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sábado, dezembro 31, 2016

NO FIM DAS CONTAS 2016 FOI UM BOM RECOMEÇO


Não este ano de 2016 não foi um ano comum. É o que constato ao tentar fazer um retrospecto, um balanço, mesmo que de leve, do que passamos, quando estamos a poucas horas de seu fim. É verdade que não despertava, desde seu início, muitas ilusões. Havia um governo, o de Dilma Roussef, desgovernado fazia tempo e a economia destroçada pelo populismo e a irresponsabilidade comandada apenas pelo desejo de poder. Não havia mais como Dilma se sustentar-isto era notório-mas, se esperava que o processo fosse menos traumático para se ter mais estabilidade. Não foi. Os governantes de plantão não queriam largar o osso, de jeito nenhum, e o que se viu foi a tentativa desesperada, inclusive de tentar criar um primeiro ministro por decreto, para manter o que era insustentável. Até o fim a expulsão de Dilma foi marcada pela chicana e o desrespeito à lei. A manutenção dos seus direitos foi o ápice da demonstração de que somente se importavam com eles mesmos e seus desejos de poder. E nem com o despejo se conseguiu ter, até o momento, a estabilidade desejada para se voltar a crescer.

Este ano também, com a Lava Jato, se chegou ao ponto máximo da tentativa de se descaracterizar a política, a democracia como única forma razoável de governo. A chamada “Delação do Fim do Mundo” é o termo final da chamada política petista de provar que “todo mundo é igual e corrupto”. Não é. Mesmo na corrupção há graus diferentes. A realidade é que não serve ao País, nem serve à boa política a divulgação de que todo mundo recebeu dinheiro para as eleições. A questão real é como veio o dinheiro? De onde saiu? Do governo, da Petrobras. Então, onde estão os que comandaram a corrupção que não aparecem? Estão se divulgando os beneficiários. Ou seja, estão cuidando dos efeitos. Não das causas. Não defendo quem pegou, mas, vamos começar por quem fez de fato a corrupção-isto é que é o correto. De qualquer forma, a grande realidade é que o País avança. Chegamos ao fim do ano com a inflação sendo controlada, os juros tendendo a baixar e a economia a crescer. Toda reconstrução é sempre mais difícil. Mas, quando olhamos para este ano, embora fique nos devendo mais, contudo, é um bom recomeço, com todos os problemas que tivemos. E Viva 2017! Que nossas esperanças se consolidem para termos um futuro melhor. 

quinta-feira, dezembro 29, 2016

A MAIOR DÍVIDA DO GOVERNO TEMER


Há os que, e são tanto as viúvas do antigo regime sindicalista, como os esquerdistas de plantão, que não dão crédito nenhum ao governo de Michel Temer. Estes somente querem por Temer para fora. Mas, existe a grande massa dos brasileiros que, evidentemente, não tem nenhuma adoração por Temer, porém, entendem que seu governo é o mal menor; que fosse quem fosse colocado, pegaria uma situação muito difícil de administrar, que teria que tomar medidas duras e tentar consertar a maior recessão já herdada de um governo, esta sim, uma herança maldita.
Não é fácil se sair bem numa situação assim, mas, Temer tem sido habilidoso. Claro que não pode ser, nem de longe, o santo que exigem dele, nem o diabo como o pintam. Mas, tem a seu favor que tem procurado tomar as medidas necessárias, ajustar as contas públicas e retomar o crescimento. Neste ponto é que reside sua maior dívida. Entre as medidas que tem tomado muito pouco fez em relação à burocracia. E a burocracia no Brasil é uma praga histórica herdada dos tempos da Colônia da qual nunca nos livramos. Só lembro de um esforço sério do ministro Hélio Beltrão.
A burocracia brasileira é o maior exemplo do processo de Kafka, o escritor. No Brasil existe complexidade para tudo, inclusive para pagar tributos. E o que dizer de empreender? De abrir uma firma? O brasileiro tem uma tendência sim de ser empreendedor, até por necessidade, mas, é sufocado por processos desnecessariamente complicados e demorados. A burocracia brasileira é um imenso buraco negro criado por uma legislação cruel, adminstrada com rigor por abnegados funcionários públicos e privados, em que não se leva em conta os interesses dos contribuintes ou clientes, mas, sim a lei do esforço mínimo, da falta de zelo e da acomodação. Veja o exemplo do imposto de renda. Já é um absurdo ter que se declarar para pagar, pois, é do governo a obrigação de buscar as informações. O pior é que, para se ter acesso a um documento de pagamento, é preciso dar o número do CPF, fazer uma senha, gerar um código que requer os números dos recibos dos dois últimos anos, ou seja, não se leva em conta as dificuldades, nem o tempo das pessoas. Mas, apesar desses supostos cuidados, os dados dos contribuintes vazam...E, muitas vezes, não se consegue pagar o imposto em dia por falta de acesso. E não é só no setor público. Um grande banco, quando se perde ou esquece a senha, não tem jeito de criar uma nova. Só é feita na matriz. Ou seja, é possível se passar vários dias sem ter acesso a sua conta, com seu dinheiro inacessível, por injunções burocráticas. Nem vou falar de reclamações, de telefones, de obter o crédito das milhas que se tem direito e, nem vamos falar do que é necessário para se obter um empréstimo. O mais irônico é que tantas exigências, tanto na esfera pública quanto na privada, surgem sob a desculpa de que são para dificultar as fraudes e os crimes. E, quando esses acontecem, o que se sabe é que, para os criminosos, as coisas correram com uma velocidade que nem se imaginava possível! Na verdade, o que se atesta é que, ao se presumir que todos, em princípio, são criminosos, a burocracia eleva o custo das transações exigindo de todos um preço alto em nome dos desonestos. É um preço alto e uma inversão dos valores democráticos. É claro que o “jeitinho brasileiro” nasceu disto. É tanta exigência que sempre se procura burlar. O Governo Federal precisa, na medida em que não há, no curto prazo, meios de diminuir os impostos, nem baixar o desemprego e os juros, pelo menos, atacar a burocracia para melhorar o ambiente dos negócios. Esta é, hoje, a grande dívida do governo de Temer.


Ilustação: Alec. 

sexta-feira, dezembro 09, 2016

A INEVITÁVEL DUREZA DA RESPONSABILIDADE FISCAL


O debate sobre a atual situação política brasileira é muito pobre. E estamos presos num círculo vicioso. É pobre porque carece de qualidade nas pessoas que compõem o parlamento, mas, é mais pobre ainda por causa das pessoas que também estão fora dele, de muitos que opinam, e não estão preparados nem entendem o mínimo sobre as necessidades do país. Infelizmente, o Brasil é um país desigual. E desigual em todos os sentidos não apenas da riqueza econômica. Devo dizer que me assusta muito mais a desigualdade da educação que elevou a postos básicos das instituições pessoas sem nenhum preparo, sem nenhuma noção da complexidade que está envolvida nos processos sociais. E pior, como não compreendem a complexidade, resumem-se a colocar a culpa nos outros seja FHC, seja o capitalismo, seja Temer ou qualquer um que possa virar um ser maligno para as massas. Assusto-me com pessoas que pensam que pensam; que confundem as ideias amparados pelo que Marx chamaria, sem dó nem piedade, de marxismo vulgar. A falsa noção de que pensam que falam e lutam pelos pobres, pelos despossuídos. Ou, mais grave ainda, de que bradar chavões em nome dos pobres os fazem donos da verdade e capazes de melhorar a vida de quem quer que seja. 
Se, como é fácil de perceber, o problema brasileiro se encontra no histórico de desigualdades sociais que possui, e nem mesmo com programas governamentais têm sido superados, é preciso compreender a razão pela qual o Brasil não atinge altos níveis de desenvolvimento. E, neste sentido, ao contrário do que pregam as esquerdas, não é por não preencher eficazmente as necessidades sociais de sua população. Aliás, se é verdade que tivemos, no regime militar, uma visão de desenvolvimento restrita, no sentido de Amartya Sem, que ressaltavam o aspecto econômico, como a produção, o nível de consumo e a tecnologia, com o pensamento de que o desenvolvimento  aparecesse como consequência do desenvolvimento econômico, nós, depois com o PT, passamos pelo dissabor de provar a concepção de não ser possível também se desenvolver via estado assistencialista e corporativista, nem mesmo amparado no marketing do atendimento ao “pobrezinho”.
Todos os especialistas em desenvolvimento sabem que não se faz desenvolvimento sem um governo com as contas equilibradas, sem instituições que funcionem, sem estabilidade para o mercado e para os negócios, sem empreendedorismo e sem educação. É verdade que a qualidade de vida e a inclusão social são alavancas do desenvolvimento, porém, o indivíduo, a livre iniciativa é sua base. Por esta razão, os que, hoje, se levantam, contra o ajuste das contas públicas, muitos pensando que estão na vanguarda de dias melhores, são, efetivamente, a massa de manobra dos aproveitadores e míopes que não veem que o mundo mudou. Não existe mais dicotomia entre sociedade de mercado e estatismo. Todo estatismo, comprovadamente, é uma forma disfarçada de ditadura. E  quem acha que é possível um mundo fora do capitalismo, pelo menos nos próximos cem anos,  ou quer se dar bem ou precisa rever o que anda bebendo ou cheirando. Sonhar é bom, mas, é preciso enfrentar a realidade de que, depois da farra de consumo e a utopia dos últimos treze anos, é preciso fazer o dever de casa. E o essencial dele é ter responsabilidade fiscal. Quem deseja um futuro melhor, e luta contra, está dando um tiro no pé. Não existe exemplo de país que cresça e se desenvolva sem as contas públicas equilibradas. Ser contra isto-independente de ideologia- só comprova a mais completa falta da mínima formação econômica.


