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domingo, janeiro 11, 2026

NÃO SUBESTIME OS MAIS VELHOS: ELES SÃO VOCÊ AMANHÃ, SE SOBREVIVER

 


 A Nova Forma de Envelhecer que Está Redefinindo o Futuro do Brasil

O envelhecimento, tal como o conhecíamos, está passando por uma profunda transformação. Durante décadas, completar 60 anos significava, quase automaticamente, aposentadoria, desaceleração e recolhimento. Hoje, esta lógica já não se sustenta. Para milhões de brasileiros, essa idade marca o início de um novo e vibrante ciclo de vida, ativo, produtivo e cheio de significado.  Neste contexto surge o conceito de NOLT -New Older Living Trend (Nova Tendência de Vida dos Idosos). Mais do que um acrônimo, o NOLT representa uma mudança cultural. Ele rompe com a visão tradicional do “idoso” associada à fragilidade e ao fim de trajetória, e inaugura uma nova identidade: a de pessoas maduras que vivem com propósito, curiosidade e disposição contínua para aprender e evoluir.

Quem é o NOLT?

Diferentemente das gerações anteriores, o NOLT não espera o tempo passar. Ele faz o tempo acontecer. A maturidade, para esse grupo, não é sinônimo de limitação, mas de liberdade para recomeçar com mais consciência e menos medo.

Essa nova forma de viver a idade se manifesta em três pilares centrais:

1. Educação ao longo da vida

Os Nolts estão retornando às salas de aula, presenciais ou virtuais. Aprendem novas tecnologias, desenvolvem habilidades digitais e, muitas vezes, iniciam segundas ou até terceiras graduações. O aprendizado deixa de ser uma etapa da juventude e passa a ser um processo contínuo, alinhado ao conceito de lifelong learning.

2. Empreendedorismo sênior e reinvenção profissional

Com experiência acumulada e maior clareza de propósito, muitos Nolts transformam antigos sonhos em projetos concretos. Abrem negócios, mudam de carreira e empreendem com a coragem que só a maturidade proporciona. Recomeçar, aqui, não significa voltar ao ponto zero, mas avançar com bagagem e sabedoria.

 

3. Equilíbrio físico, emocional e social

O cuidado com a saúde vai além do corpo. Há uma atenção crescente à saúde mental, às emoções e à vida social. Os Nolts atuam como mentores, voluntários e líderes comunitários, mantendo relações ativas e significativas, fundamentais para o bem-estar e a longevidade.

A experiência como motor, não como peso

Para o NOLT, a experiência não limita- impulsiona. As decisões são tomadas mais por consciência do que por impulso, e os riscos são calculados com base em vivência. Essa postura gera um impacto direto na economia e na sociedade.

A chamada Economia Prateada deixa de ser um nicho e passa a ocupar o centro do consumo. Cresce a demanda por produtos e serviços que não sejam “para idosos”, mas para pessoas ativas, autônomas e exigentes. Da mesma forma, universidades e plataformas de ensino precisarão adaptar seus currículos, focando em transição de carreira, tecnologia e aprendizado contínuo.

Um Brasil cada vez mais NOLT

Atualmente, esta parcela da população já representa quase um terço dos brasileiros. Com o rápido envelhecimento da pirâmide etária, a tendência é clara: nas próximas décadas, os Nolts serão maioria. Isto tende a reduzir o preconceito geracional, o chamado etarismo, e a ampliar a valorização da mentoria, da troca intergeracional e do conhecimento acumulado.

Chamar alguém de NOLT é reconhecer que envelhecer mudou. É afirmar que esta fase da vida não se resume a encerrar ciclos, mas a escrever capítulos mais autênticos, livres e relevantes.

Viver bem depois dos 60 deixou de ser exceção. Tornou-se tendência. O futuro não pertence apenas aos jovens; pertence a quem, em qualquer idade, mantém a coragem de aprender e a disposição de evoluir. E tudo indica que este futuro será, cada vez mais, NOLT.

