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quarta-feira, dezembro 29, 2010

Promessas de fim de ano



Inevitavelmente fim de ano é tempo de balanço. É tempo de lembranças, de teres e haveres, de pesar os prós e os contras. E quanto mais o tempo passa sempre parece que passa mais rápido e que somos mais felizes na medida em que morrem menos amigos e podemos contabilizar, pelo menos, a saúde e alguma estabilidade monetária, quando possível. A vida, porém, é isto mesmo. Uma sucessão de dias e noites que se guarda e se perde na memória até quando a própria memória se perde. Sinceramente, não me importa mais recordar o passado, que já ficou mesmo para trás. Escrevo em busca do novo, da esperança que o futuro, este indevassável e esperado tempo, traga os frutos doces que sempre desejamos degustar. Vida, daí-me o vinho e o amor e o resto que puder, por favor.
Não, meus amigos, não bebi. Estou mesmo, como é natural, até certo ponto nostálgico depois de um natal em que fiquei dois dias dormindo meio avariado. Também, não me venham com diagnósticos médicos, dizer que é efeito da tonteira. Não é. Encontro-me bem, encontro-me lúcido e contente comigo mesmo até onde se pode estar, pois, afinal, é próprio do ser humano estar sempre abaixo do que espera, exceto alguns iluminados, que, como não consegui estar, credito sempre à sorte, que podem se gabar de ter alcançado a glória que, como dizia Napoleão, é efêmera sim, porém, melhor que a obscuridade eterna. Posso dizer que a única embriaguez que me possui é a de final de ano, de ter ouvido umas músicas de Nara Leão, uns versos de Vinícius, de ter tentado em vão fazer alguma poesia, voltar a escrever alguma poesia, de vez que, na vida, não posso me queixar de que, apesar dos problemas, sempre tenho vivido o mais poeticamente que posso, amando o possível, mesmo com todo o sofrimento e a insatisfação que o amor sempre traz.
De que posso me queixar? De que jamais terei o amor que sonhei? Tive, tenho o amor possível. O amor real de tantas pessoas que seria uma ingratidão não dizer a elas, neste momento, muito obrigado. È muito mais do que se pode almejar, muito mais do que a fama ou o dinheiro, ter um amor, um amigo, onde sempre se pode despejar sua dor, buscar o afago, o carinho, a beleza de um momento que pode custar e ser apenas o prazer de estar ao lado ou, muitas vezes, a voz no telefone que se lembra de perguntar por você ou se queixa de que não liga, não escreve, não telefona, não passa um e-mail e nem sequer mais dá bolas pro Orkut, pro MSN, Facebook! Sou um relapso confesso. Faz tempo que não escrevo, nem telefono, nem vejo meus irmãos. Muitas vezes deixo pra lá meus mais queridos seres sem uma palavra, sem um gesto de amor. É que a lógica, esta assassina de sentimentos, me diz que eles todos, mulher, filhos, amigos, sabem que vivem no meu coração por mais distantes que estejam. Não é assim, lógica cruel. E, neste fim de ano, me penitencio: fui relapso. Meus amigos, meus amores, meus queridos, só posso lhes prometer um tratamento melhor em 2011, porém, não esperem muito. Vocês sabem como são as promessas de fim de ano.

domingo, dezembro 26, 2010

Razões para se sentir triste no Natal



Bem, meus amigos, há quem diga que o Natal é uma data massacrante. E não deixa de ter lá suas razões. Começa pelo fato de que, em outubro, passado o Dia das Crianças, já começa a aparecer Papai Noel de todo lado e, convenhamos, não existe figura mais deslocada entre nós do que Papai Noel. Sempre fico com pena de quem é contratado para fazer este personagem que, com tanta roupa, corre o risco de insolação e, ainda mais de barba, pode acabar com um fedor acre que só não espanta as criancinhas porquê, em geral, elas nem estão aí mesmo para sujeira. E me incomoda também que as roupas, como acontece com as àrvores de Natal e os enfeites, são guardadas e ressuscitadas, de forma que o Natal de hoje parece o do ano passado. E o dinheiro? Sempre falta dinheiro no Natal. Não me lembro um fim de ano, apesar das maravilhas que dizem dos atuais, onde o dinheiro sobre. Sempre fico com uma certa sensação de idiota, de que, durante o ano, não fiz o que podia, ou devia, para estar de novo assim e para ter mais dinheiro e poder dar mais presentes. Como o Falcão já dizia que “Dinheiro não é tudo, mas, é 100%” me rendo à evidência de que a falta dele me faz assim triste no Natal, no fim de ano.
Deixemos, porém, de ser materiais. Há outras razões fortes para me sentir triste no Natal. Entre elas, o fato de que sou mesmo muito sensível. E, neste quesito, muitos o são. Muitos terão seus motivos para ficarem reflexivos e emocionais por causa do Natal. É inevitável que, nesta época, se pense nos natais passados. No tempo em que meus pais eram vivos, na mesa larga e farta de uma Fortaleza que não existe mais, dos meus irmãos e suas brincadeiras, de um tempo no qual a missa era o ponto alto da festa e a ceia uma confraternização complementada pelos presentes e pela alegria. É certo que algo desta alegria, desta mágica, desta realidade foi perdida, além dos meus pais. O Natal, para mim, queira ou não, tem um certo gosto de saudade, uma certeza de que jamais será o mesmo.
Talvez, como me explica, uma amiga religiosa, meu problema seja a falta de fé. Ela me explica que, sendo imagem e semelhança de Deus, já sou perfeito (embora não seja esta sensação que sinto) e que não percebo que minha desconexão com Deus é que gera a ilusão de separação e, por conseqüência, todos os problemas que enfrento. E ao falar da fé verdadeira preconizada por Jesus, a fé do tamanho de um grão de mostarda, que remove montanhas, ela me incita a restabelecer a conexão cósmica com Deus. Na fé verdadeira há a gratidão total e absoluta pela conexão com Deus. Tudo muito bom, mas, fé não é como televisão, que é só encontrar o botão e ligar e sintonizar no canal. Não encontro em mim tanta fé assim por mais que procure o canal. Será por isto que me sinto triste no Natal?
Talvez não tenha encontrado o verdadeiro sentido do Natal. Natal representa o nascimento do homem que deu a vida por nós, que passou o que ninguém jamais passou pra salvar aqueles que o crucificaram. Natal é o nascimento daquele que mais nos amou- me dizem. A mensagem é linda. O sentido também, mas, não me toca. Jesus, para mim, é uma figura mítica, uma Atlântida religiosa. A prova de que os homens também fazem seus deuses. Enfim, curvo-me à certeza de que há muitas razões para se sentir triste no Natal. Este ano tive uma razão mais prosaica. Não sei o que comi ou, talvez, tenha sido uma virose. Sei que adoeci, mal comi e não bebi e, para um hedonista, um Natal assim é sempre motivo de tristeza. Espero que o seu Natal tenha sido ótimo por muitas outras razões também. De qualquer jeito, dizem que Natal para ser direito, tem que ser planejado. Vou planejar o próximo.

sábado, dezembro 18, 2010

COM MUITA SEDE AO POTE



Quando se fala em endividamento e inadimplência no Brasil havia, até pouco tempo atrás, uma certa racionalidade, uma sazonalidade no comportamento do consumidor que se caracterizava por, via de regra, alcançar seus níveis mais altos de endividamentos, e até mesmo incapacidade de pagar as contas, por volta do final do primeiro semestre. Havia nisto também uma lógica que nos parecia familiar que é a de que, com os gastos extras de fim de ano e as férias, se acabava por, lá por fim de março, começo de abril, se voltar a consumir e até mesmo comprar bens duráveis. O resultado era que, em junho, no máximo, julho as contas desandavam. E muitos devedores se moviam para regularizar a situação (limpar o nome) e procurar chegar em dezembro com crédito e capacidade de compras. Até meados desta década o comportamento era este.
Com o aumento do crédito, que dobrou no período Lula da Silva, e alguma melhoria da renda das classes mais baixas, que a propaganda política procura classificar como “a nova classe média”, a ordem e a sazonalidade desandaram de vez tanto que, para meu espanto, em termos nacionais, a inadimplência voltou a subir em novembro, segundo a Serasa Experian, sendo este o sétimo mês consecutivo em que isto acontece. Em parte porque, de fato, existem os novos consumidores, pessoas que não tinham condições de comprar muita coisa que, no momento, o crédito abundante favorece. As pessoas de classe mais pobre têm o que nós, economistas, denominamos de “propensão marginal a consumir”, ou seja, o dinheiro que entra é utilizado em consumo. E também raciocinam em termos absolutos. Explicando: não levam em consideração as taxas de juros ou o custo final. Sua lógica é a de se “cabe no orçamento”. Em suma, um televisor LCD se tem uma prestação de R$ 176,00, e ela pode ser paga, o custo final, muitas vezes, 2,3 vezes o valor do bem, não é levado em consideração. Decorre, daí, a euforia do consumo e o aparente contrasenso econômico que vivemos de existir crédito abundante com taxas de juros elevadas. Falta o que se denomina de planejamento financeiro. Falta o que se denomina de consumo consciente. O consumo é bom para a economia tanto que se prevê que a economia brasileira vai crescer 7,5%, mas, não pode ser fonte de endividamento permanente.
É fácil conseguir crédito, porém, não é barato. Nos Estados Unidos em crise os juros anuais estão na casa de 10,7% ao ano. Aqui, se paga, sem pensar muito, 4% ao mês que é um juros quase criminoso, mas, se chega a pagar no cheque especial o juros criminoso de 8% ao mês ou o assassino de cartão de crédito de 12% ao mes. Se, na pesquisa nacional do mês de novembro da Confederação Nacional do Comércio (CNC), em termos de Brasil, o número de famílias endividadas cresceu de 58,6% em outubro para 59,8% em novembro, em Porto Velho a inadimplência cresceu de 67% para 69% das famílias com o endividamento local continuando 15% maior que o nacional. Isto, aliado ao fato de que, mesmo com o pacote do Banco Central, o consumo não arrefeceu, mostra que, hoje, o brasileiro foi como muita sede ao pote do consumo e se encontra todo melado. Felizes e endividados. E a política monetária brasileira consegue ignorar que não é lógico, nem saudável, ter uma economia com crédito fácil e taxas de juros absurdas.

