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domingo, dezembro 20, 2009

A HORA DE SERRA



A recente pesquisa feita pelo Instituto Vox Populi, para a revista IstoÉ, mostra que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), continua cada vez mais firme na liderança da corrida presidencial, com 39% das intenções de voto. Depois surgem empatados tecnicamente, em segundo lugar, Dilma Rousseff (PT), com 18%, e Ciro Gomes (PSB), com 17%. A pequisa ganha mais relevância por dois fatos recentes. O primeiro é que se trata da primeira pesquisa feita depois do programa partidário do PT, exibido no dia 10 último, em rede nacional centrado nas figuras de Dilma e de Lula da Silva. Assim o que os dados dizem é que, mesmo com a imensa exposição e com a ida de Lula e Dilma tentando transformar Copenhague em palco eleitoral, o desempenho da petista, tecnicamente, não variou em relação a outro levantamento do Vox Populi, feito dias antes de o PT ocupar o horário nobre da televisão por 10 minutos, e avançou apenas um ponto percentual, ou seja, dentro da margem de erro, em relação à pesquisa do Ibope. Em outras palavras, Dilma não decola e, para piorar, os especialistas, com bases nos dados da pesquisa, afirmam que com 41% de rejeição sua possibilidade de crescimento não é muito grande, em outras palavras, Lula transfere votos sim, mas, em grande parte já transferiu quase tudo que podia por Dilma ser uma completa desconhecida que ele vem tentando com enorme esforço transformar em uma figura pública.
O segundo fato relevante é, sem dúvida, a desistência do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que, com enorme bom senso e desprendimento pessoal, compreendeu que a hora é de Serra abrindo caminho para a passagem de quem apresenta, como na eleição anterior, o maior cacife eleitoral. É um gesto que, de um lado, fortalece a candidatura de Serra, mas, por outro não deixa de também dar maior dimensão à própria figura do governador mineiro que poderia tentar fazer o que Alckmin fez e acabou sendo um desastre para seu partido. Sendo um político novo e com amplo trânsito com o governador paulista a saída de Aécio é um passo estratégico para fortalecer sua imagem pública e, eleito, como será, senador numa futura administração tucana terá um imenso espaço para consolidar-se com uma opção presidencial no futuro.
Tudo parece indicar que a hora é mesmo de Serra. Afinal os dois mandatos de Fernando Henrique e de Lula foram conseguidos graças a manter patamares de intenções de votos semelhantes aos ostentados por Serra e, para melhorar sua situação, depois dos problemas em que Temer esteve envolvido a sugestão de Lula de três nomes para vice azedou as relações PT/PMDB. O que deve ficar pior na medida em que as eleições nos diretórios estaduais de ambos os partidos escancarou o racha nos interesses estaduais mostrando que a repetição da aliança com o PMDB nos Estados está cada vez mais complicada. Em conversa com auxiliares nos últimos dias, o presidente Lula da Silva admitiu que, em pelo menos cinco Estados importantes, seu candidato terá que subir em dois palanques (Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Pará), mas, há problemas em outros estados que nem se pensava como em São Paulo, Ceará, Paraná e Goiás com sérias dificuldades de soldar uma união em torno de Dilma. Há mesmo no PT quem considere que seria bem melhor trocar de candidato.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

A agropecuária sob uma nova inquisição



Recebi da Associação dos Pecuaristas de Rondônia-APR/RO o livro de Nelson Ramos Barretto e Paulo Henrique Chaves “Agropecuária-Atividade de Alto Risco” editado pela Editora Artpress. Que a agropecuária é uma atividade de alto risco, para quem é economista como sou, não é nenhuma novidade. Pode-se dizer até como Sherlock Holmes que “È elementar, meu caro Watson”. A questão é que o livro é de grande valia e revelador das dificuldades adicionais que, no Brasil, o agronegócio tem que enfrentar e vencer. Neste sentido é um livro indispensável por revelar muita coisa que permanece oculta sob os conhecidos chavões sociais que são alimentados por um projeto de estatização que, em nome de uma suposta pobreza, na verdade solapa a eficiência econômica e os valores democráticos.
É espantoso o que o livro elenca de leis prejudiciais, de intervenções maléficas do governo que são, sempre, contra os que trabalham por criar riquezas a partir da terra. Principalmente são dissecadas as formas solertes de atentado contra o direito de propriedade, que é uma ameaça constante brandida contra o setor pelo Movimento dos Sem Terras-MST, alimentado por verbas públicas e, muitas vezes, por organizações religiosas que ultrapassam os limites de seu sacerdócio para, em nome de uma melhor distribuição social, fazer política ignorando que, conforme as palavras de Jesus, a função religiosa se destina a modificar a realidade não pela insuflação ao ódio e a luta de classes, mas, pela mensagem do amor.
Como muito bem acentua o livro a questão da reforma agrária, na atual realidade, “é uma incoerência governamental inusitada no planeta” na medida em que, como comprovado pelas próprias pesquisas públicas, os novos assentamentos, quando conseguem produzir, produzem uma quantidade irrisória e sem sustentabilidade econômica, além de ser comprovado que respondem por 20% do desmatamento da Amazônia. Efetivamente os assentamentos rurais, com áreas cada vez menores, que, supostamente, deveriam ser para diminuir os conflitos no campo e proporcionar aumento da produção proporcionando renda aos “sem terras” somente tem servido para criar uma indústria de vendas de lotes e aumentar a tensão no campo. Neste sentido o livro é precioso ao acentuar que “Há no país cerca de 4,5 milhões de propriedades rurais, número equivalente à soma das propriedades rurais dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Argentina juntos” e que, apesar do governo destinar ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, em 2008, R$ 2,5 bilhões, cerca de duas vezes e meia o que destina ao Ministério da Agricultura e Pecuária o que se faz, de fato, é incentivar problemas no campo e a destruição do meio ambiente, pois, apesar de hostilizado por agroreformistas, organizações religiosas e ONGs é o agronegócio quem produz com eficiência. E o agronegócio produz para sustentar seus algozes na medida em que, para as empresas e empreendedores são exigidos índices de produtividade enquanto nada é exigidos dos assentados. Ou seja, é uma aberração que se consolida ainda mais com as exigências feitas por leis esdrúxulas, como a do georeferenciamento, que demonstra a intervenção desastrada, estapafúrdia e ditatorial de um estado que oprime a quem lhe dá o pão e o leite. Recomendo a leitura que é esclarecedora sob todos os pontos de vista.

sábado, dezembro 05, 2009

Pela internacionalização do Aeroporto Jorge Teixeira



O Brasil, todos sabem, é um país continental que possui 5.507 municípios. Só isto já demonstra a importância dos transportes, mas, quando se pensa em transporte no país ainda se pensa, essencialmente, em estradas embora todos saibam que as hidrovias e as ferrovias deveriam ter tido mais atenção e investimentos. O fato inconteste é que sem transporte o Brasil foi, no passado, um país desarticulado, um imenso arquipélago com ilhas isoladas, vivendo em função dos seus limites territoriais. Somente com a construção de Brasília e com a visão grandiosa de JK de abrir estradas, com todos os erros dela decorrentes e perpetuados, uniu os 8.5 milhões de quilômetros quadrados de nosso território por uma malha rodoviária em condições ruins e em detrimento da rede ferroviária e da navegação de cabotagem, todavia, consolidou de fato um país.
Até hoje falta uma política de transporte eficiente em nosso país o que causa graves prejuízos à nossa economia. Recentemente um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento-BID, por exemplo, demonstrou que esta é uma grave falha que implica no fraco desenvolvimento dos paises latino-americanos de uma forma geral. O que pouca gente não sabe é que existem poucos países continentais como o nosso. Contam-se nos dedos, pois, há apenas do nosso tamanho os Estados Unidos, Canadá, Austrália, China e Rússia. E, em países assim, tudo é longe e a única ferramenta eficiente para a sua sustentação econômica, integração e desenvolvimento são as asas de seus aviões. O conceito que fazemos de transporte aéreo é que os aviões servem somente para transportar executivos e turistas ricos em suas viagens de negócios ou férias, mas, não é verdade. Efetivamente a maior parcela de eficiência e rapidez dos serviços que recebemos é proveniente da eficiência dos nossos aviões. Nem precisamos lembrar dos casos extremos de resgate aeromédico, transporte de órgãos para transplantes, todavia, há muitos outros como os correios, compensação bancária, compensação de vale refeição e cartões de crédito, jornais e revistas para regiões remotas, encomendas urgentes, peças de reposição, deslocamentos urgentes, viagens a negócios, turismo, pulverização das lavouras, enfim, são inúmeros os casos em que se depende da eficiência dos nossos aviões. E o Brasil possui a segunda maior frota de aviação geral do mundo, a segunda maior frota de helicópteros, aviões agrícolas, aeronaves executivas e a segunda maior infraestrutura aeroportuária do planeta. Se tudo isto parar durante duas semanas imagine o caos que não teríamos. Aliás, já tivemos com o apagão aéreo um aperitivo disto. Porém, quem mais sentiria seriam os executivos. Já pensou um executivo se deslocando num carro ou ônibus de Porto Alegre à Porto Velho para uma reunião de negócios? Lembro sobre a importância do transporte aéreo para cobrar a internacionalização do Aeroporto Jorge Teixeira que só existe de internacional o nome. Qual a razão para tão pouco empenho em internacionalizar nosso aeroporto quanto ele é essencial para a integração latino-americana? Este mês mesmo tivemos a visita de uma comitiva de peruanos que teve de ir até São Paulo para vir à Porto Velho. O mesmo acontece com chilenos e bolivianos. È incrível que o aeroporto internacional de São Luiz viva às moscas, sem turistas e nós, aqui, com uma grande demanda não podemos ter voos internacionais por falta de alfândega. È preciso que nossas lideranças políticas despertem e se mobilizem pelo transporte aéreo que, no nosso caso, exige, impõe uma rápida internacionalização efetiva do aeroporto do Belmont. A integração, a Saída do Pacífico se fará pelas estradas, porém, os executivos para fazer negócios precisam do transporte aéreo, daí, ser imprescindível nosso aeroporto ser internacional diminuindo as distâncias e criando a rapidez e a proximidade indispensável para que nossas relações com os vizinhos se concretizem e se fortaleçam. Internacionalização já!

