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sexta-feira, maio 16, 2014

Se o time não joga bem é hora de trocar de técnico


As próximas eleições presidenciais, pelo menos no Facebook, onde, supostamente, estão pessoas de classe média e escolaridade um pouco acima da média, de fato, já começaram pelas manifestações constantes das pessoas. Um dado que se ressalta é que, pelo menos no Face, o Partido dos Trabalhadores já perdeu feio a batalha de argumentos. Não somente porque desertaram do partido importantes ícones que, no passado, levantaram a sua bandeira, como pela completa falta de argumentos e de esperança que o governo e Dilma podem oferecer. O caso mais recente do cantor Ney Matogrosso é exemplar. Ney, um artista normalmente tímido, não aguentou o clima do país e desabafou, numa entrevista à televisão portuguesa, afirmando que as coisas no Brasil andam ruins pela ineficiência governamental e os péssimos serviços públicos. O que fizeram em relação as suas declarações? Procuraram desqualificá-lo ora dizendo que está senil ou que, agora, deixou de ser rebelde, pela idade não é uma pessoa digital, nem capaz de avaliar bem a situação, enfim, é um títere da Rede Globo. Mas, ninguém vem dizer, em público, que a segurança é ótima, a educação é a melhor do mundo ou a nossa saúde é padrão Fifa, que as estradas são tapetes ou o transporte coletivo é de primeiro mundo.  
Aliás, apesar de ser o governo quem alimenta imprensa, inclusive de recursos, a cegueira ideológica (ou muitas vezes intere$$eira) faz com que se venda a farsa de que a imprensa cria um discurso oposicionista, em especial a Globo que oculta o que pode dos “malfeitos” do governo, de que tudo vai mal no país. É menos verdade. Acontece é que as coisas vão mesmo muito mal e não é possível ocultar, com tanta deterioração em todos os setores, daí que a proteção que a imprensa tenta dar ao governo se torna vulnerável. Não dá mais, como no passado, para ficar somente cantando loas, como nos tempos de Lula da Silva. Até porque a imagem de Dilma é de um ser completamente distante, incapaz de, ao menos, fazer o jogo de cena que o metalúrgico fazia de que se importava com as pessoas.
Um dado muito interessante da pesquisa Datafolha mais recente é de que, num segundo turno, entre os entrevistados de renda familiar de 2 a 5 salários mínimos, Dilma tem uma intenção de voto de  43% contra 39% de Aécio Neves. Ou seja, é um empate técnico mesmo entre os mais pobres. E isto deve se acentuar ainda mais com a Copa quando serão mostrados os gigantescos e suntuosos estádios recém construídos, com fartos recursos públicos, que contrastam com as dificuldades de uma população que consumiu muito se endividando e, hoje, em especial nas cidades, enfrenta uma grave crise urbana. É uma questão que deve ficar clara com os estádios: se podem se fazer estádios com qualidade por que não se pode ter escolas, hospitais, creches, transporte público e segurança de que tanto precisamos? E o atual governo, no poder faz 12 anos, não pode mais colocar a culpa da má qualidade de tais serviços em FHC. Neste sentido a Copa é uma herança mais que maldita de Lula para Dilma.  Que vai haver segundo turno ninguém mais duvida, porém, o que é mais surpreendente é a velocidade que se observa na aceitação que o discurso oposicionista passou a ter e, mesmo nas classes de menor renda, a certeza que o governo se exauriu e que está na hora de trocar de governo. E se este sentimento se acelerar, como parece que está se acelerando, Eduardo Campos passa a ter uma grande chance de crescimento e a mudança, então, será inevitável. Se o time não joga bem o primeiro que cai é o técnico.


segunda-feira, maio 12, 2014

A crueldade da burocracia brasileira


Se formos pensar em termos de burocracia será imprescindível ir buscar o seu conceito em Max Weber. É do sociólogo alemão a concepção científica da burocracia que ganhou com ele o significado clássico de que a burocracia seria a organização eficiente por excelência por conseguir explicar nos mínimos detalhes como as coisas deverão ser feitas. Para Weber, aliás, a burocracia moderna não seria apenas uma forma avançada de organização administrativa, com base no método racional e científico, como também uma forma de dominação legítima. Para conceber esta visão ele creditava aos burocratas os atributos que regem o funcionamento da burocracia como formas de relações sociais das sociedades modernas.
Para Weber, a burocracia e a burocratização são processos inexoráveis, ou seja, inevitáveis e crescentes, presentes em qualquer tipo de organização, seja ela de natureza pública ou privada, inclusive raciocinando que, sem a organização burocrática, o desenvolvimento de uma nação seria retardado por ser indispensável ao funcionamento do Estado um aparato burocrático para bem cumprir suas funções. Portanto, em Weber, apesar de ter existido em períodos anteriores, só no contexto do Estado moderno e da ordem legal é que a burocracia atingiu seu mais alto grau de racionalidade, ou seja, a ação burocrática tende a visar, de fato, a eficiência e resultados. É evidente, porém, que não conhecia o Brasil, nem a sua capacidade de canibalizar conceitos, palavras e instituições. No Brasil como se sabe o que menos existe em qualquer burocracia é racionalidade e busca de alcançar objetivos. Numa síntese: desmoralizaram completamente a concepção de Weber.
Por aqui o que vale mesmo é a famosa concepção popular, e certeira, de que a burocracia é uma organização lenta, vagarosa, mal educada e na qual os papéis e atestados sempre se multiplicam para impedir soluções rápidas ou eficientes. O termo é empregado não somente com o sentido de apego dos funcionários aos regulamentos e rotinas, causando ineficiência à organização, como também pela singular jabuticaba de criar dificuldades para vender facilidades tão próprias do país. No Brasil a burocracia é um sistema de moer as pessoas que se caracteriza não pelos atributos que Weber viu, mas, sim pelos defeitos que o sistema apresenta e aprimora. No Brasil a burocracia é o suprassumo da crueldade e da insensibilidade. Tanto que ainda que você insista em dizer que está vivo, e peça para que verifiquem a pressão e as digitais, de nada adianta se o sistema diz que você morreu. E, se não tomar cuidado, o burocrata mata para dizer que o sistema está certo.
Não se precisa ir longe para verificar isto. Basta pinçar do pronunciamento de Dilma Roussef a notável atualização da tabela do Imposto de Renda. Imposto de Renda que o contribuinte é obrigado a fazer a declaração para ser taxado, ou seja, faz o papel da burocracia para ser por ela explorado. Porém, a burocracia em nosso país é de uma crueldade invulgar. Basta ir a um posto médico onde não se atende ninguém mesmo chegando morrendo sem fazer uma ficha. Basta ver a concessão das aposentadorias que é um processo de extorsão dos benefícios que se angariou pela vida. Basta verificar que quando se trata de sugar recursos o Estado é rápido e insaciável, voraz mesmo. Quando se trata de reconhecer direitos, porém, aí de ti contribuinte, ninguém te fará justiça. A justiça só existe mesmo para os burocratas e seus amigos. Crianças jamais verás um país tão burocraticamente cruel quanto este! 

