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quinta-feira, novembro 08, 2018

OS DESAFIOS DO GOVERNO BOLSONARO



O novo presidente da República, Jair Bolsonaro, possui uma oportunidade única de fazer com que o Brasil avance, realmente, em direção a um futuro melhor. O otimismo que o envolve começa pelo fato de que, ao contrário dos presidentes anteriores, sua ascensão é bem vista pelos principais parceiros e países do nosso país. O comportamento do mercado e a queda do dólar são os sintomas mais evidentes desta visão, mas, já houve manifestações de que os investimentos estrangeiros deverão também aumentar com o novo governo. Neste sentido, a sua sinalização de que pretende negociar com o mundo inteiro, bem como melhorar o ambiente de negócios, inclusive com maior privatização e desburocratização, soa como música aos ouvidos dos empreendedores e investidores nacionais e estrangeiros.
O governo Bolsonaro, no entanto, terá que fazer alguns esforços em áreas que precisam, efetivamente, de uma maior atenção e são importantes instrumentos para a geração de emprego e de renda, bem como fundamentais para iniciar um novo ciclo de desenvolvimento econômico. Claro que a economia surge como prioridade. Sem o controle das contas públicas, sem os recursos para manter as atividades administrativas e os investimentos necessários em infraestrutura, o seu governo terá muito maior dificuldade. Todavia, neste primeiro ano, bastará que tome as iniciativas corretas para que já passe a ter um crescimento mínimo de 3%, o que não é o ideal, mas, o possível no início de governo. O setor financeiro deve merecer atenção especial. Como também o turismo, que tem um imenso  potencial, se  tratado com o foco que merece. Este ano o substancial aumento de turistas no carnaval já mostrou a força do setor, mas, dados do Conselho Mundial de Viagens (WTTC), demonstram que o turismo tem sido responsável por um em cada cinco empregos gerados no mundo na última década. No Brasil são 2,9 milhões de empregos e 6% do Produto Interno Bruto-PIB, bem abaixo do que representa o setor no PIB Mundial (10,4%). E o Brasil, que possui vantagens competitivas diferenciadas, com um amplo leque de  paisagens, clima e cultura para os mais variados perfis de viajantes, pode abocanhar um pedaço muito maior do mercado mundial de turismo. Previsões modestas detectam a capacidade de, em dois anos, criar, pelo menos, 1,8 milhões de empregos e injetar cerca de R$ 10 bilhões no país somente com medidas acertadas, como uma melhor divulgação, desburocratização, redução de impostos para a atração de investimentos no setor.  Acrescente-se que, o turismo tem um enorme efeito cascata, por abranger mais de 60 tipos de atividades econômicas, e ainda permitir a utilização de jovens no mercado do trabalho, ajudar na revitalização e conservação dos patrimônios histórico, artístico e cultural. É claro que isto passa também, em determinados locais, como o Rio de Janeiro ou Fortaleza, pelo combate à violência, o que é bem mais complicado. Ocorre que, em outros espaços do Brasil, em particular na Amazônia, bastará um programa de investimentos bem feito, e envolvimento da população em projetos de turismo regionalizados, para se conseguir aumentar, significativamente, o fluxo de turismo. E o turismo é um indutor de uma necessidade básica do país: uma educação de qualidade. Aliás, espera-se que o governo Bolsonaro faça o que, efetivamente, nunca foi feito na educação: um esforço sério e continuado de melhorar o nível da escolaridade brasileira. Há muito o que ser feito, mas, iniciar um grande esforço na área é essencial e uma tarefa urgente.

