Natal bom passa, invariavelmente, por lojas cheias, por consumo, pelo tilintar dos caixas.
A mudança foi imperceptível, mas, com um impacto estrepitoso. O mundo se acelerou. Foram as mensagens, os transportes, as mercadorias, as pessoas e o dinheiro ganhando velocidade. E, de repente, estamos num natal onde tudo parece, como o tempo, digital. As cartas, os cartões de natal, que, no passado, marcavam a chegada do período são, hoje, lembranças dos antigos. O natal, agora, tem uma versão tipicamente digital e nos chega por e-mails, por cartões digitais, por imagens de internet e de televisão. Não há, a rigor, mais preparação para nada. E os símbolos natalinos, como as árvores, como Papai Noel, a ceia, os presentes, as próprias compras ganharam outro ritmo, outra forma de ser. É tudo regido pela pressa e pelos preços. No entanto, hoje, me peguei pensando que, com tudo isto, com tudo que se diz do comercialismo, da falta de sentido do natal, não é que acordei, feito criança que espera por brinquedo, meio alegre, meio envolvido pelo ritmo de natal. Não sei se foi o show, um dos mais fracos que já vi de Roberto Carlos, que me lembrou que o natal existe ou a família, que uma parte está reunida, mas, apesar de não ser o mesmo, estou aqui escrevendo e já pensando na ceia, em beber uma taça de champanhe, em lembrar que ( e olha que nem acredito muito nisto) centenas de anos atrás um menino veio para nos salvar. Enfim, o que quero dizer mesmo, é que o natal mudou sim, todavia, devo confessar, quando chega está época continuo a ficar ensimesmado, pensativo, comovido mesmo. Talvez seja porque sejamos eternas crianças que estamos sempre esperando um presente de natal. De qualquer forma tenho que lhe dizer: Feliz Natal! 


domingo, dezembro 21, 2014

Luiz Gonzaga e Anastácia, o rei e a rainha


Por uma dessas felizes coincidências estava lendo o livro “Eu sou Anastácia-histórias de uma rainha”, da historiadora Lêda Dias, com a própria Anastácia (Lucinete Ferreira), editado pela FacForm do Recife, na mesma semana em que a TV Globo veiculou “Gonzaga- De pai para filho”, sobre a trajetória de Luiz Gonzaga e Gonzaguinha, seu filho. É muito prazeiroso, como nordestino, estar assistindo, mesmo que por um tempo breve, homenagens que são feitas a verdadeiros ícones nordestinos (e brasileiríssimos, por sinal) como são Luiz Gonzaga e Anastácia. Um dos pontos fortes, por exemplo, do livro de Anastácia é, justamente, o fato por seu depoimento amplamente demonstrado, que jamais cultivou, como é usual hoje, o marketing, a busca de se tornar um ídolo, uma estrela. Caminho diferente não trilhou Luiz Gonzaga, que sempre foi o que foi, um operário musical com enorme talento. Luiz se tornou uma lenda muito mais pelo trabalho contínuo, por sua forma de ser e de se comportar, como um sanfoneiro, um artista de sua terra do que qualquer outra coisa. Anastácia, que não teve tanta fama, é sua face feminina. Ele foi uma “Anastácia de calças”; ela, um “Luiz Gonzaga de saias”. Ambos, artistas insuperáveis que percorreram o Brasil, ainda no tempo dos circos, levando beleza e alegria aos rincões mais longínquos de nosso país.
Se, no filme, o destaque está para a vida, nem sempre em linha reta, de Gonzaga e a tumultuada relação familiar, em especial com o filho, o que se destaca no livro de Anastácia é sua coragem, sua ousadia, sua alegria de viver, que se esparrama mesmo nas piores situações. Em ambos as criações tomamos contato com a figura real de Luiz Gonzaga, uma pessoa generosa, mas, ao mesmo tempo, casmurra, com certos padrões nordestinos antigos entranhados que, hoje, seriam considerados “preconceitos”, porém, que revelam os padrões éticos e o caráter de uma certa época, mesmo que com suas contradições, na medida em que não somos perfeitos. Mas, é a humanidade dos personagens, suas qualidades e defeitos que o tornam ainda mais louváveis. Ser artista jamais foi fácil e, ser capaz de ter destaque no meio, exige certos sacrifícios que só compreende quem os enfrenta, embora, hoje, o sucesso, seja, aparentemente, uma coisa mais fácil de ser conquistada.

Todavia, o que se destaca nas figuras de Luiz Gonzaga e de Anastácia não é, simplesmente, o sucesso. É o fato de que se tornaram símbolos, exemplos de trabalho, de determinação, de permanência, de qualidade. São padrões que, de uma forma ou de outra, estão presentes no imaginário popular por sua importância e representatividade. Muitos outros existem que trilharam os mesmos caminhos. Impossível, por exemplo, não lembrar de Marinês, de Jackson do Pandeiro, de João do Vale, de Waldick Soriano, de Genival Lacerda, do Trio Nordestino e do próprio parceiro maior de Anastácia, Dominguinhos. São nomes de pessoas, entre muitas outras, que, no Brasil do passado, enchiam os circos de plateia, levavam multidões aos auditórios de rádios e televisões, encantavam cantando nas ruas, se necessário. São artistas que, em Luiz Gonzaga e Anastácia, tiveram representantes máximos do forró, do baião, do maxixe, de canções de amor e de sofrimento que marcaram e marcam a alma nordestina. Luiz e Anastácia, são, de formas diferentes, os expoentes máximos de uma época, embora ele o seja pelo todo de sua obra e ela, pela sua capacidade de transformar em canções a vida de seu povo.  