terça-feira, abril 15, 2014

Alto Madeira, um jornal predestinado


O que é um jornal? As respostas para esta indagação pode ter diversas interpretações, mas, não se poderá fugir do fato de que se trata de um meio de comunicação, um papel de imprensa, ou seja, mais barato, repleto de palavras e fotografias feito por profissionais denominados de jornalistas. Jornais podem trazer de tudo. Alegrias, lágrimas, tragédias, vitórias e derrotas, o belo e o feio, o perto e o distante, as opiniões e os fatos nem sempre bem recebidos. Também é uma exposição para o comércio e a indústria vender seus produtos, um espaço para que políticos apareçam ou desapareçam (hoje, cada vez mais, na página policial ou com a célebre pulseirinha prateada que a Polícia Federal presenteia na hora de prender). Pode ser a dor do boxe ou a sensação provocada por um gol no futebol. Os jornais também tem periodicidade. Em geral são diários, porém, há semanais, quinzenais, mensais e, mesmo os que aparecem de vez em quando. Uns nascem e morrem logo. Outros criam uma longa história e, por isto mesmo, passam a ser independentes de quem o fez, o faz. O jornal cria sua própria personalidade, história e alma. É por tal razão que há jornais e jornais.
No fundo, um jornal é como uma pessoa: se faz na medida em que vive. Um jornal que morre logo é como uma criança que, mal nasceu, se vai. Só os próximos lamentam a perda, o que poderia ter sido. Há outros, como é o caso do nosso Alto Madeira, que caminha, rapidamente, para alcançar os 100 anos e, por tal razão, é o repositório de toda uma história de nossa gente, de nossa terra. Este jornal se confunde tanto com Porto Velho e o Estado de Rondônia que foi fundado por Joaquim Augusto Tanajura, o primeiro superintendente (prefeito) de Porto Velho, em 15 de abril de 1917, portanto, o Alto Madeira, um dos mais antigos jornais em atividade na região, vem registrando a história por exatos 97 anos. Com uma vida tão longa já é necessário, e diga-se de passagem uma tarefa hercúlea, escrever sua história que, como em todas as grandes histórias, tem suas fases de ascensão e de descenso, porém, a maior vitória, sem dúvida, é a de continuar sendo o que sempre tem sido: uma tribuna de liberdade, de opiniões diversas, de espaço para a vida local e suas mudanças, apesar dos erros, inclusive gramaticais, que, em especial, nos novos tempos acontecem. Seu maior êxito se mede por continuar vivo e se renovar mantendo uma linha editorial que sempre privilegia a notícia.

É um jornal que, como se pode constatar indo rever suas edições, jamais deixou de ser uma fonte de ideias e de promoção do desenvolvimento da livre iniciativa, dos negócios, da cultura, além de ter sido a escola dos maiores jornalistas de Rondônia. Como pertenceu a Joaquim Tanajura também participou dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, a primeira grande organização de meios de comunicação do Brasil, e tem sido, desde o final dos anos sessenta, conduzido pelos Tourinhos, em particular com Luiz Tourinho na direção dos negócios, e Euro Tourinho, como o grande orientador da redação, sem favor algum o decano de nossa imprensa. Hoje, todavia, por sua importância, é uma entidade que vai além dos que o guiam, o fazem, pois, como o jornal mais antigo do Estado é um patrimônio de todos nós. Só posso, nesta data, como um partícipe menor de sua história, desejar que o jornal volte aos seus melhores dias. Que, sendo modernizado como está sendo, volte a circular em todo o Estado e proporcione o acesso ao seu conteúdo por uma nova e moderna página eletrônica, de vez que, lá fora, quando se fala em jornal de Rondônia, é ainda o Alto Madeira,  que é a referência. Que os 100 anos que, certamente, serão muito comemorados, na medida em que quase não existem jornais brasileiros com tal longevidade, encontre o Alto Madeira como a fênix revivida em ascensão, para, contra a opinião dos que pensam que os jornais vão morrer, possa continuar pelo tempo afora registrando, pelo menos, os próximos 100 anos de nossa terra e nossa gente. Que o Alto Madeira possa continuar a ser a testemunha da história de Rondônia, uma vocação para a qual parece ter sido predestinado. 

segunda-feira, abril 14, 2014

Eles não sabem o que querem


Ao nos aproximarmos da Copa do Mundo também nos aproximamos do primeiro aniversário das grandes manifestações de rua que inundaram as cidades brasileiras durante junho de 2013. É o momento de olharmos para trás e perguntar em que resultou tanta movimentação, tanto barulho, tantas propostas dispersas e o abalo sísmico sofrido pelo nosso sistema político que captou, ou pelo menos fingiu captar, a mensagem de que a maioria da sociedade não se sente representada por aqueles que, supostamente, deveriam cuidar de seus interesses. É verdade que foram, na sua grande maioria, pessoas da classe média cobrando maior representação, melhor qualidade das políticas públicas, mais saúde, educação e uma gama de outras reivindicações que desfilaram pedindo maior eficiência e da moralidade, porém, o apoio das classes mais baixas, apesar de menos ostensivo, foi muito real.
Uma primeira impressão é a de que os resultados, apesar dos discursos de que os políticos “ouviram as ruas” é o de que se ouviram deve ter sido numa língua estranha, de vez que não mudaram em nada. Continua abismal a distância entre o que a população deseja e o governo, aqui envolvendo todas as instâncias políticas, oferece. O que está na base da insatisfação popular somente tem se agravado. É inegável verdade de que houve um achatamento da massa salarial brasileira. Também é verdade que este achatamento se torna mais sensível nas camadas da classe média onde o acesso à educação universitária, mesmo de péssima qualidade, resultou numa diminuição expressiva dos ganhos de imensa parcela de segmentos da classe média. Acrescente-se que se, sob o ponto de vista macro, a massa salarial tem crescido este crescimento se dá pela diminuição salarial. O aumento do emprego, tão fortemente alardeado pelo governo, é um aumento de empregos de baixa qualificação e de baixa renda que, de fato, inclui mais, porém, penaliza enormemente segmentos significativos da classe média alta, seja pela forma de perda de empregos, ganhos ou até mesmo de tributação mais elevada. E com a elevação da inflação esta base se consolida e se amplia.

Ainda mais que com a falta de um projeto real de desenvolvimento, na medida em que, efetivamente, o reformismo petista somente mudou pontualmente as estruturas do Plano Real, por sinal um plano de estabilização, permitiu que, via crédito e consumo, fosse reduzido um pouco a pobreza, porém, sem tocar nos alicerces da imensa concentração da propriedade dos patrimônios e ativos produtivos, o que, de fato, impede uma melhor distribuição de renda, apesar da ficção da “nova classe média” de R$ 1.200,00. O que se observa, desde que a crise eclodiu, é que o governo, mesmo sem saber o que fazer, procura apenas manter a popularidade para enfrentar as eleições e, posteriormente, quem sabe, buscar um projeto. Por outro lado, a oposição, também sem saber o que fazer, não propõe nada de novo. Nem sequer algo de impacto como, por exemplo, acabar com o imposto de renda, o que seria uma bela ideia. Vamos chegar ao processo eleitoral marcado por esta imensa falta de clareza na agenda futura. Embora ambos saibam que querem o poder, nem o governo nem a oposição sabem o que fazer e, com uma correlação de forças que somente se une no seu descontentamento com a situação, é impossível saber o que pode acontecer, inclusive, porque a própria população também não sabe o que quer. O grande perigo, ou talvez a solução se quem encarnar a resposta for competente, é que podemos ter muitas surpresas até a eleição. Mas, será preciso mudar, radicalmente, a forma de fazer política no país, sob pena de ingressarmos numa fase de dificuldades que nos levarão a novos tempos de ruptura institucional. 