sexta-feira, outubro 26, 2018

A DESSARUMAÇÃO DO SISTEMA POLÍTICO



Lula, que sempre foi o dono do Partido dos Trabalhadores-PT, afirmava que quando assumisse o governo daria solução para os problemas brasileiros. E passou mais de trinta anos chamando os outros partidos de corruptos, pregando a divisão de classes (o nós contra eles), xingando as elites (ainda quando comandava o país, ou seja, quando era ele é a elite-mor). Não se pode dizer que não teve seus quinze minutos de fama: amparado na multiplicação das benesses a sindicalistas, órgãos de comunicações e movimentos sociais montou a maior claque que o Brasil já teve. E, navegando no crescimento mundial e na liberação do crédito, fez a população acreditar que o Brasil, de uma hora para outra, tinha acabado com a fome, criado uma via de desenvolvimento sustentável e se transformado em país de primeiro mundo. A fantasia durou enquanto duraram as burras cheias de dinheiro do tesouro. Já no final do seu segundo mandato as coisas estavam feias, mas, pioraram significativamente quando entregou o cetro à Dilma Roussef, apresentada como a “gerente”. E ela gerenciou a derrocada por quatro anos. E, não satisfeita, apesar do rombo que o caixa apresentava, partiu para ganhar um segundo mandato, onde não somente gastou milhões com empresas de marketing político e de comunicações, utilizando amplamente as mídias sociais, inclusive fazendo o que, hoje, acusam Bolsonaro de fazer, o WhatsApp, com mensagens propagandísticas. Elegeu-se, mas, a deterioração do governo e do partido já havia alcançado limites inimagináveis: nunca antes neste país houve tanta corrupção. Todos os outros partidos estavam envolvidos, pois, o PT havia comprado todo mundo no atacado ou no varejo. A Lavajato explodiu o tumor e a credibilidade do PT foi para o ralo. O povo viu que Lula havia acusado os outros do que sabia fazer muito bem. Não são as mídias sociais, nem a inteligência ou a esperteza de Bolsonaro que estão derrubando o PT. O PT, hoje, luta contra o povo que acreditou nele. Pode mudar as cores, todavia, não pode mais se apresentar com a cara limpa e honesta que um dia já teve. Efetivamente, o povo não esquece o estelionato eleitoral de que foi vitima, da enganação maciça, da tapeação gigantesca que foi a reeleição desastrosa de Dilma. Nem de que, com ela, começou a pagar a conta do que o PT denomina, hoje, dos “anos felizes”: recessão, desemprego, corrupção e endividamento. Bolsonaro foi o felizardo por sua luta contra o que sabia ser errado. Com todas as suas contradições e limites encarna a mudança. Encarna a decência contra a corrupção, a esperança de paz contra a violência predominante, a esperança na política e nos políticos. É uma aposta que pode não dar certo? É. Mas, o povo não quer mais o PT. O PT não entendeu que não luta contra Bolsonaro, mesmo com a fala lúcida de Mano Brown. Luta contra a maioria da população que não aceita mais o partido. Não há a mínima condição do PT ganhar. Os petistas se desesperam gritam, esperneiam, choram, chamam os outros de fascistas, inventam fakes, usam crianças numa propaganda que chega às raias da inconsequência, querem puxar o tapete, mudar o mundo e as regras. O problema é que a democracia é uma questão aritmética, de voto: ganha quem a maioria quer. E o nome está na rua, na mídia e estará nas urnas do dia 28: Jair Bolsonaro. É uma aposta na interrogação, porém, os brasileiros preferem o desconhecido ao que já se provou ineficiente e danoso. Bolsonaro é a desarrumação popular contra tudo que está aí e que o povo não quer mais.