sábado, dezembro 06, 2014

A fé que nunca se acaba


Parece, hoje, até brincadeira, mas, a grande verdade é que, quase, mas, quase mesmo, fui um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores em Rondônia. Na época era muito amigo, e compartilhava as ideias de esquerda, de muitas pessoas com as quais até mesmo criamos um centro, que editou uma única revista e promoveu um único seminário, para discutir as eleições e as ideias vigentes. É certo que já sabíamos dos problemas políticos do socialismo, porém, nem o muro de Berlim havia caído, nem, como veríamos depois, todo socialismo pode ser tudo menos democrático, na medida em que o estado passa a tudo gerir o que, de partida, exige um partido único e a obediência cega aos governantes. Fora disto não há socialismo possível, de vez que o estado tem que organizar a economia. Não participei do PT por já, naquela época, ter um membro do partido caído de paraquedas para comandar os locais.
Bem, mas, isto é passado. Importa dizer que, naquele tempo, havia fé. A fé na revolução operária. A fé, vinda de uma teoria que tinha razão de ser na época da produção industrial, das massas compactas de operários. O tempo, e a falta de base da teoria de produção marxista com o fim da teoria do valor trabalho, reduziram o edifício teórico compacto de Marx a ruínas que, os seus crentes, procuram remendar sem sucesso. Uma teoria geral da sociedade, do movimento, como sonhou o velho sonhador alemão, é uma utópia irrealizável. Assim, quem pensa, quem raciocina, sobre a realidade concreta ou, como queiram os marxistas, sobre as “condições objetivas” não tem outro horizonte que não o capitalismo que, pode ser melhor, ou pior, de acordo como se organiza a sociedade. Esta é a realidade. Ser esquerda, esquerda moderna, hoje, é desejar promover a inclusão e não o sonho caduco dos Ches, dos Chavezs, dos Fidels da vida, que são múmias ambulantes do pensamento, pré-históricos mesmo.

Por mais que os petistas neguem é este o sonho último que os alimenta. Basta ver a admiração e os afagos deles a pessoas como Putin, Castro, Maduro et caterva, para colocar ao sol o amor nutrido por totalitarismos. Acontece que a riqueza para existir precisa ser gerada. E governos não geram riquezas. Administram o que retiram da sociedade através de impostos. É muito bonito falar em direitos, porém, não há almoço grátis. E o PT prega o almoço grátis para todos. É correto dizer que o partido tornou universal um programa de assistência social cuja abrangência não era satisfatória. É fato também que o PT, por outros interesses até, incentivou o crédito ao consumo, que possibilitou a muitos a aquisição de bens de consumo. Porém, é melhor parar por aí. A ideia de que o PT melhorou a vida do país é mero efeito de marketing. A dívida pública, de R$ 4,4 trilhões bate recorde histórico, o país perdeu participação no mundo, o governo Dilma é o de menor crescimento da história, mas, o pior é a perspectiva de futuro (até esqueço a corrupção alastrada). A verdade é que ambientes que criam riqueza necessitam de estabilidade e de contraditório. Não o do “nós x eles”, o de dividir para conquistar. Como ter um ambiente propício ao contraditório tentando impor um discurso único como o PT deseja? Como vai se estimular o consumo, sem aumentar a produção, como distribuir riqueza, e não criá-la? Onde o estado é um ente centralizador o que se cria é pobreza. Das duas uma: ou há uma enorme fé no equívoco, na dogmática certeza de que o estado é o caminho para criar riqueza ou estamos, contra todas as teorias econômicas, utilizando uma receita que incentiva o consumo, mas, não dá a mínima atenção à criação da riqueza, o que é um amadorismo imperdoável. Queiram, ou não, os petistas não há salvação fora do mercado. E se as regras do jogo mudam durante o jogo quem vai querer jogar para perder? E mudar as regras sem a atenção ao prejuízo alheio é o que os governos do PT mais tem feito. O resultado é o que temos visto: menos investimentos, crescimento pífio, descrédito no governo. E, enquanto houve um crescimento geral dos países emergentes, na primeira década do século XXI, nós continuamos a patinar sem um horizonte visível de melhores dias. E é bem possível, muito provável até, que com qualquer outro partido político governando, com ideologia que não seja igual ou pior, com certeza, o padrão de vida geral tivesse melhorado muito mais. Claro que não adianta discutir isto com os religiosos petistas. Eles acreditam em Lula e Dilma contra todas as coisas e fatos. É a fé que nunca se acaba. 

domingo, novembro 30, 2014

Nada será como antes


Que o Brasil é um país surrealista sempre se soube. O que espanta, agora, é que o surrealismo está chegando a um ponto tão surreal que a palavra parece despida de sentido para descrever o que acontece. O caso mais emblemático é o da Petrobras, onde se fala em devolver milhões como se fosse dar um troquinho para o pedinte da esquina. Ora, se um deles, apenas um, dos envolvidos concorda em devolver mais de US$ 100 milhões, então, não há como não se ter certeza que as coisas não são muito piores do que se pensa. Ainda mais quando partidos, e parlamentares, sabe-se que estão na mira da Polícia Federal e seus nomes pendentes dos ministros do Supremo Tribunal Federal para serem processados. Até os ministros, abrindo mão do silêncio que, em geral, cultuam, se mostram pasmos diante dos valores furtados na corrupção da empresa de petróleo brasileira. E não se mexe uma palha com sua direção. Nada parece abalar a cúpula, com exceção de um braço do PMDB, que, por sinal, caiu mais por ingerência externa.
O outro lado do surrealismo vem da questão do superávit primário. Neste o Congresso ameaça fazer uma lei para desmentir a lei que instituiu os critérios de gestão. É como, no fim do jogo, se modificar as regras para que o time ganhe com a participação ativa do juiz. O absurdo consiste mais ainda em que, como já existiram dirigentes condenados pelo não cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, se implanta, definitivamente, a regra de que a lei, nos tempos atuais, é delimitada pelo tamanho do poder do infrator. Quanto ao conceito, ao princípio de responsabilidade fiscal, é como se colocassem um carimbo definitivo de arquivado. A coisa é tão esdrúxula que os novos ministros da área econômica querem evitar completamente qualquer tipo de relação com a manobra heterodoxa. Pelo que se anuncia só tomam posse depois que a lei for aprovada no Congresso. E o governo, de qualquer forma, inclusive oferecendo nacos de participação na sua composição, vai aprovar a mudança. É o uso ilimitado, escancarado mesmo do toma lá, dá cá, para obter os votos necessários.
E o que se pode esperar dos novos ministros? Novos? Na Fazenda, Joaquim Levy, no Planejamento, Nelson Barbosa, e continua o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini parecem já muito velhos. Ah! Pelo menos anunciam que vão dar as diretrizes da política econômica a partir de 2015, com foco no ajuste das contas públicas. Como diz um famoso chef de cozinha: “Que marrravilha!”. Vão anunciar que as panelas receberão as receitas que sua excelência, Dilma Roussef, estigmatizou durante toda a campanha eleitoral. O processo de gestação de um pacote que inclui grandes novidades, como cortes dos gastos públicos, contenção de despesas, enfim, o que se negava que seria preciso.