quarta-feira, novembro 18, 2009

AINDA SEM COMBUSTÍVEL PARA DECOLAR



Quem entende de economia, e se preocupa com o país, sabe que, para existir de fato um crescimento sustentável, é preciso que o país cresça durante, pelo menos, uns quinze anos acima de 5% ao ano. O cálculo tem uma razão de ser e se baseia no crescimento populacional, na renda nacional e na necessidade de manutenção de um patamar de investimentos mínimos. È claro, que o governo atual, afirma, ufanisticamente, que o país está no rumo certo, que, agora, as coisas se ajeitaram e que o Brasil vai decolar. É o papel dele e todo governo faz isto, embora o de Lula da Silva tenha uma grande eficiência na propaganda. Aliás, nunca antes neste país um marketing governamental de tão repetido teve tanto efeito.
A questão, porém, quando examinada do ponto de vista econômico, repousa em que o grande mérito do governo Lula tem sido o da expansão do crédito. Se, para ter investimentos é preciso consumo, como nos ensinou na prática Keynes, o consumo hoje, no Brasil, está muito apoiado no crédito, daí não se poder ter previsões otimistas sobre o nosso futuro na medida em que seus pés são de barro. Como se sabe o consumo feito em cima do crédito tem limites evidentes, entre os quais se inclui o da capacidade de produção. Sem a certeza de um consumo permanente não se produz e o normal é que se importa, mas, não é viável ser um país que importa tudo e se limita a exportar “commodities”, como parece ser a trajetória brasileira.
A realidade nua e crua é que o consumo das classes C, D e E avançou muito, todavia, não se baseia numa melhor distribuição de renda nem mesmo no decantado Bolsa Família, mas sim na tomada de crédito e numa "demanda reprimida" que é muito mais reflexo da carência de bens que vem sendo atendida com o comprometimento do futuro. O Bolsa Família, assim como as aposentadorias, tem sido a base de um endividamento que saca sobre o futuro e mantém artificialmente uma demanda que é feita mais por necessidade que por um consumo consciente. O grave disto é que, como indicam as estatísticas, não há uma formação líquida de capital, ou seja, naturalmente não se atrai capital produtivo, para crescer o produto interno, nem o governo tem uma política para atrair investimentos produtivos, que geram emprego e renda de forma sustentável. E, sustentado numa política monetária ortodoxa, sempre que o produto cresce se aumenta a taxa de juros porque a economia se aquece, o que gera um "círculo vicioso", de vez que sobem os custos para o empresário captar dinheiro, o que inibe o investimento produtivo. Esta é a razão primordial pela qual, seja com FHC ou Lula, permanecemos presos ao “voo de galinha” alternando taxas altas e baixas do produto. Soma-se a isto a falta de infraestrutura no país para permitir mais investimentos. Assim, apesar da aparente segurança com que enfrentamos a crise mundial, para ser um país de futuro, ainda precisaremos de muitas reformas e de investimentos na educação, na economia e na infraestrutura, para que o crescimento sustentável não fique apenas na propaganda oficial.

Ilustração: The Economist

segunda-feira, outubro 26, 2009

ACIMA DO BEM E DO MAL



Se há uma constatação ultimamente sobre o comportamento de Lula é o de que, para quem não lê nada, parece que ele andou lendo a Bíblia. No entanto, como parece que faz parte do seu comportamento e de seu partido, ele fez dela uma leitura muito peculiar. Assim, o neo-divino-sindicalista se apresenta como quem abriu o mar que separava o Rio de Janeiro das Olimpíadas, faz a água se multiplicar no São Francisco como meio para que se multipliquem os peixes dos votos, ceia com os neo-apóstolos do PMDB para selar uma aliança para 2010 e, num sincretismo inédito, até tenta conciliar Jesus Cristo com Judas para explicar suas laicas razões para uma coalização tão esdrúxula, pelas características da política brasileira, que, pelo que deixou entrever, se Jesus Cristo tivesse que trilhar seus caminhos teria que fazer aliança até com o diabo. Deus me livre de tentar explicar ou criticar tão complexas elucubrações, mas, seria bem melhor do que utilizar metáforas religiosas distorcidas, se Lula, que é adepto do simplismo em tantas coisas, também o fosse na questão do bem e do mal, na questão da ética que, como bem lembrou, de forma até suave, Dom Dimas, não permite dualidade nem interpretações, ou se é puro ou não é. E, no caso de Lula, parece fora de questão que se juntam os lados santos com outros tão sombrios que a sombra do diabo parece muito maior.
Num balanço o quanto possível isento Lula fez alguma coisa em dois governos? Fez. Não sejamos injustos, apesar de que sua popularidade atual ser feita mais dos erros que dos acertos, de uma propaganda consistente, centralizada, contínua que não encontra adversários na medida em que as forças de oposição, em especial os sindicatos, foram calados pela cooptação e a imprensa, que o governo alega ser contra ele, é, fundamentalmente, monolítica e acritica na difusão de seus “memoráveis” feitos a ponto de quem aponta os problemas de má execução governamental, de aparelhamento e de uso da máquina ou de trapalhadas na área internacional como o apoio a Chávez, os erros com a Bolívia e Paraguai e o monumental tropeço de Honduras recebam a pecha de antinacionalistas ou de “direitista”. È tão flagrante o cerco à imprensa que será impossível, mesmo entrando no Google, encontrar uma foto de Lula com José Dirceu ou com Delúbio Soares. Por que será? Ao menos, na publicidade parece que o “puro” se afasta dos pecadores.
Há, porém, fatos que não se pode apagar. A grossa bandalheira do Mensalão é um deles. A união com as figuras que demonizou no passado, como José Sarney, que sustenta na presidência do Senado, o apoio a figuras como Fernando Collor, Renan Calheiros, Jader Barbalho ou Romero Jucá ou a necessidade de esvaziar comissões parlamentares, como as da Petrobras ou do MST, são mais importantes que as reformas necessárias para o país, que as ações que poderiam melhorar nosso futuro. Tudo se obscurece diante do único plano real: eleger o sucessor, ou melhor, a sucessora. O grande problema é que, para ser o “divino” Lula queimou todos os seus aliados, como Zé Dirceu, Mercadante, Antonio Palocci e tantos outros. Pegou o possível que é Dilma, mas, será preciso um milagre de verdade para soldar na marra as barganhas e conchavos que se fazem necessário para seu projeto ter o mínimo de viabilidade. De qualquer forma vai passar o seu último ano não querendo consertar o país e sim querendo submeter o país à sua vontade. Não parece ser uma tarefa de quem trabalha pelo bem, mas, como se sabe os deuses, mesmo sindicalistas, se consideram acima do bem e do mal.

quarta-feira, outubro 14, 2009

POR UMA NOVA POLÍTICA PARA A AMAZÔNIA



Copenhague pede um ponto de inflexão
Em dezembro próximo se realiza a Conferência de Copenhague, na Dinamarca, cujo principal objetivo é o de atualizar as decisões tomadas, em 1977, em Kyoto, no Japão, quando os países participantes da Convenção do Clima iniciaram uma tentativa de evitar o aquecimento da atmosfera e as mudanças climáticas que, naquela época, já apresentavam os sintomas que, hoje, são muito mais visíveis e já era claro o papel fundamental da queima dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás) como uma de suas causas. Ocorre que uma coisa são as boas intenções; outra é, malgrado elas, o desprendimento necessário para reduzir os padrões de riqueza e de consumo ou encontrar substitutos adequados (e econômicos) para as formas vigentes de energia. Um balanço evidente é o de que somente um grupo de países europeus levou a tarefa a sério. E os países em desenvolvimento, os denominados emergentes, em especial a China, Índia e o Brasil, sempre tiveram mesmo como meta o desenvolvimento (crescimento melhor definiria a meta) do que diminuir as emissões e prejudicar o aumento dos seus produtos internos. O certo é que se avançou muito pouco, apesar de se constatar que com os avanços da tecnologia se produz muito mais com menor gasto e também se usa muito mais fontes de energia renováveis, porém, o esforço ainda é diminuto em relação aos danos que se causa ao planeta.
Claro que não é um esforço simples nem fácil. Olhando para o passado se vê que os países ricos poluem a mais de cem anos e que só agora os países em desenvolvimento se tornaram emissores importantes, daí o argumento, até certo ponto lógico, de que é injusto exigir que estes países reduzam as emissões, exceto se pagos pelos ricos. A lógica termina de ser lógica quando se verifica que, ao poluir, estamos prejudicando a nós mesmos, logo não se trata de uma tarefa dos outros, mas, nossa na medida em que a questão é de sobrevivência mundial. Também os tempos são outros. Quando os países desenvolvidos poluíram não tinham a consciência que existe hoje. No entanto, apesar da entrada no palco muito depois, os emergentes respondem atualmente por metade das emissões de gases de “efeito estufa”, ou seja, a participação dos países em desenvolvimento é essencial para qualquer esforço sério de melhoria climática.
É preciso que haja, por parte de todos, um maior comprometimento para que se reduzam as emissões para algo entre 25% a 40% até 2020, o que é uma meta factível, e a Conferência de Copenhague pode ser um marco desta mudança que deve preencher o fosso entre discurso e ação. O Brasil deve ter um papel maior e deve ultrapassar o discurso que tem sido sua única contribuição real. Neste sentido é preciso rever, em primeiro lugar, sua política ambiental para a Amazônia na medida em que é o desmatamento nossa fraqueza maior e este não será, como já se comprovou, reduzido efetivamente com a mera ação repressiva. É preciso mudar a política ambiental para a Amazônia e prover meios para que haja preservação sem impedir a sobrevivência e o desenvolvimento de sua população.

sábado, setembro 26, 2009

A Hora das Hidrovias



O nome deste artigo é o título de um livro, se bem que também com o subtítulo “Estradas para o Futuro do Brasil” de Geraldo Luis Lino, Lorenzo Carrasco e Nilder Costa, que me foi presenteado pelo Sebastião Conti sempre atento aos problemas relativos à Rondônia. O tema, além de fascinante, deveria ser prioridade máxima nacional dado que o transporte hidroviário é o mais barato e eficiente para movimentação de grandes cargas a longa distância. Acrescente-se que o Brasil, o dado consta do livro, tem 44.000 km de vias navegáveis das quais se utiliza apenas 8.500 km e a maior parte na Amazônia. É uma prova de nossa ineficiência no setor, pois, os Estados Unidos utilizam regularmente 47.000 km, a União Européia 37.000 km e a China mais de 100.000 km. Existem razões históricas para semelhante descaso, porém, nos encontramos num ponto de inflexão na medida em que este passou a ser um gargalo decisivo para o nosso desenvolvimento.
Em apoio a esta tese, pelo menos, surgiu uma boa novidade quando em entrevista ao jornalista Sérgio B. Mota, do Monitor Mercantil (2/09/2009) o superintendente de Navegação Interior da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), Alex Oliva, que, afirmou que novas hidrelétricas somente seriam aprovadas se forem acompanhadas de eclusas, no âmbito da Política Nacional de Recursos Hídricos (de 1997), que estabelece o uso múltiplo dos rios. Segundo ele, a determinação já valerá para as duas usinas do rio Madeira - Jirau e Santo Antônio, ou seja, as eclusas passam a ser uma prioridade e que 2010 será o ano das hidrovias. É preciso que, efetivamente, esta intenção se transforme em realidade, de vez que quando se defende, como tantas vezes tem se defendido a integração sul-americana nos discursos, o que não se destaca como essencial é que ela somente acontecerá com infraestrutura, com a integração física do continente. Só acontecerá com a implantação de um sistema moderno e eficiente de transportes e energia que integre o Centro-Oeste, a Amazônia Ocidental brasileira e a Bolívia por meio do que já se convencionou chamar de “corredores de desenvolvimento”. Para tanto as hidrovias são fundamentais inclusive como a visão premonitória do engenheiro militar Eduardo José de Morais, em 1869, já pregava via a ligação das duas maiores bacias continentais, a do Amazonas e do Prata. Visão retomada com maior abrangência pelo professor baiano Vasco Azevedo Neto, que defendeu o projeto que batizou de “Grande Hidrovia” centrado no eixo Orinoco-Amazonas-Prata. Nós, de Rondônia, da Amazônia, precisamos entender que a hora é esta. Precisamos das hidrovias como meio de transporte assim como não podemos abrir mão de exigir mais ferrovias. No entanto, com o Complexo do Madeira, as eclusas e as hidrovias se tornarão um imperativo amazônico e nacional. Elas serão o caminho inicial e inevitável da integração sul-americana.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Uma grande gafe diplomática



