Total de visualizações de página

sábado, dezembro 31, 2016

NO FIM DAS CONTAS 2016 FOI UM BOM RECOMEÇO


Não este ano de 2016 não foi um ano comum. É o que constato ao tentar fazer um retrospecto, um balanço, mesmo que de leve, do que passamos, quando estamos a poucas horas de seu fim. É verdade que não despertava, desde seu início, muitas ilusões. Havia um governo, o de Dilma Roussef, desgovernado fazia tempo e a economia destroçada pelo populismo e a irresponsabilidade comandada apenas pelo desejo de poder. Não havia mais como Dilma se sustentar-isto era notório-mas, se esperava que o processo fosse menos traumático para se ter mais estabilidade. Não foi. Os governantes de plantão não queriam largar o osso, de jeito nenhum, e o que se viu foi a tentativa desesperada, inclusive de tentar criar um primeiro ministro por decreto, para manter o que era insustentável. Até o fim a expulsão de Dilma foi marcada pela chicana e o desrespeito à lei. A manutenção dos seus direitos foi o ápice da demonstração de que somente se importavam com eles mesmos e seus desejos de poder. E nem com o despejo se conseguiu ter, até o momento, a estabilidade desejada para se voltar a crescer.

Este ano também, com a Lava Jato, se chegou ao ponto máximo da tentativa de se descaracterizar a política, a democracia como única forma razoável de governo. A chamada “Delação do Fim do Mundo” é o termo final da chamada política petista de provar que “todo mundo é igual e corrupto”. Não é. Mesmo na corrupção há graus diferentes. A realidade é que não serve ao País, nem serve à boa política a divulgação de que todo mundo recebeu dinheiro para as eleições. A questão real é como veio o dinheiro? De onde saiu? Do governo, da Petrobras. Então, onde estão os que comandaram a corrupção que não aparecem? Estão se divulgando os beneficiários. Ou seja, estão cuidando dos efeitos. Não das causas. Não defendo quem pegou, mas, vamos começar por quem fez de fato a corrupção-isto é que é o correto. De qualquer forma, a grande realidade é que o País avança. Chegamos ao fim do ano com a inflação sendo controlada, os juros tendendo a baixar e a economia a crescer. Toda reconstrução é sempre mais difícil. Mas, quando olhamos para este ano, embora fique nos devendo mais, contudo, é um bom recomeço, com todos os problemas que tivemos. E Viva 2017! Que nossas esperanças se consolidem para termos um futuro melhor. 

quinta-feira, dezembro 29, 2016

A MAIOR DÍVIDA DO GOVERNO TEMER


Há os que, e são tanto as viúvas do antigo regime sindicalista, como os esquerdistas de plantão, que não dão crédito nenhum ao governo de Michel Temer. Estes somente querem por Temer para fora. Mas, existe a grande massa dos brasileiros que, evidentemente, não tem nenhuma adoração por Temer, porém, entendem que seu governo é o mal menor; que fosse quem fosse colocado, pegaria uma situação muito difícil de administrar, que teria que tomar medidas duras e tentar consertar a maior recessão já herdada de um governo, esta sim, uma herança maldita.
Não é fácil se sair bem numa situação assim, mas, Temer tem sido habilidoso. Claro que não pode ser, nem de longe, o santo que exigem dele, nem o diabo como o pintam. Mas, tem a seu favor que tem procurado tomar as medidas necessárias, ajustar as contas públicas e retomar o crescimento. Neste ponto é que reside sua maior dívida. Entre as medidas que tem tomado muito pouco fez em relação à burocracia. E a burocracia no Brasil é uma praga histórica herdada dos tempos da Colônia da qual nunca nos livramos. Só lembro de um esforço sério do ministro Hélio Beltrão.
A burocracia brasileira é o maior exemplo do processo de Kafka, o escritor. No Brasil existe complexidade para tudo, inclusive para pagar tributos. E o que dizer de empreender? De abrir uma firma? O brasileiro tem uma tendência sim de ser empreendedor, até por necessidade, mas, é sufocado por processos desnecessariamente complicados e demorados. A burocracia brasileira é um imenso buraco negro criado por uma legislação cruel, adminstrada com rigor por abnegados funcionários públicos e privados, em que não se leva em conta os interesses dos contribuintes ou clientes, mas, sim a lei do esforço mínimo, da falta de zelo e da acomodação. Veja o exemplo do imposto de renda. Já é um absurdo ter que se declarar para pagar, pois, é do governo a obrigação de buscar as informações. O pior é que, para se ter acesso a um documento de pagamento, é preciso dar o número do CPF, fazer uma senha, gerar um código que requer os números dos recibos dos dois últimos anos, ou seja, não se leva em conta as dificuldades, nem o tempo das pessoas. Mas, apesar desses supostos cuidados, os dados dos contribuintes vazam...E, muitas vezes, não se consegue pagar o imposto em dia por falta de acesso. E não é só no setor público. Um grande banco, quando se perde ou esquece a senha, não tem jeito de criar uma nova. Só é feita na matriz. Ou seja, é possível se passar vários dias sem ter acesso a sua conta, com seu dinheiro inacessível, por injunções burocráticas. Nem vou falar de reclamações, de telefones, de obter o crédito das milhas que se tem direito e, nem vamos falar do que é necessário para se obter um empréstimo. O mais irônico é que tantas exigências, tanto na esfera pública quanto na privada, surgem sob a desculpa de que são para dificultar as fraudes e os crimes. E, quando esses acontecem, o que se sabe é que, para os criminosos, as coisas correram com uma velocidade que nem se imaginava possível! Na verdade, o que se atesta é que, ao se presumir que todos, em princípio, são criminosos, a burocracia eleva o custo das transações exigindo de todos um preço alto em nome dos desonestos. É um preço alto e uma inversão dos valores democráticos. É claro que o “jeitinho brasileiro” nasceu disto. É tanta exigência que sempre se procura burlar. O Governo Federal precisa, na medida em que não há, no curto prazo, meios de diminuir os impostos, nem baixar o desemprego e os juros, pelo menos, atacar a burocracia para melhorar o ambiente dos negócios. Esta é, hoje, a grande dívida do governo de Temer.