O problema é que as dificuldades não param por aí. A eleição da presidente, que havia prometido crescimento econômico, se fez com enorme desgaste de sua credibilidade e o pacote previsto que limita o crescimento dos gastos correntes, reduz o pagamento de seguro-desemprego, abono salarial e busca elevar as receitas é, justamente, o que grande parte dos que a apoiaram não desejava. Com o desgaste da gestão pouco eficiente, do escândalo do Petrolão e os tempos difíceis da economia, nada será como antes. E se não houver diálogo, se não se comportar com o mínimo de capacidade para unir os apoios frágeis do parlamento, certamente, nem a nova equipe salvará o governo de uma situação que se complica quanto mais o tempo passa. 

sexta-feira, novembro 21, 2014

Erros da política econômica deixam governo sem rumo


O Partido dos Trabalhadores (PT) sempre teve o problema genético de ter um viés estatista, de desejar controlar a economia e a sociedade a partir do governo. Se, com Lula da Silva, este, pelo menos, conservava canais de comunicação com a sociedade para diminuir os impactos das intervenções, o mesmo não ocorreu na gestão Roussef. Esta se caracterizou por impor à sociedade, cada vez mais, uma filosofia e uma política que contraria os princípios básicos de uma sociedade democrática e pluralista, e o que deve ser a bússola mais importante para orientar a vida econômica,  que é a lei da oferta e da procura, que, foi, sistematicamente, desrespeitada no seu governo.
Entre os graves equívocos que se observa fica patente que a intromissão demagógica sobre os preços de bens e serviços, em especial, na formação de preços dos combustíveis, da energia e dos transportes urbanos foi o mais extremamente danoso. Porém, não se pode esquecer de outros também nocivos, como a utilização indevida da taxa de câmbio para controlar a inflação e atrair e proteger capitais estrangeiros especulativos, o descompasso entre a política salarial e o aumento do salário mínimo efetuando transferências de rendas sem qualquer atrelamento à produtividade do trabalho, a utilização da Selic, taxa de juros básico, fixada com preocupação única de regular a demanda agregada e, por fim, o crescimento dos tributos e, em alguns casos, da burocracia aumentando o preço que a sociedade paga para manter um estado obeso, perdulário e ineficiente.

Por todos estes equívocos estamos chegando num cruzamento perigoso na medida em que, como não existe almoço grátis, será preciso mais recursos para manter o equilíbrio fiscal e monetário. A tentativa, ora em curso, de aprovar a proposta que modifica a Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) para ampliar o abatimento da meta de superávit primário para 2014 (PLN 36/14), enviada pelo governo ao Congresso, já demonstra que estamos chegando ao limite das possibilidades da política atual que não tem mais como gerar crescimento e sim ser motivo de instabilidade. O problema é que a presidente Dilma, reeleita, terá enormes dificuldades de corrigir os equívocos da política econômica derivados da administração ruim do sistema de preços com a eclosão do escândalo do Petrolão. Tendo que reorganizar o governo, e sua política econômica, a presidente tem contra si, além do fato de que quase tudo aconteceu na sua gestão, ou quando era presidente do conselho da estatal, a taxa de juros, que é o principal instrumento para combater a inflação, tem sido usada mais como instrumento para atrair recursos estrangeiros e coibir o déficit previsto de US$ 80 bilhões das contas externas, ao mesmo tempo que são gastos R$ 250 bilhões anuais de juros sobre a dívida externa, no momento em que o país, praticamente, estagnou. A impressão que fica, enquanto não se tiver uma resposta, mais consistente, é que o governo também estagnou e não sabe aonde quer chegar e, por isto mesmo, age ao sabor do momento, reativo apenas às circunstâncias. 

sexta-feira, novembro 07, 2014

A fé é inabalável


Bem, rememorando, apesar de, desde cedo, ter uma enorme tendência para não ser nada mais que um mero leitor, a minha admiração pelo conhecimento me levou as redações de jornais. Houve um tempo em que me equilibrei entre a disposição de ser jornalista ou estudar direito- que me diziam ser mais compensador financeiramente. Por osmose, havia um amigo defronte da minha casa, que me despertava uma certa atenção por sua capacidade de compreensão e saber, Antônio Carlos Ramos, formado em Economia e que até fez mestrado, que me serviu de modelo e reforçado pela indicação de que era um bom caminho, feita por meu pai, me tornaram um estudante de economia sem saber bem o que era isto. E me tornei, de fato, um economista, graças a grandes mestres que tive, como Abelardo Montenegro, Luiz Gonzaga Fonseca Mota,  Firmo de Castro e Pedro Sisnando Leite, um especialista em desenvolvimento formado no Banco do Nordeste do Brasil. Por necessidade virei professor, mas, sempre perto de uma redação de jornal, e procurando entender como a economia se movia. Já fui (e até tentei aprender alemão para ler Marx no original) e, creiam, poucas pessoas (obsessivo que fui) leram tanto Marx. Fui um marxista convicto, mas, ser marxista é, por definição, superar Marx. Não repetí-lo como muitos fazem como um papagaio. Aliás, Marx é uma parte do conhecimento.  Se virar, como virou para muitas pessoas, uma certeza não se trata mais de Marx, mas, de uma nova bíblia, pior que a original que, certamente, ninguém conhece.