Esta questão de Honduras é complicada e complexa, mas, de forma indevida, o Brasil acabou por se envolver em problemas internos de outra nação. È preciso lembrar que José Manuel Zelaya Rosales foi eleito presidente de Hon¬¬duras em 2005 e que, recentemente, anunciou a intenção de realizar uma consulta popular para verificar a possibilidade de que a população hondurenha, nas eleições gerais previstas para o mês de novembro deste ano, se manifestasse também sobre uma mudança da Constituição da República de Honduras. Não uma mudança qualquer, mas, sim uma tentativa de continuidade no poder contra a qual o Congresso Nacional daquele país manifestou-se contrario e, inclusive, aprovou uma lei para impedir a realização de qualquer espécie de referendo ou plebiscito nos 180 dias antes das eleições. Com isto, a consulta de Zelaya não teria validade jurídica e também o chefe do Estado Maior das Forças Armadas, Romeo Vasquez, recusou-se a dar apoio logístico à consulta tendo, por isto, sido afastado de suas funções. Para, supostamente, enterrar de vez a pretensão de continuidade de Zelaya uma decisão judicial, avalizada pela Su¬¬prema Corte, indicou que a consulta era in¬¬constitucional. Mas isto não o demoveu de suas intenções de se perpetuar no poder, daí que se há um golpista este é o próprio Zelaya.
Somente a visão torta de que, contra as leis e os poderes constituídos, a decisão deveria estar nas mãos do povo é que sustenta que Zelaya teria sido vítima do golpe, mas, de fato, em 28 de junho, quando os militares invadiram o palácio presidencial, prenderam o presidente e o enviaram para fora do país estava, como no passado fizera o Marechal Lott no Brasil, evitando o golpe. Com Zelaya fora do poder, o governo não foi reconhecido e nem aceitou os reiterados convites da Organização dos Estados Ame¬¬ricanos para uma solução negociada. E Zelaya lançou uma campanha cujo mote era: pátria, restituição ou morte. É um direito dele, mas, qual a motivação de outros países para embarcar numa barca furada desta? De qualquer forma tudo estava bem enquanto as manifestações sobre a situação de Honduras concentravam-se no campo dos apelos diplomáticos, mas, com a volta Zelaya ao país tudo mudou. Não somente por ter tido apoio da Venezuela para ser levado até lá como pelo fato de que, a partir da embaixada brasileira, mesmo sem pedido de asilo político, passou a conduzir ações políticas que não condizem com o comportamento que nosso país deveria adotar, caso Zelaya estivesse na embaixada sob a condição de asilado político. Sem exigir esta condição para a permanência do político na sua embaixada e o deixando incitar a população, o Brasil não somente toma partido como transforma sua embaixada num centro de insurreição política. Tanto que ninguém na embaixada se opôs a Zelaya fazer discursos para o povo diretamente do prédio. É contra nossa tradição diplomática este tipo de comportamento que age de modo a interferir em assuntos internos de outra nação. Não se pode negar a hipótese de excessos por parte das forças hondurenhas, mas é inegável que Zelaya contribuiu para incitar a violência em Honduras. E o pior de tudo com a conveniência e o aval do governo brasileiro. É mais uma triste erro de nossa diplomacia recente que, agora, terá que dar um jeito de sair desta enrascada.

sábado, setembro 12, 2009

Sobre as Conferências



O que é uma conferência? Em geral a definição é de que se trata de uma reunião de pessoas para discussão de um tema de interesse comum. Assim uma conferência de determinada política pública tem o objetivo de verificar como está o desenvolvimento desta política em nível municipal, estadual ou federal e quais os caminhos que se podem seguir para resolver os problemas de que tratam. Ora, em geral, tais conferências são criadas e convocadas pelos chefes dos executivos, ou seja, embora haja um chamamento da população para sua organização, na prática, o que existe é quase sempre uma tentativa de coonestar certas decisões já tomadas sobre políticas públicas. É claro que para tirar o ar de oficialismo se torna praxe criar uma comissão organizadora que tem uma participação de diversos órgãos e entidades, de forma que a própria comissão já se trata de uma conferência. Depois de tantas que já assisti, muitas vezes, me espanta que as pessoas, muitas novas no tema, façam o mesmo discurso que outros já fizeram destacando o caráter “democrático” e a importância dos “avanços” ou da discussão pelo “coletivo”, enfim, esses jargões bem ao gosto de ONGs e lideranças sindicais, que me parecem cada vez mais encantadores. Tem o mesmo encanto que ler José Dirceu reverberando contra o Estadão, por exercer a liberdade de criticar o governo Lula, com adjetivos como “de direita” ou de que está a serviço das “forças retrogradas”. Ou seja, só faltou citar o imperialismo para que me sentisse no século passado. E dizer que a verdadeira liberdade de imprensa só existe quando se escreve o que ele deseja ler.
Bem é preciso que esclareça que escrever sobre conferências me veio à mente por ter participado de uma audiência sobre uma e da preparação da organização de outra recentemente. Aliás, nunca antes neste país, houve tantas e tão ruidosas conferências. Sem pesquisar me ocorre mentalmente algumas que participei, como a Conferência dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes, a da Igualdade Racial, a do Meio Ambiente, a de Segurança Pública, da Saúde, da Educação, a de Direitos Humanos, a de Cultura, agora tem a de Comunicação que virá por aí, a de Cidades. Estas, sem esforço, são as que me lembro. Os processos são todos semelhantes. Aprovam um regimento, que já veio elaborado, a toque de caixa e há uma “votação dos delegados” ( é claro que qualquer um pode ir, mas, ser delegado é outra coisa. É ter a viagem e as despesas pagas). Em geral, por uma coincidência aritmética e planejada, os delegados são quase todos escolhidos por antecipação, graças a significativa constatação de que a maioria de tais conferências é composta por funcionários públicos e sindicalistas os únicos a terem tempo, condições e conhecimentos de saber o que acontece e como se desenrola os mecanismos políticos de todas essas conferências. Agora qual o resultado prático delas? O que se recebe de retorno do que se diz ou deixa de dizer? Sinceramente tenho visto que tais conferências produzem ótimas festas, alguns poucos bons discursos, uma ou outra palestra de qualidade e muitas cartas sobre o tema proposto, porém, só se descobre que serviram para subsidiar as políticas públicas na próxima conferência quando lembram que alguém disse alguma coisa a respeito de algo, todavia, como se fala de tudo, é impossível que alguma coisa deixe de ser tocada. Não sou contra as conferências. Considero que são ótimas formulas de turismo governamental, porém, como já disseram que se trata da confusão de um homem multiplicada pelo número de presentes, só gostaria que, quem as organiza, não gaste muito tempo lendo o regulamento e que seja prático na organização. Para muitas pessoas as conferências, principalmente, quando sabem que não viajarão por conta do governo, são uma forma muito enfadonha de perder tempo.

sexta-feira, agosto 28, 2009

A INTELIGÊNCIA COLETIVA



Esteve no Brasil, e participou na última segunda (24), no V Fórum de Internet Corporativa, o filósofo e pensador do ciberespaço Pierre Levy, que foi o grande destaque do evento promovido pela Agência Gaúcha de Agências de Internet (AGADi), é um dos principais teóricos da internet no mundo e, no início dos anos 90, publicou obras hoje obrigatórias para quem estuda de forma mais profunda e consistente o fenômeno do ciberespaço.No entanto a contribuição maior de Levy parece ser o conceito de inteligência coletiva (IC) que é, basicamente, a partilha de funções cognitivas, como a memória, a percepção e o aprendizado por todos via meios de comunicação que, segundo ele, “Podem ser melhor compartilhadas quando aumentadas e transformadas por sistemas técnicos e externos ao organismo humano”, referindo–se aos meios de comunicação e à internet. O escritor explica que a IC não é só isto: “ela só progride quando há cooperação e competição ao mesmo tempo”. Para exemplificar, Lévy citou a comunidade científica, capaz de trocar idéias (cooperar) por ter a liberdade de confrontar pensamentos opostos (competir) e, assim, gerar conhecimento. “É do equilíbrio entre a cooperação e a competição que nasce a IC”, concluiu e lembra que não são apenas os cientistas que utilizam este novo conceito “As empresas necessitam cada vez mais de empregados que lancem idéias e resolvam questões coletivamente. As tecnologias atuais permitem isto”. Para Lévy, inteligência coletiva não é um conceito novo, pois desenvolveu–se à medida que a linguagem evoluiu. A disseminação do conhecimento acompanhou a difusão das idéias por meio dos discursos, da escrita (”posso, hoje, ler Platão, mesmo que ele tenha escrito uma obra há mais de dois mil anos”) e da imprensa (”quanto mais os meios de comunicação se aperfeiçoam, mais ganha a inteligência coletiva”). Hoje, porém, as coisas ficaram diferentes e inéditas “O mundo das idéias é o ciberespaço, que permite a interconexão e, portanto, a ubiqüidade. Ainda não conhecíamos essa situação”. Assim diz que sua teoria não nasceu por acaso e que não é fruto exclusivo de seus estudos. Ele apenas tenta adaptar a IC à atualidade social e tecnológica. De fato, a pesquisa de Lévy baseia–se em tríades inspiradas na conexão tripla entre o “signo, a coisa representada e a cognição produzida na mente”, definida pelo semiólogo americano Charles Sanders Peirce. Para Lévy, a inteligência coletiva pode ser dividida em inteligência técnica, conceitual e emocional. A primeira corresponde à inteligência que lida com o mundo concreto e dos objetos, como a engenharia (coisa). A segunda com o conhecimento abstrato e que não incide sobre a materialidade física, como as artes e a matemática (signo). A última, por fim, representa a relação entre os seres humanos e o grau de paixão, confiança e sinceridade que a envolve, e tem a ver com o direito, a ética e a moral (cognição). E ilustra com o que denomina de economia da informação descrita a partir da constatação de que, no mundo atual as idéias são o capital mais importante, e só pode ser adquirido se as pessoas pensam em conjunto. Para isto existe a necessidade de produção de três capitais:
(1) o técnico, que vai dar suporte estrutural à construção das idéias, como estradas, prédios, meios de comunicação (coisa);
(2) o cultural, mais abstrato, o conhecimento em livros, enciclopédias e na World Wide Web (signo);
(3) o social, o vínculo entre as pessoas e grau de cooperação entre elas (cognição).
Lévy afirma que estamos apenas no início de uma nova etapa da evolução cultural. “A que tipo de civilização esse ambiente ecossistêmico de idéias vai nos levar?”, provocou.” Enfim, a teoria do pesquisador se resume na sua “ecologia das idéias”, isto é, a relação bidirecional entre a população e as idéias. Se as pessoas (não) ajudam a reprodução de conhecimento, este lhe será desfavorável. De por outro modo, as idéias desfavoráveis são mantidas e disseminadas, a população não se reproduz. O papel da internet é fundamental para o funcionamento deste sistema. “O ciberespaço é a principal fonte para a criação coletiva de idéias, de forma que possam ser usadas para o bem de todos, através da cooperação intelectual”.
O conceito de inteligência coletiva de Levy teve na rede mundial de computadores um espaço de aceleração da criação de conhecimento, um ambiente em que internautas livres, independentes das grandes corporações e das instituições tradicionais, podem produzir conhecimento e tecnologia,de forma que segundo o fiosófo "A internet aumenta as nossas capacidades cognitivas, tanto individuais quanto coletivas". De certa forma, todas as iniciativas de conteúdo colaborativo materializam o conceito de inteligência coletiva, a começar pelo Wikipedia. Na palestra desta segunda, Levy apresentou uma previsão do futuro do ciberespaço e perguntou "Qual a maior limitação hoje para a inteligência coletiva? São as línguas. Mesmo com os tradutores automáticos, muitas pessoas não conseguem se comunicar na web". Na sua concepção esta se gestando uma nova língua, mas, admite não saber exatamente como será essa nova língua. Para o filósofo o caminho é a codificação de ideias. Conceitos e ideias que se disseminam na cultura contemporânea futuramente vão virar códigos manipuláveis por computadores. "Não podemos entender muito bem hoje essas novas linguagens. Nunca tivemos experiência com nada parecido. Mas se você fosse explicar para alguém do século XIX o que seria a internet, essa pessoa também não conseguiria entender".
Levy apressa-se em avisar que as linguagens mencionadas vão muito além daquilo que, na informática, está se chamando de web semântica - novas tecnologias que permitirão às máquinas entender mais precisamente o sentido dos dados e conectá-los melhor. O que, na prática, representará um passo gigantesco na qualidade da navegação e dos serviços oferecidos na rede. Levy visualiza um ciberespaço em que será possível simular e representar a inteligência coletiva humana tal qual comose desenvolve na sociedade offline. Quando isto acontecer, a inteligência coletiva online será o grande motor do desenvolvimento humano. Mais do que isto: quando o mundo intelectual humano for transposto para dentro da web, será possível compreender, afinal de contas, como exatamente funciona a difusão de ideias e a construção de conhecimento nas sociedades.