sábado, março 29, 2014

Os sinais da mudança

Ao contrário do que se veicula o problema maior da reeleição de Dilma não é a queda na pesquisa CNI/Ibope que, em geral, tem maior efeito apenas nas classes mais politizadas. Embora a queda da popularidade acentue os problemas e, de fato, tenha acontecido no pior momento para o governo até agora, uma boa leitura mostra que é apenas mais um sinal no ponto de inflexão de um governo que não fez o seu dever de casa. Por mais que o controle da imprensa, por meios econômicos, a propaganda intensa e a tentativa permanente de sufocar a oposição seja um traço do poder opressivo que busca se tornar único do PT, os furos no dique se acumulam e todos eles derivam da incapacidade administrativa do governo seja em relação à política econômica, ao atendimento de suas bases ou na construção da infraestrutura e oferta de serviços básicos à população.
Há uma questão insolúvel na estratégia do Partido dos Trabalhadores que é o de desejar se apresentar como um governo de “todos” quando, ostensivamente, faz sua política se baseando nas camadas economicamente mais frágeis da sociedade, ou seja, o que antes criticava, o coronelismo das antigas elites, é, hoje, a sua força. Basta verificar que foram os grotões que elegeram Dilma e não as camadas da população de maior escolaridade e renda. E, no momento, são os grotões que escapam de seu controle. Antes, porém, a situação era completamente diferente. Os grupos de menor renda não estavam, como estão agora, descontentes com o governo. Havia uma aprovação enorme de Lula, a inflação sobre controle, o crescimento da economia vendendo esperança de dias melhores e Dilma era uma desconhecida avalizada pelo otimismo que o governo trescalava.
Hoje, o panorama é outro. Além da insatisfação geral demonstrada nos movimentos de junho do ano passado, os descalabros visíveis, como os dos gastos da Copa e da Petrobras, a intervenção governamental que desestimulou os investimentos no País e a fuga até mesmo de capitais nacionais e o agravamento dos problemas das contas externas se misturam com a falta de capacidade do governo de negociar quando encontra resistência. O normal é desejar satanizar quem se antepõe aos seus desejos o que, muitas vezes, dá certo, porém, é um recurso que está se esgotando na medida em que os aliados sentem que só o são na hora de apoiar. E, para piorar, vivem sob a ameaça constante de operações policiais que acusam de serem dirigidas contra quem não se comporta conforme o figurino. Agora mesmo o senador Clésio Andrade se queixa de que, por ter assinado a CPI da Petrobras, o ameaçam com retaliação via o erroneamente denominado “Mensalão de Minas”.

O problema é que o que antes funcionava não funciona mais. O governo perde ostensivamente a batalha das ideias. Seja no Facebook, nos blogs, nos jornais, nas filas, que parecem ter se multiplicado em todos os cantos, xingar o governo está se tornando o esporte favorito. É bem verdade que quase todos dirigentes e políticos, mas, Dilma está passando a ocupar um significativo lugar de destaque. E o que é mortal para as eleições, e a obtenção das assinaturas para a CPI da Petrobras sacramentou, é que, para os políticos, como para grande parte da população, ela não representa mais esperança, o que eleitoralmente é mortal. As defecções não se acumulam por acaso: os políticos sentem que os sinais indicam os caminhos da mudança. 

quinta-feira, março 20, 2014

Palco Giratório: a vitória da diversidade cultural


Aconteceu em Rondônia, mais precisamente no Audicine do SESC Esplanada de Porto Velho, neste último dia 19 de março, quarta-feira, o lançamento nacional do Projeto Palco Giratório 2014, que será estendido para mais de 120 cidades brasileiras que receberão 768 apresentações artísticas previstas para acontecerem até o mês de dezembro. O público rondoniense teve a oportunidade de assistir, na noite da quarta-feira (19), no Teatro Um do Sesc Esplanada, o espetáculo de abertura comandado pela Companhia Solas de Vento, de São Paulo, com a apresentação do espetáculo “Homens de Solas de Vento”. É a 17ª edição do Palco Giratório, uma ação ímpar no cenário cultural brasileiro, que muito tem ajudado na consolidação, na promoção e difusão das artes cênicas a partir da circulação de espetáculos, grupos e coletivos de teatro, dança e circo. Trata-se de uma iniciativa, de caráter nacional do Serviço Social do Comércio-SESC que tem como objetivo estimular o exercício da cidadania cultural, a diversidade, a formação e o desenvolvimento de aptidões e práticas artísticas que envolvem oficinas, debates, intercâmbios, pensamentos e conversas com os públicos depois dos espetáculos.
É, no momento atual, sem sombra de dúvidas, o maior estímulo nacional ao estudo, à pesquisa de metodologias e de criação artística e de fomento às produções locais, ao mesmo tempo, que estabelece parcerias institucionais e favorece o intercâmbio cultural entre os artistas, produtores e o público.  Esta ação somente se torna possível pelo sistema de gestão compartilhada entre o Departamento Nacional do SESC e seus departamentos regionais que, em cada estado, possibilitam uma ação cultural que se caracteriza por uma imensa diversidade e efetiva abrangência nacional. Importante também é o fato de se ter estabelecido uma rede de artes cênicas e consolidado uma Curadoria Nacional que faz a seleção de espetáculos para compor a programação do Palco Giratório a partir de critérios que se baseiam na filosofia dos grupos, na capacidade de formar e na criatividade, de modo que, o que se busca, é dar oportunidade ao diverso sem perder de vista os impactos e os contextos sociais. A gerente de cultura do Departamento Nacional do SESC, Márcia Rodrigues, afirmou que serão mais de 500 mil pessoas assistindo às apresentações nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal. Para ela, "O Palco Giratório existe há 17 anos, este é o quarto ano de lançamento nacional, pela primeira vez, com muito orgulho, sendo realizado em Rondônia. Nosso objetivo é promover o intercâmbio e a articulação de grupos teatrais, de dança, enfim, formar aldeias culturais. Saímos do tradicional eixo sul, consolidamos novos lugares e públicos".