Conhecer economia na época me parecia compatível com ter uma visão de esquerda ( e no Ceará a repressão era muito forte), o que sedimentava o sonho de um mundo mais igual. As ilusões passam. Aprendi, duramente, que não há mesmo almoço grátis. E me perturbo, até hoje, com muitas pessoas inteligentes que defendem o governo Roussef, a contrafação de Evo Morales e a estupidez que é a Venezuela do presente. É uma cegueira mental que me faz ver que o nazismo, e o atraso, podem ser uma opção viável na medida em que meias verdades sejam vendidas (e repetidas) continuamente até que certas pessoas crédulas acreditem nos “resultados”, a aparência de que as coisas estão melhorando. Mas, até que se mude a dura realidade, e as coisas se recoloquem no lugar. Afinal tudo tem um preço mesmo para quem não acredita no mercado. A realidade se impõe. A Petrobras informou nesta quinta-feira (6) o aumento do preço de venda nas refinarias da gasolina e do diesel. O novo valor começa a vigorar a partir da 0h desta sexta-feira (7). A alta da gasolina nas refinarias será de 3% e do diesel, de 5%. Como é natural, a alta não reflete o impacto do aumento ao consumidor. O valor do combustível nas bombas depende de determinação dos postos e será, no mínimo, de 10%. Aqui o petróleo sobe e um amigo, quase boliviano, defende o regime de Evo Morales afirmando que lá o combustível está mais baixo e me faz, quase rir, dizendo que a culpa é da Petrobras, que é uma empresa privada! É na hora do assalto! Impossível discutir com quem acredita que a culpa do que se pensa é da Globo, da Veja e da imprensa manipulada. Oh! Deus! Quem paga a imprensa? A oposição, sem dúvida! Ou a direita que se instalou no poder que, contraditoriamente, não assume nada do que faz, mas, quer ser esquerda e totalitária? Não é possível discutir com as certezas.  O Brasil seria um país risível se não fosse a tragédia de ser, ao mesmo tempo, absurdo e ridículo. Certamente, bons economistas nesta terra devem dizer que Lula é o supra-sumo do pensamento econômico e que Dilma deveria merecer o Prêmio Nobel de Economia. O problema é que a miséria aumenta e o Produto Interno Bruto-PIB diminui. A culpa, é claro, do capitalismo e da crise externa, apesar dos países emergentes crescerem, em média, 3% e o Brasil uns míseros 0,24% em 2014. A fé, meus amigos, é inabalável. 

terça-feira, outubro 21, 2014

A política econômica atual penaliza o futuro do país


É chegada a hora da mudança. O sintoma mais evidente desta necessidade provém até mesmo do próprio governo, de vez que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios- PNAD 2013 aponta que há estagnação econômica nos principais indicadores nacionais e que, até mesmo a taxa de desemprego se elevou de 6,1%, em 2012, para 6,5%,  em 2013, e o salário encolheu 3,8% , no mesmo tempo de comparação, e, com a inflação mais alta, em 2014, as coisas devem estar ainda piores. Porém, o mais grave é que o ambiente econômico brasileiro se apresenta em estado de grande mal estar, de incerteza e de falta de confiança em relação ao presente e ao futuro. É o resultado de 12 anos do PT no poder com as distorções da administração pública que não vê limites entre os interesses públicos e partidários, do aparelhamento do Estado e da supressão das oposições que não encontram eco nas centrais sindicais que, com suspeitas ONGs, ajudam a construir a hegemonia petista no poder e, como consequência, os escândalos de corrupção que se tornam rotineiros.
Acrescente-se que já não existe mais a euforia popular que o aumento do crédito, que, historicamente, era de 24% do Produto Interno Bruto-PIB, a soma de toda a produção de bens e serviços no ano, pulou, com o governo Lula, para 48% do PIB, permitindo que o consumo tivesse um enorme aumento e gerando a sensação de melhoria e bem estar que a população experimentou se enredando em financiamentos de longo prazo e sacando sobre o futuro. Acontece que tudo tem um preço. E outro lado da farra do consumo é que, além de pagar duas vezes os preços dos bens no crediário, as famílias se endividaram no longo prazo. Com os juros altos e a inflação se elevando começam a sentir os efeitos negativos de viver em cima do crédito e não da renda. Sob o ponto de vista macroeconômico, no entanto, a política do governo Lula, e continuada por Dilma, cometeu o grave equívoco de buscar o crescimento pela demanda. E a demanda estimula o crescimento, mas, não o garante. Crescimento somente existe pelo lado da oferta na medida em que é resultado do aumento da produção, ou seja, de existir maior capacidade produtiva e mais bens e serviços no mercado. Somente com novos investimentos, com aumento da produção industrial isto pode acontecer. Porém, o que se observa é que a produção industrial e o nível de investimentos crescem como rabo de cavalo na medida em que o governo, com medidas pontuais, somente gera incerteza econômica. E todas as medidas que tomam visam aumentar o consumo. Querem resolver o problema com mais do mesmo remédio ineficaz.