quarta-feira, novembro 30, 2016

UMA RELAÇÃO COMERCIAL MUITO DELICADA


As relações do Brasil com a China terão, a partir de agora, uma dura prova. É que, na atualidade, 80% das medidas antidumping do Brasil são contra a China mesmo este país sendo o maior importador de bens brasileiros. Acontece que, como a adesão de Pequim à Organização Mundial do Comércio (OMC) e ao sistema multilateral do comércio, foi realizada em 2001, agora, o processo, previsto para durar 15 anos, termina no próximo dia 11 de dezembro. Até então, um país que se considerasse afetado por um dumping de produtos chineses pode aplicar uma taxa extra cobrada nos portos contra o bem importado e se utilizava como parâmetro os preços praticados dos produtos de outras partes do mundo para demonstrar que os chineses estavam agindo de forma desleal.
No entanto, a partir do dia 11, a China já sinalizou que espera que esta regra mude e que os governos apenas comparem os preços chineses com outros do mesmo país. Na prática, impor uma barreira ficará mais difícil. E, mais do que isto, os chineses pretendem que todos os seus parceiros comerciais o tratem como qualquer outro, o que significa menos chances de se adotar barreiras comerciais. E, para tornar a questão mais complicada, os diplomatas chineses já deixaram claro esperar do Brasil uma posição de "aliado", principalmente diante dos compromissos assumidos por ambos no Brics. Em suma: a China está pressiona o governo brasileiro para que passe a tratar suas importações como faz com o resto do mundo e a considerar o país como economia de mercado. E isto já tem sido tema de reuniões ocorridas em Pequim e em Brasília. O certo é que os chineses já avisaram que não vão aceitar mais que seus produtos enfrentem determinadas barreiras.
E aí que o bicho pega. Afinal já no ano passado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI)  avisou ao governo que não se poderia mudar o  tratamento dado aos chineses sob pena da indústria nacional, que não peca por bons resultados, ficar numa posição mais difícil ainda para competir com as importações chinesas. A posição do governo brasileiro, até porque a exportação para a China, e a necessidade de obter seus investimentos, é fundamental, tem sido ambígua. Por um lado, o ministro de Indústria e Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, afirma que vai cumprir os compromissos com os órgãos internacionais, mas, mesmo afirmando que o setor industrial brasileiro está se adaptando às mudanças, diz, aos setores industriais, que estão avaliando novos mecanismos de proteção que terão de ser criados. É o que se chama de um abacaxi diplomático. E daqueles acrianos, bem grande mesmo.



quinta-feira, novembro 24, 2016

A NECESSIDADE DE UMA POLÍTICA DE ENERGIA SOLAR


É, de certa forma, um feito e, visto por outro ângulo, uma grande contradição, que a Alemanha seja o país com maior capacidade de potência fotovoltaica,  conversão da energia do sol em eletricidade, instalada no mundo. Lá, que não é um país igual ao nosso, que se destaca pelo sol, os painéis fotovoltaicos estão espalhados por toda parte. Em média por ano, a Alemanha consegue suprir mais de 20% das suas necessidades de eletricidade por produção fotovoltaica.
Há razões sólidas para isto. Em primeiro lugar os alemães, o que inclui, políticos e empresários, compreendem a importância de produzir energia limpa e de reduzir as emissões de CO2, bem como o desastre da Usina Nuclear de Fukushima, no Japão, o país resolveu encerrar as atividades de suas centrais nucleares, e acelerou o interesse pela produção de fontes renováveis, em especial pela energia do sol. Desde 2.000, o governo oferece subsídios para quem quer instalar placas. E quem paga a conta dos subsídios? Uma sobretaxa na conta de luz de quem não usa energia limpa. Assim o cidadão que gera sua própria eletricidade, além de economizar, ainda vende o excedente para os vizinhos a preços competitivos.  Lá deram ao programa o nome de energiewende (guinada da energia), conjunto de ações do governo para reduzir emissões. Com isto o país a aumentou em mais de 300 vezes sua geração de energia solar em cerca de 10 anos e se tornou líder global no quesito-o país possui 36% de todas as placas fotovoltaicas em operação no mundo.

Como se sabe está se tornando cada vez mais fácil instalar este tipo de energia. Mesmo no Brasil já é possível ver painéis solares fotovoltaicos, que são dispositivos compostos por células solares, que captam a luz solar e convertem a energia do sol em eletricidade, instalados em quaisquer superfícies livres como telhados, fachadas e coberturas de estacionamentos. A captação da energia solar vem se tornando cada vez mais viável devido ao aumento da produção mundial desses equipamentos que produzem energia limpa e renovável. O Brasil possui um enorme potencial fotovoltaico. Basta verificar que, onde temos menos sol, o pior grau de irradiação é 40% superior ao melhor local de irradiação da Alemanha. Além disto, nosso país lidera o mercado de exportação de quartzo em pedra, insumo do silício, elemento principal para a produção de painéis fotovoltaicos. Agora isto não avança sem a adesão popular. Sem que as pessoas entendam que o investimento inicial é, relativamente, mais alto, porém, é muito mais rentável ao longo do tempo. O Brasil, os governos estaduais e municipais, precisam adotar a ideia de investir em energia solar. Na Alemanha, no ano passado, foram gastos US$ 17 bilhões com energia limpa. Suja, ela custaria menos da metade, mas, se estima que, se paga muito mais no longo prazo. Nós, de uma forma geral, precisamos nos conscientizar da importância de gerar energia solar. Os governos precisam imitar o da Alemanha incentivando a energia solar num país que é talhado para isto. Sempre fui um entusiasta deste tipo de energia e fiquei muito contente que, aqui, em Rondônia, tenha surgido uma empresa, a Eletrowatt Solar, com o objetivo de suprir a necessidade de elaboração de projetos e instalação de sistemas voltaicos, atuando, de forma até agressiva, para mostrar que é uma boa forma de economizar e que se trata de um investimento melhor que poupança e CDI. É um sinal de que Rondônia, como em muitos outros campos, possui uma tendência inata a inovar e servir de exemplo para os outros estados. Energia solar é, sem dúvida, um campo onde vale a pena investir. E o Brasil precisa que, no curto prazo, os governos, os empresários e a população invistam neste tipo de energia limpa no qual já deveríamos ter um desenvolvimento muito maior. 

Ilustração: Projeto Fotovoltaico

quinta-feira, novembro 17, 2016

A RIQUEZA DO YOUTUBE


Qualquer discussão, no momento atual, sobre criatividade passa pelas mídias sócias e, por conseguinte, o YouTube ocupa uma posição privilegiada seja nos mercados de produção de mídia, seja no futuro da cultura digital. É verdade que, como o futuro está em formação e sempre nos surpreende, há a possibilidade de que, como outras mídias de sucesso, como já aconteceu no passado, surja algo totalmente inesperado e enterre sua importância, mas, aparentemente isto não aparece no horizonte visível.
A razão mais forte é a de que o YouTube tem crescido cada vez mais não somente na questão do consumo, mas, também como um espaço de produção e, mais ainda, como um espaço dinâmico de inovação e de entretenimento que incorpora, crescentemente, comunidades de fãs que não se importam com a lógica dos mercados de produção de mídia.  Isto colabora para que apresente uma imensa diversidade de narrativas tanto as mais sofisticadas, que não somente recompensam a atenção como acabam se tornando virais, como mesmo aquelas que, menos produzidas, apresentam algum aspecto peculiar que chamam a atenção, seja da massa do público, seja de públicos segmentados. Isto torna o YouTube, de certa forma, uma plataforma que atende a todos os usuários, a todos os gostos. Até mesmo a falta de uma classificação adequada, de títulos que enquadrem os vídeos, parece colaborar para que as audiências aumentem, pois, não existe um comportamento padrão nem desejado para as produções e audiências. Tanto se assiste o que se quer, como se posta o que se deseja. Assim o YouTube é usado de maneiras diferentes por consumidores diversos e surge como um modelo híbrido de cultura popular, por meio de sua produção amadora, de seu consumo criativo, mas, também permite que os profissionais a usem sem o menor problema e todos com satisfação de suas necessidades.