O “samba do crioulo doido” de 2026: crise no país e fé no próprio taco


08/01/26

O Brasil ingressa em 2026 vivendo uma contradição que desafia os manuais da economia tradicional, mas traduz com precisão a psicologia social do país. De um lado, os dados da pesquisa Hibou revelam um país operando em “modo de sobrevivência”: 39% dos brasileiros iniciam o ano endividados, e quase um terço desse contingente carrega dívidas expressivas, superiores a R$ 15 mil. De outro, a pesquisa Ipsos aponta que impressionantes 80% da população acreditam que 2026 será um ano melhor.

À primeira vista, os números parecem inconciliáveis. Estaríamos diante de um otimismo ingênuo ou de uma resposta emocional a um ambiente econômico e político cada vez mais adverso? A leitura do cenário macroeconômico não autoriza complacência. A inflação segue pressionando o custo de vida, as taxas de juros permanecem elevadas e o crédito se tornou um privilégio caro. O consumo “racional”, portanto, deixou de ser uma opção e passou a ser uma imposição. Não por acaso, metade dos brasileiros acredita que a economia nacional tende a piorar.

Diante desse quadro, o brasileiro médio ajustou suas expectativas e passou a “fazer conta”. O planejamento para 2026 revela prioridades claras e defensivas:

  • Qualificação profissional: investir em estudo aparece como estratégia para elevar renda e reduzir vulnerabilidades.
  • Corte de supérfluos: 48% admitem que pretendem economizar tudo o que for possível.
  • Consumo reprimido: em estados como Rondônia, onde o endividamento é elevado, o desejo por bens duráveis permanece latente, à espera de uma folga orçamentária que, hoje, só alcança cerca de 12% da população.

O ambiente político adiciona ainda mais incerteza ao cenário. Com eleições presidenciais no horizonte, a desconfiança nas instituições permanece profunda. Segundo a Ipsos, 51% dos brasileiros acreditam que haverá protestos contra o governo em 2026, enquanto 60% demonstram temor até mesmo de episódios extremos, como ataques terroristas. Trata-se de um sintoma claro de insegurança institucional e de erosão da confiança pública.

Curiosamente, a válvula de escape não está fora do país. O custo elevado das viagens internacionais- agravado pelo câmbio desfavorável- afastou até mesmo o sonho de acompanhar eventos globais, como a Copa do Mundo. Em seu lugar, ganham espaço o turismo doméstico e pequenos “presentes para si mesmo”: gastos pontuais, simbólicos, que funcionam como compensação emocional em um cotidiano marcado por restrições.

Resta, então, a pergunta central: há lógica em acreditar que 2026 será melhor (80%) enquanto se projeta uma piora da economia (50%)? A resposta não está na irracionalidade, mas em uma dissociação cada vez mais clara entre o “eu” e o “Estado”. O brasileiro deixou de esperar soluções vindas do governo ou de mudanças estruturais de curto prazo. O otimismo que emerge é individual, pragmático e defensivo. A crença não está no país, mas na própria capacidade de adaptação, no esforço pessoal e na possibilidade de uma “virada de chave” privada. É a aposta no próprio taco.

Neste sentido, a esperança deixou de ser passiva e tornou-se instrumental. É uma ferramenta de sobrevivência, não uma aposta política. Se 2025 foi rotulado como “ruim” por 61% da população, 2026 surge como o ano da aposta no próprio taco. O brasileiro entra no ringue consciente da hostilidade do cenário, mas decidido a não jogar a toalha.

Talvez seja esse o mais sofisticado “samba” já produzido pelo país: o de quem dança conforme a música, mesmo quando a orquestra está desafinada- e o salão, quase vazio.

Ilustração: Imagem digital gerada pelo Manus

Reflexões Transitórias de Fim de Ano

 