É a constatação da exaustão do modelo microeconômico da prioridade para o consumo, da excessiva intervenção do estado e a manipulação da inflação, com o sacrifício de setores, como o de combustíveis, energia, dos transportes coletivos e do sistema creditício, com os abusivos privilégios dados aos bancos públicos e ao BNDES, que sinalizam com um crescimento que é dez vezes menor que a média dos países emergentes e o segundo pior da América do Sul (estimado em 0,3% este ano). Portanto, já não dá mais para segurar este tipo de modelo sem comprometer o futuro do país. É o momento de se retomar o equilíbrio fiscal, acabar com a tal da “contabilidade criativa”, deixar de “pedalar” os déficits e promover o saneamento das contas públicas pela redução dos gastos de custeio. E esta é a dura realidade econômica que, seja quem for que ganhe a eleição para presidente há de enfrentar, pois, como não dá mais para aumentar impostos, será preciso retomar a estabilidade monetária pela contenção das despesas públicas e gerar confiança no setor empresarial para a promoção dos investimentos na produção e nos setores essenciais da infraestrutura.  Urge mudar a política econômica atual que já deu o que tinha que dar. 

quarta-feira, outubro 08, 2014

Uma encruzilhada entre ter ou não ter esperança


Governos não são necessariamente uma coisa boa. Aliás, os intelectuais e as pessoas que gostam de liberdade sempre desconfiam deles. Muitos dizem, logo, que qualquer que seja ele são contra. Afinal governos não existem sem homens e, no fundo, são homens que dizem aos outros como se comportar. Penso, como Isabel Paterson, que o governo somente é bom como freio à ação humana, daí, sob tal ponto de vista, serem necessários e importantes, no entanto, os governos não criam nada; quem cria, quem produz riquezas são os indivíduos. O problema é que o governo não se limita a regular e também pode estabelecer proibições e tomar dinheiro dos cidadãos para suas atividades. Um governo totalitário tudo pode. Apesar de não criar é dono de tudo, inclusive da liberdade de seus cidadãos. Esta razão pela qual embora, no passado, tenha tido a doce ilusão de que o caminho para uma vida melhor é mais governo, agora, tenho o bom senso de admitir que errei. Quanto menos governo melhor será a nossa vida. E quando os mesmos ficam muito tempo no governo passam a pensar que a sociedade lhes pertence e impor sua visão como se fosse a mais correta e a única.
E é exatamente isto que se discute na atual campanha eleitoral. O Brasil deve decidir se quer ser mais competitivo, ter mais liberdade, ser um pais mais inclusivo e mais diversificado ou vai aceitar  a canga que nos querem impor de mais estado, de um modelo, o modelo petista, que, apesar de doze anos de comando do país, aumenta o poder do estado, a carga tributária, as imposições burocráticas e pretende até mesmo regular o lucro e encabrestar a mídia. Especialistas em desenvolvimento, mais do que ninguém, são consensuais num ponto: o estado é ineficiente e sempre mais ineficiente que a iniciativa privada. Os países que se desenvolveram o fizeram diminuindo o tamanho do estado, estabelecendo um bom ambiente econômico e criando o que denominamos tecnicamente de previsibilidade, ou seja, as empresas e pessoas possuem condições de esperar determinados comportamentos e ter determinados custos podendo, portanto, diminuir os riscos. País desenvolvido é país com estabilidade, sem maiores incertezas que não vivem ao sabor do mandatário de plantão. É o oposto do Brasil que tem um dos piores ambientes econômicos do mundo, de vez que, de uma hora para outra, o governo muda as regras ora estabelecendo novos impostos, ora criando mais obrigações burocráticas e, muito poucas vezes, se preocupando com o custo do contribuinte, com a vida de quem paga as contas da máquina e dos seus cartões corporativos.

Por tal razão os nossos executivos mais competentes dizem que só os loucos (e os que não têm como escapar das prisões burocráticas nacionais) investem neste país. O resultado é o que vemos: as menores taxas de crescimento do continente, inflação alta, os investidores nacionais migrando para investir lá fora por conta do custo Brasil. E o que o governo atual fez para mudar isto? Não tentou fazer nenhuma das reformas necessárias, aumentou a tentativa de expandir o consumo via crédito (e contraditoriamente eleva a taxa de juros) e tenta frear a inflação segurando os preços, de forma que só tem a nos oferecer uma perspectiva de mais gastos públicos e imprevisibilidade. Hoje há uma completa falta de confiança nas políticas públicas inclusive por tentar vender a ideia de que a culpa dos problemas é da crise externa. Não é. A culpa é de uma política equivocada que tenta aumentar o tamanho do estado e seu controle e de um modelo que desestimula o investimento e causa incerteza no mercado. Esta eleição é, na verdade, a escolha entre procurarmos um novo caminho ou ir até o fim de uma opção que tende a nos levar para um grau cada vez maior de deterioração dos serviços públicos, da infraestrutura e da qualidade de vida. 

quarta-feira, setembro 24, 2014

Crônica em homenagem a um moleque atrevido


Há certas pessoas que nasceram para ser protagonistas, que fazem seus caminhos sem perder a alegria nem a esperança. Que são somente em nascer. São, por assim dizer, figuras. E quando digo figuras, pretendo dizer mesmo que são meio surreais, quase mitos, na medida em que não podem ser julgados pelos comuns sem um viés de pequenez. Porto Velho, assim como é um lugar de monstros não sagrados,  também é um jardim fértil destas figuras. E, hoje, pretendo falar de uma delas. Poderia ser de duas, de vez que são meio siameses: o Saldanha e o Dadá, o Adaídes. Costumo dizer que são, efetivamente, os artistas de Porto Velho, os mais genuínos, seja pelo nascimento, pelo tempo, pela trajetória e pela poesia e vida que criaram. Limito-me ao Saldanha, o popular “Pereca” em virtude de uma fatalidade recente que foi tê-lo abordado inesperadamente um ataque cardíaco que, felizmente, não o levou.