O que se percebe é que se trata de uma  plataforma que fornece acesso à cultura ao mesmo tempo que permite aos seus consumidores atuar como produtores E tal amplitude se transforma na grande riqueza do site que é uma fonte permanente de diversidade ao alcance  de todos ou quase todos. Por esta razão também o YouTube já tem seu lugar na história e, apesar do futuro incerto da mídia, da participação cultural e do conhecimento, enquanto as condições não mudarem, radicalmente, se não existirem grandes mudanças culturais e econômicas atreladas às tecnologias digitais, à internet e à participação mais direta dos consumidores, não é difícil prever que continuará sendo uma das mais importantes mídias sociais do mundo moderno. 

segunda-feira, novembro 14, 2016

YOUTUBE, UM DOS MARCOS DA REVOLUÇÃO DIGITAL


Não sou um especialista em mídia. Sou, na verdade, um curioso. E um curioso, muitas vezes, vencido por uma indomável preguiça. É, por tal razão, que somente, agora, me ocupo de tatear um pouco, fazer um pequeno esforço mental, sobre um indiscutível fenômeno de nossos tempos que é o YouTube. Claro que, episodicamente, já pensei a seu respeito. Afinal o YouTube faz parte do cotidiano das pessoas reais e dos diversos meios de comunicação e, como a globalização, queiramos, ou não, faz parte de nossas vidas.
Há uma tendência a se pensar o YouTube como  um depósito de vídeos, digamos assim, para situar melhor, de conteúdo intangível. Penso que é muito mais que isto. De fato, como a grande maioria das pessoas, não somente conheci o site de mídia social por meio de um vídeo e o uso, constantemente, para assistir vídeos, ou que me são enviados por e-mail, em geral por amigos, ou que, por acaso, encontro no FaceBook ou nos blogs em que clico, atrás de algum tipo de divertimento ou informação. Devo ter algumas gravações no YouTube, mas, não gravei nem pensei, até pouco tempo, em contribuir para o seu crescimento com uma produção própria.
Isto não significa desconhecer sua importância como um elemento essencial da comunicação moderna. Significa apenas que sou, até certo pouco, o que se chama de um BIOS-Bicho Ignorante de Sistemas Operacionais. O certo é que, apesar de um fã de cinema, de vídeos, um seguidor de séries, um curtidor de imagens, exceto com a fotografia, e, certamente, de uma forma sofrível, jamais consegui criar alguma coisa que, a meu ver, passe de amadora. É claro que os amadores possuem vez no YouTube (cães, gatos, pancadas e bêbados também), mas, me considero ridículo o suficiente para não acrescentar novos motivos para provocar sorrisos.
Quando penso no site o que me salta aos olhos é sua capacidade promocional. Ainda que os seus aspectos de relacionamento social não sejam poucos significativos. Mas, o que me espanta mesmo é que seja, como é, um dos maiores sintomas do que chamamos de cultura participativa. O Youtube, mais do que qualquer outro tipo de mídia social, me parece que gerou, inconscientemente mais para os usuários que as empresas, modificações nas relações de poder entre os segmentos de mercado da mídia e seus consumidores.  Mais que isto: abre um canal para, qualquer um participar ativamente da criação e circulação de novo conteúdos, o que produz novas configurações econômicas e culturais. Apesar de ser de uma empresa hoje (Google), no entanto, não deixa de ser um site incômodo e contestador (até hoje não gerou lucro), o que lhe dá aspectos potencialmente libertários. Nos debates que se travam a seu respeito ninguém sabe para onde vai, porém, não se pode negar que, cada vez mais cresce de importância, e é um difusor notável do que se chama de cultura popular. Pode-se discutir o seu valor, e até a legitimidade de certos sucessos que produz, todavia, impossível negar que, como o mundo moderno, se nos causa mal estar é devido à sua diversidade e fragmentação. Isto é ruim ou é bom? Fico com Einstein.


sexta-feira, novembro 11, 2016

ACRIÂNIA, A REVOLUÇÃO ACREANA SOB UMA PERSPECTIVA ATUAL


Li, por problemas de tempo, em duas partes, mas, com sofreguidão o livro de Emanuel Pontes Pinto, “Acriânia-A Revolução do Acre e a Ferrovia Madeira-Mamoré”, que tem como tema norteador a Rebelião Acreana, ocorrida na região dos rios Purus e Acre, entre o final do século XIX e início do século XX, que foi essencial na formação de Rondônia e do Acre, bem como a foram como foram resolvidos os conflitos de fronteira entre Brasil e Bolívia. Pontes Pinto, com clareza e metodologia, foi buscar no desconhecimento do território, que portugueses e espanhóis julgavam-se no direito de possuir, as razões que acirraram uma questão que teve muito mais de econômica, na medida em que o fator real foi mesmo a riqueza derivada da borracha, e os interesses que, de fato, ultrapassavam a região e iam encontrar sua gênese em especial nos interesses norte-americanos.
O livro de Emanuel Pontes Pinto, ao tratar de um tema por tantos já tratado, consegue ser uma bela obra histórica por, graças a uma boa pesquisa e ao conhecimento prático e cultural do Autor, inovar no seu conteúdo pela visão moderna e escorreita que, ao se livrar de fardos meramente factuais ou discussões paralelas, constrói uma história de carne e osso, de coerência que, para a leitura, é, acima de tudo, clara, agradável, fiel aos fatos relatados e de fácil compreensão mesmo para quem não tenha um conhecimento anterior sobre a questão.
É uma excelente retrospectiva histórica que revela o que é essencial: a região se tornou brasileira graças aos nordestinos que migraram para a Amazônia, viraram extratores de látex da seringueira, se estabeleceram nos vales do altos rios Purus, Acre, Juruá e Javari, que, antes eram desabitados, estabelecendo a posse brasileira da região. Ainda que o  governo da Bolívia tenha enviado expedições militares contra a revolta acreana, e até mesmo o governo brasileiro não tenha dado apoio aos brasileiros na região, seria uma anomalia submeter toda uma população nacional aos ditames de um exército estrangeiro, pois, povo boliviano, de fato, não havia na região. Aliás, bolivianos existiam mais, abrasileirados, em territórios reconhecidos como brasileiros, como do Estado do Mato Grosso, e estabelecidos como donos de grandes seringais.
De qualquer forma, e de uma forma civilizada, a possibilidade de um conflito, meramente por interesses financeiros externos, foi pacificada com a assinatura do Tratado de Petrópolis, em novembro de 1903, pelo Brasil e a Bolívia. A construção da ferrovia Madeira-Mamoré, no período de 1907 a 1912,  originando Porto Velho e Guajará Mirim, uma consequência não esperada dos fatos anteriores. Uma felicidade para nós, brasileiros, que, hoje, vivemos na área.
O fato é que no seu livro “Acriânia”, Pontes Pinto, esclarece com a competência de historiador, os interesses políticos e econômicos europeus que determinaram uma parte importante de nossa história e enriquece, o acervo de produções sobre a Amazônia com uma visão que, não sendo nova, é frutífera em abrir uma caminho vasto para que outros também olhem com um olhar diferente a história renovando os fatos e atualizando a escrita que, no caso dele, é da melhor qualidade. Quem se interessa pela Amazônia não pode deixar de ler.