Mas, o que de fato diferencia o Palco Giratório é sua capacidade de promover o que o próprio Ministério da Cultura não consegue, que é uma política cultural que fomenta a formação e a criatividade. O projeto abre espaço para o novo e consegue abranger os diversos olhares da produção nacional, a partir de uma avaliação sensível e honesta dos artistas e seus trabalhos, sem privilegiar, como normalmente acontece, os nomes já estabelecidos e atentando para os processos e dinâmicas capazes de gerar discussões, reflexões e até mesmo a perplexidade. Enfim, a grande vantagem do projeto tem sido a capacidade de fortalecer e desenvolver a produção local e lhe proporcionar possibilidades de alcançar outras fronteiras. Nada mais significativo que registrar o depoimento do ator Daniel França, de um grupo do Amazonas, que fez questão de deixar claro sua felicidade em participar afirmando que "Nunca imaginei que eu pudesse ser integrante do Palco Giratório. Era um sonho pra mim, e hoje me sinto feliz e realizado com isso. O Sesc é uma instituição privada que não deixa o teatro morrer, e que faz por nós, artistas, muito mais até do que o poder público faz". De fato, o Palco Giratório é um grande promotor das novas formas, um repositório de diferenças e uma amostra de que é possível se promover cultura de forma democrática, coletiva e representativa da riqueza cultural brasileira. Por isto mesmo é um projeto que veio para ficar e de que se pode construir um país melhor com trabalho e a determinação, mas, sem o desejo impor formas, mas, sim a capacidade de organizar, de coordenar a imensa diversidade que caracteriza o nosso país. O Palco Giratório é a maior prova de que não se pode desejar inovar com um pensamento único. Só a diversidade é que nos salvará. 

sábado, março 15, 2014

O descontentamento surdo


Quando se olha para trás e se observa a eleição da atual presidente, Dilma Roussef, se constata que o Partido dos Trabalhadores-PT e seus candidatos estavam numa situação muito mais confortável. Lula conseguiu, com uma estratégia esmagadora e a fragilidade e incompetência da oposição, fazer Dilma vencer a eleição para a Presidência, em grande parte pelo fato da economia brasileira, aparentemente, andar bem, pois, se gabavam, com farta publicidade, de ter superado o baque causado pela crise mundial de 2008 e, para demonstrar isto, mesmo sem pesar os custos, trabalharam (e abriram generosamente os cofres) para que o crescimento do Produto Interno Bruto-PIB, em 2010, atingisse, na única vez que se conseguiu isto no governo petista, o recorde de  7,5%. Nem mesmo o alerta da inflação alta de 6,71% afetou o resultado, de vez que, para gregos e troianos, se exibiam os números do aumento de emprego, de renda da população e a continuidade de uma política que se trombeteava correta.
Calaram-se, sufocados pelos alaridos e a propaganda eleitoral, o fato de que nada havia mudado substancialmente. A carga tributária continuava a ser a mais elevada do mundo, os juros continuavam a ser altos (embora suavizados), a desindustrialização era, como tem sido, contínua e, o mais significativo dos sinais, os investimentos, para quem conhece economia a única forma possível de aumentar o PIB no médio prazo, continuava no mesmo patamar do início do século. De nada adiantava alertar, como se alertou, que as palavras otimistas de Mantega de que teríamos “quinze anos de crescimento sustentável” não se sustentavam; que, sem investimentos, o voo de galinha voltaria a se repetir, seria inevitável. E, para tentar evitá-lo, houve mesmo esforços de facilitar o crédito, estimular o consumo e até mesmo de desonerar certos setores, mas, como seria de se esperar, esforços inúteis.
O governo petista tem um pecado original: é contra o sistema de mercado. Tem a filosofia de tentar controlar o mercado, de influir no mecanismo da oferta e da procura por um voluntarismo que a história já provou ser inútil. E, dentro de tal filosofia, construiu uma política econômica contraditória que, ao mesmo tempo, que não faz a lição de casa de cortar os gastos públicos e tornar as despesas públicas mais eficientes tenta controlar a inflação aumentando as taxas de juros, ou seja, dando um tiro no próprio pé, de vez que, pelo menos, um terço de suas dívidas são indexadas aos juros. Também apresenta uma péssima execução dos programas e projetos, inclusive o Plano de Aceleração do Crescimento-PAC, uma peça publicitária que envolve no mesmo saco investimentos públicos e privados, mas, onde a execução acontece apenas nos projetos privados. Nunca antes neste país, para usar o chavão lulista, se conseguiu um recorde tão grande de obras públicas paradas, de projetos que não saem do papel. E o resultado também é visível: os gargalos da infraestrutura, os péssimos serviços públicos, o sucateamento da educação e da saúde. 
Acrescente-se que o bem-estar que as pessoas sentiam antes, com o crédito farto e ganhos salariais, desapareceram com Dilma. Hoje, o endividamento geral e os salários que despencaram, a falta de bons empregos (o mercado desemprega os salários altos e emprega os de baixo custo), a reposição magra azedam o humor em relação ao governo. E a inflação se tornou um perigo real, embora o governo deseje pregar que se trata da oposição ou de muita imaginação de quem afirma isto. Porém, é a realidade do mercado onde a alta dos preços atinge quase todos os setores econômicos, mas, bate mais forte na alimentação e nos produtos dos supermercados, os insumos básicos, do dia a dia. Hoje, o descontentamento surdo vem de quem tem contas para pagar e, no fim do mês, percebe como subiram os serviços de cabeleireiro, manicure, escola, curso de inglês, telefone, gasolina, passagem de ônibus, alimentação e tantas outras coisas. Se Dilma Rousseff e Lula desconhecem esta realidade, e somente tratam de agradar o PMDB e o PT que brigam pelo supérfluo , é porque suas despesas são custeadas por outros. Mas, seria de se esperar que, pagando tantos assessores regiamente, estes, pelo menos, alertassem que, com a situação inflacionária atual, com o descontentamento silencioso que se propaga, a reeleição petista é um osso duro de roer mesmo contando, como conta, com uma poderosa máquina de propaganda, a boa vontade da imprensa e dos institutos de pesquisa e uma imensa quantidade de comissionados. Afinal o Titanic também parecia sólido. 

Ilustração:  www.lepanto.com.br

quinta-feira, março 06, 2014

O Paraguai não é aqui



Que o mundo muda muito e rápido todo mundo sabe, mas, quem, objetivamente, poderia pensar que o Paraguai seria um exemplo para o Brasil? Bem, para quem somente pensa no nosso país vizinho como um sócio menos importante, deveria observar que, no mês passado, uma Missão Empresarial Brasil-Paraguai, composta de 178 empresários ou representantes de empresas e entidades brasileiras, esteve em Assunção, capital do país, para conhecer de perto os incentivos oferecidos para investimentos estrangeiros e casos de empreendedores que já estão instalados no país. A missão foi organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios (Rede CIN), e liderada pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).
Sabe qual o resultado? Saíram de lá com inveja do que viram e a impressão de que o Paraguai está se modernizando e nos deixando para trás em muitos setores e, pasmem, em especial, em competitividade, de vez que muitos dos empresários disseram que o modelo de política de desenvolvimento industrial adotado pelo governo paraguaio deveria servir de exemplo para medidas efetivas que recuperem a competitividade da indústria brasileira. Surpresos? Então, observem as palavras ditas pelo empresário Rommel Barion, vice-presidente da Fiep e coordenador do Conselho Temático de Negócios Internacionais da entidade, “O que vimos aqui nos mostrou que se o Brasil não reagir para resolver seus problemas, vai ficar para trás” e acentuou que “No Paraguai, onde os custos de produção são, em média, 35% menores que os do Brasil, vimos que é possível criar um ambiente mais favorável”. Mas, o que mais impressionou os empresários foi verificar que o Paraguai tem uma economia estável, um sistema tributário simples, uma carga tributária muito menor que a do Brasil e uma legislação trabalhista simples ainda que assegure direitos ao trabalhador. Em suma, o Paraguai é  um país bom para se investir, que respeita as leis e possui bons marcos regulatórios.
Se alguém tiver dúvidas a respeito que consulte o presidente da Fiep e comandante da Missão Empresarial, Edson Campagnolo, que, em artigo publicado, no dia 06 de março,  na Gazeta do Povo, um dos principais jornais do Paraná, escreve sem rebuços que “Hoje, o ambiente de negócios no Paraguai é muito mais atrativo aos investidores que o do Brasil. A começar pela carga e pelo sistema tributários, infinitamente mais leves e simples. Vantagem especialmente para empresas que utilizam o território paraguaio como base exportadora. Pelo Regime de Maquila, é possível uma empresa produzir e exportar a partir do Paraguai com imposto único de 1% sobre o valor agregado dos produtos”. Até mesmo a energia elétrica, produzida por Itaipu, tem um custo menor lá, correspondendo a um terço das praticadas no Brasil. Campagnolo, com perspicácia, nos mostra que a missão serviu para alertar que precisamos encarar, urgentemente, as reformas necessárias para ter competitividade ou os investimentos e os empregos mudarão para o outro lado da fronteira. Sem querer promover a debandada de empresários nacionais para o país vizinho observa, com acuidade, que fazer os deveres de casa compensa, posto que o Paraguai com uma economia estável e a inflação controlada cresceu, vejam a ironia, 14,1% em 2013. E a formula é bem simples: o poder público, agora com Horácio Cartes, mais do que nunca, vê o empresário como propulsor do desenvolvimento do país e busca facilitar o surgimento e o fortalecimento das empresas incentivando a geração de emprego e renda. Pena que o Paraguai não é aqui. 