É impossível falar do Saldanha sem lembrar de sua emblemática canção “Olha menino/ eu sou moleque atrevido/ sou pior que bandido. /Eu me criei no areal…” é a cara dele. Uma música fantástica que remete a uma Porto Velho romântica e perdida. Porém, ele tem uma produção excelente e, como acontece com grandes talentos locais, muito ainda desconhecida. Saldanha, que foi um cantor pioneiro de bandas e bares, tem histórias memoráveis que não podem ser perdidas e, mostrou que, com força de vontade e a determinação, se pode alcançar o que se deseja, se alçando de menino pobre a economista, professor de economia e presidente do Conselho de Economia da 24 ª Região e fez um trabalho meritório à frente da merenda escolar, afora ter criado uma saudável família (se bem que, em geral, são nossas mulheres as grandes artesãs desses méritos) na qual a filha se destaca como doutora em Quimica, se não me engano numa universidade alemã. Na última sexta-feira, dia 19, mesmo não podendo ir receber sua homenagem como ex-presidente do Corecon RO,  esteve espiritualmente ( e citado) na festa de 30 anos da entidade. Tenho, entre meus orgulhos, além do fato de ser amigo dele,  a realização conjunta de uma noite musical literária, no Debate Bar, em que recitei poesias minhas e ele cantou, com maestria, diversas músicas, em especial as de Alceu Valença (e algumas melhor do que o próprio autor). Fui visitá-lo, com os também amigos e professores, grandes mestres da Unir, Maurilio Galvão e José Aldenor Neves e encontramos o Saldanha com sequelas, é claro, do golpe que sofreu, porém, mais Saldanha do que nunca. Rimos muito de como contou que, sem conseguir falar, na UTI, via com apreensão, os que morriam ao seu lado e que até se viu, ou sonhou, cercado de anciões com batas brancas ( possívelmente já fazendo o seu julgamento). Resistente ele se recusou (graças da Deus) a ir. E conseguimos rir juntos de seus problemas e ver que se trata de um cavaleiro da esperança. Ser otimista é uma opção. E espero ainda que o Saldanha possa, num dia não muito distante, voltar a cantar. É verdade que ele é um sobrevivente. Nem precisa disto para ser feliz, mas, precisamos dele para tornar a vida mais feliz e melhor. Avóe! Saldanha! 

sábado, setembro 13, 2014

TV Rondônia 40 anos: um sonho que virou legado


É imprescindível registrar os 40 anos da TV Rondônia, comemorado nesta sexta-feira (12) com um jantar em grande estilo na Maison, em Porto Velho, com a presença das maiores autoridades estaduais e de uma significativa amostra das pessoas mais representativas de nossa sociedade. A obra do empresário amazônico Phelippe Daou, iniciada em setembro de 1974, hoje, ultrapassou não apenas o tempo, mas, se tornou também uma testemunha da história, uma fonte permanente de informação e diversão e, por sua liderança continuada e participação social, um patrimônio de nosso Estado.
Se já não é fácil uma empresa sobreviver na Amazônia, ainda mais no ramo das comunicações, a longevidade e a pujança da Rede Amazônica de Televisão é, sem dúvida, um legado de Daou para Rondônia sem, no entanto, deixar de ser uma comprovação de suas qualidades, que vão muito além do talento empresarial, e se estendem pela formação moral e humana, que o faz caminhar com o pé no chão para criar uma empresa sólida e comprometida com os valores mais caros para a construção de uma boa sociedade. E o faz criando, ao mesmo tempo, um bom ambiente de trabalho para os seus colaboradores sem perder de vista que o papel da empresa é o de bem informar com fidelidade aos fatos, busca de equilíbrio, justiça e qualidade. Um sucesso que alcançou em Rondônia com cinco emissoras e 22 repetidoras espalhadas em locais estratégicos do Estado.
Na festa, por sinal impecável até mesmo com o toque de requinte da Orquestra Vilas-Lobos, que foi um show à parte, o diretor-presidente da Rede Amazônica, Phelippe Daou, fez uma retrospectiva emocionada relembrando os diversos diretores anteriores até o atual, Luiz Antonio Campanari, e confessou que "Eu fico muito feliz porque uma data como essa nem se pensava naquele tempo. O aspecto de todo território que depois se transformou em estado era de quem começava a vida. Quarenta anos depois não foi apenas a Rede Amazônica que cresceu, foram todos". E homenageou ao comandante Desival Ribeiro, que presente foi ovacionado, por ter naquela época pilotado aviões com os quais pousava em ruas de bairros nas cidades de nosso estado para começar a enfrentar o desafio de implantar retransmissoras de televisão.