quarta-feira, novembro 09, 2016

REDES SOCIAIS E SEUS RISCOS PARA AS EMPRESAS


Que tudo muda não há dúvida. Heráclito de Éfeso, ainda nos primórdios gregos, já afirmava que “Nada é permanente, exceto a mudança”. Porém, ao que parece, a mudança, nos últimos tempos, ganhou o ritmo alucinante da rapidez, da instantaneidade, do on-line permanente. Antigamente ainda cabia a pergunta: mudou o mundo ou mudamos nós? Hoje, já se sabe, mesmo quando não se percebe, que mudou o mundo e mudamos nós. E, numa velocidade impressionante, desabam as tradições, mudam os hábitos e costumes. Basta olhar a internet e as redes sociais, que são, na realidade, a grande expressão desta mudança. Uma grande parte da vida moderna se processa, atualmente, nas redes sociais. Até coisas antes impensáveis, como namorar, noivar ou casar, já acontece por meio das redes sociais.
Também nos negócios esta nova realidade impactou de forma pesada. O uso das redes possibilita uma maior interação entre o empresário e o cliente, um alcance maior do público e possibilita a venda segmentada. Por um custo mínimo ou nenhum custo. Hoje se vende de tudo pela rede, desde bens duráveis, como imóveis, carros, passando por eletrodomésticos, computadores, móveis, até confecções, alimentos, bugigangas de todos os tipos. Tudo está disponível ao comprador a apenas um clique e, em muitos casos, com a comodidade da entrega em domicílio. Trata-se de uma realidade indiscutível que uma mídia publicada nas redes sociais pode alcançar maior número de pessoas do que uma propaganda veiculada na TV, por exemplo. Nas redes sociais se tornou possível lançar anúncios para públicos com faixas etárias e sexo específicos obtendo, muitas vezes,  ganhos elevados. Esta a razão pela qual empresas, sejam de grande, médio ou pequeno porte, investem no uso das redes sociais para anunciar a marca ou o produto e para ter um relacionamento maior com o cliente. Inclusive por ser mais barato que os meios publicitários veiculados em TV, rádio e outdoors, que demandam muito maiores investimentos.
As redes sociais como o Facebook, Instagram, WhatsApp, entre outros, são eficientes para possibilitar uma aproximação com os clientes sem tanto ônus ao anunciante. Todavia, tudo tem seu lado negativo. Nestes tempos de era digital, há muita portunidade de interagir e trocar informações rapidamente, é, se as redes sociais são um dos principais meios de comunicação e expressão de opinião, é imperioso que as empresas estejam atentas à sua imagem no universo virtual. E deve se cuidar tanto do público: interno (colaboradores) e externo (clientes). Neste sentido, as redes sociais exigem agilidade e prontidão, pois, os usuários da internet são imediatistas: exigem respostas rápidas. Portanto, para se posicionar bem nas redes sociais há sim um custo imprescindível que é o de ter  profissionais especializados, como social media ou assessor de comunicação e, não raro, quando se deseja ter página no Facebook uma, ou mais, pessoa encarregada exclusivamente de monitorar os comentários. As redes sociais, se bem utilizadas, não se enganem, são excelentes ferramentas de comunicação e de relacionamento com o cliente, todavia, podem ser eficientes tanto para o bem como para o mau. Como tudo muda é preciso estar atento às mudanças, principalmente, nas redes sociais. O que, às vezes, foi bom, ontem, pode ser um veneno, hoje. E um pesadelo quando a empresa se vê atingida por comentários negativos nas redes sociais e, algumas vezes, sem tomar conhecimento. O pesadelo é maior ainda quando os sites de reclamação, como o Reclame Aqui, passam a incluir o nome da empresa como fonte de reclamações. Por isto, mais do que nunca, ao se utilizar as redes sociais é preciso avaliar bem seus riscos.


Ilustração: Economia - Cultura Mix

sexta-feira, novembro 04, 2016

O mundo além do diploma


É um sintoma positivo verificar que milhares de jovens pelo Brasil afora se prepararam para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), uma prova que pode garantir a entrada deles na universidade. Mas, é preciso avaliar que, atualmente, muitos que conseguem seu diploma não encontram espaço no mercado, ao contrário do passado quando um diploma era garantia de emprego. Qual a razão? São muitas, porém, entre elas o fato de que significativa parte dos que ingressam na universidade buscam poucas áreas em geral relativas ao comércio, administração, ensino, direito, saúde e engenharia. E, mesmo que o país não estivesse em recessão, não haveria vagas para tantos formandos, principalmente, tendo em vista que com a multiplicação das instituições privadas, ao lado da maior oferta das bolsas do Prouni e do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), de 2000 a 2014, a quantidade de instituições de nível superior cresceu exponencialmente. Resultado: um aumento substancial de novos formandos, pois, de acordo com o Censo do Ensino Superior, em 2014, um milhão de pessoas saíram das salas de aula. Em 2004, eram apenas 630 mil.

Que fazer? Em primeiro lugar há de se realizar o combate a uma ideia elitista de que diploma seja sinal de status e dinheiro, que, hoje, é mais importante. Já se observa um deslocamento de pessoas que verificaram ser muito melhor e mais lucrativo, por exemplo, fazer cursos técnicos. É preciso desmistificar a ideia de que, obrigatoriamente, ter um diploma é a forma mais adequada para se melhorar de vida. Talvez isto seja mais fácil de se verificar, por exemplo, com o curso de administração que, em 2014, correspondia a 30% dos concluintes. Ora, é impossível acreditar que existiriam empresas suficientes para oferecer vagas para todos. É claro que muitos acabam em subempregos. Mas, o caminho das universidades deve ser o de oferecer outras alternativas com o de, no decorrer do curso, pregar para os alunos o empreendedorismo. Pessoas com nível superior possuem muito mais condições de criar novos negócios e se, muitas vezes, não o fazem é por não serem preparadas para este fim. Também a universidade precisa diversificar seus cursos, oferecer novas oportunidades fora das áreas tradicionais. Hoje é comprovado que o número total de graduados de muitos cursos é superior ao que o mercado pode suportar. É preciso que as instituições de nível superior inovem, porém, o próprio aluno pode começar a buscar alternativas identificando áreas de interesse que, nem sempre, passarão pela graduação. E, se houver, certeza da escolha, da identificação, não é difícil de lembrar do caso de Bill Gates que largou a escola para se transformar no mito em que se transformou. Diploma, agora, mais do nunca, não é tudo. 

segunda-feira, outubro 31, 2016

YES, NÓS TEMOS SALVAÇÃO


Nós, brasileiros, somos um povo inculto e belo. Até já pensamos, criamos a ilusão, recentemente, de ter futuro sem trabalhar, de ter direitos sem ter deveres, a versão tupiniquim de um paraíso lulista, um líder de sindicato que sempre pensou ser legal viver às custas dos outros. Mas, está longe de mim desejar criticar Lula, agora, quando começa a enfrentar seu inferno astral. Meu tema é a dificuldade do país avançar com o arremedo de democracia que criamos, com o nível de educação que tem a nossa população, de vez que a grande verdade é que nossos políticos-por mais que se reclamem deles- reflete, como uma amostra de qualidade, aliás, o nível de nossa cultura.
As eleições municipais, neste momento, refletirão isto. Tivemos que escolher entre candidatos que, em sua grande maioria, não representam nossos anseios. E, muito pior, no meio de uma disputa que aparentou ser mais uma batalha de lama do que uma disputa de propostas. Não estou desejando julgar ninguém. Nem, como podem pensar alguns, a questão se resuma a Porto Velho, embora também se inclua no mesmo balaio. A definitiva sentença dessas eleições foi dada pela quantidade imensa, em todo o país, dos votos invalidados. Trata-se, como se verificou, de um fenômeno nacional. Há um descompasso imenso entre o que se deseja e o que nos é oferecido. Ainda hoje fui abordado por um jornalista que me colocou entre a cruz e a espada em relação ao futuro pleito para presidente ao perguntar se seria Ciro Gomes ou Bolsonaro! Não me deixem em tal situação que me considero incapaz de ter uma resposta sequer razoável. Cada um, como diz a canção popular, “sabe a dor e a delícia de ser o que é”, porém, um dos requisitos que considero essenciais para se exercer liderança é a maturidade, o que não vejo nos nomes citados. E a conversa me deixou, efetivamente, preocupado com os rumos futuros do país.

Consolei-me ao pensar na sociedade norte-americana onde há um Bob Dylan que recusa o Nobel que lhe é dado de modo muito duvidoso. Ele, um sábio, nem se deu ao trabalho de recusar formalmente. Mas, os norte-americanos conquistaram muito mais este prêmio do que qualquer outro país. E em setores muito mais significativos como física, química, medicina. Como em muitas outras coisas dão um banho, pois, se somar os cinco países que vem depois (Reino Unido, Alemanha, França, Suécia e Rússia) eles conquistaram mais Nobel do que todos juntos. Não por acaso. Não só possuem a primeira universidade do mundo, Harvard, como mais 12 entre as quinze classificadas como melhores. E são inventivos, competitivos, com instituições consolidadas. O que me consola diante disto? Estão escolhendo entre Hillary Clinton e Donald Trump. Ou seja, se eles que já amadureceram, já educaram uma grande parte de sua sociedade estão num dilema como este, então, nós temos salvação sim. Volto a acreditar, com toda a mediocridade, que Darcy Ribeiro tem razão: somos a Roma do futuro. Claro que uma Roma que acontece uma segunda vez dará razão à Marx. O Brasil, no entanto, jamais esquecerá De Gaulle. 