terça-feira, outubro 23, 2018

APROXIMA-SE DO FIM A GUERRA ELEITORAL DAS SANDICES



Esta é, sem dúvida, a campanha mais bizarra, mais surpreendente, violenta e  insólita que o Brasil já assistiu.  Jair Bolsonaro e o poste de Lula continuam trocando pérolas, se estapeando, se esmerando em dizer besteiras e acirrar os ânimos entre suas duas claques. O democrático, e moderado, Haddad, que dizem os seus adeptos, não tem o menor pendor para ser fascista, foi o primeiro a dizer que Jair Bolsonaro é um "anti-ser humano a ser varrido da face da Terra". E, claro que como Lula ele não sabe de nada, enquanto o PT tentava emplacar a hastag #BolsonaroAnticristo no Twitter. Vindo da esquerda petista qualquer coisa é normal. Por outro lado, Bolsonaro disse que “A faxina agora será muito mais ampla, se essa turma quiser ficar aqui vai ter que se colocar sob a lei de todos nós, ou vão pra fora ou pra cadeia. Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria”. Ele colocou a lei no meio, mas, é uma afirmação que tem muito pouco de bom senso. E que joga lenha nos ataques e acusações de fascismo contra ele, que nem liga, e contra seus eleitores que, estimados em mais de 60 milhões, estão bem longe de ser isto. Chamo tudo isto de “fumaça eleitoral”. O problema é que isto desviou a campanha de qualquer discussão importante. Virou um desvario virtual onde muitas pessoas que pensam se perderam e passaram a se comportar como policiais da opinião alheia, com professores, que deveriam educar, partindo para acusações infundadas, a repetir slogans vazios e até mesmo utilizando palavras de baixo calão. É um festival de sandices que só desperta o pior do ser humano e nojo de olhar para o Facebook ou ver as “descobertas” e fakenews, via whatsapp, que são enviados como se fossem o suprassumo da sabedoria humana querendo colonizar a cabeça alheia. Me poupem! Ninguém, com a idade que tenho, vai conseguir mudar meu modo de pensar, nem me impedir de analisar com os meus próprios neurônios.
Bolsonaro, é claro, tem seus problemas. Não é um mito. É um homem que encarnou a vontade de milhões de mudança. E a mudança é contra o PT com toda razão. Afirma Sérgio Pardellas, num artigo denominado de “A cristianização de Haddad” (https://istoe.com.br/a-cristianizacao-de-haddad/) que “o partido que se recusou a assinar a Constituição de 1988, votou contra o Plano Real, não topou participar da coalizão em torno de Itamar Franco pós-impeachment de Collor e que buscou a hegemonia por meio do aparelhamento do Estado, da corrupção institucionalizada e da perseguição inclemente a adversários políticos, muitos tratados como ‘inimigos a eliminar’, não dispõe de autoridade moral para entoar, aos 48 do 2º tempo, a cantilena da aliança do ‘centro democrático’- desde que encabeçada pelo PT. Repetindo a sentença-sinceriCIDio de Gomes: o partido que adota a mentira como dogma de ação ‘vai perder e vai perder feio’”. É o que se constata de todas as pesquisas sérias que foram feitas, neste segundo turno, onde Bolsonaro supera a casa dos 60% dos votos válidos e se consolida como virtual presidente com uma vantagem acima de 21,5 milhões de votos. A rejeição de Haddad é muito maior e o Ibope constatou que 60% dos eleitores não votam no candidato petista. Esta a razão pela qual afirmo que, quem está indo contra ele está indo contra a maioria do povo brasileiro. São os fatos. O PT já teve esta maioria a seu favor. Não tem mais. O PT luta contra o povo brasileiro. Por isto, não importa o que façam, digam, estrebuchem, chiem. No domingo perderão. Já perderam. Só irão constatar na contagem dos votos.