Foto: Agência FIEP/Gilson Abreu

domingo, março 02, 2014

Acabou-se a festa....


Embora não possa negar a idade, de fato, pelas probabilidades estatísticas estou mais pra lá do que pra cá, com os meus próximos sessenta e quatro, não me considero um saudosista. Em termos, no carnaval e na música, reconhecidamente sou.  E já tendo vivido os velhos carnavais do Rio de Janeiro, de Recife, Salvador e Porto Velho, certamente, tenho sólidas razões para ter saudades. Afinal quem conheceu os carnavais de outrora não pode olhar senão, com uma certa nostalgia, os carnavais atuais. A grande realidade é a de que, apesar da festa ter crescido em tamanho, perdeu em uma série de outros quesitos, entre eles, os mais sensíveis de paz, beleza e alegria.
Hoje, Porto Velho, por exemplo, estava um convite ao sono, como ontem, aliás, quando a Banda do Vai Quem Quer, uma tradição mantida duramente por Manelão, foi, por fim, interrompida. Não foi, efetivamente, a primeira tentativa. O carnaval de Porto Velho veio vindo, morrendo aos poucos, com intervenções de autoridades que impuseram regras e censuras a bailes, corsos, carros alegóricos, enfim, acabando com o desfile que já foi um dos pontos altos dos dias de Momo. Ultimamente nem mesmo a subvenção pública salvava os blocos de parecerem uma paródia dos velhos tempos, sem graça, sem samba, sem a alegria que, no passado, fazia o carnaval ser carnaval. Sem contar que sumiram muitos dos complementos que faziam sua beleza.
Se não me engano começou quando Jânio Quadros era presidente da República e proibiu o uso de lança-perfumes. Depois, mudaram o desfile, por razões diversas de um lugar para o outro, e sumiram as serpentinas, os confetes, as fantasias e até mesmo os bailes maravilhosos de outrora, como foram os do 5º BEC, do Ypiranga, Ferroviário e outros sempre muito prestigiados pelo povo até porque, agora, se cobra uma fortuna sobre direitos autorais, de forma que utilizar músicas se torna quase inviável.  O que vemos, hoje, aqui em Porto Velho, é o que sobrou da resistência: poucas, modestas escolas de samba, que teimam em desfilar com enorme esforço pessoal de alguns abnegados. Eles lutam, mas, o carnaval não tem mais o mesmo encanto e não temos perspectivas de reviver os velhos tempos.
Não é muito diferente mesmo no Rio ou em Salvador. O carnaval, por lá, virou um grande negócio que engorda diretorias de escolas e blocos, hotéis, fazedores de abadás, e o que acontece de real mesmo é a aglomeração dos jovens, com roupas padronizadas, em torno de bares e casas noturnas. Ah! Tem o desfile da Sapucaí. Outro grande negócio que virou palco de desfile de celebridades enxertadas com silicone. Longe, bem longe, estamos dos sambas enredos de verdade, uma mistura de samba do crioulo doido e ingenuidade que tinha sabor. Hoje até o samba tem gosto de linguiça. Nem queira saber como se fabrica.  

Não, por acaso, me vi revendo Capiba, Nelson Ferreira, as velhas marchinhas de carnavais passados, como a de Francisco Alves cantando “Ó pé de anjo! Pé de anjo/ és rezador, és rezador/ Tens o pé tão grande que é capaz de matar Nosso Senhor”. Neste domingo, pensativo, ponderei para mim mesmo, que Nosso Senhor, mesmo vítima do pezão pode ressuscitar. O carnaval brasileiro está difícil. Ingressou, definitivamente, no mar da mediocridade geral. Prefiro o sossego que assistir a maior festa nacional ter se transformado num imenso zumbi. Nós, brasileiros, estamos provando que chegaremos ao passado sem ter tido presente. O carnaval de hoje é um imenso velório disfarçado de alegria. As cinzas se espalham antes da quarta-feira. 