Ilustração: http://www.padero_rj.blogger.com.br/

quarta-feira, dezembro 08, 2010

A maturidade e os limites



Apesar do tempo ter passado e, hoje, ser um homem sexy, isto é, sexagenário, não fosse os problemas normais da idade, é fato que nunca antes me senti tão bem comigo mesmo até mesmo para perdoar meus erros e viver, dentro do possível, da melhor maneira. E devo dizer que, criado como fui, num tempo de grande repressão, com todos os problemas que, hoje, existem, sou um homem mais de hoje que de ontem. Ao contrário de muitos contemporâneos meus, não gostaria de voltar ao passado. Hoje, as facilidades da vida moderna, os computadores, os celulares, as bugigangas eletrônicas, a liberdade de opinião, os avanços da democracia tudo me parece melhor mesmo quando lamento algumas coisas perdidas que, invariavelmente, passam pela educação.
Entre elas três coisas, particularmente, me desgostam que são um sintoma da perda da tecnologia dos bons costumes, da delicadeza que, de certa forma, sempre foi uma marca mesmo dos brasileiros mais ignorantes. Uma deles é a assunção do politicamente correto que, para meu espanto, só funciona como uso político. Dizer certas palavras, contar certas piadas, que sempre serão motivo de riso, virou crime, porém, não é criminoso, por exemplo, a enxurrada de nomes feios que passaram a ser lugar comum. No passado até esculhambação era uma palavra horrorosa. Hoje parece infantil. A segunda é uma decorrência da primeira ou efeito. Que sei eu? Mas, não concordo, de forma alguma, com a ideia, que é quase unânime, da “cultura do coitadinho”. Por trás do crescimento da violência esta a ideia, para mim errônea, de que se alguém é criminoso foram às famosas “condições de vida”. Não acredito e mesmo abomino isto na medida em que, muitas vezes, outros tiveram condições piores e, no entanto, não são criminosos, logo, é para mim, uma questão pessoal. A culpa, creio, é individual. Há o que se chama de livre arbítrio.
Talvez a terceira coisa que muito me desgosta venha de que existe uma crença, quase generalizada, de que os pais não devem ser duros com os filhos. Não devem castigar e, pasmem, nem dar umas palmadas, hoje, se pode. Para mim esta crença costuma levar a família a ser permissiva, não cobrar, não exigir respeito, não exercer a autoridade parental. Isto contribui para a dificuldade que muitos pais têm de estabelecer as regras necessárias a uma educação saudável e eficiente, que construa relações de respeito mútuo e a noção de hierarquia dentro e fora da família. Talvez até tenha errado neste sentido por ter sido, mesmo com todo o amor e o respeito que meu pai me despertou, um libertário e, até certo ponto, um desregrado. Hoje, a maturidade me faz pensar que se deve ter um equilíbrio entre o afeto e o limite. Limite visto como uma fronteira que não deve ser ultrapassada. O limite serve para conter, para formar uma barreira de proteção, mas, não deve inibir a espontaneidade. Limite inclui saber dizer não, estabelecer regras e cobrar responsabilidade. Só com limites as pessoas podem obter o desenvolvimento de um senso de justiça, de respeito aos outros. No momento em que os pais deixam seus filhos sem limites e correções, tiram também a chance de desenvolver sua autonomia moral e cognitiva, não os preparando para a vida. É a falta de limites que proporciona o festival de má educação que se assiste nas ruas, no trânsito, no completo desrespeito em relação ao direito alheio que, diariamente, aumenta a violência contra todos nós. Reconhecer seus limites é uma questão de educação e de maturidade e deve ser a primeira lição de casa.

sábado, dezembro 04, 2010

A Política é Economia, mas,



A Economia é Política
Esta semana o Banco Central anunciou que passava a exigir o aumento do requerimento de capital das instituições financeiras dos atuais 11% para 16,5%, para a maioria das operações de crédito a pessoas físicas. Também foi anunciado o aumento de alíquotas de depósitos compulsórios, recursos que os bancos são obrigados a deixar no BC, e assim não podem usar os recursos para emprestar aos clientes. Não há a menor dúvida de que as medidas decorrem do susto com o endividamento que, segundo a Confederação Nacional do Comércio-CNC, em novembro, alcançou 59% das famílias. É preciso lembrar que o governo Lula praticamente dobrou a média histórica de crédito de 24% do Produto Interno Bruto-PIB para os atuais 47% que são um recorde desde que se acompanha a série histórica das contas nacionais.
Não se pode negar que este foi o grande trunfo eleitoral do governo Lula. A sensação de bem-estar que as pessoas sentem vem muito menos do aumento real da renda, embora ela exista, do que do aumento do consumo derivado, em especial, de que mesmo pagando 2,5 a 3 vezes o preço de um bem, hoje, as pessoas consomem mais em detrimento do futuro. Porém, o alto volume de crédito no país que, ainda mais nos últimos meses, se espalhou por todos os setores da economia, especialmente no financiamento de veículos, de bens duráveis e no setor da construção civil tem seu lado negativo que é o alto endividamento e, como os brasileiros, em geral, não controlam suas contas nem fazem planejamento financeiro o receio, por parte dos bancos e dos empresários, com 9% das famílias afirmando que não podem pagar suas contas, começou somente agora a preocupar o governo.
Sob o ponto de vista teórico as medidas tomadas em nome do controle da inflação são, efetivamente, corretas. Pode-se reclamar que vieram um pouco tarde na medida em que muitos consumidores já financiaram suas compras ao longo de novembro com a parcela do 13º, mas, não deixa de ser uma medida saneadora sob o aspecto econômico. Evita-se a inflação, por um lado, e, por outro, se acalmam os receios de que a inadimplência possa levar os bancos, principalmente os pequenos bancos, a terem dificuldades. Talvez um efeito colateral deste processo seja afetar um pouco as expectativas de vendas, contudo, será só um pouco mesmo, pois, as medidas levarão algum tempo para ter efeito. Isto talvez explique a demora do governo em adotar as medidas. Como é importante obter um crescimento do PIB substancial este ano para ter um comportamento fiscal mais ortodoxo no próximo, a visão de especialistas é de que se as medidas tivessem sido tomadas um mês atrás, por exemplo, os efeitos seriam muito fortes sobre as vendas de final de ano. Assim, fica claro que, pelo menos, no caso atual, a política se impôs à economia.

sexta-feira, novembro 26, 2010

Os perigos das commodities para o nosso futuro


Ninguém que analise o aumento do consumo e os indicadores da economia brasileira pode deixar de constatar que, mesmo com todas as fragilidades, passamos por um bom momento com visões otimistas sobre o futuro. No entanto, alguns dados são preocupantes, em especial quanto ao cenário externo. Basta verificar, e os dados são do próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que, na última década, a participação de matérias-primas, como soja, minério de ferro e petróleo, praticamente dobraram na pauta nacional de exportações, enquanto os produtos de alto valor agregado, como aviões, veículos automotores e equipamentos agrícolas recuaram significativamente acendendo a luz amarela da desindustrialização.
Embora o país, com a crise de 2008, tenha se beneficiado da pantagruélica fome dessas commodities, por parte da China, não se pode debitar na conta daquele país esta mudança. Em grande parte foram os problemas internos de falta de educação e de investimentos em P&D (Pesquisa & Desenvolvimento) que nos deixaram fora dos recentes desenvolvimentos em itens de maior conteúdo tecnológico. O país que comemora os sucessivos recordes de criação de empregos deveria lamentar que isto acontece em detrimento dos empregos de maior escolaridade e renda com um problema adicional: o desestímulo ao investimento na modernização do nosso parque industrial. Este é um problema que, intrinsecamente, está ligado ao fato de que as reformas indispensáveis para que possamos avançar para sermos desenvolvidos, como a tributária, a das relações de trabalho e a desburocratização, encalharam na república sindical em que não se avança no que é essencial para promover a modernidade.
Acrescente-se que, além do aumento da exportação de produtos básicos influir na desindustrialização, com graves reflexos sobre a renda e o emprego, também deixa o país ao sabor das oscilações de preços-as commodities são definidas pelas bolsas de mercadorias- tornando insegura as receitas externas e prejudicando um planejamento de longo prazo. É um fato inconteste, que nenhum economista respeitável irá desmentir, que quando se exporta grãos ou minérios, se exporta um produto de baixo valor agregado que só compensa em grandes volumes, como é o caso da soja, mas, se abre mão de desenvolver o parque fabril e se renuncia, na prática, a consolidar a economia por meio de uma indústria exportadora mais robusta e que, ao contrário dos produtos primários, exige que se tenha permanente atenção com a inovação e a competitividade.
Neste sentido urge que o Brasil desperte desta modorra, aparentemente venturosa, da exportação do agronegócio e dos minerais e aproveite o enorme potencial que advém do crescimento do crédito e do mercado interno para investir na remodelação de sua indústria e retomar a produção de artigos de ponta ou, sem dúvida, iremos comprometer nosso futuro sendo, novamente, um país somente agrário-exportador.

sábado, novembro 06, 2010

A primeira traição a gente nunca esquece



Somente de pode classificar como uma vergonha que mal saída da campanha eleitoral em que prometeu sob as luzes da imprensa conter os gastos, controlar sua qualidade e aliviar a tributação que é uma unanimidade que é excessiva e prejudica a competitividade dos produtos nacionais a presidente Dilma Roussef se declare disposta a discutir a recriação do indigitado (e morto e enterrado sem honras) imposto sobre o cheque, a CPMF, uma das maiores aberrações já criadas no sistema tributário brasileiro.
É uma vergonha não apenas por desmentir todo o discurso de reformas e de empenho para modificar o país e levá-lo ao maior desenvolvimento e justiça social, mas, por fazer com que o seu discurso que já era considerado ambíguo se torne, agora, completamente desacreditado aumentando a oposição inicial ao seu governo até mesmo para quem não recebeu com ceticismo o seu pronunciamento generalista de domingo à noite.
Acrescente-se que a presidente eleita não desacredita somente a ela mesma ao afirmar que os governadores estão mobilizados para a defesa da volta da CPMF referindo-se a um movimento anunciado pelo governador reeleito do Piauí, Wilson Martins (PSB) que teria conversado sobre o assunto com Lula da Silva. Além de Martins, também os governadores Cid Gomes (PSB-CE), Eduardo Campos (PSB-PE), Renato Casagrande (PSB-ES) e Jacques Wagner (PT-BA), segundo anunciado, defendem a proposta. E Lula prestou-se a abrir o “saco de maldades” ao levantar o assunto na quarta-feira, antes da entrevista de sua sucessora. Mais uma vez, com o ilusório argumento, de que com a extinção da CPMF a oposição havia prejudicado a maioria dos brasileiros. Para não ser desrespeitoso com o cargo que Lula ocupa deve-se alertar que se trata de “menas” verdade. Apesar de lastimar sempre que o governo perdeu R$ 40 bilhões anuais da CPMF o presidente ou não quer saber, ou finge não saber, que os recursos suprimidos nunca fizeram falta para a política de saúde. Seja porque os recursos nunca foram totalmente aplicados na saúde, seja porque a arrecadação e a carga tributária continuaram a aumentar nos anos seguintes, ou seja, o que se arrecadava se arrecadou por outras fontes muito menos nociva que o imposto em cascata altamente prejudicial ao setor produtivo e ao bolso do consumidor.
Não foi a falta de recursos que impediu a saúde de ser melhor. É, como historicamente, tem sido a gestão. E se fosse o caso de recursos bastaria o presidente conter despesas menos importantes como, por exemplo, as de propaganda ou improdutivas como colocar um freio ao empreguismo, ao inchaço da folha de pessoal por meio da criação de funções gratificadas. Bastaria promover, por exemplo, uma comparação entre os preços públicos e privados e verificar que estes, em grande parte, são superfaturados e podem ser facilmente diminuídos com um bom choque de gestão. Não há a menor dúvida que a CPMF é desnecessária. Há recursos suficientes para custear a saúde que não cumpre seus compromissos por ineficiência e falta de administração. Dinheiro existe. Falta mesmo é usá-lo bem, usá-lo de forma correta. A CPMF somente serve para dar maior liberdade de gasto ao governo e fazer com que continue a ser um mau gestor e um perdulário sem atentar que a carga tributária é tão pesada quanto, acima de 35% do Produto Interno Bruto (PIB) que entrava a produção. A tributação brasileira é maior que a de economias desenvolvidas como Estados Unidos, Japão, Suíça, Espanha e Canadá que possuem bons sistemas de saúde, mas, muitos emergente com tributação bem menor, como o México, Chile, têm padrões sanitários e educacionais superiores aos brasileiros. É também ridículo argumentar que só os ricos pagavam a CPMF, como argumenta o governador Wilson Martins. È uma tolice e indício de desinformação. O imposto do cheque incidia sobre toda e qualquer liquidação financeira, portanto, sobre toca operação da cadeia produtiva. Quanto mais complexa a cadeia, maior o peso da tributação, maior o dano ao poder competitivo dos produtos e maior o prejuízo para a criação de empregos. E no fim quem paga? Os consumidores que, na sua grande maioria, são pobres. Dilma Rousse, que prometeu seriedade fiscal e a eficiência administrativa, começa por trair seus compromisso se não for definitivamente contra a criação de impostos para financiar a gastança ainda mais com um imposto tão nocivo quanto a CPMF. È bom, enquanto é tempo, parar com esta iniciativa insana que sinaliza de forma tão negativa o início de seu governo.

terça-feira, novembro 02, 2010

Oposição já!