Ilustação: Alec. 

sexta-feira, dezembro 09, 2016

A INEVITÁVEL DUREZA DA RESPONSABILIDADE FISCAL


O debate sobre a atual situação política brasileira é muito pobre. E estamos presos num círculo vicioso. É pobre porque carece de qualidade nas pessoas que compõem o parlamento, mas, é mais pobre ainda por causa das pessoas que também estão fora dele, de muitos que opinam, e não estão preparados nem entendem o mínimo sobre as necessidades do país. Infelizmente, o Brasil é um país desigual. E desigual em todos os sentidos não apenas da riqueza econômica. Devo dizer que me assusta muito mais a desigualdade da educação que elevou a postos básicos das instituições pessoas sem nenhum preparo, sem nenhuma noção da complexidade que está envolvida nos processos sociais. E pior, como não compreendem a complexidade, resumem-se a colocar a culpa nos outros seja FHC, seja o capitalismo, seja Temer ou qualquer um que possa virar um ser maligno para as massas. Assusto-me com pessoas que pensam que pensam; que confundem as ideias amparados pelo que Marx chamaria, sem dó nem piedade, de marxismo vulgar. A falsa noção de que pensam que falam e lutam pelos pobres, pelos despossuídos. Ou, mais grave ainda, de que bradar chavões em nome dos pobres os fazem donos da verdade e capazes de melhorar a vida de quem quer que seja. 
Se, como é fácil de perceber, o problema brasileiro se encontra no histórico de desigualdades sociais que possui, e nem mesmo com programas governamentais têm sido superados, é preciso compreender a razão pela qual o Brasil não atinge altos níveis de desenvolvimento. E, neste sentido, ao contrário do que pregam as esquerdas, não é por não preencher eficazmente as necessidades sociais de sua população. Aliás, se é verdade que tivemos, no regime militar, uma visão de desenvolvimento restrita, no sentido de Amartya Sem, que ressaltavam o aspecto econômico, como a produção, o nível de consumo e a tecnologia, com o pensamento de que o desenvolvimento  aparecesse como consequência do desenvolvimento econômico, nós, depois com o PT, passamos pelo dissabor de provar a concepção de não ser possível também se desenvolver via estado assistencialista e corporativista, nem mesmo amparado no marketing do atendimento ao “pobrezinho”.
Todos os especialistas em desenvolvimento sabem que não se faz desenvolvimento sem um governo com as contas equilibradas, sem instituições que funcionem, sem estabilidade para o mercado e para os negócios, sem empreendedorismo e sem educação. É verdade que a qualidade de vida e a inclusão social são alavancas do desenvolvimento, porém, o indivíduo, a livre iniciativa é sua base. Por esta razão, os que, hoje, se levantam, contra o ajuste das contas públicas, muitos pensando que estão na vanguarda de dias melhores, são, efetivamente, a massa de manobra dos aproveitadores e míopes que não veem que o mundo mudou. Não existe mais dicotomia entre sociedade de mercado e estatismo. Todo estatismo, comprovadamente, é uma forma disfarçada de ditadura. E  quem acha que é possível um mundo fora do capitalismo, pelo menos nos próximos cem anos,  ou quer se dar bem ou precisa rever o que anda bebendo ou cheirando. Sonhar é bom, mas, é preciso enfrentar a realidade de que, depois da farra de consumo e a utopia dos últimos treze anos, é preciso fazer o dever de casa. E o essencial dele é ter responsabilidade fiscal. Quem deseja um futuro melhor, e luta contra, está dando um tiro no pé. Não existe exemplo de país que cresça e se desenvolva sem as contas públicas equilibradas. Ser contra isto-independente de ideologia- só comprova a mais completa falta da mínima formação econômica.