Ilustração: Forbes. 

quarta-feira, setembro 28, 2016

UM SAMBA ENREDO DE VILA ISABEL



Quando se fala de escola de samba no Rio de Janeiro, embora existam muitas escolas maravilhosas, há algumas que são como os grandes clássicos ou os grandes times: por mais que não tenha a glória de outrora continuam lendários. Não escondo que, por razões históricas e sentimentais, Mangueira, Portela e Vila Isabel se inserem, para mim, na ordem das grandezas incomensuráveis. Suas cores, a beleza dos seus desfiles, o som, a dança, o samba e a história falam por si só. Dão a tais escolas uma aura que poetiza o seu entorno. E, por mais que digam que o carnaval de hoje já não é mais o mesmo, devo dizer que isto não importa. Ainda há vida nas quadras, nas rodas de sambas e mesmo nas disputas dos sambas enredos.
E sinto este frescor e esta vida quando, como agora, uma profusão de sambas enredos disputam a oportunidade de serem escolhidos para o desfile das escolas. Em particular, por amizade, me importo muito com o desfecho da escolha do samba de Vila Isabel. Lá um dos sambas, que tem como tema a cor do som, é o de Grande da Caneta que divide a autoria com Betinho Santana, Almeidinha, Malandro Maneiro e Ricardinho Professor, os dois últimos que são os interpretes. Como acontece com os sambas enredos atuais a música é bem melhor do que a letra, embora muito bem adaptada, e gosto muito do refrão que diz:
“A Vila é raça, é amor pra vida inteira/ o som da cor que faz o corpo balançar/ A negritude que orgulha a sua tez/ vem kizombar outra vez!”
A kizomba é um estilo musical e de dança africana, que surgiu, em Angola, a partir da fusão do semba, do zouk e de outros gêneros estrangeiros, como o merengue e algumas baladas da Música Popular Brasileira (MPB). A palavra, porém, que se originou a partir do kinbundo - língua africana que ainda é falada na Angola, ajudou a construir algumas expressões e termos brasileiros com o significado de "exaltação do povo", como forma de celebrar a vida e a libertação dos escravos africanos. Kizombar é um aproveitamento, como fazem muitos compositores, de palavras que nem sempre são correntes. Mas, corrente mesmo é a paixão pelas escolas, as disputas que marcam a escolha dos sambas enredos. Torço pela vitória deste samba enredo de Vila Isabel. Não poderei, ir as quadras para assistir, como em anos passados, o processo de seleção, mas, gostaria muito de poder “kizombar outra vez” no carnaval de 2017 com o samba de Grande Caneta e parceria. Quem sabe? De qualquer forma para quem quiser sentir um gostinho do samba enredo postei no Jornal Diz Persivo (http://persivo.blogspot.com.br/). É uma forma de, mesmo distante, dizer para os amigos de Vila Isabel que estão no meu coração e lembrança.



sexta-feira, setembro 23, 2016

STARUP DAY SEBRAE: UM EVENTO INOVADOR E NECESSÁRIO


Sem dúvida foi uma excelente iniciativa do Sebrae a realização do Sebrae Startup Day, evento realizado, no dia último dia 22 de setembro, com a participação de 48 cidades de todo o Brasil com o objetivo, além de fomentar o ecossistema inovador brasileiro, apresentar a experiência Sebrae Like a Boss de atendimento às startups nos estados. Em Porto Velho o evento aconteceu no 2º piso do Porto Velho Shopping e foi um grande sucesso. O evento proporcionou a oportunidade de troca de experiências (palestras, debates, encontros, hangouts) e atividades práticas (workshops, oficinas, treinamentos), e até de meetups com os principais atores do ecossistema para networking.

Vale ressaltar que, ao nosso ver, faltou, pelo menos em Porto Velho, o que pode perfeitamente ser corrigido em outras oportunidades, uma maior integração com as instituições de nível superior. É fundamental que se desperte, em especial nos universitários, a ideia da necessidade do empreendedorismo,  de passarmos da fase em que o jovem se prepara para obter um emprego para que crie suas próprias oportunidades. Neste sentido é indispensável acentuar que o termo “starup” foi utilizado na bolha da Internet, entre 1996 e 2001, para denominar um grupo de pessoas trabalhando com uma ideia diferente que poderia fazer dinheiro.
Além disto, startup sempre foi sinônimo de começar uma empresa e fazê-la funcionar. No fundo, a definição mais exata é a de que startup é um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza. Subjacente a isto também existe a ideia de que se trata de uma empresa com custos de manutenção muito baixos, mas, com possibilidade de  crescer rapidamente e gerar lucros cada vez maiores. Há, como se observa, sempre a incerteza, ou seja, não há como afirmar se a ideia e/ou projeto de empresa irão dar certo ou ao se provar sustentáveis. O que é muito importante, por isto o evento é inovador, é a propagação da necessidade do empreendedorismo, como forma de melhorar a vida do país, e, principalmente, entre os jovens, bem como buscar modelos de negócios. Que iniciativas como estas se reproduzam em prol de um país melhor.  

quarta-feira, setembro 14, 2016

UM BELO LIVRO DE RECUPERAÇÃO DA NOSSA HISTÓRIA


O livro “A Cidade Que Não Existe Mais” da Editora Temática, de Júlio Olivar, é, sem dúvida, um livro muito fácil e agradável de ler. Que não se pense, porém, que o fato de ser simples, e leve, indique falta de conteúdo e de complexidade. Efetivamente, é um livro rico de informações e de indagações na medida em que, embora alegue ser a visão de história de um jornalista, não deixa de ser um grande livro de história. Existem vários fatores que comprovam isto. Em primeiro lugar o próprio tema. Santo Antônio do Rio Madeira, de fato, não morreu e sim ampliou-se em Porto Velho e, ao escavar o passado, Olivar mostra que, de certa forma, este continua a repetir-se. Somos, como no passado, ainda o fim do mundo, os sertões, o lugar da desarrumação, da violência e do aventureirismo, mas, nem por isto também isento de poesia e de beleza. 
Em segundo lugar, o livro recupera, moderniza digamos assim, informações preciosas sobre a história de Porto Velho e, por extensão, do Mato Grosso  e do Amazonas. Desfilam vultos cuja grandeza é inconteste, no entanto, despidos do manto mítico que o tempo costuma dar, como foram os casos de Costa Marques, Joaquim Augusto Tanajura, Aluízio Ferreira, Mário de Andrade, Major Amarante, Aureo Melo só para citar alguns. Em terceiro lugar, para não alongar mais a lista de motivos, examinando os fatos sem a determinação de ser juiz, Olivar abre espaço para novas abordagens, ao deixar em aberto episódios e versões sobre um passado já não tão recente, mas, sem tantos intelectuais, historiadores e escritores que tenham se debruçado na busca de iluminar a história e não apenas de repetir as lendas.  
Para quem, como nós, portovelhenses, nativos ou adotados, que estamos permeados pelos eflúvios da história de Santo Antônio, somente as fotos existentes reunidas já dariam um valor inestimável ao livro, todavia, a visão que nos oferece do passado é um excelente retrato para nos lembrar que temos sim uma história, uma grande história. O que precisamos, e muito, são de pessoas que, como Julio Olivar, se disponham a fazer, como fez, um verdadeiro trabalho de pesquisa para, ao recuperar o passado, buscar tornar o futuro diferente, de vez que a memória é a base cultural da grandeza de qualquer povo. E nós precisamos, mais do que nunca, cuidar da nossa memória. Precisamos de muito mais Júlios escrevendo sobre Rondônia.


domingo, agosto 28, 2016

SAUDOSISMO RONDONIENSE


Postaram, no Facebook, no grupo Saudosismo Portovelhense, o primeiro ônibus de linha a chegar em Guajará-Mirim, em 1967. Isto me levou a pensar como os ônibus mudaram. E os usos e costumes desde quando, em meados da década de 70, aportei em Porto Velho. Ainda se comia tartarugas no seu Amorim, na Pedro II. No fim da tarde, havia um tacacá no centro ou ainda se comia uma boa maniçoba. Nem falo de caranguejo ou de deliciosas tapiocas no café da manhã. Mas, é da vida, as coisas passam. Porto Velho possuía um bom carnaval, festas juninas maravilhosas, um ar provinciano e pacato que sumiu com o tempo.