Precisa-se urgente de um partido de oposição

“Um governo que não tenha críticos implacáveis é um governo sem razão de existir. E empobrece a democracia” (Tomás Vasques).


Até onde me permite minha vontade de sonhar sou um homem prático. Assim não sou de chorar as pitangas perdidas. Aliás, Serra nunca foi meu ideal de presidente embora fosse o possível. Votei em Serra por considerar que, devido às circunstâncias, entre dois jogadores burocratas preferia o mais experiente, o que havia demonstrado maior eficiência nas suas ações públicas. Votei também contra a vocação incontrolável de Lula, que está acima do Partido dos Trabalhadores, de ser um déspota, um ditador. Meu voto foi um voto a favor da democracia, contra a continuidade de um governo que mina as bases da liberdade de imprensa, que tem como ideal claramente exposto a predominância do partido e da opinião única, em que pese os discursos generalistas em favor da liberdade religiosa e de imprensa.
È uma constatação que quem, de fato, foi derrotado, foi o país que irá continuar tendo um governo pouco eficiente, de muita propaganda, que aumenta, subrepticiamente, nossas dívidas enquanto propaga que pagou, que beneficiou os banqueiros e rentistas e que, logo nos dois primeiros anos fará o que sempre fez: um arrocho sobre o orçamento e sobre os salários sem um pio das entidades sindicais com seus pelegos gozando as delícias dos altos salários das estatais. Também, é claro, e peço a Deus que a crise cambial não nos leve a uma situação pior, o crescimento será menor em 2011 para compensar as imensas despesas que fizeram às vésperas das eleições. Roussef é o terceiro mandato de Lula terceirizado, apesar de afirmarem que são contra a privatização, de modo que não se pode esperar nada de muito novo. Será o rame-rame de sempre, agora, com os dirigentes, pelo menos, no inicio, mais cautelosos na medida em que a grande aprovação que esperavam ter não se consumou. Até o fim estavam receosos da derrota mesmo com a quantidade imensa de recursos gastos, mesmo com a propaganda maciça e concentrada em cima de sua candidata.
Não me perguntem se estou contente ou conformado. Não estou. È de minha natureza nordestina ser teimoso e confiante no futuro. È por isto que, na minha opinião, está na hora de surgir um novo partido realmente de oposição. O PSDB, que saiu desta eleição mostrou sua face leniente e adesista, deixando Serra sozinho. O PSDB que está aí é, no mínimo, preguiçoso e se mostrou incompetente em alcançar o povo, palco real da guerra política. Não adianta demonstrar que onde existe escolaridade e renda Serra e o partido ganharam. Os votos da população que não tem escolaridade ou renda contam como qualquer outro e não se pode desqualificar sua capacidade de escolha. Eles votam e votam em quem sabe lhes mostrar que é melhor para eles. È preciso que, a partir do primeiro momento, do próximo governo comece a se mostrar seus erros, seus escândalos, que muitos haverão, suas inconsistências, sua falta de capacidade de realizar. Se isto não for feito com persistência e com capacidade, se não houver uma oposição real, se esta ficar a cargos dos oportunistas e de políticos de espinha dorsal flexível não tenham dúvidas iremos nos transformar numa Cuba tamanho família com uma cópia piorada de Fidel Castro nativo. Do jeito que estamos indo, sem dúvida, o nosso futuro é o atraso. Se não criarmos um partido de oposição o nosso país será mesmo o eterno país das bananas habitado por bananas eternos.

terça-feira, outubro 12, 2010

Diz-me com quem andas



Claro que sou a favor do voto facultativo. É claro que não é também por desconhecer a importância da política. Sou, até sem desejar ser tanto, um homem político na medida, por exemplo, que estou entre os que no último domingo foram assistir o primeiro debate do segundo turno da Rede Bandeirantes. Reconheço que este não é o comportamento normal das pessoas. As pessoas comuns discutem política como comentam o tempo e só vão mesmo decidir, por obrigação, no dia do voto e estão longe de pensar, como penso, que é o dia em que podemos mudar nosso futu¬¬ro, decidir nosso destino. E realmente o voto tem este poder, todavia, poucos tem esta consciência de que eleger nossos representantes é uma responsabilidade ímpar e que, por isto, deveria ser cumprida com muito cuidado.
Sempre defendi uma maior participação política. Que a política deixasse de ser apenas a formal. Aque¬¬la feita em gabinetes e parlamentos, restrita aos detentores de mandatos e seus assessores, ou seja, que se dê mais consistência aos partidos; que se agregue a participação popular. Quem já leu um pouco a respeito de Ciência Política sabe que nos países onde a luta para as conquistas dos direitos civis e sociais são mais fortes, os partidos são mais comprometidos com ideais e o personalismo costuma ser menor, assim como o clientelismo. Onde não há participação popular, a representatividade mínima de todos os interesses – incluindo os das chamadas minorias –, não há uma democracia forte e, em geral, como no Brasil atual, se procura impedir a alternância do poder e a discussão pública por imposição de um falso consenso em torno de um líder o que, por melhor que seja, é sempre um atraso. Nenhuma sociedade avança sem lutas, sem mudanças no governo, sem oxigenação do setor público por novas ideias e governantes. O continuísmo é ruim para a democracia e para o desenvolvimento seja de quem for.
É evidentemente difícil para o cidadão comum, que não acompanha a vida pública, separar o joio do trigo. E o engessamento pela legislação eleitoral tende a favorecer quem está no poder inclusive por usar a máquina pública a seu favor. No entanto, mesmo não sendo uma tarefa fácil, de vez que com tantas obrigações que o cidadão tem na sua vida privada, sobra muito pouco tempo para se preocupar com a vida política, algumas coisas são visíveis no atual panorama político para fazer escolhas responsáveis. Basta seguir à risca o diga-me com quem andas e te direi quem és. Para verificar quem é o atraso é só olhar para quem está no palanque dos candidatos. E o pior é que, se confrontadas as opiniões antigas e atuais dos que dividem o mesmo palanque, até uma freira ficaria com vergonha de votar em qualquer um deles.

sexta-feira, outubro 08, 2010

As contradições expostas



Não é só o PT nem Lula que desejam pautar a imprensa e a opinião pública. O deputado Ciro Gomes também ao dizer que o tema do aborto é “baixo nível” na sua tentativa de pautar a campanha pelas suas conveniências. Não adianta dizer que o tema do aborto “é uma calhordice” na medida em que ele é importante, em especial para grande parte dos segmentos religiosos, bem como quem é candidato a presidente tem que esclarecer para o público suas posições. Ainda mais a candidata Roussef que disse que “lidará com o assunto por uma questão de saúde pública”. Lula também ao dizer que “priorizar o aborto é baixar o nível da campanha” ataca os religiosos que consideram a questão central.
Aliás, diga-se que quem levantou o tema do aborto foi a própria Dilma Roussef na sua Carta ao Povo de Deus ou algo similar. Também numa entrevista ao SBT. Se bem que não seja uma questão central para a figura do presidente dependendo de sua postura há diferenças de poder, ou não, haver mudanças na legislação e, em qualquer campanha, o eleitor quer saber a posição dos candidatos em relação a este e muitos outros assuntos. O que acontece de fato é que Dilma não passa sinceridade quando fala sobre o assunto. Nem mesmo teve coragem de dizer que mudou de idéia, mas, prefere insistir em dizer que “sempre” foi contra o aborto, apesar de desmentida pelos vídeos em que aparece dizendo o contrário. É a mesma coisa que se repete quando se trata de querer se isolar de Erenice Guerra e dos problemas relativos à quebra dos sigilos e do tráfico de influência na Casa Civil. É preciso lembrar que nos dois episódios primeiro o desmentido foi feito pelo próprio governo e só depois pela candidata e pelo presidente Lula. Num deles, Lula até mesmo culpou a mídia de invencionice em relação à Casa Civil, mas, depois demitiu a ministra Erenice Guerra que deve logo estar depondo na Polícia Federal. Também no caso da Receita Federal a alegação inicial era de que não se tratava de problema político, que era pura exploração eleitoral, mas, a conclusão sobre a investigação da quebra de sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, foi contundente e incriminou o analista tributário Gilberto Souza Amarante, filiado e militante do PT, de forma que ficou caracterizada a motivação político-eleitoral, pela violação ao cadastro de três empresas da vítima, além, de que o militante mentiu publicamente ao justificar a quebra de sigilo como involuntária por ter confundido Eduardo Jorge com um homônimo. Ficou patente a motivação política e a tentativa de, a partir do governo, tentar encontrar algo para comprometer os adversários. A realidade é que se nega a realidade. Ou seja, há uma tendência a atropelar os fatos e querer controlar as notícias e a imprensa adaptando-as a versões fantasiosas ou tentando escondê-las. Tanto que o governo que diz não querer controlar a mídia é o mesmo que, no começo do 2º turno, despacha Franklin Martins para a Europa atrás de modelos de “regulação” e, antes de ganhar a eleição, já disputa o botim com declarações de senadores dizendo que o PMDB quer sua parte e com a de Michel Temer afirmando que a Câmara é do partido e ninguém tasca. É uma prova de que o governo será loteado e que as disputas de espaço serão inevitáveis. Mas, a preocupação dos coordenadores da campanha, como Ciro, não é a de lidar com esta realidade e das contradições da candidata e das alianças. É a de que a mídia somente deve escrever e comentar o que interessa ao PT e suas conveniências . Este é um jogo que esqueceram de combinar com os participantes.