terça-feira, fevereiro 25, 2014

O desacerto do tempero




Tem sido quase uma formula consagrada dos governos petistas, o processo que se iniciou com Lula da Silva, de, nos dois primeiros anos de governo, agir com mão de ferro, sufocando as demandas sociais, para fazer os ajustes necessários e, no último ano, abrir as portas para fazer gastos e se reeleger. É um tipo de comportamento que tem dado certo, tanto que elegeu Dilma, mas, esta, pelo andar da carruagem, não adotou o sistema, o que pode influir, decisivamente na próxima eleição, apesar da passividade e da falta de uma maior capacidade de aproveitar os erros da política atual do governo.
Há, ainda mais problemas com a questão salarial, com sérios descontentamentos de amplas camadas do funcionalismo público, que, mal tiveram a recomposição das perdas, e com a legislação eleitoral que estão impedidos de ter aumentos neste período. Acrescente-se que, se no governo de Lula, já não havia um atendimento das reivindicações dos servidores e se adotou a prática de escalonar os salários por anos seguidos, numa forma disfarçada de fingir que melhora os salários, mas, na verdade, quando os funcionários recebem, acabam percebendo que a inflação “comeu” significativa parte do que seria, efetivamente, melhoria. No governo de Dilma, as negociações foram conduzidas com mão de ferro sem que, de fato, houvesse a menor flexibilidade em relação a muitas das reivindicações. Exceto os comissionados, o que se observa é que os funcionários públicos se encontram cada dia mais numa situação financeira mais aflitiva com a sua grande maioria endividada, via empréstimos consignados.
Acontece também que um dos erros primordiais da atual política do governo foi a de, no tempo errado, aumentar a taxa de juros comprimindo a taxa de crescimento da economia, o que, entre outras coisas, o obrigou a tomar medidas populistas para tentar aquecer a demanda como a diminuição do custo da energia, a manutenção do custo dos combustíveis fora da realidade e as desonerações, bem como a criação de formas de transferência de recursos para os mais pobres. O resultado todo mundo sabe: inflação e mais aumento da taxa de juros. Quando se erra a mão o jeito é buscar salvar o que é possível. É o que o governo tenta com um ajuste fiscal que corta R$ 44 bilhões e pretende alcançar um saldo primário, em 2014, de 1,9% do PIB-Produto Interno Bruto, a mesma taxa obtida em 2013, gerando um caixa de R$ 99 bilhões. É uma tentativa salgada na medida em que, ano de eleição, é ano de abrir as burras, ou seja, um ano complicado para realizar ajustes mais drásticos e que, com um governo que já tem problemas de apoio, desagrada significativa parcela dos políticos que precisam se reeleger e sem que suas promessas (de obras e recursos) sejam realizadas ficam numa situação difícil. O não atendimento de promessas e o corte de emendas de parlamentares, que são muitas, implica em atritos e pode significar importante perda de apoio político. Acrescente-se que, pelo lado das despesas, boa parte já é “carimbada”, sendo de difícil redução, e pelo das receitas, as dificuldades também são muitas, já que as desonerações (mesmo que com cortes) são essenciais para que o crescimento anêmico da economia (previsto para 1,67%) não fique pior ainda. O certo é que o governo não vem acertando a mão no tempero e, da forma que a cozinha anda, se houver uma pressão mais forte, o desacerto no tempero será inevitável. E, com o aumento da violência e as insatisfações com os serviços públicos, elementos é que não faltam para que a comida seja indigesta. Não é à-toa que já se observa, entre os militantes petistas, um movimento “Volta Lula”. É a constatação de que, apesar da falta de oposição, a má condução política está levando o partido à perda do poder.

sexta-feira, janeiro 17, 2014

A distorção política da realidade


A lógica no Brasil está cada vez mais torta. Não há exemplo maior do que a polêmica (?) que envolve os tais dos “rolezinhos” que, ultimamente, se espalharam como uma praga pelo país, supostamente, como protesto contra a “discriminação contra os jovens pobres”. O tamanho desta besteira só é maior por ser suportado por afirmações de autoridades, como a ministra da Igualdade Racial, Luíza Bairros (PT), ao afirmar que os jovens que participam dos rolezinhos nos shoppings são vítimas de "discriminação racial explícita" (????) ou a do ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, de que os shoppings promovem uma “discriminação social" (????)  ao proibir a entrada de jovens da periferia. E, numa total inversão das coisas, chegou a afirmar que houve, mais uma vez, a ação inadequada da polícia que “acabou botando gasolina no fogo” e ainda teve a coragem de criticar as administradoras dos shoppings declarando “Eu não tenho dúvida de que a concessão dessas liminares (para proteger os shoppings) contra os rolezinhos também é um erro. Para mim é, no mínimo, inconstitucional.” O que é, no mínimo estranho, é que este honorável senhor seja o primeiro a correr para usar a polícia quando qualquer manifestação ameaça bater na porta do Planalto, ou seja, parece que a Constituição, ou sua interpretação, muda de acordo com os interesses.
As palavras ficam ainda mais bizarras quando se lembra que as ruas, os prédios do governo, as praças são públicas, enquanto os shoppings são empreendimentos privados, por sinal, criados para gerar bem-estar, segurança, lazer e atividade econômica lucrativa. Será que isto é possível com a invasão de uma multidão de jovens? É uma gigantesca inversão dos fatos alegar discriminação, quando os shoppings e os lojistas pretendem apenas manter a ordem, proteger o próprio patrimônio e garantir a integridade dos seus consumidores, que costumavam frequentá-los como se fossem ilhas de segurança na visível insegurança das cidades brasileiras. É um total contra-senso quando contrapostos os discurso e o comportamento, pois, as autoridades consideram normal ter todo o direito de manter seguranças, cobrar identidades, exigir crachás, esvaziar ruas e praças, mas, os shoppings não tem direito de se precaver contra tumultos orquestrados, planejados ou não, que podem provocar grandes problemas e prejuízos? É a lógica torta de que os “pobrezinhos” tem direito a tudo por serem pobrezinhos. E os direitos dos outros onde ficam? Quem ressarciu, por exemplo, os prejuízos e lucros cessantes de lojas atingidas nas manifestações de vândalos no ano passado? E não se tem notícia, em qualquer parte deste país, de se ter impedido jovens, pobres ou não, de entrar nos shoppings. Agora será que é possível se ter segurança e normalidade com centenas de jovens pendurados numa escada rolante? Será possível reunir tantos jovens sem comprometer as atividades econômicas e sem tumulto?
Não é à-toa que a violência se alastra. Há uma completa falta de visão sobre os direitos e deveres. Nossas polícias têm lá seus defeitos, mas, vivem sendo alvo de críticas contundentes e eleitoreiras, quando, muitas vezes, apenas cumprem, e muito bem, o seu papel. É absurdo que não se crítica os que fecham estradas, ruas, invadem prédios ou acampam em locais inadequados e tumultuam ou tentam tumultuar a vida dos cidadãos, dos trabalhadores, das cidades. A polícia, mesmo quando se excede, age em reação, mas, acaba se tornando não quem zela para segurança, mas, o alvo preferencial até mesmo da imprensa e da politicagem barata que apóia barbaridades cometidas por manifestantes que podem ter a causa mais justa do mundo, mas, devem responder pelo que fazem e pelos problemas que causam. É este tipo de comportamento que acirra o faroeste em nossa vida cotidiana; que conduz à inacreditável comemoração feita, em Campo Novo, pela morte de oito bandidos de um bando que aterrorizou a cidade. Como a violência se vulgarizou, a barbárie parece normal quando feita para restaurar a ordem.

É preciso que se restabeleça a ótica correta. Que as autoridades assumam suas responsabilidades e usem a ação policial contra os que, pobrezinhos ou ricos, discriminados ou não, atentem contra a ordem pública, sem receio de que as imagens da ação policial sejam usadas nas campanhas eleitorais. É preciso firmeza para preservar e defender os direitos da maioria, garantir o direito de ir e vir e proteger o patrimônio público e privado. Não se pode aceitar como normal a lógica enviesada de que é possível se ter direitos sem respeitar os direitos alheios; que se pode ter direitos sem deveres. Ora, no caso dos rolezinhos, não se respeita os direitos nem dos empresários, nem dos freqüentadores dos shoppings. Ou será que alguém é capaz de defender que tais manifestações serão sempre ordeiras, pacíficas e que não causarão nenhum prejuízo? Se tiver alguém com esta certeza que se providencie, por favor, tratamento médico, de vez que chegou ao ponto máximo de distorção da realidade.  