Somem muitas coisas no tempo. O Luís Matos, um escritor de fatos e coisas do Guaporé, lembrava que sumiu o costume de dançar a “Desfeiteira”, dança típica do Vale do Guaporé ao som de acordeon, sanfona ou fole, qualquer nome que se queira dar, que podia ser acompanhada do pandeiro, se existisse, mas, invariavelmente, do bombo, um instrumento de percussão, feito artesanalmente de couro de viado retesado sobreposto a um pau oco de um metro. Um instrumento rústico de bom som, porém, de poucas notas, daí o som monótono e repetitivo, o mesmo tra-lá-lá sempre. Que era animado era. A diferença da dança consistia em que, quando o sanfoneiro parava, o par que se encontrasse na sua frente tinha obrigação de dizer um verso alto para todo mundo ouvir. Muitas vezes os versos que saíam eram irreverentes e havia pares que fugiam, mas, o sanfoneiro ia atrás para obrigar todos a declamar um verso. Muitos eram jocosos e, mesmo os imorais, eram de uma imoralidade implícita. Também sumiu o costume denominado “saca-borracho” (tira bêbado) que era o de, logo ao começar o baile, o dono da casa apresentar uma criança de colo como autoridade máxima. Se alguém se excedia na cachaça, logo aparecia o pai com a criança e o mandava dormir. Ia compulsoriamente, sem reclamações. Outro costume que desapareceu foi a  parte do chapéu, que era um baile onde um dos dançantes aparecia com um chapéu e dançando colocava na cabeça do outro. Que procurava se livrar rápido, pois, se a parte terminava, a música parava, quem estava com o chapéu na cabeça pagava um litro de vinho para as damas. São costumes que se perderam no tempo. Como o famoso “Bloco da Cobra” são só saudosismo rondoniense. 

sábado, agosto 27, 2016

As amizades verdadeiras ultrapassam o tempo



DE AMIZADES, SAMAUMEIRAS E FÉ

“A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro” (Platão).


Ter amigos é uma dádiva. Para lembrar que as amizades são raras um dos consensos que existe é de que os verdadeiros amigos se contam na ponta dos dedos. Também se afirma que a verdadeira amizade, como o verdadeiro amor, resiste à distância, ao tempo, as dificuldades e aos dissabores. Mas, como as plantas devem ser regadas. E, toda esta introdução, é apenas para poder falar de uma bela amizade que une duas grandes figuras da Amazônia por décadas: Euro Tourinho e Almino Affonso.
Iniciada nos velhos tempos de Porto Velho, quando ainda eram crianças, ambos, são grandes cultivadores de amigos, tanto que possuem mais amigos do que o normal, porém, jamais, entre eles, deixaram de estar presente por uma carta, no passado, por um e-mail, no presente, pelo envio de um convite ou de um livro ou ainda a lembrança de uma data importante. E isto fica mais uma vez comprovado quando, depois de Euro ter sido homenageado com no lançamento do livro “Euro Tourinho, a Samaúma da Imprensa Amazônica”, Almino Affonso, que não teve como vir, gentilmente envia um bilhete para Euro com as seguintes palavras:

“Caríssimo amigo:

Na singeleza desse soneto, escrito em Porto Velho nas férias de 1948, eu já previa o teu destino de ‘Samaúma’.

Grande Abraço
Almino Affonso

E anexo o soneto agora transcrito:

SAMAUMEIRA
                                              Para Euro Tourinho
Samaumeira! Lianas e flores, em festa,
Descem da copa imensa que a amplidão fareja...
E o sol, em sangue e ouro, portentoso beija
A soberana-graça e força- da floresta.
Mas, quando, em transe, o vento sopra as tempestades,
E lhe fere, zimbrando, a colossal umbela,
Luta, esbraveja, cai...grandiosamente bela,
Porém, jamais se curva como os vis covardes!
Golpeada, ainda assim, vai soltando as sementes,
Louros, plumeos casulos, livres e frementes,
Que se livram e vão nascer léguas além...
Atenta: se algum dia na vida fraquejares,
Não importa....do amanhã na vastidão dos ares,
Na força de tua fé reviverás também!


Como se observa todas as grandes árvores, como as grandes personalidades, não desconhecem que viver é lutar e, para lutar o bom combate, é preciso ter fé. 

quarta-feira, agosto 10, 2016

EXPLICAÇÃO UM POUCO DESNECESSÁRIA


Embora tenha explicado no próprio livro, no entanto, sei que, muitas pessoas, não terão acesso a ele, bem, como até mesmo alguns que terão, não possuem paciência para ler mais do que algumas linhas, e, tenho me deparado, invariavelmente, com a pergunta que não quer calar: por que resolvi escrever um livro a respeito do jornalista e diretor do Alto Madeira Euro Tourinho?  Há uma, e só uma resposta clara para mim, realizei, mesmo que, tardiamente, o desejo de um amigo que me foi muito caro, o também jornalista Sued Pinheiro.
Foi Sued quem, por inúmeras vezes, me chacoalhava e me cobrava “-Vamos escrever um livro sobre ‘seu’ Euro”. Devo dizer que, no começo, a ideia me parecia pouco atraente. Não pelo Euro, que é uma pessoa querida, amável, porém, devo confessar que sou um preguiçoso nato e, para me dedicar a pesquisar alguma coisa é preciso ter paixão. No caso, não nego meus pecados, também pensava que, como havia sido nosso chefe de jornal, poderia parecer algo com certa aura de bajulação. Ele, porém, não desistia e, sempre que possível, não só voltava a tocar no assunto, bem como me admoestava sobre a necessidade de homenagear as pessoas em vida. Sempre, com um certo descaso, afirmava que, nós é que deveríamos ter cuidado, pois, Euro Tourinho, certamente, assistiria muitos de nós partirmos antes. Só não contava que Sued fosse um dos que partiram e tão cedo. Com a sua morte, que me deixou, uns três meses, consternado, e até, em alguns momentos, sem crer, ou crendo que era ele que batia, como muitas vezes fez, na porta de minha casa, reformulei meus conceitos.

E entre as decisões da mudança decidi que, pelo menos, no caso de Euro, não cometeria o erro de não homenageá-lo em vida. De fato o livro “Euro Tourinho, a Samaúma da Imprensa Amazônica” é uma homenagem, que é mais do Sued do que minha, ao nosso querido diretor. E, ao contrário do que pensava, a tarefa foi prazerosa, de vez que não apenas nos aproximamos mais, como procurei tornar o livro como Euro é: leve, divertido, tentando fazer um relato de partes de uma vida de um homem sábio. Devo dizer que, no fim, o livro ficou muito aquém do homenageado, mas, tenho um grande orgulho e o prazer de ter feito. Afinal me associei, por vias tortas, a um homem que é uma lenda viva. E que ainda por muito tempo há de servir de exemplo de pessoa humana, de simplicidade e de ser o que é: uma pessoa que procura sempre fazer as coisas que devem ser feitas e viver feliz. 