sexta-feira, setembro 24, 2010

UMA BOA RAZÃO PARA NÃO SE ACREDITAR EM PESQUISAS

Em geral as pessoas não entendem nada de pesquisa. Com espanto, quando ainda era vivo, vi grandes nomes da política nacional, como Ulysses Guimarães ou mesmo Leonel Brizola, dizerem, por meio de arrodeios, que não acreditavam em pesquisas. No fim, apesar de serem homens de grande entendimento político, se comportavam como as pessoas comuns que não acreditam nas pesquisas ou por não serem entrevistadas ou por considerarem que o número de entrevistados é muito pequeno-o que não tem nada a haver. È fato que os eleitores, em geral, pouco conhecem de pesquisas eleitorais e costumam apenas ligar para os resultados divulgados. No máximo prestam atenção às informações sobre o número de eleitores entrevistados, a margem de erro e o intervalo de confiança utilizado. Para muitos é a margem de erro e o intervalo de confiança que garantem a fidedignidade da pesquisa. De qualquer forma a grande maioria sabe de pesquisa o que sabem da caixa preta de um avião, ou seja, que é uma caixa preta. Nem procuram saber mais. È tão cômodo quanto acender a luz sem saber nada a respeito de energia.
Isto não ajuda a acabar com o imenso preconceito que existe em relação às pesquisas eleitorais e a descrença nos seus resultados. A verdade é que a descrença-como acontece no momento atual- tem toda razão de ser. Não porque uma pesquisa bem feita, dentro da metodologia científica, não seja confiável, mas, a iniludível verdade é que a maioria das pesquisas não é conduzida de modo científico. A imensa maioria delas atende aos interesses de quem paga. Da forma como elas tem sido feitas não são organizadas para conhecer a realidade e usar a informação, mas, sim procuram substituir a própria realidade pela pesquisa, simulando a compreensão do que se desejaria que fosse a realidade. É ridícula, por exemplo, as atuais pesquisas que mostram que depois do escândalo atual da Casa Civil, Dilma só teria caído 1%, ou seja, dentro da margem de erro! Como há um Código de Ética do Estatístico, que estabelece a responsabilidade do Estatístico no uso da metodologia estatística, quem empresta seu nome a este tipo de pesquisa deveria ser punido. È claro que para provar que uma pesquisa assim não tem credibilidade é preciso gastar muito dinheiro, mas, deveria haver um acompanhamento da Justiça Eleitoral da forma como as pesquisas são feitas.
O aspecto legal das pesquisas, atualmente, é traçado pela Resolução nº 23.190/10, de acordo com a Instrução nº 127 do Tribunal Superior Eleitoral, porém, não se acompanha o aspecto metodológico que é “xis da questão”, apesar de ser complexo e envolver conceitos estatísticos, como: população, parâmetro, amostragem, amostra, amostragem probabilística, amostragem por quotas, estimação e outros. Não poderia a Justiça fazer, como faz, exigindo apenas por meio do inciso IV, do art. 1º, da Resolução nº 23.190/10, do Tribunal Superior Eleitoral, que as pesquisas sejam registradas no juízo eleitoral. Assim para cada pesquisa eleitoral se pede apenas o "plano amostral e a ponderação quanto ao sexo, idade, grau de instrução e nível econômico do entrevistado; área física de realização do trabalho, intervalo de confiança e margem de erro, porém, não se verifica a qualidade nem o respeito aos parâmetros traçados. Assim o registro é, de fato, um mero registro.
É preciso ver que o objetivo da pesquisa eleitoral é a determinação de uma estimativa pontual da proporção populacional de eleitores e a determinação de um intervalo de confiança. Mas, todo bom estatístico sabe que a metodologia estatística, a determinação da proporção populacional e do intervalo de confiança pode ser possível apenas se a seleção da amostra for aleatória. Sem a aleotariedade os resultados somente são válidos para os eleitores entrevistados. Ou seja, a pesquisa para ser boa não pode ter, como muitas vezes tem, uma amostra escolhida sem ser ao acaso. Uma coisa é sortear os municípios proporcionalmente; outra é escolher municípios de forma a privilegiar um candidato. Por exemplo, uma pesquisa feita em Machadinho fará do atual presidente da Assembléia, Carlos Neodi, proporcionalmente mais votado que Tiririca, o que não corresponde a realidade, embora ambos devam ser campeões de votos nas suas regiões. È fato que, para a pesquisa ser válida, como obrigatoriamente estabelece inciso IV, é exigido que se tenha margem de erro e intervalo de confiança da estimativa pontual da proporção populacional, daí, se conclui que a amostra usada em uma pesquisa eleitoral deve ser probabilística (aleatória), porque a metodologia estatística não determina margem de erro e intervalo de confiança para amostragem por quotas. Ou seja, na amostragem aleatória as unidades amostrais (no caso os eleitores) são selecionadas por sorteio aleatório e não escolhidas pelos entrevistadores, como na amostragem não - probabilística por quotas. Por que razão? A razão, sabe quem entende de estatística um mínimo, é que nas amostras não-probabilísticas, não é possível calcular margem de erro e intervalo de confiança. Apenas se estima empiricamente seus valores. Amostra por quotas, como tem sido feitas as pesquisas atuais, são não-probabilísticas. Este é o tipo de amostra atualmente usada por todos os grandes institutos de pesquisa para realizar pesquisas eleitorais. Em outras palavras, é uma grande contrafação. Desafio qualquer estatístico, mesmo sendo mais um analista de pesquisas e um curioso, do que, de fato, um perito no assunto, que me prove ser possível cálculo estatístico para obter o tamanho da amostra no caso de amostras não-probabilísticas. Por isto, calcula-se o tamanho para uma amostra probabilística e define-se que este será o tamanho da amostra por quotas. Em outras palavras, as pesquisas atuais são tão científicas quanto às previsões astrológicas dos jornais. Se duvidar, é capaz da astrologia acertar mais....

sábado, setembro 18, 2010

A crise é da educação



O que tem a haver o fato de que a influência dos intelectuais, das revistas e dos jornais diminuem quando, como agora, o Brasil pode chegar a eleger alguém sobre o qual se sabe muito pouco e o pouco que se sabe não a recomendaria para assumir um papel tão relevante? Por que as pesquisas, que não batem com a realidade que se vê nas ruas, dá a muita gente a impressão que haverá fraude nas urnas eletrônicas? Como é possível que uma Casa Civil da Presidência da República se transforme em centro de escândalos e não se veja nenhuma reação mais forte, nenhuma tentativa mínima sequer de culpar o dirigente maior? Qual a diferença entre isto e, por exemplo, o que aconteceu com Getúlio Vargas que suicidou-se apenas porque a crise bateu na porta da cozinha?
Bem há o conforto, a melhoria do crédito, a propaganda maciça que diz que tudo vai bem no melhor estilo George Orwell, os índices de popularidade de Lula da Silva e, como sempre lembram, num discurso já gasto que a internet, supostamente, teria introduzido a democracia, de forma que a informação, nos tempos atuais, seria acessível a todos, daí, que, se nas nações mais desenvolvidas o avanço da internet se tornou uma ameaça aos meios tradicionais de comunicação, no Brasil o problema seria maior ainda: os jornais perderam circulação, assinaturas e credibilidade. Isto é verdade, mas, apenas uma parte da verdade. Não é a internet que mata os jornais, revistas e a influência dos intelectuais. A verdade é que a cultura não influencia mais porque o país é analfabeto.
O maior e mais definitivo pecado de Lula da Silva é ter introduzido duas noções extremamente nefastas e deletérias. A primeira de que não tem importância roubar porque todo mundo rouba. E a segunda que não se precisa estudar porque pode-se alcançar qualquer coisa sem trabalho, sem esforço e sem educação e ele é a prova. O resultado é visível depois de quase oito anos de seu governo: no ano passado, apenas 5,7% dos brasileiros entre 25 e 64 anos de idade buscavam melhor o seu nível educacional. A informação consta da Síntese dos Indicadores Sociais de 2009 divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, para piorar, se informa que quanto mais se eleva a idade, menor é a frequência aos estudos. Ou seja, enquanto o resto do mundo procura desesperadamente se escolarizar quanto mais ficamos adultos menos queremos ser modernos, ou seja, estudar. Triste retrato de um país.
É aí que reside a crise dos jornais, das revistas, dos formadores de opinião. Não é a influência da internet que gera a redução dos pouquíssimos leitores tupiniquins, mas, é que a ignorância acredita, hoje em dia, que não se precisa estudar. O resultado é que o mercado editorial brasileiro, com uma população de quase 200 milhões de habitantes, vendeu apenas 25,5 milhões de livros em 2009, segundo a Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros). Um país continental cuja a economia é dezesseis vezes o mercado da Argentina tem um mercado que é ¼ do mercado argentino, estimado em cerca de 60 milhões de livros. E a análise deste mercado mostra que dos livros vendidos, em 2009, 17,7 milhões são livros didáticos ou de apoio, dicionários e atlas. As publicações literárias somam só 7,8 milhões. Os números são a prova cabal da falência do nosso ensino, de sua crise: dos milhões que aprendem a ler todos os anos só uma pequenina pare de torna um leitor real. São os analfabetos funcionais que pesam nas eleições e podem nos conduzir cada vez mais ao atraso.

sexta-feira, setembro 10, 2010

A quem serve os escândalos espetaculares?



Neste mundo atual onde as palavras tomaram rumos semióticos, que podem ser qualquer coisa distante do seu conteúdo original, já nem mesmo sei se existe mais esquerda ou direita, embora, a meu ver, ser de esquerda, mais do que nunca, é lutar por oportunidades iguais e por uma maior igualdade ainda que não seja mais o antigo sonho de criar sociedades planificadas que se transformaram, de fato, em prisões da liberdade política. Ocorre que, no Brasil, há certos eventos que estão se repetindo, sistemáticamente, e sempre em certas oportunidades e jamais contra certos grupos o que não deixa de criar a suspeita fundada que, se não o faz, como grande beneficiário e fiador do poder, teria que, obrigatoriamente, ter outro tipo de comportamento.
Agora mesmo, por exemplo, o governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), foi preso em Macapá, capital do Estado, durante a Operação Mãos Limpas, deflagrada pela Polícia Federal (PF). O objetivo da operação, segundo se anuncia, seria o de prender uma organização criminosa, composta por servidores públicos, agentes políticos e empresários, que praticava desvio de recursos públicos do Estado do Amapá e da União. Não faz nem quinze dias tivemos a prisão, em Dourados (MS), de 28 pessoas suspeitas de práticas de fraude à licitação, corrupção ativa e formação de quadrilha, entre elas o prefeito, nove vereadores e cinco secretários municipais. Ora, o que há de estranho em que se prendam pessoas que delinqüiram, que usaram o cargo que deveria ser utilizado em favor do povo para proveito próprio? Em princípio nada. Afinal criminoso, investido ou não, de cargo público é criminoso e, como tal, deve ser enquadrado legalmente. O que é ruim, em ambos os casos, é aspecto deletério que causa aos poderes, bem como a coincidência de que casos assim somente acontecem quando o governo federal se vê, como é o caso agora, as voltas com situações difíceis como a de explicar a violação de mais de 2 mil sigilos fiscais de pessoas a partir da Receita Federal.
O fato concreto é que, apesar do rumoroso caso, o maior escândalo político nunca antes visto neste país, o Mensalão não produziu nenhuma prisão em série, nada de espetacular e, na prática, somente quem pagou o pato mesmo foi Marcos Valério e seu advogados, meros operadores do esquema. Este é um fato concreto: não há petistas presos nem integrantes do esquema da base de sustentação do governo de um escândalo comprovadamente tido como o mais abrangente de nossa história. Este é um lado da questão. Outro é o fato de que os escândalos, e a ação policial, parecem somente ser eficientes quando se voltam contra os estados menos influentes ou os adversários. Por que será que os escândalos só espocam no Distrito Federal, no Mato Grosso, em Rondônia ou no Amapá? Certamente porquê, apesar dos inúmeros indícios de que assim não seja, o governo federal está povoado de anjos. Como a Polícia Federal é eficiente, comprovadamente capacitada, quando não se descobrem aloprados nem violadores de sigilos ou quem realiza determinados vazamentos, a impressão que fica é a de que as prisões e os escândalos espetaculares servem a determinados fins que estão muito longe de serem republicanos.

