Total de visualizações de página

domingo, fevereiro 15, 2026

CULTURA E GOSTO POPULAR: ENTRE A GRANDE ARTE E O VIRAL

 


Sinceramente, poucas vezes consigo me sintonizar com os pensamentos de Donald Trump - figura marcante no cenário político moderno e, como todo magnata acostumado a fazer o que quer, um egocêntrico. Apesar disso, não dá para negar que há momentos em que ele acerta a mão e acerta questões que muitos criticam com exagero. Por exemplo, a decisão de prender Maduro melhorou, ainda que parcialmente, o clima social e político na Venezuela, com milhares de pessoas sendo libertadas num processo que muitos veem como positivo.

Por outro lado, minha falta de interesse pelo Super Bowl é total. Trata-se de um espetáculo criado principalmente para o público estadunidense, e isso é legítimo- mas não consigo entender o entusiasmo global por ele. Ainda menos compreendo o fervor em torno de artistas como Bad Bunny- cuja música, para mim, simplesmente não ressoa.  Bad Bunny é hoje um dos maiores nomes da música latina no mundo, líder em números de streaming e presença global. Ele quebrou barreiras para artistas que cantam em espanhol e trouxe elementos culturais de Porto Rico para palcos como o do Super Bowl- algo que antes raramente acontecia.

Ainda assim, muitos veem seu show e estilo como ruins, repetitivos ou exagerados, declarando que ele “não canta bem” ou que sua presença em grandes eventos é fruto de um efeito de massa mais do que de um mérito artístico genuíno. Críticas online vão de comparações desfavoráveis com artistas populares locais até declarações duras como “Bad Bunny é pavoroso” e que sua fama seria apenas “histeria coletiva”.

É importante frisar que essa polarização não é incomum no debate cultural atual: enquanto uns o acusam de mau gosto e superficialidade musical- especialmente em performances como a do Super Bowl- outros celebram sua autenticidade e a maneira como ele representou a cultura latina em um palco global.

Do meu ponto de vista pessoal, o que se tornou predominante hoje é uma cultura que confunde quantidade com qualidade. O que viraliza na internet -muitas vezes impulsionado por algoritmos, marketing, memes ou incentivo financeiro- tende a ser visto como símbolo de sucesso, mesmo que não carregue profundidade artística. Esta valorização do sensacionalismo, do choque ou do bizarro como entretenimento contradiz a ideia tradicional de grande arte, que sempre exigiu complexidade, amadurecimento intelectual e um senso de grandeza que vai além do consumo rápido.

A arte de verdade aquela que desafia, ensina e transforma- exige silêncio, reflexão e reverência, coisas cada vez mais escassas em uma era em que tudo pode ser reduzido a padrões repetitivos e facilidades estilísticas. A música realmente memorável normalmente depende de composição cuidadosa, performance técnica e impacto cultural duradouro - características que, a meu ver, não se encontram tão facilmente nas tendências virais contemporâneas.

Por fim, embora eu me considere um elitista cultural, não ignoro completamente a diversidade de gostos nem descarto a relevância social de fenômenos populares- toda manifestação artística tem seu contexto e valor. Mas, penso que devemos diferenciar entre entretenimento efêmero e arte verdadeiramente significativa, e também compreender que o fato de algo ser amplamente consumido não garante automaticamente sua profundidade ou qualidade estética.

Parte superior do formulário

 

CARNAVAL NO NORTE E OS DESAFIOS DA ECONOMIA CRIATIVA REGIONAL

 


Cidades do Norte do Brasil, como Belém, Manaus e Porto Velho, têm experimentado, nos últimos anos, uma transformação significativa em seus carnavais. Com a “Banda do Vai Quem Quer” de Porto Velho, como exemplo, e outros blocos tradicionais, essas festas vêm atraindo crescente número de turistas nacionais e internacionais, impulsionadas pela ampliação da malha aérea e pela valorização das experiências culturais e gastronômicas únicas da região amazônica. Os investimentos em infraestrutura e segurança têm permitido que as festas ampliem seu alcance, contribuindo para a geração de renda e empregos. No entanto, por trás dos números positivos e do crescimento turístico, persiste uma queixa recorrente: o carnaval do Norte e a economia criativa regional não recebem o mesmo apoio que as festas consolidadas do Sudeste e Nordeste do país.

Os blocos tradicionais e grupos culturais da região amazônica enfrentam um paradoxo: enquanto suas festas ganham visibilidade nacional e internacional, os organizadores relatam dificuldades crescentes para viabilizar os desfiles. As principais reclamações incluem a falta de apoio institucional consistente, exigências burocráticas excessivas e, em alguns casos, o uso político das festas por autoridades que veem no carnaval apenas uma plataforma para promoção pessoal, sem compromisso real com o desenvolvimento da cultura local. Esta contradição revela uma questão estrutural: a economia criativa do Norte permanece subfinanciada e subvalorizada em comparação com outras regiões do país, apesar de seu inegável potencial econômico e cultural. O resultado é um cenário onde o sucesso público das festas não se traduz em sustentabilidade para os produtores culturais que as constroem.