26/12/25

Sim, minha querida, estou preso em mim mesmo. Nunca poderei deixar de ser eu mesmo. O mundo, o meu amor por você somente pode existir se meu “eu” existe e ninguém poderá ser o que sou. Sim, com egoísmo, ou não, eu sou eu mesmo e mais ninguém. Nós amamos por amarmos a nós mesmos. Nada que nos digam muda o fato de que este mundo somos nós. E se há outro não o poderemos sentir. Nele nada somos. Isto também nos fornece a consciência do transitório, da finitude: continuarão, depois de nós, a existir as coisas que amamos, os filhos, os amigos, os outros, as árvores, a beleza dos lugares, o maravilhoso fim de tarde do Madeira, o mar, o céu ou as músicas. O vinho, o bar, o café, sei lá o que mais. Tantas coisas que nos fizeram felizes, ou não. O sol, o sol forte, do qual nos queixamos nos dias de calor.  E reclamar do sol é reclamar da existência. É como reclamar do sono, o mais próximo do não ser. E se não conseguimos dormir, compreendemos a sua benção. Sono, uma amostra da não-existência, que nos faz entender nossa diferença do animal, a consciência. Ou talvez não. Talvez também tenham a consciência da finitude. Talvez não. A palavra deve ser o a chave da representação, ter o receio da imaterialidade. A representação que nos leva a estar acima da dor existencial. Falamos de felicidade, quando não há satisfação verdadeira ou sólida. Com o tempo, através dele, sabemos que somos ignorantes, que não saberemos o que precisamos saber. Por isto, talvez, as palavras de Jesus de que melhor seria não ter nascido. É que nascer é a perda da não-existência, o milagre transitório da consciência. Que nós, incapazes de suportar a ideia da morte, desejamos superar por meio de obras, ou por um ser divino-que só pode ser real por nossa fé. Pelo conhecimento, por nossa ignorância, não podemos demonstrar que, de fato, exista, porém não existir contraria nosso desejo e lógica. Se pudesse rir das minhas reflexões, riria. O riso é a forma superior da dúvida. Mas, se posso rir de mim mesmo, consciente, não consigo pensar em rir quando, a imaterialidade vier. E, nisto, como os que pensam, sinto a inutilidade da vida, a falta de sentido. Por sermos, para nós mesmos, o fato mais importante e, por sabermos que, com a nossa morte, morre um mundo. E esta consciência, pior para quem pensa, se torna mais forte com a idade. Antes uma bela mulher, um jantar, uma música, um vinho, um poema podiam, por algum tempo, ser o remédio para superar a dura reflexão. E oprimido pelos pensamentos recaio em Mateus 12: 43-45, que diz que o homem que procurou descanso, depois de ter expulso um espírito imundo, volta para casa e traz consigo mais 7 espíritos que tornam seu estado pior. Bem o que pretendo dizer com isto? Não sei. Apenas que o tempo é um moinho na sua forma selvagem de moer os sonhos e a vida. E que não somos donos de nosso destino. E que pode tudo acontecer que não estarei sozinho. Com todos os problemas sei que amo e sou amado- e isto é tudo que um homem pode querer ainda que o amor também seja transitório. E que a memória amanhã continue a existir.   

Ilustração: UOL. 

Split Payment: O Grande Desafio para os Negócios em 2026

 


A partir do próximo ano, o Brasil, por força da reforma tributária, irá começar a implantar o split payment, um mecanismo que modifica a forma como os tributos são pagos nas transações comerciais. Embora, em 2026, seja somente um período de testes e um ensaio geral já será preciso os empresários se preocuparem com o que irá acontecer. Com esta medida, o valor do imposto será automaticamente separado do montante da mercadoria ou serviço no momento da transação. O governo afirma que a implementação ocorrerá de forma simultânea nas operações de varejo e nos principais instrumentos de pagamento eletrônico, trazendo inovação, eficiência e justiça fiscal. No entanto, esta mudança pode representar um grande desafio, especialmente para micro e pequenos negócios e empresas de varejo com margens de lucro reduzidas.

O split payment (pagamento dividido)  é uma forma de gestão tributária em que a alíquota do imposto é descontada automaticamente na hora da venda, separando o valor do tributo do valor da mercadoria ou serviço. Esta prática busca aumentar a eficiência tributária e a rastreabilidade das operações, mas pode ter sérias implicações para os negócios. Embora o governo apresente o split payment como uma solução inovadora, os efeitos adversos para micro e pequenos empreendimentos são evidentes: Em primeiro lugar, com a tributação imediata, o capital de giro das empresas será severamente impactado, dificultando a manutenção da operação diária. O que deve gerar a necessidade de capital para cobrir a tributação, o que pode levar pequenos empresários a buscar crédito bancário, aumentando o seu endividamento. A pressão financeira também pode resultar em um aumento da insolvência entre pequenos comerciantes, colocando em risco a sustentabilidade de muitos negócios.