domingo, agosto 15, 2010

O BALÃO ELEITORAL



As recentes pesquisas eleitorais colocam a candidata petista na frente da corrida eleitoral, supostamente com oito pontos percentuais de intenção de votos de diferença, provocando por parte da grande imprensa, muito bem instruída e paga, o delírio de que as eleições podem ser ganhar no primeiro turno. Aliás, não fazem nada mais que repetir o discurso triunfalista de Lula da Silva que não somente se comporta como quem quer ganhar seja de que modo for, como procura achatar e, até mesmo, desmoralizar as oposições num processo que se pretende avassalador na medida em que amparado numa popularidade ímpar, se bem que atestada pelos mesmos institutos que bebem avidamente nos cofres públicos e ligados a interesses bastante conhecidos. Estatísticas, como bem se sabe, e ainda mais eleitorais são amplamente manipuladas e, ainda que possam não ter sido, é muito prematuro ficar cantando vitória antes do tempo numa eleição que será duríssima.
Ocorre que, por mais que as intenções de votos possam estar corretas, ninguém sabe quem é Dilma. A rigor, se há todas estas intenções de votos que os institutos apresentam seria um notável milagre de transferência de votos de Lula e os votos seriam em Lula não nela. Lula, porém, não é candidato. Ora, as evidências científicas mostram que governos bem avaliados, acima de 50% de aprovação, tem muitas chances de eleger seu sucessor, mas, ninguém consegue ver correlação automática entre aprovação e transferência de votos. Para, por exemplo, a candidata petista vencer no primeiro turno, tendo em vista que, de início, tem 20% de rejeição, seria preciso que, praticamente, Lula conseguisse o milagre de, no mínimo, repassar 70% de seus votos para ela, o que é uma tarefa quase impossível. E é preciso lembrar que nem Lula venceu uma eleição no primeiro turno.
Contra esta simplificação da corrida eleitoral também pesa a experiência prática. Aqui vale lembrar o caso do Chile no qual a presidente Michelle Bachelet, apesar de possuir 80% de aprovação, não conseguiu eleger seu candidato que não somente era muito mais conhecido e com experiência política muito maior que a desconhecida Dilma. Em suma, a popularidade do presidente ajuda, mas, para o eleitor não basta Lula dizer que Dilma é sua candidata. O eleitor tem de ouvir isto de Dilma, confiar nela e acreditar nela. Assim a estratégia petista depende do sucesso de três táticas: Lula convencer ao povo que a vitória de Serra é um retrocesso, fazer muita campanha para Dilma e, por fim, Dilma provar que é autêntica e confiável para a população.
Eis o grande problema. Dilma é uma completa desconhecida que passou, recentemente, por uma remodelação total. Não é só o problema de que não se adaptou muito bem ao novo papel, embora isto pese. È que as pesquisas demonstram que quanto mais o eleitor conhece Dilma, em todas as camadas, não vota nela. È improvável que o PT continue conseguindo até o fim da campanha esconder quem ela é e suas idéias da população. E, na medida que forem conhecendo, tudo indica o balão irá desinflar.

terça-feira, junho 01, 2010

Um tributo tardio a Lucindo José Quintans



Morre um dos grandes técnicos da criação do Estado e o fundador do Sebrae/RO

Dizem que notícia ruim chega a galope, mas, está veio mesmo de forma moderna pelo celular: morreu, em João Pessoa, o professor da Universidade Federal da Paraíba e mestre em Engenharia de Produção, Lucindo José Quintans. No seu estado Lucindo era reconhecido como um dos coordenadores do Procase, como o consultor, que elaborou o projeto que resultou na captação de recursos junto ao Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), instituição da Organização das Nações Unidas (ONU), para serem empregados no Cariri, Curimataú e Seridó e tido como uma das maiores autoridades em Semiarido e Desenvolvimento Sustentado daquele Estado. Não era para menos. Lucindo já havia feito história em Porto Velho sendo um dos fundadores da antiga Secretária de Estado de Indústria e Comercio e, antes disto, fundou por sua livre iniciativa e forte determinação o Centro de Assistência Gerencial de Rondônia-CEAG/RO do qual foi seu primeiro superintendente e, por longos anos, o único e principal defensor da pequena e da micro empresa no Estado por ter uma visão adiantada no tempo de que somente pela difusão e pelo fortalecimento da micro e pequena empresa o Brasil poderia ser, de fato, desenvolvido.
Com tristeza constato que sua inteligência iluminada se vai, aos 62 anos de idade, depois de ter passado mal durante a sexta-feira (28) o que o fez ser levado para o Hospital Memorial São Francisco na capital paraibana onde encaminhado para a UTI, depois de inúteis esforços, teve constatada a morte cerebral, na tarde deste domingo, provocada por uma isquemia total. Durante muitos anos privei da companhia de Lucindo que era um homem extremamente ativo de uma rapidez mental impressionante e mais impressionante ainda capacidade de trabalho. Resolveu ser vereador em Porto Velho e se transformou num dos vereadores mais ativos de nossa capital fazendo uma parceria com João Paulo das Virgens, hoje advogado e ex-delegado de Polícia, que deu bastante trabalho aos prefeitos e lideranças da época na medida em que, jovens e ousados, nada temiam ao ponto de, algumas vezes, terem se arriscado em aventuras temerárias sob o ponto de vista mais pessoal que coletivo. Eram jovens, rebeldes, cheios de vida-como todos nós na época-dispostos a mudar o mundo. E a verdade é que Lucindo ajudou muito a mudar o nosso Estado que passou a ser com sua ajuda e de muitos outros técnicos que fizeram da antiga Secretária de Planejamento dirigida por Luiz César Auvray Guedes um celeiro de técnicos e de ideias que se espalharam depois pelo Brasil afora, como foi o caso do próprio Lucindo, de Reginaldo Vieira de Vasconcelos, de Luiz Alberto Fernandes, Luiz Paulo Caetano Dias, Sheila Bailão, José Mesch, Cláudio Damasceno, Abdias Nascimento, Paulo Scerne, Maria José Monteiro e Luiz Antonio da Costa e Silva entre os que lembro de chofre. Foram muitos que nem lembro, como me ocorre agora o Marcelino Moreira, que vive em Fortaleza, ou arquitetos como a Eliane, a prima da Jussara Gotllieb, outra que participou ativamente destes tempos, de Cruz Alta que me foge à memória, o Humberto não sei mais de que, e com certeza muitos mais, tanto dos que aqui ficaram, como Antônio da Rocha Guedes, José Aldenor Neves, Rogério Scheidt, José Lacerda de Melo, Luiz Carlos Menezes ou Jorge Elage ou alguns que já morreram como Clodoaldo Avelar ou o mineiro Luiz Otávio Moreira de Mendonça que tiveram uma participação relevante nos primeiros planos e nas primeiras instituições do antigo território e hoje Estado. Claro que isto é um pedaço dos muitos que trabalharam tanto para criar imagine que até já naquele tempo um orçamento participativo que, hoje, vendem como novidade. Morre Lucindo José Quintans, um nome que para muitos não diz nada, porém, que criou nesta terra com inteligência e trabalho as bases da realidade atual. Como muitos outros que se foram sem as homenagens devidas, mas, não vieram em vão. Deixaram sua marca que, apesar de hoje já não ter mais lembranças deles, ajudam e beneficiam milhares de pessoas. A grandeza é mesmo isto: criar, dar sem esperar nada mais que saber que lutou, viveu e cumpriu com seu dever. Rondônia, hoje, sem dúvida, chora a morte de um dos seus planejadores de primeira hora e um benfeitor anônimo de muitos de nós.

domingo, maio 30, 2010

Eles estão entre nós



“Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difí¬cil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra” (Guimarães Rosa)

Como não é segredo para ninguém gosto de ler. E, nos últimos dias, li um livro ultrainteressante denominado corretamente de "Meu vizinho é um psicopata", da psicóloga Martha Stout. Como o nome já aponta ela escreve sobre os psicopatas, mas, não quaisquer psicopatas e sim sobre aqueles que estão próximos a nós, aqueles que gozam de nossa intimidade, com os quais convivemos sem, muitas vezes, nos conscientizarmos que eles são psicopatas. O livro é muito bem feito tanto que começa por nos esclarecer o termo "psicopatia". Ela escreve que psicopatia é um termo mais popular para o distúrbio chamado de sociopatia. E classifica como psicopata uma pessoa que não tem vestígios de emoção, não sente culpa e é capaz de fazer qualquer coisa para saciar seus desejos, por mais simples que eles sejam. De tal forma que tramam, manipulam, roubam e até matam para alcançar seus objetivos. Claro que, sem muito trabalho, já comecei a pensar na quantidade de psicopatas que já conheci, inclusive muitos políticos bastante conhecidos e não, como costumamos pensar, os psicopatas de filmes de suspense e terror como os Hannibal, que são asassinos sanguinários ou mesmo serial killers. Pela primeira vez, me dei conta que esta não é a realidade. A realidade é que os psicopatas vivem entre nós, como se fossem "normais" e, a grande maioria deles, não tem sede de sangue nem vontade de matar. Eles são, na verdade, pessoas aparentemente comuns que só querem ganhar dinheiro, poder, influência, ser um grande empresário, um grande político, um governador ou presidente da república..Meu Deus! Agora, depois de tanto tempo, entendo do que são capazes! De tudo, absolutamente tudo. E, como não sentem culpa, remorso e nem nenhuma intenção de assumir as consequências dos seus atos estão completamente livres para culpar qualquer um. Por incrível que pareça os psicopatas só querem uma coisa: vencer. E o que me assusta (só agora vejo) é que eles estão vencendo.
Bem, raciocinando com lógica, isto não é de admirar. Afinal com a falta de escrúpulos que possuem e a capacidade de destruir a vida dos que atravessam seu caminho não é de espantar que consigam vencer. O problema real é que se é assim, na prática, desconfio que acabaremos ( se é que já não estamos) sendo governador por psicopatas. E a autora comenta que tratou de muitas pessoas que tiveram suas vidas devastadas por psicopatas com quem conviveram e que, muitas delas, chegaram até a tentar o suicídio. Vejam como os psicopatas são perigosos e imagine que a pior notícia vem aí: uma em cada vinte e cinco pessoas é um psicopata! Já pensou em que mundo perigoso nós vivemos? Você pode até ignorar o que estou dizendo (e a autora escreveu) e negligenciar, fingir que eles não existem, porém, o perigo está em que o psicopata pode estar na sua família, ser seu amigo ou você se apaixonar por ele, de forma que eles são perigosos e estão entre nós! Pode crer: mais cedo ou mais tarde você irá conviver ou já conviveu com um psicopata! Assim, tome cuidado, quando alguém estiver tentando justificar e defender alguém que lhe fez algum mal dizendo que ele é assim mesmo... sofreu muito... teve uma vida difícil e outras baboseiras, não vacile. Diga que tem razão, mas, se afaste. Este pode ser o seu psicopata.