sexta-feira, agosto 21, 2009

MELHORAR É PRECISO



FIQUE ESPERTO - Outros estão ganhando o dinheiro que seu negócio está perdendo

Quantas vezes já não presenciamos o discurso de que o cliente sempre tem razão, inclusive com registros em paredes ou placas, justamente, quando o cliente está recebendo um tratamento ruim? A grande realidade é que não basta dizer que o cliente tem razão e que sua satisfação é o objetivo de sua empresa. É preciso, isto sim, que o cliente sinta que, de fato, isto acontece. E só há o caminho de prestar um serviço de qualidade, ou seja, o discurso tem que se transformar na prática. Afinal todas as empresas sabem que a satisfação do cliente é a razão de existir de qualquer negócio. As empresas, porém, que crescem, que são líderes, não apenas sabem disto, mas, se esforçam para o cliente saía de sua loja satisfeito. Muitas delas não gastam fortunas com publicidades para prometer o que não fazem quando são procuradas pelos clientes. Clientes sorrindo nos comerciais é muito bom, porém, muito melhor são clientes que saem satisfeitos de sua loja e ficam ainda mais satisfeitos com os produtos, com a forma de pagamento, com o pós-vendas, que é a melhor forma de fidelização que existe.
Para conseguir a satisfação do cliente há alguns procedimentos que são básicos. Em primeiro lugar esta a atenção que o empresário dá ao seu próprio pessoal. Seu pessoal deve compreender que cada cliente que recebe, por mais intragável que possa ser, mesmo aquele que resmunga sem razão, deve ser ouvido e é uma fonte de oportunidades. A sobrevivência de qualquer empresa depende de sua imagem, de seu atendimento como um instrumento fundamental de diferenciação. Neste sentido cada empregado, cada vendedor é a imagem de sua empresa. E a gentileza ou o descaso com que trata o cliente pode ser o diferencial entre o sucesso e o fracasso. Treine seu pessoal para atender bem. Dê instruções e liberdade que, dentro de certos parâmetros, permita com que facilite a vida e a compra do cliente que, muitas vezes, com uma facilidade a mais compra na sua loja o que não compraria se não se sente valorizado. E valorizar passa por crédito, por bom atendimento, por condições de pagamento dentro de suas possibilidades. Lembre-se se você não facilita outros facilitarão e venderam, apesar do cliente ter lhe procurado antes.
Um segundo ponto fundamental é que se tornou muito comum, em especial quando se tem o aparente domínio de um mercado, achar que conhece as necessidades dos clientes. È claro que, muitas vezes, o especialista ou o lojista tem um conhecimento muito maior sobre o produto, sobre o segmento ou até sobre as tendências de um setor. Faz parte de sua expertise fazer cursos, dominar tecnicamente certos conhecimentos, todavia mesmo o conhecimento, o bom gosto pode ser uma armadilha. Em especial nas compras. É claro que o lojista tem, em certos casos, um papel de educador, mas, é preciso ver que se trata de um negócio, logo não tenho que comprar o que gosto ou o que é bom para mim e sim o que é bom para o cliente. A empresa vive do cliente, portanto, o que ele quer é o seu termômetro e a diferença entre vender ou ficar com a mercadoria dormindo nas prateleiras. Por fim, inovar é preciso. Melhorar mais ainda. A melhoria contínua tem que ser uma estratégia da organização que se pretende sustentável. Infelizmente, no mundo moderno, é preciso estar na frente para não perder espaço. E isto somente se consegue com melhoria contínua. Se sua empresa não cresce, não se aprimora, não se embeleza, com certeza, a do seu concorrente está crescendo. E não espere que os clientes voltarão se você não melhorar. E sempre reconquistar os clientes é muito mais dispendioso que manter. Por isto melhorar é preciso sempre.

sábado, agosto 15, 2009

A necessidade de multiplicação dos leitores



A Fundação Instituto de Pesquisas Econômica (Fipe) elaborou, a pedido da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, a pesquisa “Produção e Vendas do Mercado Editorial 2008” que demonstra que, ao contrário do que muita gente apregoa, se lê hoje muito mais do que antes. Basta verificar que houve um crescimento de 13,39% de títulos novos colocados no mercado, bem como os livros para o público infantil cresceram 14,02%, as novas obras de literatura juvenil, 41,88% na comparação com 2007, o que demonstra que as editoras estão voltadas para atingir a faixa de público mais jovem. Fato comprovado também pelo aumento da quantidade de exemplares que foram 4,95% a mais de livros infantis e 9,26% a mais de livros juvenis do que em 2007 quando na média geral, a produção de novos exemplares foi 3,17% menor em 2008 do que no ano anterior. Isto se deve, segundo os analistas, a que os jovens e as crianças estão lendo mais do que os adultos. Aliás, isto já havia sido evidenciado pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2007, que acentua que um percentual de 39% dos 95,6 milhões de leitores brasileiros têm entre 5 e 17 anos. Não apenas isto: entre os leitores de até 10 anos de idade, a média foi de 6,9 livros por ano. E au¬¬menta na faixa etária dos 11 aos 13 (8,5 livros por ano) para cair levemente entre os jovens de 14 a 17 anos (6,6). Vale frisar que isto se deve em grande parte a exigência da escola, pois, o incentivo para a formação de jovens leitores é proveniente da escola e da família, com 73% dos leitores com idade entre 5 e 10 anos citando as mães como as grandes incentivadoras do hábito da leitura. E, entre os adultos que cultivam o hábito de ler, um em cada três disse ter lembrança da mãe lendo um livro, e 87% afirmaram que os pais liam para ele.
No mundo da televisão, do videogame e da internet muitos podem pensar que o livro não tenha a importância do passado. Ledo engano. Não há uma boa formação intelectual nem científica sem uma boa leitura. E ler é uma questão de hábito, daí a necessidade imperiosa de que se estimule a leitura. E, para estimular as crianças e os jovens, não é a obrigação o melhor caminho, mas, sim o prazer de ler. Porém, para estimular a leitura são necessárias algumas medidas importantes do poder público que pode facilitar esta tarefa, principalmente, em termos de facilitar o acesso às obras literárias. Afinal livros são, ainda, muito caros no país. Assim a primeira delas surge como a necessidade de construir mais e melhores bibliotecas, equipadas com mobiliário e estantes com altura adequada para tornar mais fácil o acesso dos pequenos leitores. Também aumentar o número de bibliotecas é fundamental na medida em que grande parte de municípios brasileiros que não dispõem de uma biblioteca sequer. Não menos importante é a melhoria da distribuição, ou seja, promover o crescimento do número de livrarias. Segundo as estatísticas existem menos de 4 mil estabelecimentos destinados a atividade quando o ideal, dentro dos padrões mundiais, seria ter, no mínimo, cerca de 10 mil. Sem dúvida, porém, o mais importante é tornar os livros mais acessíveis sem deixar de serem atrativos e interessantes. Os livros brasileiros, justiça seja feita às editoras, possuem acabamentos primorosos, capas cada vez mais bonitas e procuram caprichar no conteúdo, mas, por razões de mercado (as tiragens são pequenas) os preços são o grande obstáculo a um alargamento maior do acesso. O fato é que se faz necessário um esforço muito maior e uma determinação política para que os livros possam se multiplicar e ser a porta de entrada para um mundo melhor onde os sonhos e as fantasias se tornem o início de uma educação melhor que só com muitos leitores poderá existir.

quarta-feira, julho 22, 2009

O humor negro da política



O Macaco Simão diz, com muita propriedade, que o Brasil é “o país da piada pronta”. E, muitos humoristas se queixam, de que os discursos e as atuações dos políticos nacionais, apesar da dor que provocam como resultado de suas ações, é uma usurpação do lugar deles na medida em que fazem, e dizem, asneiras com a maior sem cerimônia. Deve ser, poristo, que, agora, ensaiam uma reação. Pelo menos é o que parece, pois, na semana em que Lula chamou os senadores de pizzaiolos e colocam um Duque na presidência do Conselho de Ética, que muitos chamam de étitica, do Senado, um verdadeiro trapalhão anunciou que pretende ser deputado federal pelo Paraná. É o famoso companheiro de Didi, Mussum e Zacarias, o Dedé Santana que vai concorrer em 2010 pelo PDT. À primeira vista, o desejo de Dedé pode soar meio estranho, mas, a nova carreira, nos tempos atuais, está tão próxima da antiga que ninguém vai notar a diferença, exceto pelo fato de que irão rir menos dele.
Não sei se é possível suportar as notícias de Brasília, mesmo com extremo bom humor. Mas, a galhofa corre solta entre os políticos e o uso do termo pizzaiolo demonstra que até o presidente Lula, diante da tristeza do seu governo, quer nos fazer rir. O Senado também tanto que nada mais hilário do que o novo presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque (PMDB-RJ) apesar da falta de repertório. Certamente não nos fará rir dizendo que os atos secretos são “bobagens”, assim como as nomeações de parentes (e namorados de parentes) coisa boba. Apesar de carioca não conseguiu nos fazer rir ao reeditar o deputado Sérgio Moraes (o que se lixa para o povo) para desmerecer a inteligência e a opinião pública. O único humor que demonstrou, com cara de pau, foi ter dito tudo sorrindo como só os cariocas fazem quando pensam que estão enganando os tolos.
Se, num pastelão, também seria risível a absolvição definitiva do deputado Edmar Moreira, aquele do castelinho de R$ 25 milhões, no momento atual parece mesmo que a comédia continua sem graça para o público que paga o ingresso. È uma peça em que só os atores riem e debocham do público que parece assistir impassível. É bem verdade que os donos do circo se protegeram fazendo com que parte do público seja pago pra assistir, mas, quem pagou caro não gosta muito subsidiar um espetáculo tão deprimente. Peças com escândalos, caixa 2, pizzas e patrocínio governamental já se tornaram comuns na vida brasileira, de forma que um trapalhão a mais, ou a menos, não fará muito diferença. A questão que não quer calar é até onde a sociedade brasileira aguentará fazer o papel de palhaço pagando todas as despesas? Vivemos uma inversão de valores que retarda o desenvolvimento do país e afasta da política seus melhores valores, daí que as piadas correntes são totalmente sem graça e cheiram a humor negro.