De fato, este foi o passado muito difícil, mas, a TV Rondônia passou por grandes transformações, cresceu e, agora, transmite imagens por meio do sistema digital, daí, o vice-presidente da Rede Amazônica, Aluízio Daou, declarar que tem a sensação “de parte do dever cumprido e que não foi em vão”. Não foi mesmo. A Rede Amazônica de Televisão, hoje, faz parte de nossas vidas, além, de, como afiliada da TV Globo, ter ganho os reforços do G1 Rondônia e do GloboEsporte.com, que representam mais uma etapa de conquista e de informação para estado. São, não se pode negar, 40 anos fazendo parte de nossas vidas. Um grande legado que o sonho de Phelippe Daou transformou em realidade e que enche de imagens, sons e cores nossas vidas diariamente. Com a consolidação da TV Rondônia ganhamos todos nós em informação e lazer. Por tal razão é que não se pode deixar de louvar o que deve ser louvado. 

segunda-feira, setembro 08, 2014

A credibilidade na internet



É de todos conhecido, ou, se não é, esta disponível nos melhores dicionários, o sentido da palavra credibilidade que origina-se do latim “credibilitas”, que tem o sentido de “o que é de acreditar, o que é de confiança” e que pode ser definido como atributo, qualidade ou característica de quem é crivel, de quem merece confiança. Falar de credibilidade é essencial num momento em que, com o descrédito geral nas instituições e, principalmente, na política, se tende a colocar todas as coisas em dúvida como se não houvesse, de fato, muitas pessoas, instituições, órgãos e até mesmo políticos que merecem que se dê um crédito, que merecem, enfim, confiança.
Embora a população brasileira, até por conta da banalização dos escândalos e pela utilização da política torpe de assassinar reputações, esteja tendendo a uma baixa credibilidade em relação a tudo, é essencial sabe discernir entre o que merece, ou não, credibilidade. E isto ganha maior importância ainda quando se vulgariza uma coisa tão importante e maravilhosa como é a internet, com a qual se tem acesso a uma miríade de informações e, aqui o perigo, de besteiras e mesmo de difamação. É fundamental se ter a capacidade de discernir entre o que é informação e o que é, simplesmente, mistificação ou tão-somente meias-verdades disfarçadas de notícia para, muitas vezes, atingir as instituições ou as pessoas. Infelizmente, muitas pessoas incapazes, pessoalmente, de matar uma mosca parecem perder o bom-senso quando entram na internet e utilizam, por exemplo, o Facebook. Sem o menor senso de responsabilidade ajudam, sem nem mesmo compreender que se podem tornar réus em processos de danos morais, certos vídeos, notícias ou juízos de valores que ou são mentiras simplesmente ou distorcem a realidade e, em grande parte, com um amadorismo e uma falta de ética que faria corar um frade de pedra.

Neste sentido é preciso ainda observar que há jornais e sites que são meros propagadores de versões que interessam aos grupos de poder ( e são por eles pagos), bem como existem internautas que recebem dinheiro, ou até mesmo por ideologia, se dedicam a atacar quem pensa diferente ou não aceita suas ideias numa visão totalitária e fascista do papel da imprensa, seja ela qual for. Há até mesmo jornais, revistas e sites que são feitos ( e vivem) de buscar problemas, seja de qual tipo for, para até mesmo achacar os envolvidos na questão. Acontece que, por mais que possam granjear, por algum tempo, audiência com o sensacionalismo acabam por acumular processos e perder a credibilidade até porque não é possível se ter credibilidade sem ter coerência e sem permitir o conflito de versões. Neste sentido, é que, sob o ponto de vista da verdade, por mais que se tente dizer que a internet é a democratização da imprensa não o é. Em geral o que circula na internet pode ter sabor de novidade e, algumas vezes, de fato, se criam algumas coisas criativas, mas, falta a quem cria sozinho o olhar do outro e, muitas vezes, o sal da divergência. Em geral a imprensa não é feita pelos donos dos órgãos, mas, por seus subordinados que tem ideias próprias e interesses que vetam determinados exageros (ou até mesmo censuram o que contrária seus interesses). Isto não acontece na internet, é verdade. Mas, por isto mesmo, a credibilidade na internet é mais complicada. Isto é ainda mais facilmente comprovável ao se verificar que, fora dos sites da grande imprensa, são poucos os que conseguem credibilidade e levam tempo para tal. A credibilidade, porém, tende a cada vez mais exercer um papel de importante de relacionamento das empresas e pessoas com o mercado. E é por isto que, alguns sites com o tempo, se consolidam pela honestidade, pela diversidade de opiniões e por um comportamento democrático que se espera de uma imprensa voltada para o bem comum e a construção de um país melhor. 