segunda-feira, maio 24, 2010

COMO UM PASSARINHO



Hoje, infelizmente, devo fazer uma homenagem singela que não deve tocar senão aqueles que amaram seus cães e o perderam. È verdade que não se trata de uma experiência inédita e que, outras vezes, talvez, até tenha sentido mais, porém, é sempre uma dor, um sentimento quase de se perder um grande amigo quando se perde um cachorro. No caso, para ser verdadeiro, uma cachorra, a Jade, uma cofapizinha dessas bem sem vergonha que fazia jus ao nome. Era uma brava cachorra. Tanto que avançava sem medo em cães enormes e, muitas vezes, muito mais ferozes. Uma caçadora por excelência. Nada lhe escapava da atenção e pressentia tanto seus donos, os moradores, qualquer pessoa que se avizinhasse de nossa casa e latia, latia feito uma desesperada mesmo quando se tratava apenas da meninada que parava por ali para brincar ou namorar.
A falta da Jade, sei, ainda será sentida por um longo tempo. Foi uma cachorra fiel que, no entanto, não podia ver uma brecha no portão sem cair fora e passear na rua. Também comia tudo e com um desespero de quem passava fome, embora criada com ração, não perdia qualquer coisa que lhe dessem. De frutas a macarrão passando por doce ou por um osso ou um peixe e, enquanto teve saúde o apetite era imenso e infindável. Nada lhe escapava da boca. E era uma caçadora, pois, perseguia de baratas, ratos se houvesse e pombos, mesmo que, com estes, como via que a caçada era inútil, logo passou a conviver, o que a fazia ser objeto do achincalhe da Mag, minha mulher, que detesta a sujeira que os pombos fizeram e fazem nas paredes e nos toldos.
Histórias da Jade não faltaram para contar. De suas escapadas que davam trabalho para trazer de volta na medida em que fugia pelos quarteirões ou o fato de que, por mais que ralhasse com ela, minha moral era zero. Ela sabia que minhas ameaças eram ameaças apenas. Que, invariavelmente, iria lhe dar de manhã e de noite a ração e fazer cócegas com os pés na sua barriga. Só obedecia mesmo como um soldado ao general a Mag ou a Ana, que a criou e educou de que forma não sei, pois, era ineducável. A Jade era birrenta no sentido de que, quando contrariada, dava o troco e fazia coisas inexplicáveis como roer o para-choque do carro. Quem sabe a pintura tivesse algum sabor...
Apesar de ter começado o ano bem na medida em que lhe comprei uma ração especial e uns ossos para roer ela apresentava um bucho estranho, meio gordo. No começo se aventou a hipótese de falsa gravidez. Não era. Era um tumor que detectaram como câncer e como câncer ficou, pois, a desenganaram, apesar dos antiinflamatórios e a falsa impressão de que melhorava. Que não melhorava era claro pela quietude que tomou conta dela. Já não corria para a rua quando o portão se abria para o carro ou ia muito lentamente. O apetite esmoreceu. Comprei ração especial, passei a dar carne para ela e até comprei uns biscoitos de ossos, porém, sempre parecia mal alimentada e passou uns dias comendo só melancia e mamão. Nós sabíamos que seu fim era próximo e que era valente: não gemia, não parecia sentir dor fora dos olhos tristes com que nos olhava. Hoje, inesperadamente, morreu de uma hora para outra. Morreu mais silenciosamente do que viveu. Diria mesmo que morreu como um passarinho, mas, em nós, durante muito tempo, há de ecoar a ausência dos seus latidos.

quinta-feira, maio 20, 2010

NÃO É O QUE PARECE...



A CAUDA EXPOSTA
Sempre afirmo que o Partido dos Trabalhadores-PT tem um vicio de origem que usa como se fosse virtude: o estatismo. E quando falo em estatismo falo na tendência nem sempre oculta de tentar fazer prevalecer sua vontade como se fosse o “dono da verdade” e tivesse na mão a bola de cristal que desvenda o futuro de modo que pudesse, a partir do governo central, criar a sociedade desejável. É evidente que douram esta pílula com a propaganda e a missa ensaiada de que “fazem” a vontade do povo, porém, esta é, em geral, obtida por meio de convenções onde são maioria ou assembleias que dominam e, algumas vezes, por vontade expressa dos grandes e pequenos lideres. Não consta que Dilma, por exemplo, tenha vencido nem mesmo uma eleiçãozinha no Palácio quanto mais no partido para ser indicada candidata. Como nos melhores exemplos do comunismo internacional foi sacada pelo chefe e pronto. Efetivamente, como agora na eleição, tentam “dominar”, criar a hegemonia, ganhar a maioria da população, usando todos os métodos e meios.
È o caso visível do episódio da censura ao vídeo dos prefeitos na 13ª Marcha dos Prefeitos. Vetaram um vídeo que retrata as dificuldades dos prefeitos terem acesso a recursos porque a verdade da via crucis e o título de “Calvário” faria mal a campanha governista que, como Lula da Silva, prega que vivemos no melhor dos mundos possíveis e que está se fazendo o Brasil de uma hora para outra por encanto, a narrativa desmentiria. O episódio somente demonstra a escolha intelectual e a natureza do partido. Não há meio termo no tratamento que é dado as coisas. Ou se está com “eles”, ou seja, os iluminados que nos darão o novo mundo, ou se está contra e se vira tucano e adepto do FHC, como se o mundo se dividisse entre PSDB e PT. Nem o Brasil, justiça seja feita, é tão pobre de opções. O problema é que o PT continua ideologicamente a ser um partido de tradição leninista onde se sonha com o governo mandando na sociedade, com a vida pública sendo orientada pela “vontade dos homens revolucionários”, que enxergam o futuro, que sabem o que devem fazer e qualquer manifestação contrária à opinião de tais iluminados é vista como uma ameaça e deve ser banida. Assim os outros partidos, os intelectuais, quem não aceita uma sociedade de comando, quem não gosta de viver sendo mandado e quer pensar por conta própria ou expressa uma opinião contrária aos desejos do partido, acaba sendo atacado por discordar, por exercer a democracia. Assinala com extrema precisão o blogista Reinaldo Azevedo que “Se ‘O Partido’ está na oposição, cumpre mobilizar ‘a sociedade” contra o ‘estado autoritário’; se ‘O Partido’ está no poder, aí, então, mobiliza-se o ‘estado autoritário’ (que passa a ser ‘democrático’) contra ‘a sociedade’, que passa a ser manifestação do atraso” e, conclui, com brilho que “Em qualquer dos casos, quem se ferra é a liberdade, já que o único espaço legítimo de divergência passa a ser aquele que existe no ambiente do próprio ‘Partido’”. De fato, entendo que nem neste onde se exerce, hoje, com mão de ferro a vontade de Lula. Assim o PT se passou a conviver com a economia de mercado e a gere no Brasil e é o condutor da nossa economia ainda sonha com uma opinião única, com a “sociedade planificada” que já provou ineficiente e antiliberdade. Não é à-toa que Lula cultua Fidel e Chávez. O ideal dele, e do partido, continua no século passado, na via chamada de “revolucionária”, porém, que, na verdade, representa a morte da liberdade política. A supressão do vídeo sobre os prefeitos é a cauda exposta do animal escondido. O que se diz, porém, não adianta nada. O que vem de fora do partido está sempre errado.

domingo, maio 02, 2010

O esforço do governo Lula na busca do bom jornalismo



Embora o Partido dos Trabalhadores, e em especial Lula da Silva, reclamem muito da imprensa, tanto que se aproveita de qualquer ocasião, ou evento, para criticar e, muitas vezes, atacar a imprensa, que não se pense que não a usam exaustivamente. Lula só costuma bater quando lhe é conveniente. Em geral, quando repetem sem crítica os releases governamentais ou distribuem elogios não são mal vistas pelo presidente. Até, como se sabe, foi o mais generoso dos governos mesmo com jornais e revistas que, aparentemente, lhe são adversários, porém, que, no final, seguem uma estratégia governamental até porque lhe$ interessa. O problema é quando as mídias, mesmo com todos os vícios e jogos de interesse, adotam uma posição crítica, analítica, ou seja, tentam cumprir seu verdadeiro papel e investigar o que, realmente, o governo Lula fez de importante. Como o governo atual fez mais propaganda do que avançou na consolidação do país, é claro, que o governo não deseja que haja análise. Sua comparação é feita sempre em relação aos números passados, mas, o normal é que, apesar de tudo, o país cresça e, para ser mais fiel à realidade, o governo faz a comparação com o final do mandato de Fernando Henrique justamente quando todos os índices deterioram em função de que o PT iria assumir! Ou seja, o PT usa o desgaste que ele mesmo gerou para se elevar.
Na realidade não é, nem deve ser papel da imprensa adocicar coberturas oficiais e jogar confetes em governo. Jornalismo só existe quando é crítico e, antigamente, o próprio Lula cobrava contra os governos anteriores o fato de que a imprensa não fazia suficiente oposição, ou seja, Lula sempre gostou da imprensa quando está do lado dele. Mas, quem tem que fazer publicidade dos governos são as assessorias de imprensa e as agências de publicidade. A boa imprensa não pode se curvar aos interesses de quem está no poder. É assim que tem de funcionar. Que cada um cuide das suas respectivas funções, dos seus respectivos interesses. E somente neste tipo de ambiente, com posições pros e contras pode vicejar a democracia.
Na verdade o governo Lula segue a velha receita de todo governo: faz o maior e melhor uso possível dos espaços e, quando aparecem fatos que não lhe são favoráveis reage mal, tenta impor seu ponto de vista, reclama contra a divulgação, grita que há monopólio, conspiração e outras coisas. A verdade é que se acostumou mal a gozar da cegueira da imprensa com a qual teve uma relação muito estreita, na abertura política, nos anos 1980, no passado. Porém, o PT era oposição. Com a gradativa chegada do PT ao poder e a conquista da Presidência da República, as coisas mudaram e, mesmo o partido sendo vidraça, ainda continuou a ser tratado com muita benevolência. Até porque nunca antes neste país um governo gastou tanto com propaganda. São gastos anuais da ordem de R$ 7,7 bilhões. Este é o maior gasto que já se viu com a propaganda do Governo Federal, segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, entidades da área e veículos especializados no setor. Os gastos do ano passado, foram de R$ 1,17 bilhão, superaram em 48% os R$ 796,2 milhões investidos no primeiro ano de governo. Os dados representam o total geral de ministérios e estatais. Para se ter uma idéia da força avassaladora disto basta ver que, em 2003, o governo Lula se promovia em 499 mídias (rádio, jornal, revista, televisão e internet). No ano passado, foram 7.047 veículos. Um incremento de 1.312%. E espacial, de vez que, no primeiro ano de governo, os veículos que divulgavam publicidade federal estavaam espalhados em 182 municípios. Hoje, estão por 2.184 municípios. Em suma, o PT é bom mesmo em propaganda, pois, aumentou, diversificou e regionalizou o uso da imprensa pelo governo distribuindo o bolo da propaganda oficial em mais fatias e distribuindo mais horizontalmente, ou seja, também os grandes jornais e fortes veículos de comunicação viram minguar as verbas publicidade. Mas, antes que pensem que foram para todos e aceitem a teoria da conspiração da chamada grande imprensa, que algumas vezes é caustica com o governo Lula, convém lembrar que a Rede Globo, a Folha & outros muitos importantes continuam a ser regiamente aquinhoados obtiveram empréstimos e financiamentos que FHC, por exemplo, havia negado. Ou seja, Lula só reclama da imprensa quando não serve aos seus interesses tanto que, para aumentar ainda mais seu esquema de propaganda, a partir desta segunda-feira, dia 3, coloca no ar a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP). A RNCP é formada pelos quatro canais da TV Brasil, e vai alcançar 1.716 municípios. Ou 30,8% das cidades brasileiras, com um público estimado de cerca de 100 milhões de pessoas - mais da metade dos 190 milhões de habitantes. É mais uma tentativa de tentar minimizar o poder das grandes redes de televisão. Não vai dar certo. Nada que o governo faz dá certo, mas, demonstra que o governo tenta usar a propaganda da melhor forma possível para seus objetivos de moldar a opinião pública. Não basta domesticar a imprensa. O governo Lula quer dizer o que a imprensa deve fazer e noticiar. Esta é a essência do que entende como bom jornalismo. Neste sentido o bom jornalismo será sempre o melhor diário oficial que se puder editar.