quarta-feira, novembro 30, 2016

UMA RELAÇÃO COMERCIAL MUITO DELICADA


As relações do Brasil com a China terão, a partir de agora, uma dura prova. É que, na atualidade, 80% das medidas antidumping do Brasil são contra a China mesmo este país sendo o maior importador de bens brasileiros. Acontece que, como a adesão de Pequim à Organização Mundial do Comércio (OMC) e ao sistema multilateral do comércio, foi realizada em 2001, agora, o processo, previsto para durar 15 anos, termina no próximo dia 11 de dezembro. Até então, um país que se considerasse afetado por um dumping de produtos chineses pode aplicar uma taxa extra cobrada nos portos contra o bem importado e se utilizava como parâmetro os preços praticados dos produtos de outras partes do mundo para demonstrar que os chineses estavam agindo de forma desleal.
No entanto, a partir do dia 11, a China já sinalizou que espera que esta regra mude e que os governos apenas comparem os preços chineses com outros do mesmo país. Na prática, impor uma barreira ficará mais difícil. E, mais do que isto, os chineses pretendem que todos os seus parceiros comerciais o tratem como qualquer outro, o que significa menos chances de se adotar barreiras comerciais. E, para tornar a questão mais complicada, os diplomatas chineses já deixaram claro esperar do Brasil uma posição de "aliado", principalmente diante dos compromissos assumidos por ambos no Brics. Em suma: a China está pressiona o governo brasileiro para que passe a tratar suas importações como faz com o resto do mundo e a considerar o país como economia de mercado. E isto já tem sido tema de reuniões ocorridas em Pequim e em Brasília. O certo é que os chineses já avisaram que não vão aceitar mais que seus produtos enfrentem determinadas barreiras.
E aí que o bicho pega. Afinal já no ano passado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI)  avisou ao governo que não se poderia mudar o  tratamento dado aos chineses sob pena da indústria nacional, que não peca por bons resultados, ficar numa posição mais difícil ainda para competir com as importações chinesas. A posição do governo brasileiro, até porque a exportação para a China, e a necessidade de obter seus investimentos, é fundamental, tem sido ambígua. Por um lado, o ministro de Indústria e Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, afirma que vai cumprir os compromissos com os órgãos internacionais, mas, mesmo afirmando que o setor industrial brasileiro está se adaptando às mudanças, diz, aos setores industriais, que estão avaliando novos mecanismos de proteção que terão de ser criados. É o que se chama de um abacaxi diplomático. E daqueles acrianos, bem grande mesmo.