sábado, agosto 30, 2014

A falta que Marx nos faz


Qualquer um que tenha o mínimo de conhecimento sobre política e história, e seja um estudioso, é claro, conhece a clássica referência sobre a repetição na história que é o texto de Karl Marx sobre o 18 Brumário de Luís Bonaparte. Sua publicação data de 1852 e gira sobre um golpe de Estado recém-ocorrido na França. Carlos Luís Napoleão Bonaparte, eleito presidente do país em 1848, resolveu impor uma ditadura três anos depois. A data escolhida para o golpe foi 2 de dezembro de 1851, aniversário de 47 anos da coroação de seu tio, o general e estadista Napoleão Bonaparte, como imperador da França. Essa repetição de Napoleões no poder inspirou Marx a formular a célebre frase com que abre seu texto, citando outro importante filósofo alemão: “Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Só esta frase já tornaria o texto clássico, mas, como em muitos outros textos se sobressai à força da análise de Marx, que o tornou o maior teórico do comunismo, porém, há também um grande componente de sua fina ironia que aparece até no título. Trata-se de que antes de vir à ser imperador, o primeiro Napoleão também havia dado um golpe de Estado, em 9 de novembro de 1799, tornando-se cônsul da França e que, no calendário que o país adotou depois da revolução de 1789, esta data correspondia ao dia 18 do mês de Brumário, ou seja, ao denominar a obra de “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”, Marx carimba o golpe de Napoleão III como uma cópia da que havia sido dada antes por seu célebre tio.
O curioso é que nem a forma de ver as “coincidências” históricas, nem mesmo a frase que tornou o texto famoso, e assumiu o protagonismo para os divulgadores, foi a ideia principal de Marx. O que desejava destacar no texto, contando a história e analisando os fatos, era a sua conclusão, também perspicaz, de que  “os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”. Ou seja, mesmo sendo os atores da história, as pessoas são limitadas a agir dentro dos parâmetros que a realidade impõe. Nada tão claro, simples, transparente que uma criança não possa entender, mas, explicar isto na história é fazer ciência.
Não tenho tanta pretensão até porque não sei se é possível fazer ciência no Brasil. Mas, houvesse um talento como o de Marx, certamente, nadaria de braçada em nosso país. Basta ver que Lula, o nosso Napoleão mulato, utilizando-se de todos os métodos políticos imagináveis passou décadas construindo um projeto de poder que deu certo, a partir do fato de que, ao derrubarem Collor, assumiu um vice, Itamar Franco, que lhe propiciou as condições, com a ajuda de FHC, que sem aptidão para o poder deixou o barco à deriva, para que o metalúrgico pudesse realizar seus sonhos de 20 anos de poder. E não se pode dizer que ele não soube aproveitar a oportunidade tanto que até hoje culpa o passado, depois de 12 anos no poder, por todas as mazelas do que não fez, e muitas novas que acrescentou, ao fardo do país. A ironia é que, num país surrealista como o Brasil, os limites entre o real e a fantasia são muito tênues. E assim como Lula criou sua fantasia de “inventor dos novos tempos”, agora, numa farsa trágico-burlesca, é um vice, a da candidatura de Eduardo Campos, que aparece encarnando o papel de “Joana D’arc da pureza política de Xapuri”, a beata Marina Silva. Dupla ironia: é Silva também, logo não se pode dizer que não é povão, e, mais fantástico ainda, sobe nas pesquisas de intenção de voto numa repetição: assim como se fez em cima do cadáver de Chico Mendes, um do Norte, salta para o palco espetacularmente num cadáver de um nordestino! Dos grotões, justamente de onde Lula extrai o poder, surge o seu fim à vista. Nada tão marxista como a contradição de que é do seio do seu próprio partido que vão arrancar o poder de suas mãos. É a continuidade do PT no poder, todavia, sem o mando de Lula, que maneja os cordéis com rédea curta. Que falta faz uma análise de Marx numa hora destas!  


segunda-feira, agosto 18, 2014

Uma pesquisa sob medida para o governo


Todos sabiam que a entrada de Marina Silva iria mudar o jogo. Os números, porém, da primeira pesquisa do Datafolha são estarrecedores não tanto por colocar a nova pretendente no jogo (o que já era esperado), mas, por configurar uma situação de favoritismo que não se coaduna com as tendências que pareciam estar estabelecidas. Há na pesquisa algumas coisas que não parecem bem colocadas (para não dizer que estão bem arrumadas). É uma pesquisa que, por tudo que mostra, e na hora que mostra, somente favorece a candidata oficial, apesar de, aparentemente, ser boa para a nova concorrente. Em primeiro lugar, ao colocar Marina num empate técnico (e na frente de Aécio) estabelece logo de início a condição de que será um dos dois que estará fora do jogo, ou seja, na prática, coloca Dilma como estabelecida no segundo turno e joga os dois para trocarem chumbo na arena eleitoral. E mais: quando o governo somente enfrenta problemas, e a presidente nem sai às ruas sem ser vaiada, apresenta uma melhoria, pequena, porém, importante, no momento, ou seja, quase só falta dizer que o governo conseguiu um fato inédito que é o de melhorar com as condições objetivas piorando.

Claro que o fato de Marina aparecer com 21% é perfeitamente plausível. Até se esperava que tivesse um pouco menos, no entanto, a possibilidade era visível na medida em que é muito mais conhecida que Campos. O que é difícil de engolir na pesquisa é que seu crescimento tenha se dado sem que perca parte do eleitorado de Campos e que somente retire votos de outros candidatos que não os de Dilma (favorita para ser fatiada por estar na mesma raia de Marina) ou mesmo de Aécio. É um pouco estranho que Marina consiga conservar todo o legado de Campos e suba apenas em cima dos votos dos indecisos e dos brancos e dos candidatos nanicos, como parece ser o caso da pesquisa. Bem, não vou colocar em dúvidas o Datafolha. Afinal pesquisas também podem errar por causa das amostras, ou até mesmo de manifestações extemporâneas de pessoas submetidas à massificação da mídia. O estranho, como estranhei na eleição de Lula que, apesar de ter ido para o segundo turno quando pensava em vencer no primeiro, subiu dez pontos sobre Alckmin, é o fato de que os números parecem não bater com as tendências que se observam de deterioração do governo, de desejo de mudança ( que se tenta vender que não é tanto) e da rejeição imensa que se observa de Dilma. É claro que a pesquisa é pesquisa. No máximo um retrato de determinado momento que pode ser mal fotografado e não é decisiva. Todavia, num momento como este o retrato que o Datafolha mostra, embora fingindo ser bom para o PSB, somente serve para consolidar a candidatura de Marina (atingindo Aécio) e para influenciar os eleitores a favor do governo. Além do mais incute na nova concorrente uma lufada de vento que levanta o balão numa hora extremamente perigosa. Afinal Marina, em que pese sua densidade eleitoral, enfrenta sérios problemas em relação ao empresariado (inclusive de financiamento de campanha) e ao agronegócio por suas posições xiitas em relação ao meio ambiente, bem como se é bem vista pelos jovens esbarra numa desconfiança acentuada dos mais cultos e mais velhos, ou seja, se ficar embriagada com os confetes iniciais pode dar com os burros n’àgua muito mais cedo do que pensa. Para ser, de fato, uma candidata com chances terá que passar por muitas provas. Já a pesquisa feita, como foi feita, sob o calor da emoção da morte de Campos, parece mais uma missa encomendada, mas, como ninguém aponta a encomenda, nem tem como refutar seus dados é, hoje, mais uma peça do jogo eleitoral. Resta saber se resistirá no campo real da disputa verdadeira: a cabeça do eleitor.