terça-feira, janeiro 14, 2014

O primeiro fracasso de 2014 antes dos primeiros quinze dias de janeiro


É certo que, no fim do ano, com a mudança do calendário até tentei reviver o otimismo relevando os problemas, como se fossem fruto de uma certa melancolia que sempre ataca as pessoas mais maduras. Como tento viver o presente, com o otimismo possível sobre o futuro, abomino a ideia de que o passado foi melhor, mas, ultimamente, está difícil, muito difícil mesmo, não pensar que foi. A questão é que, mesmo tentando exercitar o otimismo, houveram os assassinatos de pessoas na Zona Leste com tiros que, pelo menos, foi a versão passada, atingiram os que tiveram o azar de estar por ali. Depois houve o episódio de uma prisão no Porto Velho Shopping que espalhou um pânico geral. Porto Velho ficou uma capital, por uns dias, tomada pelo medo. É verdade que não se trata de uma síndrome local. Basta ver os ônibus depredados Brasil afora, os fechamentos de comércios, “rolezinhos”, as mortes, assaltos e roubos que infestam o noticiário. O crime parece ser, agora, a normalidade a tal ponto que ninguém mais nem liga. Aqui, famosos ou não, podem levar balas que não vão causar o mesmo espanto que houve na Venezuela, embora lá os homicídios sejam tão comuns quanto por cá, mas, talvez, não tão geograficamente dispersos.
É assustador que, embora todas as autoridades públicas, das mais altas as mais baixas, insistam em dizer que estamos seguros, por outro lado, todo anos se contabiliza cerca de 50 mil homicídios, o que é muito mais do que baixas de uma guerra, sem contar os mortos “informais” que, como não se desconhece, deve ser mais uns 5%, no mínimo, que não aparecem nas estatísticas. Mata-se muito mais por aqui do que em lugares mais conflituosos e muito mais desestruturados, como Burundi, Haiti ou Honduras. Podemos não ser campeões do mundo, mas, somos, proporcionalmente, os campões absolutos em taxa de homicídios. Sem contar com outros 40 mil brasileiros que são mortos no trânsito. Mas, como dizem nossas autoridades, nada de pânico. Está tudo sob controle. Comecei o ano com tal convicção.

A questão são os fatos. É o motorista que perde o controle dos ônibus e, pluft, mata e fere um bocado de pessoas. São os assaltos a caixas eletrônicos e bancos e, em especial, a ousadia cada vez maior dos bandidos com as mortes que suas ações causam. Em Porto Velho mataram um bandido num assalto. Em Campo Novo, depois de terem atacado um quartel e roubado armas, assaltado bancos e outros comércios, um grupo de elite da polícia matou oito dos dez assaltantes. Busco uma explicação para tanta violência no cotidiano e penso que a violência aumentou ainda mais com o desarmamento. Os bandidos ficaram mais afoitos. É muito menos provável que as pessoas de bem estejam armadas. Não posso deixar também de correlacionar estes fatos com os inacreditáveis índices de falta de educação dos brasileiros. Com o fato de que somente metade do contingente de jovens de 15 a 17 anos estão na escola; que os jovens brasileiros estão mais voltados para o trabalho do que para os estudos, que, enfim, nossa educação é um desastre completo. O governo que não consegue conter a ação dos bandidos nem mesmo dentro dos presídios é o mesmo que deseja tudo controlar, que deseja dizer ao cidadão até o que deve fazer, ou não, que tenta modernizar tudo que possa aumentar a arrecadação, no entanto, não faz o dever de casa mais elementar que é o de educar sua população. Como acreditar, então, no futuro? Como ser a favor de tanta incompetência? Como crer nos discursos maravilhosos de final de ano de que o pessimismo geral não tem base? Gostaria de saber, pois, tentei ser otimista, mas, fracassei antes dos primeiros quinze dias de janeiro. E não vou colocar a culpa nem na oposição nem na imprensa. 

domingo, dezembro 29, 2013

Uma opção pela esperança


Fim de ano é sempre tempo de balanços, de memórias, de planos, de retrospectivas e de previsões. O ano de 2013 não foi um ano fácil. Foi um ano surpreendente, em especial, por causa das grandes manifestações públicas de junho pelo Brasil afora, porém, mais ainda inquietador por ter deixado a descoberto os grandes problemas nacionais, como o da crescente violência, da baixa qualidade da educação, dos hospitais e universidades sucateadas, pela desindustrialização crescente do país com o aumento explosivo das exportações e, para encerrar as coisas negativas, o fato de que as ações do governo tem sido burocráticas, meras panaceias, que não atacam as raízes dos problemas nacionais.
É, por um lado, muito desalentador, principalmente, porque este parece ser um padrão mundial. Sem dúvida parece existir uma estagnação dos pensamentos, de propostas e de renovação de lideranças que torna os debates sem atração, torna todos, como se diz no Nordeste “farinha do mesmo saco”, num momento em que se pede soluções novas, inovações na forma de agir e de pensar. São muitos os que apontam o fato de que nossa sociedade não é sustentável; que, ou mudamos o sistema econômico vigente, ou caminhamos para uma catástrofe que hoje nem se consegue imaginar. Porém, a triste realidade é que não surge nada novo. Só temos mais do mesmo.
Neste fim de ano me anima, porém, um dado novo e interessante que foi mostrado por John Parker, jornalista e editor da revista britânica “The Economist”, num artigo em que ressalta que, nos últimos 50 anos, aconteceu um declínio no tamanho das famílias.  Segundo ele, no próximo ano teremos um marco desta mudança quando na Ásia, a taxa de fecundidade total cairá para 2,1.  Em 1960, a fertilidade média da Ásia era de 5,8. Isto graças a que se prevê que, na China, em 2014, será o ano em que as mulheres passarão a ter, em média, dois ou mesmo um filho apenas. É claro que isto é uma decorrência dos problemas econômicos. Não é nada fácil criar filhos, daí a queda de fecundidade ser um fenômeno mundial, mas, é mais significativa na Ásia por concentrar metade da população mundial.
Cito este tipo de dado novo como um sinal, porém, existem muitos outros, como, por exemplo, o avanço de novas técnicas de ensino à distância e a quebra de paradigmas de que a sala de aula tende a se confundir com o mundo. Estes tipos de sinais me dão a esperança de estejam acontecendo mudanças imperceptíveis,  que a hipótese da própria natureza ser mais sábia que o homem e criar sua própria homeostase, seu equilíbrio interno, me parece cada vez mais encantadora. Talvez seja só mesmo uma forma de criar esperança, de ser otimista. Mas, talvez, seja o cansaço de tantas previsões de que, em 2014, teremos mais do mesmo. E, convenhamos, no fim do ano é preciso renovar, pelo menos, a esperança.   