segunda-feira, outubro 22, 2018

A VIA CRUCIS DO PT E DA ESQUERDA BRASILEIRA



É impressionante a fragilidade do discurso de esquerda nesta eleição de 2018. Se uma de suas capacidades sempre foi a de vender o sonho, o imaginário, novas formas de ver o mundo, o que se mostra, nesta eleição, é que se encontra à direita da direita, de vez que, hoje, luta pela conservação do “status quo”, ou seja, são os verdadeiros conservadores. Nesta eleição bradam, desesperadamente, pelo politicamente correto, quando toda a cúpula petista se encontra na cadeia ou processada, e, sem a menor lógica, incorporam nos seus programas a descriminalização das drogas, o aborto e a liberdade de criminosos. Ignorando a vontade popular pregam a volta dos “bons tempos”, que não pode ser representado por eles, basta ver que escondem Dilma Roussef, o retrato do desastre econômico e são guiados por Lula, um detento.  O resultado é o que se vê: os segmentos ditos de direita, mesmo sem dinheiro e imaginação, conseguiram criar um conjunto de imagens, de estatísticas, de slogans que empolgam o eleitorado. O comportamento politicamente incorreto de Bolsonaro deixa os adversários encurralados numa armadilha: para tentar miná-lo precisam dizer que são politicamente corretos, quando não o são. Então, só restam os argumentos rasteiros: Bolsonaro é fascista, racista, misógino, homofóbico, e, agora, para completar, desonesto.
É um ótimo discurso para Bolsonaro. Principalmente, que sem poder sair do canto do ringue, a esquerda em geral, e os petistas em particular, se exasperam e exercem a censura, o moralismo, o policiamento e até o xingamento contra os que pensam diferente, em suma, perderam o patrimônio de ser a vanguarda da sociedade e foram empurrados para exercer o papel da direita mais extrema, de repressão, de acusações infundadas, de  policiamento ostensivo e antidemocrático da opinião e dos direitos alheios. É uma completa inversão de papéis: a esquerda se tornou extrema-direita! O que não enxergaram, até por problemas ideológicos, é que não existe ideologia nenhuma na ascensão de Jair Bolsonaro. Uma parte é culpa do insucesso do governo petista na economia, mas, outra parte é porque Bolsonaro encarnou o reclamo popular pela decência na vida pública. Contra isto não adianta dizer que Bolsonaro representa a barbárie (atribuindo a si mesmos os papéis de iluminados). Bolsonaro somente usa o figurino que o povo deseja de moralista, militar e defensor da ordem pública. Caiu nas graças do povo porque apareceu gritando primeiro contra a desordem, a desorganização, a anarquia de Brasília! Ganhou notoriedade por representar o diferente no meio do discurso tosco, comum e mentiroso dos políticos.  O capitão caiu na graça do povo e ganhou notoriedade por ser um “outsider”. E a participação de militares no seu governo é vista como um sinal de que se terá ordem no futuro, como um aviso de que as coisas irão mudar. Invés de causar temor, causa satisfação. E é contra este sentimento que a esquerda e o PT lutam. Querem derrubar Bolsonaro de qualquer jeito. Não respeitaram nem o seu bucho aberto por uma facada, mas, estrebucham desesperadamente na mão dos brasileiros que ignoram, sistematicamente, seus ataques, respondendo com o aumento da vantagem de Bolsonaro sobre seu adversário. A esquerda, que ironia, se colocou contra o povo! Irão se desesperar, sem jeito, até serem derrotados fragorosamente nas urnas no próximo dia 28 de outubro.


terça-feira, outubro 16, 2018

VITÓRIA DE BOLSONARO DEVE SER POR UMA DIFERENÇA MUITO MAIOR



A primeira pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada na segunda-feira, 15, confirmou o que as outras existentes já afirmavam: Bolsonaro aumentou a distância em relação ao seu adversário. Mas, os  59% das intenções de votos de  Jair Bolsonaro (contra 41% de Haddad), considerando-se apenas os votos válidos, uma  diferença a favor do candidato do PSL expressiva de 18% de vantagem pode ainda aumentar muito mais. É o que mostra a pesquisa Datafolha de 10 de outubro, onde Bolsonaro obteve 58% das intenções de voto, enquanto que para Haddad este número foi de 42% e apontava que a rejeição a Haddad agora é muito maior do que a de seu adversário: 47% dos pesquisados afirmam que não votariam nele em hipótese alguma enquanto que para Bolsonaro a rejeição foi de 35%. Este é um indicador que a campanha eleitoral em rádio e televisão de Bolsonaro está sendo mais eficaz do que Haddad em provocar o aumento da rejeição do concorrente.
Isto em grande parte porque Bolsonaro está sendo beneficiado por dois fenômenos conjuntos: 1) O PT optou por uma campanha de ataque ao que considera pontos negativos do seu concorrente e taxando-o de fascistas; 2) Há um grande sentimento antipetista e anti-Lula que, segundo pesquisa, dois terços dos brasileiros desejam que continue preso. A pecha de fascista em Bolsonaro parece muito pouco eficaz. Afinal se trata de um nome que, no primeiro turno, recebeu 49 milhões de votos e, como a insensatez do ataque se espalha, nas mídias sociais se torna mais negativo ainda com os petistas convictos tachando os eleitores de Bolsonaro de fascistas. É muito fascista no Brasil inteiro pelo visto. Só aumenta a rejeição ao PT e ao seu candidato.
Também o PT não desce do salto alto e não fez o seu “mea culpa”, apesar de toda a sua direção já ter experimentado a cadeia. Neste ponto, o senador eleito, Cid Gomes, detonou uma crítica que foi contundente: o PT agia como se fosse “dono do Brasil” e o Brasil é, de fato, um país complexo. Nem mesmo adiantou a retirada de Lula das imagens e a mudança nas cores, eliminando o tradicional vermelho do PT e adotando o verde-amarelo, a marca negativa do partido, pois, como também adotou uma agenda onde as propostas de governo continuam sendo vagamente expostas ( o que também acontece com Bolsonaro)  as campanhas investem nos conflitos no campo moral e cultural, que sempre foi o forte do populismo no PT, porém, que, agora, parece Bolsonaro e sua equipe têm aplicado esta técnica com muito mais eficácia. Nada parece mover as tendências, o que favorece Bolsonaro, principalmente, porque se persistem estas condições, é   provável que o capitão deve vencer a corrida presidencial com uma ainda mais larga margem de vantagem. De vez que, dada a expressiva diferença de votos em favor de Bolsonaro que não foi captada pelos institutos de pesquisa, tudo leva a crer que parece haver muitos eleitores que evitam declarar publicamente sua opção por Bolsonaro, mas, são votos que podem produzir uma vantagem numérica ainda maior. O primeiro turno mostrou isto concretamente e, com o pouco tempo existente, e a mais completa falta de opções no quadro atual, onde são limitadas as chances de mudança, tudo indica que Bolsonaro deve vencer com uma diferença muito maior.