domingo, abril 18, 2010

Os jornais não morrerão



Recentemente, mais precisamente no último dia 15 de abril, o Alto Madeira completou 93 anos. São poucos os jornais que alcançam tanto tempo, mas, há jornais que viveram, ou vivem, mais de 300 anos como o holandês Haarlems Dagblad, fundado em 1656 - 351 anos atrás. O campeão anterior era o sueco Post och Inrikes Tidningar, publicado diariamente desde 1645, segundo a Associação Mundial de Jornais, que parou de circular em janeiro, depois de 362 anos e passou a circular apenas na internet ainda que somente em três cópias de papel do jornal feitas e arquivadas em bibliotecas universitárias para manter a tradição. É fato que morte de jornal é muito comum, como de revistas e, mesmo hoje, apesar de ser uma mídia nova, de sites, mas, ao contrário das visões pessimistas de 50% dos editores de jornais, rádios e tevês dos Estados Unidos, que acreditam que seus veículos não vão sobreviver nos próximos anos sem que se descubram novas fontes de receita, não creio nesta profecia. Não é saudosismo, pelo fato de ter vivido em redações, ter sido até redator-chefe, uma palavra que, hoje, soa estranha.
Também não me baseio apenas na convicção do pesquisador e jornalista Clay Shirky, norte-americano, que acredita que sem os jornais ocorreriam mais corrupção, daí, a sua crença, para mim utópica, de que as pessoas perceberiam isto e buscariam uma forma de financiar a produção deste tipo de conteúdo. O raciocínio de Shirky me parece bom quando afirma que a rede desestabilizou os jornais por dois lados. O primeiro, pela migração dos anunciantes para as mídias on-line. O efeito de publicidades em jornais, rádios e televisões, por serem mais difusos, não garantem eficácia, a internet apresenta formas mais quantificáveis para avaliar o custo e o retorno da propaganda. O outro ponto seria a tendência dos leitores de usar a internet para personalizar os conteúdos que desejam ler. Quanto mais as pessoas interagem na rede, mais se trocam informações, menos os grandes portais detêm poder- o que é verdade em termos. Para Shirky a vantagem do jornal é que a rede não conseguiu superar o modelo dos jornais para realizar jornalismo de fiscalização. Este ponto de vista é sustentado pelo argumento de que, por circunstâncias históricas, os jornais concentram receitas de anunciantes que excedem seus custos, de forma que podem gastar para a produção de matérias de fiscalização do poder público. Assim haveria um efeito colateral como função social do jornalismo impresso que seria de coibir o mau uso do poder. Para ele, se não estivessem os diversos conteúdos sendo embalados e vendidos juntos, não existiria a fiscalização do poder público pelas mídias pela falta de receitas suficientes para que os veículos fossem independentes. Eles estariam vulneráveis para as sanções de grandes empresas e dos governos – os tradicionais grandes anunciantes. De fato concordo que a grande imprensa tem sido mais competente que a internet. E que esta não consegue financiar este tipo de conteúdo, mas, não concordo com Shirky que seja por ser caro e por não ter retorno imediato. Minha visão é a de que os jornais são um meio diferente e que sua fortaleza reside na análise, na opinião, no exame, digo mesmo que até na autópsia do fato. A internet não. É um meio em que se procura interação, imagem e não leitura. Para mim o caminho para a sobrevivência dos jornais deve também passar pelo bom jornalismo de fiscalização, mas, creio que o jornal há de sobreviver por ser um meio capaz ultrapassar a superfície da notícia, de gerar novas interpretações e debates. Para mim a internet, como comprovam a crença em noticias das mais absurdas, torna o leitor mais passivo, daí, minha crença de que os jornais sobreviverão sempre e sempre serão alimentadores, diria que até mesmo irão pautar, a internet como já fizeram com o rádio e a televisão. A crise do jornal é uma crise não do meio, mas, da criatividade e do empreendedorismo que estão faltando na sua direção.

Um grande jornal com grandes nomes



O Alto Madeira faz 93 anos. Não são muitos que podem se gabar de uma façanha deste tamanho. Basta verificar que, em termos cronológicos, o Correio Braziliense, o Jornal do Commercio de Recife, e o Jornal do Comércio do Rio de Janeiro são os mais antigos do país, mas, apenas para efeito cronológico, pois, muitas vezes, tiveram sua circulação interrompida. O jornal considerado mais antigo mesmo, em circulação permanente, é O Estado de São Paulo, que já completou 135 anos, mas, convenhamos, São Paulo é São Paulo. Completar 93 anos aqui é outra coisa. È mais que um atestado de competência. É mesmo uma glória. Ainda mais num país que começou a ter publicações periódicas com um século de atraso em relação aos demais países do novo continente numa região que se caracteriza mesmo é por ser e se manter selvagem inclusive comercialmente falando. Jornais e revistas na Amazônia são como plantas na natureza: nascem e morrem rapidamente. Muito mais no passado. Hoje isto acontece mais com os sites de noticias.
O certo é que, hoje, o Alto Madeira somente é superado em longevidade pelo Jornal do Commércio, de Manaus, o mais antigo em atividade na região, que foi fundado em janeiro de 2004. É um orgulho e uma tradição que foi mantida muito mais pela paixão pelo jornalismo, pela consciência de muitas pessoas de que se trata de um patrimônio cultural do Estado e pelo desejo de ter um jornal que seja o que um jornal deve ser: combativo e independente. Claro que não imparcial. Claro que não sem interesses. O mundo não é perfeito e o Alto Madeira é um retrato do mundo, do nosso mundinho, por isto mesmo, nem melhor nem pior do que ele é. Apenas tão somente um jornal do tamanho de nosso Estado e, por tal razão, como temos vocação para a grandeza, um grande jornal.
E é um grande jornal por razões muito claras. Sua longevidade se deve, em primeiro lugar, a que sempre foi o abrigo da notícia pela notícia. Quando ela existe e é verdadeira não se sonega. É publicada por mais que seja dolorida a publicação. È importante, é significativa vai ser publicada. È claro que este não é um processo imparcial. Todos os que fizeram o Alto Madeira sempre tiveram lado, opinião, alguns até certezas que se provaram infundadas, mas, jamais, e esta é uma norma que faz dele um grande jornal se negou voz ao outro lado. A crítica é feita, a notícia é dada, mas, também a quem se sente atingido é dado o direito de desmentir, de expor sua versão, de, quando for o caso, provar que se errou. E, quando o jornal erra, como já aconteceu diversas vezes, teve sempre o cuidado de se retratar, daí, sua credibilidade através dos tempos.
Porém, a grande realidade é que o Alto Madeira não seria o Alto Madeira sem ser, como sempre foi, um jornal aberto para os homens e as ideias. Pela sua redação passaram grandes jornalistas como Petrônio Gonçalves, Ary de Macedo, Vinicius Danin, Ivan Marrocos, Roberto Vieira, Sérgio Valente, Simeão Tavernard, Pedro Gondim, Kleon Maryan, Pedro Gondim, Edmar Coelho, o capitão Esrom Menezes, o Bahia e Paulo Correia para citar os já falecidos. Mas, ainda permanecem nomes como os de Ciro Pinheiro, Marlene Rolim, o próprio decano de nossa imprensa Euro Tourinho, Viriato Moura, Valdemir Caldas, Sued Pinheiro, Lúcio Albuquerque, Aluízio Pimenta, Marcus Vinicius Danin, Adelino Moura, Renato Rondon, Reis de Souza, Rocco, Aminéia Capistrano, Parayba, Antônio Roque e tantos outros que seria fastidioso enumerar. Quem quer encontra espaço no Alto Madeira e escreve o que quer sem censura e com liberdade. È por tal razão que me orgulho de também ter feito parte, um pouco, de sua história e comemoro feliz seus 93 anos certo de que, sem muito esforço, irá chegar, para nosso orgulho, aos cem anos cada vez melhor.

terça-feira, abril 13, 2010

A POSSIBILIDADE REAL DE UMA HERANÇA MALDITA



O governo Lula, o governo atual, não pode negar que teve um tempo longo de bonança internacional, ao contrário dos anteriores, e que, além disto, teve a seu favor a austeridade e a responsabilidade que Fernando Henrique implantou na economia. Em outras palavras, o fundamento dos bons tempos não foi de Lula, mas, de FHC. E, mesmo quando houve uma crise, como a de 2008, esta, pela primeira vez, com todos os problemas, veio a nosso favor, pois, deslocou o eixo do crescimento do mundo para a China e os emergentes, o que nos favoreceu. Enfim, Lula pegou um cenário internacional estável e construtivo. Deveríamos, isto sim, ter crescido mais. E crescer mais era o que Lula tinha se proposto e, convenhamos, falhou. O voo de galinha continua a ser a trajetoria da economia brasileira vide o resultado negativo de 2009 e a previsão positiva de 2010. E 2001?
Bem, os economistas bons acreditam que os Estados Unidos devem crescer algo em torno de 2,5%, já este ano, derivado de seu bom desempenho nas exportações e a forte desvalorização do dólar. A favor disto conta também a volta de investimentos em setores importantes, como o de energia, e, em alguns setores, tem havido uma redução mais acelerada dos estoques, bem como o mercado de trabalho parece estar mais estável, porém, só a obtenção de um crescimento, como o previsto, já influi sobre o resto do mundo. Também se, entre os emergentes, a bonança não é, não será, igual para todos se espera um crescimento de 9,5% da China, e há um grupo, que inclui a Ásia, os países petroleiros e o Brasil, em que o crescimento será muito forte. Embora existam atrapalhando os países bálticos, Europa Oriental, Grécia, Rússia, Argentina, Venezuela e México Com tudo isto, o PIB mundial deve crescer, em 2010, em torno de 3%. Ou seja, os quase 6% do Brasil não serão lá nenhuma Brastemp. E, em 2011, o crescimento deve voltar a se complicar. Por que?
Por causa da crise e das eleições o governo abriu as burras. Porém, se os gastos de consumo se elevaram, as próprias análises governamentais mostram que os investimentos no desenvolvimento da economia cresceram muito pouco. Mesmo admitindo-se que, como foi divulgado, a execução do PAC, que é a menina dos olhos do governo, tenha sido os 40% divulgados é muito pouco. Seja por demonstrar uma execução baixa, seja porque os problemas de infraestrutura e de investimentos requerem um esforço muito maior. E, para piorar, mesmo com tão baixo desempenho, os gargalos se acentuaram, inclusive na questão da mão de obra. Sobram empregos que exigem qualificações que os brasileiros despreparados não possuem. Assim, se todos consideram ser viável que o país cresça acima de 5%, em 2010, economistas sérios não acreditam que esta taxa seja sustentável ao longo dos anos. As pressões inflacionárias mostram que a economia doméstica está indo no caminho do aquecimento excessivo em 2010, daí, o desejo do Banco Central já expresso de aumentar os juros. É poristo que a oposição já está preocupada com os rumos do atual governo que aumentando os gastos, para a campanha eleitoral, criou mais pressões inflacionárias e uma situação fiscal muito mais apertada, o que pesa contra o ritmo de crescimento nos anos seguintes. A ironia é a de que ,quem tanto falou em herança maldita, pode acabar, de fato, deixando uma, se não houver uma condução melhor da política fiscal e monetária.

sábado, abril 03, 2010

Há solução para o trânsito de Porto Velho?