Foto: Rosinaldo Machado

terça-feira, julho 26, 2016

O DESAPEGO COMO UMA ARMA DA ARTE DE VIVER


Uma dúvida que sempre me assalta é a de que se, de fato, há evolução humana. A verdade é que gosto de viver e a vida, hoje em dia, neste século XXI, embora seja, sem dúvida, muito mais confortável, me parece também mais enganosa, mais difícil de se compreender e o Brasil, também os brasileiros que vivem aqui, e lá fora, me parecem cada vez mais selvagens e incompreensíveis. No geral, sinto, a contragosto, uma imbecilização em massa. Vide o recente episódio da Marcela Tavares em Nova York. Bem é possível que exista um stand-up que preste, mas, convenhamos, abrir um show de uma banda com um, já me parece uma insanidade. Outra, e nem preciso que todo mundo concorde, é mulher dizendo palavrão, mesmo o infantil de santificar os palcos. O problema maior é que, seja qual for a visão que se tenha da humorista, ela falou a pura verdade: o Brasil está mesmo insuportável. Aliás, não é o Brasil só. È o mundo. Ou será que todos pensam que o Donald Trump conseguiu garantir o número mínimo de delegados para ser candidato por estarmos perto de novos tempos?
Por todas essas coisas é que tenho tentado me desapegar de tudo. Tudo mesmo. Livros, papéis, escritos e poesias velhas. Móveis e utensílios nem falo mais. Conclui, depois de muito tempo de apego, que o desapego é, definitivamente, uma grande qualidade. É sempre mais fácil o desapego às coisas, mas, também, às vezes, é preciso, indispensável, o desapego com as pessoas. Isto sempre foi muito difícil. Diria que, mesmo impossível, para mim, mas, ultimamente, tenho pensado que é melhor, mais saudável, mais salutar ter menos pessoas, com mais tempo, com mais carinho, com mais amor e dedicação. E se preciso de uma prova escuto o bandolim do Lito Casara, o violão do Nicodemos, a voz do Caté e me regalo com o papo descontraído, líquido e prazeroso dos amigos, como o Marcus Vinicius, o Demétrio, o Gêgê, os Macaxeiras e alguns novos e instigantes, além de belos interiormente, como a Tamires e a Taina. Ter o prazer de conviver com pessoas novas e inteligentes é uma coisa que me faz crer no mundo e solidificar minha crença de que Marlon Brando não morreu. Quem amanteiga uma mulher como Maria Schneider sobrevive até mesmo ao último tango.
Talvez isto também provenha do fato de que alguns amigos, bons amigos, fizeram, creio que também sem meios de se contrapor, o dissabor de ir embora mais cedo. E a falta deles dói. Dói muito. Me consola o fato de que alguns me obedeçam e sigam a regra essencial que imponho aos amigos agora: a de não irem embora sem aviso prévio. Ainda assim a morte não respeita minhas regras e vai levando quem pode. Por tudo isto, como se sai desta vida como se entra, sem nada, liso e nu, estou exercitando a arte de rir até mesmo para saber deixar as coisas e as pessoas irem, quando não podem, não querem ou não podem mais ficar. Sempre dói, mas, é melhor se acostumar. Um dia como nos desapegamos deles, então, os que sobrarem se desapegarão de nós. A arte do desapego faz parte da arte de viver. Bem, vocês podem não compreender muito bem  a razão de ter escrito isto, porém, é parte de um processo que também não entendo, ou seja, está perfeitamente coerente com os nossos tempos.


Ilustração: www.viva50.com.br

segunda-feira, julho 04, 2016

No te vayas Lio


Devo dizer que não sou um dos maiores fãs de Messi. Não nego que seja um jogador excepcional, mas, de certa forma, ele é o Zico argentino. Explico: ele e Zico tem, em comum, o fato de serem sempre regulares e, em momentos decisivos, serem até mesmo excepcionais, porém, sempre jogam de forma quase burocrática. E sei que vou desagradar muito os rubro-negros, mas, na verdade, como Messi, Zico foi um jogador que se fez pelo esforço, pela disciplina e não seria quem foi, ambos, aliás, se não jogassem na equipe em que jogaram. A grande diferença, talvez seja, que Messi veio da escolinha do Barcelona e nela se moldou, enquanto Zico precisou sair do Flamengo para se transformar num atleta no verdadeiro sentido. Messi, é verdade, conseguiu muito mais dinheiro e sucesso. Porém, penso que Zico foi muito mais perfeito em chutar e, para desespero meu, que sempre fui vascaíno, chutava com perfeição de qualquer jeito. Costumo dizer que Zico foi um dos últimos grandes ídolos brasileiros que sabia os fundamentos do futebol. Hoje tão esquecidos, e até mesmo vilipendiados, pela falta de treino, de disciplina, de aplicação. Os jogadores de hoje, muito bem pagos, podem ver pelo que fazem, desaprenderam a arte de chutar, de cabecear e, muitos, de driblar para a frente. De serem mesmo craques. São muito mais celebridades que eficazes no campo.
Voltando, no entanto, ao prato principal. Messi desfruta com Zico o dissabor de, na seleção, não conseguir ser o que é no seu clube e, para piorar, ambos falharam em momentos decisivos. Não consola, mesmo para Messi, um batedor de recordes, ser a estrela principal do mundo e não conseguir ajudar seu país a conquistar títulos. É uma coisa de profissional, sim, reconhecer as dificuldades e chorar por não conseguir fazer o que se esperava dele. É um fato que o honra tanto ter chorado, como considerar, mesmo não sendo verdade, na medida que ainda tem muito o que dar, dizer que não jogava mais por sua seleção por se sentir insatisfeito com sua atuação. Foi uma demonstração de seu alto nível de cobrança pessoal e um comportamento que honra sua carreira e seu país. Messi comprovou ser um verdadeiro argentino com a grandeza de seu gesto. A inconformidade com os limites é digna dos grandes gênios.
Assim, ouso dizer que é um fato político importante que, mesmo com a forte chuva que caiu sobre Buenos Aires, na tarde do último sábado, centenas de pessoas se reuniram no Obelisco, famoso monumento da cidade, para pedir que Messi não deixe a seleção argentina. Os fãs levaram bandeiras e cartazes com a expressão "No te vayas Lio" (Não se vá, Lio), usada desde o último domingo pelo jornal "Olé" para que o craque volte atrás, gritaram e cantaram. Um torcedor chegou a exibir uma bandeira em que o comparava a Deus. Certo que é um exagero, mas, que se pode esperar dos bons e orgulhosos argentinos? O que fizeram é um verdadeiro ato de humildade: reconhecer a grandeza de quem se esforçou para fazer o melhor e pedir que continue a fazer. Foi uma manifestação que foi honrosa para Messi, mas, também para os que a fizeram. De fato, Messi é uma estrela e, nos tempos atuais, qualquer seleção argentina ou até mesmo qualquer campeonato regional ou mundial, não há dúvida, que perde um muito do seu encanto, do seu brilho, sem ele. De forma que, como bom brasileiro, que gosta de bom futebol, também me associo, mesmo sem pegar a chuva que pegaram, e peço: Não se vá, Lionel. O futebol fica menor sem sua presença.


Foto: Globo esporte.

segunda-feira, junho 27, 2016

CRÔNICA DA PACIÊNCIA PERDIDA


Não sei se vocês ainda lembram, mas, a afastada presidente Dilma, lá pelo começo de março, fez, em rede nacional, um discurso culpando a crise mundial pelos problemas do Brasil e pedindo paciência aos brasileiros.  Recebeu, como bela e imediata resposta, pelo país inteiro, e ainda mais nas grandes capitais, gritos, vaias, xingamentos, panelas batendo e buzinas protestando contra seu pedido bizarro. Não era para menos, pois, no seu discurso, no Dia da Mulher, teve o desplante de dizer que as dificuldades que o país estava passando resultavam da crise financeira mundial e da "maior seca da história", e completou com assombrosa falta de senso que "Entre muitos efeitos graves, esta seca tem trazido aumentos temporários no custo da energia e de alguns alimentos. Tudo isso, eu sei, traz reflexos na sua vida. Você tem todo direito de se irritar e de se preocupar. Mas lhe peço paciência e compreensão, porque esta situação é passageira". Incrível, mas, teve a coragem de dizer que o Brasil tem condições de vencer os "problemas temporários" e que o governo absorveu, até o ano passado, todos efeitos negativos da crise e que "agora" tem "que dividir parte deste esforço com todos os setores da sociedade”, de forma  que a vitória "será ainda mais rápida se todos nós nos unirmos neste enfrentamento”. São palavras de quem, como se viu a forma com que foi festejado seu afastamento, se encontrava completamente fora da realidade.