quinta-feira, outubro 11, 2018

HADDAD NÃO É MAIS LULA?



No primeiro turno Haddad usou a bandeira vermelha do PT e saiu dizendo, a Deus e o mundo, que era Lula. Até teve a coragem de usar uma máscara do seu líder. O resultado foi o que se viu: Bolsonaro teve 49.276.990 votos (46,03% dos válidos), e Haddad, 31.342.005 (29,28%). Assim Bolsonaro teve 17.934.985 votos a mais. Bem, o segundo turno é outra eleição? Pode Haddad virar? As respostas são sim e sim, habitualmente. Porém, na situação atual a possibilidade disto ocorrer é muito mais de não e não. A razão é que já no primeiro turno a eleição polarizou-se e os que não votaram em Bolsonaro, fora os brancos e nulos, ou seja, votaram em outros candidatos foram um pouco mais de 26 milhões. Decorre disto que, se Bolsonaro só tivesse o mesmo número de votos, Haddad, para vencer,  precisaria buscar para si cerca de 70% dos votos que foram dados a todos os outros candidatos.
A dificuldade imensa disto é que Haddad não consegue obter nem mesmo os votos que Lula poderia alcançar. Piora ainda mais a possibilidade quando se verifica que o primeiro turno mostrou um forte sentimento antipetista que se ancora numa situação real: Lula e os principais nomes do Partido dos Trabalhadores ou estão presos ou estão condenados pela Justiça por corrupção e outros crimes. A farsa do “golpe” recebeu uma condenação pública em Minas Gerais com Dilma Roussef acabando em quarto lugar na eleição para o senado. E não foi só ela: Suplicy, um símbolo do PT e uma liderança paulista também perdeu para o senado, mesmo sendo favorito. E, como o PT também teve apoio de outros partidos, que participaram do botim com ele, as lideranças, os velhos caciques que o apoiaram, foram, exemplarmente, castigados. É o caso de Romero Jucá, de Requião, de Raupp e tantos outros.
Qual a estratégia de Haddad para tentar reverter o jogo? Segundo tudo indica é amenizar o discurso petista, buscar o centro, não ir mais pedir conselhos de Lula na cadeia de Curitiba. Ou seja, Haddad não é mais Lula. O grande problema desta estratégia é que não basta deixar de usar o vermelho ou trocar as cores de sua campanha para verde e amarelo. Como deixando de ser Lula irá segurar os votos que são de Lula? O que é certo é que ao se afastar de Lula deve desagradar a uma parte do seu próprio eleitorado. E assumir mais o seu lado Haddad. Bem, outro problema é que o próprio Haddad não está fora dos problemas que o PT possui: além de processos tem contra si também a pecha de ser um administrador não muito competente. Haddad pode não ser Lula, mas, pode não ser muita vantagem voltar a ser Haddad.

