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sexta-feira, maio 22, 2009

NEGÓCIOS DA CHINA



É anunciado com estardalhaço que a China emprestou R$ 10 bilhões para a Petrobras. Tal empréstimo seria um sinal do sucesso da visita de Lula da Silva ao gigante asiático e prova do acerto da política diplomática posta em prática pelo atual governo. Não é preciso ir muito longe para relembrar que, em 2004, Lula já havia ido até lá para, supostamente, acertar a vinda de grandes investimentos chineses para o Brasil e, passados cerca de cinco anos, qualquer um que se debruçar nos números verá que os chineses investem muito mais em países africanos como a Nigéria, Sudão e Argélia do que no Brasil.
O fato real é que, em contraposição à nossa política ciclo tímica e de terceiro-mundismo anacrônico, a China, se comporta de forma pragmática e com uma estratégia de longo prazo que não está nem aí para boas intenções ou promessas vazias. Os chineses, ao contrário de nós, cuidam de seus interesses, daí que o que o empréstimo revela é a consistência de sua política externa que se alicerça em ter muito dinheiro em caixa e na compra maciça de insumos que possam garantir o seu desenvolvimento. Numa época em que falta crédito no mundo e a demanda cai não existe negócio melhor do que aproveitar os preços em queda das “commodities” e comprar o minério de ferro, a soja e, agora, com este último empréstimo também o petróleo, para poder continuar crescendo velozmente. Claro que isto nos garante um sólido superávit comercial neste ano de crise, mas, não deixa de ser revelador de que continuamos sendo exportadores de matéria-prima para nações que nos vendem produtos processados, ou seja, vendemos as mercadorias de baixo preço, sem tecnologia e sem valor agregado o que, convenhamos, revela bem que existe um grande desequilíbrio na relação bilateral com a China (e não somente com ela) e desvela estratégias diferentes que mostram que o Brasil não sabe negociar com os chineses. A viagem de Lula revela friamente que somos ineficientes em aproveitar as oportunidades existentes enquanto os chineses são precisos, frios, calculistas e estão nos dando um banho de competência diplomática em todos os sentidos. A rigor não há o que comemorar. Se a diplomacia brasileira tivesse capacidade de auto-análise certamente encobriria o rosto do Barão do Rio Branco para que, nem com os olhos apertados, pudesse enxergar o fiasco de seus sucessores fazendo negócios na China. Não é de estranhar que Lula, muitas vezes, apareça desajeitado. O estranho é que não exista ninguém perto dele que o tenha desaconselhado a sacramentar o fracasso de sua diplomacia sob o sol do Oriente.

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