Um segundo problema advém de que a implementação do split payment não se resume apenas à separação do tributo durante as transações, pois exige à adequação dos Sistemas de Pagamentos.  As empresas precisarão atualizar seus sistemas para se adaptarem ao novo modelo, bem como será necessária uma coordenação complexa entre bancos, emissores, adquirentes e o governo. As empresas precisarão investir em tecnologia para garantir conformidade. Esta transição deve gerar custos elevados para empresas de todos os portes e aumentar a complexidade operacional. Especialistas também alertam que a adoção do split payment pode resultar em aumento das tarifas e custos adicionais que serão repassados aos consumidores. Tal aumento dos custos operacionais pode levar a uma diminuição da concorrência no setor. A complexidade do novo sistema pode ser especialmente desafiadora para microempreendedores e trabalhadores informais, que podem se ver excluídos das plataformas digitais. Além disto, a relação de "tutela" do Estado sobre o caixa privado, gerada pelo recebimento imediato dos tributos, pode criar um ambiente de desconfiança e insegurança financeira.

O conceito de split payment não é novo e já foi implementado em outros países, geralmente em setores críticos. No entanto, onde foi aplicado amplamente, resultou em impactos negativos significativos no caixa das empresas. No Brasil, os setores mais afetados devem incluir Varejo, Serviços, E-commerce, Fintechs e pequenas operações informais. Enfim, o split payment se apresenta como uma inovação no sistema tributário brasileiro, mas é crucial que empresários e pequenos comerciantes estejam cientes dos desafios que esta mudança pode acarretar. A adaptação a este novo modelo pode complicar ainda mais o cenário econômico do próximo ano, exigindo planejamento e estratégias adequadas para mitigar os impactos.

Ilustração: e-Auditoria. 

ESPERANDO PARA VER O QUE FAZER

 11/11/25

É inevitável que, quando chega o fim do ano, as pessoas e as empresas recaíam no ciclo de sempre: analisar o que se passou, verificar os erros e os acertos e buscar formas de melhorar o futuro. As formas para isto são diversas, principalmente num ano, como foi o de 2025, marcado pelas dificuldades e pela incerteza. Talvez muitos digam que a incerteza é um traço do mundo moderno, porém, até para nos sentirmos confortáveis, sempre buscamos minimizar os desafios por meio de vislumbrar os cenários possíveis. E, pelo menos no Brasil, as inseguranças aumentaram sensivelmente, de modo que construir cenários se tornou uma tarefa imensamente complicada. Daí que, se normalmente, as pessoas já se voltam para videntes, cartomantes, sensitivos e quejandos, na medida em que 2025 se aproxima do fim aumentam as demandas pelos que possam desvendar os véus do futuro. Aparece de tudo: de leitores de mão passando por búzios, tarot, especialistas em reprogramação mental, numerólogos e, mais recentemente, os que usam a física quântica e/ou equilibram as auras por meio de passes que modulam a frequência energética individual.  

Quem sou eu para discutir a influência dos astros, os fins e os inícios dos ciclos planetários, identidades energéticas, campos vibracionais, a potência do campo eletromagnético do coração ou como os pensamentos positivos, a alegria e a gratidão mudam as perspectivas e o futuro? Efetivamente, depois de décadas de vida estou mais perto de Sócrates do que nunca e, por mais que tenha procurado me manter antenado com este mundo, devo dizer que sou um barco desgovernado que, num país que mais parece um mar bravio, procura não afundar durante a tempestade. A rigor, depois de alguns problemas incomuns, tento apenas terminar o ano sem me sentir doente, mas, com certeza, de ser incapaz de absorver a sobrecarga digital, a desinformação geral, a estrutura multimídia vigente, que não me parece muito razoável, e a surpresa e o encanto de passar por algumas experiências imersivas que me conscientizam, cada vez mais, da minha transitoriedade e insignificância. Até tive a impressão errônea de que terminava um ciclo. Nada terminou, de fato, depois que passei por um período de turbulência, apenas consegui concluir que os problemas continuam os mesmos e que não tenho muito como, nesta altura do campeonato, mudar os resultados. Estou, mais ou menos, na mesma situação dos times da série A que tentam escapar do rebaixamento. Enfim, minha grande ambição é chegar ao fim do ano não me sentindo doente. Já em relação à 2026, sinceramente, não sei bem o que vou fazer. E, usando a metáfora do barco, estou mais esperando ver se a chuva e as águas vão se acalmar.