Bem, é verdade que se pode dizer que o problema de trânsito não é um monopólio de Porto Velho, mas, também se pode dizer que antes nós tínhamos um trânsito que se não era pacífico não tinha esta violência de agora, esta completa falta de regras e opções, os engarrafamentos, a grosseria, a falta de educação e, principalmente, o desagradável fato de que os acidentes se tornam rotina com os corpos estendidos no chão com escoriações e, muitas vezes, com a morte ceifando vidas preciosas. Num ambiente deste, diante do fato de que, mesmo quando se abre ruas, como a parte nova da Avenida Pinheiro Machado, muito pouco melhora é que se tornou também comum perguntar: se o trânsito de Porto Velho tem solução e quando ela virá.
Não se espera, certamente, como muitos ousados e mirabolantes pensam de um metrô nem mesmo da construção de viadutos que, dizem os especialistas, somente transportam o problema de um lado para o outro. Então qual a solução se solução existe? É claro que há soluções. Claro também que não é aceitável justificar os problemas com apenas com o crescimento da frota de veículos. Em parte o maior estímulo ao crescimento da frota reside na falta de um transporte coletivo que dê o mínimo de conforto e condições as pessoas e, ainda por cima, é muito caro pelo que oferece. Porém, qualquer que sejam as soluções elas passam por um estudo do sistema viário de Porto Velho que tem sido tratado com um amadorismo desalentador seja na hora de introduzir modificações, seja na hora de permitir, por exemplo, que prédios, inclusive públicos, agravem o problema ao levar para regiões já congestionadas mais circulação e, consequentemente, maiores problemas de circulação. Um exemplo bem negativo vem da própria Prefeitura que criou um centro de formação de professores, onde existe o Teatro Banzeiros, numa região central aumentando a quantidade de veículos na região central. Região, aliás, que já´deveria ter sido alvo de um tratamento prioritário tantos são os problemas de circulação por ali. Até mesmo o estacionamento é problemático e já pede medidas drásticas, talvez como estacionamentos subterrâneos ou pedágio urbano, quem sabe limitação de trânsito por final de placa do veículo ou mesmo a transformação em parte do centro num imenso calçadão.
Especulações à parte qualquer solução que se venha a implantar exige antes um estudo profundo da problemática, que, de forma simplificada, reside no excesso de veículos individuais circulantes em contraposição à falta quase completa de qualidade do sistema de transporte coletivo. Esta situação, evidentemente, pode ser extrapolada para todo o sistema, que, além de não ter sido concebido para a demanda atual (o último estudo sério do sistema viário foi feito na década de 80) ainda foi agravado pela facilidade de aquisição de veículos individuais aliado as vantagens de sua utilização cotidiana em contraponto com a ausência de transporte coletivo. O cidadão de Porto Velho precisa ter um carro, uma moto, uma bicicleta, um jumento que seja, pois, não pode contar com ônibus. Aliás, a alternativa que as pessoas tem é muita cara que é o táxi e, hoje, por mais incrível que pareça, o mototáxi que, apesar de todas as suas inconveniências e perigos, se tornou um alívio para as classes de renda mais baixa como meio de locomoção. De qualquer forma a solução do problema do trânsito de Porto Velho deve, necessariamente partir da avaliação do sistema urbano como um todo, e depois integrar um conjunto de diversas ações setoriais, inclusive com a criação de ciclovias, novas avenidas e ruas, em sistemas binários que ofereçam alternativas novas e a oferta de um bom serviço de transporte coletivo. È claro que a solução para o trânsito de Porto Velho existe e não deve ser única, nem exclusiva, porém, não virá se não houver uma cobrança política muito forte da população.

domingo, março 21, 2010

SÓ A PRODUÇÃO PRODUZ O AVANÇO SOCIAL


Os reais construtores da modernidade

É incrível a falta de visão, em especial de políticos e sindicalistas, dos custos que recaem sobre o empresariado para manter seus negócios e como é difícil ser empresário neste país. Pior é que, como políticos e sindicalistas vivem de discussões, não percebem que os empresários desejam apenas que não perturbem as condições institucionais existentes, nem que façam leis e movimentos que lhes causem problemas e custos. Não há, muitas vezes, entre os políticos a menor noção dos danos que causam a iniciativa privada com projetos que, só em serem apresentados, obrigam os empresários a ter custos, a ter que sair de suas obrigações,que já são muitas, desperdiçar tempo e dinheiro para não ter seu negócio afetado por iniciativas muitas vezes cheia de boas intenções, mas, completamente equivocadas. Os exemplos mais recentes são, em Porto Velho, de projeto de lei que pretende fechar o comércio aos domingos e, no Senado, um projeto do senador Crivella que quer obrigar os donos de bares e restaurantes a cobrar 20% de gorjeta depois das 23 horas.
É impressionante, por exemplo, o que revela a pesquisa anual "Doing Business", promovida anualmente pela Organização das Nações Unidas que faz uma análise comparativa entre 183 países. Examinando a facilidade para a abertura de empresas, obtenção de alvarás, contratação de funcionários, registro de propriedades, obtenção de crédito, proteção de investidores, pagamento de impostos, comércio entre fronteiras, cumprimento de contratos e fechamento de empresas, verifica que o Brasil, sob a perspectiva geral da facilidade para fazer negócios, está na 129ª posição entre as 183 economias analisadas - dois pontos abaixo do relatório de 2009. Na América Latina, só ficaram abaixo Equador, Bolívia, Venezuela, Haiti, Suriname e Honduras. Os dados mostram que a economia brasileira se sai bem apenas no índice de cobertura de órgãos privados de proteção ao crédito, na transparência nas relações com investidores e no índice de eficiência na proteção a investidores (tudo na esfera de atuação privada), mas, até para pagar impostos o Brasil ocupa a 150ª posição. Os empresários brasileiros, segundo a pesquisa, têm que arcar com os custos de 2.600 horas anuais de trabalho para fazer frente à burocracia tributária. A média, na América Latina e no Caribe, é de 385,2 horas. Nos países de renda elevada (OCDE), de 194,1 horas. Mas, quem sustenta o governo são os impostos e, mesmo assim, se verifica que até para pagar os empresários sofrem. Não se leva em conta nem seu tempo nem seus custos e os políticos, em especial, fazem leis que os afetam sem se preocupar em quanto vai custar nem quantos empregos serão perdidos. É fácil fazer isto quando sabem que, de uma forma ou de outra, seus salários e privilégios estão garantidos no final do mês, mas, não é o que acontece com os empresários cujas folhas de pagamentos, os impostos, a manutenção do seu negócio, tem que ser buscada duramente nas vendas de cada dia. É muito fácil falar mal dos empresários, como fazem muitos políticos e sindicalistas, porém, fariam muito melhor tentando criar os empregos e a renda que os empresários criam para ver como a cor da chita é outra, quando se tem que ter a responsabilidade de manter empregos e criar riqueza num país que trata quem busca lucro como se isto fosse um pecado. Pecado mesmo é a cegueira de não ver que sem os empresários nossa sociedade não funciona bem e é somente graças a eles e não ao governo, ao qual somente se pede que não atrapalhe, que o Brasil tem avançado em direção à modernidade.

DISCORDAR É PRECISO


A necessidade da cultura do dissenso

Bem, confesso que, apesar da idade, que tende a me levar a ser mais sensato, se isto é possível, ainda me aferro a uma rebeldia que me faz ser contra as coisas que não concordo. Hoje muito mais maduro também com muito mais serenidade e capacidade de compreensão, porém, não com menos ardor ou resistência. De certa forma, às vezes, principalmente, quando o consenso, mesmo que errôneo, é muito grande me pergunto se vale à pena ser contra algo que as pessoas em geral não vêem erro. E, podem crer, isto me custou caro, muitas vezes, quando a única coisa que deveria fazer seria não dizer nada. E até ser recompensado por isto.
Felizmente, para me consolar da minha incapacidade de dizer sim, de balançar a cabeça em aprovação com o que não concordo, leio, em meu socorro, Cass R. Sustein, um professor de Direito da Universidade de Chicago (EUA), que defende que uma única manifestação individual que se opõe ao comportamento dominante, mas que é sensata e correta, pode desmobilizar toda uma conduta equivocada ou conformista da maioria das pessoas. Ufa! Que alívio! Por causa disto tomo a liberdade, a partir do pensamento de Sustein, de me opor à ideia ruim, e dominante, do senso comum de que os políticos podem fazer o que bem entendem e que é melhor as pessoas não baterem de frente com as autoridades. Não concordo e lembro o famoso caso da costureira Rosa Parks que, ao se recusar a ceder o lugar a um branco no ônibus, criou uma verdadeira revolução que iria alimentar todo o movimento negro norte-americano, ou seja, um pequeno gesto, de fato, muda tudo. É tanto a acumulação quanto o efeito borboleta, mas, como tudo na vida, tem seu tempo.
Interessante também é que Sustein sustenta que o conformismo é natural ao ser humano. Rotineiramente, até para se viver melhor, adotamos comportamentos aprovados pela maioria. Ou seja, buscamos naturalmente a aprovação dos outros e, para isto, muitas vezes, fazemos as coisas como todos fazem. Tendemos, portanto, mais para a concordância que para o dissenso, bem, como, exceto os encrenqueiros por natureza, evitamos situações em que somos a voz dissonante. Ocorre que o professor alerta que este tipo de atitude pode levar a variados problemas sociais, ao calar as vozes de mais inteligentes e de maior bom senso. Aqui me parece se enquadra bem a situação política brasileira atual que parece desvirtuada, com a oposição amortecida pelo conformismo ou pelo oportunismo, colaborando para que a sociedade permaneça inerte, sem fazer algo contra os desmandos políticos que chega ao cúmulo de querer fazer do errado certo, do desrespeito as regras uma constante, e da tentativa de continuidade de qualquer forma, inclusive com o uso escancarado da mídia, para vender como grandes realizações um governo cujos avanços foram mínimos numa época em que deveríamos ter crescido a taxas muito maiores e que, como maior pecado, ostenta os pífios resultados obtidos na área da educação que é a base do verdadeiro desenvolvimento.
O Brasil precisa de oposição que mostre como o governo Lula tem sido ineficiente na criação da cidadania e do desenvolvimento. Por isto é interessante ler Sustein que argumenta que as sociedades, organizações e grupos que punem os que discordam do pensamento ou das ideias dominantes tendem a ter menos êxito. É da diversidade de ideias que nasce o sucesso e não do pensamento único do nosso “iluminado” presidente. Mas do que nunca é preciso cultivar a cultura do contraditório. Estou convencido que é preciso incentivar o dissenso. O perigo real para o país é a continuidade, a concentração do poder político nas mãos de poucas autoridades e, como tem sido feito subrepticiamente, a tentativa de comprar ou intimidar políticos e cidadãos inclusive com a sistemática execração de que sejam de “direita”, “contra os pobres”, “elite” e por aí vai. È preciso sim divergir com argumentos e não hostilizar o próximo por ter opinião e contestar. São os autoritários que desejam o partido único, o pensamento único, o endeusamento da personalidade. Os democratas sempre serão a favor do dissenso.