quinta-feira, novembro 24, 2016

A NECESSIDADE DE UMA POLÍTICA DE ENERGIA SOLAR


É, de certa forma, um feito e, visto por outro ângulo, uma grande contradição, que a Alemanha seja o país com maior capacidade de potência fotovoltaica,  conversão da energia do sol em eletricidade, instalada no mundo. Lá, que não é um país igual ao nosso, que se destaca pelo sol, os painéis fotovoltaicos estão espalhados por toda parte. Em média por ano, a Alemanha consegue suprir mais de 20% das suas necessidades de eletricidade por produção fotovoltaica.
Há razões sólidas para isto. Em primeiro lugar os alemães, o que inclui, políticos e empresários, compreendem a importância de produzir energia limpa e de reduzir as emissões de CO2, bem como o desastre da Usina Nuclear de Fukushima, no Japão, o país resolveu encerrar as atividades de suas centrais nucleares, e acelerou o interesse pela produção de fontes renováveis, em especial pela energia do sol. Desde 2.000, o governo oferece subsídios para quem quer instalar placas. E quem paga a conta dos subsídios? Uma sobretaxa na conta de luz de quem não usa energia limpa. Assim o cidadão que gera sua própria eletricidade, além de economizar, ainda vende o excedente para os vizinhos a preços competitivos.  Lá deram ao programa o nome de energiewende (guinada da energia), conjunto de ações do governo para reduzir emissões. Com isto o país a aumentou em mais de 300 vezes sua geração de energia solar em cerca de 10 anos e se tornou líder global no quesito-o país possui 36% de todas as placas fotovoltaicas em operação no mundo.

Como se sabe está se tornando cada vez mais fácil instalar este tipo de energia. Mesmo no Brasil já é possível ver painéis solares fotovoltaicos, que são dispositivos compostos por células solares, que captam a luz solar e convertem a energia do sol em eletricidade, instalados em quaisquer superfícies livres como telhados, fachadas e coberturas de estacionamentos. A captação da energia solar vem se tornando cada vez mais viável devido ao aumento da produção mundial desses equipamentos que produzem energia limpa e renovável. O Brasil possui um enorme potencial fotovoltaico. Basta verificar que, onde temos menos sol, o pior grau de irradiação é 40% superior ao melhor local de irradiação da Alemanha. Além disto, nosso país lidera o mercado de exportação de quartzo em pedra, insumo do silício, elemento principal para a produção de painéis fotovoltaicos. Agora isto não avança sem a adesão popular. Sem que as pessoas entendam que o investimento inicial é, relativamente, mais alto, porém, é muito mais rentável ao longo do tempo. O Brasil, os governos estaduais e municipais, precisam adotar a ideia de investir em energia solar. Na Alemanha, no ano passado, foram gastos US$ 17 bilhões com energia limpa. Suja, ela custaria menos da metade, mas, se estima que, se paga muito mais no longo prazo. Nós, de uma forma geral, precisamos nos conscientizar da importância de gerar energia solar. Os governos precisam imitar o da Alemanha incentivando a energia solar num país que é talhado para isto. Sempre fui um entusiasta deste tipo de energia e fiquei muito contente que, aqui, em Rondônia, tenha surgido uma empresa, a Eletrowatt Solar, com o objetivo de suprir a necessidade de elaboração de projetos e instalação de sistemas voltaicos, atuando, de forma até agressiva, para mostrar que é uma boa forma de economizar e que se trata de um investimento melhor que poupança e CDI. É um sinal de que Rondônia, como em muitos outros campos, possui uma tendência inata a inovar e servir de exemplo para os outros estados. Energia solar é, sem dúvida, um campo onde vale a pena investir. E o Brasil precisa que, no curto prazo, os governos, os empresários e a população invistam neste tipo de energia limpa no qual já deveríamos ter um desenvolvimento muito maior. 

Ilustração: Projeto Fotovoltaico

quinta-feira, novembro 17, 2016

A RIQUEZA DO YOUTUBE


Qualquer discussão, no momento atual, sobre criatividade passa pelas mídias sócias e, por conseguinte, o YouTube ocupa uma posição privilegiada seja nos mercados de produção de mídia, seja no futuro da cultura digital. É verdade que, como o futuro está em formação e sempre nos surpreende, há a possibilidade de que, como outras mídias de sucesso, como já aconteceu no passado, surja algo totalmente inesperado e enterre sua importância, mas, aparentemente isto não aparece no horizonte visível.
A razão mais forte é a de que o YouTube tem crescido cada vez mais não somente na questão do consumo, mas, também como um espaço de produção e, mais ainda, como um espaço dinâmico de inovação e de entretenimento que incorpora, crescentemente, comunidades de fãs que não se importam com a lógica dos mercados de produção de mídia.  Isto colabora para que apresente uma imensa diversidade de narrativas tanto as mais sofisticadas, que não somente recompensam a atenção como acabam se tornando virais, como mesmo aquelas que, menos produzidas, apresentam algum aspecto peculiar que chamam a atenção, seja da massa do público, seja de públicos segmentados. Isto torna o YouTube, de certa forma, uma plataforma que atende a todos os usuários, a todos os gostos. Até mesmo a falta de uma classificação adequada, de títulos que enquadrem os vídeos, parece colaborar para que as audiências aumentem, pois, não existe um comportamento padrão nem desejado para as produções e audiências. Tanto se assiste o que se quer, como se posta o que se deseja. Assim o YouTube é usado de maneiras diferentes por consumidores diversos e surge como um modelo híbrido de cultura popular, por meio de sua produção amadora, de seu consumo criativo, mas, também permite que os profissionais a usem sem o menor problema e todos com satisfação de suas necessidades.