Para reverter esse quadro e consolidar o carnaval do Norte como patrimônio cultural sustentável, algumas medidas podem ser implementadas:

1)    A criação de fundos permanentes para a cultura regional. Os fundos permanentes garantem previsibilidade aos produtores culturais, permitindo planejamento de longo prazo. Esses fundos devem ter critérios técnicos de distribuição, com participação de conselhos culturais representativos, evitando a distribuição política dos recursos;

2)    Desburocratização dos processos de licenciamento. A criação de balcões únicos para obtenção de licenças, alvarás e autorizações pode reduzir significativamente o tempo e o custo para organização dos blocos. Processos digitais e prazos claros também contribuem para maior transparência e eficiência administrativa;

3)    Programas de capacitação e profissionalização. Investir na formação de gestores culturais, técnicos de produção e empreendedores criativos fortalece toda a cadeia produtiva do carnaval:

4)    Editais com antecedência e continuidade. A publicação de editais de fomento com pelo menos seis meses de antecedência permite que os grupos se preparem adequadamente. Além disso, editais plurianuais oferecem segurança para projetos de maior fôlego e estimulam o desenvolvimento artístico consistente;

5)     Criação de espaços permanentes para ensaios e produção. A disponibilização de galpões culturais, centros de criação e espaços de ensaio gratuitos ou subsidiados reduz drasticamente os custos operacionais dos blocos e grupos;  

6)    Estruturação de programas de turismo cultural integrado. Articular o carnaval com outras manifestações culturais e atrativos regionais (gastronomia amazônica, turismo de natureza, festivais de música) pode ampliar o impacto econômico e descentralizar os benefícios para além do período carnavalesco.

Algumas cidades brasileiras demonstram como o apoio efetivo ao carnaval pode gerar resultados positivos para toda a comunidade. São exemplos, Salvador (BA), Recife e Olinda (PE), São Paulo (SP) e, mais recentemente,  Belo Horizonte (MG) e Florianópolis (SC).  São bons exemplos e é preciso entender que o carnaval do Norte possui características únicas que merecem ser preservadas e potencializadas. Para isto, é fundamental que as políticas públicas reconheçam essas especificidades e haja apoio para fortalecer as raízes culturais locais e valorização dos mestres da cultura popular.  Porém, um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento sustentável do carnaval do Norte tem sido a instrumentalização política das festas. Quando autoridades utilizam os recursos culturais primariamente para autopromoção, cria-se um ciclo vicioso de dependência e instabilidade. A cultura não deve ser refém de ciclos eleitorais ou interesses políticos momentâneos. Cabe aos gestores públicos do Norte do país escolher: repetir modelos ultrapassados de apropriação política da cultura ou construir, em parceria com os verdadeiros protagonistas da festa, um carnaval que seja, de fato, patrimônio de todos e motor de desenvolvimento regional sustentável. A Amazônia tem muito a ensinar ao Brasil sobre diversidade, resistência e criatividade. Está na hora de seu carnaval receber o reconhecimento e o apoio que merece.

 

“TICKET DOURADO”, UMA INSTIGANTE REFLEXÃO FINANCEIRA

 


O livro "Ticket Dourado", escrito por Luciano Claudino e publicado pela LC Books, convida os leitores a refletirem sobre suas escolhas e comportamentos em relação à vida financeira. Em um contexto onde o endividamento é uma realidade para muitos, a obra se destaca por abordar de maneira acessível a importância da educação financeira e da liberdade econômica.

Uma das mensagens centrais do livro é que a clareza sobre o que fazer com o dinheiro não está atrelada à quantidade que se ganha, mas sim à consciência que se possui na construção de metas financeiras. Claudino argumenta que, para lidar bem com as finanças, é fundamental afastar as tentações imediatas e os medos que muitas vezes nos paralisam. O autor chama a atenção para a importância de um processo consciente na gestão financeira, algo que pode ser especialmente relevante no nosso país onde a falta de educação financeira é evidente.

Além de discutir valores teóricos, "Ticket Dourado" traz uma série de exemplos práticos sobre como se comportar em relação ao dinheiro. O livro funciona como um guia que, longe de oferecer fórmulas prontas ou promessas fáceis, apresenta caminhos tangíveis para uma relação mais saudável com as finanças. Os leitores são incentivados a adotar uma postura proativa em relação ao seu dinheiro, preparando-se para imprevistos e aprendendo a gerenciar riscos com calma e determinação.

Em um mundo onde a incerteza é uma constante e o acaso pode desempenhar um papel significativo, nos mostra que a educação financeira se revela como uma ferramenta vital para se ter liberdade financeira. Claudino enfatiza que o conhecimento sobre finanças é essencial para que as pessoas possam tomar decisões informadas e se sentirem mais seguras em suas escolhas. A leitura de "Ticket Dourado" se torna, portanto, não apenas uma busca por informações financeiras, mas um convite a uma transformação pessoal que visa libertar o indivíduo de padrões de consumo prejudiciais.

Outro aspecto notável da obra é sua linguagem direta e simples, tornando a leitura acessível a um amplo público. "Ticket Dourado" não se limita a especialistas em finanças, mas fala diretamente ao cidadão comum que deseja melhorar sua relação com o dinheiro. Esta abordagem descomplicada permite que cada leitor se identifique com os desafios apresentados, facilitando a aplicação dos ensinamentos no dia a dia.

Por tudo isto "Ticket Dourado" é mais do que um livro sobre finanças; é um convite à reflexão sobre as escolhas que fazemos em nossa vida financeira. Luciano Claudino nos oferece ferramentas e caminhos para que possamos construir uma relação mais saudável e consciente com o dinheiro, um aspecto fundamental em um mundo repleto de incertezas. Com sua leitura clara e acessível, a obra se transforma em um guia importante para todos aqueles que buscam não apenas a independência financeira, mas também o autoconhecimento e a liberdade em suas decisões econômicas.