terça-feira, outubro 09, 2018

O COMÉRCIO EM 2030 SERÁ MUITO DIFERENTE



Como será o comércio em 2030? Mais sustentável e inclusivo? Estas foram   perguntas que nortearam o debate na edição 2018 do Fórum Público da Organização Mundial do Comércio (OMC), que aconteceu entre os dias 2 e 4 de outubro, em Genebra, na Suíça. O que ficou patente no encontro foi que as mudanças tecnológicas e sociais provocarão uma grande transformação da sociedade e vão gerar novos hábitos de consumo, fazendo com que o ato de ir às compras no futuro seja muito distinto do de hoje. Uma das expectativas é a de que, em 2030, o varejo será lazer, com as  fronteiras, entre ambos, desaparecendo, de vez que as experiências de compras únicas e personalizadas para consumidores serão cada vez mais digitais. A expectativa também é de que o acesso aos bens predomine sobre a sua posse. Outra previsão é a de que a cadeia de abastecimento irá adaptar-se a prazos de entrega cada vez mais curtos. As mudanças na procura e as possibilidades ofertadas pelas novas tecnologias vão fazer com que os processos de produção se tornem mais locais com a produção feita por impressão 3D e 4D, o que impulsionará o comércio.  Os clientes forçarão os varejistas a caminhar mais no sentido da omnicanalidade, integração entre todos os canais, de tal modo que a norma será comprar o que se quiser, como e quando se quiser, o que irá requerer uma interação mais intensa entre as empresas e a logística. A loja física deve continuar a desempenhar um papel importante na comunicação da marca e na atração do cliente. E mesmo os negócios puramente on-line, chamados de "pure players", amparados na análise de dados, acrescentarão lojas físicas ao seu canal online.
Uma tendência que parece inevitável será das cidades reduzirem a prioridade dos veículos. Decorrente disto a necessidade de criação de jardins e praças e de ambientes mais acolhedores. Isto deve levar a uma revalorização dos centros das cidades, mais amigáveis para os pedestres, e com uma maior dinâmica  e atividades como os festivais urbanos, pois, o lazer deverá ganhar maior expressão nessas áreas. Na verdade, os centros comerciais serão comunidades de uso misto e incluirão todos os elementos para a vida cotidiana, misturando escritórios, varejo e áreas residenciais. E passarão a incluir novos serviços, como ofertas educativas, espaços de co-working, zonas de armazenagem e serviços de saúde. Com o aumento das vendas online serão necessárias menos lojas para cobrir um mercado. Em contrapartida, os consumidores serão mais exigentes e cobrarão experiências mais personalizadas. A tecnologia digital reformulará as lojas físicas para melhorar a experiência de compra e reduzir custos. E não será nenhuma surpresa a introdução de com robôs no varejo para a automatização de processos.  O Big Data e análise de dados aprofundará o poder de previsão e o  entendimento das emoções dos clientes. É varejo concorrerá com o lazer focado na personalização de produtos para manter a fidelidade dos clientes. Surgirão novas soluções que não se tem como prever, mas, veículos autonômos recolherão os produtos devolvidos em casa dos clientes ou em pontos definidos. A logística recorrerá à analise de dados para serem mais eficazes, o que tornará os processos de entrega e devolução  bem mais eficientes. O artesanato, em  2030, será um novo segmento do comércio. O consumidor está cada vez mais interessado em produtos artesanais e marcas locais devido ao aumento da procura por experiências únicas e autênticas, daí,  o número de negócios independentes deve aumentar. Além disto, as próprias grandes cadeias de varejo vão desenvolver conceitos e marcas com aparência independente para ocupar uma parte deste mercado. Não há dúvida de que a  beleza e a saúde serão setores que ganharão imenso impulso. Graças ao Instagram, Facebook e da vontade de  aparecer continuamente, os negócios da beleza e cirurgia estética, focados na melhoria da imagem, tendem a ter um forte crescimento, bem como a procura de bem-estar fará crescer os serviços de "wellness" e as lojas de alimentação .
Nos combustíveis, os a previsão é do surgimento de mini hubs logísticos. Os  serviços serão centrados nos veículos elétricos, porém,  incorporarão mais oferta de comércio e de lazer devido aos tempos de espera dos carregamentos. Devido à sua localização, converter-se-ão também em locais de mini distribuição e incluirão diferentes opções de ponto de retiradas de mercadorias (os "click & collect"). O que parece ser uma tendência consolidada é a de que os consumidores serão mais sensíveis às experiências do que para a aquisição de bens, o que aumentará o nível de competitividade. Na prática desparecerão as grandes diferenças de preços entre os artigos de luxo e os comuns e o consumidor tenderá a compras no curto prazo, com os produtos baratos, ou no longo prazo, com os produtos de maior qualidade.