quarta-feira, julho 15, 2009

O IMPACTO IMPREVISTO



A história dos grandes projetos tem sido de, certa forma, a história do infortúnio das populações locais. Afinal, como é o caso das usinas do Madeira, a intervenção e a implantação das usinas está muito além do poder local e suas conseqüências, todo mundo sabe, acontecem localmente. É claro que o mundo mudou. Hoje, as questões ambientais e a responsabilidade social das empresas obrigam a que, mesmo nos grandes projetos, haja uma atenção fundamental para os seus impactos, porém, a grande verdade é que empresa, ou qualquer projeto está limitado ao seu orçamento, ou seja, por mais responsabilidade social e cuidados que existam há um limite de recursos que podem ser despendidos para atenuar os impactos.
Na construção das usinas do Madeira, por mais que haja problemas, houve desde cedo a preocupação básica em minimizar os efeitos sejam ambientais, sejam sociais. Há em todo o seu desenrolar uma real preocupação com aspectos que, no passado, não foram levados em consideração, mas, mesmo assim não se pode deixar de reconhecer que se trata do 2º maior investimento do mundo e, portanto, ambos, correspondem ao tamanho de uma Itaipu, daí que os impactos são muito mais elevados do que os consórcios podem resolver. Em especial no que tange à infraestrutura de uma cidade como Porto Velho que é carente de todas elas. Assim a esperança de desenvolvimento que o Complexo do Madeira traz também implicou, de imediato, numa mudança fundamental na cidade que, a rigor, deveria anteceder o projeto e não houve. Está acontecendo ao mesmo tempo e, como se observa, os antigos moradores de Porto Velho são os que mais sofrem seus efeitos e sentem que não estão sendo beneficiados pelos novos investimentos o que resulta em que qualquer coisa que aconteça comecem a culpar as usinas. Encontrar um culpado é sempre mais fácil e prejudicar um grande projeto, como aconteceu agora com as queixas contra o Ibama, a forma mais fácil de pressionar e chamar à atenção.
No entanto, num momento de crise como a atual, os investimentos do Complexo do Madeira são uma benção. Tanto que segundo os dados do CAGED, em maio de 2009 foram gerados 5.361 empregos celetistas, equivalente à expansão de 3,09% em relação aos assalariados com carteira assinada do mês anterior sendo este resultado o melhor da Região Norte. Tal desempenho deveu-se ao crescimento principalmente no setor da Construção Civil (+4.367 postos). Para se ter uma ideia no período de janeiro a maio do corrente ano, houve acréscimo de 11.392 postos (+6,81) e, nos últimos 12 meses, o Estado de Rondônia foi responsável pela maior geração de empregos da Região, ao apresentar crescimento de 8,71% no nível de emprego, a maior taxa de crescimento entre todas as Unidades da Federação, equivalente à geração de +14.316 postos de trabalho. A venda de veículos novos em junho cresceu 15%, os hotéis estão lotados, mas, o comércio se queixa de problemas invadido por uma concorrência mais moderna e com margens de preços mais baixas. Enfim, o efeito inesperado parece, no fundo, ser o efeito antigo: quem não está ganhando nada com as usinas é a população mais antiga que somente sente o projeto pelo lado negativo. A vida, pelo menos por enquanto, com um trânsito maluco, os serviços mais ruins, as ruas e os locais mais lotados parece que ficou pior. O efeito inesperado das usinas é que seus maiores beneficiários estão sendo os novos migrantes que enriquecem a olhos vistos e, muitas vezes, não vistos. O mundo não é justo, é certo, mas, ninguém vê sua aldeia ser destruída sem lutar.

sábado, julho 04, 2009

A LIMPEZA INEXISTENTE



Como um Pedro moderno, embora não renegando Jesus, por três vezes, o que já o transformou num bordão, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto, tem repetido que “Não basta ganhar. Tem que ganhar limpamente”. A frase foi dita e repetida quando dos julgamentos no STF que culminaram na cassação de mandatos dos governadores Cassio Cunha Lima, Jackson Lago e Marcelo Miranda. Segundo o ministro ganharam, mas não limpamente, e, portanto perderam o que haviam conquistado. È fundamental que a Justiça proceda assim para a manutenção do jogo democrático e não deixa de ser um amadurecimento da Justiça Eleitoral brasileira. È o ideal que se tem de justiça, ou seja, de quando há erro, e fica provado, seja quem for, grande figura política ou cidadão comum, tem que pagar por ele e assim deve ser. A impunidade não é boa para a democracia e a justiça social.
A pergunta, porém, que não quer calar é: e quem ganha limpamente? Não me interessa aqui discutir nomes ou apontar miudezas. Não se trata de demonizar ninguém, nem de querer fazer campanha contra a ou b. Longe de mim. A rigor ainda me interesso por política à força. Gostaria mesmo que os políticos fossem tão bons que pudesse esquecer que a política existe. O problema real é que, diariamente, somos bombardeados pelas manchetes que falam de coisas que nos incomodam porque custam o nosso suor na medida em que passamos, praticamente, meio ano pagando impostos e, é claro, se tudo estivesse a beleza que dizem que está, com certeza, seria o primeiro a louvar os grandes dirigentes da nação. O problema real é que, apesar de todo o esforço da Justiça Eleitoral, é muito difícil existir uma eleição justa na medida em que há o peso decisivo do poder econômico que, para piorar, muitas vezes, vem do próprio uso da máquina pública. Mesmo os políticos melhores intencionados para sobreviver, de uma forma ou outra, acabam se atrelando a processos que ou são assistencialistas ou são ilegais.
Até mesmo o presidente da República, em plena à crise do Mensalão, numa entrevista na França, se desculpou, enviesadamente, dizendo que todo mundo usa Caixa 2. E, de fato, se examinadas as contas e os documentos levados à Justiça Eleitoral das campanhas muitos poucas se sustentariam. Há até mesmo uma tradição de se ter contabilidades paralelas nas campanhas que se revelam, vez por outra, por meio de denúncias, inclusive vídeos ou gravações, que mostram que as eleições estão longe de ser limpas. Por tais razões é importante não somente que as despesas sejam acompanhadas durante o processo, mas que também o voto distrital e outras formas de tornar as eleições mais limpas sejam adotadas. Se isto não acontecer as possibilidades de mudanças serão poucas e os cassados poderão sempre alegar “Por que somente eu se todo mundo faz?”.

quarta-feira, julho 01, 2009

O trânsito e os políticos



É impressionante a irritação das pessoas com o fato de que as leis não são respeitadas, os políticos se apropriam do que é público e, pior, nem por um momento parecem pensar na coletividade. É, como se observa no momento, o tipo de comportamento indigno que transparece no Senado em relação aos escândalos diários que são relatados pela imprensa. Confesso que até para falar sobre o tema já estou farto, mas, ontem e hoje, andando no trânsito de Porto Velho, que, como se sabe, é um caos diário, não tive como não pensar no Senado. É que tudo que se repreende nos políticos transparece no trânsito. E olhe que minha crítica não se dirige as autoridades, embora elas também mereçam, mas, ao cidadão motorista comum.
É impressionante como se comportam da forma que criticam os políticos. Não há, em geral, no trânsito de nossa capital o menor sintoma de educação, de respeito ao outro e à coletividade. Parece que, ao por as mãos no volante, todos os que criticam tanto os políticos passam a se comportar como se políticos fossem. É incrível o grau de desrespeito, o comportamento reprovável da grande maioria dos motoristas de nossa capital. Parece até que se transformam em brutamontes estressados e sem cérebro quando entram em seus veículos. Como se explica tanta pressa, quando se vai parar logo adiante, ou o completo desrespeito ao direito alheio seja parando em fila dupla ou indo bem devagarzinho procurando vaga onde não existe numa rua completamente engarrafada? Ou o fato de dar sinal e sair ou encostar atrás do carro da frente quando há uma distância regulamentar a ser respeitada? Como aceitar que se dirija à 80 km em ruas centrais? Ou que uma parcela dos motoristas costume se apropriar das ruas como se fossem deles inclusive parando em fila dupla para conversar? Como aceitar que se fure o sinal vermelho ou se estacione em lugares proibidos como garagens alheias ou pontos de ônibus? Muita gente entende que não está fazendo nada demais se comportando assim, mas, não é bem isto. Não há muita diferença entre o comportamento dos nossos motoristas e dos políticos na medida em que o trânsito, assim como o dinheiro público, também é um bem comum, embora se costume esquecer disto e, muitos, privatizem para si um espaço que deve ser compartilhado por todos. Há muitos motoristas que dirigem em Porto Velho como se estivessem no quintal de sua casa e pudessem fazer o que bem entender, daí os inúmeros acidentes. Não há diferença real entre o comportamento dos motoristas ruins e as atitudes dos políticos. No fundo refletem a ausência de cidadania e a necessidade que temos de mudar nossas atitudes. È preciso frisar que o respeito aos bens coletivos, como as ruas, o trânsito e coisas públicas, é uma parte essencial da vida coletiva e que só poderemos, de fato, ter políticos melhores na medida em que houver um maior respeito às leis tanto da parte da população como dos governantes.

