11/11/25
É inevitável que, quando chega o fim do ano, as pessoas e as empresas recaíam no ciclo de sempre: analisar o que se passou, verificar os erros e os acertos e buscar formas de melhorar o futuro. As formas para isto são diversas, principalmente num ano, como foi o de 2025, marcado pelas dificuldades e pela incerteza. Talvez muitos digam que a incerteza é um traço do mundo moderno, porém, até para nos sentirmos confortáveis, sempre buscamos minimizar os desafios por meio de vislumbrar os cenários possíveis. E, pelo menos no Brasil, as inseguranças aumentaram sensivelmente, de modo que construir cenários se tornou uma tarefa imensamente complicada. Daí que, se normalmente, as pessoas já se voltam para videntes, cartomantes, sensitivos e quejandos, na medida em que 2025 se aproxima do fim aumentam as demandas pelos que possam desvendar os véus do futuro. Aparece de tudo: de leitores de mão passando por búzios, tarot, especialistas em reprogramação mental, numerólogos e, mais recentemente, os que usam a física quântica e/ou equilibram as auras por meio de passes que modulam a frequência energética individual.
Quem
sou eu para discutir a influência dos astros, os fins e os inícios dos ciclos
planetários, identidades energéticas, campos vibracionais, a potência do campo
eletromagnético do coração ou como os pensamentos positivos, a alegria e a gratidão
mudam as perspectivas e o futuro? Efetivamente, depois de décadas de vida estou
mais perto de Sócrates do que nunca e, por mais que tenha procurado me manter
antenado com este mundo, devo dizer que sou um barco desgovernado que, num país
que mais parece um mar bravio, procura não afundar durante a tempestade. A
rigor, depois de alguns problemas incomuns, tento apenas terminar o ano sem me
sentir doente, mas, com certeza, de ser incapaz de absorver a sobrecarga
digital, a desinformação geral, a estrutura multimídia vigente, que não me
parece muito razoável, e a surpresa e o encanto de passar por algumas
experiências imersivas que me conscientizam, cada vez mais, da minha
transitoriedade e insignificância. Até tive a impressão errônea de que
terminava um ciclo. Nada terminou, de fato, depois que passei por um período de
turbulência, apenas consegui concluir que os problemas continuam os mesmos e
que não tenho muito como, nesta altura do campeonato, mudar os resultados.
Estou, mais ou menos, na mesma situação dos times da série A que tentam escapar
do rebaixamento. Enfim, minha grande ambição é chegar ao fim do ano não me
sentindo doente. Já em relação à 2026, sinceramente, não sei bem o que vou
fazer. E, usando a metáfora do barco, estou mais esperando ver se a chuva e as
águas vão se acalmar.
Ilustração: Sementes da Fé.
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