A cristalina verdade é que o brasileiro não tem mais paciência nem compreensão. Os números da violência refletem isto, mas, não são frutos apenas dos roubos gritantes e sorrateiros, como no caso ora revelado dos consignados, e da corrupção que a Lava Jato já mostrou ser sistêmica. É muito mais do que isto. A revolta do brasileiro, que se revela diariamente, vem de que os políticos que deveriam ser os canais de resolução dos problemas da sociedade viraram solucionadores de seus próprios problemas. A sociedade brasileira acordou ao ver que, além de arcar com uma carga monstruosa de impostos, de carregar no lombo o desperdício e a corrupção, ainda por cima suporta a mais hedionda burocracia do mundo. É incrível a carga de exigências de atestados, de documentos, de comprovações que os brasileiros enfrentam a cada dia. Até em bancos oficiais, que deveriam primar por atender ao público, para se ser atendido, é preciso enfrentar três filas ou para pagar impostos se sofre com emissões de guias, com cadastros, com senhas e acessos que não funcionam. A verdade é que, qualquer coisa pública no Brasil, funciona sempre contra o brasileiro. O governo nos ensina que só temos deveres, seja de pagar impostos, de prestar informações, de estar com tudo em dia, mas, por outro lado, e os direitos? Os direitos, como se comprova parece que se restringem aos cidadãos de primeira classe, os poderosos e os políticos, ou aos que nada tem que são assistidos como “coitadinhos”. Enfim, chegamos ao cúmulo do absurdo quando o Partido dos Trabalhadores, ao ascender, perseguiu, justamente, quem trabalha. Não é de estranhar, portanto, que não haja mais paciência nenhuma nem com a política, nem com governos. O Brasil precisa, inclusive para voltar a ter paciência, de menos governo, menos impostos e menos ainda de burocracia. 

segunda-feira, junho 20, 2016

AINDA SOMOS REFÉNS DA CRISE


Uma das coisas que, posso até não ter conseguido, mas, sempre tentei e continuo tentando é pensar, pensar por meus próprios parâmetros. Apesar de que as pessoas pensem que se trata de uma tarefa fácil não é. Tanto que me espanto com a quantidade de pessoas que, mesmo apresentando um vasto tempo de leitura, e até mesmo ostentando prestígio intelectual, são incapazes de escapar das prisões de uma ideologia. Em certos momentos, em que vejo como se expandiu a capacidade de reproduzir chavões, até tenho a impressão de que as pessoas perderam a capacidade de pensar, de raciocinar. É impressionante a quantidade de repetidores de ideias alheias, meros militantes de pensadores mortos e, pior, muitas vezes, se utilizando de uma repetição vazia, o que chamamos de vulgar mesmo.
A safra, por exemplo, são das pessoas de direitas, que pensam que são esquerdas, que, sem a menor capacidade de distinguir alho de bugalho, defendem, por exemplo, a aceitação fanática de ideias alheias a favor de bandeiras de justiça social, de defesa dos pobres, dos fracos e oprimidos. São os que louvam Cuba, por exemplo, e gozando das prerrogativas, ainda que boas, do nosso parco capitalismo, xingam, freneticamente, os outros de burgueses, coxinhas e outros adjetivos menos carinhosos ao defender o indefensável governo Dilma. São os grandes detentores da verdade, que continuam certos contra todas as evidências. São os mesmos que, antes, não viam problemas em Sarney, Renan, Jucá, Raupp & quejandos e, agora, os condenam veemente apenas porque estão a favor do “golpe”. Que golpe? O que as ruas, a população pedia? Um golpe, realmente, muito estranho.
É impressionante que, na era digital, de ondas contínuas de informações, ideias, e plataformas democráticas, com tantas informações, o fanatismo faça com que alguns acreditem que é a Rede Globo, a Veja e o Estadão que fazem a cabeça das pessoas. E, me causa mais espanto ainda, por ver que não são populares, como comumente se diz, mas,  professores, mestres e doutores, que não conseguem enxergar por cima dos muros e grades das universidades. E se olham, não conseguem ver a realidade, envoltos no que pensam ser a salvação da humanidade, a ideologia marxista, socialista. Ideologia que só apresenta uma solução que é a de pegar em armas e lutar por  suas ideias. Mas, para quê? Para implantar as ditaduras que já se mostraram sem futuro, como da extinta URSS ou de Cuba, em gradativa ( e longa) extinção.
O que é estranho, mais ainda, é que são os mesmos que criticam os xiitas por sua ignorância e seu fanatismo. São pessoas de ideias fixas que, desfrutando dos bens e prazeres que o capitalismo proporcionou, bradam contra os empresários, gananciosos, que “nada fazem de bom para a sociedade” esquecidos, porém, que são eles que produzem, que criam bens e serviços. Volto a dizer que não há futuro com sociedades dirigidas por governos totalitários. Que revoluções cubanas, russas, nazistas, fascistas são todas muito parecidas e somente satisfazem o desejo de alguns pelo poder. Não há verdades supremas nem incontestáveis e, se desejamos uma sociedade melhor, temos que aprender, em primeiro lugar, a deixar o fanatismo e o radicalismo de lado. Por causa deles, por causa de ideias que, supostamente, fariam o paraíso na terra, já morreram milhões. Por isto, se é verdade que o governo Temer é uma porcaria, ainda é mais puro que o governo passado. Já é uma depuração dele. Precisamos avançar. E só avançaremos com estabilidade e paz social. Sem superar o passado recente, sem sepultar, de vez, o governo passado, não avançaremos. Precisamos fazer isto nem que depois, se for o caso, também sepultemos o governo presente e interino. Toda economia somente melhora quando se tem estabilidade e perspectivas. Sem um governo permanente continuamos reféns dos ideólogos sem cabeça e da crise.



terça-feira, maio 31, 2016

DEVERIA SIM COMEÇAR OUTRA VEZ


Um comentário ligeiro sobre o documentário acerca de Cauby Peixoto

Na minha infância Cauby Peixoto já era um ídolo. Talvez, salvo Orlando Silva, que também despertou alguma histeria, não tivesse tido antes algum ídolo que despertasse tantas paixões, tantos fãs e fofocas igual a ele. Foi, vamos dizer assim com uma certa relatividade, o Roberto Carlos do passado. Gostava, gosto da voz dele. Há canções que somente mesmo ele foi capaz de interpretar com maestria como foi o caso do seu grande sucesso “Conceição”. Não foi um dos meus ídolos, confesso, que me nutria mais de Carlos Galhardo e depois de Nelson Gonçalves, mas, era impossível não gostar de sua voz e de seu repertório que incluíram grandes sucessos como Blue Gardênia, Tarde Fria, New York, New York e a canção de Chico, que foi uma espécie de marca sua nos novos tempos, Bastidores. Cauby Peixoto foi, sem nenhuma dúvida, o primeiro grande artista pop do Brasil. Foi protagonista de uma história de vida bonita, tortuosa e, até certo ponto, incompleta. Sempre me pareceu que foi uma estrela que não chegou a luzir com todo o brilho que devia, merecia.
Quando me deparei, na Netiflix, com o documentário “Cauby – Começaria Tudo Outra Vez” do cineasta Nelson Hoineff, fui assistir com um misto de curiosidade e, ao mesmo tempo, com uma certa reverência. Afinal a morte recente de Cauby ainda está no ar e na dor dos que sabem que é uma época que se enterrou com ele. Com o olhar crítico que sempre tive a seu respeito, apesar de considerar sua voz belíssima não gostava de seus adornos vocais, sabia que seria um prazer ouvir suas músicas e conhecer um pouco mais de sua história. A verdade é que fiquei frustrado sob estes aspectos. Hoineff não explorou bem a biografia de Cauby, nem sua discografia, penso, da melhor forma. É verdade que se revela um esteta, quando a câmera passeia e pega certos momentos do cantor, porém, senti falta de um esclarecimento melhor sobre a vida do cantor e de alguns momentos memoráveis que, certamente, deve ter registro. Sei que, às vezes, também são as limitações de direito e orçamentárias, todavia, mesmo assim, como teve acesso ao biógrafo Rodrigo Faour poderia ter dado uma visão mais rica da vida do grande ídolo. Inclusive, mesmo que ele não quisesse falar, seria preciso dar um tratamento mais claro de sua vida amorosa, de suas experiências que são, apenas  roçadas, com alusões até do cantor sem clareza, porém. Não que esteja se pedindo uma confissão ou intimidades, mas, quais as pessoas que amou, quem o acompanhou pela vida, enfim, os amigos e os amores que não aparecem no filme. Há, inclusive, uma citação de que "reprimiu-se a vida inteira", o que mereceria um tratamento melhor, mesmo que confeitado. Afinal qualquer que fosse sua opção não eliminaria uma trajetória fulgurante nem afetaria o seu valor artístico ou pessoal. O fato é que as figuras queridas de Cauby não ficam claras e quando aparecem, ficam sem um enquadramento que clarifiquem sua importância. Hoineff, pelo que soube, justificou que “Cauby é muito fechado”. Sem dúvida era, de vez que protegeu a sua intimidade a vida toda, mas, um documentário sobre ele, a meu ver, teria que ter mais conteúdo sobre sua vida e carreira. Isto não invalida em nada o filme. É um belo filme, sobre um grande ídolo brasileiro e, até pela falta de outros registros, vale a pena assistir. No entanto, creio que se fosse Hoineff faria, pois, deve ter material, um outro documentário que fosse menos “fechado”. O filme é uma beleza sob o ponto de vista de se ver um grande ídolo até o fim desejando permanecer no palco, todavia, parece, como a própria vida de Cauby, com um roteiro incompleto, ainda como uma estrela que não revela toda a sua luz.


Ilustração: ego.globo.com