O que se percebe é que se trata de uma  plataforma que fornece acesso à cultura ao mesmo tempo que permite aos seus consumidores atuar como produtores E tal amplitude se transforma na grande riqueza do site que é uma fonte permanente de diversidade ao alcance  de todos ou quase todos. Por esta razão também o YouTube já tem seu lugar na história e, apesar do futuro incerto da mídia, da participação cultural e do conhecimento, enquanto as condições não mudarem, radicalmente, se não existirem grandes mudanças culturais e econômicas atreladas às tecnologias digitais, à internet e à participação mais direta dos consumidores, não é difícil prever que continuará sendo uma das mais importantes mídias sociais do mundo moderno. 

segunda-feira, novembro 14, 2016

YOUTUBE, UM DOS MARCOS DA REVOLUÇÃO DIGITAL


Não sou um especialista em mídia. Sou, na verdade, um curioso. E um curioso, muitas vezes, vencido por uma indomável preguiça. É, por tal razão, que somente, agora, me ocupo de tatear um pouco, fazer um pequeno esforço mental, sobre um indiscutível fenômeno de nossos tempos que é o YouTube. Claro que, episodicamente, já pensei a seu respeito. Afinal o YouTube faz parte do cotidiano das pessoas reais e dos diversos meios de comunicação e, como a globalização, queiramos, ou não, faz parte de nossas vidas.
Há uma tendência a se pensar o YouTube como  um depósito de vídeos, digamos assim, para situar melhor, de conteúdo intangível. Penso que é muito mais que isto. De fato, como a grande maioria das pessoas, não somente conheci o site de mídia social por meio de um vídeo e o uso, constantemente, para assistir vídeos, ou que me são enviados por e-mail, em geral por amigos, ou que, por acaso, encontro no FaceBook ou nos blogs em que clico, atrás de algum tipo de divertimento ou informação. Devo ter algumas gravações no YouTube, mas, não gravei nem pensei, até pouco tempo, em contribuir para o seu crescimento com uma produção própria.
Isto não significa desconhecer sua importância como um elemento essencial da comunicação moderna. Significa apenas que sou, até certo pouco, o que se chama de um BIOS-Bicho Ignorante de Sistemas Operacionais. O certo é que, apesar de um fã de cinema, de vídeos, um seguidor de séries, um curtidor de imagens, exceto com a fotografia, e, certamente, de uma forma sofrível, jamais consegui criar alguma coisa que, a meu ver, passe de amadora. É claro que os amadores possuem vez no YouTube (cães, gatos, pancadas e bêbados também), mas, me considero ridículo o suficiente para não acrescentar novos motivos para provocar sorrisos.
Quando penso no site o que me salta aos olhos é sua capacidade promocional. Ainda que os seus aspectos de relacionamento social não sejam poucos significativos. Mas, o que me espanta mesmo é que seja, como é, um dos maiores sintomas do que chamamos de cultura participativa. O Youtube, mais do que qualquer outro tipo de mídia social, me parece que gerou, inconscientemente mais para os usuários que as empresas, modificações nas relações de poder entre os segmentos de mercado da mídia e seus consumidores.  Mais que isto: abre um canal para, qualquer um participar ativamente da criação e circulação de novo conteúdos, o que produz novas configurações econômicas e culturais. Apesar de ser de uma empresa hoje (Google), no entanto, não deixa de ser um site incômodo e contestador (até hoje não gerou lucro), o que lhe dá aspectos potencialmente libertários. Nos debates que se travam a seu respeito ninguém sabe para onde vai, porém, não se pode negar que, cada vez mais cresce de importância, e é um difusor notável do que se chama de cultura popular. Pode-se discutir o seu valor, e até a legitimidade de certos sucessos que produz, todavia, impossível negar que, como o mundo moderno, se nos causa mal estar é devido à sua diversidade e fragmentação. Isto é ruim ou é bom? Fico com Einstein.