quinta-feira, junho 04, 2009

O SUCESSO DA MT & EXPO 2009



Aberta na segunda feira, 02 de junho, e se estendendo até o próximo sábado a M&T EXPO 2009- 7ª Feira Internacional de Equipamentos para Construção e a 5ª Feira Internacional de equipamentos para Mineração não se apresenta apenas com a principal vitrine do mercado de máquinas e equipamentos para a construção e a mineração do Hemisfério Sul como também demonstra que venceu o desafio de fazer uma das maiores feiras mundiais no meio de uma grave crise econômica internacional. A feira, no Centro de Exposições Imigrantes em São Paulo já demonstrou que é um sucesso com a presença maciça no seu evento paralelo o 2° ELACOM- 2° Encontro Latino-Americano da Construção e Mineração mais de 4 mil pessoas que irão assistir palestras de especialistas nos mais diversos temas, bem como pela afluência de público e interessados em seus lançamentos e produtos.
Se havia um entusiasmo contido nas palavras do presidente da Associação Brasileira de Tecnologia de Equipamentos e Manutenção-Sobratema, Afonso Mamede, da entidade responsável pela realização da feira, que, na abertura, destacou números que impressionaram,como de que a MT & EXPO 2009 tem 52 mil metros quadrados, 424 expositores e mais de 500 marcas ou que são expositores de 28 países que mostram mais de 1.000 equipamentos que, em conjunto, representam um valor estimado de mais de R$ 200 milhões, agora, alguns especialistas com a introdução de novos produtos estimam que serão negociados acima dos 10% da expectativa de gerar negócios nos próximos três anos da ordem de US$ 1,5 bilhão. È um espetáculo, de fato, verificar que todo o centro de exposição está tomado de máquinas e equipamentos que exigiram a abertura de mais três pavilhões até o limite físico do parque e, mesmo assim, houve expositores que ficaram fora da feira que cresceu 57% em relação a sua última edição, em 2006, de vez que ela somente acontece de três em três anos.
Por outro lado, também se verifica que o avanço dos asiáticos no mercado brasileiro é visível, pois, os chineses chegaram junto com os coreanos ocupando na feira, em conjunto, 20% do seu espaço. Também vale ressaltar que 191 expositores, ou seja, 45% dos expositores não tem representação no Brasil. Interessante é ver que isto é resultado de todo um trabalho de marketing, de vez que a feira se apresentou num novo visual ressaltando o seu papel como a supermáquina do desenvolvimento, ou seja, um fator essencial no que é um problema da America Latina, o da infraestrutura. Isto, porém, não funcionaria se, como se verifica com os empresários e jornalistas, não houvesse a percepção de que, na crise, os países da América do Sul serem, hoje, passaram a ser encarados como solução e não como problema. Neste contexto o Brasil se destaca como um mercado atrativo que pode impulsionar os negócios de todo o continente e há uma grande esperança de que os investimentos públicos, em especial o PAC, seja o estopim de melhores dias. E há, como se pode constatar na feira, a percepção de que os dias piores da crise, pelo menos na América do Sul, já passaram.

(*) Silvio Persivo viajou para São Paulo a convite para a MT & EXPO 2009 a convite da Sobratema- Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção

quinta-feira, maio 28, 2009

BRASIL FOODS



Brasil Foods é realismo pragmático

Principalmente na segunda metade do século passado as esquerdas latino-americanas, e a brasileira em especial, tinham um inimigo: as empresas multinacionais. Foi um grito comum entre os esquerdistas o “Fora multinacionais” na medida em que, como mantinham seus centros de decisões no exterior, as empresas eram vistas como inimigas do país, risco para a soberania do povo brasileiro e, principalmente, como grandes sugadores da riqueza pátria. A grande diferença é que, no passado, havia, na sua grande maioria, o predomínio das multinacionais norte-americanas e os Estados Unidos eram vistos como o país imperialista por excelência, de forma que tornou-se comum os slogans “Fora ianques” e “Go home trustes”.
É irônico que o Brasil que tanto ajudou a criar este tipo de mito seja agora acusado pelas demais nações latino-americanas de serem “os ianques da vez”, pois, seja no Paraguai, na Bolívia, no Equador ou na Venezuela, hoje, o perigo imperialista é, quem diria, o Brasil com suas grandes multinacionais estendendo seus tentáculos e recebendo em troca o tratamento que deu no passado aos investimentos estrangeiros. Ou alguém dúvida de que a Petrobras, a Odebrecht, a Camargo Correa, a Ambev ou a Vale, só para citar as mais comuns não sejam vistas como empresas gigantes e dominadoras de mercado? Como se vê o mundo mudou. Mudou tanto que a fusão da Sadia com a Perdigão, criando a Brasil Foods, que pareceria impossível tempos atrás, se fez quase por imposição do mercado internacional. Na verdade os seus dirigentes compreenderam que só em conjunto poderiam pesar e ser uma das maiores empresas do mundo na produção e exportação de alimentos industrializados, porém, por isto mesmo também uma nova candidata a engrossar a lista das empresas que, para muitos esquerdistas, compõem o que, para nós, é uma completa paranóia, o projeto imperialista brasileiro da América do Sul. Longe estão de pensar que estamos numa época onde não existe nenhuma intenção imperial, mas, apenas e tão somente as necessidades estratégicas comerciais de empreendedores.
É certo que muitos dos nossos vizinhos, como nós no passado, não compreendem o mundo novo de megaempresas de atuação multinacional, o que no setor de alimentos é indispensável. A questão de criar grandes corporações multinacionais brasileiras é um caminho sem volta e a única forma possível de inserção no comércio internacional. Hoje, em dia, por mais que o esquerdismo infantil não compreenda só há uma coisa pior do que ser explorado por multinacional: é não ser. Quem não tem multinacionais na sua economia, como muitos países da África, estão excluídos do desenvolvimento e da modernidade.

sexta-feira, maio 22, 2009

NEGÓCIOS DA CHINA



É anunciado com estardalhaço que a China emprestou R$ 10 bilhões para a Petrobras. Tal empréstimo seria um sinal do sucesso da visita de Lula da Silva ao gigante asiático e prova do acerto da política diplomática posta em prática pelo atual governo. Não é preciso ir muito longe para relembrar que, em 2004, Lula já havia ido até lá para, supostamente, acertar a vinda de grandes investimentos chineses para o Brasil e, passados cerca de cinco anos, qualquer um que se debruçar nos números verá que os chineses investem muito mais em países africanos como a Nigéria, Sudão e Argélia do que no Brasil.
O fato real é que, em contraposição à nossa política ciclo tímica e de terceiro-mundismo anacrônico, a China, se comporta de forma pragmática e com uma estratégia de longo prazo que não está nem aí para boas intenções ou promessas vazias. Os chineses, ao contrário de nós, cuidam de seus interesses, daí que o que o empréstimo revela é a consistência de sua política externa que se alicerça em ter muito dinheiro em caixa e na compra maciça de insumos que possam garantir o seu desenvolvimento. Numa época em que falta crédito no mundo e a demanda cai não existe negócio melhor do que aproveitar os preços em queda das “commodities” e comprar o minério de ferro, a soja e, agora, com este último empréstimo também o petróleo, para poder continuar crescendo velozmente. Claro que isto nos garante um sólido superávit comercial neste ano de crise, mas, não deixa de ser revelador de que continuamos sendo exportadores de matéria-prima para nações que nos vendem produtos processados, ou seja, vendemos as mercadorias de baixo preço, sem tecnologia e sem valor agregado o que, convenhamos, revela bem que existe um grande desequilíbrio na relação bilateral com a China (e não somente com ela) e desvela estratégias diferentes que mostram que o Brasil não sabe negociar com os chineses. A viagem de Lula revela friamente que somos ineficientes em aproveitar as oportunidades existentes enquanto os chineses são precisos, frios, calculistas e estão nos dando um banho de competência diplomática em todos os sentidos. A rigor não há o que comemorar. Se a diplomacia brasileira tivesse capacidade de auto-análise certamente encobriria o rosto do Barão do Rio Branco para que, nem com os olhos apertados, pudesse enxergar o fiasco de seus sucessores fazendo negócios na China. Não é de estranhar que Lula, muitas vezes, apareça desajeitado. O estranho é que não exista ninguém perto dele que o tenha desaconselhado a sacramentar o fracasso de sua diplomacia sob o sol do Oriente.

sexta-feira, maio 15, 2009

O HOMEM CORDIAL....



Foi para o brejo
É engraçado como se consolidam socialmente alguns estereótipos na psique popular. Talvez nenhum deles seja mais emblemático do que, por exemplo, a crença de que nossa sociedade se define por traços que a caracterizam como uma sociedade cordial, pacífica, sem imensos conflitos sociais. È claro que isto não poderia escapar do olhar científico e são muito conhecidas as palavras de Sérgio Buarque de Holanda que, em Raízes do Brasil, escreveu “A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro, na medida, ao menos, em que permanece ativa e fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio humano, informados no meio rural e patriarcal”. È verdade, mas, é preciso não esquecer que nossos ancestrais com pertinácia fecunda no meio rural e patriarcal foram responsáveis por reduzir cerca de cinco milhões de índios que estavam aqui antes dos colonizadores, divididos em mil etnias, nos parcos 300 mil indígenas de hoje o que dá bem uma dimensão do extermínio que lhanamente cometeram. Ou seja, a rigor sempre houve uma máscara de paz, de cordialidade, porém, o jogo sempre foi duro.
No entanto nos tempos atuais onde as boas maneiras, a polidez e o respeito parecem comportamentos cada vez mais distantes dos padrões brasileiros se alguma vez houve mesmo o tal do “homem cordial” deve ser uma espécie em extinção ou prestes a desaparecer. Basta ver que até mesmo nas classes menos favorecidas e entre os mais jovens se alastram os números pesados da criminalidade com homicídios, uso de armas e drogas despontando de um lado e, de outro, nos supostos movimentos sociais, vemos o MST ocupando estradas, centros de pesquisa, edifícios e órgãos públicos ou os sem-teto nas cidades brasileiras ocupando conjuntos ou prédios abandonados ou em construção, sem contar os protestos nada pacíficos de estudantes contra os aumentos de passagens ou pelo passe livre, os conflitos entre policiais e camelôs em São Paulo ou, aqui em Porto Velho, entre policiais e mototaxistas. Esses movimentos sociais, afora tantos outros, rasgam o véu da cordialidade, verdadeira máscara que esconde, na verdade, a crueldade sempre presente nas relações da sociedade brasileira.
Aliás, nenhuma crueldade é maior do que a do próprio sistema político que afastou, definitivamente, a elite intelectual e moral do país do seu comando, por meio do clientelismo e do poder econômico, criando uma agenda em que os verdadeiros problemas do país são tratados apenas nos discursos enquanto os poderes oligárquicos se perpetuam mesmo que sob a fachada de um operário e de um partido de esquerda que perdeu completamente a noção de que esquerda é lutar pela condição de cidadania e não manter o povo pendente de um auxílio qualquer. Definitivamente quando se perde a batalha da educação e o espelho dos bons modos é porque o homem cordial há muito foi pro brejo.

sábado, maio 09, 2009

A LÓGICA TORTA...