segunda-feira, dezembro 16, 2013

O sinal de alerta ao País do faz de conta


Na semana passada foi notícia em toda a imprensa o resultado do Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos, que se trata de um ranking organizado pela  Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é aplicado a 470 mil alunos de 15 anos, oriundos de 65 países industrializados, incluindo países emergentes, que é, sistematicamente, feito de três em três anos para comparar os níveis e os investimentos em educação nos diversos países. Infelizmente, como é do conhecimento geral, o Brasil, neste século XXI, tem se notabilizado por não sair das últimas posições. Por mais que se tente despistar o vexame, a realidade é que estamos em 55.º lugar em leitura e compreensão de texto; em 58.º na matemática e 59.º em ciências, e, no cômputo geral, em 55º lugar.
Não é surpresa para ninguém este resultado. Efetivamente a educação somente tem sido prioridade no discurso político e está longe de ser na prática, no dia à dia. Em relação à educação, em todos os campos, há muita retórica e pouca mudança. A grande realidade é que os professores, além de mal pagos, estão completamente desamparados em escolas normalmente em nada (e muitas vezes em condições muito piores) do que as  do século passado. Cobra-se do professor que resolva os problemas da educação quando ele, como os alunos, acabam sendo as maiores vítimas de um sistema que os condena a serem olhados como coitadinhos, como mera massa de manobra, e de pancada, para a inércia que torna o sistema educacional o setor mais atrasado de nossa realidade.
Há uma completa pasmaceira, que é coberta por planos e promessas falaciosas, como a de investir 10% do PIB na educação. Investir mais dinheiro na educação do jeito que está é o mesmo que insistir em tratar o doente dando mais de um remédio que não funciona. A questão real não é dinheiro, embora o dinheiro possa ajudar, mas, sim de instrumentos, de gestão, de determinação de mudar, de fato, a educação no País. Um exemplo fantástico disto é o de que, enquanto as universidades federais e seus cursos aumentam o número de alunos em condições precárias, se gastam milhões na criação de novas universidade e escolas técnicas, em geral em edificações, por razões bastante plausíveis politicamente, mas, que não resolvem nada em termos educacionais.
Somos um país no qual se cobra dos professores a produtividade dos professores norte-americanos, que ganham 20% a mais do que a média de todos os salários do país, enquanto os pobres professores brasileiros ganham 20% a menos. Como a carreira não é atraente será que os melhores a procurarão? E, muitos, sem o menor preparo, desprestigiados e desanimados, ainda enfrentam na sala de aulas jovens que vivem no tempo da internet, dos vídeos, dos audiovisuais e dos games, com cuspe e giz. Como resultado será que é de estranhar que 5,3 milhões de brasileiros, entre 18 e 25 anos, não estudam nem trabalham? Será que espanta saber que 23% dos jovens da faixa etária avaliados pelo Pisa não estão sequer na escola e que 70% deles são mulheres, pessoas que, em tempos passados, seriam as sementes de grandes professoras? É tempo de  olhar os resultados do Pisa como o que eles são: o fracasso do modelo político brasileiro. Um sinal de alerta de que é preciso acabar com o País de faz de contas e construir o Brasil real e começar por cuidar, de fato, da educação.



sexta-feira, dezembro 06, 2013

6ª CBAPL foi uma exposição da diversidade brasileira


Em geral conferências nacionais tem sido ou uma mera convalidação de políticas antes já decididas, com a arregimentação de grupos de apoio para bater palmas, ou, quando muito, uma ocasião para fazer política eleitoreira com promessas de melhorias que terminam nas proposições. Não foi o caso da 6ª CBAPL-Conferência Brasileira de Arranjos Produtivos Locais, que teve como tema “Sustentabilidade dos APLs: Governança, Conhecimento e Inovação”, realizada entre os dias 03 e 05 dezembro, em Brasília. Quem participou teve condição de verificar que foi uma conferência múltipla, rica e com diversos desafios estimulantes tanto sob o ponto de vista do fazer, como da elaboração de políticas públicas e de debates acadêmicos.
O sucesso do evento começou pelo fato de que, entre os patrocinadores, aparecia, para surpresa de muitos, no meio de tradicionais promotores deste tipo de evento, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Nordeste, o Banco da Amazônia e o BNDES, um patrocinador privado, o Bradesco. E não é por acaso que o maior banco privado do país estava lá, de vez que seus representantes informaram que apóiam mais de três centenas de arranjos produtivos em todo o Brasil. Porém, o interessante, e os méritos vão, sem dúvida, para o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior-MDIC, que conseguiu a proeza de reunir técnicos governamentais, empresários e acadêmicos para um debate que se caracterizou por ser variado e estimulante e, melhor ainda, sem viés político, para discutir os problemas reais da produção, da comercialização e dos entraves que fazem o país permanecer abaixo de suas potencialidades.
Ressalte-se que isto foi feito com o talento também de apresentar uma gama de casos de sucesso que merecem ser ressaltados como foi o caso da diretora do Centro Brasileiro de Rochas Ornamentais, Olívia Tirello, do que foi feito, por exemplo, para desenvolver Passo Fundo, apresentado pelo professor Marcos Alexandre Cittollin, de Polocentro, um pólo de tecnologia da Serra Gaúcha, apresentado pelo seu presidente, Antônio Augusto Tessari ou, para irmos até o Nordeste, buscar o caso do Núcleo de Produção Engenho Digital-NPED apresentado por Caio Vinicius Dornelas-só para citar alguns. Mas, houve uma exposição de produtos originados dos APLs que trouxe redes de Jaguarana, por meio do Marcos Abreu e do Alex, jóias de Cristalina e do próprio DF, Cachaça de Góias, mel, laranja e casca de laranja defumadas, enfim de tudo um pouco.
Também, é difícil até citar pela qualidade das palestras, mas, para citar algumas entre as que assisti, valeu a aula do José Eduardo Cassolato que ressaltou terem os arranjos produtivos ocupado seu espaço recuperando a noção de que a produção se dá no território, é coletiva e se dá por meio do aprendizado interativo e enfatizando que a “a governança de fora para dentro não funciona”; embora discordando de alguns pontos, em especial a falta de acentuar que a inflação é uma inflação dos preços administrados e não de mercado, também foi muito boa a do economista do Bradesco, Robson Rodrigues Pereira, sob o cenário econômico; a inspiradora palestra de Susan Andrews do Parque Ecológico Visão Futuro sobre o FIB-Felicidade Interna Bruta, a do secretário de Inovação do MDIC, Nelson Akio Fujimoto, com a exposição do Inovativa Brasil, que apóia novos empreendimentos voltados para a inovação, bem como as também muito interessantes palestras sobre audiovisual de João Guilherme Barone Reis e Silva, de Cesar Piva, Fabio Cândido e Luiz Andrade, mais ressaltando as vantagens competitivas de Nitéroi. Com certeza estarei sendo injusto com muitos outros que precisariam ser lembrados, mas, a intenção foi ressaltar a riqueza e a abrangência do tema que incluiu até a necessidade de integração cultural e produtiva com os outros países do Mercosul.

Em especial me tocou de perto a percepção de Marcus Franchi, discutindo os APLs de audiovisual, por acentuar o enorme fosso que existe entre, digamos assim, o Brasil real e o Brasil visto de Brasília, que aparece nas exigências que se faz de um tecnicismo que está longe da realidade brasileira. Franchi mostrou que a política do Ministério da Cultura, e pelo que vi ele ainda mais, tenta se aproximar criando meios para facilitar o acesso a recursos do que chamamos de Economia Criativa, porém, o governo é uma caixa preta difícil, cheia de siglas e quadrados onde as demandas públicas se emaranham e morrem. O certo é que o Brasil está complicado, apesar de suas imensas possibilidades, e a 6ª CBAPL nos trouxe situações inusitadas como a de que, e é uma política correta, o Sebrae tratar de grandes empresas. É uma inovação e uma demonstração de que é preciso ter coragem de assumir os riscos e mudar as formas de agir e perceber o País. A Conferência também teve o mérito de ser um choque de realidade que nos informou sobre os problemas sem deixar de ter uma visão otimista sobre o futuro.