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sábado, agosto 20, 2005

NA PRÓPRIA PELE

As acusações do ex-assessor de Palocci, Rogério Buratti, por menos fé que mereçam, revela um aspecto inquietante da vida pública nacional: a de que, a rigor, o julgamento de autoridades políticas se processa, antes de qualquer investigação ou tribunal, na imprensa. Talvez isto não se se constitui um problema se a imprensa tivesse o zelo de checar as informações ou até mesmo silenciar sobre os casos em que a simples menção da autoridade implicasse em nodoas na sua reputação, como no caso atual do ministro da Fazenda. A questão e, isto é inegável, é que, com tanto escândalos, com tantas provas evidentes de corrupção e a negativa deslavada (e com defesas irracionais) tornam inócuas qualquer negativas, ou seja, há um clima no qual qualquer autoridade acusada já é, praticamente, culpada por antecipação. Em parte pela razão de que, recentemente, tudo que se negava existir era comprovado como existindo, logo em seguida, como tem sido na infindável novela do “Mensalão”. Neste caso atual, embora não se possa negar o indubitável trabalho que as promotorias tem realizado, a divulgação de acusações, durante um processo investigativo, cujas repercussões abalam inclusive a economia nacional não deixam de ser um excesso, uma necessidade dispensável de holofotes em cima da palavra de um delator premiado que, possivelmente, tem magoas do seu ex-chefe inclusive, como revelou de forma indireta, por este ter sustado a propina da G-Tech impossibilitando a mudança de contrato. Não se trata aqui de isentar Palocci de culpa, porém até agora os indícios são muito frágeis. Trata-se apenas de que só há a palavra de quem é reconhecidamente criminoso e que, como deixou claro, ao afirmar se sentir “abandonado” disposto a salvar o próprio pescoço a qualquer preço. Neste sentido não seria muito recomendável que se desse publicidade aos fatos antes de ter indícios mais concretos. Claro que a investigação não está sendo feita em sigilo, mas, independente de quem seja o acusado, as pessoas tem um nome a zelar e depois de expostas nos meios de comunicação reverter certas situações é muito complicado. Ou seja, divulgar notícias baseadas em suposições e indícios frágeis é linchar moralmente as pessoas antes de ter direito à defesa. Depois mesmo que inocente o escândalo da primeira página vira uma notinha de desculpas nas páginas intermediárias. Sou totalmente contra ao amordaçamento do Ministério Público, mas, como nem todos os seus membros possuem a maturidade de saber usar seus poderes, deveria haver uma maior discussão interna do que devem e não devem divulgar e não uma defesa corporativa dos seus membros que extrapolam na busca de seus quinze minutos de fama. O denuncismo é muito ruim mesmo quando correto. Assim deve-se investigar mais antes de divulgar algo que atinja a imagem das pessoas. O irônico da questão Palocci é que foi o PT que incentivou pessoas a agirem assim e, agora, sente as dores na própria pele.

Um comentário:

LCMarques disse...

Não sei, não...
O Buratti sabe que qualquer acusação que não conseguir provar é diferente do papel do Roberto Jeffeson. Também acho que foi um recado pedindo ajuda suas declarações e que o MP deixou de forma transparente a sociedade tomar conhecimento para evitar que se torne Santo André 2, a missão.