PODER
(ou Salvai-me São Jorge de ser crente!) DO >

Pode até parecer grotesco que um deputado federal, e logo do Rio Grande do Sul que supomos uma bastilha dos libertários, o deputado Sérgio Moraes, tenha a coragem desabrida de afirmar que está “se lixando” para a opinião pública” e ainda emendar desafiadoramente para a jornalista que o entrevistava que “Até porque parte da opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Vocês batem, mas a gente se reelege”. Bem, pode até ter sido um deslize, mas, o deputado disse o que realmente pensa – sobre o povo, a imprensa e a democracia. Disse também, indiretamente, o que pensa sobre a atuação do colega, de vez que não viu indícios de quebra de decoro por parte de um parlamentar acusado de usar notas frias na sua prestação de contas, ou seja, foi honesto dentro dos seus parâmetros.
Não deixa de ser irônico que quando um político diz o que pensa realmente revele a lógica do poder e esta, como fica evidente, é a de que se pode fazer tudo desde que se seja eleito como se o fato de obter votos, mesmo que da forma mais rasteira possível, promova a limpeza na falta de ética e no desrespeito as leis. No entanto o desabafo do deputado Sérgio Moraes é também revelador dos tempos em que vivemos na medida em que, recentemente, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, procurava ser candidato por seu partido como uma forma de “apagar” seu passado, assim como o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palloci, anda prestes a conseguir via um mandato, que somente se explica pela inércia da Justiça. Todos se agarram na frágil defesa de que “fazem o que todo mundo faz”. Mas, isto é uma justificativa que não livra ninguém dos crimes e torna todos criminosos, porém, é diferente a atribuição generalista do crime ao crime específico. O que seria correto, se pudessem fazer, seria dizer que não fizeram o que fizeram. Ao jogar todo mundo no lixo comum o que se faz, de fato, é querer justificar a criminalidade pelo discurso e sepultar a culpa pela via do voto. Se assim se for, então se justificaria inocentar os criminosos que conseguissem votos? E quem duvida de que Marcola ou Fenandinho Beira Mar não seriam bem votados?
Aqui, por dever de ofício, é preciso acentuar que se trata de um costume que tem raízes no PT. Concordo plenamente que o Partido dos Trabalhadores é igual a outro partido qualquer e que não inventou a corrupção nem é o único por ela responsável, mas, não posso deixar de assinalar que lhe cabe a culpa, com a reeleição de Lula da Silva, de ter inaugurado o costume de se achar que tudo é possível se encobrir com os votos. Não é. O sistema eleitoral brasileiro, por si mesmo, é uma fonte de males com o clientelismo e a compra de votos afastando do exercício da política os mais probos, os mais cultos e os mais jovens. E, infelizmente, como comprova a tentativa frustrada de retorno de Delúbio Soares, com seu discurso lamacento de renúncia, um partido que veio para mudar se transformou numa fonte de atraso, o verdadeiro condutor do clientelismo, do “é dando que se recebe” e da compactuação com quem, no passado, como Sarney, Collor, Jáder Barbalho ou Jucá Romero, chamavam de “ladrões”. Também nisto o PT não inova, mas, se afasta dos ideais que nortearam sua formação e se tornou a verdadeira direita do país que, estranhamente, somente se revela em episódios tristes, como este, onde um deputado da base aliada desvela a lógica do poder que quer se manter a qualquer custo. Ou é mentira que já anda se pretendendo, no melhor estilo Chávez, rasgar a Constituição em busca de um terceiro mandato?

quinta-feira, maio 07, 2009

É NEGÓCIO TER A VENEZUELA NO MERCOSUL?

NA ENCRUZILHADA DOS RUMOS FUTUROS
Embora não tenha tido, por parte da imprensa e da opinião pública, o espaço e a discussão merecida um dos mais importantes assuntos que se encontra prestes a ser votado no Senado é, sem dúvida, o projeto que aprova o texto do Protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul. Há até mesmo uma certa pressa, um açodamento para que seja votado e que se aproveite a vinda do presidente Hugo Chávez, que tem encontro marcado com o presidente Lula no próximo dia 26, na Bahia, para que o país vizinho seja incluso no bloco como defende o Executivo.
Como argumento para que isto seja feito o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, esteve recentemente em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Congresso justificando a posição do governo de apoio à entrada da Venezuela não sob o ponto de vista ideológico, que é o verdadeiro ponto de união entre Lula e Chavez, e sim pelo fato de que a Venezuela é o país com que o Brasil possui maior superávit nas relações comerciais individuais – US$ 4,5 bilhões no ano passado. Por isto, segundo Amorim, a entrada do país vizinho no bloco pode ser muito vantajosa.
Bem não se discute o fato de que, num mundo globalizado, ainda mais diante de uma crise econômica, não seja melhor uma maior integração, em especial com as nações vizinhas. Todo o esforço que é feito para salvar o Mercosul advém desta base, logo o raciocínio parece adequado também para a Venezuela. Se isto é correto em tese, na verdade, não é bem assim. Isto em razão de que o governo da Venezuela é, sabidamente, marcado por um exacerbado personalismo de seu chefe que cria um ambiente político incerto, principalmente diante das sucessivas manobras de Chávez para se perpetuar no poder. É verdade que os governos passam e os países ficam, ou seja, poderia ser de bom alvitre ignorar as posições do dirigente em nome das boas relações que sempre mantivemos com o país vizinho. O problema principal disto é o de estimar se vale o preço a ser pago.
É indispensável lembrar que com a Venezuela no Mercosul, por conta do estilo imperial e passional de Chávez, com o poder de veto é dado a todos os países integrantes do bloco, este pode certamente impedir o avanço de acordos de livre comércio e das flexibilizações da Tarifa Externa Comum (TEC), negociadas, em virtude das infindáveis incompatibilidades de interesses, especialmente entre argentinos e brasileiros. Não se pode esquecer também os princípios que regem a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), a versão chavista da Alca, na qual a Venezuela tem defendido o pleito de Fernando Lugo, presidente do Paraguai, de renegociar com o Brasil o Tratado de Itaipu, bem como condenado uma das políticas mais caras a Lula que é a expansão do uso do etanol, com o aumento da cultura da cana-de-açúcar , na opinião dos chavistas, responsável por “efeitos devastadores” sobre a produção de alimentos. È claro que o interesse é outro: com o petróleo sendo sua principal fonte de receita Chávez não tem o menor interesse na produção em larga escala de combustíveis que concorram com a riqueza natural da Venezuela. Será que é um bom negócio atrair um país para a integração quando este é dirigido por quem está mais atento as bandeiras que atendam mais ao seu desejo de liderança regional do que uma efetiva integração? O balanço fica mais negativo ainda se verificamos que, por suas posições, será um grande complicador para as discussões de possíveis novos acordos com a União Européia e os Estados Unidos aos quais, seguidamente, critica. O grande perigo é que o Mercosul acabe atrelado à agenda chavista o que, na prática, significará sua efetiva estagnação.

segunda-feira, abril 27, 2009

O PILAR BÁSICO DA DEMOCRACIA



Em defesa do Congresso
A política, é verdade, não é feita por santos. È feita por homens com suas virtudes e seus defeitos e sua conhecida falibilidade. É claro que, por tal causa, nunca será o ideal de pureza com que se sonha. Não poderá ser nunca isenta dos problemas humanos, de suas fraquezas e seus erros. Isto não significa que não se lute por uma política com maior seriedade, com maior moralidade. No entanto, em certos momentos, parece haver uma escolha visível de uma Geni para se jogar pedra. A Geni atual é o Congresso Nacional.
É fato que existem motivos. Afinal a opinião pública acompanha com justificada revolta o fato de que, a partir de brigas internas de poder, já nos aproximamos da metade do ano com as duas Casas chafurdando na lama dos escândalos que se revelam, continuamente, num festival de baixarias que impede o exame de matérias do que, de fato, seria importante para o país. È uma crise política séria, porém, não nova. O cerne real é antigo: a forma como os parlamentares são escolhidos. As denúncias que envolvem os deputados e senadores possuem sua raiz na forma de eleição, pois, num país onde as pessoas mais escolarizadas e culturalmente mais capazes, a elite, são execradas e afastadas da disputa seja por questões financeiras ou morais, onde, praticamente, só conseguem se eleger quem compra votos ou pratica o clientelismo; no qual são gastas fortunas para se eleger, nada tem de espantoso que os parlamentares considerem o mandato como “seu”, o que é um passo para os privilégios impensáveis como passagens aéreas utilizadas para viagens de passeio, telefones celulares franqueados, auxílio-moradia, serviços médicos de primeira classe pagos por conta do Estado e por aí vai....
Sendo uma crise política também é moral e ética. Tanto que não há diferenças expressivas político-partidárias, ideológicas ou de visão administrativa. O próprio presidente publicamente confessa, assinando um pacto com outros poderes, que, entre eles, “não há santos nem freiras” e, justificou práticas de seu partido, afirmando que “todos fazem igual”. O ruim, o péssimo, no entanto, é que o Congresso é o mais frágil dos poderes e, o que, efetivamente, representa o povo. Ao se enxovalhar, como está se enxovalhando, cria a falsa impressão de que é uma instituição desnecessária, na medida em que parece apenas um local para o exercício de bandalheiras. E, como se verifica, seja por medidas provisórias ou por interpretações das leis, os demais poderes da República, distorcendo os princípios constitucionais, as cláusulas pétreas da autonomia e da harmonia dos poderes, tem invadido a seara legislativa. Esta situação anômala é que induz à equívocos, como o do senador Cristovam Buarque, que, num haraquiri político, chegou a propor um plebiscito para que o povo decida se o Parlamento deve ser fechado. Só o fato de um ex-ministro da Educação, ex-governador e senador propor um absurdo deste já demonstra a falta de preparo e de representatividade de nossos políticos. É a completa falta de compreensão de que o Congresso é um pilar básico da democracia e que, só nas ditaduras, os parlamentos são fechados. O que se precisa de fato é restaurar a representatividade por um processo eleitoral mais transparente e menos sujeito aos vícios que todos nós tão bem conhecemos da manipulação das classes mais pobres do país. A rigor, o Congresso, em si mesmo, é o menos corrupto dos poderes por ser muito mais transparente, mesmo com todos os pecados que lhe são apontados.

sábado, abril 18, 2009

UM VIDENTE ANARQUISTA



Bakunin conhecia a alma de Lula

O que não perdôo em Lula da Silva é a desfaçatez com que faz hoje o que, ontem, criticou. Lembro que, quando ainda sindicalista, sem a menor cerimônia chamou de “ladrão” os senadores Sarney e Collor com os quais, no momento, se abraça. Mas, o pior de tudo, é que quem, no passado, foi o maior crítico da corrupção pode se orgulhar do recorde de escândalos que “nunca antes houve neste país”. É um fato indiscutível que antes não se havia visto nada igual aos vídeos que mostraram integrantes do governo recebendo propina e gerando o famoso “Mensalão”que, depois, foi transformado, por obras de artes marqueteiras, em caixa 2 para a arrecadação de recursos ilícitos para o financiamento de campanha.
É até fastidioso enumerar a série de escândalos impunes que chega agora ao fundo do poço (é o que se espera, mas, nunca se sabe) com a série infindável de denúncias que enxovalham o Congresso e salpicam os demais poderes. É um contraste, que somente se explica pela necessidade de criar factóides, que o mesmo governo que “espetacularizou” as ações da Polícia Federal assine um acordo com os outros Poderes para fazer, o que seria feito, se apenas se respeitassem as regras e, para tornar o espetáculo ainda mais dantesco, com o presidente dizendo que “Ninguém aqui é freira ou santo, e não me consta que no convento também não haja briga”.
Ou seja, daqui a o pouco vai considerar natural os desvios das cotas das passagens aéreas das mordomias parlamentares, para financiar viagens ao exterior ou para a folia do carnaval dos convidados do deputado Fábio Faria (PMN-RN). Para quem entende que é elastecer demais o raciocínio basta lembrar que o presidente disse que "Fazer a minha sucessão é uma tarefa gigantesca. Todo mundo sabe que tenho intenção de fazer com que a companheira Dilma seja a candidata do PT e dos partidos”. E, para tal, não tem poupado esforços seja reunindo prefeitos, distribuindo recursos para Estados e Municípios, prometendo investimentos, aumentando salário mínimo, não contendo gastos, desonerando impostos e, por último, prometendo fazer um milhão de casas e aumentando o Bolsa Família.
É claro que a alegação em defesa de suas atitudes pode ser sempre a de que todo mundo faz do mesmo jeito, mas, o que se esperava de quem pregou que não tem brasileiro capaz de julgá-lo em termos de ética e de moral seria bem mais do que este triste espetáculo de tentar eleger alguém a qualquer preço. Infelizmente, como tantos outros, o Lula dos palanques dá toda razão a Bakunin que, numa discussão contra Marx, disse sabiamente que: “O governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Essa minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana. "