Ilustração: Sementes da Fé. 

 

 

 

A Taxa de Desemprego

 25/10/25

Baixa taxa de desemprego: pleno emprego ou ilusão



Baixa taxa de desemprego: pleno emprego ou ilusão - Gente de Opinião

A taxa de desemprego no Brasil manteve-se em 5,6% no trimestre encerrado em agosto de 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado repete o menor patamar da série histórica iniciada em 2012 e representa cerca de 6,1 milhões de brasileiros desocupados, o número mais baixo já registrado. À primeira vista, os números indicam um mercado de trabalho sólido. Contudo, economistas e analistas alertam que a aparente bonança esconde uma realidade marcada pela informalidade, subocupação e precarização das relações laborais. Isto se baseia em que para ser considerada desempregada, a pessoa precisa atender a três critérios definidos pelo IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística:

1)   não ter trabalhado sequer uma hora na semana de referência;

2)   ter procurado trabalho nos últimos 30 dias; e

3)   estar disponível para assumir uma vaga, caso surja.

Estas condições deixam fora da estatística milhões de brasileiros que, embora desejem trabalhar, não possuem meios financeiros para procurar emprego-como o custo de transporte- ou estão subocupados, isto é, trabalham poucas horas por semana em atividades eventuais sem contar os que vivem de subsídios do governo, como o Bolsa Família.  Além disso, há o grupo dos desalentados, que desistiram de buscar emprego por falta de oportunidades ou desânimo com o mercado. Embora invisíveis nas estatísticas oficiais, eles representam uma parcela expressiva da população em idade ativa.

É preciso acentuar que de acordo com o IBGE, cerca de 39 milhões de brasileiros estavam na informalidade em agosto de 2025, o que equivale a 38% da força de trabalho ocupada. Esses trabalhadores não têm acesso a direitos básicos, como férias remuneradas, descanso semanal e 13.º salário. Outro ponto preocupante é o avanço das plataformas digitais de trabalho- motoristas, entregadores e prestadores de serviços por aplicativos- que, apesar de representarem uma nova dinâmica no mercado, operam sem garantias trabalhistas e sob forte pressão econômica. Segundo a economista Maria Silva, pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), “a atual taxa de desemprego mascara a deterioração das condições laborais. Há uma geração inteira que trabalha mais, ganha menos e vive sem proteção social”. O discurso de “pleno emprego”- sugerido por parte do mercado financeiro e autoridades-ignora o caráter limitado da metodologia oficial. Embora o número de pessoas ocupadas tenha aumentado, a qualidade dos empregos criados caiu, com expansão de postos informais e temporários. Além disto, o poder de compra dos salários permanece em queda devido à inflação e ao aumento do custo de vida. “Mesmo com uma taxa de desemprego baixa, o trabalhador brasileiro está em situação pior do que há dois ou três anos”, observa o economista Ricardo Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A redução da taxa de desemprego é positiva, mas não pode ser confundida com progresso social. O verdadeiro indicador de bem-estar laboral vai além do número de pessoas empregadas-passa pela qualidade das condições de trabalho, pela segurança de renda e pela preservação dos direitos trabalhistas. Enquanto essas dimensões não forem incorporadas à análise, o “pleno emprego” continuará sendo uma ilusão estatística- e o trabalhador brasileiro, a parte mais frágil dessa equação. E o que vale para o Brasil vale para Rondônia onde apesar de ser vangloriar de manter o segundo lugar em taxa de desocupação do país apresenta, em Porto Velho, um imenso contingente de jovens desalentados, que não procuram mais empregos porque não conseguem (ou não existem). São jovens, em geral, sem experiência de primeiro emprego e que precisam de aprendizado e medidas que estimulem serviços de alta tecnologia, de maior valor agregado e produtividade para poderem ser aproveitados.