quinta-feira, abril 16, 2009

O MUNDO GIRA



O PESO DA ECONOMIA
Há quase já estabelecido um ritual, pelo governo Lula da Silva, que tem dado certo: segurar as contas públicas no início do mandato e, nos dois últimos anos, praticar políticas eleitoreiras para buscar a adesão social de camadas que influenciam o voto. Com Lula como candidato isto tem dado certo, daí a formula estar sendo reeditada quando ele não mais pode ser. Só isto para explicar a abertura das porteiras do gasto público com o objetivo de manter o PIB crescendo ou a liberação da Petrobras de contribuir para o superávit primário. Também a marcha-ré no “aperto dos cintos” das prefeituras, com a liberação por MP de um bilhão de reais, a negociação de "ajuda" a Estados e as bondades fiscais que estão baixando o preço dos bens de consumo se regem pela mesma lógica. Porém, entre essas, nenhuma supera em apelo emocional à antecipação do aumento do salário mínimo que vai subir de R$ 465,00 para R$ 506,50, ou seja, está dando, logo em janeiro de um ano eleitoral, um aumento de 9% para uma significativa faixa da população, bem maior que a inflação prevista de 4% e, num ano em que o PIB, se não diminuir, deve ser igual ou próximo de zero.
É verdade que isto vem coberto pelo glacê de medidas "anticíclicas", mas, são iniciativas que tem uma vertente eleitoral visível como é o caso do agrado aos prefeitos, aos governadores e a diminuição do superávit público que se explica muito mais pela necessidade de manter quietos segmentos do funcionalismo público e os militares do que, de fato, aumentar investimentos. Basta ver que um exame superficial dos gastos de investimentos do Plano de Aceleração do Crescimento-PAC demonstra que a execução dos gastos de investimentos pelo governo é pífia, quase nula. A rigor bastaria efetivar, de fato, os investimentos previstos para que houvesse um maior aquecimento da economia.
È claro que se trata do jogo político. Ninguém ignora a força dos votos dos prefeitos ou dos governadores nem de muitos senadores e deputados que tem seus pleitos atendidos, inclusive negociações de dívidas de setores específicos, que são feitas sob a ótica do futuro eleitoral. Nem se pode subestimar o fato de que Dilma Roussef apareça no jogo como tendo um papel importante na decisão sobre liberação de dinheiro para as cidades. Pode-se dizer que não se trata de uma concorrência justa, porém, na política, o Partido dos Trabalhadores-PT pode alegar, o mesmo que alegou sobre o Caixa 2, que nunca foi. A questão real é de que, apesar disto, as possibilidades de que, mesmo com tais medidas, seja possível ganhar o jogo depende cada vez mais de fatores que estão fora de controle: a intensidade da crise. Quanto mais os indicadores forem negativos, quanto menos consumo, renda e emprego houver menos possibilidades tem o governo de ter êxito no apoio à sua candidata. A eleição de 2010, mais do que as anteriores, será decidida pela situação econômica. E a queda da arrecadação federal, pelo quinto mês consecutivo, dá sinais de que os ventos estão soprando a favor da oposição.

terça-feira, abril 07, 2009

A COMUNICAÇÃO EM FOCO



Wolton, um pensador inquietante

Sem dúvida uma das mais brilhantes reflexões sobre a atualidade, em especial sobre as relações entre comunicação e sociedade, é a de Dominique Wolton, pesquisador do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa), que, no seu último livro, McLuhan “Ne Répond Plus. Communiquer C’est Cohabiter (McLuhan não Responde Mais. Comunicar é Conviver) dispara suas idéias sobre assuntos que causam polêmica e despertam provocações e reflexões como afirmar que os jornalistas e políticos “Não escutam os homens de ciência...”. Nascido em 1947, em Duala, Camarões, é um dos pioneiros na França a se debruçar sobre a “comunicação”. Como afirma também “Comunicar é dirigir-se a um outro que não nos compreende porque não é nós mesmos. É construir uma relação com o outro sabendo que ele é um outro. Comunicar, no fundo, é aprender a conviver”.
Dominique Wolton tem um pensamento inquietante e permanente sobre a comunicação cujas raízes, confessa, remontam à sua infância africana. “No Camarões, quando menino, fiz a experiência, sem o saber, da alteridade. E com ela, da dificuldade de se compreender”. Tornou-se famoso graças aos livros Le Spectateur Engagé, um livro de entrevistas com Raymond Aron, e La Folle du Logis, um ensaio sobre a televisão que rapidamente se transformou na bíblia de todos os estudantes em comunicação e jornalismo por afirmações ousadas como “Quanto mais as tecnologias se aperfeiçoam, mais lenta se torna a comunicação humana”. Para ele: “Os cientistas criaram as ciências humanas, as ciências naturais... mas ainda não as ciências da comunicação. Ora, esse terreno de estudo é fundamental em nossa sociedade”. O que comunicar? Como podemos nos compreender? O que sabemos do “receptor”? São questões urgentes e candentes em tempos de meios de comunicação de massa. “Quanto mais as tecnologias se aperfeiçoam, tanto mais a circulação da informação é rápida e tanto mais lenta é a comunicação humana.”
Para Wolton o progresso (coisa que não acredito que exista) não vai mudar esta situação. Diz ele. “Os progressos da técnica, longe de gerar uma aldeia global, como pensava McLuhan, nos mergulham na torre de Babel. A multiplicação dos canais de informação, como o mostra a internet, favorece comunidades e redes. Permanecemos entre nós”. Por esta razão, Dominique Wolton é um advogado incansável das grandes mídias generalistas: “Elas exercem um papel capital em nossa sociedade. Seu desafio, que é o desafio da comunicação, é colossal: como se dirigir a todos quando cada um é diferente?”. Neste sentido é que, longe de desprezar a televisão, ele foi um dos primeiros a definir seu papel na cidade: criadora de vínculo social. “Como a imprensa generalista, ela permite ao cidadão sair de seus interesses pessoais e ir ao encontro da coletividade.” Interessante também, tem uma visão com a qual concordo, acredita que o leitor, o ouvinte, o telespectador tem um papel central. Trata-se de um dos poucos pensadores que crê que os telespectadores são mais inteligentes e menos influenciáveis do que se acredita. “O telespectador não é ingênuo. Ele não adere incondicionalmente e sem distância ao que lhe é mostrado: não é porque ele assiste que ele adere! Como em todas as indústrias da cultura, não é a demanda que cria a oferta, mas a oferta que cria a demanda.” Também acredito, e tenho insistido nisto, que as pessoas são muito menos guiadas por suas situações concretas do que por influência de idéias dos outros. Neste sentido acredito, como parece ser o caso de Wolton, na lógica das pessoas, mas, adaptadas a seus desejos e contingências.

segunda-feira, abril 06, 2009

A IMPRENSA PINTADA DE MARRON



É muito comum que, quando uma notícia não agrade a um político ou a um dirigente sua primeira reação seja desqualificar a imprensa. Uns mais tendentes a ter desejos ditatoriais nem precisam ter tantas noticias assim, pois, vive pensando em meios de cooptar, domesticar ou enquadrar a imprensa por meio seja de leis, seja de regulamentos ou até mesmo mandando, quando o jornalista é estrangeiro, para fora do país.
O engraçado é que se raciocina sempre como se a imprensa fosse capaz de manipular o público ou que os jornais só publicam aquilo que interessa aos agentes econômicos e políticos dominantes (se bem que no Brasil com a fortuna que o governo gasta em propaganda isto não está muito longe da verdade) ou que nada se publica sem que o dono, ou os diretores, tenham aprovado ou que a imprensa é “marronzista”, ou seja, se guia apenas pelo dinheiro.
Ora, apesar dos últimos resultados eleitorais terem derrubado a tese dos “formadores de opinião” o que se depreende deste tipo de pensamento é uma tese difícil de defender: o público dos meios de comunicação seriam uma tabula rasa com o qual, por exemplo, a Rede Globo faria o que bem desejasse. Nem parece que nós, humanos, raciocinamos por padrões lógicos, por suposições que consideram os nossos interesses procurando as opções mais prováveis ou exeqüíveis, chegando a conclusões prováveis, que podem nos conduzir à aceitação ou rejeição, simpatia ou antipatia, engajamento ou indiferença. Neste processo, muitas vezes, pesam muito mais as situações, as amizades, os compromissos financeiros, a situação econômica do que qualquer tipo de argumentos ou juízos de valor até mesmo dos nossos ídolos quanto mais de jornalistas ou intelectuais que se ouve ou lê, na maioria das vezes, esporadicamente. Em suma, a informação ganha sentido num contexto onde pesam os valores, a experiência ou o grau de informação. Por mais que meu conhecimento, por exemplo, de economia seja grande, nenhum leitor vai aceitá-lo simplesmente porque sou professor e exponho minhas idéias. Dentro do seu grau de conhecimento, é claro, que vai, em geral com o mínimo de esforço, analisar a mensagem, contextualizar o que pode aproveitar, e, o que não se bate com as informações já disponíveis na memória é simplesmente ignorado.
O que é mais interessante é que, na maioria das vezes, quem defende estas teses absurdas são pessoas que se dizem de esquerda, contrariando o pensamento das massas revolucionárias de Marx e adotando, ingenuamente, a visão das “massas passivas”, que é um conceito muito do agrado das teses fascistas de Le Bom e de Goebbels que sobreviveram a Hitler e se incorporaram, com alguma maquiagem, ao centro conservador ou liberal e, agora, são consideradas "de esquerda". A questão da informação não passa somente pela qualidade do jornal e do jornalista, mas, principalmente, pela educação do povo. Todos sabem que se há uma verdade é a de que os discursos do poder são unânimes na louvação dos feitos dos governos e governantes e, na sua essência, hipócritas. Todavia, as pessoas dependem, cada vez mais, do fluxo de informação. Hoje muito mais do que em qualquer outra época da História. Sem informação jornalística, o homem não consegue orientar-se bem, mas, o jornalista, como o político, é fruto de seu meio. Não se espera que no milharal nasçam rosas.

Ilustração: A foto é do ilustrador e caricaturista Richard Fenton Oucault que criou o Yellom Kid, um menino criador de confusões, que deu origem ao termo imprensa marron ( por lá é yellow, amarela).